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História Moe Uhane Aloha - Um Sonho De Amor - Capítulo 106


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Capítulo 106 - 3 - final


Fanfic / Fanfiction Moe Uhane Aloha - Um Sonho De Amor - Capítulo 106 - 3 - final


O tempo passou e esse entorpecimento como qual eu havia me acostumado também acabou passando. E a realidade tomou o lugar dele. Meus olhos sempre transbordam lágrimas todas as vezes que a imagem de meu avô queima em minha mente. Acontece a todo momento, porque não consigo esquecer. E estou sempre à beira do choro. Sento em frente ao mar e ele absorve um pouco da minha dor, faz sumir o choro e eu deixo as ondas levarem. Assim torno-me mais dependente do oceano, sinto que lhe pertenço, para sempre em seus braços. E ás vezes não sei se me traz redenção ou me inunda os pulmões. Nina passa o tempo comigo quando não estou trabalhando, e eu cheguei a levá-la comigo à Clínica e depois para assistir as aulas na Universidade. Ter companhia me ajuda a esquecer, me sustenta para continuar mas  ás vezes quando chego em casa à noite, sozinha em meu quarto, choro diante de minha nova realidade. Enquanto eu sentia a falta dele meus olhos se abriram com o susto, um tiro pelas costas, e a saudade alojada em meu peito, exausta como se tivesse tido uma convulsão. 
 As fotografias com Bruno estavam nos mesmo lugares ainda mas não estão mais, é verão e o carnaval está próximo mas eu nunca mais voltarei aquela charneca na serra. Os cartões postais continuam chegando, toda semana. Duas, três vezes por semana. Serra Leoa. Tailândia.  Japão. Marrocos. Índia. E várias cidades de cada país. 
 Comprei duas caixas para guardar lembranças. Em uma guardei os cartões de Santiago e em outra tudo relacionado a Peter. Esta última guardei na biblioteca, dentro do armário, a chave. E a outra deixei encima da mesa de cabeceira.  
 Imprimi três fotos do campeonato de surf e acrescentei ao mural no quarto. Nós participamos, em honra ao vovô. Quis contar a Santiago, e lhe mandaria por correio também se tivesse seu endereço, mas a cada dia ele estava em um lugar diferente.  Não havia como eu saber. 
 Senti-me sozinha e triste. Parei no meio do quarto, pensando na minha maneira de lidar com as coisas, vendo-o a minha frente, o ouvi dizer:
“Você tem segurado e levado as coisas adiante por muito tempo... Não poderia parar nem se quisesse, aguenta sozinha e diz a si mesma que pode lidar com tudo, isso endurece em seu coração e te prende. Ergueu sua parede tão alta que ninguém poderia subir nela, mas eu vou tentar.”  
Sua voz soou clara aos meus ouvidos. No alto das pedras do Arpoador naquela noite, ele se inclinou, o rosto tão próximo ao meu que nossas respirações se confundiam. “Você dispensou todas as mulheres, isso te faz sentir bem, não?” Rebati, mesmo sem saber, mas tendo certeza do que dizia. Santiago não é o tipo de homem que se prende a alguma coisa, mas...  “Nenhuma delas me fez querer ficar antes.” Ele respondera, e eu pestanejei engolindo em seco. “E agora?” Minha voz soou embargada.  “Agora eu fico por você.”  “Mas como pode dizer isso?”  Eu me sentia tão próxima a ele. Sentia-me próxima a Santiago, mesmo sem saber os detalhes sobre ele, mesmo sem saber sua trajetória de vida ou nada além da confusão que me infligia desde o primeiro momento. E sei que é exatamente isso que me aproxima. Porque seus olhos me desafiam. Porque seus olhos incrivelmente verdes me atravessam como espadas de dois gumes. Porque ele me invade e me toma sem minha permissão. E me fascina! É uma força irresistível. Uma identificação profunda. Um frio na barriga e o convite para uma aventura insana, alucinante, intensa, quente. E acima de tudo, segura.   
 Foi como me senti, é como ainda me sinto.  Ele disse que ficaria por mim, que eu sou a única que o fez querer ficar, que o mudou. E saber que o impacto tanto quanto ele a mim mexe com minhas emoções de maneira que não posso compreender. Porém, agora, eu o afastei. Tenho medo de que não volte. 
 Sabia que pensava em mim, a cada passo que dava. Sentada no alto de uma pedra, eu refleti  que era uma boa maneira de dizer que ainda se importava sem tentar influenciar ou pressionar. Santiago apenas escrevia uma legenda descritiva, e acrescentava que não sabia para onde iria em seguida.  
 Prismas de luzes vistas do lado de dentro de um carro com as janelas embaçadas. 
 Em algum ponto do caminho meu coração ganhou nuances de esperança e sonhos. Eu ainda não me atrevia a pensar nisso sem algum pudor, mas eu não queria continuar dominada pela dor e tristeza. 
 Certo dia, repleta de insegurança, eu liguei para ele. O número deu como inexistente. 
 Outra vez em uma reflexão percebi que essas nuances mais claras estavam sendo influenciadas por ele. Observo os limites do céu que se encontram com os contornos da cidade, e revivo lembranças. 
"Agora, depois desse tempo aqui... Jasmin eu... tenho..."  Sua voz rouca ressoa em minha mente outra vez.  "O quê?"  "Diz para mim por que está aqui comigo?"  Ele pegou outro caminho, recuando, e deixando claro que não era isso que ia falar. Agora eu percebo, lá naquela noite no Arpoador, Santiago já me amava. E agora percebo sua relutância, sua insegurança em dizer o que sentia. Mesmo tendo certeza de que tocara meu coração, como sempre ressaltava, ele tinha medo. Entendo que ele ia me dizer, mas não pôde. Meu coração se assusta com as revelações que se esclarecem. "Estou aqui porque quero te entender." Preferi ser sincera de uma vez. Acompanhei com os olhos os pássaros noturnos cortando o céu acima de nós dois, seu canto um eco na noite. "E porque... você me... atrai e perturba." Eu dissera e Santiago franziu o cenho e murmurou que entendia.  "É o que sente também?" Perguntei hesitante. "Um pouco mais que isso." 
 Um pouco mais que isso, Deus do céu... Repito em meu pensamento. Eu queria que ele estivesse aqui, dou um sorriso ligeiro e triste. Gostaria de não ter pedido que ele partisse, mas não conseguiria agir de outra forma. Estava transtornada. 
 Na semana do carnaval, a segunda de fevereiro, meus pais quiseram passar uns dias fora. Nina e eu fomos com eles para Angra dos Reis, foram dias pacíficos mas eu não prestei muita atenção. O último cartão postal chegou durante os quatro dias que estive fora. 
 Na fotografia Santiago estava com o braço esquerdo engessado. Haviam passado apenas dois meses desde que nos vimos, mas reparei que o cabelo tinha crescido bastante, estavam um pouco além dos ombros. Seu rosto estava limpo, sem barba alguma, como quando o vi pela primeira vez. Ele sorria torto, com um olhar enviesado, a câmera o registrara de um ângulo de lado. Vestia camiseta verde escuro, um casaco grande de camurça cor mostarda sobre os ombros e calça jeans claro. Eu me indaguei quem o fotografava, perguntaria a ele quando voltasse, porque ele voltaria, não? 
 Santiago estava no Vietnã, dizia a legenda. Não havia pista de como se machucara, o que me fez imaginar o que ele andava fazendo, impulsivo como é. A cada fotografia meus pensamentos enveredavam por possíveis histórias e isso era o que eu vivia. Eu me sentia viajando pelo mundo também. Um dia percebi que fazia pesquisas sobre cada lugar, a cada novo cartão. Isso me distraiu, da dor, das lembranças horríveis que ofuscavam minha visão, ou ficavam a espreita. Embora tenha me despertado aos poucos também. 
 Com o entorpecimento dissolvido, mesmo que ainda não totalmente, a dor em meu coração fez-se sentir. Como se o efeito da morfina estivesse começando a passar com muita rapidez. De repente eu estava amordaçada afundando em águas gélidas e ácidas, de dentro para fora. É estranho como pode sentir que está afundando e flutuando ao mesmo tempo. Santiago era uma miragem, o outro lado disso tudo. Mas ao mesmo tempo eu não queria cometer o erro de confiar minha salvação a alguém outra vez, e esse alguém acabar sendo minha condenação. Eu tinha que achar a mim mesma.
 Perguntei-me se ele me provocava, pois eu me sentia desejosa de estar nesses lugares. Seria como um campo vasto de ar fresco para uma vítima de incêndio intoxicada por fumaça. As fotos em meu mural me faziam pensar em tantas outras tão lindas que eu poderia tirar. Em um devaneio lembrei de meu antigo sonho, e muito íntimo. Lembrei de certa manhã num café no Havaí; o contei a Peter. Disse que gostaria de sair por aí, registrar os momentos do fenômeno mundo e também escrever sobre. Suspirei em um lamento, descartando a ideia, que viagem, afastando a lembrança. 
 Ultimo cartão porque passaram-se vários dias e nenhuma fotografia, nenhuma correspondência além de contas para pagar chegaram em meu correio. Em determinado momento eu me preocupei, e meus dias ficaram amassados como lataria de um carro. Eu não tinha o que esperar. Incomodada, senti falta dos breves momentos de sonhos, porque eu não conseguia mais ter esse luxo. Senti uma pontada de decepção e de mágoa. Sensação de perda e abandono. Não, isso de novo não. Esse sentimento não. 
 Victor disse que talvez Santiago estivesse de repouso para recuperar o braço. Ou falha nos correios? Quem sabe ele estava no fim do mundo agora? Ele disse. Hm, é. Eu tentei sorrir. Estava desesperada.
 Assim em poucos dias armei meu coração, vesti a armadura e afastei meus pensamentos de qualquer sentimentalismo. Apesar de meu luto ainda latejar como uma ferida recente que está longe de cicatrizar, sagrando, gotejando no chão. 


 Eu estava sossegada, pois meu futuro imediato estava traçado e garantido. Como em todas as noites. Saí da sala poucos minutos depois de meus alunos, sentindo a areia sob meus pés descalços, de olhos fechados andando pelo corredor  eu já podia sentir o cheiro do mar, ouvindo o murmúrio das ondas. O alívio chegando. Respirei fundo e sorri, enfim chegara o fim do dia, eu estava indo direto para o meu terceiro "ritual-de-esvaziamento-de-alma". Uma ida à praia, onde as ondas levavam  tudo embora, ao menos por hora.
 Carregando minha bolsa, uma maleta e algumas pastas nos braços, desci a escadaria e virei a esquerda para o estacionamento. Caminhei serpenteando pelos poucos carros, dispersa, me teletransportando astralmente para a praia antes de chegar nela mas sem conseguir evitar os resquícios dos assuntos sobre distúrbios de personalidade, Freud e a interpretação dos Sonhos. 
— Deus do céu! 
 Recuei alguns passos, os dedos rígidos nas pastas caindo pelos braços, meu coração doente acelerou, martelando oco em minha caixa torácica, arfei, avancei, rígida, o som de tambores dentro da minha cabeça, um barulho tão alto que me joga no chão. Quando nos vimos Santiago desencostou da sua moto e sorriu. Abertamente como um céu estrelado... Não. Ele gargalhou, e seus olhos verdes ficaram pequenos, o som do riso refletindo neles. 
 Eu corri e me atirei nos braços dele, Santiago deu largas passadas e me tomou nos braços. Durante mais de cinco minutos não falamos e não afrouxamo o abraço. 
 — Oi, sorri, e minha voz soou frouxa, e vibrante. Olhando no rosto dele por um instante antes de abraçá-lo outra vez.                      
 — Hola, cariño — Santiago sussurrou com tom intenso, os lábios no alto de minha cabeça. 
 — Meu Deus, eu senti sua falta. 
 — Yo, tanbién, Jasmin. Mio Dios... Sólo Dios lo sabe... — Segurou em meus cotovelos e me afastou. Seu sorriso se curva na lateral do rosto, como uma lua crescente assimétrica. 



 Senti-me tão confortada com seu retorno, e percebi o quanto sentira sua falta. Soube que não conseguiria deixar de lado, mas também não conseguiria me entregar novamente tão logo. Sabia que o queria por perto e Santiago queria estar. 
 Ele havia chegado naquela mesma noite, após deixar sua mochila - e única bagagem - no hotel foi me ver. Ainda estava com o braço engessado.  
 Fomos em meu carro para casa, a minha. Santiago carregou minhas coisas, e eu lhe pedi que me contasse sobre as últimas semanas. Eu imaginava que ele quebrara o braço durante alguma expedição, talvez uma escalada. Mas estava muito enganada. Santiago participou de rachas com cafetões e traficantes que conheceu num bar em Bancoc, "a cidade da perdição". Encarei-o empolgada, curiosa e horrorizada ao mesmo tempo, mas não surpresa.
 — Depois do quarto dia aconteceu isso. — Estendeu o gesso. — E eu disse "não, eu tenho que voltar inteiro para minha ninfa". 
 Movi as pálpebras lentamente ao olhar em seus olhos. Eu ri, e depois "minha ninfa" ficou ecoando na minha cabeça. 
 Chegando ao apartamento Nina já dormia, em minha cama. Estava tudo escuro, a não ser pela pálida luz que vinha da cozinha. Fui para lá, seguida por Santiago, e peguei uma garrafa de suco de laranja para cada um. Nós sentamos no sofá da sala e ficamos conversando até de madrugada. Pouco prestávamos atenção no que falávamos, intoxicados demais um pela presença do outro. Olhos que se sondavam, como águas do rio e do mar ao se encontrarem, observando o movimento dos lábios, absorvendo o timbre da voz.  A certa altura os diálogos se reduziram a poucas palavras, a companhia um do outro era reconfortante para ambos e nos embalou num sono tranquilo. 
 Quando acordei na manhã seguinte vi-me a seu lado, dividindo o sofá estreito para nós dois. Então ele me envolvia com o braços para não cair, e eu não me movi.  Olhei ao redor, a claridade do alvorecer fez psiu e eu olhei para ela escorregando pela porta dupla de vidro, escorrendo pelo chão. 
 Suspirei intimamente, com tristeza, a mesma tristeza de sempre, mas com um gosto diferente na ponta da língua. Fechei os olhos, grata. Sentindo o braço quente de Santiago e seu conforto. Não acreditava que ele voltara. A imagem do vovô lampejou sob minhas pálpebras, inspirei o ar com força, puxando-o de volta e solucei. Levantei rapidamente querendo escapar disso. Santiago se mexeu no sofá e entreabriu os olhos, adormeceu outra vez. Eu levei as mãos à cabeça, pelo rosto, cabelo, respirei fundo. 
 — Qué pasa? 
 — Hm? Ah, nada... Eu sussurrei com o fôlego de alguém que correu um maratona. Respirei fundo mais uma vez. — É só... Ainda dói tanto. 
 Santiago sentou, passou os dedos pelo cabelo para tirá-los dos olhos. Com o olhar de vidro focado em mim anuiu. 
 —  Lo sé (eu sei) - pigarreou. — O que você fez durante esse tempo? Falou em português. Eu quis ter cuidado de você, mas Jasmin, você não falava comigo... Pigarreou outra vez. Eu quis ficar, me perdoe por ter ido. Fui contra meus próprios conceitos. Nunca te deixar, te fazer passar por isso. Parou o que parecia ser um princípio de desespero e travou o maxilar, respirou fundo e falou com a voz rouca recomposta, a testa franzida. - O que aconteceu durante esse tempo? 
 Balancei a cabeça, confusa. Os primeiros dias passaram em um borrão. — Eu estava a beira de um ataque. Eu te pedi para ir embora, você ainda assim suportou minha amargura e eu não consegui... eu o magoaria, estragaria tudo o que tínhamos até ali. Entende? Mas eu não vi o quanto te fiz sofrer também... Santiago, me perdoe. — Pestanejei. — E não se culpe, não. Não pegue isso tudo pra você. 
 Ele não aceitou o que eu disse. Balançou a cabeça, o olhar firme. —  Mesmo assim. Achei que fosse o melhor, para você... porque para mim. Ficar longe de você... Aguentar ficar sem falar com você, suportar esse tempo, o seu tempo.  Me manter firme, para não voltar correndo, não ligar... — Santiago tinha as sobrancelhas unidas,, seus olhos desviaram dos meus para mirar em algo que apenas ele podia enxergar, distante. Eu o fitei, talvez impressionada, mas meu coração batia forte. Olhei bem em seu rosto bronzeado sem conseguir superar o embolo na minha garganta.
 — Também estou sofrendo demais, Jasmin. —  Balançou a cabeça. — Por você, pelo seu avô, e por você estar sofrendo... 
 — Chore. — Eu disse tocando as pontas de meus dedos logo abaixo de seu olho esquerdo. Santiago pestanejou, e com um suspiro a lágrima transbordou, seguida de outras sem fim. Minha visão era turva, eu também me entreguei ao pranto. Senti sua mão em minha cintura, e ele me puxou para perto enquanto eu o abraçava também, ficamos assim por vários minutos. 
 — Eu morri. 
 Santiago se afastou, tirou meus cachos do meu rosto e me encarou. 
 — Eu morri, durante esse tempo. 
 Ele sustentou meu olhar, atravessando meu crânio, esquadrinhando minha alma. Aproximou seu rosto do meu, deslizou a ponta do nariz por meu pescoço, inspirou e beijou. Me envolveu afetuosamente com o braço bom. 
 — Tudo o que eu fiz, foi em uma tentativa de fazer o a coisa certa. Jasmin, eu só quero que fique bem. Eu fui a muitos lugares, e eu tentei me distrair, mas a todo momento meu pensamento, meu coração estava em você. 
 — As fotos... Você me fez sonhar. 
 — Que bom. 
 — Como eu disse? 
 — O que? 
 — Para você ir. 
 — Por um tempo. 
  Fiquei quieta por um instante. 
 — E seu eu dissesse para sempre? 
 — Eu voltaria assim mesmo. 
 — Santiago... — Murmurei trêmula.
 — Tu queria que eu voltasse?
 Lágrimas molharam meu rosto, solucei o agarrando em um abraço forte.  — Sim. Fique comigo. 
 Santiago me segurou mais junto a si.  — Yo estoy aquí sólo por ti. ( Eu estou aqui só por você. ) Se ti necesito, si eres todo lo que quiero, como podría ser em cualquer outro lugar, excepto a su lado? (Se eu preciso de você, se você é tudo o que eu quero, como poderia estar em outro lugar a não ser ao seu lado?) Si deja que me quede. (Se você me deixar ficar.) 
 Minhas veias estremeceram, formigantes. — Também preciso de você. Mas não é porque estou destruída e preciso de alguém para me reconstruir. Eu também preciso de você... 
 —  Xii... Yo compreendi. — Santiago abriu o sorriso lua crescente. 
 Respirei fundo. Ergui um pouco o queixo para beijá-lo, Santiago estreitou o abraço e tocou os lábios nos meus, se afastou, abriu os olhos, a centímetros dos meus, me beijou outra vez, mais intensa e profundamente. 
 Foi assim que Nina nos encontrou. 
 — Hi! Falou ela. 
 — Morning, Nina. — Respondi. Ela sabe o básico de português e um pouco menos que isso de espanhol. 
 — Hola — falou Santiago se endireitando no sofá. 
 Nina sorriu. — Foi mal ter tomado a cama, se eu soubesse iria pro meu quarto de hospede. —  Sentou no braço da poltrona ao lado. O cabelo negro estava preso em um rabo de cavalo e ela vestia moletom cinza. 
 Eu dei de ombros. — Santiago, lembra de Nina? 
 Ele comprimiu os lábios. — Desculpe, deveria? 
 — Hawaii. — Nina respondeu, Santiago estava de pé e os dois apertaram as mãos. — Eu lembro de você, meio difícil esquecer um fotografo-galã-obcecado. — Deu uma risadinha pela própria piada.  
 Santiago ergueu uma sobrancelha e sorriu, depois olhou para mim, eu sorri. 
 — Pois é, falei. 
 — Vou sair pra minha caminhada matinal, mas antes vou comer alguma coisa. Vejo vocês! — Nina levantou e foi em direção à cozinha. 
 Santiago e eu trocamos um sorriso leve, uma troca de olhar comovida, uma conversa silenciosa.  
 — Tenho que ir trabalhar, eu disse. 
 — Todo bién, assentiu. Ainda sobe naquela pedra nos mesmos horários? 
 — Sempre. 
 — Então nos vemos mais tarde. — Ele me deu um beijo no queixo e foi embora. 

Sentei ao lado da minha roupa escolhida sobre a cama e Nina entrou no quarto. 
 — Ainda está em casa —  sorri. 
 Ela se aproximou e sentou ao meu lado. — Como está? 
 — Pensativa, e muito sensível no momento. 
 — Ele voltou. 
 — É... Suspirei, e senti meu coração bombeando de maneira aguda. 
 — Ontem eu cai no sono aqui assistindo filme, acordei no meio da noite e ia para o quarto quando vi vocês conversando na sala. Falando baixinho... — Sorriu. 
 Eu fiquei em silêncio por um momento, revivendo os momentos desde a noite de ontem, depois os contei a Nina. 
 — Eu gosto dele. — Ela confessou. —  Na verdade sempre vou gostar do que te faz bem. Meio que me sinto traindo a Bruno, porque eu torcia muito por vocês. Acreditava em vocês. Mas sei que lutaram o quanto puderam, até estarem feridos demais e não poderem mais suportar. Acho que sempre gostei do Santiago, ele agiu de maneira muito petulante, mas ele é provocante e instigante e excitante e sexy pra caramba, e completamente louco por você. Você não é apenas muito pra ele, você é tudo. 
 — Como pode saber isso? —  Indaguei, mas não porque duvidava, e sim porque Nina tinha certeza demais. 
 — Eu sei, e você também sabe. 
 Assenti, pensativa. 
 — Isso não é ênfase para se pensar que você deve fazer com que ele signifique o mesmo para você... É só o que ele é. — Quis dizer que eu não deveria me sentir pressionada. Eu esquicei com a cabeça.  
 — Hora de seguir em frente, Myn. —E depois de uma pausa perguntou:Você vai ficar com Santiago? — E olhou para mim com ar fraternal. 
 Ergui meus ombros e os deixei cair. —  Eu sou apaixonada por ele, no meio daquelas dúvidas todas ano passado eu me dei conta. Nós dois na praia, e depois nossa primeira noite juntos, foi por isso. — Fiz uma pausa. — E de tudo o que se foi, ele me faz sentir bem, e quando voltou eu me senti segura de uma maneira tranquila. É... eu estou tranquila. Parei de me debater nas águas. Como se tudo não tivesse acabado. Não estou acabada.
 — Hm... — Nina me observou. 
 Deitei por cima da minha roupa passada. — Droga, sussurrei e cheguei para o lado. É como eu me sinto em relação a ele. A maneira que se sente em relação a uma pessoa é o que condiciona se vai ficar com ela ou não, certo? Mas eu não quero estar com Santiago só por mim, pelo o que ele me proporciona mas também por ele, pelo o que posso dar a ele, pela doação, a entrega. É estranho pensar que nos alfinetamos tanto no início, mas sei que por ele ser quem é e por ter agido como agiu que fez tudo acontecer. Não é uma via de mão única, é pelo o que somos juntos, é por nós. Não posso explicar. 
 Nina me encarou com os olhos negros bem abertos. — Ele que devia estar ouvindo isso agora. 
 Houve um momento de silêncio e ela perguntou se eu ainda amava Peter. 
 — Amo. Como poderia deixar de amar assim? Mas há muito eu me acostumei com sua falta, há muito tudo vem se fragmentando... Costumava comparar a um caleidoscópio que nunca mais poderá ser concertado. 
 — Sim... Então, acabou mesmo? Você tem certeza? 
 Balancei a cabeça, levando os indicadores às têmporas. Abri os olhos e vi tudo em chuvisco por tê-los apertado demais. — Deixando de lado todo ressentimento? Ele está tão bem, fazendo sucesso, em uma ótima fase da vida dele. E eu não conseguiria acompanhar, e ele nem me deixou fazer isso, sei lá. Além de que tentamos tanto, e nenhum de nós dois suportaria mais. Acabou. 
 Nina refletiu por um instante, mas eu que falei. — Pensar nisso me deixa cansada. Realmente, não quero mais falar, nem pensar sobre. Não aguento. 
 — Seguir em frente. Repetiu. Talvez, desde o inicio, fosse pra acontecer, você e Santiago. — Balançou a cabeça para lá e cá. 
 — Olha, eu não sei se vai ser alguma coisa. 
 — É, hm... 

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