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História Monsieur Park-Byun - Capítulo 1


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Notas do Autor


oi!!!! eu queria dizer que, depois de surtar muito com o bloqueio criativo, acho que ele tá indo embora e eu tô FELIZ. nada expressa minha saudade de postar coisa aleatória no meio da madrugada, mesmo que ninguém vá ler.

aliás: isso não faz nenhum sentido ~em muitos sentidos, então vamos ter que fingir que é normal um francesinho com o sobrenome byun e um inglês chamado chanyeol. tudo bem, a gente pode.

* désóle — sinto muito;
s'il vous plaît — por favor.

Capítulo 1 - Once in France


Baekhyun nasceu pra alta sociedade. Talvez pra realeza; talvez pra santidade — se não fosse tão bom em fazer algumas coisas que o afastavam da dita cuja. Além disso, com o sorriso que lhe foi presenteado pelos céus, podia contar detalhes sórdidos de todas as obscenidades que qualquer dia ousou fazer e até mesmo um padre o daria passe livre pra passar a eternidade ao seu bem querer e nunca precisar implorar por misericórdia. 

Baekhyun não vivia no mesmo mundo que todos os outros e, qualquer um que escorregasse sequer um pé pra dentro do mundo dele, se hipnotizaria e se esqueceria de como a vida foi antes de cruzar com seus olhos felinos. 

Existia todo o mundo em torno dos ambientes que ele ocupava; existia a Inglaterra; e então existia a mansão Park. Aquele era seu mundo, de onde ele, indiscutivelmente, era a mais alta deidade. Não precisava ser o criador pra isso, mesmo que soubesse que ele — o homem que a gerações e gerações atrás construiu aquele castelo colado à costa — lhe daria a benção pra tomar conta de sua casa com a propriedade com a qual tomava. 

Era amado, certamente, desde os ancestrais da família Park até Chanyeol, seu marido. Baekhyun Park-Byun era casado e, mais importante, carregava o sobrenome de um homem colado ao próprio. Dormia no quarto onde as mais importantes figuras da família e de toda a Inglaterra viveram, se sentava à mesa onde os mais notáveis acordos foram feitos, tomava sol nos jardins onde os mais definitivos matrimônios — em forma de nada além de úteis e milionários contratos — foram celebrados. 

Não nasceu em uma família rica, nunca sequer pensou em fazer parte de uma, e mesmo assim, indiscutivelmente, nasceu pra viver no meio de todo o luxo que o cercava. Chanyeol Park tinha certeza disso. Teve certeza desde a primeira vez que o viu, de volta à França de 1916, quando ele servia seu café da manhã com um sorriso singelo demais pra um rapaz que era obrigado a se levantar no começo de todas as manhãs, pra se pôr à disposição dos hóspedes nariz em pé do hotel em que trabalhava — a troco de receber mensalmente o que uma madame sem esforço algum gastaria em apenas um prato. 

Chanyeol se viu hipnotizado. Hipnotizado por um homem, um criado. Qualquer outro em seu lugar teria ficado longe, teria lutado contra as próprias fantasias e desprezado qualquer pensamento sobre ele que cruzasse sua cabeça. Infelizmente, não era capaz de se importar com a classe dele. Não era capaz de se importar que ele fosse um homem. Não era capaz de se importar com o fato de que, estando na França apenas a trabalho, tinha menos de um mês pra viver o que quer que quisesse com ele. 

Seu primeiro movimento foi convidá-lo pra se sentar em sua mesa no café da manhã, o que foi gentilmente negado com a premissa — sincera e realista — de que perderia o emprego caso sequer pensasse em fazer isso. O segundo foi subornar dois ou três funcionários até fazer chegar a ele um bilhete em que o chamava pra uma visita ao seu quarto. 

A resposta veio com algumas batidas em sua porta no começo da noite. Quando Chanyeol a abriu, não viu mais que a sombra dos ombros de Baekhyun no fim do corredor, até que ele sumisse e tudo que deixasse fosse no chão o mesmo bilhete que recebeu mais cedo, dessa vez com uma resposta em seu verso: 


Monsieur,


está errado sobre sejá lá o que pense que eu sou. Vou servir seu chá na manhã seguinte, na outra manhã e em quantas for preciso, até que o senhor vá embora. Será só então que me verá. 


Désolé, Monsieur Park. Bonne nuit. 
Baekhyun. 

Chanyeol poderia ter desistido, mas talvez fosse por ser exatamente do jeito que era, e por não se importar com o que um cavalheiro em seu lugar se importaria, que Bakehyun acabou se apaixonando por ele. Por ter adorado cada pequeno detalhe que lhe foi dado. 

Ele se viu preso pelas curvas delicadas da letra dele, pelo pouco de francês que usou e, acima de tudo, por seu nome. Baekhyun o presenteou com o próprio nome — e, não, não precisava tê-lo feito. Mas fez. Demonstrou seu interesse no mínimo dos detalhes, enquanto tentava fingir que ele não existia e usar de suas palavras pra afastar aquele inglês confiante: tendo escrito nas entrelinhas que tudo que mais queria era que ele não desistisse. Terminando dizendo que sentia muito, porque precisava ao menos contá-lo o quanto sentia muito por não ter aceitado e passado a noite em seu quarto. 

Ele e Chanyeol talvez tivessem se encontrado apenas uma vez caso ele tivesse seguido o próprio coração e dito que sim. Teriam se encontrado no quarto de hotel naquela mesma noite — como Baekhyun não podia deixar de desejar — e tomariam uísque, já que Chanyeol sempre exigia que tivesse uma garrafa disponível em seu quarto. 

No início, Baekhyun tentaria resistir, o que não pareceria verdadeiro, uma vez que, ao entrar naquele quarto, teria deixado claro tudo que queria e a tudo que estaria disposto. Chanyeol iria chegar mais perto, e mais perto, até estarem sentados lado a lado, até suas pernas se encostarem, até Baekhyun olhar na direção dele com os olhos mais brilhantes que Chanyeol já viu e deixar que ele o beijasse. 

Baekhyun teria dificuldades em encontrar um meio termo pra se encaixar entre o desejo e o receio, com medo de fazer algo errado e acabar sofrendo as consequências pelas mãos de um homem rico que poderia acabar com sua vida de todas as formas possíveis apenas por sentir vontade de fazê-lo. Poderia eventualmente encontrar, e acabar a noite no colo dele, debaixo dele, agarrando seus ombros e implorando por mais com a voz trêmula, o respondendo com "oui, oui, monsieur" toda vez que Chanyeol perguntasse se estava tudo bem. 

Mas, talvez, se tudo tivesse acontecido, e se tivesse acontecido naquela noite, Baekhyun não teria capturado o coração de Chanyeol como fez: devagar, despretenciosamente, fazendo parte da mente dele até que fosse indiscutivelmente parte também de seu corpo, como a febre que o fazia acordar encharcado em suor. E se fosse assim, Baekhyun ainda estaria onde não pertencia, ao invés do lugar pro qual nasceu. Na mansão Park, nos braços do monsieur Park. 

Chanyeol insistiu. Repassou mais bilhetes até que Baekhyun finalmente respondesse a um deles e concordasse em encontrá-lo. Não em seu quarto, como pediu no primeiro bilhete, não no bar do hotel, como pediu no segundo, mas na praia, como pediu por fim. 

Chanyeol acreditou que ele tivesse aceitado pela insistência, mas quando o encontrou na praia que ficava a duas ruas do hotel, deitado na areia como se estivesse sozinho na própria cama, com a pele beijada pelo sol e os olhos fechados como se estivesse tendo o mais tranquilo dos sonhos, se sentiu apenas um figurante. O deixou ter seu momento por muitos minutos, até se lembrar que queria mais que tudo estar ao lado dele e ter a coragem de tocar seu ombro, quente sob seus dedos. Quis prolongar aquele toque, mas não podia realmente prolongar toque sequer. 

Naquela tarde longa, porque conheceram tanto um do outro, e curta, porque juntos, sentiram que o tempo passou injustamente mais rápido que deveria, talvez tenha sido quando Chanyeol o imaginou em sua vida. Mas sequer a melhor das fantasias de um coração apaixonado foi sequer de prever o furacão que Baekhyun seria. 

Quando insistiu em caminhar com ele até a rua do hotel, e resolveram se despedir num canto vazio e mal iluminado, se inclinou na direção dele e, pronto pra implorar pelo beijo que tanto queria, sentiu uma mão tocar delicadamente seu peito. 

"Désolé, monsieur." 

Lá estava ele de volta, o empurrando pra longe de uma forma que o fazia querer estar cada vez mais perto. 

Jamais imaginou que o rapaz irreverente que negava aos seus beijos com desculpas se tornaria seu marido. Que, quatro anos depois, o encontraria sentado à mesa de sua cozinha, mordendo a ponta de uma caneta enquanto discutia com a governanta sobre o que eles serviriam na festa que ele tão ansiosamente planejou pra mais um fim de semana que, se ele não estivesse naquele lugar, seria apenas tedioso e vazio. 

Chanyeol tinha menos de uma semana restante na França quando tentou mais uma vez. Foi quando se inclinou na direção de Baekhyun e ele lhe surpreendeu ao apertar o tecido de sua camisa entre os dedos, lhe olhar no fundo dos olhos e pedir: 

"S'il vous plaît, monsieur." 

Baekhyun não foi o mesmo que se segurou por tantos dias quando aceitou seguí-lo até o quarto, quando deixou que ele lhe deitasse na cama e beijasse cada parte de seu corpo, que sua língua trouxesse o alívio pelo qual a pele queimada pelo sol implorava. Baekhyun, tão único e exigente, com toda a dedicação a fazer o que quisesse, mostrou um lado escondido e cru quando se deitou numa cama que não era sua e implorou pra que um homem fizesse o que mais desejasse com seu corpo. 

Chanyeol, ainda enquanto o acariciava, ou quando juntava seu corpo ao dele, o adorava por completo, como tem adorado desde a primeira vez que o viu, como prometeu adorar pelo resto de sua vida. 

Ele não sabia exatamente quando sentiu que o queria por perto pela vida toda. Talvez tenha sido na primeira vez em que o viu, ou quando o ouviu lhe chamar de monsieur, ou quando olhou em seu rosto enquanto ele gozava e lhe apertava e prendia dentro dele, o que soava como seu pedido de que ele ficasse ali pra sempre. S'il vous plaît, ele diria, se conseguisse. 

Baekhyun estava com a bochecha colada num espaço entre seu peito e sua clavícula, respirando baixinho, desenhando com a ponta dos dedos formas irregulares e ansiosas na pele nua, com suas pernas entrelaçadas, quando Chanyeol pediu que ele fosse à Inglaterra com ele com a mesma naturalidade com a qual lhe pediu chá naquela manhã. 

Désolé, ele estava preparado pra ouvir. Mas Baekhyun, ao invés disso, usou a boca pra beijá-lo e, dessa forma, responder que estava pronto pra embarcar naquela loucura.

Quando o exército de pessoas que trabalhavam pra manter a mansão Park funcionando ficou sabendo da novidade — Senhor Park está voltando pra casa, e ele não está sozinho — todos esperaram por uma mulher. Se não fossem seus funcionários, se não temessem tanto quanto o respeitassem, teriam deixado claro a estranheza que sentiram quando Chanyeol passou pelos portões com um homem ao seu lado. 

Mas Baekhyun era diferente. Ele simplesmente era. Nenhum outro homem teria sido aceito, em nenhum canto, nem dentro de sua própria casa, nem diante à sociedade, como o marido de Chanyeol, senão ele. O que causaria choque, o que afastaria os dois de tudo e todos, se tornou apenas mais um detalhe que não fazia nada além de explicar a presença daquela pessoa que invadiu sua casa e roubou o coração de todos aqueles à sua volta. 

Baekhyun era a mais adorável e, ao mesmo tempo, forte criatura que jamais encontraria. Deu vida à uma mansão assombrada pela falta de alegria de tantas gerações. Veja só, ele costumava ser apenas o rapaz que servia o café num hotel do litoral da França. Aos vinte e quatro anos, foi o mais longe que havia conseguido chegar. E então, em tão pouco tempo, estava numa mansão, e ela se tornava a cada dia mais sua de que qualquer um que um dia chegou a pisar nela.

Os cômodos tomavam novas funções. As datas se tornavam novos feriados. Os funcionários mais próximos dele trabalhavam com mais cuidado, com algo parecido com carinho. A governanta faltava beijar o chão pelo qual ele passava, o jardineiro cultivava flores específicas apenas pra ele e o cozinheiro pedia suas opiniões e preparava novas receitas apenas pra agradá-lo. 

Ele era um em um milhão. Chanyeol adorava até mesmo a maneira como ele se vestia. Adorava como ele encomendava piteiras em Londres e jamais fumava sem elas, como vestia um terno perfeitamente formal e, ao invés de um blazer, cobria os ombros com um sweater colorido. Adorava suas jóias, os colares finos que descansavam em torno do pescoço, e que fazia questão de enrolar entre os dedos e puxar quando o beijava com paixão. 

Adorava até mesmo aquela bengala estúpida que ele de vez em quando tirava do armário. Dizia que o fazia parecer mais masculino e sério. Chanyeol costumava rir. 

"Só te faz parecer velho e, talvez, deficiente, meu amor." 

A existência de Baekhyun ao seu lado seria chocante. Inaceitável. Ele seria ridicularizado e humilhado por qualquer um caso não fosse exatamente quem era, caso não tivesse aquele quê especial que atraía a qualquer um. Eles eram respeitados e admirados como um casal, e a partir do momento em que conheceram Baekhyun, nunca mais se importaram que fossem dois homens. 

O marido de Chanyeol era amado por todos e podia fazer qualquer — qualquer — coisa, que jamais seria questionado. Podia pedir o que quisesse com seu pequeno sotaque francês e seria prontamente correspondido. Baekhyun Park-Byun era a alegria da mansão. Era a vida que preenchia as cores da praia, dos jardins, dos sweaters. 

Ele nasceu pra alta sociedade. Nasceu pra aquele canto gigante e luxuoso da Inglaterra. Nasceu pra estar exatamente ao lado de Chanyeol e, mais importante que todo o resto: nasceu para ser o monsieur Park-Byun. 



Notas Finais


essa é uma ideia que vive na minha cabeça sem pagar aluguel há muito tempo mas que foi completamente encorajada pelo filme Rebecca, então quero recomendar ele aqui. só abrir a netflix e ser agraciado pela beleza do armie hammer e da lily james.

sei que essa história não fez muito sentido, mas quando foi que eu prometi coerência, né?

pode deixar sua opinião aqui embaixo que eu vou ficar super feliz de ler! é isso, achei que tinha mais coisa pra dizer, mas acho que não tenho...

até mais! BTW, entra no meu perfil à procura de uma pwp com uma capinha roxa e com o péssimo nome de "bi-curious", que ela vai ser atualizada logo logo. beijos! 💖


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