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História Monster cleaner. - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Amiga de infância.


 

 

 

O despertador toca como se estivesse enfurecido comigo. Esse som rasgador de tímpanos é algo que me dá desgosto. Mas afinal de contas, quem é o maníaco insano que gosta do som do seu despertador?

Sento no canto da minha cama, coloco as mãos no rosto enquanto me apoio nos joelhos. A febre passou, me sinto relativamente melhor, minhas costelas não doem quase nada. Não tenho tempo para ficar fazendo uma autópsia, preciso levantar antes que essa cama tentadora me amarre outra vez no lençol.

Antes de qualquer coisa, vou rapidamente ao quarto de minha mãe checar se tudo está nos conformes. Ela está dormindo como uma pedra, ótimo.

Tomo um banho, organizo o quarto dos meus irmãos, limpo a casa, estendo a roupa, tiro o lixo, rego as plantas e troco as roupas de cama.

Por fim, inicio a última fase antes de sair de casa: cozinhar.

É um hábito meu, ligar a TV e ouvir o noticiário enquanto faço o almoço. Não é tanta comida, meus irmãos almoçam na escola e eu particularmente não como muito. Só preciso cuidar para não fazer nada que desagrade demais a minha mãe, caso contrário, ela vai sair para comer em algum bar aleatório.

 

“Na última noite, enquanto cuidavam da horda de monstros, os caçadores desempenharam um papel sublime! Mesmo monstros de nível 3 não tiveram chance alguma contra nossa heroína! Ela voltou, caros habitantes de Astro!”(Noticiário).

 

A deusa da espada causando histeria outra vez. Desde seus 13 anos de idade, teve seu nome renomado por aqui. Venceu caçadores mais velhos e experientes em treinamentos, foi capaz de manejar a espada “lendária” de Badhorium, utiliza o estilo assassino do seu clã como nenhum outro, matou um rei demônio com 14 anos de idade, derrotou um exército de gigantes sozinha(o que lhe rendeu seu título), fundou a instituição de caridade que acolhe os que acabam sendo prejudicados pelas hordas de monstros, fala mais de 11 línguas, representou nossa cidade junto de alguns comandantes nos conselhos mundiais de caçadores e ainda possui uma beleza invejável. É incrível como gênios são simplesmente inconfundíveis.

 

“Deusa! Deusa, você pretende ficar na cidade de Astro por quanto tempo!? Soube que retornou junto de seu pai dessa vez.”(noticiário).

Um repórter aborda a garota de cabelos loiros enquanto ela ajuda a recolher alguns destroços de concreto de sua última luta.

 

“Eu decidi ficar na cidade pelo tempo que for possível. Ajudar o mundo é um ato muito nobre, mas sinto que abandonar minha terra natal seria o oposto do que desejo.”(Deusa da espada).

“Então você vai voltar a viver em Astro?”(Repórter).

“Pode se dizer que sim, quero reviver algumas coisas por aqui.”(Deusa da espada).

Ela diz enquanto olha para longe.

* O público grita em êxtase. *

 

Lauren Lancaster, minha primeira paixão. Eu devia ter o que? 6 anos de idade? Por volta disso mesmo. Conheci essa garota há muitos anos, e antes de se tornar essa tão aclamada divindade, pude passar algum tempo com seu lado mais humano.

Eu me considerava invencível no tiro ao alvo com o estilingue. Lembro que a garotada da rua até mesmo se juntava pra tentar criar obstáculos para mim. Claro, nada absurdo, éramos crianças, mas desde garrafas, latinhas, brinquedos, balões e até passarinhos, nada escapava da minha mira.

Um dia, como qualquer outro, fui desafiado por alguns garotos que costumavam brincar comigo. A aposta era fácil, derrubar cinco latinhas mais rápido que minha oponente, a distância seria de 20 metros. Moleza, as crianças sequer tem força para arremessar uma pedra tão longe e ter precisão. Ou era o que eu pensava.

Aqueles cabelos loiros como o mais puro ouro, aquele perfume adocicado e vestes brancas. Uma derrota humilhante.

Mesmo que eu tentasse de novo e de novo, era impossível, essa garota não era humana! Como ela consegue derrubar essas malditas latinhas tão rápido? E ainda com as mãos nuas! É TÃO INJUSTO!

Desafiei ela por muito tempo, eu não queria saber de mais nada, treinei em casa de todas as maneiras, aperfeiçoei minha mira como pude, conseguiria fazer aquilo até mesmo de olhos vendados. Mas mesmo assim, essa menina é inderrotável!

Antes que eu percebesse, não passávamos um dia sequer sem nos encontrar. Mesmo nos feriados, mesmo nos domingos, nos dias de chuva, de neve, ela sempre me esperava lá, perto da árvore do parquinho.

Quase 5 meses de desafios, e finalmente fui capaz de empatar com aquela monstrinha. Como se finalmente abrisse meus olhos com a emoção de não ter perdido, me viro para ela.

 

“Você é muito linda, meu Deus.”(Erguen).

 

Não foi intencional, eu simplesmente joguei para fora quando me virei e vi aquela beldade inchando suas bochechas e lacrimejando. Céus, o que é isso? Eu acho que vou morrer com o brilho.

 

“Ei, por que você tá chorando?”(Ergen).

Eu disse, confuso e envergonhado.

 

“Agora você não vai mais... vir brincar comigo.”(Lauren).

“Ah… bem, que tal a gente tentar outra vez? Eu não ganhei de você ainda.”(Ergen).

“Se você ganhar, você vai embora!”(Lauren).

Ela percebe que estou muito perto de seu nível.

“Não, se eu ganhar, a gente vai brincar de outra coisa, tá?”(Ergen).

Eu afirmo, ainda mais envergonhado.

 

“Sério?”(Lauren).

Ela limpa algumas lágrimas.

 

Aparentemente, na época, a maioria das crianças tinha medo de Lauren, por causa de seus pais, eles eram os Lancaster! A família detentora das técnicas assassinas que trucidam qualquer coisa. Mesmo que essa linhagem seja composta por caçadores renomados, ainda assim são conhecidos por sua violência extrema e poder exagerado. Besteira! Vou deixar meu orgulho ser ridicularizado por tão pouco? Dane-se essa família, eu vou derrubar a porcaria da latinha antes dessa garota.

Naquele dia, ficamos até tarde derrubando objetos, empatamos 18 vezes, eu perdi mais de 200. Numa última partida, eu coloco meu melhor, miro precisamente e solto o ar com calma. Bum! Eu venci! EU REALMENTE VENCI!

 

“Eu venci! Eu venci e você perdeu!”(Ergen).

Eu grito enquanto sacudo os ombros da garotinha.

 

Primeiramente ela incha suas bochechas, mas então, com uma voz baixa, pergunta para mim:

 

“Você vai vir amanhã também?”(Lauren).

“Claro ué. Você já jogou video-game? O fliperama é baratinho.”(Ergen).

“Video… game?”(Lauren).

 

Nós fomos melhores amigos por muito tempo, principalmente no ano seguinte, quando Lauren passou a estudar comigo. Viajamos nas excursões escolares, acampamos, fomos em festas de aniversário, parques de diversão, eventos festivos da cidade, construímos uma casa na árvore, pescamos, montamos clubes de pesquisa na escola, montamos uma pequena banda que durou 2 semanas, tentamos fazer um filme, fizemos festas do pijama, eu conheci os pais dela, ela conheceu os meus(eles eram bem chegados), participamos do clube de teatro, de futebol, de artes, de química e de literatura. Fizemos muitas amizades também, inclusive, foi por volta dos 10 anos que conheci Josh, quando ele foi esmagado por Lauren num treino. Tivemos algumas brigas, mas nada que um lanche do buddy’s não resolvesse. Lembro dessa época com muita nostalgia.

Infelizmente, quando nos aproximávamos dos 13 anos, ela se mostrou cada vez mais ausente, cada vez mais distante. Os treinos ocupavam muito de sua agenda, logo ela seria oficialmente uma caçadora. Ela se tornou muito mais forte, cada vez mais longe da minha realidade. Eu me decepcionava por pouco e acabava brigando com Lauren, infantilidade, eu sei. O ápice de nossos desencontros foi quando, numa briga sem sentido, ela acabou deslocando meu ombro. Não foi culpa dela, sua força monstruosa crescia a cada dia.

Ela chorou e pediu desculpas, mas eu apenas dei de ombros, fingi que nada aconteceu e mandei ela voltar para seus treinos “Essa força desgovernada não é digna de um caçador, se esforce mais.”

Ah, como eu era.

 

 

Ela ia e voltava muito da cidade, raramente nossos olhos se encontravam em algum evento ou discurso, mas eventualmente eu notava a melancolia de seus olhos enquanto deslisava nos meus.

Lauren não sabe de toda a merda que aconteceu com meus pais, e eu vou me esforçar para que continue assim, a última coisa que preciso é de alguém sentindo pena de mim, principalmente a estrela da cidade. Ela tem os problemas dela, eu tenho os meus.

 

.

.

.

 

Comida feita, o prato de minha mãe está no micro-ondas, já comi o suficiente e escovei meus dentes.

Uniforme colocado, uma caminhada de 30min e começa minha rotina de sono diária: escola.



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