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História Monster cleaner. - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Noite vermelha: Parte 4.


Aqueles três estão com olheiras terríveis, tremem e choram como se tivessem visto um massacre diante de seus olhos. Eu não sou nenhum tipo de herói, mas não conseguiria dormir bem à noite se deixasse eles ali. Eu enfaixo minha perna com um selo de cura e me aproximo.

 

“Deixa eu ver se lembro, Simon, Arthur e Jimmy.”

Eu aponto para cada um deles. Eles acenam vagarosamente.

“Seus pirralhos, o que estão fazendo aqui!?”(Ergen).

Repreendo.

 

“Shhhhhhh, p-p-por f-fav...”(Simon).

 

Ele mal consegue falar, está em choque. Presumo que algo terrível deve ter rolado com eles… Não os culpo, passar tanto tempo preso em um lugar desses, cercados de criaturas horrendas, não deve fazer muito bem para sua sanidade. Com a idade deles, se eu encontrasse um daqueles violadores, certamente desmaiaria na hora.

 

“Não se preocupem, estamos no mesmo barco. O que podemos fazer agora é aguardar reforços.”(Ergen).

Eu me agacho e começo a mexer no meu rádio. Essa porcaria começou a travar depois que a banshee nos derrubou.

 

“S-s-silêncio… e-e-ele vai nos ouvir.”(Simon).

Ele luta para me informar algo enquanto soluça. Os outros dois estão em completo silêncio, mas seus olhos estão tão avermelhados quanto.

 

Com certeza tem algum monstro aqui dentro com a gente, eles não diriam isso a toa. Acredito que esse deve ser o motivo pelo qual estão tão desesperados. Hmmm, talvez eu devesse checar o segundo andar(o bar parece ter três, pelo que vi por fora).

Eu olho para Simon e gesticulo com minha mão até minha boca, levando o dedo de um lado para o outro como se fechasse um zíper. Assim ele entenderá que farei silêncio.

Que bela merda, eu não tenho capacidade de combate nenhuma, provavelmente se um duende aparecer aqui daria uma boa luta. Esses malditos são fracos mas jogam sujo, muito semelhantes a mim. Aliás, tomara que seja disso pra menos…

 

Com muita cautela, caminho até os fundos da cozinha e abro a porta que leva para a escadaria. Nada, não tem ninguém aqui, está um breu. Ligo minha lanterna e continuo subindo a escada com ainda mais cuidado. No topo, sinto um cheiro terrível de sangue e podridão, argh, merda, isso tudo só me lembra o quanto eu detesto gente burra, maldita OCB.

Ao alcançar o segundo andar, abrindo a porta, vejo pela fresta uma enorme gárgula iluminada pela luz que entra pela janela. Ela está caminhando de dentro do banheiro para o corredor. PUTA QUE PARIU, eu saio da fresta rapidamente, meu coração acelerou demais. Preciso me acalmar… Eu inspiro e expiro calmamente. Retorno para o pequeno vão que criei ao abrir a porta e observo novamente. A gárgula ainda está lá, pisoteando o que parece ser o corpo de um idoso despedaçado. Esse monstro de pedra lembra um demônio, grandes chifres, corpo de homem, membros retorcidos com garras nos pés e mãos, sem falar na arcada dentária, que mais parece a de um tubarão.

Tá… Vamos ver se eu lembro, como se mata um desses mesmo? Ah, lembrei, eles são feitos de rocha pura e movidos por magia, então é só despedaçar eles hahahahahahahahhahahahah que simples! Estou fodido!

Eu fecho a porta e desço a escadaria, retornando para os pirralhos.

 

 

Droga, tudo que posso fazer agora é esperar que meu rádio volte a funcionar. Eu estou dando meu melhor para sincronizar ele outra vez, mas essa porcaria não colabora de jeito algum. Justo agora, argh… Eu odeio meu trabalho, talvez eu devesse considerar fazer outra coisa, procurar algum mercadinho, abandonar os estudos e usar essas horas que passo na escola para fazer um serviço complementar. Seria uma boa, não? Dois salários de 1400 poderiam dar conta de muitas despesas, só precisaria cortar algumas regalias, diminuir minha porção de comida e tudo mais. E vamos ser otimistas, minha mãe pode voltar a trabalhar a qualquer momento, nunca se sabe.

 

Eu encaro o rádio enquanto me perco em alguns bons pensamentos, eu o aperto com força por saber que nada disso vai acontecer.

De repente, meu rádio apita numa interferência extremamente alta, fazendo com que até mesmo meus tímpanos doessem. Contudo, ele agora está sincronizado novamente, glória!

 

“Por favor, limpador 79, Ergen, integrante do segundo pelotão, solicito reforços nas coordenadas do meu rádio, tem crianças comigo e uma gárgula está no segundo andar.”(Ergen).

 

Os rádios tem um localizador próprio, então não é difícil acharmos uns aos outros, o único problema é que o meu está pifando, caso contrário eu mesmo saberia se tem algum caçador pelas redondezas. E vamos lá, né? Caçadores são mais rápidos que tiros de metralhadora, não deve ser complicado chegar até aqui.

Agora… Preciso lidar com o meu maior problema: a merda da gárgula. Tenho certeza que ela sentiu meu rádio apitando. Mesmo que não possuam sentidos(elas são de pedra, duuh) gárgulas são sensitivas à alterações no ar(vibrações) e energias positivas/negativas. Quando estão perto o suficiente, podem identificar seres vivos facilmente.

 

“Vocês três, rápido, aquele monstro no segundo andar, com certeza está vindo para cá, fiquem debaixo da mesa da sala do bar, eu ficarei aqui na cozinha para tentar atrasá-la. Não vai demorar para que poderosos caçadores cheguem aqui.”(Ergen).

Não que eu possa fazer algo, mas eles não vão entrar em pânico tão facilmente se eu cuidar da linha de frente.

Eles levantam tremendo muito, me seguem até as mesas da parte da frente e eu entrego uma granada de espuma ácida para Simon.

 

“Se alguma coisa acontecer, apenas puxe o pino da granada e jogue com toda sua força, certo? Certifique-se de não ficar perto do alvo.”(Ergen).

“C-certo.”(Simon).

 

Antes que eu virasse as costas para ir até a cozinha, ele me chama.

 

“E-ei, moço. M-me desculpe por antes…”(Simon).

“Tanto faz, apenas foque em sobreviver. Podem me pagar em dobro depois.”(Ergen).

Parece que ele ainda lembra do meu rosto. Será que sou bonito assim?

 

 

Já posso ouvir os estralos de uma escadaria sendo destruída e paredes sendo perfuradas. Aquela gárgula está descendo tão levemente quanto um meteoro para cá. Eu rapidamente saco meu aspirador gravitacional e coloco na última potência de repulsão.

Assim que a porta é destruída e ela aparece diante dos meus olhos, eu avanço.

 

“Gyaaaah!!! Estátua filha da puta, rocha do caralho, volta pro seu corcunda, vai!”(Ergen).

 

Eu poderia facilmente fazer um carro médio rodopiar com a força do meu aspirador, mas tudo que aconteceu foi um amontoado de panelas voando para todo lado e aquela monstruosidade nem se importando. Ela agarra meu aspirador e me puxa, tentando me morder. Obviamente eu solto minha “arma” e me jogo para o lado. Granadas de espuma ácida não vão corroer ela, para quebrar rochas eu precisaria de um explosivo, mas como não faço parte do esquadrão de engenharia, não possuo nada disso. O que posso fazer aqui é ganhar tempo.

 

“Quer um pedacinho disso aqui? Vem pegar!”(Ergen).

Eu grito enquanto bato na minha bunda e vou para o outro lado da cozinha.

 

Ela joga meu aspirador para longe e avança contra mim. Eu desvio com uma cambalhota para o lado, mas minha perna foi pega por uma das garras. Um enorme corte se abre, jorra sangue o bastante para colorir a porta de um dos armários.

A gárgula segue se movendo, me agarra pela perna e me suspende de ponta cabeça em frente de seu rosto. Assim que ela abre sua grande boca, eu enfio uma granada de espuma ácida. Não é efetivo, mas ela começa a mastigar a espuma desesperadamente, sem saber o que ocorre. A explosão é forte o suficiente para que ela me largue e jogue para longe. Eu sou arrebatado para a sala, onde bato e derrubo pelo menos três mesas. Droga, nesse ritmo não vou aguentar mais nada, me sinto surrado.

Olhando para o canto, observo as três crianças tremerem cada vez mais ao verem sangue escorrer e colorir minha perna direita inteira. É, não é tão simples assim lutar contra algo feito de pedra.

 

Cambaleando, eu pego meu aspirador e o configuro para sugar com força total. Corro até a gárgula e enfio dentro de sua boca assim que ela tenta me morder. É efetivo, o aspirador está grudado em sua garganta agora, mas eu paguei um preço, assim que executei o movimento, a desgraçada agarrou meu tronco, está me esmagando e os ossos do meu ombro estão rangendo. Eu vou morrer assim? Para um monstro de baixo nível? Não que eu seja incrível e tudo mais…

Uma explosão nos separa, eu vou para um lado, a gárgula para outro. O que foi isso? Olho desnorteado para todas as direções e então entendo, Simon jogou a granada que lhe entreguei, mas o maldito se aproximou demais, foi pego na explosão e seu braço está sangrando. Droga, eu preciso tirar ele dali antes que o pior aconteça.

Quando me levanto, percebo algo, minha perna direita não se move, eu piso em falso e caio, batendo meu rosto contra o chão. Meus olhos se fecham no impacto e, de repente, ouço um som de algo se rasgando violentamente. Levanto-me novamente para ver, a gárgula segura uma perna com metade de uma bacia pendurada, enquanto Simon está com todos os seus intestinos soltos pelo chão… a criança foi separada em duas metades, meu intestino se revira, eu entro em choque.

Ainda agitada por causa do aspirador preso em sua boca, a gárgula começa a destruir tudo no bar, numa investida violenta e aleatória. Eu não posso fazer nada, estou com medo, meu corpo dói, não tenho energia, completamente paralisado.

Tão frágil, tão sensível… o corpo de uma criança simplesmente não aguenta um golpe direto dessa… dessa coisa… Simon foi despedaçado e a culpa é minha…? Provavelmente sim.

 

“Ei seu amontoado de rocha, mira em mim! Mira em mim seu lixo!”(Ergen).

Eu grito enfurecidamente contra ela.

Nada, ela continua quebrando tudo.

Antes que eu percebesse, lágrimas escorriam pelo meu rosto. Não posso fazer nada, nada senão gritar.

“Vamos, você não quer provar minha doce e suculenta carne? Hein!? Garanto que sou muito melhor do-”(Ergen).

 

Um golpe, um único movimento. A cabeça de Arthur é esmigalhada contra a parede. Jimmy começa a correr até a porta, mas ela está trancada por super-goma. Ele se desespera numa crise de gritos e choro, batendo com toda sua força e arranhando sua única passagem para fora dali.

A gárgula crava sua garra na barriga dele, muito sangue escorre, é uma cena desastrosa.

Eu caio de joelhos, encarando aquilo. Não é possível… merda, isso não é real, é só um pesadelo. Eu rio enquanto cada vez mais lágrimas escorrem pelas minhas bochechas.

Só então, com um grande estouro, a porta é destruída. Mais rápido do que meus olhos podiam acompanhar, a criança é tomada e a mão da gárgula evapora. Assim que a figura para, posso ver com mais clareza. Um garoto, parece ter a minha idade, um pouco menor do que eu. Cabelos loiros, olhos verdes e um semblante sério. Um caçador? Finalmente…

 

“Chama da cura, vinde e nos renove.”(Caçador).

Ele proclama enquanto coloca um selo de cura na barriga de Jimmy. A ferida estanca e seu ferimento desaparece.

 

Eu me levanto e, mesmo com a visão turva, posso ver, em sua mão… a marca… hah… hahahahaah… que piada de mau gosto. Aquele que me socorreu, ninguém mais do que o próprio campeão. Ah, como eu odeio a ironia do destino.

Eu aperto meu punho e caio no chão.

 

“Droga… eu odeio tudo isso.”(Ergen).



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