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História Monster - Capítulo 4


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Capítulo 4 - War for peace


Fanfic / Fanfiction Monster - Capítulo 4 - War for peace

Seul, Coréia Unificada

Maio de 2020

A marcha para Seul seria uma última tentativa pacífica dos rebeldes contra a ocupação japonesa.
Milhares de pessoas contrárias à usurpação de seu território pelos vizinhos tomaram as ruas naquele 3 de Maio. Todas as bases rebeldes, espalhadas por toda a península coreana, caminharam até Seul agregando ainda mais aliados durante todo o percurso. Lado a lado, indivíduos de todas as idades cravavam seus nomes na história. A maioria deles já detinha o título de “perigosos e procurados” pelos militares inimigos, outros orgulhosamente reivindicariam um título igual para chamar de seu.

Naquele dia o primeiro-ministro japonês, junto ao governador-geral designado para a Coréia, anunciaria o tratado – injusto, desigual e criminoso – que poderia tornar a Coréia um Protetorado. O objetivo dos que eram contra era impedir o anúncio, fazê-los recuar diante da pressão das ruas e, principalmente, atrair a atenção internacional para um crime contra os direitos humanos e contra a soberania de um povo.

Tomando todo o centro de Seul em protesto, eles desejavam que não fosse necessário pegar em armas.
De braços dados, caminhando em direção ao cerco policial já preparado e que tentaria os impedir de chegar aos arredores do prédio onde o governo japonês se instalara, Jo, Sehun, Alli, Baekhyun e Chanyeol tomavam a frente da marcha. 
Xiumin, Kyungsoo e tantos outros ficaram nas bases e nos arredores por retaguarda. Caso o confronto direto não pudesse ser evitado, não poderiam arriscar tantas baixas.

À frente deles estavam policiais equipados com capacetes, escudos e armas não letais. Eram tantos que pareciam um holograma multiplicador. Contra seus cassetetes, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, os rebeldes tinham bombas caseiras e coquetéis molotovs. O suficiente para fazer um estrago e mostrar a eles que não estavam brincando.

– A qualquer sinal de ataque, detonem as bombas. _Jo ordenou pelo comunicador, se referindo aos explosivos plantados nos dois carros nas laterais da avenida, que seriam responsáveis por lhes dar tempo e distrair a atenção dos policiais.

– Quando eles começarem a atirar _Chanyeol fez uma pausa dramática – Porque eles vão, lembrem-se dos treinamentos e dispersem, mas mantenham-se em grupos pequenos.

Assim que a primeira fileira de policiais se aproximou, eles souberam que a ordem de ataque havia chegado e que o governo japonês tentaria os sufocar o mais rápido possível. Baekhyun subiu a máscara até o topo do nariz e ao seu lado Alli puxou o capuz do casaco e preparou a máscara de gás.

Era chegada a hora.

A primeira bomba veio de um policial do fundo da formação e liberou a fumaça bem em frente à fileira onde a multidão começava. No segundo seguinte, o som forte dos explosivos nos carros soou, iluminando a avenida com o fogo alto. A partir de então os ataques vieram um atrás do outro, obrigando os rebeldes a dispersarem pela avenida, protegendo-se das balas de borracha e da fumaça sufocante.

Alli abriu a mochila e distribuiu molotov entre aqueles que estavam ao seu redor. Baekhyun acendeu o primeiro e lhe deu em suas mãos.

– Faça as honras. _Seu sorriso mínimo fez o coração de Alli, já acelerado, dar um solavanco.

Com um impulso, ela arremessou a garrafa bem no interior da formação de policiais e o estrondo da explosão os obrigou a dispersar um pouco, dando a Jo a oportunidade perfeita de arremessar mais um imediatamente, tendo ainda mais efeito sobre a organização deles. As duas amigas trocaram um olhar breve antes de correrem para trás dos carros e se protegerem das balas.
No tumulto uma garota foi atingida bem no meio das costas e o impacto a derrubou no asfalto. Alli imediatamente a levantou enquanto Baekhyun ficava à frente delas.

– Onde está seu grupo? _A jovem, assustada, apontou para pessoas que corriam para a rua lateral – Alcance eles e se mantenha segura. Procurem nossos abrigamentos. Vá!

A garota correu o mais rápido que pôde e Alli só desviou seu olhar quando ela alcançou os amigos. Naquele momento, Baekhyun foi atingido no braço.

– Desgraçados!

O impacto da bala queimou em seu ombro esquerdo, mas a adrenalina tão alta não lhe deixou dar atenção para a dor. O rapaz agilmente pegou mais uma garrafa explosiva da mochila da namorada e, acendendo, arremessou-a com fúria.

Com a dispersão dos rebeldes ao longo da avenida e para as ruas laterais e transversais, os policiais também dispersaram, mantendo-se em duplas e atacando os mais retardatários, enchendo seus camburões com os que conseguiam imobilizar e prender. O cenário era assustador. Para onde se olhava era possível ver pessoas correndo, em luta com os policiais, alguns sendo fortemente agredidos com cassetetes e outros revidando os golpes como podiam.

– Atrás de vocês! _Chanyeol gritou enquanto corria na direção contrária de Alli e Baekhyun, policiais vinham pela esquina onde eles estavam.

Em um rápido reflexo, Alli conseguiu chutar a mão do que estava com spray de pimenta, dando a Baekhyun a oportunidade de chutar seu escudo e derrubá-lo. Com um golpe na costela, ele o imobilizou e tomou posse de seu armamento, enquanto Alli fazia o mesmo com o outro que viera com ele.
O grande problema era que quanto mais eles os despistavam e os derrubavam, mais apareciam. Estavam em um número maior e com muito mais tempo de treinamento. Os rebeldes precisavam pensar rápido e agir com cautela para proteger o máximo de aliados possível.

– Pelotão de no mínimo cinquenta policiais vindo pelo sul. _A voz de Sehun soou ofegante pelo transmissor, fazendo Jo bufar enquanto socava um policial que quase lhe alcançara.

– Vamos dispersar o máximo que conseguirmos. Protejam-se e procurem nossos abrigamentos agora! _Jo deu a ordem, recebendo um olhar de conforto de Chanyeol.

– Caso alguém seja capturado _A voz do outro comandante foi ouvida logo em seguida – Deixem a pista que puderem para que possamos saber onde os encontrar. Vemos vocês depois.

Desligando o comunicador, Chanyeol se virou para Jo e a beijou. Quando se separaram ela o olhou confusa, mas foi impedida de falar qualquer coisa.

- Caso eu não volte, preciso que saiba que o seu sorriso é a única coisa que me dá forças para continuar. Eu te amo. _Ele disse e saiu correndo na direção contrária à dela.

- Preciso que volte.. _Jo sussurrou antes de se virar e seguir seu caminho.

Do outro lado da rua, Baekhyun e Alli olharam uma última vez para Jo e Chanyeol antes de correrem em direção ao norte. Precisavam correr por dois quarteirões à frente e mais quatro à direita para encontrarem o abrigamento mais próximo, na casa de uma aposentada que acolheria os rebeldes até as ruas estarem mais calmas. Todos os abrigamentos eram voluntários de civis coreanos que, mesmo que não estivessem nas ruas para o enfrentamento direto com os japoneses, ajudavam como podiam aqueles que lutavam de corpo inteiro.

A fumaça tomava conta das ruas e tornava ainda mais complicada a auto localização, fazendo com que o casal se perdesse na correria por alguns segundos até encontrarem novamente a direção correta. Apesar disso, Baekhyun não soltava a mão de Alli, tinha ela firme na sua durante todo o percurso, porque ele jurara para si mesmo que ele não a deixaria ser capturada de novo, nem que para isso ele precisasse se deixar ser levado.

– Corram! _Sehun, que estava os esperando na esquina que deveriam cruzar, gritou – O pelotão maior está quase alcançando a avenida.

Alli ofegou ao ser atingida por duas balas de borracha nas costas, o que fez Baekhyun se alarmar e virar para a direção dos tiros, disparando com a arma que pegara do policial que havia conseguido derrubar.

– Baekhyun, não pare! _Alli o repreendeu, uns passos à frente.

– Continue a correr, Alli! Alcance o Sehun e eu já alcanço vocês!

Um grupo de cinco policiais vinha os perseguindo e por mais que Baekhyun tivesse conseguido retardar o avanço de dois deles, os outros três, munidos de escudos, estavam quase o alcançando, o que fez um desespero sem igual percorrer o corpo de Alli.

– Baekhyun, porra! Vem logo!

– Alli, não vai dar tempo! _Sehun voltou a gritar – Se ficarmos aqui eles nos alcançarão também!

Foi como se ela não tivesse o escutado, no entanto. Seus olhos não deixavam a figura de seu grande amor, que dava tímidos passos para trás enquanto atirava precisamente nas pernas dos policiais, tentando derrubá-los. Nunca quis tanto que Baekhyun estivesse empunhando uma arma letal.

– Baekhyun! _Seu grito já era choroso e fez com que o homem virasse a cabeça para trás.

– Continue, Alli! _Ele pediu aos gritos – Eu alcanço vocês, meu amor!

Ela sabia que ele não alcançaria. – Baekhyun, não faz isso!

Ela já chorava e não se movia, o que fez com que Baekhyun desviasse seu olhar para Sehun, que imediatamente correu até ela.

– Alli, vamos! _O amigo segurou firmemente em seus ombros, puxando-a para voltar a andar – Baekhyun tem o localizador. Se ele não nos alcançar, nós o encontraremos.

Ainda que não estivesse totalmente convencida a deixá-lo, Alli se deixou ser puxada pelo amigo para a rua que cortava a avenida, tendo como última visão Baekhyun sendo atingido por um cassetete bem na cabeça. Seu grito de desespero foi ouvido por ele, mas apesar da dor, ele estava aliviado por ela estar fugindo.

Após alguns minutos correndo sem realmente prestar atenção no caminho, Alli olhou ao redor e percebeu que eles estavam na direção errada.

– Sehun _Ela chamou, apertando o braço do amigo – Esse não é o caminho para o abrigamento. Estamos indo para outro?

Já estavam longe do tumulto maior e naquele pedaço do centro as ruas já estavam mais tranquilas, apesar de ainda ser possível ouvir o barulho de bombas.

– Estamos indo para outro. _Ele respondeu sem dar maiores detalhes, mas logo pararam em frente a uma casa luxuosa, com um portão automático imponente.
Alli se assustou quando ele usou um controle eletrônico para liberar a abertura.

– Lembra de nosso novo fornecedor? _Apesar do rosto machucado e coberto de fuligem, ele sorriu – Ele também é um abrigador.

Sem esperar sua resposta, Sehun passou pelo interior da casa, levando-a junto. Com um sobressalto, Alli percebeu o furgão idêntico ao usado pelos policiais japoneses, mas o amigo permanecia tranquilo ao seu lado, o que fez com que ela lhe lançasse mais um de seus olhares questionadores.

– É como vamos sair daqui, mas antes _Ele segurou em suas mãos trêmulas pela adrenalina – Vamos atrás de Baekhyun .

Alli iria perguntar como, mas a porta da casa foi aberta e relevou um homem vestido exatamente como os policiais japoneses. O uniforme preto, o protetor torácico e o capacete em mãos. Seu rosto não tinha nada de familiar para a mulher, mas ela reconhecia o mesmo fervor em seus olhos. Era o mesmo que ela via quando se olhava no espelho e era o mesmo que via nos olhos de todos os seus amigos e companheiros combatentes. Com alivio, ela concluiu que era um dos seus.

– Precisamos resgatar Baekhyun antes de irmos. Ele foi capturado. _Sehun se dirigiu ao homem sem sequer cumprimentá-lo, o que confirmou para Alli que eles se conheciam de antes e que mantinham certa intimidade.

– Têm outros uniformes no carro _Ele jogou a chave para Sehun, que habilmente a pegou no ar – Vistam-se o mais rápido que puderem.

Sehun assentiu e Alli fez o mesmo, livrando-se da mochila e do casaco enquanto o primeiro abria as portas traseiras do veículo.

– A propósito, Alli _O amigo chamou sua atenção enquanto lhe esticava os braços com o uniforme em mãos – Este é Lay.

– Ao seu dispor. _Lay sorriu, se aproximando.

Sob socos e empurrões, Baekhyun foi conduzido para dentro do carro onde outros rebeldes já estavam detidos. Seu comunicador estava destruído, mas o localizador estava intacto em sua bota e ele esperava que fosse o suficiente para que os amigos o encontrassem ou que pudessem resgatá-lo em breve.

Foi colocado sentado de frente e ao lado de outras pessoas, todas muito machucadas, e seu primeiro pensamento ao sentar-se foi em Alli. As algemas apertavam seus pulsos e suas costelas doíam pelos golpes recebidos, mas ele ao menos podia ficar aliviado por não ser ela ali. Desejava com todo o seu coração que ela e Sehun tivessem conseguido se abrigar a tempo e que estivessem a salvo até que fosse possível voltar à base.

Olhando ao redor podia ver muitas outras pessoas serem organizadas nos carros e serem algemadas também, sempre com muita truculência. A raiva tremia em seus dedos e não o deixava relaxar os ombros, tensos e pesados. Em uma contabilidade rasteira e superficial, podia ver que tinham muitas baixas e que todas as bases teriam de se reorganizar dali para frente. Caso o governo japonês não recuasse, o confronto letal seria inevitável.

Arrumou a postura assim que dois policiais chegaram, puxando a mulher que estava ao seu lado para fora. Os dois indicaram com a cabeça para o carro à frente, idêntico ao que estavam, e todos os detidos caminharam até lá sob empurrões. Depois de todos devidamente sentados, as portas foram fechadas e o veículo entrou em movimento em direção ao nordeste de Seul.

Imaginava que seriam levados para a base militar na capital mesmo, mas quando atravessaram a ponte em direção a Gangwon, ele começou a estranhar. Com um arrepio em sua nuca, ele temeu que estivessem sendo levados para alguma nova e secreta base japonesa onde seriam interrogados longe da pressão da imprensa internacional e onde poderiam muito facilmente ser torturados para delatarem seus companheiros e seus planos futuros.

Foi inevitável voltar a pensar em Alli e em seus amigos e desejar que fosse o único deles a ter sido capturado.
Baekhyun não percebeu seus cochilos ao longo do caminho. Como estava há muito tempo na estrada, seu estado de alerta foi dando lugar a sua exaustão extrema. O sacolejar do carro, no entanto, o despertou por completo.

– Estamos em alguma estrada de terra em Gangwon. _Um dos detidos anunciou, forçando a vista pelo vidro escurecido do carro.

A pouca iluminação indicava que estavam em alguma área rural, mas o rapaz não conseguia dizer qual cidade. Baekhyun só desejava que fosse longe de sua base e que os japoneses não estivessem a descoberto.

– Os comandantes da base em Sejong não tinham conhecimento de expansão japonesa nessa área. _Uma das mulheres cochichou, intrigada.

– Nenhum de nós tinha. _Outro respondeu, ainda tentando enxergar algo pelo vidro.

– Acham que é alguma base secreta?

– Vamos ter que esperar para ver.

Quando o silêncio voltou a se instalar entre eles, o carro não demorou a parar de se movimentar. Apreensivos, todos aguardaram o momento em que a porta traseira seria aberta e então saberiam onde estavam e qual seria o destino que lhes aguardava. Uma base japonesa tão longe da capital não poderia significar nada de bom. Quanto mais eles pudessem esconder os horrores que cometiam, mais liberdades teriam. Todos os detidos tinham razão em ficarem apreensivos.

– Só lembrem-se _Baekhyun tomou a palavra, forçando-se a falar mais firmemente, apesar da voz trêmula – Nosso silêncio é o que vai permitir que nossos amigos avancem na luta.

Enquanto todos assentiam, as portas traseiras do furgão foram abertas, revelando uma área de mata por entre as montanhas de Gangwon. Baekhyun sentiu o estômago despencar ao reconhecer o lugar.

Pronto para o pior, ele viu o policial da frente retirar o capacete, revelando os cabelos lisos e a franja comprida. Seu maior susto foi reconhecer os traços coreanos e não japoneses quando ele levantou o rosto. Os olhos apertados acima das bochechas altas e brilhosas pelo suor.
 
Era só o que lhe faltava. Coreanos servindo ao exército inimigo.

Todo o cenário mudou, no entanto, quando dois outros policiais que estavam atrás também retiraram seus capacetes.

Baekhyun arfou em surpresa, porque ele sabia quem era antes mesmo que ela revelasse seu rosto. Reconheceria seus cabelos mesmo em uma multidão. Eram eles, Alli e Sehun.

Seus olhos sorriram para ele antes que qualquer coisa fosse falada e ele os viu brilharem sob a lua alta da madrugada. Sua Alli. Sua mais brava combatente. Sua salvadora.

– Bem vindos à base rebelde 1G20. Espero que estejam prontos para lutar.



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