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História Mist Crown (Seonghwa - Ateez) - Capítulo 11


Escrita por: Rainha_Aurora

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 11 - Os Prisioneiros


Fanfic / Fanfiction Mist Crown (Seonghwa - Ateez) - Capítulo 11 - Os Prisioneiros

San

Os joelhos de San se dobraram em cansaço sobre cascalhos negros e terra salgada, suas mãos o apoiaram enquanto o mesmo tentava se desfazer da linha invisível que costurava sua pele. Resultado de um salto longo e demorado do portal criado por Tandel. Seu estomago de contorce por dentro e o faz grunhir em dor, jamais havia feito um salto como esse, e se sentia como se mil pedras tivessem caído sobre seus ombros.

- Mas que merda foi essa? – Xinga entre os dentes cerrados, levantando seu olhar feroz para o velho que parecia caminhar normalmente em um jardim. Os olhos do príncipe se ergueram ao horizonte, atrás de si águas violentas batiam contra as pedras fazendo uma leve chuva cair sobre a praia. À sua frente, gigantes estruturas negras imergiam do solo, estacas de pedra, mais altas do que as árvores e casas nobres de Arthez. O medo ao desconhecido penetrou a garganta seca do rapaz, que engoliu a maresia à força.

- Bem vindo à Adrolenor, alteza! – San se ergueu, ainda com desequilíbrio, encarando a densa floresta de espinhos, se perguntando se mesmo Tandel tivesse o tirado da cama e arrastado ele até o portal não fazia ainda parte de seus sonhos, ou pesadelo.

- Tá de brincadeira... Um assassino em Monte Branco e você me traz até esse cemitério? O que pretende me ensinar aqui? A como pendurar minha cabeça no alto dessas árvores amaldiçoadas? – San tenta formar um portal de volta, mas sua energia está gasta, e não consegue nem ao menos reger sua magia.

- Não pense que eu fiquei satisfeito de sair de Monte Branco dessa maneira, mas eu tenho mais coisas para me preocupar! – San sorriu em desdém.

- Colher batata na sua fazendinha? – Tandel suspira fundo irritado, fazendo San perceber e lançar um sorrisinho de canto satisfeito.

- Eudora não é a única que está com dificuldades! E quanto a você... – Sem perceber San é atingido por um pedra na cabeça, pequena, mas rápida, e o jovem tenta entender da onde ela surgiu. – Você não é meu único aprendiz!

- Então há mais como eu? – San gargalha, seguindo os lentos passos do mais velho. – Acho que não pode ficar pior.

- Eles não são nem um pouco como você! – Tandel adentra os espinhos, seguido por San que memoriza facilmente seus passos pelo labirinto de estacas negras. – Eles são piores...

San revira os olhos, mesmo assim se diverte com as palavras de Tandel ao perceber a careta debochada do mago à sua frente, San não conseguiria imaginar alguém pior, ou melhor que ele, pois para o mesmo isso não existia.

- E onde eles estão? Pendurados acima de nós? Ou enterrados logo abaixo? – San brinca, ainda não acreditando nas palavras do mais velho, não havia ninguém por perto, os ouvidos de San estavam atentos desde sua chegada, e o ambiente estava mais silencioso que um deserto.

- Eles estão presos!

- Presos??!

- Sim, mas não se preocupe, logo eles estarão de volta!

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Prisão Lonmon – Terra dos bárbaros.

O vinho descia goela abaixo do chefe da divisão litorânea, enquanto a barba guardava migalhas e o líquido vermelho escorria pela mesma respingando sobre sua mesa. O tremor nos lábios dos cinco lordes piratas acompanhavam o olhar cabisbaixo dos mesmos que tinham em mãos seus chapéus.

A garrafa vazia foi arremessada contra um deles que conseguiu desviar fazendo o objeto se chocar contra a parede se estilhaçando entre eles, o pirata engoliu seco medonho com as pernas bambas.

- Cavalheiros... – A voz arrastada do chefe ecoou pelos ossos e mandíbulas dos lordes, que mordiam a própria língua antes de temer a abrir suas bocas. – Eu dou a vocês docas para enfiarem seus malditos barcos, ofereço nossa comida e hospedagem, além de um monótono trato a troco de ouro.

Os músculos rígidos se erguem da cadeira, e uma lâmina grossa de um machado é arremessado contra a mesa, partindo a mesma em duas.

- E agora vocês vem aqui, me tirar a paz com ladainhas infernais de que seus homens e companheiros estão sendo mortos por uma frota de apenas dois barcos? – A gargalhada irônica ecoa pela madeira molhada abaixo dos lordes piratas, como se fossem quebrar a qualquer momento dando uma viagem apenas de ida para as profundezas do mar. – Como é mesmo que eles se chamam?

- Frota Represália... Senhor! – O último à direita diz em voz baixa, não retirando seu olhar do chão nem por um instante, atraindo os passos do chefe até sua frente.

- Represália... Ou o mesmo que vingança, estou certo capitão? – O pirata engole seco levantando seu olhar para confirmar. – Agora me digam... O que vocês querem que eu faça?

- Dois de nós estão mortos, esse capitão... Está nos perseguindo! – Outro a esquerda disse em voz tremula, apertando os dedos em raiva.

- Desprezíveis! Cinco capitães, cinco lordes... Temendo a um que nem se quer sabemos seu nome. Deixa eu te dizer uma coisa Lorde Bucker! Meus navios anseiam em deixar a costa, mas somente com um objetivo. – O dedo do bárbaro foi apontado para o rosto do pirata que enrijeceu a postura no mesmo instante. – Para por a cabeça do rei Kyrin e o rei de Arthez e seus exércitos em estacas penduradas em meus mastros! E nesse dia pode ter certeza que eu me banharei de seus sangues!

A respiração de Bucker falhou, e o mesmo abaixou a cabeça evitando o olhar furioso do bárbaro.

- Só tem mais um detalhe... – Bucker acrescentou, fazendo o bárbaro se aproximar ainda mais com o peito estufado. – O capitão de Represália... Dizem que ele é o filho do almirante Ekhan!

As sobrancelhas do chefe se arquearam em espanto, e seus olhos percorreram o ambiente em pensamentos. Mas um sorriso se abriu provocante.

- Aquele que me trouxer esse capitão vivo... Será muito bem recompensado! – Os passos pesados do bárbaro vão até o canto da sala, se apoderando de um dos sacos amarrados que estavam no chão, com as próprias mãos, ele rasga o tecido e uma cascata de moedas amarelas passam a cair em seus pés, madeira e rolarem até as botas dos lordes piratas, o brilho intenso da ganância reluziu em seus olhos acompanhados de agonia ao ver algumas peças fincarem entre os vãos da madeira, se perdendo na água, para nunca mais serem vistas. – Tragam-no para mim! E terão muitos sacos como este.

Os lordes assentiram, se retirando um por um da sala hesitantes por conta do ouro em que pisavam. Dentre eles um soldado surge, com cicatrizes amostras e um olhar cerrado de desprezo para aqueles que o encaram.

- Algum problema? – O chefe indaga, retirando da madeira seu machado.

- Um mensageiro de Areder está aqui! – O soldado diz, atraindo o olhar por cima do ombro do chefe.

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- Mais crianças?! – O chefe grita, ao ler a carta em mãos, antes de amassa-la e arremessar a mesma contra o rosto do mensageiro. – Seu rei pensa que elas nascem de uma árvore?

- Ele me enviou para que eu negociasse os termos, ele quer duzentas crianças antes da próxima lua cheia. – O mago regente do fogo acrescenta as informações, mantendo-se em uma postura calma.

- Duzentas? – Todos os bárbaros entram em gargalhadas altas, acompanhadas pelo chefe. – Olha aqui cabeça de fósforo, diga para o seu rei que já pegamos o máximo de crianças que conseguimos, as terras fora de Orlord são protegidas por reis que querem nossas cabeças há séculos! E vinte moedas de ouro não pagam a vida de meus homens!

- E que tal cem moedas? Por criança! – O riso fino do mensageiro deixou o ambiente em silêncio, e todos encaram seu líder, à espera de uma resposta.

- Aceito os termos! – O mensageiro se curvou satisfeito. – Mas, há algo que eu quero que você diga ao seu rei!

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As fortes trancas se soltaram, abrindo a espessa porta da prisão sob a caverna, ferro resistente moldavam as paredes e corredores repletos por guardas apostos e armados, olhares se voltaram para o mensageiro refletindo ódio eminente de soldados a fim de ver sangue. O mago do fogo tentou ignorar, mas a cada passo que dava atrás do chefe bárbaro, se sentia adentrando um inferno.

- Esta é Lonmon, a maior e mais segura prisão já existente, criadas há séculos para conter os portadores de magia que ousavam em matar meu povo! – O mago engole a saliva como quem engolia veneno, o metal ao seu redor parecia sugar sua energia, e o mesmo passou a temer aquele lugar macabro. – Ultimamente apenas três andam nos perturbando... São ágeis, silenciosos, e nos fazem criticar suas existências.

- E pretende prendê-los aqui? – O chefe riu, sinalizando para um dos guardas, que puxou a alavanca fazendo duas paredes de puro metal se abrirem. – Afinal, o que você quer que eu diga ao meu rei?

- Esses vermes andaram roubando algumas crianças que pertenciam à mercadoria. Felizmente conseguimos capturar dois deles, e isso me custou mais de setecentos homens! – O mago o encara, ultrapassando a ponte de ferro, seus passos ecoavam abaixo, e ele tinha a certeza de que um penhasco estava abaixo da estrutura. – Soube que regentes do sol odeiam os da lua mais que qualquer coisa, mas acho que seu rei vai querer ter eles como seus troféus. Afinal, eles são únicos.

Os passos se estenderam até um círculo de pedra, correntes e pregos quebrados se espalhavam pelo chão, além de manchas de sangue. Em uma extremidade, joelhos estão dobrados mostrando redenção, as mãos presas por cúpulas redondas de puro ferro para que nenhum dedo possa ser movimentado. Os punhos continham algemas apertadas, seguradas por duas correntes que iam de um canto ao outro penduradas por pedras pesadas logo abaixo, em direção ao penhasco. Ambas sustentadas pela força e peso do homem de cabeça baixa.

- Este é Danniel, o líder deles... Um regente puro da lua. – O mago do fogo hesita em se aproximar, mas lança seu olhar de repulsa para o prisioneiro, que parece adormecido, pois nem mesmo sua respiração é capaz de ser ouvida. – Este chegou bem perto de me matar... Nem mesmo dez estacas enfiadas em seu corpo o mataram... E o desgraçado continua aí, respirando.

O bárbaro pega um dos pregos no chão e atira contra o prisioneiro, que tem a pele de seu ombro cortada pelo objeto. Mas em segundos a ferida se cicatriza e some dando lugar a uma pele nova e reconstruída. O mago do fogo se estreita à direita, podendo ver as lanças de ferro cravadas nas costas do mago da lua, mas a mesma não sangrava.

- Se ele chegou assim tão perto, é melhor que não o provoque. – O bárbaro da de ombros se virando.

- Fique tranquilo, é impossível eles saírem daqui! Arqueiros, apostos! – Do alto soldados se movimentam, atraindo o olhar preocupado do mago do fogo. Estacas afiadas brilham sob a pouca luz, apontadas para as justas extremidades do ambiente.

- Arqueiros? – Indaga, seguindo os passos do chefe até a outra ponta do círculo. Um segundo prisioneiro é avistado aos olhos do mago, da mesma maneira que o outro este se encontrava ajoelhado e com as mãos presas, mas ele parecia acordado, movendo a cabeça vez ou outra, sem encarar aqueles que estavam adiante. O mago não conseguia ver seus olhos, mas percebia o suor em sua pele e os cabelos longos bagunçados até a altura dos ombros. – E quem é este?

- Mujin! Um mestiço... – A última palavra fez o mago do fogo recuar um passo. – Regente metade lua, metade água. Este matou mais homens em segundos, nunca havia visto tanta velocidade em utilizar lâminas, um só movimento e ele pode cortar seu pescoço!

O mensageiro leva a mão no pescoço o segurando medonho. De repente as correntes rangeram e os braços do mago se abaixaram, fazendo as pedras se levantarem. O mago do fogo tropeçou caindo para trás, enquanto o bárbaro permaneceu firme, encarando o mestiço à sua frente.

- Relaxa, ele não pode fazer nada! Essas pedras são muito pesadas. – O prisioneiro desfaz sua resistência, fazendo seus braços se levantarem com a força das pedras que penderam com tudo para baixo. – Diga ao seu rei, que se ele estiver interessado nessas aberrações, o preço pode ser um pouquinho alto! E precisará de homens fortes para levá-los.

- E-Eu irei... Sim! – O mago do fogo se levanta com as pernas bambas, recuando até a ponte. O chefe da guarda permanece encarando o prisioneiro, que acaba lançando um sorrisinho de canto em meio ao escuro, mas seus dentes brancos ficaram visíveis, o que fez com que o bárbaro se irritasse e cuspisse contra o chão abaixo dele.

- Seu mestiço desgraçado! – Rugiu, antes de se retirar com o mensageiro, deixando ambos prisioneiros sozinhos.

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Hongjoong

O compasso se mantinha em movimentos firmes nas mãos do capitão que desenhava no mapa as coordenadas exatas onde os navios piratas foram afundados por sua frota. Marinheiros que não tinham nada a perder, que perderam sua família ou o que tinham para larápios do mar juraram lealdade a ele, não eram apenas peões que sabiam fazer nós, e levantar velas, eram mentes que procuravam vingança, um ódio do qual engoliram por anos ou meses esperando por alguém que os ouvissem, que lhe dessem uma oportunidade.

E Hongjoong foi esse alguém.

A fim de encontrar provas de onde seu pai possa estar, Hongjoong decidiu seguir seus passos, expulsando cada casco negro dos mares pertencentes aos Reis do Oeste, se dependessem deles, piratas e bárbaros jamais passariam por sua frota vivos ou inteiros. Sem julgamento, sem protestos, sem misericórdia. Pois assim era a antiga armada de Varin, a frota perdida do almirante Ekhan.

- Capitão, os marinheiros parecem inseguros. – Lucas adentra a cabine, o imediato parecia jovem, alto e músculos rígidos de um ex-soldado de Varin, aquele qual perdeu seus pais em uma noite, após piratas adentrarem sua casa saqueando qualquer prata que vissem, como um soldado ele foi amarrado e amordaçado enquanto teve que assistir o sangue de seus pais escorrerem pelo chão aos seus pés. Jamais ele esqueceria essa cena, e jamais deixaria que outro alguém a vivesse.

- O que eles temem? – Hongjoong pergunta sem tirar os olhos do mapa.

- A fúria dos lordes piratas. Sabemos muito bem que eles tem uma aliança com os bárbaros... – Hongjoong riu, largando o lápis e o compasso sobre os papeis, levantando seu olhar para Lucas. – Esses homens não querem guerra capitão, eles só querem vingar o que perderam.

- Por acaso os piratas tiveram misericórdia quando degolaram seus pais quando souberam que você servia à Kyrin? – Hongjoong foi direto, recebendo um olhar nublado do rapaz. – Responda meu imediato!

- Não senhor! – Respondeu com a voz firme, mas pesada.

- Então não devemos ter misericórdia deles! Não obrigo ninguém a ficar Lucas, se eles quiserem voltar para Varin e continuarem com suas vidas não vou impedir. Mas que deixe algo bem claro à eles... – Hongjoong se levantou, curvando-se sobre a mesa em direção a Lucas. – Quem me seguir, deve estar disposto a lutar! Seja um fronte, um cerco, ou uma guerra, mataremos cada um deles! E sinceramente, os lordes não me assustam mais!

Hongjoong voltou a se sentar, e Lucas permaneceu em silêncio, encarando o broche no peito de seu capitão, o mesmo que pertenceu ao almirante mais temido dos mares, lembrando-se das belas histórias que ouvia de seus pais sobre ele, e estar diante do filho, servindo a ele, faz com que uma esperança se acendesse em seu peito.

- Eis de salvar a ruína sobre o cais... E assim como o pai, temei o filho. – Hongjoong o encarou, mas logo desviou o olhar, tentando ignorar as palavras do mais novo. – Por que viveu escondido por tanto tempo?

- Meu pai tinha muitos inimigos, eu era sua maior fraqueza! Uma pessoa na qual ele confiava ajudou a me esconder. – Hongjoong volta a analisar o mapa, não revelando mais detalhes sobre ele ou seu tio, que até então poucos sabiam que Ramon e Ekhan eram irmãos de sangue, já que os mesmos viveram vidas separadas.

- Você acredita? Que ele possa estar vivo? – Hongjoong soca a mesa fazendo Lucas se calar. – Desculpe!

- Estando ou não, tenho que saber o que aconteceu!

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Mujin

Os ouvidos se atentaram a cada passo dado no interior da prisão, as trancas se fechando e as portas sendo seladas pelos guardas de vigia, ao alto os olhares dos arqueiros se mantinham firmes nos prisioneiros, como se suas vidas dependesse disso. O ar ao redor de Mujin se intensificou como se o prensasse, enquanto o mesmo encarava as gotas de saliva no chão em sua frente, tão pequenas, mas molhadas, densas, água.

Mujin ergueu o olhar, encarando seu líder como quem pedisse permissão, os olhos de Dann surgiram em meio à escuridão, cinzentos e cerrados, mas ainda vivos. Dando à Mujin a confiança que precisava. As gotas de saliva se mexeram, juntando-se formando apenas uma, pequena, quase invisível, mas ainda era uma gota. Mujin fechou seus olhos respirando fundo, e pouco a pouco a gota se encontrou levitando em sua frente, prendendo a seu corpo.

Dann ergueu o queixo, encarando cada arqueiro com suas íris brancas, fazendo os mesmos engolirem seco e apertarem a madeira de seus postos entre os dedos.

A gota percorreu o corpo de Mujin, se juntando com pequenas partículas de suor de sua pele, subindo pelo peito, pescoço, ombros e braços até se separar em duas, terminando suas trajetórias até as algemas, onde as analisou até adentrar as fechaduras.

Dann moveu o pescoço e os ombros, sentindo cada estaca enfiada em seu corpo, seus músculos se contorceram entre as lâminas e o prisioneiro sentiu a dor querer o envolver. Mas tudo que conseguiram tirar de sua boca foi um arfar abafado, antes de cada estaca ser movida feito parafusos para fora de seu corpo, caindo uma a uma no chão. Atraindo o olhar dos guardas.

- Mirem nele! – Um dos guardas afirmou, e as estacas de ferro se voltaram para Dann. Mas logo os sentidos deles travaram, quando ouviram as algemas percorrerem do outro lado, acompanhadas do estrondo das pedras a chegarem no fim do penhasco e as mãos de Mujin se encontrarem livres. – Atirem!!

As lanças cantaram ao vento, miradas apenas em Mujin, mas nenhuma o atingia, seus passos ágeis dançaram entre elas, o chão rachava com os impactos, as lâminas pareciam estar sedentas para atingir o alvo, mas tudo que encontravam era o chão de pedra.

- Recarreguem agora!!! – O sino foi tocado, alertando os guardas de fora sobre o prisioneiro em fuga, Mujin levantou o olhar para os enormes arcos lançando as estacas de volta a suas origens, um por um foi destruído antes mesmo que pudessem ser recarregados, alcançando vez ou outra as gargantas dos bárbaros por trás das armas e armaduras. – Fechem os portões! Elevem a ponte!!

A estrutura de metal rangeu, sendo reerguida lentamente pelas correntes que atravessavam as paredes. Dann se levantou, enrolando as correntes em seus punhos, erguendo as pedras que o puxavam para o penhasco, e com facilidade inverteu a força, as lançando para o ar até caírem à sua frente.

- Maldição... – Um dos guardas urge, mirando o arco meio inteiro em direção a Dann, mas antes que pudesse atirar, a pedra o atinge quebrando toda a estrutura de madeira que abrigava os arqueiros, fazendo os mesmos caírem no desfiladeiro e encontrarem a morte. O mago da lua encara a ponte de ferro assim como Mujin que retira do chão uma das estacas a arremessando contra a porta, o objeto não surge efeito nenhum contra o metal, mas impede que a ponte continue a subir.

Dann sorriu, arremessando as pedras contra as grandes correntes que sustentavam a ponte, elas estavam fazendo uma pressão contra a mesma, mas o ferro da estaca estava aguentando, as pedras giraram em torno das caldas de metal se prendendo ali, agora a força exercia sobre os braços do mago, que movem os mesmos fazendo as correntes dançarem feito ondas.

O movimento faz a ponte descer um pouco, forçando as paredes. Sua ideia se repete, agora com mais precisão, e com o impacto das correntes as paredes ao redor da porta se racham, e conforme puxam a ponte, elas acabam quebrando, e com resultado as paredes são demolidas, levando o portão e a ponte de ferro para o abismo. Dann deixa que as correntes do punho o leve para a beirada, e com o mesmo movimento o mago faz as caldas de metal balançarem na queda, finalizando com um forte puxão em seus punhos, os libertando das algemas.

Os olhares dos guardas por trás da abertura causada, revelaram espanto e medo, era uma distancia longa, jamais conseguiriam pular e alcançar os mesmos, mas isso não deixou abalar Mujin, que sentiu o sangue dos guardas mortos no abismo fazerem pequenas poças de sangue, provocando um sorriso ladino em seus lábios.

Mujin moveu os punhos, fazendo o sangue subir as paredes, cada gota drenada fazia um rio percorrer as pedras até a beirada do círculo, os bárbaros se assustaram com a cena, sangue sobrevoava seus olhos, formando linhas retas até interligarem um lado ao outro. A respiração dos bárbaros passaram a ficar densas e as armas em suas mãos pareciam estremecer. O sangue se enrijeceu, e por fim se solidificou, formando uma ponte vermelha e grudenta.

- Matem eles!! – Um dos guardas ordenou, e Mujin o encarou, reconhecendo a barba e a voz daquele que o ofendeu. O chefe da divisão.

- Deixe-o para mim! – Dann diz calmo, avançando na frente pela ponte de sangue, os guardas formaram uma linha de escudo enquanto arqueiros miravam contra seu corpo, todos com suas respirações trêmulas.

- Atirem a vontade! – O chefe ordenou e as flechas foram lançadas contra o mago da lua, seus punhos se ergueram, livres, e Dann abriu as mãos tomando em seus sentidos a velocidade de cada flecha, absorvendo-as, assim as flechas perderam velocidade, caindo sobre a ponte antes mesmo de chegarem ao alvo, mas os bárbaros insistiram, fazendo uma chuva de flechas sobre o mago que parecia caminhar tranquilamente, vez ou outra alguma flecha o acertava de raspão, mas seus ferimentos eram curados de maneira jamais vista. – Em posição seus idiotas!!

Machados e lanças foram apontadas, e Dann cerrou os punhos, correndo sobre a ponte em fúria até se chocar contra os escudos arremessando os guardas para longe, a mesma força aplicada contra ele, ele a devolveu e ossos foram quebrados contra as paredes, muitos que ainda respiravam correram, outros tentavam se manter firme, os atacando com suas armas e machados. Mas nenhum conseguia ficar muito tempo em pé.

Sangue se jorrava no ambiente conforme socos e golpes letais eram distribuídos entre os bárbaros. Mujin pois as mãos nas costas, caminhando tranquilamente sobre a ponte que fez, apreciando o trabalho de seu parceiro, em deixar sangue o suficiente para que ele pudesse moldar. Conforme seus passos foram dados, a ponte se desfazia atrás de si, gotas caíram de volta ao abismo, enquanto outras formavam espinhos, sendo lançadas contra os pescoços dos poucos que ainda respiravam. Mais homens se ergueram sobre o segundo portão, do qual o chefe deles conseguiu correr, se abrigando atrás da estrutura.

Mujin sorriu, movendo mais sangue ao seu redor, até formar agulhas gigantes que cortaram o ar ficando-se nos corpos dos guardas os atravessando, até se chocarem contra a segunda porta a banhando de vermelho rubro. O mago as moveu mais uma vez, e agora as agulhas foram puxadas, trazendo consigo a porta abaixo. Os olhos do chefe demonstraram pavor, e sobre seus lábios a palavra “demônios” soava a cada instante.

- Vamos acabar logo com isso. – Mujin soou, vendo incontáveis guardas os cercarem com estacas de ferro e escudos mais resistentes. Ao seu lado, Danniel cerrou os punhos, encarando profundamente cada olhar de repulsa sobre eles.

- Entreguem-se! Não há como vocês saírem daqui! – O chefe ruge, e Mujin ouve aço de chocando nas madeiras, fazendo estacas de lâminas duplas serem apontadas para ambos mais acima nos arcos, dessa vez eram centenas, e bastava um alarde para que estas fossem cravadas em seus corpos antes mesmos de reagirem. Estavam cercados, sem armas, com suas energias gastas, e não conseguiam absorver a magia da lua, pois estavam submersos em uma caverna, mal sabiam dizer se era dia ou noite.

De repente todos ouçam um assovio fino, cantarolando no ambiente fazendo todos olharem para cima, lados ou além. O sibilo era alto e cada vez parecia estar mais perto. Mujin sorriu de canto para Dann que levantou suas mãos em redenção, o mestiço repetiu seu gesto em tranquilidade, e aquilo assustou ainda mais os bárbaros que tremiam de medo com a calma melodia que escutavam.

Seus ossos passaram a se mover involuntariamente, e as lanças passaram a rodar conforme a melodia se intensificava, os soldados passaram a apontar as estacas para si mesmos ou para os demais. Os arcos se moveram nas mãos dos guardas acima, eles gritavam tentando lutar contra os próprios movimentos, percebendo que estavam mirando contra seus próprios irmãos e amigos.

Uma névoa densa cobriu o teto de aço, Mujin e Dann observavam tranquilamente toda a situação, como se apenas esperassem. Os lábios do chefe estremeceram, e uma gota de suor frio escorreu de sua testa. Um portal foi criado por entre a névoa, e dele despencou um semblante de cabelos perolados e vestimentas negras. Em suas mãos, uma flauta branca dançava entre seus dedos até que o mesmo pousasse entre ambos os prisioneiros.

O chefe da divisão engoliu seco, encarando os olhos de íris lilás por trás dos fios brancos que os cobriam, seguido por seus lábios carnudos que soavam a melodia ouvida por ele e seus soldados. E diante dos três, o bárbaro caiu de joelhos, incrédulo e sem saída. Mas não temeu em dizer da maneira mais ríspida o nome do terceiro mago regente da lua, aquele qual não conseguiu aprisionar, não conseguiu deter:

- Ivan...

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Notas Finais


Gostaram do capítulo?

Se cuidem, bjs! <3

I Mingi U


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