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História Mist Crown (Seonghwa - Ateez) - Capítulo 12


Escrita por: Rainha_Aurora

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 12 - Crianças


Fanfic / Fanfiction Mist Crown (Seonghwa - Ateez) - Capítulo 12 - Crianças

San

- Já faz uma hora que estamos andando! – San critica, se apoiando nos joelhos deixando o cansaço dominar suas pernas, Tandel por outro lado, parecia estar despreocupado, mesmo pela velhice que lhe aparentava, ele nem mesmo demonstrava exaustão.

Mas seus passos cessaram perante uma parede de espinhos negros, não havia espaço entre eles para passar, e eram tão altos que era impossível escalá-los sem se espetar nas incontáveis pontas afiadas que reluziam sob o sol poente. San olhou ao redor, e percebeu que não havia saída, somente o caminho de volta.

- Ótimo, agora estamos perdidos... – Acrescentou aos risos, depois umedecendo os lábios secos por conta do ar estranho.

- Não! Acabamos de chegar... – Tandel responde encostando a mão sobre o maior dos espinhos, e logo o mesmo começou a se esbranquiçar, até desaparecer, deixando uma passagem suficiente para que uma pessoa passasse por vez. San encarou a cena incrédulo, vendo que não havia nada além da passagem do que um portal negro. – Vamos, não temos o dia inteiro.

Tandel atravessou, sumindo por entre a escuridão, San caminhou medroso em direção ao mesmo, dando uma mera olhada para trás por cima do ombro. Mas seu traje é puxado para o portal com força, e o faz cair sobre cascalhos negros novamente, ao seu lado Tandel ria, e San percebeu que foi ele quem o puxou para o outro lado.

San levantou o olhar e viu quatro crianças correrem em sua frente brincando tranquilamente, outras se divertiam jogando cascalhos uns nos outros, conforme o mago se levantava as dezenas se tornavam centenas e se espalhavam pelo ambiente. Diferentes tamanhos e idades se misturavam ao seu redor, e muitas correram em sua direção, agarrando as pernas de Tandel carinhosas.

- O que é isso? – San indagou medonho.

- O que mais poderia ser? São crianças! – Tandel disse irônico, pegando uma pequena garota em seu colo, se afastando de San. Outras o olhavam curiosas, e certamente ele não se sentiu confortável com aquilo, já que não era tão bom com crianças.

Antes que pudesse dar um passo, um portal se abre do lado esquerdo, e várias crianças saíram as pressas por ele, perdidas e assustadas, logo atrás, uma figura alta se revela e San teme pelo pior, tomando em punho duas adagas. Seus olhares se cruzam com estranhamento, mas antes que ousassem se aproximar, duas crianças agarram as mãos do desconhecido, o puxando.

- Tio Dann!! – Elas gritam felizes e mais outras surgem o abraçando. Outro atravessa o portal sem perceber a presença de San ali, e antes que os pequenos o recebessem, ele mostra os dentes em careta e ameaça correr atrás dos mesmos com as mãos em formato de garras, as crianças correm aos risos, não demonstrando nenhum medo.

- Eu vou pegar todas vocês! – Diz o de cabelos mais longos, antes de se virar e encarar San, escondendo o sorriso. Tandel se aproxima e ambos se colocam de joelhos para o mais velho, olhando de canto ainda para San que observava tudo com estranhesa.

- De quem foi a ideia? – Tandel diz ríspido, como se estivesse pronto para dar uma bronca nos mais novos.

- Foi o Dann, mestre! – Tandel levanta seu cajado batendo na cabeça do de cabelos curtos, fazendo as crianças rirem em diversão ouvindo os grunhidos de dor do rapaz. Que se divertiram em dobro quando foi a vez do segundo ser repreendido da mesma forma. – Ai!!

San riu com as crianças, mas não por achar divertido, e sim, ridículo. Um segundo portal se abre acima do San, em meio ao céu, cuspindo um rapaz de cabelos brancos que cai com tudo entre os cascalhos aos pés de San gemendo de dor pela queda. Ele o encara, mas diferente dos outros, abre um sorriso surpreso.

- Desculpa, calculei o portal errado! Você deve ser o irmão da Ameerah... – San revira os olhos, vendo o mais novo se levantar com dificuldade, e quando firma os pés, um objeto cai do portal, atingindo sua cabeça e caindo no chão, fazendo San perceber a forma de um instrumento de sopro.

- Então é ele? – O de cabelos curtos se aproxima, cerrando os olhos para o recém chegado. – Esperava mais... – San se irrita, se aproximando o suficiente para erguer o peito contra o outro. Magia emana de ambos, tão forte que acaba afastando as crianças em volta.

- Que bom que estão todos aqui! – Tandel intervém, se colocando entre eles. – Agora queiram fingir decência!

- Quer que a gente te escute Tandel? Você trouxe um Cataloure até nós! Já estou cansado dessa família. – O de cabelos longos ergue a voz, se aproximando por trás de San, o cercando.

- Não se esqueçam de quem ele é filho! – Tandel cochicha ao olhar nos olhos do mais alto, que tentava conter seu poder.

- Ele nunca vai ser um de nós! – O mago diz, se afastando de San e se deslocando por entre as crianças, até sumir entre as tendas e casas improvisadas ao sul. Tandel suspira, e San nota o outro mago que o rondava dar de costas, seguindo os passos do primeiro. Seus olhos se voltam para baixo, onde o de cabelos brancos aguardava sentado com um sorriso bobo para ele, com quem apenas assistia tudo. Tandel também o percebeu e revirou os olhos.

- Mostre tudo a ele Ivan! Irei cuidar das novas crianças que trouxeram... – Tandel se afasta, deixando San e o garoto sozinhos, o mais novo se levanta animado e San logo o ignora, atravessando as crianças que ainda o encaravam.

- Oi, eu sou o Ivan! – A voz meiga do rapaz não convenceu San, que continuou o ignorando. – Eu sempre quis conhecê-lo! Diferente do Dann e do Mujin.

- Ah, então esses são os nomes... – San diz irritado, observando ao redor.

- Você está com fome? Não temos muita comida, mas posso lhe arranjar algo. – O mais novo tenta acompanhar San, mas o mesmo parecia querer fugir dali.

- O que eu mais quero é sair daqui e voltar para a minha vida. – San segreda para si, mas incrivelmente Ivan ouve.

- Tandel não vai deixar você voltar tão cedo, você é um de nós agora!

- Não foi isso que o seu amigo disse! – San olha ao redor, vendo que não passava de um cerco, não havia nenhuma saída, as paredes de espinhos se espalhavam por todos os lados.

- Ah, o Dann? Não liga para ele! Ele faz isso comigo sempre. Mas no fundo eu gosto dele! – O garoto se coloca na frente do San, ainda sorridente.

- Vai ficar me seguindo? – San tenta assustá-lo, mas o garoto gargalha com sua tentativa. – O que você quer?

- Não tente me assustar, consigo saber seus sentimentos, é uma de minhas habilidades... Sei que está com medo, confuso, com raiva, com fome, e quer ficar sozinho, mas isso não vai funcionar! Posso te ajudar a entender tudo isso sem querer trocar socos com você. – Ivan diz calmo, assustando ainda mais San.

- O que você é? – San indaga, tendo seus punhos puxados pelo rapaz.

- Tandel já deve ter explicado sobre esse lugar...

- Sim, durante uma hora! Mas não mencionou nada sobre sequestrar crianças! – Ivan gargalha, bagunçando os cabelos de um dos meninos que passava por eles.

- Não sequestramos elas, damos nossas vidas para proteger elas! – San arqueia uma sobrancelha espantado. – O que você esta vendo são pequenos magos, de todos os elementos primários e secundários, nós as salvamos e as protegemos aqui.

- Protegem? Do quê?

- Dos seus primos! – A história contada por Tandel no labirinto de espinhos já havia o deixado irritado, como se já não bastasse saber sua origem e família, agora sabia que era descendente de uma guerra, uma guerra que sua irmã estava lutando em segredo há anos, desde quando nasceu. San fez cara de desgosto, imaginando aonde havia se metido.

- E por que eles querem essas crianças?

- Para fazerem parte de seu exército! – Ivan pela primeira vez demonstra desaponto, lançando seu olhar para as crianças ao seu redor entristecido. – Eles tem muitos magos aos seu lado, mas se tiverem mais, criados por eles e treinados por eles, terão uma força imaginável. Nosso dever é impedir isso ao máximo.

- Vocês quatro?

- Agora somos cinco! – Ivan aponta para San, que leva as mãos à cabeça negando tudo aquilo. – Aquele qual te irritou era Danniel, mas o chamamos de Dann. Ele é o nosso líder, ele é um puro como você e Tandel, e o mais forte dos três. Sua maior habilidade é sugar força e pressão de qualquer coisa e aplicar contra seu inimigo, se eu fosse você não tentaria bater nele, pois você iria sentir o dobro de força.

- Valeu por avisar... – San ironiza, seguindo os passos de Ivan pelo ambiente.

- O outro é Mujin, um mestiço assim como eu, seu segundo elemento é água, e ele não precisa necessariamente de um portal para se mover, a água presente no ambiente e ar faz com que ele se movimente por ela rapidamente, se quiser matá -lo, terá que ser mais rápido que ele. Mujin e Dann são grudados desde a infância, se mexer com um, você é derrubado pelo o outro, então é melhor não tentar nenhuma besteira.

- E você? – San questiona, analisando-o.

- Ah, eu sou o caçula! Sou metade bardo.

- Bardo? – San estranha, jamais ouvindo esse nome antes.

- Sim, bardos e odaliscas usam a magia da música, somos um tipo de subelemento do fogo, mexemos com a mente e sentidos das pessoas através dos sons e dança. – O garoto responde em um sorriso, fazendo San sentir seu cérebro dar um nó, mas logo nota a flauta branca na cintura do mago, ele não usava armas ou facas, somente ela, e San entendeu que era o suficiente. – Venha, tem mais uma coisa que precisa ver.

O mago saiu na frente e San o acompanhou, adentraram uma tenda contendo facas e armas de lâminas brancas, mas Ivan passa reto por elas, se dirigindo a outra saída da tenda. San se vê maravilhado com tantas armas, e acaba se lembrando do arsenal na fortaleza de Kaiser, aonde conheceu seu pai.

- Se eu fosse você não tocava nelas, todas pertencem à Dann, e ele é bem ciumento com suas coisas. – Ivan alerta, dando passagem à San, que hesitou, mas logo saiu da tenda, avistando três crianças que brincavam, isoladas das outras, dois meninos e uma menina, sorridentes e brincalhonas. Em seus braços uma faixa azul se prendia. – Esse é o maior tesouro que guardamos.

- O que são elas? - San o encara.

- Arquimagos! As únicas crianças que conseguimos salvar... – Ivan sorri, mas seus olhos lagrimejam. – Erestes matou os pais deles, assim como todos os arquimagos em Thodaryen. Tandel as protegeu, e as trouxe para cá, ele soube sobre a rainha arquimaga de Monte branco, pensávamos que a esperança havia se perdido, mas finalmente essas crianças podem ter um lar.

- Tandel pretende levar todas elas para Monte Branco... – San supôs, entendendo a causa.

- Estamos ficando cercados, é o único jeito!

- Vejo que já conheceu tudo! – Tandel adentra a tenda, seguido por Dann e Mujin que encaram San, mas agora sem mais ódio envolvido, apenas exaustos. – Erestes jamais pode colocar as mãos nessas crianças San! Ou jamais irão sorrir novamente.

- Pensei que você me trouxe para ser seu aprendiz... Não para ser babá. – San ironiza aos risos.

- Não se preocupe com isso! Tenho certeza que vai ser um ladino tão habilidoso quanto estes rapazes, e tanto quanto seu pai! – San abaixou o olhar, tentando afastar a lembrança que lhe foi dada por seu pai, ele mal o pode conhecer, não sabia o quanto podia lutar, San cresceu sem ele, sem sua mãe, e até mesmo agora está longe de sua irmã. Longe de todos que conhecem.

- Ele não precisa vir com a gente, três é mais do que suficiente para resgatar as crianças! – Mujin diz, com os braços cruzados.

- Ivan não sabe lutar direito, ele só nos atrasaria... – Dann o criticou, fazendo o sorriso do pequeno Ivan sumir.

- Não se esqueça que se não fosse por mim, vocês ainda estariam naquela prisão! – Ivan rebate, fazendo Dann revirar os olhos.

- O temperamento de vocês é pior que a dos magos da terra... – Tandel da de ombros. – Fiquem aqui e tentem não se matar, preciso ir até Forlorien!

Mujin repete suas palavras em careta, feito uma criança birrenta, tirando risos de Ivan e Dann. Tandel percebe e torce os lábios, se retirando da tenda.

- Eu estou morrendo de fome... – Dann ruge, se retirando da tenda, seguido por Mujin. San encara Ivan, que acena para que ele os seguisse, San hesitou, mas pois a andar seguindo demais magos.

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Tandel

Os pés do mago da lua pisaram firmes sobre as pedras densas, desenhadas em círculos e flores distintas, ao céu, a lua começava a aparecer por entre as grandes árvores, anunciando o começo da noite, a brisa das flores penduradas por um corredor de arcos de pedra fazia Tandel se sentir mais vivo, mas suas emoções foram interrompidas quando percebeu dentes afiados por entre a floresta que o cercava, olhos que brilhavam uma coloração esverdeada demonstrando ferocidade.

Listras negras se mesclavam entre as folhas, até se revelarem quatro grandes tigres, que rondaram Tandel em rosnados de estremecer o chão abaixo dele. Tandel os observou demonstrando calma, e lançou ao chão seu cajado, levantando por fim as mãos em redenção.

- Estou aqui para ver sua princesa! – Tandel diz antes de engolir seco ao ver uma das feras se aproximar com os dentes à mostra. O Tigre o olhou nos olhos, farejando por fim todo o seu traje até chegar aos pés do mago, onde rosnou baixou. – Ah claro, os sapatos.

Tandel retirou seus sapatos lentamente, ficando os dedos na pedra fria. A fera se afastou, se sentando a lateral do corredor, dando passagem para o mago. Tandel caminhou calmamente, notando as outras três feras atrás dele, o escoltando silenciosas, conforme seguia o caminho de pedras e flores podia ver se formando colunas e cúpulas no horizonte, grandes árvores balançavam com o vento e de baixo era possível notar olhos o observar, grandes pássaros de diferentes espécies e cores, além de primatas que se penduravam para o observar de perto.

Mais à frente, um portão de raízes se encontrava aberto, guardado por outros dois tigres que se mantinham eretos e silenciosos, ao atravessar a estrutura, Tandel pode vislumbrar da paisagem, um grande palácio dividido em partes por cima dos rios e montanhas, cachoeiras minavam por baixo das estruturas, formando o rio de cor cristalina logo abaixo da ponte de cristais. Outras pontes conectavam jardins e praças, cercadas por flores e árvores.

Tandel atravessou a ponte, gravando cada cenário em sua mente como se fosse a primeira vez ali, era um paraíso de fato. Ao redor, uma grande muralha de pedra guardava o continente, se estendendo por todo seu contorno, sem poder ver seu fim.

Duas mulheres se aproximam, ambas vestindo faixas brancas e verdes que cobriam apenas as partes íntimas se alongando até o chão, e em seus rostos máscaras de ouro em formatos de cabeças de tigre cobriam toda sua pele, Tandel evitou encará-las, notando seus pés descalços. Elas eram guardas. Ambas vão em direção aos tigres que acompanhavam Tandel, elas acariciam seus pelos sem medo, como se não passassem de filhotes recebendo carinho de suas mães. Logo as feras retornam o caminho pela ponte, e agora Tandel se ver escoltado pelas duas mulheres que assim como seus felinos, se mantinham quietas.

Tandel adentrou o palácio, notando duas grandes caixas de pedra preenchidas por ouro e jóias, além de vestidos e armas, o mago ignorou as mesmas percebendo animais se estreitarem nos cantos dos corredores, ursos e tigres o encaravam, assim como seus invocadores ao lado, todos com máscaras de ouro, exibindo músculos e curvas por baixo de trajes extravagantes.

A sala do trono não era diferente, frutas eram servidas e espalhadas pelo ambiente, pássaros voavam livremente, assim como serpentes se enrolavam nas mãos de homens e mulheres que se deliciavam com a comida servida.

Ao alto da escadaria, panos e ceda se enrolavam e caíam do teto, preenchendo por fim uma enorme concha, com penas e pelagem que ao ver se parecia com um ninho de ouro, no interior garras e caldas se colocavam para fora, três enormes pumas envolviam um corpo rosado e cabelos vermelhos sangue. A jovem dormia calmamente, assim como os animais ao seu redor, mas logo ela despertou, revelando dois olhos verdes que reluziam sob a máscara de leoa.

As pumas também despertaram, encarando Tandel, como se sentissem sua magia e sua presença. A garota se levantou, revelando as curvas escondidas pela ceda, suas pernas ficavam a mostra do vestido branco conforme descia as escadas, o decote até a altura do umbigo deixava as sardas quase apagadas de seu corpo visíveis. Joias e braceletes de ouro enfeitavam suas mãos e braços. Conforme se aproximava de Tandel, os animais ao redor se encolhiam e mostravam reverência à sua única líder, assim como os magos invocadores.

- Alteza. – Tandel se reverenciou por fim, notando as pumas o cercar como se desconfiassem de algo.

- Pensei que não o veria novamente Tandel! – A voz firme da princesa ecoou pela sala do trono, provocando alguns rosnados nas pumas. – Mas é bom saber que está bem! Venha, temos assuntos a resolver.

Tandel encarou sua máscara, buscando os olhos da princesa para assentir. A jovem se virou mostrando o caminho, longas correntes de ouro se penduravam em suas costas nuas, envolvendo sua cintura, Tandel procurou encarar o chão, enquanto seguia os passos da monarca acompanhados pelas três pumas.

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- Vejo que Theron continuou a enviar presentes. – Tandel inicia a conversa, notando o céu aberto com estrelas.

- As caixas com joias? Valem nada para mim! Assim como ele! – A voz esquiva da princesa vez Tandel sorrir, como se a conhecesse bem. – Empersor trouxe crianças noite passada, a situação está piorando!

A princesa se mantém admirando a lua, enquanto Tandel caminha pela praça.

- Estou tentando o possível Marien! – A princesa desdenha, acariciando os pelos da puma ao seu lado.

- A coroação já foi realizada, é só uma questão de tempo para que Theron venha. – A voz triste da monarca solou o ar, o deixando mais denso.

- Vai mesmo aceitar se casar com ele?

- E que escolha eu tenho Tandel? – Por trás da máscara, Tandel pode ver as lágrimas da princesa.

- Vá para Monte Branco! Eudora pode...

- E levar a fúria do príncipe e de seu pai até ela? E quanto ao meu povo Tandel? – O mago da lua se cala, encarando o chão. – Me arrependo de não o ter matado quando tive a chance!

- Você era uma criança!

- Uma criança que presenciou a morte dos pais! Uma cena que assombra meus pesadelos todas as noites! Uma covarde, é isso que sou! – Mais lágrimas escorrem pela pele rosada da princesa, que ainda tenta manter sua postura. Tandel suspira entristecido. – Mandei que separassem comida o suficiente para nove meses, é tudo que posso fazer pelas crianças.

- Não faça isso Marien! Ainda pode haver um jeito...

- Eu já me decidi Tandel! Pegue as crianças e os cestos, e garanta que Theron não descubra sobre isso! E se algo der errado... – A princesa respirou fundo, cerrando os punhos. – Não volte para me buscar!

Tandel engoliu o choro, se recusando a mostrar sua tristeza pela menina que protegeu em segredo por anos.

- Voltarei com os meninos para resgatar as crianças! – Tandel se reverencia, antes de deixar a princesa para trás, sentindo a dor em seu peito e estar perdendo alguém que amava, uma filha perdida em tristeza e tragédia por toda sua vida, prometida a um assassino, um inimigo de seu povo.

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San

As fogueiras espalhadas ao redor da mesa aqueciam os músculos do mago que havia esquecido da última vez que admirou o céu noturno em Arthez, era possível ouvir o barulho do oceano além dos espinhos negros, e a lua iluminava cada tenda erguida para abrigar as crianças. Diversas frutas e castanhas se espalhavam pela mesa, tantas que San mal conhecia a metade e sabia dizer se eram doces ou azedas.

- Vocês não têm carne, ou pão? – San indaga, fazendo Mujin rir ao seu lado.

- Acontece que em Forlorien só existe este tipo de comida! – Mujin diz, agora com os fios presos em um coque, deixando apenas alguns fios de sua franja se penderem nas laterais de seu rosto, San notou que suas pontas ganhavam a cor intensa do branco da lua, assim como algumas mechas suas.

- Então tudo isso vem desse tal reino? – O mestiço assente, abocanhando uma fruta alaranjada desconhecida por San.

- A comida, as roupas e cobertas para as crianças, a água... Tudo é fornecido pelos invocadores. – San estreita os olhos, tomando uma maça de cor intensa em mãos, a abocanhando.

- Então é por isso que Tandel foi para lá? – Questiona.

- Sim, e para ver a princesinha dele. – Dann senta a mesa, escolhendo as frutas que mais gosta antes de jogar na boca algumas castanhas. – Não sei como ela não cansa da cara dele.

- Uma princesa? Então ela está envolvida com tudo isso? – San abocanha mais uma parte da maça, deixando o suco doce escorrer pelos seus lábios.

- Até os dentes! Mas tudo seria mais fácil se ela não fosse noiva de um dos príncipes... – Mujin diz de boca cheia.

- Noiva? Mas se ela é noiva... Então eles devem saber sobre as crianças. – Dann e Mujin riram.

- Ela odeia o noivo mais que tudo, afinal foi Erestes quem matou os pais dela. – Dann da de ombros, saboreando as uvas.

- E como ela se tornou noiva do filho dele? – San ri, não entendendo.

- Acontece que no dia em que Erestes invadiu Forlorien para matar o alfa, ele havia levado de bagagem seu primeiro filho. A princesa presenciou a morte da mãe e depois do pai. Erestes iria a matar, mas ao invés dela se proteger, protegeu o garoto achando que ele também estava em perigo. Erestes viu a braveza da garota e na hora a nomeou como noiva de Theron. Aquela que o protegeu do próprio pai, sem saber! – San gargalhou ao imaginar. – Marien cresceu odiando Theron e sua família, enquanto Theron criou uma fantasia em sua cabeça sabendo que se casaria com ela após sua coroação.

- Mas se os pais dela morreram, isso não a faz rainha? Ela poderia anular o noivado. – Mujin engasgou, rindo descontroladamente após recuperar o fôlego.

- Não é assim que funciona na selva príncipe! – Dann desdenha, tomando em mãos um copo com água, o esvaziando. – Uma herdeira de invocadores só se torna rainha, quando escolhe um alfa! E infelizmente... Será o primeiro príncipe de Arender.

San debocha aos risos, tomando em mente as mulheres de Arthez, que se ouvissem uma besteira dessas, não acreditariam. Mujin de repente bate a cabeça na mesa, tampando os ouvidos.

- Ivan, eu vou quebrar essa sua flauta!! – Mujin ruge, e Dann sacode a cabeça tentando afastar a melodia de seus sentidos.

- Estou fazendo as crianças dormirem! Então façam silêncio. – Ivan diz ao longe, e San estranha, pois não estava sendo afetado pela melodia calma.

- Você não está com sono? – Dann indaga aos bocejos, vendo San tranquilo.

- Nem um pouco!

- Impossível! – Mujin ri contra a madeira, massageando a testa como quem sentia dor de cabeça. – Como pode não estar com sono?

San da de ombros, não sabendo responder. Dann se curva sobre a mesa, agarrando o punho do mago, suas íris se tornaram brancas e as veias negras se espalharam por todo o seu corpo contendo veneno, deslizaram até o punho de San, mas não se penetraram em sua pele. Atraindo o olhar curioso de Mujin e Dann.

- Você é imune?? – Dann comenta, fazendo San revirar os olhos.

- Por que todo mundo sempre reage da mesma maneira? – San indaga, puxando seu punho de volta.

- Por que isso é praticamente impossível! – Mujin se desespera, encarando os olhos de San.

- Não tem nada de impossível agora! – San desdenha.

- Você sabe o que isso significa seu idiota? – Dann fala irritado, se levantando da mesa. – Significa que você não pode ser afetado por nenhuma magia branca.

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Notas Finais


Gostaram do capítulo de hoje?

Até a próxima amores. I Mingi U ♡


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