História Monster - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Kim Jun-myeon (Suho), Park Chan-yeol (Chanyeol), Personagens Originais
Tags Baekyeol, Chanbaek, Sobrenatural, Suspense, Terror, Vampire, Vampire!au, Vampiros
Visualizações 204
Palavras 4.691
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Estou de volta com mais um capítulo de Monster hehe
Fico extremamente feliz em ver vocês gostando dessa história, significa demais para mim! Bom, sem muita enrolação, vamos para o segundo capítulo <3
Obrigado a Dulce pela betagem, e pelo meu namorado por estar sempre me apoiando com as minhas histórias

Capítulo 2 - Capítulo dois


Baekhyun não estava brincando quando disse que ainda possuía muitas perguntas e dúvidas, e que tentaria tirar todas com Chanyeol. Perseguia o coitado do Park para cima e para baixo sempre que surgia uma nova dúvida, recebendo reclamações e explicações carregadas de sarcasmo antes de, enfim, conseguir uma resposta para suas indagações. Tendo isso em vista, o casal de amigos, para total infelicidade do Byun, havia começado com as piadinhas chatas ao ver a repentina aproximação dele com aquele garoto de cabelos vermelhos e todo o tempo que o menor passava ao lado deste.

Mas Baekhyun não ligava o suficiente para responder, não enquanto conseguia descobrir tantas coisas novas de um mundo que nunca imaginou coexistir com o seu.

A descoberta mais recente era sobre o passado do vampiro, este que envolvia Kim Hyojung, uma garota nova que havia aparecido na vida de Park Chanyeol repentinamente. Conheceram-se por acaso, em um restaurante, e para a desventura do garoto, ela o apunhalou ao perceber o quão caidinho o Park já estava. O maior não acreditava em vampiros quando aconteceu, jamais poderia imaginar a existência daqueles seres tão fantasiosos e, quando deu-se conta, já era tarde demais para voltar atrás.

Hyojung era muito traiçoeira, e Chanyeol descobriu isso das piores formas possíveis enquanto convivia com a loira. Depois de ter sido morto e renascido como um ser noturno, passou a conhecer melhor aquela mulher e passou a odiá-la com todas as forças. A Kim era sanguinária e perigosa, um verdadeiro monstro, diferente de tudo o que Chanyeol foi e era. Era assustadora, afastando o maior a cada segundo que passava. O Park conseguiu fugir naquela noite em que encontrara Baekhyun, mas não havia funcionado tão bem quanto o esperado, e, agora, estava sendo perseguido por Hyojung. 

— E ela quer te matar? — Baekhyun perguntou o mais baixo que podia para não chamar a atenção de ninguém, sentado com Chanyeol em um banco no estacionamento atrás da faculdade. Quase toda terça-feira ficavam ali, conversando, e principalmente sanando todas as dúvidas que Baekhyun possuía.

— Não exatamente… Ela que me criou, e ela quer que eu me junte a ela para ser… O coleguinha sanguinário que ela queria ao lado dela, mas eu não vou, e não quero. — Às vezes, Baekhyun podia notar o quanto aquilo afetava o Park. Ele claramente não queria estar naquela situação, quase como se quisesse poder fugir, mas não conseguia por causa dos diversos motivos que o prendiam ali.

Mas, ainda assim, Baekhyun não confiava cem por cento em Chanyeol. Queria, em algum lugar dentro de si, mas mantinha sempre uma distância segura do Park, sempre atento a qualquer movimento brusco demais que este fizesse, mesmo que soubesse que o maior havia o salvado no passado. 

Ainda que lembrasse dessa boa ação, não podia negar o quanto ainda possuía medo e receio dele. 

— Entendo… E ela não vai te deixar em paz até que você aceite, certo? — Arrependeu-se da pergunta ao ver o sorriso triste que o Park deu, crispando os lábios logo em seguida.

— Isso. Ou até ela se cansar de me usar como brinquedinho dela e ir escolher outro… Enquanto isso não acontece, eu fujo. — Chanyeol relaxou o corpo, encostando as costas no banco para poder olhar para o céu. Já estava quase de noite, o crepúsculo trazendo diversas paletas de cores diferentes entre as nuvens.  — Não vejo a hora disso acontecer. 

— É tão ruim assim? — A pergunta era uma indagação que deveria ter ficado somente na cabeça de Baekhyun, contudo, antes que pudesse ver, a frase já havia saído por seus lábios. Maldita fosse sua língua grande.

— É um verdadeiro inferno… Como se eu estivesse com diversas cordas ao redor do meu corpo, e eu simplesmente não conseguisse me livrar delas, mesmo que eu continue as cortando… Hyojung continua as amarrando ao meu redor, me mantendo preso a ela. — O futuro advogado arregalou os olhos com a explicação, percebendo o quanto a frase parecia com como se sentia quando ainda morava com os pais. Naquele sentido, ambos não eram muito diferentes um do outro. — Enfim, chega de perguntas por hoje, você já está abusando demais de mim!

— Eu mereço explicações! Sou uma pessoa curiosa. — Defendeu-se, colocando a mão no peito como se aquela afirmação do Park o houvesse magoado.

— Jura? Eu não havia percebido isso ainda… — Riu com o próprio sarcasmo, logo fazendo uma careta com o tapinha nem tão leve que levou no braço. — Ei, mais respeito por quem te responde todas as perguntas sem cobrar por nada, por favor!

Baekhyun riu também, sentindo o interior aquecido com aquelas palhaçadas que Chanyeol vivia fazendo. Apesar da petulância de ambos, o maior era uma pessoa engraçada, e o Byun não conseguia negar o quanto era bom estar na companhia dele. 

Mas ainda havia o medo, os pesadelos recorrentes não o largavam de jeito nenhum, o assombrando todas as noites. Neles, Chanyeol sempre estava lá, mordendo o pescoço de Baekhyun, roubando de si sua vitalidade como a verdadeira besta noturna que era. Acordava sempre chorando e resmungando para que o maior parasse, aterrorizado, demorando para conseguir se acalmar e perceber que tudo não passara de um sonho ruim. 

Não podia evitar de temer que Chanyeol perdesse o controle quando estivessem perto, ou coisa pior… Não conhecia o outro lado do Park, aquele que havia visto no beco escuro e fedido, aquele que mostrava o lado não humano dele, e, honestamente, não queria conhecê-lo de jeito nenhum.

 

.

 

Desde que todos aqueles acontecimentos traumatizantes se deram, Baekhyun decidiu que seria melhor para si não sair mais na rua de noite. Claro que por causa da faculdade aquilo se tornava uma missão quase impossível, porém, fazia o seu melhor para evitar. Lembrava-se de Chanyeol lhe explicando que vampiros detestavam a luz solar, e, de fato, o Park era um deles, porém, tentava lidar com todo incômodo que os raios traziam para viver uma vida normal no meio de todos.

Para ser honesto, Chanyeol parecia sempre estar enfrentando o seu novo eu para poder continuar vivendo a vida de antes, e Baekhyun se pegava pensando naquilo.

De qualquer forma, lá estava Baekhyun, andando com Joohyun e Junmyeon para um barzinho novo que havia aberto na semana anterior, e que, até o dado momento, só havia recebido feedback positivo de toda clientela. 

— Por favor, Baekhyun, se for beber, que seja com moderação. — Desde que havia saído de casa naquele final de tarde, Joohyun e o namorado só sabiam falar aquilo, lembrando o Byun do que havia acontecido naquela maldita festa de cinco em cinco segundos.

— Eu entendi nas primeira cinquenta vezes, Joohyun, muito obrigado. — Sorriu sem realmente achar graça daquela “precaução” exacerbada, encolhendo-se dentro do casaco por estar com frio. Céus, às vezes sentia-se uma criança sendo cuidada por suas duas babás, e aquele sentimento era bem chato.

— Que bom, pois hoje eu realmente não vou cuidar de bêbado nenhum! Nem se vier chorando para cima de mim! — O casal riu junto uma vez mais, não tardando a virar a esquina movimentada para chegar ao bar em questão. O lugar encontrava-se cheio, talvez por ser novidade e final de semana, o que já causou em Baekhyun uma careta desgostosa e um suspiro de pura frustração. 

Não era o maior fã de lugares cheios; para ser honesto, ele detestava.

— Vamos lá, Baek, que cara é essa! O lugar lá para dentro é super aconchegante, você vai gostar dele! — Joohyun entrelaçou o braço junto ao de Baekhyun, puxando ele e o namorado para dentro do local, achando uma mesa vazia bem ao fundo, um pouco longe da mesa de som, pois sabia que nenhum dos dois homens gostava de sons muito altos. — Bom, o que vamos pedir?

— Acho que seria uma boa um vinho para começar, já que está bem frio essa noite, o que acha, Baekhyun? — Junmyeon sorriu, pegando o cardápio a sua frente para começar a ler quais opções de comida e bebida eles teriam.

— Por mim tudo bem, eu irei me manter no refrigerante! — A afirmativa fez o casal de amigos rir, acabando por contagiar até mesmo o Byun.

Por pior que estivesse o humor dele naquele momento, passar um tempo com os amigos sempre era relaxante. 

— Foi tão traumatizante assim o seu primeiro porre? — Joohyun, que não participou daquela festa, abaixou o cardápio para perguntar, verdadeiramente curiosa se toda aquela repulsa por bebidas era real, ou somente brincadeira.

— Você não faz ideia, amor. — Junmyeon respondeu por Baekhyun, trazendo mais risadas contidas à mesa.

— Foi terrível! Fiquei mal pelo resto do dia. Não gosto nem me lembrar que o enjôo já volta! — Baekhyun fez careta, verdadeiramente odiando lembrar daquele dia. Tinha certeza de que nunca mais se deixaria chegar a aquele estado novamente.

— Bom, então serão duas taças de vinho e um refrigerante para o nosso garoto, certo? — A Bae brincou, sorrindo quando Baekhyun concordou. — Ótimo! Agora é só esperar um garçom vir. Já decidiram o que querem comer? 

Baekhyun acabou distraindo-se enquanto Joohyun perguntava sobre os vários pratos que havia no menu para o namorado, parando para apreciar o lugar. De fato, por dentro, era bem atrativo, com um piso bonito de madeira corrida, e uma iluminação mais fraca, que deixava o ambiente bem aconchegante e acolhedor. Além disso, a música baixa por estarem longe da caixa de som, e somente no instrumental, só melhorava ainda mais o clima daquele lugar.

Contudo, enquanto o menor analisava o local, os olhos foram atraídos por uma das clientes que estava sentada em uma mesa mais ao longe, na diagonal. Os cabelos loiros e longos desciam belamente pelo colo da mulher, porém o rosto parecia-se com uma breve lembrança que Baekhyun preferia esquecer.

Os olhos azuis que focaram em sua direção no beco, chorando falsamente eram inconfundíveis. Hyojung estava no mesmo bar que Baekhyun e o casal de amigos, e perceber isso fez com que um calafrio percorresse toda a espinha do garoto e o fizesse paralisar por segundos, que mais pareceram-lhe horas.

— Baekhyun? Você está nos escutando? — O choque dissipou-se um pouco ao escutar Junmyeon o chamar, balançando de leve o ombro do melhor amigo. — Está tudo bem? Você ficou pálido de repente… 

— E-está sim, foi só uma tontura, eu já melhorei. — Mentiu, checando uma vez mais onde Hyojung estava, não deixando de notar que ela conversava animadamente com um outro alguém. Seria mais uma vítima dela, ou um monstro, igual a Kim? 

— Mesmo? Você não acha melhor ir ao médico, você não me parece tão legal esses últimos dias… — Joohyun alcançou a mão de Baekhyun em cima da mesa, fazendo um carinho ali, verdadeiramente preocupada com ele. Desde o início do namoro com Junmyeon, a Bae sempre tentava incluir o Byun nas atividades, para fazê-lo sair um pouco mais de casa e tirar a cabeça dos estudos.

Nem sempre funcionava, mas ela estava periodicamente ali, tentando novamente.

— É sério, eu estou bem, podemos voltar ao que estávamos fazendo antes. — Sorriu, esperando o casal voltar a discussão sobre o que iriam comer aquela noite, divagando entre escolher batata frita ou alguns snacks fritos, que eram a especialidade da casa. 

Baekhyun ajudou a decidir, desempatando e votando na batata frita, fazendo Joohyun reclamar um pouco e depois se aquietar, afinal estava fazendo somente charme. Logo voltou a olhar para a mesa onde a loira estava, observando-a de longe. Os lábios estavam vermelhos como sangue por conta do batom, e ela direcionava diversos sorrisos abertos a quem quer que estivesse na frente dela, conversando com calma, movendo a boca com demasiada paciência. 

Contudo, ela assustou Baekhyun ao olhá-lo repentinamente no meio de sua fala, piscando com somente um olho para ele, como se soubesse que estava sendo observada aquele tempo todo. 

— Eu já volto, vou ao banheiro. — Baekhyun anunciou aos amigos, levantando para ir até o cômodo, pensando em lavar o rosto. Ainda tinha algumas dúvidas se aquela era Hyojung, afinal não podia confiar somente nas memórias que tinha quando estava bêbado, porém aquilo que havia acontecido há segundos atrás, havia pego o Byun de surpresa.

Se fosse ela mesmo, será que já havia o reconhecido? Era perigoso demais ficar no mesmo lugar que ela, ainda mais sem Chanyeol por perto, mas, como poderia dizer aos amigos que precisava ir embora? Eles certamente pensariam que era somente uma desculpa esfarrapada para poder continuar em casa. 

Precisava pensar em algo, e rápido.

— Estava olhando para mim, querido? — O corpo todo de Baekhyun gelou quando escutou uma voz feminina vindo atrás de si, levantando a cabeça para olhar pelo espelho, incrédulo demais para acreditar que aquilo estava, de fato, acontecendo.

— Não… Quero dizer, sim, eu estava, m-mas não é isso que está pensando, eu só… — Baekhyun assustou-se ao ver Hyojung ali, o fitando tão descaradamente, sorridente e ameaçadora, como se rondasse o lugar antes de dar o bote de vez.

— Eu só…? — Incentivou-o a terminar de falar, andando até Baekhyun, marcando o passo com o barulho fraco do salto alto de ponta fina.

— Você me pareceu com alguém que eu conheci há algum tempo, mas eu creio que me enganei. — A voz saiu baixa, incerta e trêmula, ficando apreensivo quando foi praticamente prensado contra a pia pela mulher. 

— Mesmo? Tenho certeza de que já nos vimos antes, você não acha, Baekhyun? — A mulher aproximou-se perigosamente do Byun, que além do estado de choque, encontrava-se confuso. Tinha plena certeza de que não havia dito o próprio nome para aquela mulher, o que só deixava mais claro sobre quem era. — Ou o Chanyeol não falou sobre mim para você, hm?

Aquilo foi o estopim para Baekhyun. Aquelas palavras eram mais do que o suficiente para ter certeza de que aquela era Hyojung, e que devia sair dali o mais rápido possível, pelo bem da própria vida. Com toda força que possuía, o Byun empurrou a mulher, correndo para sair do banheiro, perdendo o ar com a visão que teve do restaurante.

Já não era mais o lugar aconchegante que havia conhecido anteriormente, não mesmo. Todos os clientes pareciam mortos, banhados no próprio sangue, enquanto uma música macabra tocava pelo lugar, arrepiando todos os fios do corpo de Baekhyun. O universitário virou a cabeça na mesma hora em que a ficha caiu, tampando a boca para impedir que um grito saísse quando viu Junmyeon e Joohyun mortos em cima da mesa, de mãos dadas e olhos abertos, o fitando, como se o julgassem por aquilo.

— M-meu Deus… Não, não… — Baekhyun deu alguns passos cambaleantes para trás, em completo choque, praticamente se esquecendo de que deveria estar fugindo daquele lugar o quanto antes.

— É lindo! — Hyojung aproximou-se de Baekhyun como uma cobra, silenciosamente, abraçando-o por trás. — O ambiente fica mais bonito dessa forma, não concorda querido? 

— Por que fez isso? — A voz estava embargada pelo choro, o corpo todo tremia pelo ódio e pela descrença. Aquilo não podia estar mesmo acontecendo.

— Porque é divertido, oras! Você não acha? — Hyojung afastou-se do Byun depois de dar um beijo na bochecha dele, saltitando por entre o sangue e os corpos.

— Não acho não, nem um pouco. — Baekhyun trincou os dentes, o sangue que passava por suas veias queimava, e tudo o que conseguia pensar era em fazer algo contra aquela mulher. 

Pelos céus, não estava raciocinando direito, a mente era barulhenta demais para formar um pensamento lógico, ou uma saída para aquele pesadelo.

— Que pena, irei te propor uma nova brincadeira então! — Hyojung pareceu não ligar para a clara raiva que Baekhyun nutria dentro de si, voltando a se aproximar dele, segurando-o pelas bochechas com apenas uma mão, machucando um pouco a pele do garoto por causa das unhas longas.

— E se eu não quiser brincar?

— E você acha mesmo que tem escolha? Que gracinha! — A mulher gargalhou alto, se divertindo com a inocência e o ódio direcionado a si. — Vai ser assim: você corre, e eu vou atrás de você. Se você conseguir fugir de mim, você ganha, mas se eu conseguir te alcançar… Bom, aí você descobrirá, hm? — A mulher deixou mais um beijo estalado na bochecha de Baekhyun antes de mandá-lo começar a correr.

E este o fez, sentindo a descarga de adrenalina que pulsou por suas veias, como se houvessem disparado o gatilho de uma arma. Estava demasiadamente assustado. Não tinha a mínima ideia do que aconteceria se Hyojung, de fato, o alcançasse, ou se sequer olhasse para trás. Era aterrorizante, e fazia o coração doer de tanto que batia com força contra o peito. 

Os pés quase tropeçaram em si mesmos quando o Byun se deu conta de para onde havia corrido, a falta de ar o assolando enquanto olhava ao redor. Estava realmente parado em frente ao beco onde havia conhecido Chanyeol pela primeira vez, os olhos arregalados mal acreditando naquilo.

Decerto não havia ligado para onde estava correndo, mas como diabos havia parado ali? 

— Eu te achei! — Baekhyun virou-se em um ímpeto ao escutar a voz de Hyojung tão próxima de si, perplexo ao notar que estava sozinho naquela rua. A voz da loira continuou a ecoar conforme ele olhava para algum outro canto, sentindo o desespero e a falta de ar o deixarem tonto a ponto de cair no chão.

— Baekhyun? — Todo aquele alvoroço que acontecia dentro da mente do Byun parou no momento em que escutou a voz rouca de Chanyeol o acordar, olhando perdido para ele. — O que aconteceu? Por que está aqui?

— A Hyojung, ela… — Antes que pudesse continuar falando, acabou desmaiando, logo perdendo todos os sentidos para a escuridão.

 

.

 

Baekhyun acordou como se estivesse de ressaca novamente. A cabeça girou completamente, mas não estava enjoado como se, de fato, houvesse bebido, somente confuso por perceber que aquele teto não pertencia a sua casa e nem a nenhum lugar que já houvesse frequentado antes.

— Baekhyun? Você acordou? — O universitário olhou para o lado, vendo uma imagem meio embaçada se aproximar de si. — Baekhyun? — Assim que a figura se aproximou o bastante, o Byun conseguiu reconhecer Chanyeol, sentindo-se mais calmo por ver um rosto conhecido.

— O que está acontecendo? — A voz saiu embolada demais, contudo ainda conseguiu soar nítida o suficiente para Chanyeol.

— Hyojung aconteceu… Não sei como, ela conseguiu te achar e foi atrás de você… — Antes que pudesse continuar a falar, Baekhyun sentou-se onde quer que estivesse em um impulso só, olhando para o Park com olhos arregalados.

— Meus amigos, a Hyojung, e-ela… — O Byun engasgou-se com a própria fala ao lembrar daquela cena horrenda no restaurante, sentindo os olhos se encherem de água só em pensar no casal com quem ia passar a noite se divertindo. Se eles estivessem mortos por sua causa… Por Deus, jamais poderia se perdoar.

— Eles estão bem, Baekhyun, deixa eu explicar o que aconteceu, sim? — Chanyeol segurou o ombro do Byun com ambas as mãos, empurrando-o com leveza, fazendo-o se deitar novamente. — Tudo aconteceu única e exclusivamente dentro da sua mente, está bem? Esse é o poder da Hyojung.

— O-o quê? — Perguntou confuso, sentindo uma pontinha de esperança crescer dentro de si.

— Vampiros podem aprender diversos truques conforme os anos vão se passando, se aperfeiçoando e os usando como bem entendem. Hyojung consegue controlar a mente de suas vítimas antes de matá-las ou transformá-las, ela acha divertido ver sua presa desesperada com os joguinhos que ela prepara. — Chanyeol contava aquilo com uma expressão desgostosa, sentindo nojo da forma como a loira agia. — Eu já passei por isso, sei o quão horrível é. 

— Então, tudo aconteceu dentro da minha cabeça? Junmyeon e Joohyun estão bem? — A apreensão que sentia só diminuiu quando o Park acenou positivamente com a cabeça, podendo, enfim relaxar. — Espera, então ela queria me matar?

— Muito provavelmente não. Acho que ela escolheu você para ser o novo brinquedo. — Chanyeol crispou os lábios, observando as expressões que Baekhyun fazia. — Eu não devia ter te envolvido nisso tudo, perdão. É tudo minha culpa.

— Isso não é verdade, Chanyeol. Eu me meti nisso tudo porque eu quis, e vou arcar com as consequências. — No momento em que Baekhyun moveu um pouco a cabeça, ele pôde sentir um certo incômodo estranho na região do pescoço, tateando o local até notar que havia um curativo mal feito ali.

— Hyojung te mordeu um pouco antes de eu te encontrar. Ela te colocou naquele beco de propósito, eu tenho certeza disso… — Ao notar os olhos arregalados, o Park logo emendou uma explicação rápida, lembrando-se de que Baekhyun - ainda - não havia lhe perguntado sobre mordidas de vampiros. — Não precisa se preocupar, não vai te transformar, nem te matar a longo prazo, está bem? Ela teria que beber seu sangue todo e te matar com o veneno para a transformação acontecer. Você vai continuar humano.

— Entendo. Ainda bem. — Baekhyun suspirou aliviado, parando por alguns segundos para pensar na situação em que ambos se encontravam. — Poderia ela estar fazendo isso para chamar a sua atenção?

— Por que eu não aceitei ficar ao lado dela? Bom, existe essa possibilidade… Hyojung é mimada, não sabe escutar um “não” como resposta e não duvido que esteja apenas agindo como uma criança para conseguir o que quer. — Chanyeol bagunçou os fios avermelhados com um pouco de força, afastando-se de Baekhyun.

O menor finalmente teve uma chance de ter um vislumbre melhor da casa onde estavam. Não era grande, na realidade achou que aquele era o único cômodo além do banheiro, um casebre de tijolos, escuro e com iluminação à base de velas que ficavam em cada um dos quatro cantos do recinto.

— Onde estamos, Chanyeol? — Baekhyun sentou-se na beirada do que descobriu ser uma cama, provavelmente a mesma onde o Park deveria dormir.

— Essa é a minha casa e meu refúgio. — Chanyeol virou-se na direção de Baekhyun, abrindo os braços para dar ênfase na apresentação do lugar. — Único lugar onde Hyojung até agora não me achou. Achei que seria bom trazer você para cá, afinal te manter na cidade estava fora de cogitação.

— Obrigado.

— Por sinal, talvez seja bom mandar uma mensagem para os seus amigos, eles devem estar te esperando ainda lá naquele restaurante. — O maior caminhou até o balcão da minúscula cozinha, pegando um saco. — Eu tentei comprar algo para você comer, já que perdeu um tanto considerável de sangue, seria bom para você repor.

— Obrigado, Chanyeol, de verdade. — O futuro advogado abriu um sorriso em direção ao outro, pegando o embrulho, vendo um sanduíche natural e uma garrafa com algum suco, muito provavelmente de laranja.

 — É o mínimo que posso fazer por ter te envolvido nisso tudo, Baekhyun. — Sorriu sem graça, ficando de pé em um dos cantos da casa, olhando para o menor enquanto este começava a comer o lanche.

— Já disse que não tem culpa alguma, Chanyeol. Você me avisou diversas vezes para eu me afastar, e mesmo assim eu não o fiz. — Deu mais uma mordida no sanduíche, ajeitando-se sobre o colchão para poder olhar mais diretamente para o vampiro. — No fundo, não estou arrependido de ter recebido tantas respostas.

— Você é louco, isso sim. — Chanyeol gargalhou alto, olhando para o curativo no pescoço dele. — Acho que você deveria trocar essa gaze, não coloquei muito bem, sabe… Foi difícil fazer. — Ao notar a expressão sem jeito do Park, Baekhyun compreendeu que ele tentou cuidar do machucado, mesmo que ainda estivesse sangrando.

— Você nunca… Bebeu sangue humano antes? — Aquela era uma pergunta que Baekhyun mantinha em mente durante bastante tempo, só conseguindo externá-la naquele instante.

— Não. Tenho medo de perder o controle, ou, sei lá, me tornar um monstro. — Deu de ombros, praticamente sussurrando. — Só bebo de animais, mas ainda assim é tão difícil. Me sinto horrível. — As sombras no rosto do Park tremularam por conta da vela já no final, tornando a expressão ainda mais sombria e triste.

De fato, Baekhyun já havia notado o quanto Chanyeol parecia sofrer cada dia mais. O rosto mais fino, e as olheiras e falta de vitalidade estavam começando a se tornar mais visíveis, e a explicação para tal começava a se tornar mais clara.

— Pode beber o meu, se quiser. — Baekhyun deixou a sacola de lado, sentindo um pouco de vergonha pelo que havia dito.

Os pesadelos e medos que sua mente criava o tempo todo deixavam-no incerto daquele momento, porém a realidade mostrava um Chanyeol muito diferente daquilo. E já era a segunda vez que era salvo por ele. Aquilo sim era o mínimo que poderia fazer pelo maior.

— O quê? Está louco ou não ouviu o que eu acabei de dizer? — Chanyeol desencostou-se da parede, achando aquilo uma ideia péssima, já que a fraqueza do corpo o fez cambalear um tanto para trás. Por sorte, Baekhyun pareceu não notar aquilo.

— Você não vai se tornar um monstro se parar, além disso, eu estou oferecendo, portanto, qual o problema? — Lentamente, o Byun arrastou-se para mais perto, tirando aos poucos o curativo que Chanyeol havia feito outrora.

Ainda estava meio dolorido o local, e o sangue lentamente começou a escorrer pela mordida, deixando Chanyeol ainda mais ébrio. Não conseguiria se aguentar daquela forma.

— Não! — O vampiro desencostou-se da parede em um ímpeto, olhando para Baekhyun com incerteza. Se ficasse mais um segundo sequer no mesmo cômodo do menor, certamente não resistiria, mas algo dentro de si também não queria se afastar, e estava cada vez mais difícil lutar contra sua natureza. — Eu não quero te machucar. 

— Tudo bem, eu irei refazer o curativo, então. — Baekhyun levantou-se, porém, ainda não havia se recuperado cem por cento de tudo o que havia acontecido anteriormente, acabando por cambalear e quase cair para trás.

Entretanto, antes que, de fato, isso acontecesse, Chanyeol correu para segurar Baekhyun por reflexo, puxando-o para mais perto de si. A aproximação e o machucado aberto, sangrando, foram o suficiente para que o Park não aguentasse mais, lambendo o sangue que escorria pelo pescoço do Byun. 

O menor entendeu o recado no mesmo instante, tombando a cabeça para o lado, deixando o pescoço à mostra para Chanyeol, que não tardou a mordê-lo. O futuro advogado gemeu lânguido, não se lembrava da sensação quando Hyojung fincou os dentes em si mais cedo, mas com o Park, era diferente.

E o oposto do que imaginou.

O corpo entrou em um estado de torpor, um formigamento gostoso, como se estivesse chegando a um orgasmo, passeou pelas extremidades do corpo, enquanto a mente tornava-se uma completa bagunça prazerosa e calma, como se o ninasse até um sono profundo. De fato, era bem divergente do que esperava, parecia mais agradável do que parecia.

Contudo, as sensações sumiram rápido demais, uma vez que Chanyeol se afastou subitamente de Baekhyun, indo parar do outro lado do cômodo, onde estava encostado antes, deixando o menor ainda desnorteado com as sensações que as presas haviam causado.

— Nunca mais… Nunca mais deixe eu fazer isso… — O Park abaixou a cabeça, limpando o sangue que escorria pela boca, seguindo rápido até uma outra porta, onde provavelmente era o banheiro.

O vampiro demorou minutos intermináveis na visão de Baekhyun, voltando calado, e  com uma expressão bem fechada, diferente de tudo que o Byun já havia visto antes. Estava arrependido, amargurado por ter cedido a tentação.

— Desculpa. — O menor balbuciou baixinho quando Chanyeol voltou, sentindo um leve remorso. — Não queria ter te forçado a nada.

— Não importa, faça o curativo. Quando amanhecer, vou te levar para casa. — Baekhyun arregalou os olhos com aquela resposta tão seca, tão incomum vinda do maior. Ele parecia tão chateado.

— Tudo bem. — O menor seguiu para a porta de onde Chanyeol havia saído alguns instantes atrás, encontrando um banheiro minúsculo e tão escuro quanto o resto da casa. Fez um curativo rápido, limpando o sangue e colocando a gaze por cima da mordida, vendo a marca grande e feia que tanto Hyojung quanto o Park haviam feito em si.

Mas, uma delas não lhe causava repúdio.

Quando voltou ao cômodo principal, deu-se conta de que Chanyeol já não estava mais lá, porém havia deixado um bilhete em cima da mesa dizendo que voltaria uma hora ou outra, e que era para ele voltar a dormir.

E assim Baekhyun o fez, pegando o celular, mandando uma mensagem de desculpas para Joohyun e Junmyeon antes de voltar para a cama onde havia acordado, tentando dormir, mesmo com todo aquele peso de arrependimento no coração.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, vejo vocês na próxima semana!

Não xinguem a Hyojung, vocês não a conhecem, não sabem o passado dela!


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