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História Monster cleaner. - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Noite vermelha: parte 5.


 

 

É realmente desafiador continuar de pé, preciso me manter de joelhos apenas para conseguir manter minha consciência funcionando. A sensação é a mesma de quando levei um coice de um minotauro que deveria estar morto.

 

“Você demorou, demorou demais...”(Ergen).

“Eu sei… sinto muito.”(Campeão).

“Pedir desculpas não vai transformar aquela mancha vermelha no chão em um garoto novamente.”(Ergen).

Eu aponto para o corpo de Simon.

 

Ele olha relutantemente para a cena, seu rosto franze uma expressão de tristeza e ele cerra os punhos.

Logo após seu pequeno luto, o campeão se vira enfurecidamente para a gárgula, atacando-a numa chuva desenfreada de golpes. Ela é reduzida a migalhas.

 

“Eu… eu realmente sinto muito *Snif* não era pra ser assim, nós estamos dando nosso melhor… mas mesmo com isso tudo, ainda acabamos permitindo-”(Campeão).

“Pare de chorar, não é hora pra isso. Devido à inadimplência desse circo de loucos chamado OCB, não podemos afirmar, com certeza, que não existam mais civis na área de batalha. O que podemos fazer é levar esse garoto até um lugar seguro.”(Ergen).

 

Irônico, estou tentando dar uma de durão contra algumas lágrimas, sendo que sequer pude me conter até então. Bem, não é como se eu pudesse ceder, agora, mais do que nunca, precisamos pensar racionalmente... Só por precaução, eu esfrego meus olhos com a manga do uniforme.

 

“Sua perna, ela está ferida. Precisamos cuidar disso para sair daqui.”(Campeão).

“Sim… eu também fui atacado por uma assombração do tipo fantasma, creio que saiba o procedimento.”(Ergen).

 

“Chama da cura, vinde e nos renove”(Campeão).

Ele recita enquanto coloca um selo de cura em minha perna.

“Consegue ficar de pé?”(Campeão).

“Isso é algum tipo de piada?”(Ergen).

“...”(Campeão).

“Eu te disse que fui atacado por uma assombração do tipo fantasma, ou seja: dano na alma. Não vai se recuperar com selos comuns.”(Ergen).

“Ah, sim, c-claro.”(Campeão).

 

Não é possível, como pode o suposto representante da humanidade cometer uma gafe dessas? Ele esqueceu de algo simples? Seria cômico se não fosse tão triste.

 

“Se você não curar, vou perder essa perna em pouco menos de 24h. Tenho certeza de que tem algum selo de alma aí com você.”(Ergen).

“O resto do esquadrão está chegando, eles vão te fornecer um selo apropriado. Posso te carregar para fora daqui por hora.”(Campeão).

“Se esse é o caso, então vamos esperar os outros caçadores, é melhor garantir que teremos escolta.”

Eu ignoro o despreparo do campeão.

 

Jimmy acabou por desmaiar pelo choque, mas provavelmente ficará bem, esses selos são inacreditavelmente bons. Com o campeão por aqui, acredito que não seremos alvejados novamente por nenhuma criatura assim tão cedo. Além disso, sem a porcaria do selo para alma, não vou conseguir andar muito e esse idiota iria ter que carregar duas pessoas. A decisão mais sábia é aguardar caçadores mais preparados, por hora.

“Ei, recolha o garoto do chão, ao menos ele ainda está vivo.”(Ergen).

“Quantos… quantos morreram? Além dos garotos.”(Campeão).

“Há mais um cadáver no andar de cima, um idoso.”(Ergen).

“Argh...”(Campeão).

“Você sabe, não sabe?”(Ergen).

“O que?”(Campeão).

Ele pergunta um pouco assustado enquanto coloca Jimmy em seu colo.

“A culpa dessa merda toda. Todos vocês, inadimplentes, arrogantes, orgulhosos e sujos.”(Ergen).

“Limpador, eu entendo sua frustração mas...”(Campeão).

“NÃO ME CHAME DE LIMPADOR, EU TENHO UM NOME.”(Ergen).

Eu fico um pouco emocional, não consigo dizer exatamente por quê.

“E-e-e você seria?”(Campeão).

“Ergen, Ergen Ballister.”(Ergen).

Eu me acalmo, coloco as peças dentro da minha cabeça no lugar. O que eu queria fazer? Começar a vomitar culpa pra cima do cara que acabou de me salvar? Isso não faz sentido. Bem, não agora...

“Mark Blenth.”(Campeão).

“Mark Blenth, eu já ouvi esse nome antes, hmm… onde era mesmo? Ah, sim, você apareceu num livro, sabia? Ele só não mencionava sua idade e o quão inexperiente era.”(Ergen).

“Livro? Você leu o dicionário de caçadas?”(Mark).

“Sim, foram quase 2000 páginas de puro sono, eu diria que “a mão do cavaleiro” é um guia muito mais enxuto e rico.”(Ergen).

“A-Ah, sim, eu acho.”(Mark).

“Você gagueja demais para alguém do seu calibre. Está nervoso?”(Ergen).

Ele apenas olha para os lados, sem saber exatamente o que falar.

“Afinal de contas, você é mesmo o campeão? Isso na sua mão é uma tatuagem?”(Ergen).

“Eu sou! Eu acho...”(Mark).

“Eu acho? Ah… isso realmente não é algo que nenhum civil ou caçador gostaria de ouvir de você.”(Ergen).

Ele fica ainda mais constrangido.

“Inexperiente, sim, é isso. Você recebeu treinamento da OCB desde quando? A maioria dos caçadores que conheço iniciaram seus treinos com uma idade baixíssima.”(Ergen).

“Eu comecei na idade certa, mas as coisas não deram muito certo para mim. Sempre fui cobrado além da conta e não conseguia acompanhar muito bem. Talvez Deus tenha escolhido a pessoa errada.”(Mark).

“Deus? Você acha que é Deus que escolhe quem vai ser o campeão? Dahahahahaha. Uma pequena partícula insignificante que é um pouco mais forte que as outras partículas insignificantes. Você acha mesmo que esse suposto Deus iria escolher a dedo qual seria?”(Ergen).

“T-tem razão.”(Mark).

“Ei, não aceite o que eu falo tão facilmente, assim não tem graça. Agora há pouco você estava todo legal e dominante, o que houve?”(Ergen).

“Matar gárgulas é algo simples, não há nada de glorioso nisso.”(Mark).

“Ei, eu quase morri pra segurar uma.”(Ergen).

Então, tão repentinamente quanto uma jarra estourando no chão, destruindo o ambiente e jogando cacos de vidro para todos os cantos, meu estômago se revira. O simples fato de citar aquele maldito monstro, somados ao cheiro do sangue qual sei que é de uma criança, quebra totalmente o escudo moral que eu estava mantendo até então. Eu solto tudo o que estava segurando enquanto bancava o engraçado pra cima do campeão. Vomito muito e viro meu rosto contra o chão, meu nariz escorre e minha cabeça dói como se algo a atravessasse.

Não é fácil, a imagem das crianças sendo abertas não some da minha cabeça, continua lá, circulando e circulando, sem parar, me fazendo repensar tudo o que podia ter feito para que aquilo não ocorresse… se eu só conseguisse ganhar alguns segundos a mais… Argh, os segundos, os malditos segundos, a maldita lei de Murphy, tão perto da entrada heróica do campeão, kehehehehehe, realmente, se esse suposto Deus está fazendo algo, certamente não é se preocupar com o que partículas estão fazendo. Ou… será que é exatamente isso que ele faz?

 

“Amigo, você está bem!?”(Mark).

Ele grita enquanto tenta levantar minha cabeça.

“Eu estou bem, não precisa me tocar, segure esse garoto direito.”(Ergen).

Eu digo enquanto limpo parte do sangue que escorreu junto do vômito.

 

 

Através da grande fenda que fora aberta pela entrada do campeão, uma aura negra começa a se contorcer, escavando para fora do chão uma enorme silhueta quadrúpede. Não pude identificar a espécie exata, mas a podridão do cheiro lembra um homem torto.

 

“Ei, campeão, eu acho que é uma boa hora pra você mostrar sua arma divina.”(Ergen).

“Ah, sobre isso...”(Mark).

Antes que aquele monstro pudesse mover sequer um único metro em nossa direção, uma lança vem dos céus e crava contra o chão atravessando seu crânio e causando uma enorme onda de choque. Logo após, o lanceiro de aço cai sobre a ponta dessa lança, equilibrando-se com somente um pé.

 

“Mark, vamos logo, Lamakura quebrou o selo que colocamos nela, logo as assombrações passarão a aparecer tão intensamente quanto antes.”(Lanceiro de aço).

Ele pula de cima de sua arma. A lança gira sozinha e se direciona para a mão de seu dono.

“Lanceiro, temos baixas, duas crianças e um senhor de idade foram feridos durante um confronto com uma gárgula. O limpador Ergen pode te dar mais alguns detalhes.”(Mark).

“Podemos ver isso depois, precisamos de você para combater Lamakura o quanto antes.”(Lanceiro de aço).

“Depois? Corpos humanos vão ser deixados para depois!?”(Ergen).

Eu digo em tom áspero.

“Sim, da mesma maneira que tive de deixar meus homens ao chão enquanto tentava neutralizar um golias infernal que aquela vampira invocou.”(Lanceiro de aço).

Ele me encara com amargura, sabendo exatamente o que quis dizer com meu tom.

 

Golias infernais são as clássicas imagens do que se tem como senso comum de “Demônio”, pele vermelha, chifres curvados, cascos, rabo e garfo. Um fato macabro sobre esses monstros é que uma estranha melodia retorcida parece emanar de seus corpos.

 

“Ah, a perna dele, o Ergen se feriu enquanto fugia de alguns f-”(Mark).

Antes do campeão terminar sua fala, com um simples gesto de mão, o lanceiro cura minha perna. Foi como uma grande fisgada, somado a uma sensação de calor estranhamente confortável.

“Consegue levar os dois? Se acha que vai acabar se atrapalhando, eu posso carregar o limpador.”(Lanceiro de aço).

 

O que!???? Sem selos, sem recitação, simplesmente movendo sua mão esse desgraçado renovou um dano na alma? O quão monstruoso é um caçador de nível intermediário?

“Eu posso levá-los! Não precisa se preocupaaaaaAAAAAAHHHHH!!”(Mark).

Um enorme monstro feito de entranhas surge, ele sobe por trás do prédio de 8 andares que ficava logo em frente do bar no qual estávamos. Diria que alcança 50 metros facilmente. Além disso, aquelas entranhas se assemelham a pessoas chorando e se contorcendo, blergh, uma verdadeira visão do inferno.

“Mantenha a postura, campeão, não te ensinamos nada?”(Lanceiro de aço).

 

Mesmo que aquela aberração fosse anormalmente colossal, com um simples e rápido arremesso, o lanceiro abre um rombo de pelo menos 15 metros de diâmetro no centro de seu tronco. O impacto é tão poderoso que uma onda de choque explode as janelas de diversos estabelecimentos do local. Logo após, ainda mais rápido do que antes, sua lança retorna voando novamente para sua mão.

Simplesmente apavorante, tamanho poder chega a ser injusto.

 

Eu não tive escolha, simplesmente não poderia desacatar um caçador intermediário na situação em que estamos. O mais inteligente é permitir que me retirem logo daqui enquanto salvamos, ao menos, uma criança.

Segurando Jimmy em um braço e eu no outro, o campeão se desloca numa velocidade alucinante por cima dos prédios, saltando dezenas de metros cada vez em que pisa contra o chão. O lanceiro apenas permanece de pé em cima de sua lança, qual voa logo ao nosso lado.

“Erm… Lanceiro, o selo não foi o suficiente? Eu nunca antes tinha visto um tão poderoso quanto aquele.”(Mark).

“Pode me chamar de Ruvert. E sobre o selo, bem, você já viu algum vampiro tão poderoso quanto ela antes? Lamakura faz parte da mais pura linhagem deles, além de utilizar técnicas de feitiçaria do alto escalão.”(Lanceiro de aço).

“Deviam ter matado ela, selar foi estupidez.”(Ergen).

Eu interfiro, um pouco tonto por causa do extremo ritmo de transporte.

“Você deveria parar de falar coisas sobre as quais não conhece, limpador. Esse seu temperamento só vai te prejudicar.”(Lanceiro de aço).

“Qual é a dificuldade em entender que feiticeiros podem usar fantoche? Eu simplesmente não consigo aceitar isso. Vocês estão com o campeão, aquele que porta a arma divina mais poderosa existente, não existe imortalidade que conseguiria superá-la.”(Ergen).

“Ah...”(Mark).

“O campeão não pode utilizá-la.”(Lanceiro de aço).

“O que!?”(Ergen).

Eu grito, surpreso.

Isso não faz sentido, é como dizer que um policial não pode usar uma arma de fogo para conter assaltantes armados.

“Bem… é que eu… eu… não consigo levantar minha arma.”(Mark).

Ele fica com o rosto avermelhado, sem saber onde se esconder.

“Olha, isso está ficando cada vez mais confuso.”(Ergen).

“As armas dos campeões são diferentes de tudo o que conhecemos, cada um deles possuiu algo inédito. Agora, não diferente do que estamos acostumados, tivemos uma nova surpresa. Um martelo de guerra, em altura possui quase 1,80m mas pesa centenas de milhares de toneladas. Mesmo que possa ser um armamento perfeito para arrebatar monstros, o campeão ainda não consegue levantá-la.”(Lanceiro de aço).

“Ah, acho que entendi o que você quis dizer no bar, campeão, você veio com defeito de fábrica.”(Ergen).

Eu comento, ainda pasmo, colocando a mão sobre a testa.

“Além disso, quando um caçador que tenha força o suficiente para levantá-lo o utiliza, a arma perde todos os efeitos, tornando-se somente um pesado pedaço de metal.”(Lanceiro de aço).

“Bem, você pode invocar ela de cima de um prédio e usá-la para esmagar algum monstro.”(Ergen).

“Ei, boa ideia.”(Mark).

“Eu estou brincando, continua fútil.”(Ergen).

“Ah… certo.”(Mark).

“Céus, estamos condenados, nosso campeão é bugado.”(Ergen).

“Mais respeito, limpador, parece que a escola de limpeza da OCB não está ensinando nada sobre disciplina e hierarquia.”(Lanceiro de aço).

“Enfia essa disciplina na sua bunda, a gente vai morrer!”(Ergen).

Eu o retruco, percebendo o quão desesperadora era a situação.

“Terei uma conversa com seu superior após esse episódio.”(Lanceiro de aço).

“Isso, não esquece de me levar flores também.”(Ergen).

“V-você não vai morrer! Eu não vou deixar. C-como campeão eu fiz um juramento para nunca abandonar uma vida que esteja ao meu alcance!”(Mark).

“Péssima hora para tentar dizer algo legal, cara.”(Ergen).

 

 

“… Sinto… um cheiro delicioso… huhumm… ahahahaha.”

 

“Que merda foi e-”(Ergen).

 

Com uma explosão carmesim, somos arrebatados ao chão. Bato minha cabeça contra uma placa e caio num gramado próximo a uma enorme fonte, não pude localizar onde os outros dois foram parar.

 

“Por favor… outra vez não.”(Ergen).

Minha visão está turva e minha nuca sangra muito, ao ponto de escorrer para minhas costas, mas, mesmo assim, me levanto.

Quando tento dar o primeiro passo para frente, sinto mãos geladas agarrando meus ombros e algo lambendo lentamente minha nuca.

 

“Ah… foi uma boa vida.”(Ergen).

Eu digo, arregalando meus olhos.

 

 

 

 

 

 



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