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História Monta Logo Vai (JK) - Capítulo 1


Escrita por: e ilygguki


Notas do Autor


Gente...
Essa fanfic é um delírio, sem condições
Estava eu plena ouvindo umas musiquinhas no aleatório e me toca mano Valter kkkkkkkkkkkkkkk surgiu do nada o plot de Jungkook como um vaqueiro

a fanfic se passa precisamente no meu nordeste querido que cultua bastante a vaquejada com todo o respeito do mundo.

a galera do interior é fod*
espero que vocês curtam ❤️

boa leitura e perdoem qualquer erro xx

Capítulo 1 - Provoca ele, vai


Fanfic / Fanfiction Monta Logo Vai (JK) - Capítulo 1 - Provoca ele, vai

"Bem-vindo, fique à vontade, aqui é o interior, terra de gente bonita que tem o seu valor. A galera do interior é foda, respeita meu povo que veio da roça." – Galera do Interior ( Luan e Forró Estilizado) 

Lucy 

Férias. Quem não espera com toda a vontade guardada em seu corpo as cobiçadas e desejadas férias?

Finalmente, depois de muito perrengue, algumas recuperações pra não perder o costume, eu finalmente havia conseguido o descanso que merecia. O semestre tinha sido lotado de trabalhos. Os professores pareciam combinar em como foder com os alunos de uma vez, porque sem condições a falta de empatia. 

Jessie, sua amada irmã e definição de companheirismo havia dado o fora assim que se livrou das provas e me deixou sozinha na casa que a gente morava perto da faculdade. 

Enquanto eu tinha feito planos incríveis para essas férias. As festas que ia comparecer, visitar uns clubes nos fins de semana e me deliciar com a vista de abdomens trincados e muita, muita testosterona. 

Ah, mas eu tinha uma queda naqueles machos bem duros na queda, aqueles que a gente mordia os lábios só de olhar. 

Quem sabe, conseguiria ficar com Namjoon de novo, meu eterno crush e estudante de física. Que homem pra beijar bem, meus amigos. Sem falar na pegada e no vício que era apertar aqueles braços fortes enquanto era prensada contra algum objeto sólido. 

O calor subia só de pensar. 

Meu itinerário começaria em dezembro e só terminaria no comecinho de março, onde eu começaria as aulas com uma ressaca para fechar minhas férias como chave de ouro. Eu tinha feito planos e metas incríveis para cada um desses dias. Pena

Entretanto, cortando minhas asinhas e todos os meus planos para três meses incríveis de pura curtição, bebedeira e histórias pra contar aos risos, fui obrigada a abandonar todo esse paraíso, para pegar uma estrada de chão que levava ao fim do mundo pra passar as férias com meus pais e meus avós no interior. 

Como já tinha ficado o recesso dos últimos dois anos na cidade, mamãe havia negado com todas as letras possíveis que daquela vez iria ficar com a família. Não adiantou as reclamações, estava decidido. 

Minhas memoráveis férias seriam no meio do mato, sem qualquer comunicação com a humanidade. Isolada por três grandes meses, tendo como companhia mosquitos, vacas e galinhas. Melhor que isso, impossível. 

– Tira essa carranca do rosto, Lucy. Você gostava tanto daqui. – Meu pai comenta, ajudando a carregar minhas malas para o casarão. 

Tons de madeira, muito verde, mugidos e galinhas cacarejando. Exatamente como imaginei.

Suspiro. 

– Nem parece feliz em ver a gente. – Ele completa. E eu odiava ver meu pai triste, ainda mais por minha causa. 

Não queria que ele pensasse que eu não queria estar ali, mas Goldenville me lembrava a traumas antigos. 

– Não é isso, pai. Tô feliz, é que... 

Eu sou fresca! – Jessie irrompe da porta, as pernas bronzeadas e o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo alto. Sua imitação fajuta da minha voz me leva a revirar os olhos. 

– Não fale comigo, sua traíra. 

– Ah, eu senti falta de vocês duas discutindo. – Me abraça de lado e ganho um beijinho no topo da cabeça. 

– Também senti sua falta, pai. 

Não era a primeira vez que eu vinha a fazenda dos meus avós. Na verdade, fui criada basicamente aqui, sempre vinha nos feriados e férias. Lembro-me de contar os dias para o término das aulas e vir pra cá. E bom, eu realmente gostava dali, mas deixei de vir desde que ingressei na faculdade e havia um motivo pelo qual eu evitava aquele lugar como o diabo fugia da cruz. Temia pela minha sanidade já não muito boa. Um estudante comum já é surtado, mas um estudante de faculdade não tem vida, tampouco alma. 

– Meu Deus, como a minha menininha está linda! – Vovó me abraça apertado. Ah, eu tinha sentido muita falta dela. Nada se compara ao amor e cuidado de vó. – Seu cabelo tá tão bonito!

– Eu pintei no último verão. – Dedilho uma das mechas aloiradas do ombré hair. – A senhora gostou? 

– Eu amei. – Ela sorri. 

– Obrigada. – Sorrio maior. – Cadê o vô? 

– Ainda está na roça com Jungkook. Foram mudar o gado para outro lugar com pasto novo. – Assinto, sorrindo. 

Jessie arqueia as sobrancelhas pra mim. 

E eu desvio o olhar imediatamente. 

Jeon Jungkook, o dito cujo motivo pelo qual nunca consegui ter um relacionamento na minha vida. 

Ele trabalhava como vaqueiro dos meus avós. Naquela época já cursava agronomia e se ele já era o delírio de toda aquela comunidade pequena, imaginava o estrago que faria na minha cidade. As loiras odonto iam cair matando em cima dele. 

O problema de tudo, é que ele não era do tipo que se gabava, era esforçado, inteligente e tinha um coração enorme. O pacote completo para que eu, a ingênua garota de dezessete anos na época, achasse que tinha uma chance. Ele sempre foi cuidadoso comigo e me levava pra todo canto como seu chaveirinho particular. As meninas morriam de inveja e eu de amores, porque ele sempre desconsiderava os convites de encontros furtivos e coitos selvagens, pra sair comigo durante as férias. 

Acho que a gente tinha uma coisa, conexão, sei lá. 

Mas fui rejeitada como um pacote velho de miojo. Ele foi delicado, cuidadoso, mas depois disso eu fiquei tão traumatizada que me afastei o quanto pude. Infelizmente, estava aqui de novo, mas o evitaria o quanto fosse possível. 

Tínhamos deixado de nos falar há muito tempo. Eu tinha cortado as relações e preferia que permanecesse assim. 

– Filha, tudo bem? Parece mais magrinha. Tá se alimentando bem? – Mamãe aperta minhas bochechas, me olhando como se eu fosse uma coisa a ser estudada. 

– Tô bem mãe. Entrei na academia também, deve ser por causa disso. 

– Descansa um pouco, você acordou cedo. Te chamo pra o almoço. – Assinto. 

Jessie me ajuda com as malas e me sinto meio nostálgica ao entrar naquele quarto. 

A decoração ainda era a mesma, só as paredes haviam sido pintadas, mas minha avó mantinha até minhas antigas bonecas ali. 

– Poxa, parece que eu voltei no tempo. 

– Nem fala. – A loira se joga ao lado da minha cama, me olhando com enormes olhos verdes. Tinha puxado da mamãe, sortuda. – Você parece meio desanimada. É por causa do Jungkook? – Ela sempre soube do penhasco que eu tinha por ele, inclusive, foi o pilar para iludir minha cabeça com aquele papo de "Vocês combinam demais." "O Jungkook gosta de você, vai fundo." 

– Podemos não falar sobre o assunto proibido? Ele já ficou no meu passado. Agora, eu só quero curtir as minhas férias e pegar algum agroboy. Lembra que ele tinha uns amiguinhos gatos? – Suspiro só de lembrar.

– Meu Deus, você é péssima. Não vai nem falar com ele? – Arqueia uma sobrancelha. 

– Vou, porque sou educada. Mas não somos mais amigos, então, vou ser cortês apenas.

– Vai ser difícil resistir, ele ficou gostoso demais, mana. – Atiça. 

– Não importa mais. Fui chutada uma vez e já superei ele. – Jessie solta uma risada esganiçada. Não acredita em nada do que eu falo. – É sério. Sou uma nova pessoa. 

– Ainda não entendo porque ele rejeitou você. Era óbvio que tava caidinho. – Dou de ombros, prendendo o cabelo. 

– Já foi. – Pontuo de vez. Não adiantava ficar rodeando um mesmo ponto. Passei noites em claro me perguntando o que tinha dado errado e isso me consumiu por muito tempo. Eu estava bem, tinha conhecido novas pessoas e enterrado nossa história no passado. – Vou dormir, me acorde quando a comida estiver pronta. 

– Preguiçosa. – Desdenha, sorrindo, mas se levanta. 

– Mereço. Férias, finalmente. – Jessie ri, saindo do quarto cantarolando. Com certeza já havia visto por aí alguma vítima para o seu abate. 

Eu, por outro lado, tomei um longo banho e vesti um conjunto de moletom confortável. O clima estava gostoso pra tirar uma soneca e sem a preocupação de mil trabalhos nas costas, finalmente eu pude dormir em paz. 

Felicidade. 

 ♢

– Acorda, Lucy. Morreu, foi? – Resmungo, me revirando na cama. As pálpebras pesadas. Meu corpo estava todo dolorido pela viagem.

– Que horas são? – Indago sonolenta, me sentando. Passo o cabelo todo revirado para um lado dos ombros e bocejo.

– Perto das 18h. Você dormiu o dia todo, a mãe ficou com pena de te acordar. – Arregalo os olhos, jogando as pernas pra fora da cama. 

– Nossa, eu capotei. 

– Demais. Levanta, e se arruma. A gente vai na feira. – Me espreguiço, sorrindo animada. 

A feira era quase como um evento naquela cidadezinha pequena. Todo mundo saia das suas casas para se reunir no centro. Inclusive, os jovens. 

O centro era o lugar mais evoluído dali, havia alguns quiosques, supermercados pequenos e sorveterias.

– Vou comer e me arrumar. Me espera. – Digo, já saindo do quarto às pressas. 

Talvez, não fosse tão ruim assim passar três meses por aqui. Tinha esperança que Goldenville não me decepcionasse dessa vez. 

Vou direto pra cozinha, minha barriga estava implorando por comida. Mas quase breco no meio do percurso, quando vejo Jungkook sentando à mesa. 

Misericórdia. 

Minha nossa, nossa, nossa... 

Meu coração bate forte no peito, porém disfarço o nervosismo repentino ao passar direto por si até o fogão. 

Sinto seu olhar queimando nas minhas costas ao que tento me manter estável. 

Cadê a educação que eu disse que tinha? Não consigo falar com ele sem surtar. Meu deus... Que tristeza. 

Meu pai também estava na cozinha e falava algo com ele, para minha sorte. Já que se eu estivesse sozinha com ele teria uma síncope. 

Eu jurava que tinha superado. 

É só a emoção do momento. Tento me convencer. 

Me sirvo com uma falsa calma, enchendo meu prato. 

Ouvir a voz dele depois de tanto tempo me faz sentir... Coisas. E ainda que continuasse naturalmente doce, o tom dele havia ficado sutilmente mais grave. Nem tive coragem de olhá-lo nos olhos. 

Faço o mínimo de ruídos possíveis, silenciosamente seguindo para fora da cozinha o mais rápido que consigo. 

– Lucy? – Meu pai chama, estranhando. Respiro fundo, parando perto da saída. 

Você não é a mesma garota de antes. Repito a mim mesma, forçando um sorriso no rosto e me virando. – Não vai falar com o Jungkook? 

– Anh... – Pigarreio, voltando meu olhar lentamente para o moreno sentado. 

Ele tinha acabado de jantar, o prato estava vazio entre seus braços bem mais musculosos do que eu me lembrava. A camisa de mangas longas ia até os punhos e aquele colar em forma de cruz que ele tinha ainda brilhava pousado em seu peito como antigamente. 

Seu olhar ainda era como eu me lembrava. Intenso. 

Mas detalhes em seu rosto haviam mudado. Como a linha do maxilar que ficara mais proeminente e angulosa, as bochechas cheinhas haviam diminuído e deixado sua face ainda mais viril. 

Já não bastasse a varredura que fiz em seu rosto indiscretamente, ainda senti minhas bochechas pegarem fogo. Mais óbvia impossível. – Oi, Jungkook. – Aqueles olhos diziam muitas coisas, o fulgor escaldante denotava surpresa, curiosidade e bem lá no fundo, mágoa. 

Ele sempre foi um cara do bem e eu não soube lidar em ser rejeitada e acabei o cortando da minha vida de todas as maneiras possíveis, mesmo após suas tentativas de comunicação. 

Acho que ele não esperava me ver depois de tanto tempo. 

– Oi Lucy. – Talvez, só talvez eu estivesse um pouco magoada comigo mesma. 

Senti falta do que a gente tinha todo esse tempo, ofuscando a mente com outras bocas quando eu desejava apenas uma. Pois é. Trágico. 

Mas ser rejeitada nunca é bom, por mais sutil que a pessoa seja, você fica carregando aquilo para o resto da vida. – Vou tomar banho e esperar as meninas se arrumarem. – Ele diz ao meu pai. Pega seu chapéu e se levanta. Eu fico parada no meio da cozinha, esperando não sei o que, mas tudo que Jungkook faz é desviar do meu corpo e sair pelos fundos. Me sinto miserável. 

– Ué. Vocês não eram amigos? – Meu pai perguntou, confuso. O climão ficou meio óbvio.

Dou de ombros, me sentindo subitamente desanimada. 

Eu jurei que tinha superado. 

– Não somos mais, pai. – Suspiro, saindo da cozinha e indo comer na sala. As conversas da vovó me distraem por hora, e eu evito pensar em qualquer coisa que remeta minha falida amizade com Jungkook. Eu não era mais nenhuma adolescente e ele muito menos o recém universitário de agronomia. As relações acabam e pronto. 

Perto das sete eu já estou praticamente pronta. Tirei das malas minhas botas e jeans. O clima no interior sempre ficava mais friozinho a noite. 

A essa hora, eu estaria na casa de Amy, minha melhor amiga, planejando invadir alguma festa como penetras. Era o lado bom de morar longe dos pais. A gente podia fazer o que quiser. Mas também tínhamos de lidar sozinhas com as consequências das merdas que a gente fazia. 

Jessie só dormia e sobrava pra mim fazer a comida. Mas éramos uma boa dupla. Ela era mais responsável que eu, apesar de não parecer às vezes. 

Mas já que não podia aproveitar as festas, ao menos dormiria muito naquelas férias. Provavelmente ganharia peso. Poxa, as comidas da fazenda eram as melhores, eu simplesmente não resistia. 

– Ai, droga. Eu acho que vou morrer. – Jess choraminga, se apoiando na porta do banheiro assim que sai deste, a mão sobre a barriga. – Acho que eu ejetei todos os meus problemas pra fora junto. 

– Puta que pariu, Jessie. Que nojo. – Ela solta uma risada meio dolorida. 

– Acho que não vou conseguir ir. Sinto que se eu der um espirro... 

– Pelo amor de Deus. – A interrompo, fazendo uma careta. – Não termine essa frase. 

– Foi a galinha, eu tenho certeza que foi a galinha. Fazia tanto tempo que eu não comia galinha caipira, acho que exagerei. – Ela se arrasta até a cama, como um verdadeiro personagem de The Walking Dead. 

– É sério que você vai me deixar ir sozinha com ele? – Ela faz um floreio com a mão, deitando de bruços. 

– Devia aproveitar a oportunidade e se resolver com ele. Você disse que o Jungkook parecia magoado. 

– Tá, mas isso foi uma crise de consciência. Já passou. – Balanço o rosto. Não sei porque tinha contado aquilo pra ela. – É sério. Jess? – Minha irmã apoia o queixo em uma das mãos, me olhando divertida. 

– Do que você tem tento medo, oh, senhorita sou uma nova pessoa e superei? – Zomba e eu não sei o que responder por um momento. O que é a brecha perfeita para Jessie plantar a sementinha da maldade na minha cabeça. – Chama ele de boi e monta nele. 

– Jessie! – Ela ri, mas segura a barriga dolorida, soltando um som choramingo. 

– Olha, a Lucy que eu conheço não deixaria um vaqueiro desses escapar. – Me lança uma piscadinha. – Compra um remédio pra mim, por deus. – Nego com a cabeça, pegando minha bolsa e por hábito o celular também. 

No centro o sinal era melhor, eu poderia ligar pra Amy ou postar algum status dramático no whats

Minha mãe me dá uma lista imensa de coisas pra comprar e o dinheiro. Eu guardo tudo dentro da bolsa e me preparo mentalmente para encontrar Jungkook, já que ele me levaria. 

A noite está escura, sem sinal de estrelas no céu. 

– Não demorem. – Papai instrui. – Parece que vai chover e a ponte fica ruim pra passar. É perigoso. – Desço os degraus da escadinha, suspirando. 

A caminhonete da família era uma relíquia, eu não sei como aquela coisa nunca tinha aberto ao meio, sinceramente. 

Jungkook assente. Seu cabelo castanho está bem arrumado e penteado, a camisa xadrez vai pra dentro da calça justa e seu cinto reluz com aquela fivela brilhante. Ele cheira a macho de longe. Que ódio de mim. 

– Vou levar as encomendas pra a dona Lurdes, enquanto a Lucy faz as compras. 

– Certo, se cuidem crianças. – Me acomodo no banco do carona, unindo minhas mãos no colo e olhando diretamente para frente. 

Meu plano era permanecer assim a estrada inteira. 

Jungkook bate a porta da velha caminhonete com força da velha, já que se não fosse daquele jeito, não fechava. Só o som da sua respiração próxima me deixa meio apreensiva. 

– A Jessie não vai? – Pergunta pra mim, o tom casual. Tinha esquecido que ele tinha um sotaque bonitinho. 

– Hãn… – Murmuro, fitando-o de soslaio.– Ela não estava se sentindo bem. 

– Hm. – Diz simplesmente, ligando o carro e dando a ré para rotacionar os pneus de volta à estrada. 

Não sei o que considerar aquele hm. Ele nunca foi do tipo monossílabo. Mas era melhor assim. 

O percurso, no entanto, chega a ser fatigante. 

É desconfortável estar em silêncio ao lado de uma pessoa que costumava fazer parte da sua vida e acabo me sentindo meio mal, o que contradiz totalmente o pensamento de que não me importo. 

Não tenho coerência nenhuma. 

– Você costumava falar mais, Lucy. – Como se lesse meus pensamentos, ouço-o dizer. É com surpresa que quando olho pra ele, ele já está olhando pra mim. 

E nossa, Jungkook realmente tinha mudado. – Ou é só comigo? – O olho como se fosse uma fugitiva da polícia. 

– N-Não… Eu só… Estou cansada da viagem. – Ele solta uma risada curta, fitando a estrada. Naqueles trinta minutos aquelas eram as únicas palavras que tínhamos falado. 

– As pessoas mudam, não é? É natural. – Sua pergunta parece ser mais aleatória do que pra mim. Ele faz uma curva, entrando no centro da cidade. Como se já não fosse o suficiente, ele completa: – Mas eu gostava mais de você antes. – Arfo. 

Como se tivesse direito de estar puto, Jungkook encerra a conversa ao desligar o carro e sair deste. 

Eu não acredito que ele disse isso… 

Bato a porta com força ao sair, a mesma rangendo com o impacto. 

O bonitão logo já está sendo paparicado pelas tias da feira. 

– Xucro, grosso. – Resmungo, tirando a lista da bolsa e indo diretamente para a feira. 

O cheiro bom de frutas frescas, legumes e coentro me faz respirar bem. Meus pulmões agradecem, inclusive. A toxicidade do ar da cidade era tensa. 

– Lucy? – Uma voz meramente conhecida me faz levantar os olhos das batatinhas. Yoongi. Seus olhos ficam ainda menores quando ele sorri. – Não acredito que seja você mesmo. 

– Yoongi! – Abraço o garoto pelo pescoço. Ele não tinha mudado nadinha. Talvez tivesse caído no meu conceito de gostoso. 

– O que te trouxe a esse fim de mundo? – Indaga, sorrindo. Yoongi era amigo do sem educação do Jungkook. Eles faziam faculdade juntos. Agora deviam estar já terminando. Ele sempre fora um amor de pessoa e se estivesse solteiro, eu não ia perder tempo. 

Já o lanço meu melhor sorriso de pistoleira. 

– A cidade estava entediante. – Sorrimos juntos. – Senti saudade das pessoas, do clima daqui. 

– Vai ficar muito tempo? – Seu olhar se foca em meu rosto. Se meu radar não estivesse falhando, aquele peixão já estava caindo na minha rede. 

– Três meses, vou ficar durante as férias. Espero me entreter aqui. – Ele assente, sorrindo discretamente. 

– Tenho certeza que sim. – Diz, baixo. – Amanhã tem vaquejada, você vai, né? 

– A Lucy não gosta dessas coisas. – Jungkook praticamente se põe entre mim e Yoongi, os braços cruzados, o olhar mortífero. Mas que droga? – É coisa de gente do mato, não é? – Franzo o cenho pra si. Mas do que diabos ele estava falando?

Yoongi pigarreia desconcertado. 

– Bom, espero que você vá. Foi bom te ver, Lucy. – O mais baixo me lança um sorriso que mal retribuo direito, estou ocupada demais tentando matar Jungkook com os meus olhos. 

– Qual o seu problema? – Inquiro, furiosa. 

– Não lembra o que disse aquela noite, Lucy? – Sussurra e ele é tão… Alto, que tenho que olhar pra cima. 

E o seu tom é tão magoado, tão ressentido que me atinge. Forço minha memória para me lembrar do que quer seja. Mas é tudo muito vago. Só consigo pensar na rejeição e em como cheguei magoada em casa e então… Falei um monte de besteiras sobre não querer voltar mais pra fazenda e como eu odiava aquele lugar, e as pessoas, e a cultura. 

E merda, Jungkook deve ter ouvido. 

– Não disse aquelas coisas por mal, eu estava magoada. – Me justifico. 

– E então, você quis me magoar também pra retribuir? – Murmura. – Pensei que fosse minha amiga. 

– E eu era. – Retruco no mesmo tom. – Mas não importa mais. Eu sinceramente não quero falar sobre isso. – Enfio as batatinhas com força na sacola, ainda sentindo sua presença ali. 

– Você nunca encarou algo de frente, não é? – Volto o olhar pra si, quase jogando aquela batatinhas no meio da sua testa.– Vamos logo com isso, vai chover logo e a gente precisa tá adiantado na estrada. – Pega outra sacola, enfiando as coisas dentro. 

Eu me calo, porque se eu fosse começar a falar, já ia falar demais, então, era melhor deixar como estava. Todo mundo puto. 

Faço as compras da semana e levo o remédio pra Jess, coitada. 

Gotículas de chuva já caem do céu quando vamos em direção a caminhonete, ainda mantendo nosso contrato de silêncio. 

Uma cabeleireira ruiva surge da saída da feira. Os seios bem arrojados numa blusa regata, saia jeans e botas. Seu batom vermelho chama atenção e ela vem diretamente em direção à Jungkook, enlaçando os braços ao redor do pescoço dele e dando um beijo demorado em seu pescoço. A visão me dá calafrios na alma. 

Juliet. 

Jungkook que tem os braços lotados de sacolas, retribui o abraço meio torto e eu paro pra ver aquela cena porque é muito ridícula. Ele achava que tinha moral pra falar de mim? 

Não é preciso ser muito esperto pra sacar o que tá acontecendo. 

Ela vivia correndo atrás dele no passado, mas ele sempre dava um jeito de escapar das unhas de gel dela. Pelo visto, a ruiva tinha conseguido seu objetivo e a cena realmente me incomoda. 

Ela passa as mãos nos braços dele, praticamente esfrega os seios nele e fala arrastado como se fosse uma idiota. O pior de tudo é que Jungkook parece outro idiota, fingindo que tá ouvindo alguma coisa enquanto fica olhando pra os peitos dela. 

Que nojo. Sinceramente, não sou obrigada a ver isso. 

Dou meia volta e sigo até a caminhonete, deixando as sacolas sobre o banco de trás. 

Tenho vontade de pegar o carro e dar marcha ré nos dois. 

Arght

Homens. 

Evito ficar olhando pra o retrovisor ou vou vomitar a qualquer momento. Aquela volta a GoldenVille estava me saindo pior do que eu imaginava. 

Tiro meu celular da bolsa, procurando por algum sinal. Mas é muito precário por conta do tempo de chuva. 

Se eu não arranjasse algum contatinho pra me ocupar nessas férias, estava ferrada. 

Meus pais que me perdoem, eu amava ficar com eles, mas nem que precisasse implorar a minha mãe, eu iria embora dali. 

Frustrada repentinamente, fuço meu celular pra me distrair, mas a impaciência é demais e o deixo de lado. 

Jungkook ainda conversa com Juliet e eu reviro os olhos.

Se ele tinha estragado meu papo com Yoongi, eu também podia estragar o dele. 

Risos

Saio com um enorme sorriso no rosto, indo até os dois. 

O-oh Jungkook! – Imito Julie, meu tom sai como um gemido. – Por que você não me leva pra um motel, Jungkook? – O moreno vira o rosto pra mim petrificado. Julie parece chocada. – Oi Juliet, que desprazer de ver. 

– Digo o mesmo. – Ela me lança um sorriso azedo. – Não sabia que tinha voltado. – Olha pra Jungkook parecendo puta. Que coisa. 

– A boa filha a casa torna. – Faço um biquinho. – Vocês podem se atracarem depois? Eu quero ir pra casa e esse idiota é a minha carona. – Sorrio, cínica. Não gosto dela, dane-se a sororidade. 

– Você… – Seu tom se ergue um décimo, mas, o salvador da pátria, Jungkook interpõe. 

– Eu falo com você depois, Juliet. Preciso levar a Lucy antes que chova. – Me olha feio, mas o lanço um beijinho. 

Sem escolhas, Juliet revira os olhos, e faz toda aquela ceninha pra deixar um beijo mo canto da boca dele. 

– Falo com você amanhã, campeão. – Ela se vai, rebolando tanto a bunda que a qualquer momento pode cair. 

Jungkook tem os olhos negros injetados em mim. 

– Enlouqueceu? 

– Você pode estragar o meu esquema com o Yoongi e eu não posso estragar o seu? Cadê a igualdade? – Arqueio as sobrancelhas. Jungkook ri incrédulo, o cabelo meio bagunçado por causa do vento. 

– Esquema com Yoongi? O que viu nele, hein?– Sorri, cretino. 

– E você, fodendo a Juliet, por deus, Jungkook. Eu teria vergonha. – Ele cora com o jeito que falo, provavelmente não acostumada com o meu jeito de falar. 

A garotinha que ele rejeitara não costumava ser tão direta assim. 

– I-isso não é coisa que se fale pra um homem! – Repreende, e eu sorrio maior.

A nova Lucy era muito mais interessante e eu estava disposta a fazer Jungkook enxergar isso. 

E iria usar de todo o meu conhecimento pra tal. 

E começaria atingindo seus dois pontos fracos: Sua masculinidade e seu amor por vaquejadas.

– Não interfira nos meus esquemas, Jungkook. – Pontuo, vendo aquelas adoráveis bochechas vermelhas. – Amanhã vou me encontrar com Yoongi. – Falo lentamente – E vou adorar subir na sela dele quando ele for campeão. 



Notas Finais


??
KAKSKSKSKKSKSKSKKS
Me digam o que acharam 🥺


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