História Momentos - Capítulo 4


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Categorias Final Fantasy XV
Personagens Cor Leonis, Gladiolus Amicitia, Ignis Stupeo Scientia, Noctis Lucis Caelum, Prompto Argentum
Visualizações 20
Palavras 2.071
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Túnel


Quatro semanas e eles ainda estavam longe de Lestallum.

Estranhamente, eles estavam se acostumando ao ritmo, as longas caminhadas e encontrando animais a cada dois dias em média.

Eles estavam ficando mais fortes, ao menos parecia que sim.

O próprio Ignis se sentia mais confiante, o treinamento de Gladio estava valendo a pena, mesmo que eles ainda estivessem trabalhando apenas na defesa.

Ele sentia que estava construindo sua memória muscular, Gladio lembrava-o disso frequentemente. Ele tinha que praticar até que ele pudesse se esquivar ou bloquear sem pensar nisso.

Eles concentraram-se em seu senso de audição, evidentimente o mais forte dos seus sentidos e que Prompto tinha comparado ao de um cachorro.

Ignis duvidava que sua audição fosse tão boa assim, mas ele percebeu que ouvia mais agora do que antes. Ele podia ouvir o vento, até mesmo uma brisa fraca quando essa sussurrava nas folhas ou grama. Ele podia ouvir esquilos se perseguindo nas árvores. Ele ouvia o ruído de cascalho ou o ruído suave de botas na grama enquanto seguia Gladio e Prompto. Ele começou memorizando o como os passos de Gladio e do Prompto eram diferentes, ele as vezes chutava mentalmente quem estava vindo falar com ele, sua média de certo era surpreendetemente alto. E à noite, ele ouvia uma cacofonia de grilos e insetos e corujas e demônios.

Ele não falou nada, mas a noite era assustadora. Enquanto Gladio e Prompto só ouviam os demônios quanto eles estavam por perto, Ignis os ouvia de longe, e apesar de estarem longe o fato de saber que estavam lá era perturbador o suficiente.

Seu olfato também estava melhor. O que era bom e ruim, ruim porque ele sabia que todos eles precisavam de um banho horas, as vezes, dias antes de Gladio ou Prompto perceberem. O lado bom era que ele podia sentir o cheiro de demônios próximos, e é claro, também de alguns animais.

O que era ótimo e muito útil para eles conseguirem carne fresca, certas árvores eram mais pungentes do que outras. Alguns riachos cheiravam a água limpa. Comida também cheirava, tudo isso era um arsenal e tanto para sobrevivência deles.

E apesar de todos os contratempos, Ignis ironicamente, começava a ver sua situação com bons olhos. Ele podia ser útil.

Era um pequeno conforto em meio a escuridão.

Onde antes, ele desfrutava de uma rápida caminhada em uma manhã clara, ele agora preferia um ambiente próximo de um prédio, um trailer ou até mesmo uma tenda.

Ele podia sentir essas coisas. O movimento, o calor.

Quando eles andavam ou corriam, ele sentia como se estivesse em um vazio, com apenas o chão sob seus pés sendo sólido. O som precisava preencher parte do mundo ao seu redor. Ajudava se Gladio ou Prompto colocassem uma mão no seu ombro ou nas suas costas de vez em quando, pois só assim Ignis conseguia ligar o mundo físico ao audível.

E era nesses momentos que ele se sentia desamparado e desesperado.

Ignis optou por esconder seus temores, por esconder sua insegurança, afinal sua função era servir, ajudar e guiar a coroa e não ser o contrário.

"Dez por cento", avisou Prompto.

Ignis pegou o seu telefone e ligou. Ele entregou a Prompto que programou o endereço no aplicativo GPS.

A voz do computador confirmou: "Você está no caminho mais rápido. Continue para o leste por três quilometros." Prompto colocou o telefone de volta na mão de Ignis e este o enfiou no bolso.

"Isso vai nos levar direto a um túnel", avisou Gladio.

Túneis significavam demonios e Ignis se preparou mentalmente para uma luta.

Ele os ouvia muito antes de entrarem no túnel.

Mas ele também ouviu mais que demonios. "Há pessoas lá dentro", disse ele aos outros.

E as pessoas estavam gritando.

O ritmo dos passos de seus companheiros aumentou.

Ignis percebeu quando eles entraram no túnel, e ele tentava diferenciar os passos do resto dos sons ao seu redor, mas os sons vinham de todas as direções e ao mesmo tempo.

Ele não conseguia identificar nada, e então, ele parou, congelado em pânico.

Ele estava sozinho novamente, naquela escuridão, nada era físico somente o chão, sem paredes, sem orientação, não havia nada além de sons que ele não conseguia discernir ao certo de onde vinham ou o que eram.

Ele podia ouvir Gladio ao longe, mas ele não sabia dizer se estava à esquerda ou à direita, atrás dele ou na frente. Ou até acima dele, embora soubesse que isso seria absurdo.

Somente quando alguma coisa zumbia no ar perto de sua cabeça, que ele conseguia se orientar.

Ele se esquivou. O demonio avançou rosnando.

Ignis tentou bloquear todos os outros sons, tentando desesperadamente focar somente naquele demonio, ele se concentrou e ouviu o rangido de passos vindo em sua direção. Não soava como os Gladio e era mais pesado dos que o Prompto.

Por pouco, ele evitou ser atingido, uma vez, duas vezes, mas não na terceira vez. Ele sentiu uma pontada na perna, ele sabia que estava sangrando, mas ele sentia que poderia continuar sem uma poção.

Ele voltou a se levantar e pegou sua lança. Ele virou a cabeça para ouvir melhor o demonio que veio novamente e Ignis empurrou a lança em direção ao som, torcendo para que acertasse algo.

Ele então ouviu o grito do demonio, sentiu o peso na ponta da lança.

Ignis sabia exatamente onde estava agora, a lança servira de arma de defesa, ataque e guia em meio ao escuro e a montidão de sons.

Ele seguiu o som e o matou enfiando a lança no demonio por diversas vezes, só para garantir, e usando a lança para se apoiar e descançar a perna machuda, ele tentou se achar e atrair o minimo de atenção para si, separando o som ambiente dos demonios que esta

vam lutando, gritando, ecoando ao redor dele.

Ele se esquivou e bloqueou e bateu em coisas que ele não conseguia distinguir de novo e de novo. Ocasionalmente, ele foi atingido por obstáculos no chão, caiu, tropeçou.

Parecia uma eternidade, estava ele andando em circulos, voltando de onde veio, indo em direção a saida.

Ele não sabia.

Mas finalmente tudo ficou quieto e ele se perdeu novamente. O silencio era uma alivio, mas ele não tinha nenhum ponto de referência.

Ele estava relativamente seguro, mas seus companheiros ainda estavam lutando. Ele simplesmente não sabia qual direção seguir para ajudá-los. Ele tentou o telefone, mas a voz simplesmente dizia: "Sinal de GPS perdido".

Ele deu um passo, mas pisou em algo macio. Um dos obstáculos que ele tropeçara antes. Era firme ao mesmo tempo que tinha certa maciez.

Parecia...

Uma parte de um corpo?

Ele não conseguia se mexer. O que estava acontecendo? O que havia a sua frente.

Devia ele ira para frente ou para trás, esquerda ou direita. Ele usou a lança como bengala, movendo-a de um lado para o outro para tentar encontrar um caminho.

Os sons estavam ficando mais distantes.

Provavelmente Gladio e Prompto estavam perto desses sons, se aproximou dos sons lentamente até que sua bengala improvisada bateu em algo duro.

Ele estendeu a mão e encontrou a parede do túnel.

Seu vazio agora tinha pelo menos uma borda.

À esquerda ou à direita? Ele se perguntava, com dificuldade, ele decidiu certo. Mas quando ele tentou se mover, encontrou seu caminho cheio de coisas mais suaves que não se moviam. O barulho era mais silencioso. Os gritos pararam. Ignis apenas manteve uma mão na parede e sentiu com a lança improvisada de bengala um lugar para colocar um pé e depois o outro.

Ele tinha acabado de colocar o pé esquerdo para baixo quando algo agarrou seu tornozelo direito.

Uma mão.

Ignis caiu para a frente e tentou se apoiar com a mão. Mas escorregou em algo escorregadio e caiu com força sobre o seu ombro.

Seu redor cheirava a ferro.

Sangue.

"Socorro", uma voz fraca suspirou.

Ignis ajoelhou-se e voltou-se para a mão no tornozelo. A mão se moveu e agarrou seu ombro. Ignis seguiu a mão até a fonte da voz. A pessoa estava deitada no chão.

"Eu vou morrer?" uma voz de um homem perguntou. Soava dolorido e sufocado.

Ignis não sabia o que fazer. Ele não reconheceu a voz. Tinha que ser uma das pessoas que ele tinha ouvido antes.

"Eu não posso ver", Ignis disse a ele.

O homem ia morrer?

Uma poção poderia salvá-lo?

"Onde você está ferido?" ele perguntou, esperando poder diminuir suas opções.

Havia pânico na voz quando o homem respondeu: "Não consigo sentir minhas pernas".

Ignis estendeu a mão para a frente e encontrou o ombro do homem. Ele passou a mão pelo lado do homem até onde seu quadril deveria estar.

Havia algo meio gelatinoso, meio gosmento, Ignis engoliu seco e estendeu sua outra mão, ele esticou seu braço, até sentir as pernas do homem.

Elas estavam muito longe.

Uma poção não ajudaria este homem.

"Sinto muito", disse Ignis. "Eu não posso te ajudar."

"Minha família", o homem sufocou através das lágrimas. "minha familia está bem?"

"Eu não sei." Ignis se sentiu péssimo. "Eu não posso ver. Eu sou cego."

"Por favor me mate então", o homem implorou. "Isso dói."

"Eu não posso", Ignis disse a ele em um sussurro. "Eu...eu não consigo ver."

Mas o homem não falou de novo. A mão que cerrava o ombro caiu. O homem estava inconsciente ou morto.

Ignis percebeu então que o túnel estava quieto. Não havia mais sons de luta. Não havia mais gritos. Nem demonios. Apenas os sons do túnel que não ajudavam a se orientar de alguma forma. Ele perdeu a bengala, e soltou sua lança quando caiu no chão e por alguma razão não conseguia chama-la novamente. Suas luvas estavam com sangue. Ele não sabia onde seus amigos estavam. E se eles estivessem mortos também?

Ele estendeu a mão, tentando encontrar a parede novamente, mas não havia nada ali.

Ele estava preso.

Tudo ao redor dele era escuridão. Sua mente preenchia sangue e corpos no chão ao redor dele. Ele pode estar perto da entrada, da saída ou de nenhum dos dois. Ele não podia nem suportar o medo de cair de novo. Ele estava sozinho.

Sua boca ficou seca e sua respiração ficou mais e mais rápida. Ele percebeu que estava hiperventilando, mas ele não podia colocar as mãos sobre a boca, coberta de sangue como elas estavam. Ele não conseguia parar.

"Iggy!"

A voz de Prompto!

Ignis não conseguiu recuperar o fôlego para gritar.

"Ignis?"

Gladio! Ambos estavam vivos.

Por favor, me encontre, ele pensou.

Ele ouviu passos rápidos e agudos, mas de qual direção ele não sabia dizer. Eles desaceleraram, cada vez mais perto.

"Iggy?" Prompto soava tão jovem, como uma criança.

"Eu não sabia dizer", ele conseguiu falar com dificuldades, "de onde vinham os sons. Ele me agarrou. Eu caí".

"Tudo bem, Iggy", a voz de Gladio estava tão perto. Atrás dele. Seus braços fortes o envolveram e o levantaram.

Uma vez que ele estava de pé, Ignis percebeu que estava tremendo. Ele não conseguia parar. Gladio não o soltava. "Apenas respire comigo, devagar. Respire."

Ignis tentou respirar fundo. Gladio era o seu muro agora. Ele poderia se orientar.

"Aqui", disse Prompto. "Eu estou com a sua bengala. Há um córrego do outro lado onde você pode limpar."

"Os sons estavam por toda parte", disse Ignis, tentando explicar. "Eu não consegui encontrar o caminho até vocês."

"Túneis fazem eco", concordou Gladio. "Deveríamos ter pensado nisso" o tremor parou. "Você está bem?"

Ignis assentiu. Gladio o soltou e rápidamente Prompto segurou o seu braço.

"Fique aí", disse Gladio. "Vou limpar o caminho."

Ignis se virou para encarar os sons dele deslocando obstáculos. "Você conseguiram salvar algum deles?"

"Não", disse Prompto. Ele colocou uma de suas mãos nas costas de Ignis e guiando-o para a frente. "Nós tentamos."

"Eu também", respondeu Ignis. Ele ouviu seus passos de novo, ecoando levemente nas paredes do túnel.

Mas a mão de Prompto não o deixou mesmo quando o vazio passou a ter forma e os sons da natureza o cercaram o dando uma noção de lugar, de onde ele estava. Esquilos e pássaros, o ruído de pedras e o som de um riacho à frente deles.

O mundo voltou a ter forma para Ignis. Ele não estava mais sozinho e cercado de morte em meio a escuridão

"Vire à direita." disse a voz do GPS de dentro do seu bolso.


Notas Finais


Bem, esse capitulo foi dificil pois eu queria passar o drama do Ignis e o fato dele estar cego.
Apesar de tudo os três estavam indo muito bem, muito sucesso e felicidade levando em consideração o situação.
Até mesmo Ignis estava bem confiante, então nada melhor que um choque de realidade para todos eles, principalmente para Ignis - ele não está preparado para viver, muito menos sobreviver no mundo que virá.
E apesar desse capitulo focar nele, os efeitos dessa desaventura no tunel, vão repercurtir nos próximos capitulos - principalmente em como Gladio e o Prompto veem a situação deles e de Ignis.
Resumindo: Yes, Stress!
Semana que vem posto mais um capitulo.
XD


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