História Missing Halloween - Capítulo 6


Escrita por:

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Categorias EXO
Personagens Chen, Xiumin
Tags Chanbaek, Xiuchen
Visualizações 42
Palavras 4.120
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello aaaangels!!

Voltei de novo, adiantada pq não aguento mais, quero que a fic acabe logo pra eu poder divulgar mais ela terminada kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Segurem o cérebro que esse cap vai fazer estrago.
Bjs e boa sorte <3

Capítulo 6 - You found me


Fanfic / Fanfiction Missing Halloween - Capítulo 6 - You found me

O clima estava um pouco mais frio naquela noite de Halloween, mas correr atrás de Yixing era uma atividade que com certeza ajudava Jongdae e Minseok a permanecerem quentes. O garotinho era como um furacão de animação, batendo em todas as portas possíveis pra coletar os doces. O único problema (que graças a Deus Yixing não percebera) eram os olhares tortos das pessoas que atendiam os três rapazes. A maioria delas olhavam-nos como se fossem ETs, e entregavam os doces com caras emburradas, o que deixava Jongdae e Minseok indignados.

O baldinho de Jongdae estava quase vazio e o de Minseok estava pior, não tinha nenhum doce dentro. Ao menos o balde de Yixing estava cheio. Mesmo que ele fosse uma criança que carregava fofocas e rótulos horríveis em suas costas, parecia que as pessoas estavam tendo o bom senso de dar doces para ele.

Assim que o baldinho do menino encheu, os três começaram a voltar para sua rua, andando lentamente e em silêncio. Yixing já atacava seus doces, com a boca tão cheia que parecia um filhote de esquilo.

 - Min, deixa eu ver seu balde.

Minseok entregou o balde vazio para Jongdae. O rapaz, então, encheu o baldinho do gatinho com metade dos seus próprios doces, devolvendo o balde para seu dono.

 - Obrigado, Dae. – Minseok sorriu.

Em resposta, Jongdae sorriu também e pegou em sua mão, balançando-a enquanto andava, fazendo Minseok dar um risinho. Assim que chegaram na porta da casa dos Kim, Jongdae ouviu vozes vindas de dentro e já deduziu que seu pai estava em casa novamente. Bufando, abriu a porta com força e entrou, dando de cara com sua mãe chorando em frente ao doutor Oh Sehun e mais um homem de cabelo castanho claro que ele nunca vira antes.

- Mãe? Dr. Oh?

O psicólogo olhou para trás e deu um sorriso singelo:

- Oi Jongdae. Boa noite!

Jongdae se aproximou lentamente, olhando para os três adultos sem entender nada.

- O que houve?

Sua mãe deu uma fungada e secou as lágrimas, forçando um sorriso:

- Filho, esse aqui é o Dr. Luhan. – Apresentou o outro homem na sala.

- Prazer – Jongdae fez uma leve reverência, ainda estranhando a situação.

- É um prazer finalmente conhecer você, Jongdae.... – Luhan disse sorrindo e fazendo uma leve reverência também - Sra. Kim, devemos ir e deixá-los a sós agora?

- Por quê? O que está acontecendo? – O rapaz perguntou já sem paciência. O clima estava muito estranho e ele sabia que algo errado estava acontecendo.

- F-filho.... O doutor Luhan é psiquiatra.... E-eu estive pensando em.... Em você parar com as consultas com o Dr. Oh e iniciar com o Dr. Luhan.

Psiquiatra? Então sua mãe realmente pensava que ele tinha sérios problemas? Que talvez precisasse de remédios? Jongdae não entendia. Ele não entendia porque sua mãe agia daquela forma quando ele era perfeitamente normal.

- Você tá brincando comigo?? – Foi tudo o que conseguiu dizer, descrente do que acabara de ouvir. Depois de tudo o que ele havia feito pela casa, por seu irmão.... Depois de tudo o que ele teve que passar, era dessa forma que sua mãe o retribuía? Era assim que ela pensava dele?

- Jongdae.... – O Dr. Oh começou a falar – Estive conversando com sua mãe e achamos que o melhor para você seria iniciar consultas com o Dr. Luhan.

- “Achamos”??? Quem é você pra achar qualquer coisa??? Você não é meu pai!!! Ela é que precisa de um psiquiatra!! – Apontou o dedo para sua mãe.

Como resposta, ela apenas voltou a chorar, apertando firme um papel em suas mãos.

- J-Jongdae.... Se acalme, por favor – O psicólogo voltou a falar – Um psiquiatra não significa que você é louco, só é uma opção melhor pra você neste momento. Eu conheço muito bem o Dr. Luhan, ele é a melhor opção pra voc...

- Não!!!! Eu to cansado disso!! To cansado de vocês agirem como se eu tivesse uma doença! To cansado da cidade inteira me julgando por conta de um problema tão simples na infância!! Eu não fiz nada de errado!!! Eu sou normal!!!

A essa altura, Minseok também estava chorando, observando toda aquela cena triste acontecer em sua frente. O pequeno Yixing apenas tinha se jogado no sofá, usando o encosto como proteção daquela cena que ele também observava atentamente, inseguro.

- Jongdae, sabemos que você é normal, mas você precisa de uma ajuda mais específica.

- Quê??? Logo VOCÊ falando isso pra mim?? Você é meu psicólogo, você sabe que eu estou bem!!! – Berrou e logo olhou para sua mãe chorando e segurando o tal papel. – O que é isso? – Foi até ela e passou a tentar tirar o papel de suas mãos.

 - Jongdae, não!! - A mulher resistiu e segurou o papel com força, mas Jongdae forçou as mãos de sua mãe até ela abrir e ele pegar o papel.

Era um documento médico, uma espécie de ficha de paciente com seu nome, emitida pelo doutor Sehun. Rapidamente, passou os olhos pelo papel e se deparou com a informação mais chocante de sua vida: “Diagnóstico: Suspeita de Esquizofrenia”.

Ele mal podia acreditar no que acabara de ler. Era como se alguém o tivesse acertado na boca do estômago. O coração de Jongdae acelerou junto com sua respiração. Ele não sabia o que pensar. Não entendia o que estava acontecendo e se sentia extremamente injustiçado. Por que esquizofrenia? O que ele fez de tão errado? Por quê?

- P-por quê.... – Repetiu com a voz fraca.

- Sinto muito que você tenha recebido a notícia desta forma, Jongdae. – O psicólogo colocou a mão em seu ombro – Mas todos na cidade passaram a comentar que te veem andando e conversando sozinho, rindo como se estivesse acompanhado. Você tem imaginado que possui um amigo, Jongdae, mas ele não é real.

Jongdae soltou uma risada nasalada:

- As pessoas é que andam loucas.... Eu não estava sozinho! Todo esse tempo eu estava com o.... Min.... Seok.... – Sua voz sumiu enquanto sentia outro soco no estômago. Não foi difícil “somar 1+1” em seu cérebro e entender o que estava acontecendo. Olhou para Minseok, que chorava enquanto o encarava com um olhar suplicante, como se quisesse dizer: “Me desculpe”.

– Não.... Não é possível! – Andou até Minseok e pegou em seu braço – Ele está aqui!!! Ele é Kim Minseok, ele é real!!! Estão vendo???? – Sacudiu o braço de Minseok enquanto berrava. – Ele é real!!!!!

Sua mãe apenas chorava ainda mais, enquanto os dois doutores o olhavam com pena. Pena.

- Desculpe, Jongdae.... – Sehun disse com todo o cuidado do mundo - Não tem ninguém aí.

Então, sua mãe se aproximou de si, mostrando o celular desbloqueado em uma foto. Era a foto que os três garotos tinham tirado antes de sair para pedir doces. Porém, somente Yixing e Jongdae estavam na foto. Minseok não estava nela e para piorar, Jongdae aparecia com o braço levantado, apoiando-o no nada. Apoiando-o no ombro que ele imaginou estar ali, mas que nunca esteve. Era demais para si. O rapaz não conseguia acreditar que todo aquele tempo ele pensou estar sendo julgado por sua infância, quando na verdade ele estava andando para lá e para cá falando sozinho como um louco.

Totalmente desolado e confuso, saiu correndo de sua casa, ignorando todos os gritos que vieram a seguir. Ele não sabia o que pensar e nem o que deveria fazer. Sentia que seu coração estava sendo cortado em mil pedaços junto com a realidade que ele esteve vivendo nos últimos dias. Sua garganta parecia cada vez mais fechada, parecia estar cada vez mais difícil respirar. Mesmo assim, ele ainda conseguia correr. E correu o mais rápido que pôde, como se estivesse correndo daquele momento, como se pudesse deixa-lo para trás. Jongdae não se deu conta de que estava indo para o morro onde ele e Minseok sempre iam para conversar. O dono do sorriso de gatinho tentou correr atrás dele também, chamando por ele, mas Jongdae não queria responder. Ele apenas queria que Minseok desaparecesse, que sua mente parasse de projetá-lo. Ele não queria ser louco, não queria ver coisas que não existem. Então apenas continuou correndo como se sua vida dependesse daquilo, até que chegou no morro e se jogou no chão, chorando desesperadamente.

 - Dae.... – Minseok disse com a voz trêmula, abaixando-se e tocando os cabelos do rapaz.

 - Sai daqui!!!!! Some logo de uma vez!!!! – Berrou.

 - Dae, eu não posso.... – Respondeu enquanto chorava também. – Me desculpa, mas você tem que acreditar em mim.... Eu não posso sumir porque eu sou real. Eu sou real e posso te provar, só vem comigo por favor!

 - Você NÃO é real!!!!! Nunca foi!!!!! – Berrava a plenos pulmões - Você é só uma coisa que minha mente projetou como um escape para os meus problemas!!!!! Então some logo!!!!

 - Jongdae, por favor!!!!! Você tem que acreditar em mim!!! – Pegou nas mãos do rapaz – Viu?? Você pode me tocar e me sentir!! Eu sou real!!!!

Jongdae se desvencilhou do rapaz e tampou os ouvidos, fechando os olhos com força e gritando:

- Nãaao!!!! Vai embora!!! Vai embora!!!!! Vai embora!!!!!! Vai embora!!!!!!

...

Depois de alguns minutos naquela posição, Jongdae abriu os olhos devagar. A primeira coisa que viu foi a imagem da cidade borrada pelas lágrimas que insistiam em cair de seus olhos. E então, percebeu o silêncio. Minseok já não estava mais ali. Contradizendo tudo o que ele acabara de gritar, sentiu medo por estar sozinho. Por mais que Minseok fosse alguém que ele imaginou, ainda assim era o melhor amigo que ele poderia ter tido em toda a sua vida. Seu cérebro projetou a pessoa perfeita para si e só de pensar que ele nunca mais teria aquilo em sua vida no momento que ele mais precisava, sentiu uma dor gigantesca invadir seu coração. Ele estava muito confuso e com medo. Não sabia se deveria encarar sua triste realidade sozinho ou abraçar suas ilusões confortáveis.

Então, ainda confuso, olhou para os lados a procura de Minseok:

- Minseokiki? – Levantou-se - MINSEOK?????? – Gritou, começando a se desesperar. Seu amigo realmente tinha sumido para sempre?

- Vai deixar eu te mostrar agora? – Minseok perguntou, atrás da grade de arame que separava a floresta da cidade.

- M-Minseok? O que você tá fazendo aí? – Ele não gostava de ver Minseok ali, sentia algo estranho com aquela cena. Era como se ele realmente fosse desaparecer para sempre se ficasse ali e Jongdae não estava pronto para isso ainda.

- Você vem ou não? – O rapaz apontou para uma parte do arame que estava solta, o que possibilitava a passagem.

- É perigoso! Sai daí!!!

Minseok apenas respirou fundo e virou-se, adentrando a floresta.

- Minseok!!!!!!! – Jongdae foi até o buraco de arame e passou, entrando na floresta atrás de seu amigo imaginário. – Espera!!!!!!

Ele tentou acompanhar o rapaz, mas Minseok era rápido e cada vez mais, adentrava mais profundamente na floresta. Jongdae passou a correr para conseguir acompanhar seu amigo, e logo ouviu um “Katching!” muito conhecido por ele. Era uma armadilha de urso que acionou bem próximo ao seu pé e por pouco não o pegou.

- Meu Deus!! Minseok esse lugar é muito perigoso!!!!! – Berrou, mas continuou correndo, pois estava quase perdendo Minseok de vista.

Conforme ia correndo, desviava de várias armadilhas. Por pouco ele não pisava em cima de algumas. Porém, não importava o quanto ele gritava, Minseok apenas acelerava o passo e Jongdae tinha que correr cada vez mais rápido para acompanha-lo.

Katching!!

Desviou de mais uma armadilha.

Katching!!

Desviou por pouco de outra.

Katching!!

Ficava cada vez mais difícil desviar.

Katching!!

 Aquela passou por um triz.

Katching!!

 ...

Jongdae deu o berro mais alto que já dera em toda a sua vida. A dor era lancinante e ele perdeu o chão, caindo de cara no mato.

- AAAAAAAAAAAAAAAAH!!! MINSEOK!!!! SOCORRO!! – Ele berrou mais uma vez, sentindo a dor enlouquecendo-o. Alternando entre gritar e gemer de dor, olhou para sua perna apenas para vê-la presa numa armadilha, cujos dentes estavam tão fincados dentro de sua carne que ele tinha certeza que poderia ter quebrado seu osso. Então, vomitou. Vomitou tudo o que podia até quase vomitar sua própria alma.

- MINSEOK!!!!!!!! SOCORRO!!!

Mas parecia que suas únicas companhias naquele local eram as árvores e o silêncio noturno da natureza. Com a dor ainda o matando, Jongdae conseguiu sentar-se, encostando suas costas na árvore mais próxima. Sua respiração estava acelerada e uma sensação horrível corria por sua espinha, além de dor, dor e mais dor.

- P-puta merda.... – Falou baixo, com a voz ofegante e olhos lagrimejando. Enquanto olhava para sua perna presa naquela armadilha, pensava como ele iria sobreviver aquilo. Foi então que se lembrou da primeira vez em que esteve no morro com Minseok, quando ele mostrou a armadilha enferrujada para ele.

“Nossa! Quem te ensinou a desarmar? ” ele havia perguntado para Minseok.

“Aprendi sozinho, eu sofri até entender como isso aqui funcionava, viu” foi o que o dono do sorriso de gatinho respondera.

Olhando novamente para a armadilha, Jongdae se esforçou para se aproximar de sua perna, tremendo de dor. Então, cuidadosamente, seguiu as instruções que Minseok um dia lhe passara e passou a rosquear uma peça. Um longo tempo de tortura se passou até que, finalmente, a peça se soltou e a armadilha cedeu. Mais uma pontada de dor atingiu Jongdae quando os dentes pararam de fazer pressão em sua carne, porém, ainda estavam cravados fundos.

A essa altura do campeonato, Jongdae estava suando frio, tentando reunir uma coragem que ele não tinha para retirar a armadilha de sua perna. Então, num ato de bravura (ou loucura), puxou de uma vez os dois lados da armadilha, soltando-a de sua perna em uma dor enlouquecedora.

- AAAAAAARGH!!!! – Gritou mais uma vez, com a respiração acelerada. – Ah, puta que.... P-puta q-que pariu... – Disse ofegante, olhando para sua perna que, além de suja, estava completamente ensopada de sangue. – N-não vou c-conseguir levantar.... Urgh!! – Gemeu, ao tentar puxar sua perna para si.

Jongdae permaneceu longos minutos parado ali, esperando que por algum milagre a dor passasse ou alguém o encontrasse. Ao olhar para o lado, viu uma clareira onde havia uma árvore maior que as demais. Viu também a luz de uma lanterna brilhando ali e uma ponta de esperança preencheu a mente do rapaz.

- HEY!!!! HEY, SOCORRO!!!! ME AJUDA, POR FAVOR!!

- Jongdae??? – A voz de Minseok gritou – Jongdae, eu to aqui!!!! Vem aqui!!!

O rapaz, então, começou a se arrastar até a clareira, sentindo sua perna apenas formigando. Com muita dificuldade, se aproximou de Minseok, que estava sentado de qualquer jeito, com as costas encostadas na árvore. Milagrosamente a perna de Jongdae já não doía tanto, permitindo-o sentar-se ao lado de Minseok, encostando suas costas na árvore também.

- Desculpa.... Dae.... – O rapaz falou com a voz fraca, parecendo sonolento – Não consegui te ajudar....

- Você tá muito pálido.... O que tá acontecendo, Minseokiki?

- Não sei.... Acho que só to com sono... – Sorriu um tanto sem graça.

- Nossa, minha perna agora nem tá mais doendo tanto, mas eu também to sentindo muito sono.... Eu to morrendo?

- Não – Soltou uma risada nasalada – Você só tá perdendo muito sangue, mas ainda vai viver muito, Kim Jongdae. Só eu vou ficar aqui.

- E-eu não to entendendo....

- Eu trouxe uma coisa pra você.... – Mudou de assunto enquanto entregava para Jongdae uma bala-recado. Quando o rapaz pegou a bala, Minseok segurou sua mão, encarando-o – Eu esperei tanto tempo por isso.... Tanto, tanto tempo....

- Esperou muito tempo pra quê? – Perguntou, olhando fundo nos olhos de Minseok também.

O dono dos olhos de gatinho, então, se aproximou e beijou Jongdae. Não foi um beijo profundo ou cheio de desejo, era apenas um selar demorado, onde finalmente um experimentava o sabor dos lábios do outro. Naquele momento, para Jongdae, parecia que todos os seus problemas simplesmente desapareceram. Não existia mais família problemática, fantasmas, esquizofrenia, amigo imaginário ou perna machucada. Existia apenas o paraíso que eram os lábios de Minseok. Quando se separaram, os dois deram uma pequena risadinha e acomodaram as costas na árvore novamente, olhando para cima para observar a copa das árvores e o céu estrelado.

- Finalmente estamos conversando até de madrugada, como você queria. – Minseok disse sorrindo. Seus olhos pareciam muito mais cansados do que antes.

- Sim.... Mas por que eu to sentindo que isso não é bom?

- Porque o Halloween está acabando – Deu um sorriso triste e olhou para a bala em sua mão. – Abre a sua bala.... O que diz nela dessa vez?

Jongdae abriu sua bala lentamente, sentindo o sono tomar conta se si. Assim que colocou o doce na boca e olhou a embalagem, leu alto:

- “Eu te encontrei”.

Minseok sorriu e seus olhos ficaram marejados:

- Sim.... Pena que outros não tiveram a mesma sorte – Desembrulhou sua bala também, colocando a na boca e lendo seu papel:

- “Você me encontrou” – Sorriu enquanto algumas lágrimas escorriam por seu rosto.

Jongdae também sorriu, olhando uma última vez para o céu estrelado e fechando os olhos, cedendo ao sono. A última coisa que lembrou de ter ouvido antes de apagar completamente, foram gritos desesperados de sua mãe ecoando de longe pela floresta, acompanhados de mais algumas vozes.

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Assim que abriu os olhos, Jongdae foi castigado por uma luz muito clara em seu rosto. Logo pensou que deveria ter fechado a janela direito antes de dormir. Porém, assim que seus olhos acostumaram com a claridade, percebeu que não estava em seu quarto. As paredes e os lençóis brancos, o cheiro de produtos de limpeza e o soro em seu braço só podiam significar uma coisa: hospital. Olhou para o lado e viu sua mãe sentada em uma poltrona, com a cabeça apoiada na mão e o cabelo oleoso cobrindo o rosto.

- Mãe...? – Perguntou com a voz fraca, sentindo a garganta seca.

Ao ouvir a voz do filho, a mulher acordou num pulo, olhando-o com os olhos arregalados e cheio de olheiras:

- Dae!!!! Dae, meu filho!! – Pegou as mãos do rapaz, quase chorando – Você tá bem? Ta com dor? – Passou a mão no rosto de seu filho.

- Não.... Eu to com sede.... E to confuso.

- Sim, sim! - Imediatamente, a mulher se levantou e encheu um copo com água, entregando-o a Jongdae – Aqui, filho.

O rapaz bebeu a água com pressa, enquanto sua mãe sentava-se de novo na poltrona e ficava observando-o com atenção.

- Cadê o Yixing?

- O Dr. Oh se ofereceu pra cuidar dele enquanto eu passava a noite aqui.

- O que aconteceu? – Perguntou enquanto olhava para sua perna por debaixo do lençol, percebendo que ela estava engessada.

- A gente te encontrou de madrugada na floresta.... Parece que uma armadilha de urso pegou sua perna.... Nem sei como você conseguiu se livrar dela.... Deus.... – A mulher abaixou a cabeça, deixando algumas lágrimas escaparem – Os médicos disseram que você rompeu uma veia importante.... Se tivesse sangrado um pouco mais, você teria morrido.... – Soluçou.

Então, Jongdae se lembrou de tudo o que havia acontecido naquela noite e que ele dormiu ao lado de Minseok, encostado em uma árvore.

- E o Minseok...?

- F-filho....

- Ele não é real, né? – Um nó se formou na garganta de Jongdae.

- F-filho.... Eu não sei como te contar isso, mas.... O Minseok é real.... Só que.... – Ela parou, parecendo escolher muito bem as palavras.

- Como assim? “Só que” o quê, mãe???? – Perguntou, impaciente.

- Te encontramos do lado do corpo dele....

A mente de Jongdae travou e ele não conseguia assimilar a informação que ele acabara de receber.

- C-corpo...?

A mulher se ajeitou na poltrona e pegou nas mãos de Jongdae novamente, olhando fundo em seus olhos:

- Ele estava morto, Dae.... – Falou com a voz trêmula – S-sinto muito, mas parece que Kim Minseok estava desaparecido desde o Halloween do ano passado. Ninguém sabia o que tinha acontecido com ele até que você o encontrou ontem.

Jongdae abaixou a cabeça e não resistiu: começou a chorar desesperadamente. Então ele era real, ou pelo menos tinha sido em algum momento. Não era uma simples imaginação sua, Minseok estava realmente ao seu lado como um anjo da guarda, mas somente ele podia vê-lo. Tudo o que viveu com Minseok parecia tão real.... Mas agora que ele relembrava seus momentos juntos, percebeu que finalmente algumas coisas encaixavam. A reação dos pais de Minseok quando ele visitou a casa, o fato dele e Baekhyun não serem mais amigos, os olhares estranhos que eles recebiam, o desaparecimento do rapaz que trabalhava na loja de fantasias.... Tudo fazia sentido agora. Era tudo porque Minseok havia morrido há um ano e ele foi burro de mais para perceber. Ele amou tanto a companhia do rapaz de sorriso de gatinho que não percebeu os furos naquela história, não entendeu que Minseok estava tentando pedir ajuda para ser encontrado.

- O.... O que aconteceu com ele, mãe? – Jongdae perguntou em meio ao choro.

- Parece que aconteceu o mesmo que aconteceu com você.... – Falou, com algumas lágrimas escorrendo – Ele ficou preso em uma armadilha de urso e se soltou, mas não teve forças pra sair da floresta e sangrou até morrer.

Jongdae apenas chorou ainda mais, lembrando-se de pistas que Minseok tinha dado acerca de sua morte, mas que ele não percebera antes.

“Lembra no último Halloween? Depois que você foi embora com o Xing, uns caras da gangue do Jongin tentaram me perseguir porque descobriram que eu era gay. Eu corri como um louco pra cá, jurei que eles iam me matar. Mas eles me perderam de vista” Minseok havia contado.  “Aprendi sozinho, eu sofri até entender como isso aqui funcionava, viu”.

“Por que a gente não manteve contato, hein? ”

“Eu não consegui...”

- É claro que você não conseguiu.... – Disse baixinho para si mesmo, em meio aos soluços – Você morreu, Minseokiki....

- Filho.... E-eu sei que eu não tenho sido a melhor mãe do mundo.... Na verdade, eu sei que não tenho sido nem de longe uma boa mãe. Mas agora eu sinto que consigo te entender, eu.... Não acho que você seja esquizofrênico e precise do psiquiatra, ou remédios ou qualquer outra coisa.... Me perdoa por tudo, eu juro que vou mudar. Juro pra você. – Beijou as mãos do rapaz, ainda chorando.

- P-por que só agora você pensa assim? – Fungou.

- P-por causa do Yixing.... N-na noite do Halloween, você saiu para a festa.... O Yixing estava chorando porque eu não ia leva-lo para pedir doces, então ele tentou descer a escada sozinho.... Eu corri para impedi-lo, mas era tarde. Ele tropeçou e caiu escada abaixo.... – Mais lágrimas escorriam por seu rosto – Eu jurei que veria o corpinho dele rolar escada a baixo e que o pior poderia acontecer, mas.... A queda dele foi aparada por alguma coisa.... Parece que ele caiu em algo macio, como se algo invisível tivesse segurado ele. Então, essa mesma força invisível puxou o bracinho dele para cima, ajudando-o a levantar. Eu desci correndo as escadas, fiquei me perguntando como aquilo era possível.... Foi então... – Mais um soluço – Foi então que seu irmão disse: “Ainda bem... Ainda bem que o Minseok me segurou”. Eu fiquei louca, estava morrendo de medo. Você voltou pra casa logo depois e eu ainda assim eu não queria acreditar. Eu cheguei a pensar que você estava influenciando o Yixing a dizer essas coisas.

Jongdae apenas continuava chorando, aguardando sua mãe concluir a história.

- Mas então, quando você sumiu e te encontramos de madrugada ao lado do corpo.... Os policiais disseram que o corpo era de um rapaz chamado Minseok.... Eu comecei a acreditar em você naquele momento. Principalmente porque vi uma coisa na mão dele.... Passamos horas lá do seu lado e do lado do corpo aguardando a ambulância e a polícia chegarem, então eu pude tirar uma foto escondida.... V-você... Você acha que consegue ver....?

O rapaz pensou bem naquela proposta. Ele não sabia como reagiria ao ver o corpo morto de Minseok, mas naquela altura do campeonato, achou que não poderia ficar mais mal do que já estava. Então aceitou, pois queria entender exatamente sobre o que sua mãe falava.

A Sra. Kim desbloqueou seu celular e buscou na galeria por uma foto. Ao encontra-la, hesitou por um momento:

- Tem certeza, Dae?

 - T-tenho, mãe.... Pode me mostrar....

Então sua mãe entregou o celular em suas mãos. A foto era apenas de duas mãos putrefatas segurando um papel. Apesar de decompostas e deformadas, Jongdae reconheceu as mãozinhas de Minseok. Ele deu um pequeno zoom no papel, que reconheceu ser da bala-recado, onde estava escrito: “Você me encontrou”.


Notas Finais


Pois é. É isto.

Não me matem kkkkkkk

A fic ainda vai ter mais 2 capítulos. Um finalizando e mais um extra!
Não desistam kkkkkkkkkk


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