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História Mon cher Danseur - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


ulala yaoi na frança
espero q gostem
a Mademoiselle Noir, que verão ao longo da história, é baseada na Cher. Sim. Cher, a matusalém mais maravilhosa de todas

boa leitura e é isso aí

Capítulo 1 - Macaron


...Dans la brute assoupie un ange se réveille.

   Jungkook não ria. Não sorria. Era de sua criação, as exigências do negócio da família, o negócio da família que havia começado lá em mil novecentos e dez e até os dias atuais estava muito sólido e intacto, cento e dez anos de Jopok, assim que chamavam, a famosa e temida máfia coreana, muitos temiam e fariam qualquer coisa para não virar um alvo da Jopok, outros queriam arrumar confusão para sentir adrenalina, outros queriam fazer parte e se sentir como peça de algo maior, mas é claro que os maiores cargos eram reservados aos membros da família Jeon e as pessoas das quais decidissem se casar, ou velhos e confiáveis amigos. Apesar de serem conhecidos pela violência que faziam como máfia, eram ótimos maridos e esposas, nunca havia visto nenhum divórcio em cento e dez anos e isso era um orgulho: "Negócio da família, mas família vem primeiro", como seu pai, Jeon Jongsuk dizia. Ele era um bom homem, era um pai presente principalmente na vida escolar dos filhos, e nunca deixava a desejar dentro de casa, apesar de ser o maior líder da máfia e ter muito poder, em casa, quem dava a última palavra era sempre sua esposa, Jeon Somin, e Jungkook achava engraçado, assim como seus seis irmãos, a forma que seu pai mandava e desmandava no escritório, mas quando chegava em casa, sempre abaixava a cabeça para o que sua mulher dizia.

   O negócio da família tinha um  volume de 60 bilhões por ano, e controlando 80% do mercado das drogas do leste asiático, mas principalmente no território chinês, onde haviam se apossado de tríades da máfia chinesa e controlando mais territórios. Mas os negócios não se concentravam na venda de drogas, iam até extorsão, passando pelo tráfico de armas, assassinatos de aluguel, prostituição e lucro derivado de contratos públicos. Começaram recentemente com crimes cibernéticos, e possuíam um grande histórico de lavagem de dinheiro e  imigração ilegal.

   E como uma única família dona de máfia jamais havia sido pega? Muito fácil. Tinham contatos no governo coreano e na Interpol, e nunca se apresentavam à autoridades por si próprios, somente por meio de terceiros. Jungkook havia crescido nesse mundo, tendo professores particulares e não podendo sair muito na vizinhança, sabia que sua liberdade seria um pouco comprometida, é claro, mas quando se tem seis irmãos, o fardo é menor, principalmente quando um acobertava as fugas do outro, assim, Jeon sempre frequentava festas e eventos sociais antes da maioridade, cheio de pequenos casos amorosos e que nunca duravam mais que uma noite.

   Seus irmãos eram todos mais novos, e eram; Jeon Junghyun –que tinha todas as manhas para ser artista e estava na segunda graduação na academia de artes em Viena–, Jeon Donghyuk que era formado em contabilidade e tratava do financeiro dos negócios da família, Jeon Jisoo que era médica e trabalhava num hospital famoso, mas também dava uma mãozinha para os colegas da Jopok. Jeon Hyungsik ainda tinha dezesseis e estava no colegial, assim como sua irmão gêmeo Hyungjun... E por fim, Dahyun, de apenas cinco anos de idade. O pai nunca impediu que seus filhos seguissem seus sonhos, independente de quais fossem, mas, Jungkook, Donghyuk e Jisoo realmente queriam ser ativos nos negócios da família, Hyungsik e Hyungjun mostravam muito interesse também, e por isso já estavam começando a aprender como tudo funcionava.

  Mas Jungkook era a grande estrela, era quem sabia tudo sobre os negócios, era quem conseguia lidar com todas as questões, até mesmo as mais difíceis, como se tirasse doce de criança. Por isso que seu pai lhe escolheu para que fosse até a França e lá tentasse expandir mais os negócios, não era porque Jungkook falava francês ou coisa do tipo, até porque nem falava francês, mas era o melhor negociando, tinha punhos de ferro e era muito bom no que fazia, sempre conseguia sair em vantagem... E também porque havia comprado um livro chamado "aprenda francês rapidamente".

   Pegou o vôo da madrugada, indo na primeira classe num avião da Air France, sem escalas, doze horas e cinco minutos direto dentro da confortável cabine, o que não foi realmente um problema porque pôde cochilar, assistir filmes e se masturbar, sem ser incomodado... E então chegou ao aeroporto, onde deveria se encontrar com Kim Namjoon, era um professor universitário coreano que havia se mudado para França há alguns anos e há poucos meses havia começado a trabalhar para a família Jeon, mais como intérprete e leva e traz de informações, agora, iria ser o companheiro de Jungkook.

   Namjoon era um homem elegante que vestia camisa social azul claro e calças sociais pretas, era alto e tinha covinhas, olhos estreitos e cabelos pretos combinando com a pele amorenada. Ele segurava um papel escrito "Jeon Jungkook" em letras coreanas, e, quando o filho mafioso se aproximou, viu o rosto do professor meio surpreso: talvez fossem as tatuagens de Jungkook, inúmeras em suas mãos, pescoço, peito, talvez fosse a postura cheia de marra ou as vestimentas majoritariamente pretas, calça de couro, camisa social de seda preta e blazer preto... Ou talvez fosse o sorriso que deu quando o viu.

   Qual é, Jungkook é da máfia, não um monstro.

—Kim Namjoon? — perguntou, estendendo a mão para um aperto, o outro já não parecia mais tão nervoso assim. —Sou eu, Jeon Jungkook.

—Senhor Jeon, boa noite. Eu irei ser seu colega aqui, te ajudar no que for preciso e...

—Corta essa. — o interrompeu, empurrando o carrinho com as malas, caminhando para fora do aeroporto e da muvuca. —Não precisa ser formal. Pode me chamar pelo nome, como vamos conviver muito próximos, então espero que possamos ser amigos.

   Namjoon pareceu perder uma rocha de toneladas que estava nas costas, porque estava realmente menos tenso depois daquilo. Quem diria? Quem diria que mafiosos poderiam ser tão gentis? Mas é claro, no final, eram seres humanos como quaisquer outros.

—Isso é muito bom. Obrigado. Bem, podemos ir para casa, ou podemos ir jantar fora, o que você prefere?

—Hum... — chegaram no estacionamento, Jungkook e Namjoon trabalharam juntos para guardar as malas no banco de trás do Audi q3, depois entrando no banco da frente e dando a partida. —Podemos jantar fora? É minha primeira vez em Paris, eu gostaria de ver a cidade. Mas, me conte mais de você, ou de como vai ser daqui pra frente.

—Vamos morar juntos, como seu pai pediu. — ele explicou, ajeitando o óculos de armação fina e arredondada no rosto. —É em um loft muito bom, do lado da melhor padaria de Paris, e o melhor é que ela não é ponto turístico. Teremos quartos separados, é claro, e eu irei te acompanhar em todas as reuniões, serei seu intérprete, mas é claro que irei te dar instruções caso seja necessário. Sobre mim... Acho que não tem nada muito interessante para dizer.

   Jungkook o ouvia com atenção, mas com mais atenção ainda observava a rua, sempre cheias de jovens saindo para beber, todo mundo parecia fumar naquele lugar, as luzes da cidade eram incríveis, todos os tipos de estabelecimento misturados nas ruas, uma doceria ao lado de uma balada ao lado de uma tabacaria ao lado de uma loja de jogos... Era incrível.

   A pluralidade, a diversão, a leveza do ar, Jungkook, de apenas vinte e oito, sentia-se meio velho no meio daquilo tudo.

—Aposto que tem sim, bastante coisa sobre você. Todo mundo tem uma história interessante, Namjoon.

—Não... Eu não...

—Ah! — o interrompeu novamente, mas dessa vez estava surpreso, apontando para um lugar em especial e meio escondido. —Podemos ir ali?

   Era um estabelecimento quase dentro de um beco, mas era grande, uma construção larga de pelo menos uns três andares, com tijolos avermelhados e pouca movimentação, do lado de fora havia uma mal feita escada de incêndio, poucas janelas e uma placa neon escrito "Maison Burlesque", em tons vermelhos e brilhantes.

—Hã? A casa burlesca da Madame Noir? Não tem nada aí, Jungkook...

—Ah, não tem mesmo? — se virou para o outro, com um sorrisinho. —E como você sabe o nome da dona?

—Eu não sei! Tá escrito, Jungkook, tá escrito lá.

—Tá nada. Você conhece esse lugar sim... E depois vem me dizer que não tem nada de interessante sobre si?

—Vamos lá, Jungkook, vamos, se isso for fazer você parar de perguntar esse tipo de coisa.

    Jeon apenas sorriu, vencedor, quando Namjoon estacionou atrás do estabelecimento, onde era ainda mais vazio e escuro. Não sabia exatamente o que havia lhe chamado atenção naquele lugar em especial, que nem mesmo de longe ou de perto era o mais chamativo ou instigante dentre aqueles que viu pela janela do carro, mas era seu instinto, algo que lhe mandava entrar, porque talvez fosse um ótimo lugar, porque imaginava que algo interessante poderia acontecer ali, algum pressentimento ou algo do tipo... Mas uma casa burlesca, isso era algo bom de qualquer forma, não era? Ver belas garotas dançando, talvez até arrumar alguma para passar a noite.

   Adentraram o local pela porta da frente, não estava tão cheio, mas era enorme, tinha dois andares, mas o andar de cima estava aparentemente vazio, inúmeras mesas redondas de madeira e cadeiras, um palco escuro com uma pesada cortina escondendo o que havia atrás, próximo de um extenso bar com diferentes tipos de bebidas e uns três barmans preparando bebidas dos clientes, garçons e garçonetes vestidos casualmente levando bandejas com refeições e bebidas para os convidados, e, Namjoon após escolher uma mesa próxima ao palco, sentando-se com Jungkook, não demorou a ser atendido. Na verdade, o garçom que veio parecia muito íntimo do rapaz, a medida que lhe selou os lábios longamente sem mais nem menos, um rapaz não tão alto e de pele pálida, com cabelo tingido de loiro, uma camisa branca e calça preta, parecia ser o garçom mais bem vestido, e, quando desgrudou a boca de seu mais novo amigo, Jungkook pode ver que o rosto do rapaz era ridiculamente perfeito, era lindo, lindo mesmo.

—Olá docinho. — o rapaz cumprimentou Namjoon, finalmente, mas só depois foi olhar na cara de Jungkook. —Oh, você é Jeon Jungkook, novo amigo de Namjoon? É um prazer. Sou Kim Seokjin, o namorado. — então estendeu a mão para um aperto.

—O prazer é meu, Seokjin. — Jungkook lhe apertou a mão, sorrindo brevemente.

—Bem, posso saber o que vão querer comer?

—O de sempre. — Namjoon pediu. —Pode trazer o mesmo para Jungkook, querido?

—Vou tentar priorizar o pedido de vocês. — ele deu uma piscadinha, saindo do local.

—Aqui não tem cardápio? — Jungkook perguntou à Namjoon.

—Não, é uma maneira da senhora Noir manter os impostores longe... Você tem que conhecer alguém que trabalha aqui ou conhecer algum cliente antigo para ficar confortável. — explicou, respirando fundo, Seokjin passou rapidamente pela mesa, deixando duas taças de Martini e depois partindo para outras mesas.

—Então... Seokjin? — perguntou, bebendo um gole de martini.

—O conheci aqui. — Namjoon respondeu, bebendo seu martini. —Era meu aluno de francês, ele pediu por aulas particulares e... A coisa ficou meio pessoal.

—Então ao amor. — Jeon estendeu a taça, propondo um brinde, as duas se chocaram rapidamente e então beberam um gole ao mesmo tempo. 

—E você? Está com alguém?

—Eu? Não. Isso não é pra mim. Sou mais um tipo de... Desapegado.

   Namjoon assentiu, poucos minutos depois, Seokjin apareceu com três pratos de kebab "o prato pode até ser turco", explicou, "mas não há nenhum kebab melhor que o nosso". E ele tinha razão, pois era delicioso, um tipo de comida que Jungkook jamais havia experimentado antes, junto do martini ficava sensacional. Ele observava animadamente Seokjin falar sem parar sobre o lugar, que dentro de poucos minutos haveria um show ali, como todas as noites, enquanto Namjoon ficava em silêncio, abraçando Seokjin pelos ombros... O olhando. Olhava para Seokjin perdidamente apaixonado, de um jeito que qualquer homem ou mulher gostaria de ser olhado; amor e paixão puros, admiração.

   E então, em determinado momento, as luzes foram diminuindo, enquanto as luzes do palco se acendiam, provendo uma iluminação baixa e quente, a cortina subia mas ainda não era possível ver muito do palco, uma música lenta era tocada pela banda de Jazz na lateral do palco, ritmo lento e sensual, e então um foco se acendeu no palco: Jungkook estava tão perto daquele rapaz que achou que poderia tocá-lo, de pouca estatura, cabelos loiros e um rosto de anjo, um espartilho branco com brilhos e uma saia de plumas também branca, saltos finos e meia fina branca... Como um anjo. Os lábios carnudos pintados de vermelho representavam a sensualidade florescendo no meio da pureza, tão sensuais que eram quase um pecado, a voz suave e aguda cantava Love me Harder da Ariana Grande, mas, o estilo era completamente, como se a música tivesse sido feita em 1930, no mesmo ritmo sensual do piano, bateria, violoncelos e violinos.

   Quando deu por si, estava orgulhosamente hipnotizado pelo rapaz, o olhando como se fosse uma divindade ou coisa do tipo. Dançava e caminhava pelo palco, os quadris quase rebolavam com o andar, homens, e mulheres também, pareciam estarrecidos com tamanha beleza e feitiço do rapaz. Conforme performava, livrava-se das peças de roupa, primeiro o espartilho, revelando o tronco magro e pequeno, tão delicado, os mamilos estavam cobertos por um glitter prateado, a plateia não poupou palmas e assovios, enquanto o rapaz continuava cantando e dançando, se jogando no palco e deitando de barriga para cima, arqueando as costas e levantando as pernas delicadas, enquanto as mãozinhas desabotoavam a saia, e, quando se levantou, tinha apenas uma calcinha de renda, mostrando as ligas prendendo a meia, com uma sensualidade sem igual; de coxas roliças e um traseiro redondinho e empinado, serpenteando de forma angelical pelo palco, até que a música terminasse e as luzes do palco se apagassem, e as luzes do salão se acendessem, e seu anjo já não estava mais lá. 

—Quer um balde, Jungkook? — Seokjin perguntou, chamando sua atenção. —Pra essa baba toda que tá saindo da sua boca.

   Jungkook pigarreou, endireitando as costas.

—Quem é ele? — perguntou. —Quem é o rapaz?

—Senhor Impossível para você. — Namjoon respondeu. —Mademoiselle Noir não deixa ninguém chegar perto dele.

—Não seja tão pessimista, Namjoon. — Seokjin revirou os olhos. —Park Jimin. Ele tem dezoito anos, e dois anos de casa, ele já estava aqui quando cheguei e... É um tipo de príncipe para a Mademoiselle Noir, ele tem camarim privado e é escoltado por onde quer que ande. Se quer chegar até ele, então faça as graças da Mademoiselle Noir.

—Onde posso encontrá-la?

   Seokjin apontou para o andar de cima, que aparentemente estava vazio, havia uma única mulher, francesa, de cabelos pretos e cheios de cachos, uma cara cheia de plásticas e o corpo também, tinha uma elegante taça de vinho tinto. Jeon já se levantou, iria atrás da mulher até o inferno, mas iria ter sua chance de falar com o belíssimo Park Jimin.

   Entretanto, antes mesmo de sair da mesa, Seokjin segurou seu braço, fazendo com que se sentasse novamente.

—Você vai querer ver o último show de Jimin antes de falar com ela. — sorriu suavemente, e Jungkook se sentou novamente. —O segundo é sempre mais animado e dançante.

—Certo.

   A verdade é que Jungkook era muito insistente, teimoso, e quando colocava algo na cabeça era difícil de tirar... E havia sido completamente enfeitiçado por Park Jimin, talvez não fosse o único, mas, com certeza faria o possível e o impossível para poder ter, no mínimo, um jantar a sós com aquele rapaz. Vagava em seus pensamentos, imaginando o que poderia fazer para chegar até o rapaz, completamente transtornado, enquanto outro garçom lhe trazia vários copos com whisky... Só saiu de sua própria mente quando as luzes do salão se apagavam e as luzes do palco ligavam, rosadas e uma música mais animada começava, no mesmo estilo de jazz da década de 1920, e Jimin surgiu, descendo os degraus da escada cenográfica, um vestidinho dourado de franjas, bem no estilo de The Great Gatsby, saltinhos e uma headband também dourada, com uma pena branca.

   Ainda mais lindo e mais juvenil, cantando uma versão de 1920 de Fancy da Iggy Azalea, arriscando divertidos passos de dança e sorrindo com uma belíssima jovialidade, toda vez que girava e as franjas do vestido giravam consigo, mexendo os pés e braços com doçura, chegando bem a frente do palco... Encontrou o olhar de Jungkook.

—I said baby, I do this, I thought that you knew this... — aquela parte, sim, Jimin havia cantado para Jungkook, o inglês carregado de sotaque francês, o sorriso, o olhar...

   Droga, ele realmente estava olhando para Jungkook e lhe dando atenção, sapateando e encantando a todos com seu carisma sem fim, e o Jeon se levantou, o aplaudiu de pé quando finalizou o último número da noite.

  E Jeon, de pé, completamente estarrecido, não perdeu tempo e nem ouviu as dicas de Seokjin, apenas caminhou até a escada escura, subindo os degraus de dois em dois com uma certa fúria, muita determinação, os cabelos pretos e longo demais constantemente invadiam a área dos olhos, mas chegou rápido até a mulher, que estava de pé, em seus um metro e oitenta e pouco e longo vestido preto, com uma elegância sem igual.

   Ela sorriu, indicando a cadeira vaga para Jungkook, e então se sentou também, bebendo mais de seu vinho.

—Bonsoir, Madeimoselle Noir, je m'apelle Jeon Jungkook. — se apresentou, com um pouco de medo.

    A mulher não disse nada, apenas estendeu a mão, a qual tinha um anel de diamante, Jungkook beijou as costas da mulher, e esta apenas a retirou em seguida, cruzando as pernas e olhando para o palco vazio.

—Em que posso te ajudar, mon petit garçon? — ela perguntou, em coreano e francês.

—Aquele garoto. — foi direto. —Park Jimin. Eu gostaria de conhecê-lo.

   O olhar frio e escuro da mulher pousou em Jungkook. Aos poucos ela foi abrindo um sorriso fraco... Que foi se tornando uma risadinha, depois uma risada, depois gargalhadas, a ponto de começar a chorar de tanto rir, e Jungkook ficou sem entender nada, apenas esperou que a crise de risadas daquela mulher terminasse.

—Você... Quem você acha que é para dizer uma coisa dessas? — ela perguntou, sinceramente, encarando Jungkook. —Meus garotos e garotas não são prostitutos. São artistas. Não estou em posição de agenciar ninguém aqui.

—Não estou falando disso! — Jeon replicou, batendo a mão cheia de anéis na mesa de madeira, fazendo com que a francesa ficasse calada. —... Eu... Apenas gostaria que facilitasse nosso encontro.

—E por que eu deveria te ajudar?

—Eu sou Jeon Jungkook, filho de Jeon Jongsuk. — explicou. —Herdeiro da Jopok.

   A mulher ficou rígida, calada. Percebeu que não estava falando com um qualquer, mas ao mesmo tempo, não iria abandonar seus ideais.

—Não cabe a mim facilitar seu encontro com meu garoto. Park Jimin é o maior ouro deste lugar e eu não poderia permitir que nada de mal lhe acontecesse. Se quer se aproximar dele, se quer jantar com ele, essa decisão cabe a ele, não a mim. Mas o que depender da minha pessoa, Jimin fica bem protegido, mesmo que o efeito colateral seja sua solidão.

   Jungkook sentiu a boca amargar, não poderia fazer nada contra aquela mulher, isso somente iria piorar a situação. Merda. E para melhorar, o celular vibrou, recebendo a mensagem de um número desconhecido: "Jungkook, estou indo para a casa de Seokjin, a chave do carro está escondida debaixo do pneu e o endereço de casa está gravado no GPS. É uma emergência.. Qualquer coisa, pode me ligar. -Namjoon".

   Apenas suspirou. O que faria? Apenas poderia ir embora, talvez, se conseguisse descobrir os dias da semana em que Jimin se apresentava, poderia vê-lo todos os dias... Sim. Faria isso até chamar a atenção do rapaz. Finalmente, e calado, deixou aquela mesa, caminhando sem pressa, mas antes, parou-se:

—Meu pai me deu um conselho, uma vez... — falou alto. —Sempre tente ver o melhor das pessoas. Isso me levou a não fazer julgamentos precipitados, mas até o mais benévolo dos homens tem seu limite.

—E qual o seu limite, Jeon?

—A paixão instantânea. 

—Devo considerar isso como uma ameaça?

—Uma observação.

   Jungkook finalmente saiu a passos lentos do lugar, vendo que na mesa onde estava com Seokjin e Namjoon somente restavam taças e pratos vazios, e não se apressou em encontrar a saída dos fundos, passando por um corredor e aglomeração de pessoas andando pra lá e pra cá com araras cheias de figurinos, materiais de limpeza e caixas pesadas, transitando como formigas, aparentemente organizando tudo após o longo dia de trabalho.

   Quando finalmente saiu no estacionamento, sentiu o ar mais fresco, e foi direto até o carro, rapidamente pegando a chave debaixo da roda. Tudo muito escuro e silencioso, com uma certa névoa pelo ar... Quando se levantou, viu a pesada porta de ferro pintada de verde se abrir, e ali saiu seu anjo de cabeça loira, mas agora com calça jeans clara e agarradinha ao seu corpo, uma camisa branca e blusa de pelo sintético azul marinho, com um par de botas marrons que iam até seus joelhos e um cachecol. Agora que via de mais perto ainda, notava a vermelhidão natural em suas bochechas e lábios... Como se fosse um bebê, desprotegido na noite fria... Jeon nem mesmo raciocinou, apenas se aproximou, com um sorriso enorme.

—Jimin? — perguntou, claramente esperançoso.

   Quando aqueles olhos castanhos e mágicos pousaram em si, sentiu-se o homem mais sortudo do mundo.

—Oui... et vous êtes ....? — Jimin estava falando consigo, ele realmente estava falando consigo, tão lindo e doce, tão perfeito... E estava dando atenção exclusiva para Jungkook.

—Je suis Jeon Jugnkook. Pardonne-moi... Mais je ne parle pas français... — se desculpou, meio envergonhado.

—Oh, você é coreano, ma chérie? 

—Sim, sim, eu sou... — respondeu, aliviado. —E é um imenso, imenso prazer em conhecer você...

—Bien, o prazer é meu, chérie. Posso te ajudar em alguma coisa? É que estou com tanta fome e preciso achar algum bom lugar para comer a essa hora.

—Eu estava vendo você dançar. Achei impecável, perfeito, magnífico... — Jungkook parou de elogiar, se não, não iria conseguir parar. —... Eu cheguei hoje da Coreia, mas... O que acha de eu te levar para jantar? Sei que mal nos conhecemos mas...

—Não, não... Isso é uma ótima ideia, ma chérie. A propósito, você sabe cozinhar?

—Bem... Nada muito impressionante, mas sei sim. Por que?

—Me leve para sua casa, então. — sorriu. —Por que não cozinha algo para mim? Podemos beber um bom vinho e... Comer alguma coisa típica coreana, enquanto nos conhecemos melhor.

   Jungkook nunca sentiu vontade de cozinhar para ninguém, mas ali, poderia matar um boi se Jimin quisesse. Então aceitou a proposta com um sorriso idiota, sem nem mesmo pensar nas consequências, estendendo sua mão a Jimin, o levando até sua casa...

   Afinal, havia conquistado seu objetivo até que fácil demais.

 



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