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História Monarchia - Interativa. - Capítulo 9


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Notas do Autor


Eu realmente não sei o que falar...
Espero vocês nas notas finais :´(

Capítulo 9 - CH09 - Big Girls Don't Cry.


23 de julho de 2019, 16h45m. 

Esconderijo, New Jersey.

Matteo estava entediado e era claro pensar no motivo. Lá estava o espanhol, olhando insignificantemente para o monitor à sua frente, esperando que o mesmo desse a resposta que tanto precisava. Suspirando rapidamente, Kim soltou o ar devagar enquanto levava suas pernas para cima da cadeira, acomodando seu queixo em cima dos joelhos e as abraçando com seus longos braços. Ainda era relativamente cedo — um pouco depois da hora do almoço — e ele já havia comido um delicioso prato de tacos caseiros feitos mais cedo pelas primas Santiago há alguns dias atrás, mas que continuava extremamente saboroso. Ao pensar nas duas, um calafrio percorreu sua espinha e o garoto estremeceu rapidamente. Ambas estavam em Los Angeles, tendo uma longa e esperada conversa com a família de María Madalena. Matteo ainda podia se lembrar da expressão única de Carlos encravada em sua mente, os gritos, esperneios e choros seguidos de juramentos de vingança e culpa não era simplesmente algo fácil de ser esquecido. 

— Oi — Kim assustou-se com a pessoa agora sentada ao seu lado. Noori parecia feliz: suas bochechas estavam coradas e ele tinha um sorriso malicioso nos lábios. É, ao que tudo indicava, a recuperação de Demian estava indo “de vento em popa”. — O que está fazendo? 

— Te dou um beijo se conseguir adivinhar — Matteo retrucou e o outro arqueou uma sobrancelha, abrindo a boca para dar uma resposta mas sendo parado, logo em seguida, pela presença de seu noivo. Noivo. Que engraçado pensar isso com os dois. 

— Sinto muito, Matteo, mas essa boca é toda minha — Com tal fala, Matteo não resistiu e revirou vagarosamente os olhos, fazendo sons fracos de regurgitação enquanto o casal ao seu lado trocavam selinhos. 

— Eu ainda não virei um objeto inanimado feito de cera que pega fogo então, se me dão licença, eu estou trabalhando! — O espanhol exclamou, mas de nada adiantava. Os dois estavam entretidos demais em seu mundinho particular. Notando que estava literalmente sobrando na situação, Matteo decidiu prestar atenção no seu celular, mas particularmente no que o mundo estava conversando no Twitter. Sim, ele tinha uma conta no Twitter. Não, ele não seguia Noori no aplicativo. Os dois finalmente se desvencilharam quando Johnny se fez presente no recinto, batendo com força nos móveis para chamar-lhes a atenção. 

— Vamos lá, deixem o garoto trabalhar — Smith se jogou no sofá cinza onde, uma semana atrás, estava sendo jogado em cima entre a vida e a morte e espreguiçou-se no mesmo, levantando com certa dificuldade uma das pernas. — Matteo, posso cochilar aqui? — Johnny indagou e Matteo apenas assentiu. Cochilos não lhe atrapalhavam, mas sessões inapropriadas para menores de 16 anos de beijos e amassos bem ao seu lado sim. 

— Na verdade, viemos aqui por um motivo — Demian conseguiu falar depois de ter os lábios atacados por Noori uma última vez, sentado confortavelmente em cima do colo de Kang. — Queremos te convidar para ser um dos padrinhos do nosso casamento. 

— Um dos padrinhos? 

— Johnny é o outro — Smith levantou uma das mãos em sinal de concordância, o que fez com que Matteo arqueasse uma sobrancelha. — O cara salvou a minha vida. 

— Era o mínimo que podia fazer, Matsumoto! — Johnny gritou e os três riram. 

No mesmo instante, a grande porta da casa foi aberta e Ruby e Jade apareceram, ambas usando roupas escuras e com uma cara nada agradável. Johnny levantou-se de sua posição no sofá, sentando para dar espaço para as duas, que apenas se jogaram no móvel ao seu lado. Noori conseguiu ajudar Demian a sentar-se em uma das cadeiras ao lado do sofá e, logo ali, parte do grupo aparecia para ouvir o que tinha acontecido em Los Angeles. 

— Foi tudo bem — Jade começou. Hela estava ao seu lado, segurando uma de suas mãos enquanto Ruby mantinha sua outra mão presa entre as suas. Um pouco antes de irem, Ruby havia decidido deixar a filha com sua irmã, Sange, em Nova Iorque, junto com Mathilda, filha de Helena e Sebastian, e o pai dos irmãos Thorne. Ela não sabia como estava a situação de sua mãe no México e não queria, de maneira alguma, envolver os pais de Jade no enorme problema em que se meteram, muito menos deixar sua filha de pouco mais de um ano sendo cuidada por alguém que ela definitivamente não conhecia em Miami, no território de Serafín. — Ela tinha uma família muito bonita. 

— Falar com Carlos enquanto ainda estávamos aqui foi uma ótima escolha — Ruby completou e, mais uma vez, as cenas do filho de María xingando as primas e as culpando pela morte da mãe apareceram em sua mente como flashes temporários. — Quando chegamos lá, ele não nos dirigiu uma palavra sequer. Mandy, por outro lado, foi um pouco pior. Só conseguimos falar com ela no final do funeral e eu, definitivamente, não quero repetir o que ela me disse. 

— Podemos dizer que seria mil vezes melhor ouvir Carlos nos xingar incontáveis vezes do que ouvir as poucas e baixas porém dolorosas palavras de Mandy — Jade disse, desvencilhando sua mão do aperto de Hela para secar a teimosa lágrima pendendo do canto do seu olho esquerdo. — Não vimos a mãe dela. Acho que foi melhor assim. 

— Vocês falaram a verdade sobre a morte dela? — Johnny indagou e as duas assentiram. — Pelo menos foram verdadeiras. María teria ficado orgulhosa. 

— Ainda não posso acreditar que Tío Caim nos traiu — Jade suspirou e encostou sua cabeça no ombro da namorada, que aproveitou o momento para afagar carinhosamente seus cabelos.

— Sem querer ofender, mas o que esperavam de um cara chamado Caim? — Noori perguntou e recebeu um tapa nas costas de Matteo. 

— O nome dele é Caidem e só o chamavam de Caim por causa do meu tío, pai da Jade, Abel — Ruby apressou-se a corrigir Noori. Não estava defendendo o pai, mas achava que era necessário que o pessoal soubesse mais — pelo menos, a parte que ela jurava conhecer — sobre seu progenitor. — Ele e Tío Abel eram indestrutíveis. 

— As pessoas os chamavam de Los Matadores — Jade sorriu um pouco, sua expressão melhorando cada vez mais que o nariz de Hela se enfiava ainda mais em seu pescoço. — Eles foram uma dupla e tanto… Deveríamos ter prestado mais atenção. Se tivéssemos, talvez agora… 

— Não adianta mais, garotas — A voz firme de Wolfgang se fez presente e ambas se calaram. — María está morta e a culpa recai, de modo igual, em todos nós. Pensávamos que tínhamos um aliado, mas estávamos mais próximos do inimigo do que nunca. 

— Nos deixamos levar pela familiaridade — Sebastian completou a fala de Thorne e o grupo assentiu. — A partir de agora, não mais. — O aviso foi alto e claro. Ninguém mais entrava no grupo. 

Jade e Ruby levantaram-se e ambas foram caminhando, ainda pesarosas, para seus quartos, sob o olhar atencioso de Serafín e Helaena. Matteo desdobrou os joelhos, botando os dois pés no chão, e espreguiçou-se. Estava na hora de um merecido lanche. Quando levantou-se e dirigiu-se a cozinha, deu de cara com Maddie e Helena sentadas na grande mesa do cômodo, ambas com copos cheios de alguma bebida escura em suas mãos. Os olhos de Helena estavam vermelhos — eles haviam estado assim desde que descobrira a verdade sobre o filho que nem sabia que estava vivo — e a Manson segurava uma das suas mãos com força. Quando Wolfgang e Sebastian adentraram o recinto, Matteo apressou-se em pegar a garrafa de suco e praticamente correu do local, já esperando a explosão melodramática começar. 

— Como estão as garotas? — Madeleine perguntou e Wolfgang nada disse, sentando-se ao seu lado em seguida. Sebastian continuou em pé, encostado no balcão da cozinha. — Não vão me dizer nada, então? — Os dois continuaram em silêncio e a falta de som parecia machucar ainda mais Helena, que comprimiu os olhos enquanto chorava silenciosamente. — Santo Deus, vocês são fodidamente dramáticos! Olhem para ela, mal consegue parar de chorar… Sebastian, deixe de ser um merda, ela é sua mulher! 

— Ela é mesmo? — O tom de escárnio na voz de Stockhausen foi tão doloroso quanto um tapa desferido em sua cara e Helena engoliu em seco, secando as lágrimas com as costas da mão. — Confio nela mais do que a mim mesmo e, francamente, não sei mais se consigo confiar em alguém que mentiu descaradamente dessa forma para mim — Sebastian aproximou-se de Helena e ficou frente á frente com a loira, sentando-se de frente a ela para ficar em seu mesmo nível. — Me diz Helena, o que mais você esconde de mim? 

O copo estilhaçou-se na parede atrás de Stockhausen e Madeleine assustou-se um pouco, recobrando rapidamente a atenção enquanto a amiga levantava-se para o que devia ser a sua chance de exprimir o que estava fazendo (a dizer pelo copo jogado pela mesma).  

— Você não é mãe, Sebastian — Helena começou seu discurso tensa, a julgar pelo modo como segurava o mármore frio da bancada da cozinha com ambas as mãos. — Você nunca teve que carregar um bebê por nove meses em sua barriga, o protegendo de todo mal, para depois entregá-lo para esse mundo que só tem merda para dar a ele — As lágrimas já caiam livremente em seu rosto e os três continuavam apenas sentados em seus devidos lugares, a observando. — Você nunca teve que mentir para o amor da sua vida para que ele não pudesse ver as marcas do abuso fodido que uma prisão faz com você, para ele não ver como você mal está conseguindo sobreviver e, mesmo assim, luta pela saúde do seu bebê dia e noite e depois o ter arrancado de seus braços, apenas para ouvir da enfermeira a mentira descarada de que ele havia morrido momentos depois — A Thorne aproximou-se de Sebastian e fixou seu olhar no dele, o desafiando a calar-lhe. — Você nunca teve que chorar engasgada, altas horas da noite, imaginando como seria sua vida agora com o buraco enorme que o vazio de seu filho supostamente morto fez em seu coração então não venha, nem por um milésimo de segundo, comparar a minha dor à sua. Você é pai, Sebastian, mas quem é a mãe sou eu. 

Sebastian então levantou-se e os dois ficaram parados, apenas se encarando por alguns instantes. Os grandes olhos castanhos de Maddie não paravam de encarar os dois à sua frente e, ansiosa, ela debruçou-se para poder sussurrar no ouvido de Wolfgang. 

— Devemos interferir ou deixar o campeonato mundial de olhar melancólico e furioso continuar acontecendo? 

Wolfgang nada disse, preferindo deixar sua resposta clara na expressão apática em seu rosto. Thorne também levantou-se e caminhou até os dois, os separando calmamente. 

— Ok, vamos resolver isso de uma vez por todas — O loiro virou-se para Helena e fez sinal para que a irmã sentasse, fazendo o mesmo para com Sebastian. — Claramente esse assunto precisa ser resolvido antes que isso acabe virando o enredo de uma péssima novela mexicana. 

— Ei! — Serafín apareceu, sabe-se lá de onde, e sentou-se na outra ponta da mesa, logo levando uma das mãos até o bolso da camisa de botões semi-aberta e pondo o celular ali. — Não fale mal das minhas novelas! Maria do Bairro é um clássico. 

Wolfgang fez o grandíssimo favor de ignorar o moreno, focando sua atenção no presente casal que aparentava estar zangado entre si. 

— Vocês precisam parar com isso — Thorne começou, sinalizando com o olhar para que eles não o interrompessem. — Essa situação toda está ficando fora de controle. Helena mentiu e, definitivamente, isso não é algo notável nem ao menos digno de apreço mas, Sebastian, ela vivenciou algo bem diferente dentro daquela prisão. Você ao menos ouviu o parecer dela? — Stockhausen nada falou, trincando os dentes com a aparente falta de respostas diante de tal pergunta. — Esse é o problema, afinal de contas. Vocês precisam conversar. 

Madeleine trocou olhares com Serafín, que parecia estar se divertindo bastante com a interação à sua frente, e a loira apenas revirou os olhos quando o cacheado sorriu. 

— Wolf tem razão — Helena começou, seu olhar cabisbaixo ainda pairando sobre suas mãos entrelaçadas em seu colo. — Precisamos conversar, Sebastian. 

Antes que o loiro pudesse falar algo, um grito ressoou vindo do outro lado da casa e todos se assustaram, correndo para ver o que tinha acontecido. Matteo estava em pé, os braços levantados e com um enorme sorriso no rosto, bem diferente de como eles acreditavam que estaria. 

— Eu consegui! — Kim agora estava dançando, o que resultou em um revirar de olhos grupal e um suspiro por parte de Johnny, que continuava sentado no sofá do recinto. 

— Ele achou o garoto, Stockhausen — Smith falou e Helena e Sebastian se entreolharam, rapidamente se juntando à Matteo na frente do computador. 

— Onde ele está? — Sebastian indagou e Matteo apenas o entregou uma pasta. Nela, havia uma foto da criança, um pouco borrada, e a localização que parecia ser em uma vizinhança familiar no Bronx. 

— Como conseguiu encontrá-lo? — Helena perguntou e o mais novo apenas sorriu, dando uma piscadela em sua direção. 

— Não foi difícil achar algum Rockwell Thorne em Nova Iorque. É uma cidade grande, mas pouquíssimas pessoas iriam ter um nome como esse — Ele voltou à sentar-se na cadeira, enquanto o casal encarava a foto da criança. — A foto foi um pequeno brinde, porque achei que gostariam de ver o filho de vocês antes de irem atrás dele.

Matteo não esperava os sorrisos enormes dos dois, nem ao menos o beijo na bochecha que Helena lhe deu. Não estava acostumado à ser tratado dessa forma. 

— Obrigada — A loira agradeceu ao menor, os grandes olhos azuis lacrimejados de felicidade lhe fitando de uma forma que o fez sentir-se ainda melhor. Ele realmente havia feito a coisa certa, afinal. 

— Precisamos ir atrás dele ainda — Sebastian murmurou e Helena assentiu, o movimento chamando atenção de Matteo, que voltou à levantar-se. — Vamos precisar de toda a ajuda possível, Kim. Vai entrar nessa? 

O espanhol revirou os olhos e se postou ao lado de Stockhausen, parando apenas para vestir a jaqueta jeans detonada por sobre a camiseta. Sebastian então olhou para Wolfgang e Serafín e os outros dois também entenderam o recado, já saindo em direção à garagem da casa. 

— Sabe, eu ficaria até chateado por não estar me convidando — Johnny começou e, com um pouco de dificuldade, levantou-se do sofá. — Porém sei o quanto esse momento não pode ser atrasado por mim. Vai achar o seu filho, Hauptblut

Sebastian nada disse, preferindo apenas transparecer seu contentamento com uma leve batida nas costas do moreno, algo rápido mas com significado para ambos.

— Espera — A voz de Helena não o pegou de surpresa; pelo contrário, Stockhausen estava se preparando mentalmente para quando fosse presenciar um surto de teimosia da mesma. — Não posso ficar aqui sem ter certeza de que vai voltar. 

Tal frase, no entanto, o pegou de surpresa e o loiro lembrou-se de épocas passadas, anos diferentes e mais simples, onde a única preocupação de ambos era se ainda iriam se ver no final do período do mais velho no Exército. 

— Eu vou voltar, Helena — Sebastian levantou a foto que havia retirado da pasta com as informações da localização do filho. — E ele vai vir comigo. 

— Me perdoa, Sebastian — Thorne se jogou em cima do companheiro, seus braços finos tentando de todo modo penetrar-se no corpo robusto do maior. — Eu não deveria ter mantido segredo durante todos esses anos. 

Stockhausen desvencilhou os braços da amada de seu corpo e juntou suas mãos as dela, além de colar suas testas em um momento íntimo e secreto. 

— Eu te amo, ok? E eu sempre vou te perdoar, não importa o que faça. 

Helena apenas assentiu, o soluço preso na garganta afrouxando um pouco quando colou seus lábios nos do maior. Não importava quanto tempo passasse, ela sempre iria ter as mesmas sensações como na primeira vez que teve seus lábios beijados pelo maior. Os dois se soltaram apenas quando o ar foi necessário e, de soslaio, Thorne viu Madeleine parada há alguns degraus de distância na escada, a expressão entusiasmada em nada mascarando o seu atual bom humor. 

— Vai, os meninos estão te esperando — Helena murmurou e Sebastian assentiu, virando o corpo por míseros segundos até voltar à posição de antes e beijar-lhe mais uma vez. Quando — finalmente — ele saiu do seu campo de visão, a loira suspirou e seu olhar bateu com o de Manson, que apenas levantou ambos os polegares em um claro sinal de felicidade. 

— Estão todos prontos? — Sebastian indagou assim que adentrou a garagem. Serafín estava no celular falando em espanhol — provavelmente com alguém de sua gangue — e Wolfgang se encontrava encostado no capô do mesmo carro que as meninas haviam usado uma semana atrás, conversando em tons baixos com Matteo e… — Noori? O que faz aqui? 

— Ouvi dizer que precisava de um piloto — Kang agitou as chaves do carro no ar e rapidamente as pegou. — Eu amo Demian, mas não estou sendo pago para ser sua babá vinte e quatro horas por dia. 

O resto do grupo riu e logo eles se ajeitaram no carro, com Noori no volante e o restante tentando se acomodar no veículo. O caminho não fora tão demorado, com Serafín e Matteo conversando de vez em quando, trocando ideias com Noori, enquanto Sebastian continuava com sua atenção vidrada na pasta referente ao filho e Wolfgang parecia estar em outra dimensão. Ao chegarem no bairro do Bronx, Stockhausen fechou a pasta com força e agora todos já começavam a exibir posturas menos desleixadas. 

— Tem certeza de que seu contato vai nos ajudar? — Thorne indagou Dinero assim que saíram do automóvel. Noori continuou dentro do mesmo e Matteo também, ambos a postos caso o trio precisasse de ajuda em algum momento. — Este é um dos territórios de Khari. Qualquer um pode nos ver aqui e, sendo você uma figura bastante conhecida, duvido muito que ele não saiba de nossa presença aqui em meros minutos. 

Dinero abriu a boca para responder, mas foi interrompido por um alto assobio. Quando os três se viraram, deram de cara com uma jovem sentada casualmente em um banco de praça na frente de um restaurante 24hs. Ao se aproximarem, a mesma se levantou e os loiros não puderam deixar de notar o braço direito coberto de tatuagens da morena, em nada coberto por sua roupa extremamente provocante. 

— Quanto tempo, Dinero — Ela pronunciou o nome de Serafín com um forte sotaque, mais forte que o dele ou das primas Santiago. — Como está Manny? 

— Bem — O cacheado a respondeu, dando-lhe um respeitoso abraço e Wolfgang e Sebastian trocaram um olhar interrogativo entre si. — Ele sente a sua falta, sabia? 

A morena abaixou o olhar por meros segundos, mas foi tempo o suficiente para que os outros dois entendessem a situação ao qual se encontravam presentes. 

— Esses são Wolfgang e Sebastian — Serafín os apresentou e ambos apertaram a mão da jovem que, aliás, tinha um aperto mais firme do que esperavam. — Essa é Destiny, uma conhecida minha. 

— Se por conhecida você quer dizer “quase cunhada”, aprecio a discrição — Destiny retrucou e os dois trocaram uma risada curta. — Dinero me contou um pouco da situação de vocês. 

— Você trabalha aqui? — Stockhausen perguntou e a morena assentiu, usando de meros segundos para mascar o chiclete e fazer uma bola com o mesmo, estourando com a língua. 

— Eu não trabalho para Khari, se querem saber — Ela começou a andar e o trio a seguiu. — Sou dona do restaurante onde estávamos agora a pouco. 

— Ela teve que voltar para Nova York para cuidar da família — Serafín continuou a história que, claramente, Destiny não estava a fim de contar. — Foi um verdadeiro surto! Eu pensei que estava assistindo a versão latina de Titanic vendo você se despedir do Manny. 

— Pelo menos, ele entendeu os meus motivos — Destiny afagou carinhosamente o pulso, onde uma tatuagem de rosa despedaçada estava desenhada. — Ainda nos falamos no telefone de vez em quando, sabia? 

— Você acha que ela é confiável? — Wolfgang sussurrou à Sebastian, enquanto Serafín e a morena mantinham sua conversa paralela. 

— Nesse exato momento, eu não posso me dar ao luxo de pensar em confiança ou algo desse tipo — Stockhausen o respondeu e o loiro deu de ombros. — E quanto à sua ajuda? Quando iremos ver ela? Ou será que desistiu? 

— Eu vou levá-la hoje para a mansão — Wolf viu os ombros do outro tensionarem e não deixou de sentir-se meio ofendido com tal reação. — Você realmente acha que eu levaria alguém que não é de minha extrema confiança para o mesmo espaço que minha família e amigos estão? 

— Eu não estou dizendo nada, Wolf. 

— Não preciso de palavras para entender suas reações, Sebastian. 

— É melhor estar certo, cara — Stockhausen enfim disse, confirmando as suspeitas de Thorne sobre não confiar em seus instintos. — Ela é literalmente a pessoa que menos devemos confiar. Não podemos fazer movimentos errados neste momento, nem no futuro próximo.

— Bom — A voz de Destiny fez com que os dois parassem sua conversa e conseguissem focar melhor no ambiente ao seu enredo. — É aqui. 

A morena apontou para o prédio do outro lado da rua. O estado do mesmo era deplorável, qualquer pessoa que passasse pela frente e não conhecesse diria que estava abandonado. Sebastian engoliu em seco a bile crescente, resultado da emoção pairando em seu corpo, e pigarreou para encontrar a voz novamente. 

— Muito obrigado, Destiny — O loiro apertou a mão da morena, sendo seguido por Wolfgang. — Agradecemos muito a sua ajuda, mas acho que a partir de agora não precisaremos mais dela. 

— Não tem problema — Destiny deu um abraço em Serafín e murmurou algo em seu ouvido, o que fez o cacheado revirar os olhos mas assentir para a mesma. — Buena suerte, compas. 

O trio esperou Destiny sair do seu campo de visão e logo atravessaram a avenida não muito movimentada. 

— Matteo — Sebastian falou, sabendo que Kim estava o ouvindo pelo comunicador. — Alguma novidade? 

Estamos bem — O espanhol respondeu, parecendo estar comendo algo. — Noori está no carro enquanto faço um lanche rápido na loja de bolos aqui perto. 

Ao seu lado, Wolfgang e Serafín reviraram os olhos com a resposta e Sebastian nada disse, preferindo apenas desligar o mesmo para não o atrapalhar. Mal subiram os degraus e uma adolescente, que não aparentava mais de 16 anos, apareceu abrindo a porta, uma de suas mãos segurando um skate enquanto, com a outra, ela segurava o celular conectado aos fones de ouvido. 

— Hã… 

— A moradora do apartamento 13 está em casa? — Serafín perguntou e a garota deu de ombros. 

— Sim, eu moro do lado da casa dela — A resposta claramente foi a que eles esperavam. — Hoje um dos filhos dela veio pedir açúcar para a minha mãe. 

— Filhos? — Wolfgang não deixou a indagação se perder e a jovem apenas assentiu. 

— Sim, ela tem três. 

O trio se entreolhou rapidamente, mas o momento foi quebrado por Serafín, que voltou a sua atenção à adolescente. 

— Obrigado pela informação, mas tem algum problema subirmos para ver ela?

— Somos amigos distantes, viemos fazer uma visita surpresa — Sebastian completou. 

— Claro — Ela deixou a porta aberta e desceu os degraus. — Só fechem a porta direito antes de subirem, ok? 

Mal terminou de falar e os três já estavam dentro do edifício, seus olhares analisando minuciosamente o espaço do que deveria ser uma espécie de mini recepção. Do lado das portas do elevador — onde havia uma grande placa escrito EM MANUTENÇÃO — havia uma lista dos andares com seus respectivos apartamentos e o 13 era no primeiro andar. Rapidamente os três subiram o íngreme lance de escadas, dando poucos passos para chegar até a porta do décimo terceiro apartamento. No apartamento do lado, uma mulher cantava em alto e bom e desafinadamente Like a Virgin, da Madonna, e Wolfgang fechou os olhos, pensando consigo mesmo em como as pessoas conseguiam transformar uma música em algo horroroso. 

Sebastian ignorou o que estava acontecendo ao seu redor e deu três batidas na porta. Por alguns momentos, o trio ficou parado, tentando escutar o que estava acontecendo atrás da objeto, até que a maçaneta virou delicadamente e uma brecha abriu-se, onde apenas um tufo de cabelo negro podia ser visto. Quando o loiro tentou identificar quem era, a pessoa fez um som de surpresa e tentou fechar a porta, mas Stockhausen era mais rápido e pôs o pé no meio para que não pudesse fechá-la. 

— Quem são vocês? — A voz era fina, esganiçada, típica de uma criança. — O que querem aqui? 

— Nós viemos atrás da sua mãe — Sebastian falou enquanto Wolfgang e Serafín se entreolhavam atrás dele. — Ela está aqui? 

Mi mamá no está aqui, gracías — A criança falou e Serafín ficou alerta, agora fazendo força para abrir a porta, o que não foi tão difícil. Ao adentrarem, os três encontraram nada, até que uma dor fez com que Dinero soltasse um sibilo e os dois loiros se viraram para verem uma criança do lado do mesmo, segurando uma faca de cortar carne ensanguentada em suas pequenas mãos. 

— Não se aproximem de mim ou dos meus irmãos! — O menino gritou, o som sendo abafado pela cantoria horrível da vizinha. Atrás dele, um garoto menor que ele e de cabelos loiros tentava se esconder ao mesmo tempo em que abraçava uma pequena garotinha de aparência asiática. 

— Está bem, Serafín? — Wolfgang ajudou o mesmo a se levantar e verificou o ferimento. — Não foi tão profundo, ainda bem. 

— Porque não é você que foi esfaqueado por uma criança do tamanho da sua perna! — Dinero vociferou e respirou fundo, sua visão agora focando no garoto de cabelos lisos e castanhos que ainda segurava a faca com força. — Me pagarás, pequeño cabrón — Serafín murmurou e então endireitou-se. — Onde está a sua mãe, moleque? 

— O que vocês querem com a nossa mãe? — O garoto de cabelos loiros falou pela primeira vez e o ar sumiu dos pulmões de Sebastian quando viu o rosto do filho em carne e osso. — Ela está dormindo. 

O olhar que o outro garoto trocou com o loiro não passou despercebido por Wolfgang e o loiro aproximou-se um pouco deles, mesmo com o moreno ainda apontando a faca em sua direção. 

— Nós podemos falar com ela? 

— Podem tentar, se quiserem — O loiro respondeu. — Ela não nos responde nem aparece há dois dias. 

— Rocky! — O moreno sibilou. — Era para manter silêncio! 

Wolfgang não perdeu tempo e correu para o outro lado do apartamento, onde um dos cômodos parecia estar com a porta trancada. Parando por alguns segundos para notar que a vizinha ainda cantava alto, Thorne levantou uma das pernas e arrombou a porta com seu pé. Ao adentrar o recinto, a escuridão o pegou um pouco de surpresa, mas não tanto quanto o corpo moribundo da mulher deitado na cama. Com uma respiração profunda, Wolf aproximou-se da mesma e pôs dois dedos em seu pescoço, confirmando o que ele já suspeitava. Ao voltar para a sala, o loiro deu de cara com todos na mesma posição mas, de alguma forma, alguém havia convencido o menino moreno à abaixar a faca. 

— Qual é o seu nome? — Thorne indagou a criança e o menino demorou um pouco para notar que falava com ele. 

— Brooklyn — Ele olhou de soslaio para os irmãos e apontou com a cabeça para os mesmos. — Ele é Rockwell e o nome dela é Kimberly — Quando os olhos castanhos do mesmo encontraram os de Wolfgang, o maior sabia que ele já havia entendido tudo. — Ela está morta, não está? 

O loiro assentiu, lentamente, e o suspiro que Brooklyn soltou em nada parecia com algo que ele já havia visto. Era o alívio de um adulto cansado no corpo de um menino de oito anos. 

— O que você pode nos dizer sobre a sua mãe, Brooklyn? — Serafín falou e o mesmo deu de ombros, largando a faca na mesa da pequena cozinha e juntando-se aos irmãos. 

— Ela é uma enfermeira — O garoto começou. — Ou era, até um tempo atrás. Trabalhava na penitenciária feminina. Não somos filhos dela, como pode perceber.

— Ela decidiu que iria nos criar porque nossas mães não podiam nos criar — Rockwell completou a fala do outro. — Primeiro Brooke, depois eu e há alguns anos atrás ela achou Kimberly perdida na volta para casa. 

A garotinha asiática sorriu quando ouviu seu nome e Rockwell sorriu junto dela, aninhando sua pequena forma em seus braços frágeis. 

— Quantos anos vocês tem? 

— Eu tenho oito; Rock tem sete e Kimberly acabou de completar três anos — Mais uma vez, a garotinha sorriu e Serafín acabou sorrindo com ela. — Comemos almôndegas no dia do aniversário dela. 

— Brooklyn, alguém apareceu aqui antes de nós? — Sebastian perguntou e o garoto assentiu. 

— Sim, o tio Deion — O nome do primo de Khari fez com que os pêlos do braço de Wolfgang enrijecerem. — Ele vinha mais vezes aqui mas, de uns meses para cá, vinha vindo menos. Ele e mamãe eram grandes amigos e ele costumava passar a noite quando vinha. 

— Tem três dias que ele veio aqui — Rockwell agora tentava dar uma caixinha de suco para Kimberly, que fazia cara feia para a oferta nada tentadora. — Deu uma boneca de presente para Kim e passou a noite com mamãe. Não o vimos sair pela manhã. 

O trio — mais uma vez — trocou olhares entre si e se reuniram longe o suficiente para que as crianças não os ouvissem. 

— Overdose? — Serafín foi o primeiro a falar e Wolfgang assentiu. — Que filho da puta! 

— Precisamos cuidar dessas crianças — Sebastian olhou sobre o ombro na direção das mesmas e viu Brooklyn e Rockwell fazerem o mesmo que eles. — Eles não podem ficar aqui, 

— Tem razão — Wolfgang concordou, junto de Serafín. — Mas como vamos convencê-los? 

O cacheado piscou na direção do loiro e virou-se, focando no trio mirim diante de seus olhos. 

— Acho que agora temos um impasse: ou vocês vem com a gente ou iremos ligar para o juizado de menores e eles virão aqui e irão separar vocês — Ao ouvir a palavra separar, as três crianças ficaram notoriamente assustadas e Serafín sabia que tinha dito a coisa certa. — A escolha é de vocês. 

— Precisamos ir com eles, Brooke — Rockwell murmurou, alto o suficiente para os três homens escutarem. 

— Não! Nós podemos… 

— Nós podemos fazer o quê? Somos três crianças, sem parente algum. Com certeza irão nos separar. 

Brooklyn ia falar algo, mas o rosto contente de Kimberly abraçada em Rockwell fez com que ele mudasse de ideia no mesmo instante. 

— Ok, nós iremos com vocês — Sebastian e Wolfgang se aproximaram junto com Serafín mas o garoto foi mais rápido e levantou uma pequena mão. — Agora queremos saber o motivo de virem aqui. 

Os três se entreolharam e Wolfgang pigarreou. 

— Falamos disso no carro, mas precisamos ir agora. 

O garotinho aceitou a resposta e logo as três crianças foram instruídas por Serafín para pegarem o básico em seus quartos. Assim que eles deixaram o recinto, Sebastian deixou toda a tensão do momento esvair de seus ombros e sentou-se com força na primeira cadeira disponível. 

— Eu não acredito que achamos ele. 

— Ele e mais dois — Serafín pegou o celular, checou algo e voltou a botá-lo no bolso. — O que vamos fazer com essas crianças? 

— Não sei, mas vamos encontrar um jeito — Stockhausen respirou fundo e lentamente expirou. — Precisamos dar um jeito, já que eles não vão se separar. 

Um barulho o fez ficar de pé novamente, mas era apenas as três crianças voltando com uma pequena mochila em cada uma de suas costas, a não ser por Kimberly. Ela carregava uma pequena boneca com feições asiáticas no braço. 

— Prontos? — Wolfgang perguntou e Brooklyn e Rockwell se entreolharam antes de assentirem juntos.

A volta para o carro foi tranquila. Ninguém parecia notar ou suspeitar algo ao ver três homens andando nas ruas, cada um segurando a mão de uma das crianças. Ao chegarem no lugar estacionado, encontraram Noori sentado em cima do capô do carro, seus olhos vidrados na tela do celular. 

— Onde está Matteo? — Foi a primeira coisa que Sebastian falou e o asiático revirou os olhos. 

— Ele me mandou mensagem dizendo que encontrou uma amiga e vai demorar um pouco — Noori nem sequer deu-se ao trabalho de perguntar sobre o número maior de crianças que havia aparecido. — Falou para irmos embora sem ele. 

— Tudo bem — Wolfgang esperou Serafín entrar no carro e fechou a porta à sua frente. — Vão sem mim, encontro vocês em casa. 

— Aonde você pensa que vai? — Sebastian perguntou, mas nem precisou de palavras para saber a resposta do loiro. — Hoje foi um dia extremamente longo. Você tem certeza disso? 

— Não posso adiar mais — Thorne pescou sua velha carteira de cigarros no bolso da calça e rapidamente acendeu um. — Ela me mandou mensagem agora a pouco pedindo que eu fosse encontrá-la. 

— Tenha cuidado, Wolfgang — Stockhausen falou e fez um sinal com a cabeça para que Noori desse partida no veículo. — Te espero em casa, cara. 

O loiro assentiu e se afastou para que não fosse levado pela velocidade alta que Kang usava para avançar com o automóvel. Seus olhos varreram o ambiente e ele respirou fundo, dando com a mão para o táxi que ali passava. 

— Hotel Greenwich, por favor — Wolfgang falou assim que adentrou o veículo e o motorista apenas assentiu. 

O trajeto até o prédio onde Kamaria estava passando a última semana foi curto e Thorne nem se deu ao trabalho de esperar pelo troco quando lançou as duas notas de vinte no banco do passageiro. O loiro estava focado em terminar seu segundo cigarro até chegar ao apartamento de Kamaria e, enquanto isso, apreciava a vista do elevador panorâmico de uma Nova York banhada pelos últimos raios solares do entardecer. 

Os passos até a porta do apartamento eram poucos e ele se viu tendo um flashback momentâneo de sua ida há poucas horas atrás do sobrinho que mal sabia que existia. Após dar quatro leves batidas na madeira, a porta foi aberta e Kamaria apareceu, em nada parecendo com a garota tristonha de dias atrás. 

— Wolfgang — A jovem sorriu e puxou um dos braços do loiro para que ele entrasse, fechando a porta atrás de si. — Não achei que viria tão rapidamente. 

— Nem eu — O maior falou, arrancando uma risada baixa da Black-Storm. — Está pronta? 

Kamaria respirou fundo e lentamente assentiu com a cabeça. Os dois sentaram-se na pequena mesa em frente à cama e ficaram em silêncio por alguns instantes, a mudez em nada tornando o momento estranho entre ambos. 

— Você acha que eles irão gostar de mim? 

— Vai levar tempo, mas acredito que sim. 

— E a sua namorada? 

— Eu não tenho namorada — A fala fez com que Kamaria revirasse os olhos. 

— Sim, você tem. Madeleine, certo? 

— O que tem ela? 

— O que ela vai pensar de mim? 

— Nada — Wolfgang parecia querer acalmar a jovem. — Ela é uma parte do grupo. Sua opinião importa, mas a geral é o que realmente importa. 

— Você falou de mim para ela? — Kamaria perguntou e, mais uma vez, Thorne teve flashbacks, dessa vez da conversa na cozinha com Manson. 

— Ela sabe sobre você. 

— Você realmente quer fazer isso? 

— Eu sei que você quer fazer isso — O loiro retrucou e pegou uma das mãos da mais nova. — É uma garota incrível, Kamaria. Tudo vai dar certo. 

A morena sorriu mais uma vez e apertou a mão do maior, soltando-a logo depois. Os dois rapidamente se levantaram e Black-Storm apenas demorou um pouco para pegar seus pertences e sair com Wolfgang. Os dois mantinham o silêncio entre si, mas nunca ficavam distantes um do outro. Thorne sabia que aquilo que estavam prestes a fazer era algo arriscado demais, perigoso demais e que, se não desse o apoio necessário, a garota iria acabar desmoronando. Ele não ligava para muitas coisas no mundo, mas Kamaria havia se tornado parte de sua família e quem o conhece sabe que ele faria de tudo pela família. 

A ida para Nova Jersey foi passada da mesma forma, com o loiro checando o celular constantemente enquanto a morena repousava a cabeça no vidro e pensava seriamente sobre o que estava fazendo. Era uma imensa loucura pensar em trair o seu próprio pai, mas ela confiava em Wolfgang e sabia que ele não a apoiaria nessa missão se não fosse algo que lhe trouxesse um pouco de paz no final das contas. Kamaria era uma garota grande, ela podia engolir o sentimento que nutria pelo maior em prol de continuar com sua bela relação. Perder o irmão havia sido como perder uma parte de seu coração e ela sabia que não aguentaria viver se perdesse Wolfgang Thorne de sua vida. 

Ao chegarem na rua do esconderijo, Wolfgang pediu para que o taxista os deixasse na esquina, para que fossem a pé. O homem concordou e logo os dois caminhavam pela rua deserta, com apenas as luzes dos postes servindo de guia. 

— Hoje é uma linda noite, não acha? — Kamaria perguntou, olhando rapidamente para o céu estrelado. O mais velho estava ao seu lado, puxando sua pequena mala, e apenas riu baixo com a pergunta da menor, olhando de relance para cima. 

— Sim, realmente está uma bela noite — Ele respondeu e recebeu um sorriso caloroso da morena como resposta. Ao chegarem na frente da casa, Kamaria parou por alguns instantes, o que intrigou Wolfgang. — Você está bem? 

— Minha vida vai mudar em poucos metros — Ela sussurrou. — Sinto que esses são passos muito difíceis de se dar. 

O loiro enlaçou seu braço direito em um dos braços da Black-Storm e lentamente foi andando com ela até chegarem à porta da frente. Estavam prestes à bater quando um som alto de pneus cortou o silêncio da noite e a porta foi aberta por Jade. 

— O que está acontecendo? — Santiago perguntou e logo todos estavam na frente da casa, com exceção de Helena. 

— Onde está a minha irmã? — Wolfgang perguntou e Ruby revirou os olhos. 

— Com as crianças, Johnny e Demian no quarto dela e de Sebastian — Saber que sua irmã e quem precisava de proteção estava seguro o acalmava um pouco. Do nada, Madeleine surgiu ao seu lado, o cabelo caindo em cachos desarrumados ao redor do rosto assustado. Os dois se olharam e Manson enlaçou sua mão na de Wolfgang enquanto Kamaria soltava sua outra mão do outro lado. 

Finalmente o carro se fez presente e o grupo ficou surpreso quando viu que não era apenas um. As três picapes pararam na frente da casa e de um deles Deion saiu, acompanhado de Nalini. Wolfgang, Serafín e Sebastian fizeram gestos para pegar suas armas, mas logo pararam quando viram os capangas de Deion apontando várias outras armas em sua direção. 

— Ora, ora — O cinismo na voz de Deion fazia com que Wolfgang quisesse vomitar. — Olha quem temos aqui… Como vai, Dinero? — Serafín foi segurado por Ruby e Black deu uma risada alta. — Vocês são tão previsíveis… Nova Jersey? Sério? Eu realmente acreditei que fossem mais inteligentes. 

— O que você quer, Deion? — Sebastian perguntou e Black apenas meneou a cabeça, fazendo um teatral bico com os lábios. 

— Estou aqui apenas dando carona — Ele apontou com a cabeça para Nalini, que estava encostada em uma das picapes. — Ela tem uma encomenda para dar a vocês. 

Nalini estalou os dedos e uma jovem de cabelos vermelhos apareceu para pegar sua bolsa. Com mais um estalo dos dedos, os capangas abriram o revestimento que cobria a traseira e tiraram de lá uma manta escura, jogando a mesma ao chão. O grito de Noori combinado com os sinais claros de choque cortaram a tensão presente no momento ao verem o corpo de Matteo moribundo, com sangue jorrando de várias partes de seu corpo. Sebastian se afastou para poder segurar o asiático, que parecia pronto para arrancar cada dente da boca de Laghari com as próprias mãos. 

— O que você fez, Nalini? — Helena perguntou, sua voz mal saindo enquanto lágrimas jorravam incessantes de seus olhos. 

— O garoto sabia demais — Ela respondeu e, com a ponta do escarpim, mexeu a cabeça do mesmo, que virou para o lado. — Precisava ser neutralizado. 

A fala foi o estopim e todos os presentes sacaram suas armas, a não ser por Helena, Maddie e Kamaria. 

— Espera! — A voz de Kamaria fez com que todos de ambos os lados a olhassem. — Me deixe conversar com vocês. 

— E o que vamos querer conversar com você, traidora? — Deion rosnou a última palavra com nojo. — Seu pai vai ficar bastante satisfeito em saber que sua filha está o esfaqueando pelas costas. 

— Me deixe contar tudo que sei à vocês — Black-Storm propôs. — Estou aqui à bastante tempo e sei de muita coisa. 

— O que está fazendo? — Wolfgang sussurrou ao seu lado e Kamaria nada disse, caminhando lentamente até ficar na frente do grupo aliado. 

— Deixem eles voltar para dentro e eu conto tudo o que sei — A morena mantinha os braços ao lado do corpo, tentando ao máximo não demonstrar o quão nervosa estava. — Todas as tramas, as artimanhas, tudo. Só preciso que os deixe voltar para dentro da casa. 

— Kamaria, eu não acho… 

— Silêncio, Thorne! — Deion gritou e Wolfgang respirou fundo para não acertar uma bala no filho da puta. — A garota está negociando! 

— Eu não vou deixar você sozinha. 

— Confie em mim — Kamaria virou-se para olhar nos olhos de Wolf e deu uma piscadela em sua direção. — Vai ficar tudo bem.

Wolfgang olhou em volta, para a expressão das pessoas que eram sua família e daquele que haviam se tornado algo a mais em sua vida há pouco tempo e baixou a arma. O ato foi repetido pelo resto do grupo e, pelo canto do olho, ele viu Nalini sorrir abertamente. 

— Vamos para dentro — O loiro anunciou e, lentamente, todos começaram à voltar para dentro da casa. — Eu vou voltar, Kami. 

— Eu não vou sair daqui — Kamaria respondeu e virou-se para encarar o outro grupo enquanto Thorne fazia com que todos entrassem de uma vez por todas na maldita casa. Mal chegaram a cozinha e o disparo do único tiro seguido de pneus cantando pegou Wolfgang de surpresa, rapidamente correndo de volta para a frente da casa e caindo de joelhos ao aproximar-se do corpo caído de Kamaria. O único tiro de bala na cabeça ainda estava fumegando, mas o maior não se importava enquanto abraçava o corpo moribundo da jovem que ainda tinha uma vida inteira pela frente e que ainda tinha seus olhos abertos, agora observando o céu estrelado para todo o sempre. 

(...)


Notas Finais


— betagem: nenhuma, vocês que lutem u-u
— música do capítulo: big girls don't cry by fergie — https://www.youtube.com/watch?v=agrXgrAgQ0U
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Gente, eu não sei nem o que dizer...
De verdade, eu tô bem tristinha =(
Espero que me perdoem e vejo vocês no próximo capítulo! <3


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