História Monsters Can Love! - Capítulo 1


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Categorias Fullmetal Alchemist
Personagens Alphonse Elric, Edward Elric, Envy, Riza Hawkeye, Roy Mustang, Tenente-general Grumman, Winry Rockbell
Tags Edvy, Edward, Edward X Envy, Envy, Inveja, Sad
Visualizações 18
Palavras 4.272
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


EEEEEEAI GALERA ^^

Estranho me ver postando fic nova, né? Mas então, deixe eu me explicar (tem o que explicar? 🤣)

Eu vi Fullmetal Alchemist Brotherhood faz uns meses, e desde que vi, comecei a shippar esse casal MAAAARA! (fora o lindo crush que eu fiquei no Envy, na boa, xonei lindamente nesse personagem, até a Karol xonou nele hauahauahaua)
E bem... Quando eu fui ver se tinha fic desses dois, eu vi que tinha pouquinhas (e convenhamos a maioria é ruim, mas as boas são ó 👌🏻 maravilindas), então eu meio que me senti na obrigação de postar uma fic sobre meu OTP 😍

Espero que gostem dessa short-fic (que eu não sei quantos capítulos vão ter exatamente), pois mesmo no meu tempinho de caracol, eu vou amaaaaarrr escrever essa belezinha!
O capítulo é grande, então sem mais enrolas, bora pra leitura!

Capítulo 1 - O preço do seu pecado


Fanfic / Fanfiction Monsters Can Love! - Capítulo 1 - O preço do seu pecado

"— Inveja… é isso. — O Alquimista de Aço começou, atraindo os olhos do pequeno ser verde e horroroso que conseguia envolver o corpo com apenas uma mão — Você tem inveja dos humanos. — Concluiu — Nós humanos, somos bem mais fracos que vocês homúnculos, mas mesmo assim, por mais obstáculos que encontremos, por mais que fiquemos desanimados, confusos ou prestes a desmoronar, não deixamos de avançar, as pessoas ao nosso redor nos fazem levantar, são esses humanos... que você tanto inveja…


E agora o olhava incrédulo. Seus olhos que já eram enormes agora realmente davam a impressão de estarem arregalados, como se tentasse processar oque o moleque de cabelos dourados havia acabado de dizer. O que ele estava insinuando? Oque um garoto como ele sabia para fazer tal julgamento? Quanta blasfêmia contra sua dignidade! Aquilo não era verdade! Não podia ser! Ou… talvez fosse?... Não! O que caralhos estava pensando?! Óbvio que aquilo eram apenas tolices proferidas da boca de um mísero humano que fazia suas suposições equivocadas!

Ou…

Talvez aquelas suposições equivocadas pudessem estar corretas… Convenhamos, estava prestes a morrer, se não queimado pelo Alquimista das Chamas, de alguma outra maneira pelo Elric ou pela Hawkeye, e quem sabe até mesmo por Scar! Fora o fato de não ser possível ter sua dignidade mais destruída do que já havia sido. Então… o que perderia encarando aqueles fatos com o mínimo de sensatez por sua parte?


E agora um filme passava por sua cabeça: 'se abandonasse aquela vila poderia salvar muito mais vidas, é só colocar tudo na balança que a resposta é fácil' 'não vai conseguir atirar em mim se eu fizer isso, não é, humano?' 'bem, mas vocês humanos são assim mesmo!' 'mas se eu tenho que me transformar, prefiro muito mais ter uma aparência jovem e bonita…' 'oh, humanos são mesmo uns idiotas, arriscando suas vidas por algo inútil, só podiam ser humanos…'


Não… não podia ser! Não podia aceitar algo como aquilo! Não era real! Não era! Não era! Algo como aquilo jamais seria real! Estava indignado! Olhava no fundo dos olhos também dourados do Elric com indignação, como se aquelas palavras explodissem em sua cabeça como um terrível e doloroso choque de realidade, mil e um pensamentos passavam pela sua cabeça agora, e como se não bastasse ter tido todas aquelas malditas verdades jogadas em si sem qualquer rodeio, tinha que ser aquele maldito baixinho – que já não era mais tão baixinho na sua perspectiva de vista – á proferir tais palavras para si, o maldito… maldito baixinho que tinha um efeito sobre si que nenhuma outra alma viva tinha, e aquilo o deixava nos nervos!

Toda essa mistura de sentimentos tão… tão… tão humilhantes! O fez semicerrar os olhos em raiva e indignação. Tinha ouvido aquela ladainha toda do Elric, e agora ele quem seria ouvido! Se aqueles humanos insignificantes achavam que dariam a última palavra e acabariam com sua vida eles próprios, estavam muito enganados! 

Então, usando a pouca força que lhe sobrara naquela forma tão patética, o homúnculo começou a forçar-se a sair do aperto da mão direita do loiro


— Pera aí, não tenta fugir, espera! — Edward exclamou, assustado com a ousadia do pequeno ser que mesmo naquele estado aparentemente ainda tentar fugir. Mas sabia que se aquele serzinho tentasse qualquer coisa, seria morto com extrema facilidade por qualquer um de seus companheiros! Secretamente… não queria isso. — Para, imbecil! Se forçar demais você vai- — e numa tentativa desesperada de segurar o homúnculo em suas mãos, usou a canhota para tentar o manter quieto, mas, acabou tendo seu dedo mordido por aqueles pequenos, porém afiados dentinhos, o fazendo recuar ambas as mãos no susto e derrubar o pequeno. E agora com Envy no chão, seu coração parou por um segundo quando viu a Hawkeye apontando sua arma para a pequena criatura, felizmente antes de dizer qualquer coisa, Scar interviu


— Espere! — A voz grossa do Ishvaliano soou no local — Ele não vai durar muito…


Como era patético… O pecado da inveja agora se arrastava pelo chão com dificuldade, devido ao seu corpinho naquele estado nada apropriado para fazer qualquer coisa.


— Que humilhação… — murmurava, indignado com a situação — acabar desse jeito, parecendo um pano de chão velho… — e então, finalmente se virou para o Alquimista de Aço, já em uma boa distância do mesmo para conseguir olhar decentemente nos olhos daquele imbecil. E, algo que negaria até sua morte era o fato de também fazer aquilo para admirar o rosto daquele maldito filho da puta que por algum motivo tanto o atraía — perdendo para humanos como vocês… sendo feito de idiota por seres insignificantes que nem vocês… — dizia aquelas frases com amargura, quase que ainda incrédulo com as palavras que agora ele mesmo proferia – e o pior de tudo… foi ter alguém feito você, o mais insignificante de todos, um moleque como você… – e agora mal conseguia completar aquela simples frase, já não conseguia suportar o peso das próprias palavras que o faziam quase que aceitar definitivamente a verdade por trás de tudo, mas se não aceitasse, pelo menos sua mente agora o fazia enxergar tudo aquilo com mais clareza, enxergar o quanto a situação se tornava cada vez mais humilhante para si, enxergar a verdade que aquele alquimista que tanto o atraía tinha jogado para ele e o feito perceber estando praticamente à beira da morte qual foi sua posição no meio de todo aquele joguinho que foi mexer com a vida de todos ali — droga… — resmungou, sentindo seus olhos se encherem de água. Malditas lágrimas que quebravam mais ainda a dignidade que achava que não podia ser mais ferida do que agora, mas também que se foda! Como dito antes, estava a beira da morte, aquelas lágrimas não mudariam nada depois disso — droga… DROGA!!! — berrou aquela palavra o mais alto que conseguiu, já logo não segurando mais as lágrimas volumosas que encharcavam o seu pequeno corpo, logo em seguida gritando em plenos pulmões, tentando inutilmente fazer com que aquela raiva, aquela indignação, aquela incredulidade e todos os sentimentos horríveis que agora o atormentavam se esvaíssem magicamente de si, mas já estava mais que claro para si que sua morte mais que merecida seria enquanto o mesmo se afogava nessas sensações — QUE HUMILHAÇÃO! — Ralhou, ao mesmo tempo em que caía para o lado, sem conseguir por um momento parar aquelas lágrimas que escorriam de seus olhos — quanta humilhação… que humilhação… Eu Envy, eu Envy com inveja dos humanos… – dizia agora aparentemente mais calmo, porém a sensação de incredulidade ao mesmo tempo em que falava não havia diminuído nem um pouco sequer – eu Envy sendo… entendido por um moleque como você… isso sim é o cúmulo da humilhação... – admitiu mais amargurado ainda, se amaldiçoando por dizer algo como aquilo na frente de tais humanos. Mas, não faria diferença. Depois de dizer aquilo, não iria continuar vivo, se recusava a viver em um mundo onde foi tão humilhado! Então, em um ato aparentemente inofensivo, se sentou, e para surpresa e curiosidade de todos ali, riu por alguns breves momentos. — Eu quero ver até onde vão chegar com essa ingenuidade… — e agora já colocava algumas de suas mãos na boca, procurando dentro de si a própria pedra filosofal — desejo boa sorte pra você! — Disse, pouco antes de encontrar a pedra e começar a puxá-la. Já havia decidido, aquele seria o destino que daria a si mesmo."


Sua vida não era preciosa para ninguém, nunca foi… Nem para quem o considerava seu filho ou para aqueles que o consideravam seu irmão, ninguém ficaria de fato triste com sua partida. Talvez decepcionados e nervosos por terem perdido uma peça tão preciosa na dominação de Amestris, mas ninguém ficaria comovido, ninguém se importaria… E para ser sincero, não se importava. Na verdade, sempre esteve ocupado, à mando de alguém causando algum derramamento de sangue pelo país, ferrando com a vida de alguém ou coisa parecida, sempre vivendo nas sombras do país com seus seis irmãos e o Pai. As poucas pessoas com quem teve contato direto se tornaram suas vítimas, então digamos que nunca teve tempo e muito menos interesse em se importar com o que as pessoas pensariam de quem era, só estava naquele mundo para seguir ordens e suprir ao desejo de outro ser tão invejoso quanto ele, que era possuir algo que chegasse ao mais próximo possível de uma família.

Aquele foi o pior dos homúnculos, sem dúvida alguma, enquanto os outros estavam mais nas sombras ou disfarçados de bons moços, Envy se encarregava de causar as guerras que fariam as insígnias de sangue pelo país, a guerra de Ishval, as revoltas em Lior e a morte de Maes Hughes são pequenos exemplos do quanto sua existência no mundo foi catastrófica, sem contar o efeito dominó de suas ações, como a morte dos pais de Winry após terem ido dar apoio na guerra de Ishval e a própria obsessão de Scar por vingança, ou seja, um ser como aquele não merecia piedade, não merecia segundas chances, não merecia viver, merecia sim ter uma morte horrível e pagar pelos seus incontáveis pecados queimando continuamente no inferno... se tal lugar existisse.


Então porque?...


"— NEM PENSE NISSO SEU IDIOTA! — Edward exclamou no mesmo instante em que percebeu quais as intenções de Envy, quase que por reflexo se jogando no pequeno ser, agarrando-o e rapidamente afastando suas mãozinhas da pedra filosofal que voltou sozinha ao seu devido lugar."


Porque teve sua vida miserável salva? Qual foi o motivo pelo qual aquele maldito baixinho optou por o impedir de cometer suicídio? Eram inimigos, afinal, não era correto afirmar que a melhor coisa que poderia acontecer para ambos os lados era ver parte de seus problemas se reduzir a pó? Aquilo não fez sentido, e na verdade parecia que nunca faria. Depois de ser tratado como um inseto, sendo preso novamente em um pote de vidro, chegou a pensar que se os planos do Pai não dessem certo, os alquimistas federais o usariam para experimentos, poderiam tentar estudar mais sua pedra filosofal, ou simplesmente teriam o prazer de o manter em cativeiro por anos e anos enquanto o torturavam continuamente, fazendo-o experimentar o próprio inferno na terra, já que talvez a idéia de o lugar que pune os monstros como ele pudesse sequer existir não agradasse quem ansiava por saber que seus pecados estavam sendo pagos de forma justa, e consequentemente achasse que a simples morte e uma simples humilhação não compensariam todos os danos que causou por Amestris em todo seu longo tempo de vida.

E para sua aflição, suas suposições começavam a se concretizar. Assistiu de camarote Greed, seu último irmão vivo e o Pai se reduzirem a algo com massa menor que a do pó, talvez… reduzidos a nada. 

Se imaginava no lugar de Greed, se imaginava sendo novamente absorvido pelo pai, finalmente se esquecendo de tudo, toda a desgraça que causou, a humilhação que passou, o futuro não muito bom que provavelmente o aguardava… mas não, Pai sequer se interessou por Envy, sua pedra filosofal estava tão inútil quanto sua deplorável aparência, não o ajudaria em nada naquela batalha, por isso foi deixado de escanteio, como se já estivesse sendo considerado um homúnculo morto.


— O que nós fazemos com ele? — Grumman questionou, possuindo uma sobrancelha arqueada, enquanto chutava sem muita força o pote que prendia o homúnculo enfraquecido, apenas o suficiente para o derrubar. Agora a poeira da recente luta abaixava, e bem… parece que o pequeno ser semelhante a um lagarto foi redescoberto no meio do campo de batalha.


— quem? — O Alquimista das Chamas virou a cabeça para a tenente.


— O Envy, senhor. — Ela tratou de responder, sentindo uma gota de suor escorrer por sua testa assim que ouviu um grunhido irritado do coronel.


— Mate — Ele foi curto e grosso, porém logo mudou de idéia. — Ou melhor, torture! O faça pagar por cada vida inocente que por culpa dele foi aniquilada!


— E-Ei! Espere! — Edward se intrometeu. — Qual é! Você queimou ele vivo incontáveis vezes, já não é um bom castigo? Eu posso… — foi interrompido.


— Não, você não pode nada. — Ralhou

 — Devia ter deixado esse ser asqueroso acabar com a própria vida quando teve a chance. Agora eu aconselho você a esquecer esse homúnculo. Conseguiu o corpo do Alphonse de volta, não é? Pois bem, acho que deve se importar mais com ele do que alguém que pode usar lixo como um elogio a si mesmo facilmente.


— Achei que tinha esquecido essa baboseira de vingança… – o loiro murmurou


Sem dar tempo para Roy responder qualquer coisa, o velho que apenas espectava a briguinha dos dois alquimistas, se abaixou um pouco e agarrou o pote de vidro, logo em seguida voltado a postura original.


— Interessante… — deu alguns petelecos no vidro, estranhando o jeito apático que o pequeno ser olhava para ele, parecia até morto, seus olhos não tinham vida, nem mesmo queimava em ódio como geralmente ficava quando estava naquela forma patética — sabe, ele pode ser muito útil ao exército. — comentou — Acho que posso arrumar um bom uso pra ele e para aqueles bonecos vivos que ainda sobraram! — Afirmou com um sorriso sugestivo.


— E então? – Roy também sorriu, vitorioso. — Vai discutir com o atual Führer?


Levantou o dedo indicador e sua boca se abriu algumas vezes, tentando formular alguma frase, porém nada saía de sua boca. Sinceramente, nem sabia porque estava tentando defender Envy, ele de fato não merecia! De fato era um ser repugnante! Então porque se comover tanto com o sofrimento dele? Como conseguia ter empatia por ele? E até se achasse uma explicação lógica para aquilo, quais seriam os argumentos que o fariam conseguir a guarda do homúnculo? Simplesmente não tinha salvação para alguém que já tinha sido pego e até admitido os próprios crimes!


— Idiota… — Envy murmurou, chamando a atenção dos presentes ali. — você já conseguiu o que queria, salvou seu irmão e ainda conseguiu seu braço de volta, você não se importa comigo, só está minimamente comovido por ter descoberto meu ponto fraco. — Ralhou irritadiço. — Vá embora comemorar a sua vitória, não preciso da sua comoção! Não preciso ser o motivo da pena de ninguém! — Afirmou de forma arrogante e um tanto amargurada.


— Eu não estou sentindo pena de ninguém! Só estou tentando te ajudar! — Esclareceu, porém foi cortado.


— Quem te pediu pra me ajudar? — Teimou. — Já disse, vocês humanos são nojentos! Não preciso da ajuda de nem um de vocês! Então vê se vaza!


— Tsc… — o mandou um olhar indignado, já se irritando com a situação. Poxa, tinha salvado a vida dele! Estava tentando o tirar de uma enrascada! Porque não podia ser minimamente educado? Ou pelo menos não ser tão orgulhoso em um momento como aquele! — Não importa, né? Não adianta. Você sempre vai ser o arrogante de sempre! — O loiro virou de costas, já indo embora. — Só desperdicei meu tempo tentando te tirar dessa vida fudida que você vai ter daqui pra frente! Mas quer saber? Que se foda! — exclamou, indo para longe.


E bem… o homúnculo nada fez, apenas observou com certo pesar o alquimista indo embora.


[...]


2 anos e 2 meses depois


Ainda se lembrava daquele dia. Não podia dizer que foi o último com paz antes de começar a viver em um pedaço do inferno, na verdade, se parasse para pensar bem, nunca na sua vida teve um dia de verdadeira de paz! Como teria? Foi criado a partir do sentimento mais rancoroso e amargurado do Pai, foi criado a partir da inveja que aquele homúnculo sentia dos humanos. Como viver um dia sequer em paz, se inevitavelmente invejava todos que o cercavam? Invejava as famílias que aqueles seres asquerosos formavam, invejava a força de vontade que tinham, os laços que criavam. Era simplesmente a encarnação daquele pecado, não tinha o que discutir, e talvez os únicos momentos em que sua alma perturbada por natureza podia chegar ao mais próximo da paz, era quando destruía a vida de algum humano, quando conseguia olhar para as famílias de sua vítima e sentir que não era o único que agora levava uma vida cheia de tristeza e rancor, era revigorante! 

Errado? Claro. Mas não é como se em qualquer dia de sua vida tenha sido ensinado a ser alguém razoavelmente bom para a humanidade — na verdade, foi o contrário disso, Pai o criou justamente para causar o maior número de conflitos por Amestris. 


"— Conheça sua nova casa, homúnculo. – Aquele mesmo velhote o carregava naquele pote de vidro, qual já não saía fazia uns bons dias, afinal, teve de ficar lá até que a central do exército que havia sido destruída na batalha fosse consertada. Grumman não se daria ao luxo de deixar que qualquer laboratório da cidade fosse responsável por fazer pesquisas com um homúnculo, qualquer coisa que fosse ser feita com aquele bichinho verde seria feita em mais completo sigilo lá mesmo, e apenas os federais mais confiáveis teriam mais informações sobre o projeto.


Enquanto o Führer andava por aqueles corredores enormes, adentrando ainda mais partes secretas daquele lugar enorme, Envy tratava de prestar atenção em todos os detalhes, talvez pensando em um dia ter a possibilidade de fugir dali.


—o que vão fazer comigo?... — Ele ousou perguntar.


— Bom… — o velho ficou pensativo, repensando se não faria mal contar qualquer coisa sobre aquilo para o homúnculo — você não é idiota, sabe que seu sangue cria versões falsas porém funcionais das pedras filosofais, e digamos que eu creio que se bem estudado, isso pode ser muito útil ao exército. — Explicou, fazendo Envy engolir em seco."


Conseguia se lembrar de quando fora liberto daquele pote minúsculo e jogado em uma sala de tamanho médio, completamente branca, onde o único diferencial eram as portas de metal reforçado que jaziam em dois extremos do cômodo, e claro, uma janela de vidro blindado razoavelmente grande, usada para que alguns militares presentes ali pudessem supervisionar cada passo dado dali em diante. Outra coisa que quebrava o branco enjoativo da sala, eram quatro correntes com algemas em suas pontas. O material era certamente algo muito resistente, e as correntes tinham desde tamanho médio à pequenas, com certeza quem quer que fosse preso ali — como se ainda tivesse alguma de que não seria ele — não teria muita liberdade para se locomover pela sala. 


"— Chegou bem a tempo, Coronel Mustang! — Grumman cumprimentou o Alquimista que chegou ali acompanhado de sua inseparável subordinada, carregando consigo a mesma cara fechada de sempre. Vale lembrar que nessa época, Roy já havia conseguido sua visão de volta usando a pedra filosofal que o Doutor Marcoh lhe ofereceu.


— Só apresse logo as coisas, eu tenho mais o que fazer. — Balançou a mão algumas vezes, como se fizesse sinal para apressar o andamento das coisas.


Envy, que já estava dentro do cômodo, se apavorou com a presença daquele Alquimista, o fazendo correr na direção mais afastada da sala, embora só serviu para ser motivo de chacota de alguns soldados presentes ali, que o flagraram tropeçando nas próprias perninhas de forma desengonçada.


— Não se preocupe, o Coronel só está aqui pra garantir que você não vai tentar fazer nenhuma gracinha. – O grisalho explicou, enquanto puxava uma alavanca na parede.


E então, a porta de ferro se abriu, e dela saíram cinco daqueles bonecos vivos que há um tempo se espalharam por parte da cidade.


— Fique a vontade, pode sair dessa forma vergonhosa e assumir qualquer aparência que for, só lembre-se, não seria nem um pouco difícil para o Coronel te queimar vivo até você voltar para esse estado deplorável. — Colocou uma mão sobre a boca, rindo maldosamente.


Como o único ser presente na sala, foi instantâneo que aqueles bonecos que agiam mais como zumbis fossem na direção do homúnculo, e como da última vez, um deles agarrou e engoliu o pequeno ser, consequentemente sendo controlado momentos depois. E assim Envy absorveu aqueles cinco bonecos, claro, nunca seria o suficiente para sequer ir para sua forma gigante, mas já lhe serviu para se transformar na típica aparência humana. 


— Perfeito! 


E agora, juntamente do Coronel, cinco Militares fardados com seus típicos uniformes na coloração azul entraram na sala, rapidamente indo na direção do homúnculo que, acuado principalmente pelo Alquimista das Chamas se prensou contra a parede, após se afastar o máximo que pôde daqueles homens.


— SE AFASTEM DE MIM! ME SOLTEM! — Envy exclamação enquanto tentava resistir aos militares que um por um prendiam seus braços e pernas naquelas correntes.


— Cala a merda da sua boca! — A voz de Roy soou ali como um trovão, em meio ao estalo de seu dedo que mal deu tempo para o homúnculo se assustar, criou em questão de momentos chamas certeiras que acertaram os olhos e a língua do mesmo — Tão boa para queimar como sempre! — Ee riu de forma maldosa.


— MERDA! — O moreno gritou assim que sua língua se regenerou, já que seus olhos ainda ardiam."


E bem, não tem muito o que dizer de como foi dali em diante, foi como Grumman havia dito, o estudariam e fariam experimentos com Envy para tentarem usar as pedras filosofais geradas pelo sangue dele em prol do poder Militar. E na verdade seria bem simples, se quem quer que fosse pegar amostras do sangue do homúnculo não tivesse total liberdade para extraí-lo da maneira que achasse mais conveniente. Então virou rotina que diariamente fosse decapitado, mutilado e no geral torturado, por Militares ishavlianos que sabiam da suja verdade por trás do começo do massacre de Ishval, por Alquimistas Federais que perderam pessoas preciosas nas batalhas que eventualmente haviam sido causadas por Envy, enfim, todos ali tinham motivos para o odiar, e claro que não desperdiçaram a oportunidade de castigar mais a cada dia que passava moreno por todos os seus pecados! 


Se já tentou escapar dali? Inúmeras vezes. Simplesmente perdeu a conta dos dias e noites que passou ali, 24 horas por dia, todo dia, 365 dias por ano, ficava confinado naquela sala e acorrentado por aquelas correntes de material reforçado, sem ver a luz do sol, sem morrer de fome ou cansaço já que homúnculos não tem essas necessidades fúteis de humanos. Só estava ali, existindo, sem ter contato verbal com ninguém, pagando pelos seus infinitos crimes, servindo de cobaia para os humanos que tanto desprezava. Lembrava-se bem de uma vez em que tentou fugir, mas foi facilmente contido pelos guardas que ficavam de vigia ali, afinal não tinha pessoas o suficiente absorvidas para que conseguisse ficar gigante, não conhecia ninguém ali para se transformar em alguém amado para a pessoa, e convenhamos, nunca havia sido o homúnculo mais forte. Seu forte sempre foi trabalhar com a mente das pessoas, algo que não era muito possível naquela situação. Assim que foi pego, um dos Militares dali o disse algo que levantou uma questão em si, que realmente nunca conseguiu achar uma resposta:


"— Porque você tenta fugir? — O Militar loiro, com estatura alta e corpo forte terminava de prender o corpo enfraquecido de Envy nas correntes novamente. — Não tem ninguém te esperando lá fora, não é como se fosse reencontrar aquilo que chama de família, e não é como se fosse ser visto com mais compaixão pelas pessoas lá de fora. Ninguém quer um homúnculo vivo rondando por aí. — O mesmo riu, indo na direção da porta. — Que vida tão boa você pretende levar lá fora para querer sair daqui? Sinceramente, eu não te visualizo solto por aí com uma vida melhor do que se esconder de tudo e todos durante o dia e só vagar pelos becos escuros durante a noite!"


Se parasse para pensar assim, realmente! O que faria lá fora? Viu todos os seus irmãos e Pai morrerem, como já dito antes, não é como se tivesse ficado triste, mas realmente. Qual seria o sentido de sair por aí sozinho? Uma das coisas que contra sua vontade, mais Invejava nos humanos, era como eram unidos, como tinham suas famílias, tamanha era a Inveja do Pai sobre esse quesito nos humanos, que criou seus homúnculos os ensinando a chamá-lo de Pai, e obviamente, essa mesma inveja foi usada para criar Envy. Então, qual seria o sentido de andar pelo mundo a fora sem ninguém? Qual seria o sentido de olhar para todos a sua volta e os invejar mais ainda pois nunca teria alguém para chamar de família, no meio de inúmeras pessoas que estão juntas de alguém que amam tanto de maneira fraternal quanto no sentido da paixão, ele seria o único que jamais teria aquilo para ele! Não importava quantas vidas destruísse, quantas famílias destruísse, quantos relacionamentos arruínasse, porque nunca conseguiria aquilo para ele, e sempre surgiriam mais e mais pessoas com aquilo que tanto desejava.


"— Como vocês diriam… — Ele murmurou quase de forma inaudível, o que fez o guarda parar, porém sem se virar, apenas escutando os raros murmúrios que o homúnculo prferia – é humano querer sair de uma situação assim, não é? Tsc, ninguém gostaria de levar a vida que eu estou tendo… e por mais que eu odeie me rebaixar a seres imundos como vocês, eu uso esse argumento pra querer sair daqui. Não é como se eu me importasse se tem ou não alguém me esperando lá fora."


Mas ele se importava. 



Notas Finais


Eu espero de coração que vocês tenham gostado! Se gostaram, não se esqueçam de clicar no ❤ e comentar o que vocês acharam! eu aaaaamo ler seus comentários! ^^


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