História Monster - Capítulo 5


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Categorias Durarara!!
Personagens Celty Sturluson, Izaya Orihara, Shinra Kishitani, Shizuo Heiwajima
Tags Angst, Drama, Shizaya, Yaoi
Visualizações 29
Palavras 4.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá! Voltei!
Eu só queria dizer que eu amo esse capítulo, então espero que vocês também gostem. Boa leitura!

Capítulo 5 - Amor?


Monster

 

Capítulo 5 – Amor?

 

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Izaya POV’s on

 

 Acordei com a luz das enormes janelas de vidro do quarto, por uns instantes foi cegante, mas depois consegui apreciar a visão de toda Shinjuku, sorri, mas senti meu coração doer. Não quero virar, não quero ver o que eu já sei. Senti meus olhos ardendo e o nó na garganta se formando, meus dedos tremeram ao apertar o lençol. Tomei coragem para arrancar o bandaid, me virei para o outro lado sentindo as lágrimas quentes caindo pelo meu rosto. Vazio. Me levantei com dificuldade, vestindo a Box preta que estava do lado da cama e andei até o guarda roupa, procurando algum sinal da mala com as roupas dele, nada. Desci as escadas devagar, minhas lágrimas embaçavam minha visão.

 Alcancei o chão com meus pés, sentindo o frio na pele, caminhei lentamente pela cozinha, também não tinha sinal dele aqui, nada de deliverys na mesa. Engoli em seco indo fritar um ovo, isso devia bastar. Peguei a frigideira, espalhando a manteiga e logo quebrando o ovo e o jogando ali sem opções além de arder no calor do fogão. Ah, estou entediado.

Não...

Não é essa a palavra.

Era pior, apatia.

 Suspirei virando o ovo com a espátula, deixei fritar mais um tempo antes de desligar e jogar a comida em um prato limpo, o deixando na mesa. Encarei os remédios sem rótulos, isso era mesmo a cara do Shinra, poderia me drogar a qualquer momento, e acho que não me importaria. Andei para a sala e parei, me virando lentamente, achando o único vestígio do Shizu-chan... Ele consertou a porta. Que ironia, quebrou quando chegou e arrumou quando saiu. Que tipo de piada de mau gosto é essa? Isso é o “adeus” dele? Eu riria se conseguisse. Era bem engraçado, me deixar sozinho depois de me dar esperança de que não precisava ser assim. Mentiroso previsível. Foi isso que ele se tornou, comum, chato, humano.

 Voltei para a mesa encarei o prato, já podia sentir o enjôo, assim como da outra vez... Joguei fora. Muito engraçado, o jogado fora fazer isso.

 Peguei o remédio que era antiinflamatório, o engolindo sem nada, Arranquei o curativo do corte, via os pontos ali, a pele parecia querer se fechar, mas ainda não conseguia. Tsk. Se isso for alguma droga nova, espero que me mate, me pouparia do trabalho. Segui para o computador, ligando-o enquanto me girava na cadeira, quando parei encarei a tela, com raiva de mim mesmo quando acessei o sistema de câmeras de rua... Ele estava trabalhando, fumava encostado a um poste ironicamente perto da câmera de segurança, o observei de perto, sua cartela de cigarros já estava quase vazia, dois ali dentro e um em sua boca, e ainda era 12:00. Tom olhou o relógio e eles foram em direção ao Russia Sushi, Vorona seguia Shizu-chan tentando conversar, mas era um monólogo. Eu acharia engraçado, se eu não estivesse em uma situação pior que a dela. Fechei todas as abas de câmeras e levantei.

 Foi lento e doloroso, mas subi as escadas pegando as roupas de sempre e levando comigo para o banheiro, as deixei na bancada da pia parando em frente ao espelho de corpo inteiro, corri os olhos pelas marcas roxas de chupões, pelas manchas arroxeadas do excesso de força, mordi o lábio ferido sentindo as lágrimas descendo pelo meu rosto. Era para eu estar feliz, olhar isso era para ser um troféu... Mas estava enjoado dessa figura magra e marcada por uma besta que não voltaria. Patético.

 Tirei a única peça que usava e segui para o chuveiro, dizem que o banho pode levar seus sentimentos ruins junto com a água, mentira. Quando saí da água, meu corpo parecia doer, e deveria mesmo. Me enxuguei e vesti, voltando ao quarto apesar de uma tontura repentina, peguei o casaco mais próximo, o vestindo antes de pegar meu celular e descer as escadas. Me joguei no sofá, deitado e com o celular acima do meu rosto, eu estava nos Dollars, não havia nada de interessante, exceto as especulações dos meus amados humanos quanto às marcas no pescoço de Shizuo, que só aumentavam aquele rumor do namoro dele com a Vorona, o que era ridículo, já que só ele estava marcado, estava quase sentindo orgulho disso, quando caí na real.

O Shizu-chan... Não vai voltar.

 Senti as lágrimas de novo, muitas. A cada soluço eu me odiava mais por ser tão fraco, eu havia ficado fraco com essa porcaria de sentimentos. Estava querendo ficar sozinho, mas alguém tocou minha campainha, abri a porta pelo aplicativo no celular que me mostrava a figura irritante de jaleco esperando. Não demorou para entrar e parar na minha frente em choque, eu devo estar realmente patético.

— Merda... Parece que foi espancado. – Ele falou se abaixando no chão, já que eu não movi um músculo.

— Isso é culpa minha, fui eu que provoquei o Shizu-chan descontrolado, foi proposital. – Falei e ele suspirou incrédulo .

— Não era para estar feliz? Bem, olha o que fizeram! Você gosta dele, isso é um avanço gigantesco. – Ele dizia.

— Ele não vai voltar. – Sussurrei e Shinra se calou.

— Como pode ter certeza? – Ele perguntou examinando meu pulso.

— Por que eu o provoquei, isso podia ter dois resultados. O primeiro: Ele ia gostar e depois ia aceitar esse “Monstro”, já que eu agüento perfeitamente esse lado dele, em todos os sentidos. Ou... Dois: Ele acorda culpado, sente que perdeu o controle e então, vai embora. – Falei, Shinra escutava interessado.

— Então, se esse é o segundo resultado, como vai resolver? – Ele perguntou

 Resolver? Não havia uma solução, ele já deve estar se odiando, assim como estou me odiando.

Ri e Shinra balançou a cabeça em negação.

— Você pode não ver a solução agora, mas espera um pouco, você pode se surpreender. Quem sabe não aparece a opção três? – Ele disse e suspirei.

Ele se despediu saindo e me vi novamente sozinho, e agora com dor de cabeça. Qual é a terceira opção? Não! Não vou criar expectativas, não faz sentido, só vou piorar minha situação.

 

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Shizuo POV’s on

 

Eu estava irritado, muito mesmo. Era a terceira cartela de cigarros que eu comprava e parecia acabar sozinha. Suspirei tentando me concentrar em não bater em ninguém ali dentro.

— Shizuo, está escutando? – Tom disse me fazendo perceber que estava parado desde que entrei.

 Vi o sushi no prato e percebi onde estávamos, no Russia Sushi, como sempre. Vorona me encarava curiosa, ela estava ao lado de Tom de frente para mim. Não podia responder o que não sabia, então encarei Tom.

— Podemos conversar a sós? – Perguntei e ele olhou para Vorona que se levantou e saiu da cabine, fechando a porta.

 Eu disse isso, mas... O que eu deveria falar?

— Shizuo? Está me preocupando, você bateu em quase todos os clientes e ainda arrumou briga com desconhecidos na rua, o que está acontecendo? – Ele perguntou sério.

— Do início? – perguntei e ele assentiu.

Era muita história para três dias, mas tentei resumir para ele, e acabei dando muita informação quando ele pedia para explicar melhor. Agora ele estava vermelho, me encarando, logo que pigarreou me preparei para o conselho esclarecedor.

— Basicamente, você não odeia mais o Izaya por que descobriu que ele não é só o desgraçado que ele mostra, então você ficou no apartamento dele cuidando dele, e ai percebeu que gostava dele... E ai ele te provocou, vocês... Você sabe... Aí você está com raiva de você mesmo, por que acha que perdeu o controle e feriu ele? – Ele disse, vez ou outra ficando vermelho.

Assenti para tudo e ele pareceu pensar. Quando ouvi som de salto notei que Tom não era o único escutando, ah, dane-se.

— Você mesmo disse, ele provocou e ele que o tirou do controle, por que quis. E você está irritado com você? – Ele perguntou e eu analisei o que ele disse e assenti.

— Com licença. – Ouvimos a voz feminina e Vorona entrou fechando a porta.

 Eu sabia que ela ia ficar curiosa e ouvir.

— O quanto você ouviu? – Tom perguntou parecendo preocupado com ela.

 Eu já sabia, ela gosta de mim, mas com aqueles rumores nos Dollars percebi que eu não gosto dela. Então falar isso enquanto ela está perto foi o último sinal vermelho.

— Ouvi tudo. Shizuo-san, quando você fala do informante agora é muito diferente de como falava antes. Se você está mesmo apaixonado, por que está se controlando? Ele gosta de quando você perde o controle, não me surpreendo, mas isso não é bom? Você mesmo disse um tempo atrás que nunca ia encontrar alguma mulher que pudesse transar, por que todas acabavam assustadas? – Ela falava e eu ouvia atentamente, sentia algo se revirando no meu interior.

— Sim, mas eu não queria que elas mudassem, eu queria mudar! Eu odeio violência, mas tem uma parte em mim que é feita disso, o que significa que eu não posso controlar 100% e se em algum descontrole, eu ferir ele pra valer? Vocês não viram o que eu vi de manhã... Eu fui um verdadeiro monstro. – Falei.

— Shizuo-san, me desculpe se isso soar rude, mas... Você não acha que está subestimando o Informante? Mesmo depois de todos esses anos de luta e perseguição... Acha que é você quem decide o limite? O Orihara-san gosta disso em você, por que ele é o único... – Ela soluçou e começou a chorar.

 Congelei sei saber o que fazer, Tom-san alisava as costas dela e dizia alguma coisa que eu não consegui prestar atenção. Era estranho ver ela, que era tão forte... Chorando.

— E-então... Shizuo-san, não vou esconder mais... Eu estou apaixonada por você, e ouvir você falar dele desse jeito, dói, mas ninguém escolhe amar alguém, só acontece. E como eu dizia... Ele não é o único que sempre se levantava após uma surra? Ele quer esse lado seu, ele sabe que ninguém mais vai aceitar ou gostar desse lado, e para ele, isso é o que te faz quem você é, faz parte de você, e renegar esse lado é cruel, e só por que o mundo não está pronto para lidar? Não pode fazer isso. – Ela falou e soltei o ar aos poucos.

 Meu coração estava completamente acelerado, o que é essa sensação?

— Eu me achava digna de estar ao seu lado, e provavelmente agiria da mesma forma, não deixaria você renegar uma parte sua. E você ama ele... Ele provavelmente corresponde, pelo que você disse, ele é mais do que deixa os outros verem, e você viu por que ele deixou. Tenho certeza que ele se livraria de você se tivesse intenção de esconder essa identidade. – Ela falava com as lágrimas caindo e logo me senti a pior pessoa do mundo.

 Magoando os dois no mesmo dia, eu sou um idiota mesmo, assim como a pulga falava.

— Obrigado pelo conselho, e... Me desculpe, por tudo. – Falei abaixando a cabeça.

— N-não precisa disso, não foi culpa sua! – Ela disse.

— Aceita logo, ele pode ficar horas assim. – Tom disse.

— Certo, está desculpado. – Ela disse e eu voltei a me recostar com um sorriso.

 Comi devagar, processando tudo, mas não podia tomar uma decisão dessas por impulso, e como a pulga disse, sou impulsivo. Deveria pensar melhor nisso e no que Celty disse.

“Ele é forte, então, por que insiste em fazê-lo de vítima?”  Aquilo me acertou no peito mais forte que uma bala. Eu não percebi que estava fazendo isso... Por que é novo, eu não estou acostumado a ver um lado mais frágil dele, principalmente por que esses momentos de carência e tristeza é contido por ele mesmo. Ela tem razão, olha o que ele aguentou até aqui, e completamente sozinho... Ele ia se matar por exaustão, não por fraqueza. Foram muitos anos vivendo de máscaras, fingindo não sentir, fingindo que não doía ou feria.

 Nesse ponto, minha cabeça doía, então me despedi daqueles dois e segui andando para o meu apartamento, precisava pensar, e muito.

 Suspirei cansado só por imaginar. Acho que passei a vê-lo como alguém frágil quando o tirei do telhado inconsciente, mas ao mesmo tempo, se matar não é fácil, e como ele estava, na beira do telhado, e ia se jogar como se não fosse nada. Senti um arrepio na espinha ao imaginar o que teria acontecido caso ele tivesse conseguido. Soltei a fumaça devagar sentindo um aperto no peito. Primeiramente, eu não teria superado aquele acidente.

 Eu teria segurado ainda mais os impulsos, além de que não existiria ninguém como ele para me obrigar a gastar essa energia e provavelmente naquele dia na quadra, eu teria matado eles, provavelmente, já que teria mais raiva acumulada, e ele não apareceria aquele dia com Shinra e eu seria preso assim que a polícia chegasse. Mas do jeito que eu estaria com raiva, não ficaria preso muito tempo, sairia de lá à força, como já aconteceu, mas nesse caso, eu seria um criminoso procurado. Só até aqui já dava para ver a diferença que faria.

 De repente me bateu um desespero e peguei o celular.

O que foi, Shizu-chan?– Ouvi a voz entediada, mas ainda era bom oiví-la.

— Posso ir aí agora? Acho que precisamos conversar. – Falei e esperei o silêncio dele pacientemente.

Certo... Pode vir. – Ele disse, parecendo surpreso.

 Desliguei imediatamente e saí correndo, esbarrando nas pessoas pelo caminho, gritava um “me desculpe” já correndo de novo. Minha respiração estava descompassada quando parei dentro da estação para Shinjuku e já tive que correr para entrar antes que as portas se fechassem. Me sentei em um banco e um homem e uma adolescente se levantaram, sentando em outro banco. Certo, eu estava acostumado com isso.

 Me assustei com a notificação de mensagem, peguei o celular, era dos Dollars, alguém falou comigo no privado, sorri.

— Então é esse seu user. – Sussurrei para mim mesmo fazendo o que Izaya pedia, para eu checar os chats.

Travei vendo o fórum, tinham aberto um tópico “Shizuo e Izaya são mesmo inimigos?” Em seguida uma discussão interminável, além de duas fotos em anexo, uma minha, onde tinha meu pescoço circulado em vermelho e a outra era Izaya... No mercado? Circularam o mesmo lugar e eu ri.

 As pessoas não tem mais o que fazer? Decidi olhar os chats, já que aquele questionamento estava em alta, era a primeira coisa que se via ao fazer login.

Entrei com outra conta para não levantar suspeitas.

Shu-san entrou no chat

Ai: Estou falando, aquilo não é fake!

Kei: Sim, e eu vi ele correndo para a estação, uma pessoa tirou uma foto dele indo para Shinjuku.

Caramba, tiraram foto agora? Olhei em volta desconfiado, vendo a garota que saiu do lugar mexendo no celular. Não pode ser... Ou pode? Segurei o riso.

Shu-san: E estavam achando que a Vorona era a namorada dele.

Ai: Eu sei, isso é inacreditável!

Sai do grupo e voltei para a mensagem privada.

Shu-san: Izaya, você está bem com isso? Até agora estou achando engraçado.

Kanra: Por mim tudo bem, logo eles acham outro alvo.

 Sorri bloqueando o celular quando o vagão parou. Corri para fora e logo para a rua do prédio dele, entrando mais uma vez, dessa vez o porteiro me reconheceu e me deixou subir e estava inquieto demais para aguentar tanto tempo em um cubículo então fui correndo pelos lances de escada, parem em frente a porta dele ofegante quando a porta se abriu e entrei recuperando o fôlego.

— Achei que não fosse mais voltar aqui. – Ele disse soando irritado e eu ri, dava para notar que não estava.

— Eu também achei. – Confessei passando pela cozinha e reparei nas compras em cima da mesa.

— O que foi? – Ele perguntou.

— Ah, é que não pensei que tinha realmente ido fazer compras, pensei que tivesse saído só para alguém notar isso e publicar no Dollars. – falei.

— Fiz as duas coisas. – Ele sorriu.

Eu sabia. Izaya não faz compras pessoalmente.

— Era para me irritar? – perguntei sério.

— Era. Você sumiu e ignorou minhas ligações, depois de ontem, pensei que ia realmente embora. – Ele falou de uma forma tão sincera que a culpa caiu nos meus ombros.

 Ele se sentou no sofá e fiz o mesmo, virado para ele.

— Desculpe, demorei a processar tudo, estava com raiva de mim, não de você. – Falei e ele riu.

— Shizu-chan, eu já sabia. Eu só não sabia qual das possibilidades ia acontecer, mas agora você me aparece aqui desse jeito. Você criou mesmo uma terceira possibilidade... Que é passar pelo estado de ódio de si mesmo e me ignorar para o de aceitar esse lado e entender que eu gosto de você como é. – Ele falou e eu suspirei, em choque.

Ele já esperava que eu saísse daqui com raiva e sem vontade de voltar? Realmente ele era incrível.

— Desculpe, por tudo. Eu achei que perdi o controle e nem pensei muito sobre isso antes de sair. Acabei pensando que eu podia te machucar de verdade, mas tinha esquecido quem você é e o quão forte é. Mesmo que eu tentasse te machucar, você daria um jeito de fugir de mim ou me atacar de volta. – Falei e ele sorriu se aproximando.

— Quem diria... O Shizu-chan tem cérebro. – Ele disse divertido.

 Dei um soco na direção de seu rosto e ele se esquivou e segurou meu punho. Sorri.

— E quem diria... Você consegue sentar. – Ri sentindo um soco no estômago que eu não esperava. Me curvei apertando o lugar.

— O que foi que disse protozoário? – Ele perguntou sarcástico e eu sorri voltando ao normal, claro que não machucou, mas a expressão surpresa dele era impagável.

 Ele já esperava que eu não sentisse a dor, mas não pensou que eu a fingiria.

— Eu disse... Que estou surpreso que você consiga sentar. – Sussurrei e ele riu.

— História engraçada, tive que ir ao mercado e fazer várias compras para conseguir ir na farmácia de lá pra comprar pomadas para a dor e lubrificante. – Ele riu.

 Não segurei e comecei a rir junto.

— Eu ainda tentei avisar. – Sorri brincando com os fios escuros entre os dedos.

— É, eu sei. Não achei que fosse ser tão problemático na manhã seguinte. Percebi que não gosto da dor sozinha. – Ele riu e eu congelei.

Não pode ser... Ele é um ano mais novo, então tem 27.

— Izaya, você era virgem? – Perguntei incrédulo, pelo jeito que corou, era e só agora percebeu o que disse.

— C-claro que não! – ele riu, mas o rosto continuava corado.

Abri um sorriso me divertindo com isso.

— Você tem 27, como é possível? – Zombei.

— Cale-se! Eu tenho 21 para sempre! – Ele disse. Foi a idade que o irritou? Sério?

— Sério, como é possível? – Fiquei sério e me aproximei para ter certeza de que ouviria.

— Eu achava que qualquer coisa que envolvesse sentimento e intimidade era coisa de humanos. – Ele falou como se fosse óbvio.

— Não parecia que era virgem. – Falei em choque lembrando da noite anterior, quando virei o rosto ele estava encolhido no sofá com as mãos no rosto vermelho.

— D-droga! Não diga coisas assim, do nada! – Ele gritou irritado e corado se virando de frente para mim com um olhar irritado que ficava bem fofo com o rosto corado.

Ah, quero abraçá-lo.

— Shizu-chan, está me ouvindo?! – Voltei ao mundo real assentindo o vendo suspirar cansado.

— Ei, chega aqui. – chamei e ele se aproximou confuso.

Levantei toda sua blusa encarando as marcas roxas.

— Não acha isso ruim? – Deslizei o dedo por uma marca e ele riu e eu o encarei.

— Não, na verdade é um troféu, por que significam que eu fiz você fazer todas elas. Às vezes dá vontade de sair por aí sem roupa. – Ele disse com um sorriso maníaco e abaixei sua blusa.

— Não, não faça isso, você vai ser preso.– Falei e ele riu alto se sentando no meu colo, me abraçando e escondendo o rosto na curva do meu pescoço.

— O Shizu-chan é tão chato. – Ele disse melodicamente e senti minha pele arrepiar.

Engoli em seco abraçando sua cintura. Sério, como ele pode ser virgem? É melhor parar de lembrar de ontem enquanto ele estivesse ali.

— Shizu-chan, estou com fome. – Ele reclamou.

Eu ia fazer até parar ali entendendo o que estava fazendo.

— Se você já consegue ficar em pé, consegue cozinhar. – Falei o afastando pelos ombros e ele sorriu.

— É que eu não sei cozinhar. – Ele falou.

— Qual o seu problema? – perguntei inconformado.

 Era virgem até ontem, agora me diz que não sabe cozinhar! 27 anos!

— Eu sou rico. – Ele sorriu, me irritei e o larguei para cair no sofá e segui para a cozinha.

— Sério, o que tem de errado com você? O mundo é estranho. – Resmungava enquanto pensava no que faria para o jantar.

 Estava começando a fazer o misô quando dois braços me abraçaram pela cintura e senti um peso nas minhas costas. Sorri continuando o que fazia.

— Shizu-chan? – ouvi.

— O que? – perguntei ligando o fogão.

— Você aceitaria trabalhar para mim? – Ele perguntou.

— Eu basicamente já estou fazendo isso. – Resmunguei e ele riu.

— Não isso, de guarda-costas. Eu pago bem e vai ser mais fácil para eu sair nas ruas. – Ele falou.

— Desde quando você tem medo de sair por ai sozinho?– perguntei.

— É por precaução, sabe a Awakusu-kai ainda não tentou me matar, e isso é meio estranho, por que eu já se quase todos os segredos deles, mas continuam me contratando. – Ele falou.

— Por mim tudo bem, Tom não precisa mais de mim com a Vorona trabalhando. – Falei, era só uma desculpa. Era uma oportunidade de dar uma surra naquele Shiki.

— Tem certeza? Vai ser entediante a maior parte do tempo. – Ele falou.

— Tudo bem por mim. – Falei voltando a fazer o jantar.

— Sabe qual a melhor parte? – Ele sussurrou e senti um arrepio na espinha.

— Qual é? – perguntei.

— Transar. – Ele sussurrou e larguei a faca de nervoso e o tomate caiu no chão.

Virgem coisa nenhuma! Impossível! Não tem como!

Certo... Respirei fundo.

— E também... Vou poder sair com você. – Ele riu e olhei por cima do ombro notando o rosto corado.

— Podemos sair em encontros agora. – Falei estranhando o fato dele ter que me contratar para sair comigo.

— Não acha que a cidade vai virar de ponta cabeça com essa informação? – Ele sorriu e eu correspondi.

— Que se danem. – Falei e ele apertou o abraço, voltei a me concentrar, precisava deixar no fogo uns quinze minutos, era o tempo de preparar o arroz e um curry.

— O que nós somos? Estamos saindo? – O ouvi e engoli em seco.

 Parei para pensar, não fazia sentido, mas julgando até esse momento aqui...

— Namorando, se você quiser. – Falei sentindo meu rosto esquentar, mas continuei fazendo a comida, com ele grudado em mim, me atrapalhando a andar para a geladeira.

— Quero sim. – Ele disse depois de uns segundos tensos para o meu coração.

 Continuei preparando tudo enquanto Izaya cansou de andar de um lado para o outro me abraçando, ele se jogou no sofá da sala e pelo que ria e se mexia, mudando de posição a todo instante, devia estar no Dollars. Coloquei a mesa e o chamei, quando apareceu, sorriu para mim se sentando e olhando para a comida interessado, comecei a comer o encarando vez ou outra medindo suas expressões.

— Isso foi incrível, Shizu-chan! – Ele sorriu animado tirando a mesa, parou na minha frente me dando um selinho antes de ir lavar a louça.

 Estava observando-o quando meus pés se moveram sozinho em sua direção e o abracei por trás, podia ver seu rosto corar. Por que o Izaya era fofo? Quem diria que um dia essas palavras estariam juntas em uma frase. Cheirei seus cabelos e apertei a cintura um pouco até sentir mãos molhadas por cima das minhas. Realmente... Nós parecíamos um casal. Era estranho constatar isso, ainda mais sendo o Izaya.

Eu te amo– Travei notando que saiu em  voz alta.

Ele tirou minhas mãos para me encarar, minha respiração estava tensa. Que droga de situação é essa?

— Eu também te amo, Shizu-chan. – Vi o sorriso mais lindo do mundo e suspirei aliviado com a resposta.

Amor... Sim, era realmente amor.

 


Notas Finais


Vocês não sabem o quanto eu amei escrever esse capítulo! E então, o que acharam? Estou curiosa <3


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