História Moletom - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Tags Bangtan Boys (BTS)
Visualizações 2
Palavras 1.286
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: LGBT, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Voltei aaaaa

Capítulo 4 - Segundo dia


Fanfic / Fanfiction Moletom - Capítulo 4 - Segundo dia

Segundo dia
Acordei ofegante depois dessa noite de sono conturbada. As memórias, que ainda eram frequentes, estavam virando pesadelos constantes.
Tudo o que eu queria naquele momento era me afundar naquele colchão e hibernar durante meses, vendo os meus problemas se resolverem automaticamente. Mas olhei para o relógio e vi que já estava quase na hora do almoço, o que me fez pular da cama e me arrumar o mais rápido possível, afinal, eu não podia evitar o fato de que ainda tinha um longo dia pela frente.
 - Olha quem finalmente acordou! – Disse meu tio quando me viu descendo a escada tão rápido que quase tropecei em meus próprios passos.

 - Olha, por mim eu ainda dormia mais! – Respondi, pegando qualquer coisa comestível que tinha na geladeira.

 - Pera, você não vai almoçar, não? Hoje tem macarronada, e sei que é uma das tuas comidas favoritas!

 - Deixa um pouco pra mim que mais tarde eu como, juro! – respondi já calçando o tênis no sofá da sala – Preciso correr para resolver minhas coisas, desculpas!
Dei um beijo em sua bochecha, peguei minha mochila e, apesar do cheiro da comida estar extremamente convidativo, saí o mais rápido que pude, me guiando por um endereço que anotei em um pedacinho de papel.

Ainda não tinha caído a ficha, mas tudo já havia começado.

...

Sempre me perguntaram desde quando escrevo, respondo que não sei. Aliás, não tenho nenhuma memória minha de quando criança que não envolvesse contos de fadas e personagens mágicos, e esse hábito se traduziu para um dos pontos principais da minha atual personalidade: a paixão pela escrita e o costume de usá-la para colocar para fora qualquer tipo de sentimento.

Ultimamente venho escrevendo um livro em quadrinhos. É a história de um jovem que é apaixonado por uma garota, mas só consegue vê-la e conversar com ela através dos seus sonhos e, munido de um tigre mágico, ele consegue viajar entre as dimensões para conhece-la pessoalmente. Essa história, que começou apenas como uma ideia boba, se tornou um projeto muito importante para mim e, acima de tudo, uma válvula de escape do mundo real.

Será que é nesta rua?, pensei, enquanto lia o mapa que desenhei rapidamente com as instruções que Yoongi me deu. O destino indicado era uma pequena gráfica, onde eu digitalizaria e copiaria alguns rascunhos que havia feito. Chegando à rua, a fachada chamativa não deixava dúvida de que ali era o local certo.

...

Saindo de lá com uma pilha de papéis e a sensação de tudo resolvido, minha única direção possível era o caminho de casa. Via parques pela cidade, trilhas que provavelmente deveriam levar a praias maravilhosas, mas eu tinha a sensação de que antes precisava me acostumar com esse sentimento de estar sozinho num lugar novo pra daí então conseguir conhecê-lo pouco a pouco.

Enquanto andava pela rua e observava o resultado que tinha sido impresso, uma sensação úmida e gelada na minha pele despertou a minha atenção: era uma gota de água caindo no meu rosto. Olhei para o céu e vi que pequenas nuvens cinza se aglomeravam ao meu redor, então rapidamente abri minha bolsa para pegar uma sombrinha. Procurei-a por alguns minutos até perceber que, pelo sol forte e céu aberto de horas atrás, eu provavelmente a devia ter ignorado e esquecido em alguma mala. Bem, deve ser apenas um chuvisco rápido, pensei, já que esta cidade era conhecida por seu clima ameno e por várias chuvinhas ao longo da semana. Mas aquele pingo veio acompanhado de outro, e de outro, e de outro. Até que percebi que realmente iria chover e eu perderia todos os meus papéis. O desespero de ter que recomeçar tudo aquilo fez um frio subir em minha espinha.

Procurei um local mais próximo para me abrigar enquanto tentava socar os papéis na minha mochila o mais rápido que eu conseguia. O primeiro que apareceu foi um edifício com aspecto colonial repleto de samambaias em sua fachada. Cafeteria, diziam as letras encravadas em uma placa de madeira rústica.

...

Quando entrei na cafeteria, já estava um pouco encharcado por conta da chuva, porém consegui salvar os papéis antes da água danificá-los. Respirei fundo e sentei em frente a um longo balcão de madeira onde os garçons estavam, e, talvez pelo estresse, tudo o que consegui dizer foi um curto e grosso: Moço, me dá um café. Depois que fui servido, minhas mãos trêmulas quase derrubaram a bebida.

Sorvendo rapidamente as últimas gotas, num gesto automático estendi o braço para o atendente, já com aquele olhar exausto que dispensava um pedido verbal por mais café. Esse ciclo vicioso foi se repetindo, até que na terceira ou quarta xícara ele finalmente quebrou o silêncio para perguntar se estava tudo bem comigo, e foi aí que acordei e parei para analisar o ambiente ao meu redor: duas moças cochichando e olhando em minha direção, provavelmente falando sobre minhas roupas ensopadas: pegadas de lama em todo o azulejo; o aroma de madeira molhada vindo do banco em que eu estava sentado.

 - Moço... é que você entrou muito rápido, e eu não queria me intrometer, mas acho que você tá a ponto de ter alguma overdose de cafeína, então você quer mesmo que eu encha essa xícara?
Eu estava tão envergonhado que não conseguia nem manter o contato visual.

 - Meu nome é Jungkook – ele disse, estendendo a mão. – Qual o seu?

 - Meu nome é Jimin, prazer – respondi enquanto tentava processar tudo o que eu tinha feito durante esses trinta minutos. As mãos dele estavam quentes por estarem operando a máquina de café, e isso era estranhamente agradável em meio ao frio causado pela chuva.

Depois de me investigar minunciosamente, ele quebrou o silêncio constrangedor pela segunda vez.
 - Você escreve? Você tem cara de escritor.

 - Olha, eu... eu escrevo algumas coisas, mas não me considero mesmo um escritor... E o que te fez supor que sou um? – perguntei, assustado, afinal, não era um palpite muito comum.

 - Bem, foi difícil não prestar atenção em você enfiando rapidamente todos aqueles papéis nessa mochila antes que a chuva os levasse, e também conheço de longe essas mãos manchadas de tinta de caneta.

Após esse clima estranho, um sorriso brotou em meio aquele rosto. Os olhos dele correspondiam à sua natureza: um olhar de criança curiosa.

Quando ele se preparava para encher mais uma xícara de café, balancei minha cabeça negativamente enquanto me levantava do banco.

 - Acho que já está bom por hoje, afinal, preciso dormir, e essa quantidade toda de café foi o suficiente para tirar meu sono por uns dois meses.

Ao ver pela janela que a chuva já tinha praticamente parado e que seus únicos resquícios eram as poças d’água no meio do asfalto, depositei algumas notas sobre o balcão para pagar pelo que tinha consumido e fui me dirigindo para a saída.

 - Obrigado pelos cafés! – eu disse, acenando para o garçom que havia me atendido.

 - Volte mais vezes! Mais uns cinco dias desses e já lucro minha renda anual – ele disse, acenando e esboçando um riso tímido.

Ao chegar à casa da minha tia e finalmente me livrar daquelas roupas fedendo a lama, fiz a retrospectiva mental de tudo o que tinha acontecido naquela tarde. Jungkook..., pensei em voz alta enquanto ria da tamanha vergonha por que passei.

Bem, agora é hora de avaliar o estrago nos meus manuscritos, espero que dê para recuperar alguma coisa, pensei enquanto procurava minha mochila. E procurei. Procurei de novo. E só depois de revirar a casa inteira é que percebi que saí de lá com tanta pressa e tão desnorteado que esqueci aquela bendita mochila na cafeteria, junto com minha dignidade, claro.



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