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História Moon Bridge - Capítulo 2


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Notas do Autor


aaaa eu extrai uma força de vontade do fundo da alma pra mais um capítulo.

Capítulo 2 - O mio babbino caro!


A Outline Street- como propriamente diz o nome- se encontrava na periferia da cidade, se parecia com uma zona industrial grandiosa, mas era, na realidade, um amontoado de lugares abandonados; lugares que um dia estiveram a todo vapor, como fábricas de motores, estações de trem ou indústrias de produção em massa de pequenas e grandes engrenagens de enfeite - estava muito em alta na época, sem falar dos zepelins e trens que pareciam uma espaçonave.

Depois de uns tantos anos a plantação local mostrava novamente sinais vitais pela área, ao invadir os muros e as máquinas abandonadas, como uma forma de vingança natural, formando belos e contorcidos desenhos através dos materiais sólidos.

 Claro, estamos falando de um período escasso no país, que um dia já espalhou sua fumaça de prosperidade e beleza por todo o mundo- o fracasso após o auge.

Das diversas construções monumentais da região, apenas uma delas emanava uma fumaça, um resquício de atividade, mas era uma das menores construções em comparação às outras;  um espaço sutil, e aparentava ser recente- por fora uma casa incomum, três andares, tijolos à vista, disfarçando dispositivos enormes perfeitamente construídos em caso de ataque invasor; telhado amplamente triangular com alguns musgos, uma larga porta de aço central e algumas poucas janelas em redor, nenhuma delas dava vista para o interior. Todavia, seu interior parecia-se com um novo mundo em uma casca de noz.

 Aleksander caminhou pela longa calçada debaixo do céu cinzento de fumaça e se dirigiu à porta principal. Certamente se fosse qualquer outra pessoa, no meio do caminho teria pedaços de sua carcaça de carne voando por aí, ou na melhor das possibilidades, apenas uma perna voando por aí. O sistema de segurança da casa era tão preciso quanto a meteorologia da época -  não é tão difícil saber quando terá alguma tempestade.

Ele  pisou no carpete de “Caia Fora” e olhou para cima por alguns segundos. O que agora parecia uma monumental e mecânica casa enchendo sua visão. Entrou pela porta com a identificação de seu cartão e depois de mais algumas travas de segurança estava descendo pelo elevador para os andares subterrâneos, “O maldito com certeza está lá.”.

    Na oficina ecoava uma ópera que vibrava nos vidros e metais- O mio babbino caro!- e sons abafados de máquinas que impediam uma visão do lugar inteiro, alguns sons de marteladas deixavam tudo mais dramático. Direcionou-se ao barulho, desligando a caixa de sol de bronze enquanto encarava o homem com óculos grossos de mecânica e uma bolsa de sangue pendurada conectada ao seu antebraço que parou imediatamente, com o martelo no ar.

-Alek, querido! -disse em tom inocente e brincalhão, retirando os óculos com uma só mão.

-Olha Max,  eu só queria saber como diabos--- 

-Você sabe que odeio hospitais. -Mr.Hammerman o interrompeu. Aleksander tapou a boca com a palma e deu gargalhadas abafadas.

-Perdeste o braço, fugiste do hospital, e o que fazes com esses metais e ferramentas com seu único membro superior útil?

-É óbvio: um braço extra movido por engrenagens e conexões nervosas.

    O policial se sentou no banco mais próximo.

-E...desde quando faz coisas além de consertos de brinquedos e fabricação de relógios?

-Não importa agora- disse distraidamente, num momento de concentração, estava encaixando uma peça minúscula no cotoco do seu braço. Logo fez uma expressão disfarçada de dor. A segunda parte era uma prótese do braço, era pesada pelas tantas engrenagens e materiais usados para o preparo. Aleksander ficou observando, com os olhos cheios de apreensão. 

-E agora…?

    Maxwell estava tendo dificuldades para movimentar. No mesmo momento teve uma descarga elétrica, convulsionando e caindo no chão, desacordado.

    -Maldição!  -o outro se levantou, o levantou no ombro e caminhou até o elevador, o deixando no leito de seu quarto com uma bolsa de sangue nova. Ficaria ali descansando por alguns dias, sendo o esforço feito por Maxwell até o momento desumano. Seu primo teve um histórico enorme de atitudes extremas e perigosas desde a morte dos próprios irmãos na segunda guerra, e Aleksander o cuidava como um irmão próximo.

    Nas próximas duas semanas, um mordomo foi contratado para cuidar da saúde de Maxwell. Um mordomo bem pago para serviços um pouco mais complicados. Todos os dias deveria trocar as faixas ensanguentadas do amo, e eventualmente os lençóis sempre brancos. A casa deveria se abster dos sons estrondosos que as máquinas faziam constantemente, de todos os relógios de parede, máquinas de escrever automáticas e geradores de energia para a vasta oficina. E de quando em quando o mordomo com olhos serenos observava Mr.Hammerman por alguns minutos durante o dia, quando repentinamente olhava o relógio de bolso, para checar o horário dos remédios, das refeições, e dos momentos que deveria checar a pulsação do mesmo.

    Ao fim do dia se sentava em sua pequena e simples cama, e com uma lamparina em mãos, folhava mais uma vez seus livros de como se tornar um mordomo melhor, e se deitava forçando o sono a aparecer para acordar são e cedo para mais um dia de trabalho. 

    Foram dias meio solitários até que Maxwell encontrou-se acordado antes do mordomo abrir as cortinas. Parecia forte o suficiente para iniciar uma conversa.

    -Sabe de uma coisa? Você está na minha casa há tantos dias e eu sequer pude saber seu nome.- se sentou com dificuldade na cama. O outro se virou um pouco assustado.

    -Ah! O senhor parece ótimo, que surpresa! -o entregou o chá matinal- a propósito, meu nome é Tesla, senhor.

    -Tesla de Nikola Tesla, meu velho amigo? Hah! -pegou a fina xícara de chá e bebericou delicadamente.

    -Sim, senhor, meus pais foram grandes fãs dele. -sorriu, cruzando os dedos em frente o tronco.

    -Uhum…-falou enquanto tomava outro gole- mas olha, para ser um mordomo, você é realmente um homem jovem.

    -Trabalho com serviços domésticos desde muito cedo...Mr.Starling, seu primo, me conhece há muito tempo também.- checou seu relógio- o senhor parece realmente estar em perfeitas condições, fico feliz.

    Maxwell olhou para baixo, vendo que tomava o chá com seu braço mecânico sem ter percebido. Ele era tão pesado quanto seu outro braço normal, as peças eram douradas e delicadas, todo interior mecanizado era exposto, como um charme. Haviam engrenagens grossas para as articulações e vários fios de cobre para conexões nervosas. O braço poderia facilmente ser conectado à algum aparelho eletrônico para facilitar seu trabalho.

    Um sorriso vitorioso se espalhou pela sua feição.

    -É...eu nunca me senti melhor!



 


Notas Finais


Obrigado por lerem!


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