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História Mon Petit Prince ( Meu pequeno Príncipe ) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Bem-vindo(a) á minha fanfic. Meu nome é Miako e estou reescrevendo minha fanfic chamada Proibições violadas. Agora, alguns avisos sobre essa fanfic:

-Essa fanfic contém romance LGBT+ com o casal principal sendo Harry Potter e Tom Riddle.
-Irá ter outros shipps alternativos ao delongo dessa história.
-Se não gostarem, não deixem de colocar suas opiniões.
-Se puderem curtam a fic para me ajudar a divulgar.
-O personagem Alvo Dumbledore é visto com outra face nessa fanfic.
-Irei no geral, reescrever pequenas partes do livro e acrescentar outros detalhes.

Me desculpem aqueles que leram o livro, mas essa história, pelo menos no início, será quase completamente escrita igual ao livro, então pode ser um pouco entediante.

Espero que gostem

Capítulo 1 - Capítulo I


                                                    ●▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬ஜ۩۞۩ஜ▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬●

O Sr. e a Sra. Dursley, da rua dos Alfeneiros, n° 4, se orgulhavam em dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. Eram as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, por que simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.

O Sr. Dursley era diretor de uma firma chamada Grunnings, que fazia perfurações. Era um homem alto, corpulento, e quase sem pescoço, embora tivesse enormes bigodes. A Sra. Dursley era magra e loura, e tinha um pescoço duas vezes mais comprido do que o normal, o que era muito útil por que ela passava grande parte do tempo espichando-o por cima da cerca do jardim para espiar os vizinhos. Os Dursley tinham um filhinho chamado Duddley, o Duda, e em sua opinião não havia garoto melhor em nenhum lugar do mundo.

Os Dursley tinham tudo o que queriam, mas tinham também um segredo e seu maior receio era de que alguém o descobrisse. Achavam que não iriam suportar se alguém descobrisse a existência dos Potter. A Sra. Potter era irmã da Sra. Dursley, mas elas não se viam a muitos anos; na verdade a Sra. Dursley simplesmente fingia que não tinha irmã, por que esta e o marido imprestável eram o que havia de menos parecido possível com os Dursley em todos os aspectos. Eles estremeciam só de pensar o que os vizinhos iriam dizer se um dias os Potter aparecessem na rua dos Alfeneiros.  Eles também sabiam que os Potter tinham um filhinho, mas nunca o tinham visto. O garoto era somente mais um motivo para manter distancia deles; não queria que Duda se misturasse com uma criança daquelas. Poderia influenciar o que eles chamavam de "anjinho".

Quando o Sr. e a Sra. Dursley acordaram na terça-feira monótona e cinzenta em que nossa história começa, não havia nada no céu nublado lá fora indiciando que coisas misteriosas que não tardariam a acontecer naquele país. O Sr. Dursley cantarolava enquanto escolhia a mais sem graça de suas gravatas para ir trabalhar e a Sra. Dursley fofocava enquanto lutava para por Duddley em sua cadeirinha alta. 

Nenhum deles reparou numa coruja que passou, batendo as asas, pela janela.

Às oito e meia, o Sr. Dursley apanhou a pasta, deu um beijinho no rosto de sua esposa e tentou dar um beijo de despedida em Duddley mas não conseguiu, por que na hora Duddley estava tendo um acesso de raiva e atirava cereal nas paredes. 

—Pestinha -disse rindo contrafeito o Sr. Dursley ao sair de casa. Entrou no seu carro e deu marcha ré para sair do estacionamento do número quatro.

 Foi na esquina da rua que ele notou o primeiro indício de que algo estranho ocorria - um gato lia um mapa. Por um instante o Sr. Dursley não percebeu o que vira - em seguida, virou rapidamente a cabeça para dar uma segunda olhada. Havia um gato com listras amarelas sentado na esquina dos Alfeneiros, mas não havia nenhum mapa a vista. Em que estava pensando naquela hora? Devia ter sido efeito da luz. Ele piscou e arregalou os olhos para o gato. O gato o encarou. Enquanto virava a esquina e subia a rua, espiou o gato pelo espelho retrovisor. Ele estava lendo a placa que dizia rua dos Alfeneiros - não, estava olhando a placa: gatos não podiam ler mapas e nem placas. O Sr. Dursley sacudiu a cabeça e tirou o gato do pensamento. Durante o caminho para cidade ele não pensou em mais nada exceto o grande pedido de brocas que esperava receber naquele dia.

Mas ao sair da cidade as brocas foram varridas da sua cabeça por outra coisa estranha. Ao parar no costumeiro engarrafamento matinal, não pôde deixar de notar que havia uma grande quantidade de gente estranhamente vestida andando pelas ruas, que usavam longas capas. O Sr. Dursley não tolerava gente que se vestia de maneira ridícula - os trapos que se viam nos jovens! Imaginou que aquilo fosse uma nova moda idiota. Tamborilou os dedos no volante e seu olhar recaiu em um grupinho de excêntricos parados bem perto dele, que cochichavam animados. O Sr. Dursley se irritou ao ver que alguns deles nem eram jovens; ora, aquele homem deveria ser mais velho que ele e usava uma capa verde esmeralda! Que petulância! Mas então ocorreu ao Sr. Dursley que provavelmente se tratava de alguma promoção boba - essas pessoas estavam obviamente arrecadando alguma coisa.. é, devia ser isto. O tráfego avançou e alguns minutos depois o Sr. Dursley chegou ao estacionamento da Grunnings, o pensamento volta as brocas. 

O Sr. Dursley sempre sentava de costas para a janela em seu escritório no nono andar. Se não o fizesse, talvez teria achado mais difícil se concentrar nas brocas aquela manhã. Ele não viu as corujas que voavam velozes em plena luz do dia, embora as pessoas na rua as visse; elas apontavam e se espantavam enquanto coruja atrás de coruja passava no alto. A maioria jamais viu uma coruja até mesmo a noite. O Sr. Dursley, porém, teve uma manhã perfeitamente "normal", sem corujas. Gritou com várias pessoas diferentes, deu telefonemas importantes e gritou mais um pouco. Era de seu costume gritas com várias pessoas em seu trabalho, o fazendo ser uma pessoa não muito agradável aos olhos de muitos colegas, que chegavam a amaldiçoa-lo por ser tão rude com pessoas da equipe. Ele , no entanto, estava de excelente humor até a hora do almoço, quando pensou em esticar as pernas e atravessar a rua para comprar um pãozinho doce na padaria defronte.

Esquecera completamente das pessoas de capas até passar por um grupinho delas próximo à padaria. Olhou-as com raiva ao passar. Não sabia o porquê, mas elas o deixavam extremamente nervoso. Elas conversavam agitadas, também, mas ele não viu nenhuma latinha de coleta. Foi ao passar por elas na volta, levando um grande pretzel açucarado num saquinho, que entreouviu algumas palavras do que diziam.

—... Os Potter, é verdade, foi o que ouvi..

—.. é, o filho deles, Harry...

O Sr. Dursley parou abruptamente. O medo invadiu-o. Virou a cabeça para olhar  as pessoas que cochichavam como se quisesse dizer alguma coisa, mas pensou melhor. 

Atravessou a rua depressa, correu para o escritório, disse rispidamente à secretária que não o incomodasse, agarrou o telefone e quase terminou de discar o número de casa quando mudou de ideia. Colocou o telefone no gancho e alisou os longos bigodes pensando... não, estava agindo como um idiota. Potter não era um nome tão incomum assim. Tinha certeza que havia muita gente chamada Potter com um filho chamado Harry. Pensando bem, não tinha nem certeza se o sobrinho tivesse o nome de Harry. Jamais se importara de ver o menino. Talvez tivesse outro nome, como Ernesto ou Eduardo. Não havia sentido em preocupar a pobre Sra. Dursley com algo assim, já que esta sempre ficava perturbada com a simples menção da irmã - não a culpava. Se ele tivesse uma irmã como aquela....mas, mesmo assim, as pessoas de capas o estavam perturbando.

Achou bem mais difícil se concentrar no seu trabalho pelo resto da tarde e, quando deixou o edifício às cinco horas, continuava tão perturbado que sem querer esbarrou em alguém perto da porta.

—Desculpe -murmurou, quando o velhinho cambaleou e quase caiu. Levou alguns segundos para o Sr. Dursley perceber que o homem estava usando uma capa roxa. Não parecia nada aborrecido por ter sido quase jogado no chão. Ao contrário, abriu um sorriso e disse numa voz esganiçada que fez os outros transeuntes olharem:

—Não precisa pedir desculpas, caro senhor, por que nada poderia me aborrecer hoje! Alegre-se, Você-sabe-quem finalmente foi embora! Até um trouxa como você deveria estar comemorando!

E o velho abraçou o Sr. Dursley pela cintura, se afastou feliz, acenando.

O Sr. Dursley ficou petrificado. Fora abraçado por um completo estranho e que o chamou de trouxa, o que quer que isso significasse. Estava abalado. Correu pro carro e partiu pra casa, esperando que estivesse imaginando coisas, o que não aprovava que fizesse, por que não aprovava a imaginação.

Quando finalmente entrou no estacionamento do n° 4, a primeira coisa que viu - e isso não melhorou seu estado de espírito - foi o gato listrado que vira aquela manhã. Agora ele estava sentado no muro do jardim da sua casa. Tinha certeza que era o mesmo; a marca ao redor de seus olhos eram idênticas.

—Chispa -disse o Sr. Dursley em voz alta

O gato não se mexeu. Apenas o lançou um olhar severo. Será que isso era um comportamento normal de um gato?, pensou o Sr. Dursley. Continuava decidido a não contar nada à sua esposa.

A Sra. Dursley teve um dia normal e agradável. Contou-lhe durante o jantar os problemas da senhora ao lado com a filha e ainda que Duddley aprendeu uma palavra nova ("Nunca"). O Sr. Dursley tentou agir normalmente. Depois que o filho foi se deitar, ele chegou à sala a tempo de ver o último noticiário noturno.

"E, por último, os observadores de pássaros registraram o comportamento estranho das corujas por todo o país hoje. Embora cacem a noite e raramente apareçam a luz do dia, centenas desses pássaros foram vistos voando em várias direções desde o alvorecer. Os especialistas não sabem explicar o por que da mudança em seu padrão de sono" O locutor se permitiu um sorriso " Muito misterioso. E agora, com Jorge Mendes, o nosso boletim meteorológico. Vai haver mais tempestades de corujas hoje à noite, Jorge?"

"Bom, Eduardo", disse o meteorologista " não sei lhe dizer, mas não foram só as corujas que se comportaram de modo estranho hoje. Ouvintes de todo o país têm telefonado para reclamar que em vez do aguaceiro que prometi para ontem, eles têm tido chuvas de estrelas! Talvez alguém ande festejando as noites de fogueira mais cedo esse ano! Mas posso prometer para hoje uma noite chuvosa."

O Sr. Dursley ficou paralisado na poltrona. Estrelas cadentes em todo o país? Corujas voando durante o dia? Gente estranha andando com capas ridículas para todo lado? E um cochicho, um cochicho sobre os Potter...

A Sra. Dursley entrou na sala trazendo duas xícaras de chá. Não adiantava. Teria de lhe dizer alguma coisa. Pigarreou nervoso:

—Hum, hum, Petúnia querida, você não tem tido notícias de sua irmã, ultimamente?

Conforme esperava, a Sra. Dursley pareceu aborrecida por ele tocar nesse assunto. Normalmente eles fingiam que ela não tinha irmã...

—Não -respondeu ela seca- por que?

—Uma notícia engraçada -murmurou Sr. Dursley- Corujas.., estrelas cadentes... vi um monte de gente de aparência estranha na cidade hoje...

—E daí? -cortou a Sra. Dursley

—Bem, pensei.. talvez... tivesse alguma ligação com.. sabe.... o pessoal dela.

A Sra. Dursley bebericou o chá com os lábios contraídos. O Sr. Dursley ficou em dúvida se teria coragem de lhe contar que ouvira o nome Potter. Decidiu que não. Em vez disso, falou com a voz mais displicente que pôde:

—O filho deles... teria mais ou menos a idade no Duda agora, não?

—Suponho que sim -respondeu ainda seca

—Como é mesmo o nome dele? Ernesto, não é?

—Harry. Um nome feio e vulgar na minha opinião.

—Ah, é -disse o Sr. Dursley com um aperto horrível no coração - É, concordo com você.

Não disse mais nenhuma palavra sobre o assunto a caminho do quarto onde foram se deitar. Enquanto a Sra. Dursley estava no banheiro, o Sr. Dursley foi devagarinho até a janela do quarto espiar o jardim da casa. O gato continuava lá. Observava o começo da rua dos Alfeneiros como se esperasse alguma coisa.

Estaria imaginando coisas? Será que tudo isso teria ligação com os Potter? Se tinha... se transpirasse que eram aparentados com um casal de... bem ele achava que não aguentaria.

Os Dursley se deitaram. A Sra. Dursley logo adormeceu. mas o Sr. Dursley continuou acordado, pensando no que acontecera. Seu último consolo antes de adormecer era que mesmo que os Potter tivessem envolvidos, não haviam razões para se aproximarem dele e da Sra. Dursley. Os Potter sabiam muito bem o que eles pensavam sobre gente da sua laia... Não via como ele e Petúnia poderiam se envolver com qualquer coisa que estivesse acontecendo. O Sr. Dursley bocejou e se virou. Isso não poderia afeta-los...

Como estava enganado.

Talvez o Sr. Dursley tivesse mergulhado num sono inquieto, mas o gato no muro lá fora não aparentava nenhum sinal de sono. Continuava sentado imóvel como uma estátua, com os olhos fixos na esquina mais distante da rua dos Alfeneiros. E nem sequer estremeceu quando a porta de um carro bateu na rua seguinte, nem mesmo quando duas corujas mergulharam do alto. Na verdade, era quase  meia-noite quando o gato se mexeu.

Um homem apareceu na esquina que o gato vigiava. Apareceu tão súbita e silenciosamente que se poderia pensar que veio do chão. O rabo do gato mexeu ligeiramente e seus olhos se estreitaram.

Ninguém jamais vislumbrara nada parecido com este homem na rua dos Alfeneiros. Era alto, magro e muito velho, a julgar pelo prateado de seus cabelos e de sua barba, suficiente longos para prender no cinto. Usava vestes longas, uma capa púrpura que arrastava pelo chão e botas com saltos altos e fivelas. Seus olhos azuis eram claros, luminosos e cintilantes por trás de um óculos meia-lua e o nariz era torto, como se tivesse se metido em brigas quando jovem e o tivesse quebrado umas duas vezes. Seu nome era Alvo Dumbledore.

Alvo Dumbledore não parecia ter consciência de que acabara de pisar numa rua onde tudo, desde seu nome até suas botas era malvisto. Estava ocupado apalpando a capa, procurando alguma coisa. Mas parecia ter consciência que estava sendo vigiado, porque ergueu a cabeça de repente para o gato, que continuava a fitá-lo da outra ponta da rua. Por algum motivo a visão do gato pareceu diverti-lo. Deu uma risadinha e murmurou: "Eu devia ter imaginado".

Encontrou o que procurava no bolso interior da capa. Parecia um isqueiro de prata. Abriu-o, ergueu-o e o acendeu. O lampião de rua mais próximo apagou-se com um estalido seco. Ele o acendeu de novo - o lampião seguinte piscou e apagou, doze vezes ele acionou o "apagueiro", até que as únicas luzes acesas na rua toda eram dois pontinhos minúsculos ao longe -os olhos do gato que o vigiava. Se alguém espiasse pela janela agora, até mesmo a Sra. Dursley, de olhos de conta, não conseguiria ver nada do que acontecia na calçada. Apesar disso, Dumbledore e o gato tinham um telespectador escondido nas sombras que conseguia ver e escutar tudo perfeitamente. Dumbledore tornou a guardar o "apagueiro" na capa e saiu caminhando pela rua em direção ao número quatro, onde se sentou no muro ao lado do gato. Não olhou para o bicho, mas, passado algum tempo, dirigiu-se a ele:

(...)

 

 

 

(...)

 

 

 

 

(...)

 

 

 

—Imaginei encontrar a senhora aqui, Prof. McGonagall.

 

 

(...)

 

 

 

(...)

E virou-se para sorrir para o gato, mas este desaparecera. Em vez dele, viu-se sorrindo para uma mulher de aspecto severo que usava óculos de lentes quadradas exatamente do formato que o gato tinha em volta dos olhos. Ela, também, usava uma capa esmeralda. Trazia os cabelos negros presos num coque apertado. E parecia decididamente irritada.

—Como soube que era eu? -perguntou

—Minha cara professora, nunca vi um gato se sentar tão duro.

—O senhor também estaria assim se tivesse passado o dia todo sentado em um muro de pedra -respondeu a Prof. Minerva

—O dia todo? Quando podia estar comemorando? Devo ter passado por mais de dez festas e banquetes a caminho daqui.

A professora fungou aborrecida.

—Ah, sim, vi que todos estão comemorando -disse impaciente- Era de se esperar que fosse um pouco mais cautelosos, mas não, até trouxas notaram que alguma coisa estava acontecendo. Deu no telejornal -ela indicou com a cabeça a sala às escuras dos Dursley- Eu ouvi... Bando de corujas... estrelas cadentes... Oras, eles não são completamente idiotas. Não podiam deixar de notar alguma coisa. Estrelas cadentes em Kent, aposto que foi coisa do Dédalo Diggle. Ele nunca teve muito juízo.

—Você não pode culpá-los -ponderou Dumbledore educadamente- Temos tido muito pouco o que comemorar nos últimos onze anos.

—Sei disso -retrucou a professora mal-humorada- Mas não é razão para perdemos a cabeça. As pessoas estão sendo completamente descuidadas, saem às ruas em plena luz do dia, sem nem ao menos vestir roupas de trouxas, e espalham boatos.

De esguelha, lançou um olhar atento a Dumbledore, como se esperasse que ele dissesse alguma coisa, mas ele continuou calado, por isso ela recomeçou:

—Ia se uma graça se, no dia que Você-sabe-quem parece ter finalmente ido embora, os trouxas descobrissem a nossa existência. Suponho que ele realmente tenha ido embora, não é, Dumbledore?

—Parece que não há dúvida. Temos muito o que agradecer. Aceita um sorvete de limão?

—Um o quê?

—Um sorvete de limão. É uma espécie de doce dos trouxas que sempre gostei muito.

—Não, obrigada -disse a Prof. Minerva com frieza, como se achasse se o momento não pedisse sorvetes de limão- Mesmo que Você-sabe-quem tenha ido embora. 

—Minha cara professora, tenho certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode chamá-lo pelo nome. Toda essa bobagem de Você-sabe-quem, há onze anos venho tentando fazer as pessoas chamá-lo pelo nome que recebeu: Voldemort - A professora franziu o rosto, mas Dumbledore, que estava separando dois sorvetes de limão, pareceu não reparar- Tudo fica tão confuso quando todos não param de dizer "Você-sabe-quem". Nunca vi nenhuma razão para ter medo de dizer o nome de dizer o nome de Voldemort.

—Sei que não vê -disse a professora parecendo meio exasperada, meio admirada- Mas você é diferente. Todo mundo sabe que é o único de quem Você-sabe... ah, está bem, de quem Voldemort tem medo.

—Isso é um elogio -disse Dumbledore calmamente- Voldemort tinha poderes que eu nunca tive.

—Só porque você é muito... bem... nobre para usa-los.

—É uma sorte estar escuro. Nunca mais corei assim desde que Madame Pomfrey me disse que gostava dos meus abafadores de orelhas novos.

A Prof. Minerva lançou um olhar severo a Dumbledore e disse:

—As corujas não são nada comparadas aos boatos que correm. Sabe o que todos estão dizendo? Por que ele foi embora? Que foi que finalmente o deteve?

Aparentemente a Prof. Minerva chegara ao ponto que estava ansiosa para discutir, a verdadeira razão pela qual estivera esperando o  dia todo em cima de um muro frio e duro, por que nem como gato nem como mulher ela fixara um olhar tão penetrante em Dumbledore como agora. Era óbvio que seja o que "todos'' estavam dizendo, ela não iria acreditar até que Dumbledore confirmasse ser verdade. Dumbledore, porém, estava escolhendo mais um sorvete de limão e não respondeu.

—O que estão dizendo -continuou ela- é que noite passada Voldemort apareceu em Godric's Gollow. Foi procurar os Potter. O boato é que Lílian e Tiago Potter estão... estão.. que estão... mortos. 

Dumbledore fez que sim com a cabeça. A Prof. Minerva perdeu o fôlego.

—Lílian e Tiago... Não posso acreditar.. Não quero acreditar.. Ah, Alvo.

Dumbledore estendeu a mão e deu-lhe um tapinha no ombro.

—Eu sei, eu sei -disse deprimido

A voz da Prof. Minerva tremeu ao prosseguir.

—E não é só isso. Estão dizendo que ele tentou matar o filho dos Potter, Harry. Mas... não conseguiu. Não conseguiu matar o garotinho. Ninguém sabe o porquê e nem como, mas estão dizendo que na hora que não pôde matar Harry Potter, por alguma razão, o poder de Voldemort desapareceu, e é por isso que ele foi embora.

Dumbledore concordou com a cabeça, sério.

—É... é verdade? -gaguejou a professora- Depois de tudo o que ele fez... todas as pessoas que matou... de tudo que poderia detê-lo.. mas, por Deus, como foi que Harry sobreviveu?

—Só podemos imaginar -disse Dumbledore- Talvez nunca cheguemos a saber.

A Prof. Minerva pegou um lenço de renda e secou delicadamente os óculos por de baixo das lentes dos óculos. Dumbledore deu uma grande fungada no mesmo tempo que tirava o relógio de ouro do bolso e o examinava. Era um relógio muito estranho. Tinha 12 ponteiros mas nenhum número; em vez deles, pequenos planetas que giravam à volta. Mas deveria fazer sentido para Dumbledore, por que ele o repôs no bolso e disse:

—Hagrid está atrasado. A propósito, foi ele que lhe disse que eu estaria aqui, suponho -disse olhando friamente para ela

—Foi -disse ignorando o frio olhar de Dumbledore- E suponho que você não vá me dizer por que está aqui e não em outro lugar.

—Vim trazer Harry para o tio e a tia. Eles são a única família que lhe resta.

—Você não quer dizer, você não pode estar se referindo às pessoas que moram aqui?! -exclamou a Prof. Minerva, pulando de pé e apontando para o número quatro- Dumbledore, você não pode. Estive observando a família o dia todo. Você não poderia encontrar duas pessoas menos parecidas conosco. E têm um filho, vi-o dando chutes na mãe até a rua, berrando por que queria balas. Harry Potter vir morar aqui! Um absurdo!

—É o melhor lugar para ele -disse Dumbledore se impondo- Os tios poderão lhe explicar tudo quando for mais velho, escrevi-lhes uma carta! -disse ele se exaltando

—Uma carta? Uma carta? -repetiu a professora com voz fraca sentando-se novamente no muro- Francamente. Dumbledore, você acha que poderia explicar tudo o que aconteceu em uma simples carta? Essas pessoas jamais vão compreendê-lo! Ele vai ser famoso, praticamente uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse marcado como o Dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre ele, todas as crianças saberão o nome dele! E você quer deixa-lo aqui?

—Exatamente -disse Dumbledore, olhando muito sério por cima dos óculos de meia-lua- Isso seria o bastante para virar a cabeça de qualquer menino. Famoso antes mesmo de andar e falar, por uma coisa que ele nem se lembrará de ter feito. Você não vê que é melhor ele crescer longe de tudo isso até que tenha capacidade o suficiente para compreender? -disse com autoridade, como se quisesse apagar qualquer opinião contrária a dele que existisse na mente de McGonagall

A professora abriu a boca, mudou de ideia e engoliu em seco. Não queria desafiar Dumbledore.

—É, é, você está certo, é claro: Mas como é que o garoto vai chegar aqui, Dumbledore? -ela olhou para a capa dele de repente como se lhe ocorresse que talvez escondesse Harry ali

—Hagrid irá traze-lo.

—Você acha que é sensato confiar a Hagrid uma tarefa importante como essa?

—Eu confiaria a Hagrid minha vida -respondeu Dumbledore

—Não estou dizendo que ele não tenha o coração no lugar -concedeu a professora de má vontade- mas você não pode fingir que ele é cuidadoso. Que tem uma tendência a... que foi isso?

Um ronco discreto quebrara o silêncio da rua. Foi aumentando cada vez mais enquanto eles olhavam para cima e para baixo a procura de um farol de carro; o ronco se transformou num trovão quando os dois olharam para o céu - e uma enorme motocicleta caiu do ar e parou na rua diante deles.

Se a motocicleta era enorme, não era nada comparado ao homem que a montava de lado. Ele era duas vezes mais alto do que um homem normal e pelo menos cinco vezes mais largo. Parecia simplesmente grande demais para existir e tão selvagem - emaranhados de barba e cabelos negros longos e grossos escondiam a maior parte do rosto, as mãos tinham o tamanho de uma lata de lixo e os pés calçados com botas de couro pareciam filhotes de golfinhos. Em seus braços imensos e musculosos ele segurava um embrulho de cobertores.

—Hagrid! -exclamou Dumbledore parecendo aliviado- Finalmente. E onde que você arranjou a moto?

—Pedi emprestada, Prof. Dumbledore -respondeu o gigante, desmontando cuidadosamente da moto ao falar- O jovem Sirius me emprestou. Trouxe ele, professor.

—Não teve nenhum problema?

—Não, senhor. A casa ficou quase destruída, mas consegui tirar ele de lá inteiro antes que os trouxas invadissem o lugar. Ele dormiu enquanto estávamos sobrevoando Bristol.

Dumbledore e a Prof. Minerva curvaram-se para o embrulho de cobertores. Dentro, apenas visível, havia um menino, que dormia a sono solto. Sob uma mecha de cabelos muito negros caída sobra a testa eles viram um corte curioso, tinha forma de raio.

—Foi aí que...? -sussurrou a professora

—Foi -confirmou Dumbledore- Ficará com a cicatriz para sempre.

—Será que você não poderia dar um jeito, Dumbledore?

—Mesmo que pudesse, eu não o faria. As cicatrizes podem vir a ser úteis. Tenho uma acima do joelho esquerdo que é um mapa perfeito do metrô de Londres. Bem, me dê ele aqui, Hagrid, vamos logo acabar com isso.

Dumbledore recebeu Harry nos braços e virou-se para a casa dos Dursley.

—Será que eu podia... podia me despedir dele, professor? -perguntou Hagrid

Ele curvou  a enorme cabeça descabelada para Harry e deu-lhe o que deve ter sido um beijo muito áspero e peludo. Depois, sem aviso, Hagrid soltou um uivo como de um cachorro ferido.

—Psiu! -sibilou a Prof. Minerva- Você vai acordar os trouxas!

—Des-des-desculpe -soluçou Hagrid, puxando um enorme lenço sujo escondendo a cara nele- Mas nã-nã-não consigo suportar, Lílian e Tiago mortos, e o coitadinho do Harry tendo que viver com esses trouxas...

—É, é, é, muito triste, mas controle-se Hagrid, ou vão nos descobrir -sussurrou a professora, dando uma palmadinha desajeitada no braço de Hagrid enquanto Dumbledore saltava a mureta de pedra e se dirigia à porta da frente. Depositou Harry devagarinho no batente, tirou uma carta da capa, meteu-a entre os cobertores do menino e, em seguida, voltou para a companhia dos dois. Durante um minuto inteiro os três ficaram parados olhando o embrulhinho; os ombros de Hagrid sacudiram, os olhos da Prof. Minerva piscaram loucamente e, por algum motivo, Dumbledore estava sem reação, somente encarava o embrulhinho calmamente.

—Bem -disse Dumbledore finalmente-, acabou-se. Não temos mais nada para fazer aqui. Já podemos nos reunir aos outros para comemorar.

—É -disse Hagrid com a voz muito abafada- Vou devolver a moto de Sirius. Boa noite, Prof Minerva, Professor Dumbledore...

Enxugando os olhos na manga da jaqueta, Hagrid montou na moto e acionou o motor com um pontapé; com um rugido ela levantou voo e sumiu na noite.

—Nos veremos em breve, espero, Prof. Minerva -falou Dumbledore, com um aceno de cabeça. A Prof. Minerva assoou o nariz em resposta

Dumbledore se virou e desceu a rua. Na esquina ele puxou o "apagueiro". Deu um clique e doze esferas de luz voltaram aos lampiões de modo que a rua dos Alfeneiros de repente iluminou-se com uma claridade laranja e ele divisou o gato listrado se esquivando pela outra parte da rua. Mal dava para enxergar o embrulhinho de cobertores no batente do número quatro.

—... Boa sorte, Harry -murmurou ele. Girou os calcanhares e, com um movimento de capa, desapareceu.

Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da rua dos Alfeneiros, silenciosas e quietas sob o negror do céu, o último lugar no mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. Harry Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado, mas ele continuou a dormir sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucadas e beliscões do seu primo Duddley... ele não podia saber que, neste mesmo instante, havia pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam copos e diziam com vozes abafadas:

—A Harry Potter: o menino que sobreviveu!

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Isso deu trabalho, pq copiei do livro, mas tá aí. Espero q tenham gostado.

Ah, e oq acharam da capa? Legal né? Eu que fiz, apesar das imagens não serem minhas.


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