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História Monster - Capítulo 1


Escrita por: santonix

Notas do Autor


ainda chorando com esse capítulo :,,) puta merda odeio angst KSJDJHFJSKJHDHFHA mas enfim, espero que vcs gostem pq nossa eu não sei nem mexer nesse site to perdido dms e SOU UM INSEGURO DO CRLH por isso precisei de muito incentivo AAAAAAAAAAA

mas eu gostei muito da ideia de escrever os últimos momentos do Dazai, tava pensando em tbm colocar o que ele fez nesse dia (foi passear todo feliz com o atsushi e a agência kk) mas achei melhor ser so dor mesmo KSKSKSKSKSKSKS

queria tbm escrever um segundo capítulo mostrando a reação dos membros da agência e da máfia com a morte dele, mas real fiquei inseguro quanto a isso então deixei como capítulo único mesmo masss aaaaaaaaa se quiserem isso acharem legal sla podem me falar que eu escrevo :))

leiam com carinho e venham sofrer cmg nos coments <33

Capítulo 1 - Lúgubre Cortejo


Então, será que irei para o inferno?

Murmurei, logo então dando uma risada baixa. Claro, era óbvio que alguém como eu seria condenado ao inferno. Na verdade, sempre achei que todas as pessoas seriam mandadas para aquele fogo eterno uma hora ou outra. Não havia exceção alguma, não havia escapatória. Humanos são naturalmente seres repugnantes, a desumanidade está em sua natureza.

Porém, eu não sou humano.

Nunca fui.

Sou algo ainda pior.

Monstro. Demônio. Criatura Abominável.

Estes seriam os adjetivos mais cabíveis para alguém como eu, um Monstro sem coração; um Demônio repleto de perversidade; uma Criatura Abominável que apenas machuca tudo e todos.

Aliás, sempre me perguntei o porquê daquela mulher ter me trazido ao mundo. Ela sabia, claro que sabia. Era possível sentir seu desespero quando falava da criança que se formava em seu ventre. Nunca pretendeu ter aquele bebê maldito. Tentou até mesmo dar um fim em sua vida apenas para fugir daquela responsabilidade. Porém, nada funcionou. Claro que não, aquela vagabunda nunca tentou o bastante.

Tudo teria sido tão mais fácil se ela tivesse simplesmente se jogado daquela janela do 4º andar, se tivesse ao menos vontade de me matar. Bem, talvez ela tenha percebido que estaria sendo gentil demais poupando meu sofrimento. Talvez aquela prostituta alcóolatra tenha enfim se tocado que eu precisava viver para então ser punido, eu precisava viver naquele apartamento sujo e ser submetido àquelas condições precárias. Eu precisava sofrer.

Dei uma risada ainda mais alta com essa memória.

A brisa estava realmente refrescante naquela ponte, eu poderia até mesmo crer que o vento levava todas as minhas impurezas. Além de tudo, a vista era simplesmente fantástica. Mesmo com o horizonte coberto pela neblina, ainda era possível ver as fortes luzes de Yokohama bem ao longe. Ainda assim, aquela não era minha vista favorita.

O rio,

Tão escuro e profundo.

Parecia me chamar conforme passavam os segundos.

Poderia ser minha nova memória favorita. Uma pena que seja realmente impossível superar aquela.

A banheira transbordando, a cor carmesim preenchendo minha visão. Seu corpo estava completamente despido e mutilado na região do pulso. Eu consigo até mesmo sentir aquele sangue jorrando com tanto vigor. É uma cena grotesca de se imaginar, corpos humanos são inteiramente nojentos e me davam ânsia. Ainda assim, como um bom menino, fui até sua carne sem vida e a cobri com uma toalha de mesa. Não queria ver aquilo enquanto escovava os dentes, era horripilante.

Ainda assim, deixei seus olhos a mostra. Ela possuía um olhar vazio, imerso na profunda escuridão. Talvez estivesse vivendo toda aquela vida horrível novamente, talvez tenha enfim se arrependido de todo mal que me fizera passar – algo que eu duvido completamente. Era bem provável que estivesse apenas se lamentando por não ter sido capaz de se casar com um homem rico.

Sempre achei isso uma ideia impossível, apenas um sonho distante falado aos tropeços por uma bêbada maldita. Nunca a achei bonita, nunca achei nenhuma mulher bonita. Isto é, até aquele momento.

Ela completamente sem roupas, mutilada e sem vida em seu olhar. Ela nunca esteve tão bela. Uma pena que fui o único a apreciar aquele momento, uma pena ter sido o único homem a vê-la com a beleza da morte.

Minha memória mais encantadora.

Jamais será esquecida.

A levarei até o inferno comigo.

Depois daquilo, meu desejo pela morte se tornou ainda mais intenso. Não que eu já não quisesse morrer antes, bem longe disso. Eu queria morrer, eu sempre quis morrer. Cheguei até mesmo a pedir a Deus que me levasse de alguma forma. Porém, não importa quantas vezes eu tentasse, nunca consegui morrer.

Até mesmo a prostituta maldita tentava me matar. Quando bem pequeno, eu odiava toda aquela dor e muitas vezes me escondia por debaixo das cobertas. Não que isso a impedisse de me espancar, claro. Eu era fraco e tinha uma saúde debilitada, então sentia uma dor angustiante em cada surra. Porém, o tempo fez eu me acostumar. Ou então, eu apenas fugia e ia dormir em algum beco escuro. Ela nunca fez questão de me procurar.

Houve uma vez em que eu quase morri.

Lembro daquela noite com uma clareza impressionante, poderia vive-la quantas vezes quisesse. Era uma madrugada agourenta, assim como essa. A única diferença é que não era o calmo movimento do rio que invadia meus ouvidos. Eram vozes. Um momento caótico, se bem me lembro.

O homem bem sucedido, o homem que negara minha existência por toda sua vida. Claro, eu não poderia me dar ao luxo de destruir sua família perfeita. Imagina que desgosto horrível, ele abrir mão de sua esposa e filhos para viver ao lado de uma puta drogada e seu menino doente e imprestável. Ele não seria capaz disto, ainda mais quando fez o possível para sumir com aquela mulher. Agora, apenas dava uma pequena quantia – a qual ela gastava com drogas e bebidas – em troca dela permanecer em silêncio quanto a minha existência.

Eu nunca me importei, na verdade. O olhar que aquele homem dirigia a mim era ainda pior que toda surra que já levei a vida inteira. Ele parecia me culpar por algo, me culpar por ter nascido. Me olhava da mesma maneira que se olha para um inseto morto, um ninguém – e era assim que eu me sentia em sua presença.

Por isso, eu o odiava.

Não sei o que lhe ocorreu. Bem, não me importa agora. Espero apenas que aquele rato sujo tenha morrido de uma forma dolorosa. Tão dolorosa quanto aquela vez em que ele tentou me matar. E claro, não obteve sucesso. Uma pena.

Eu era bem pequeno e nunca havia experimentado uma droga tão forte. Aquilo me fez alucinar, eu enxergava um mundo vivo e feliz. Estava animado, batia com minha própria cabeça na parede sem nem me importar com a dor. Em toda a minha vida, acho que nunca estive tão feliz.

Porém, os efeitos colaterais eram insuportáveis. Fiquei longos dias sem conseguir me mexer e sentindo dores horríveis, enquanto permanecia deitado naquele chão sujo. A prostituta chutava meu corpo inerte algumas vezes e ria bem alto. Foram dias de tortura, enquanto estava sob o efeito da droga nunca me senti tão cheio de vida, mas logo depois me senti praticamente morto. Levei muito tempo para me recuperar e enfrentei tudo sozinho.

Eu sempre estive sozinho. Sempre.

Até mesmo na morte.

O suicídio sangrento da vagabunda que me criou me fez desejar algo diferente. Eu queria uma morte indolor e queria estar acompanhado. De preferência, uma bela mulher. Mas nunca pensei realmente se desejava mesmo algo assim. No fim, de certa forma, todo aquele planejamento não resultou em nada. Estou aqui, prestes a pular. Completamente sozinho.

No fundo eu sempre soube que resultaria em algo assim. Na verdade, eu acho até que foi o melhor. Precisava realmente de um momento comigo mesmo, precisava rever tudo de mais sombrio em minha alma. E não, não estou aqui para me arrepender. Até porque, eu não errei em momento algum.

Errar é humano.

Eu nunca fui humano.

Os eventos posteriores não são tão claros quanto os anteriores. Porém, lembro muito bem de tudo o que ocorreu. Fiquei nas ruas por alguns dias, apenas esperando acabar morrendo de fome. Não me importava dormir ou passar frio, eu ainda estava entorpecido. Esperava a morte enfim me buscar, mas quando fui encontrado naquele beco sombrio e levado para um lugar ainda pior, comecei a perder as esperanças de que um dia poderia morrer. Pensei até mesmo que a morte talvez me odiasse.

Porém, o homem que me tirou das ruas não era muito menos sombrio que a morte. O médico da tão aclamada Máfia do Porto. Nunca pensei que conheceria alguém com o mesmo odor nojento que o meu, alguém com uma sede por sangue perceptível até mesmo no olhar. Eu o odiava. Odiava todos daquela organização patética. Permaneci lá por longos anos e nunca me importei realmente com aquele trabalho sujo, apenas completava os serviços sem sentir absolutamente nada.

Não tive empatia nenhuma com o pirralho que se encontrava na mesma situação que eu já vivenciei, o torturei sem piedade alguma e se me pedissem faria novamente. Assim como eu, ele era um monstro. Olhar para aquele corpo magro e rosto sofrido me irritava profundamente. Comecei a gostar de vê-lo sofrer, enquanto o socava sentia que estava machucando a mim mesmo. Deus, isso era tão bom.

Não só ele, havia um irritadiço de chapéu horroroso. Toda aquela autoconfiança e seu jeito excêntrico me faziam borbulhar de raiva. Ele era tudo o que eu queria ter sido. Ele era humano, mesmo fazendo todo aquele trabalho sangrento da Máfia, se importava com aqueles ao seu redor. Conseguia sentir, conseguia realmente gostar das pessoas. Além disso, sempre foi melhor que eu em tudo. E por isso eu o odeio. Odeio aquele esnobe mais que tudo no mundo. O odeio por não ter se tornado o monstro que eu me tornei.

E claro, havia também meu companheiro de bar.

O mais próximo de um amigo que eu já tive, um homem que amava órfãos e sonhava em ser escritor. Um sonho nunca alcançado, pois a morte lhe buscou cedo demais. No início, fiquei revoltado. A vida não fora justa com ele, a morte tampouco. Porém, agora penso que isso ocorreu por alguma causa. Talvez, sua morte tivesse vindo como uma libertação desse mundo cruel. Quero que ele esteja bem e espero que tenha enfim se tornado escritor.

Que patético, estou sendo esperançoso momentos antes do meu suicídio.

Isso não está certo.

Melhor dizendo, nada nunca esteve certo. Como eu pensei que, ao sair da Máfia, iria enfim mudar de uma hora pra outra? Não faz sentido. Um monstro como eu não pode ser mudado. Se eu tivesse apenas aceitado todo esse pântano sombrio que há dentro de mim, se eu apenas não tivesse me agarrado à esperança, talvez... talvez menos pessoas tivessem se machucado nesse processo. E agora, estou mais uma vez machucando todos aqueles que estupidamente ainda acreditam em mim. Pessoas que acreditam que um monstro sem alma pode mudar seu caminho, pessoas que se agarraram à esperança de me verem bem.

Aquela maldita Agência.

Agora vejo, eu nunca a pertenci.

Lá não vivem monstros como eu.

E agora, só me resta a angústia. Esse vazio em meu peito que parece devorar cada parte do meu corpo, que me tortura aos poucos. Angústia, nada de esperança. Apenas angústia.

Não queria mais sentir. Não queria mais lembrar. Não queria absolutamente nada, ainda mais quando tudo naquele momento estava me machucando. Monstros não se machucam, monstros não sentem, monstros não choram.

Apenas humanos choram, Osamu Dazai.

Meu corpo já estava apoiado na beirada, eu precisava apenas me soltar e deixar que a aquela água fria envolvesse meu corpo num abraço sufocante. Não aguentava mais esperar, precisava acabar com tudo de uma vez por todas. Precisava morrer.

E então, eu soltei.

Me deixei cair.

Antes de fechar os olhos e me encontrar com a morte, consegui vislumbrar o brilho da lua por uma última vez. Estava tão bela e cheia de vida, exatamente como ele. O ser mais humano e puro que já tive o acaso de conhecer. Ele não me via como um monstro, ele nunca conheceu a escuridão que havia em mim.

Fechei os olhos.

Caí na escuridão.

Escuridão.

Eu nunca poderia imaginar que a morte seria tão gentil.

A morte me acolheu de braços abertos. Não havia dor.

A morte me enxergava como um humano.


Notas Finais


isso foi mais um hc do passado do Dazai, algo bem sofrido como vcs viram *cries*
bemmm minha escrita é meio bleh mas espero que quem leu tenha gostado :))


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