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História Monophobia - Capítulo 1


Escrita por: e lovjookyun


Notas do Autor


Boa noite, dia ou tarde. <3
Foi hardzinho escrever sobre essa tema "Medo". Quem não possui medo, não é mesmo? acho que ninguém. Eu não possuo monofobia, não sei escrever sobre como é ter esse tipo de fobia, então já peço desculpa desde o começo por qualquer coisa! Nessa história, eu não abordei um caso grave/sério de fobia, achei que fosse ficar muito pesado, e fiquei com dó do personagem, de mim mesmo e dos leitores kkkkkk.

Mais uma vez, quero agradecer a todo mundo do projeto que está sempre tão empenhado nele e fazendo um trabalho tão maravilhosos! Quero agradecer também aos meus leitores que comentam minhas histórias, eu sou toda sensível e fico muito feliz com o carinho de vocês! Obrigada também por darem muito amor as outras histórias! 💗

Agora, depois de taaanta enrolação, podem ler!
Boa leitura! 💗

Capítulo 1 - Storm


Havia visto a previsão do tempo na noite anterior, mas aquela tempestade era evidente para qualquer pessoa. HongJoong presenciaria uma tempestade das fortes em pouco tempo, uma tempestade que só molharia a si.

As pessoas passavam pela avenida agasalhadas, com toucas, cachecóis e luvas, enquanto isso o Kim apenas vestia um moletom fino. A grande maioria das pessoas estavam voltando para casa naquele momento depois de um dia cansativo na escola ou no trabalho. Já o seu caso era o contrário. Havia tido um dia cansativo dentro de casa, sua única opção era sair, mesmo que fosse em meio o inverno.

Kim HongJoong nunca fora do tipo depressivo e antissocial, na verdade, nem ao menos sabia como as coisas haviam chego naquele nível. Quando saiu da casa dos pais, sabia que nunca mais os veria novamente. Infelizmente nascera em berço cristão – não que fosse inepto a religiões ou algo do tipo – mas ter nascido em uma família tão rígida o fez não ter uma família naquele presente vazio e sem graça.

Quando sua família descobriu sua orientação sexual, foi um escândalo. Sua mãe fez questão de o expor a igreja inteira e ainda queria o obrigar a pedir desculpas ao padre e a todos os membros da pequena igreja. Aquilo foi o fim para si. Desde quando alguém pede desculpas por sentir? Por amar e desejar? Naquele dia viu o seu pai gritar com sua mãe, dizendo para a mesma dar um jeito no filho ou então expulsá-lo. E bom, era impossível dar um jeito em si, pois não havia nada de errado consigo.

Agora, aos 25 anos, se perguntava como sua família estava, como seus irmãos haviam crescido, se sua avó continuava a ir nas consultas de fisioterapia. Não era saudade, era mágoa, mágoa na qual tinha muita dificuldade de se libertar. Permanecer naquela família não iria lhe trazer nada de bom, sabia disso, mas ainda assim se sentia machucado. Era filho, neto e irmão. Como simplesmente puderam se esquecer de si?

Ascendeu um cigarro.

Era assustador estar no centro de Seul e sentir que lhe faltava algo. Quando terminou a faculdade, uma sensação de missão cumprida inundou seu pequeno corpo, mas não ocupou espaço por muito tempo. Agora dava aula numa universidade, arrumava a casa e fazia todas suas refeições sozinho. Os amigos que possuía na época da faculdade já não estavam mais por perto. Não havia nada em sua vida, apenas uma rotina sem graça e uma ansiedade já conhecida há tempos em seu corpo.

Queria se livrar daquela sensação estranha que estava presente em seu peito o tempo todo. A sensação de estar sozinho no mundo. Era como se vivesse no automático e ninguém ousasse lhe interromper. Quando se mudou para a capital, imaginava uma vida cheia de amigos e até mesmo um amor ao seu lado, e agora não tinha nenhum dos dois. Não é como se as pessoas fossem felizes apenas por ter companhias ao seus lados, mas quem é masoquista o suficiente de querer viver sozinho para sempre?

Tragou mais uma vez e apagou o cigarro sabor canela pela metade.

Tentava não criar hábitos e nem se viciar em nada, não queria usar as coisas como válvula de escape. Metade de um cigarro por dia era o suficiente para o distrair, mas apenas para isso. O vazio continuava dentro de si.

Quando ia se levantar do banco, viu uma pessoa. Mais especificamente, um homem. Alto, cabelo loiro e uma câmera fotográfica em mãos virada em sua direção. Estava à cerca de 5 metros, ao lado de uma árvore e lhe sorriu instantaneamente quando percebeu estar sendo observado de volta. HongJoong estranhou, ninguém interagia consigo sem ser algum aluno ou algum atendente da lojinha de conveniência do seu bairro, ainda assim acenou levemente com a cabeça.

Na perspectiva de muitos, aquilo era apenas um gesto de educação, mas na do loiro, era uma deixa para se conhecerem.

Não passou nem um minuto e ambos estavam dividindo o mesmo banco gelado da praça.

HongJoong estremeceu. Não sabia se era o frio daquela noite gélida ou se era nervosismo pela interação mínima que estava tendo com o desconhecido. Soprou as mãos enquanto as esfregavas uma na outra e em seguida abraçou o próprio corpo magro. Deveria ter me agasalhado melhor, pensou.

– Pode usar. – HongJoong olhou de soslaio para o loiro, ele lhe estendia um sobretudo cinza-escuro.

Enquanto o loiro lhe estendia o sobretudo, a mente de HongJoong se dividiu em duas, estava em dúvida se aceitava ou não. Ele era um desconhecido e estava lhe observando antes, sabe se lá qual era sua intenção. Mas também era um gato, e pelo pouco que viu, uma boa pessoa. Queria poder ver muito mais do que só esse pouco, pensou. Além disso, estava com um casaco grande e fofinho de lã com um cachecol e luvas, parecia estar bem agasalhado.

Se encolheu.

– O-obrigado, senhor. É muito gentileza da sua parte. – Agradeceu enquanto se reverenciava. – Quando precisar novamente, me avise e lhe devolverei.

– Se quiser, pode ir com ele. Pode me devolver outra hora.

– Só espero não estar incomodando. – O loiro apenas lhe sorriu, emanando uma tranquilidade surreal.

HongJoong sempre ia aquela praça próxima ao centro de Seul para se distrair. Gostava de olhar as interações alheias. Naquele momento da noite era bastante comum ver casais voltando de restaurantes ou boates, caminhando calmamente de mãos dadas, as vezes até trocando selares singelos.

Estar perto de outras pessoas lhe animava, mesmo que minimamente, mas era um misto de ânimo e inveja. Ânimo por não gostar de estar sozinho, e inveja porquê mesmo próximo as pessoas, nenhuma atenção lhe era direcionada, no fim, o significado de sozinho era sempre o mesmo. Se sentia patético por ver as coisas daquela forma, mas infelizmente era assim que se sentia. No fim, podia ser comparado a um adolescentezinho carente passando pelas fases rebeldes, era chato.

O medo de permanecer sozinho era tão grande, que lhe cegava, nem mesmo conseguia discernir as coisas corretamente. HongJoong tinha ciência da sua situação, só não sabia o quão grave ela era. Se fosse só um pouquinho sortudo, o cara ao seu lado seria só mais uma pessoa normal.

– Park SeongHwa. Esse é o meu nome. – Proferiu com a voz levemente rouca, rompendo o silêncio confortável entre os dois.

– Ah, é um prazer, Sr. Park. Eu me chamo HongJoong. Kim HongJoong. – SeongHwa sorria singelamente. Era engraçado encontrar alguém tão louco quanto si. Estavam ambos em meio a uma noite fria que se aproximava cada vez mais de uma tempestade, em uma interação estranha. Bom, felizmente os dois tinham sortes, ambos eram boas pessoas.

Trocaram poucas palavras nas duas horas que se passaram. Quanto estava quase dando meia noite, SeongHwa se despediu, mas deixou algo para trás. Era sua câmera fotográfica, estava ligada e estampava uma foto sua fumando. Em baixo da câmera havia um pedaço de papel com uma escrita bonita.

“Quero te encontrar por aqui amanhã, nesse mesmo horário. Na câmera possui fotos suas, espero que goste!”

HongJoong estava boquiaberto com aquelas fotos. Não era um deus grego, mas até que era bonitinho. Não sabia o quê o outro havia feito, mas estava como um modelo nas fotos. Mas que cara inacreditável!

HongJoong fez seu caminho para casa segurando a câmera com o maior cuidado do mundo, e o sorriso mais sincero estampado em seu rosto.

 

...

Depois daquele encontro em meio ao inverno, HongJoong e o loiro passaram a se encontrar pelo menos uma vez na semana. Devolvera o sobretudo e a câmera no dia seguinte, havia tomado a liberdade de lhe enviar algumas fotos suas, salvara tudo em seu notebook. O outro sempre lhe modelava, tirando algumas fotos propositais e outros espontâneas. Em meio aos encontros, sempre havia risos, fotos, e principalmente, companhia.

Com o tempo, SeongHwa se tornou o melhor amigo de HongJoong, viviam juntos. Por terem se tornado tão próximos um do outro, ele havia desabafado consigo sobre sua solidão. Mesmo sendo uma conversa rápida e um pouco desconfortável, SeongHwa entendeu tudo. Algumas semanas após o desabafo, HongJoong começou a frequentar uma psicóloga, queria melhorar e não depender daquela ansiedade e medo frequente.

“Nem tudo possui cura ou tratamento, mas alguns milagres podem acontecer.”

Milagre, destino ou coincidência, fosse o quê fosse, havia mudado sua vida.


Notas Finais


Se algum de vocês, leitores, possuir algum tipo de fobia ou medo, sintam-se a vontade para me chamar DM. Não sou psicóloga ou algo do tipo, mas tô sempre a disposição para ouvir e fazer companhia. Se cuidem sempre, anjinhos!!!

✦ capa: @hayjay
✦ betagem: @nahyungso


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