História Moon Lovers: The Second Chance - Capítulo 17


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Categorias Histórias Originais
Tags Dorama, Drama Coreano, Moon Lovers
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - As Regras da Sucessão


Wang Hansol não parecia estar muito animado. Na cabeceira da grande mesa de carvalho, um ambiente que já testemunhara as reuniões mais importantes da empresa, ele estava prestes a iniciar a que talvez fosse a mais complicada delas.

Conciliar tantos gênios fortes, diluídos de tantas mulheres difíceis, cada um ao seu modo, salpicado com o caráter marcante da própria linhagem do pai, era como reger uma orquestra de sapos noturnos em época de acasalamento. Ao menos havia sido essa a definição debochada que seu amigo, Yoseob, encontrara para os filhos de Hansol quando empenhados em defender seu ponto de vista.

 O homem se pôs em pé, após a chegada de todos, inclusive do rebelde Shin, o que não chegou nem a surpreendê-lo, e manteve a cabeça baixa, organizando os pensamentos antes de se pronunciar. As mãos espalmadas sobre o tampo encerado lhe davam equilíbrio para aquela posição. Ruminava sobre seus filhos e todas as coisas que ouvira no último sábado, na sala de reuniões.

A proposta de permitir que seus herdeiros pudessem ter um período como CEO da empresa não tinha como objetivo criar competições ou atritos, mas sim para que eles pudessem desenvolver, da melhor forma, suas aptidões e se familiarizarem mais com aquilo que lhes garantia a boa vida.

Ele tinha consciência de que as coisas não seriam como havia planejado. Nenhum deles era dócil, nem mesmo Taeyang, o cooperativo. Sabia que as rédeas se soltariam assim que anunciasse a ideia, mas nem de longe imaginou que tomariam aquela proporção.

Tivera de ameaçar os filhos para que estivessem naquela reunião e isso o entristecia mais do que todas as palavras pronunciadas na reunião improvisada anteriormente. Ele se conscientizava que eles não entendiam, de fato, o real significado da empresa familiar.

A empresa Wang havia se iniciado com o seu pai, um homem pobre que usou toda a sua inteligência para levantar, praticamente do zero, um grande império. Trabalhou por anos em indústrias automobilísticas, um amante declarado da engenharia mecânica, e, juntando cada centavo do que recebia, iniciou seu próprio negócio fornecendo peças para corporações do setor; inicialmente as pequenas, e isso o alavancou aos maiores produtores do país.

Do início à ascensão seguiram-se poucos anos. Com uma clientela poderosa e um trabalho inigualável, deixou uma empresa já de sucesso, nas mãos do seu único filho, Wang Hansol, responsável por transformá-la no conglomerado, hoje, mundialmente reconhecido.

Hansol também fora um rebelde em seu tempo. Seu sonho era construir casas e erigir arranha-céus, concluindo o curso de engenharia civil como primeiro da sua turma. Houve muitas discussões entre filho e pai, até que o mais novo entendesse que seu destino estava na alquimia do aço, não dos tijolos.  

Ele realizou seu desejo final, idealizar a Mansão da Lua, e então fechou essa porta dentro do seu coração, se entregando de corpo e alma para o patrimônio do velho Wang. Depois disso, estudando o caminho trilhado e as escolhas induzidas pelo seu patriarca, ao menos no âmbito profissional, ele sabia que as melhores alternativas foram tomadas.

Seus filhos, porém, não pareciam entender a importância daquela empresa. Além de Gun e Taeyang que verdadeiramente se dedicavam ao patrimônio da família, eles aparentemente reconheciam apenas o luxo e a vida fácil, os resultados que lhes proporcionavam o conforto, embora resultados positivos não se materializassem do nada.

Chegaria um dia em que Hansol deixaria aquele mundo, e o que seria da maioria deles? Sentindo-se imensamente triste, olhou para a pasta de couro que guardava a pauta da reunião em detalhes e soube que já passava da hora de começar.

— Quantas horas de meditação antecedem o início das reuniões? — Shin quebrou o silêncio, bocejando e consultando o relógio de parede — Se for demorar muito, volto mais tarde.

— Trate nosso pai com o devido respeito, insolente de uma figa! — Gun ladrou para o outro.

— Eu não estou falando com você, sabia? — Shin retorquiu, desinteressado.

— MAS EU ESTOU!

— Nas reuniões com a presença do nosso pai, ele é o primeiro e o último a falar, portanto seria de bom tom se você se adequasse às regras daqui se tiver interessado em almejar alguma posição na Wang S.A — Taeyang respondeu, imóvel, da sua poltrona, aprofundando um olhar maciço sobre o herdeiro desgarrado.

— Também não dirigi minha palavra a você… Taeyang — Shin devolveu gélido. Os dois se encararam intensamente.

— Finalmente Taeyang está certo em alguma coisa — Gun atacou provocativo, sorrindo maliciosamente.

— Nem por um segundo estou tomando partido de você, se é o que pensou — quebrou o olhar com o irmão mais velho para responder ao outro.

— Ah, parem já com isso! — Yoseob exclamou por cima dos filhos de Hansol. O bom amigo lhe poupou a saliva ralhando com eles —  Estão achando que esse lugar é um circo? Ficaremos o dia inteiro ouvindo essas discussões infantis de um bando de adultos e não chegaremos ao motivo de estarmos aqui.

— Pois bem… Todos os três acabaram quebrando as regras matraqueando por cima de mim… Todos os quatro, aliás — espiou Yoseob de modo cúmplice e, abrindo a pasta, continuou — Como já estão cientes, irei me aposentar em breve e pretendo nomear alguém desta sala como meu sucessor no controle da companhia.

Todos os filhos mantinham a expressão fixa no pai. Ao analisar rosto por rosto, o homem percebeu que estavam ali, de certo, se sentindo confinados ou desolados, sentados ao lado do inimigo, na obrigação imposta por ele. Não existia nenhum sinal de paixão neles, até mesmo nos dois rapazes mais empenhados nos negócios, Gun e Taeyang.

— Essa reunião será para tratarmos dos pormenores. Aqui farei o possível para sanar todas as suas dúvidas e deixar claro os demais termos para a sucessão.  

— Na pasta à frente de vocês há as regras para o programa — Yoseob iniciou sua fala ensaiada com o velho amigo — Podem acompanhar enquanto os pontos são explanados.

Os herdeiros pegaram as pastas dispostas sobre a mesa e deram uma olhada rápida sobre o seu conteúdo. As expressões de Gun e Taeyang foram as primeiras a tomarem uma aparência mais tensa. Eujin, Jung e Sun continuaram inexpressivos, o último a ponto de dormir em cima da mesa. E Shin, observado com curiosidade por Yun Mi, fora o único que não se interessara pelos termos, sequer abrindo a pasta.

— Antes de mais nada, quero deixar claro que a sucessão da empresa seria por direito de Sook, mas por estar muito bem encaminhado e envolvido com seu projeto na ISOI, o próprio abriu mão do cargo, que foi deixado em aberto.

— Então, naturalmente, ele deveria vir para o segundo mais velho, eu — Shin comentou petulante, as botinas ainda sobre a borda da mesa. Antes que Hansol pudesse debater sobre as condições especiais do jovem, ele mesmo prosseguiu —  Mas eu sei que sou um eterno inapto até que prove o contrário… não estou certo?

— Esse cargo deveria ser meu, papai, todos têm consciência disso — Gun começou, claramente irritado, agulhando-o antes que tivesse tempo de concluir com Shin — Precisamos ser francos… nenhum dos meus irmãos têm capacidade para gerir essa empresa além de mim.

— Você fala isso com muita propriedade, Gun — Taeyang tomou a palavra novamente — Mas será mesmo que nós não temos capacidade ou nossa capacidade tem sido roubada por outras pessoas?

— O que está insinuando? — Gun objetou espalmando a mesa, levantando-se contra o irmão.

— Calem-se, por favor — Hansol disse, fechando os olhos e suspirando fundo, exaurido. Gun sentou-se em seguida, a face injetada de cólera — Yoseob lerá as regras para vocês. Ao final, debateremos uma a uma, caso exista dúvidas.

— Todos sabem que, dentro de dez meses, lançaremos um novo modelo de automóveis, o protótipo ainda chamado de P02 — Yoseob narrava enquanto Gun e Taeyang se digladiavam  com os olhares — Diante disso, o trabalho de vocês será avaliado de acordo com os resultados que serão obtidos sobre a produção.

"O trabalho deve ser feito em conjunto, todas as áreas da empresa trabalharão de mãos dadas para que tudo ocorra bem. Vocês deverão auxiliar uns aos outros, caso exista problemas e, ao final de cada mês, mediante as planilhas que serão apresentadas em reunião, o setor que obtiver mais falhas será responsabilizado, além de seu líder ser prejudicado no que se refere à sucessão. Essa será nossa primeira regra."

Os ouvintes acompanhavam a leitura e Hansol retornava a observar suas crias com interesse analítico. Seu maior desejo era que os filhos o escutasse como tantas vezes ele não escutou o pai. Conseguia compreender, nesse ínterim, a preocupação do antigo homem para que ele não tivesse tantos casamentos e muitos filhos. Era bem verdade que não se arrependia de nenhum deles, mas as preocupações na criação de todos o deixou envelhecer antes do tempo. Toda manhã, ao dar bom dia para reflexo no espelho, encontrava um ser humano ultrapassando a própria idade.

— Haverá acompanhamento dos setores através de reuniões mensais com balancetes — o outro continuou na pauta — Os trabalhos até então realizados deverão ser apresentados em planilhas, projetos ou expostos visualmente, ao critério do setor. Cada exposição deverá ser feita em, no máximo, quinze minutos, e apresentar as problemáticas ou objetivos já alcançados, assim como o controle da evolução da linha de forma clara e objetiva.

"Serão distribuídos olheiros, os quais não serão identificados, que estarão em conjunto com todos os envolvidos. As informações colhidas por eles serão transmitidas diretamente para Wang Hansol, que as avaliará e tomará decisões em cima de cada uma delas.

"Todos os envolvidos terão, de igual modo e por tempo equivalente, a oportunidade de comandarem a empresa como CEO. O tempo designado para tal será de trinta dias e, nesse período, cada um será avaliado pelos acionistas, colaboradores e funcionários da empresa.

"Entre as suas principais funções serão avaliadas o controle de gerenciamento de toda a organização, articulação de todos os departamentos e estratégia para tomada das principais deliberações.

"Será responsável por determinar os objetivos para administrar e dirigir o progresso rumo aos demais setores da empresa, e não apenas a produção da nova linha de automóveis, mas estará à frente de problemas, reuniões e do contato direto com fornecedores.

"A disposição da ordem de gerenciamento se dará por sorteio a ser realizado na presença de todos, por Hansol, ainda esta tarde.

"Os envolvidos precisarão morar na Mansão da Lua para que a sua participação seja aceita, além de estarem impedidos de se relacionarem com funcionários, tanto na empresa, como na mansão."

Gun e Taeyang voltaram a se olhar. Shin observou também os olhares de Jung, Sun e Yun Mi se virarem para Eujin, este parecendo levemente constrangido com aquela menção. Com um discreto sorriso lateral, o Wang rebelde imaginou o que o irmão havia aprontado durante os anos que passara fora para provocar aquela tensão.

— Alguma dúvida? — a voz de Hansol se fez ouvir novamente e todos voltaram o olhar com atenção para o patriarca.

— Por que está querendo me obrigar a voltar a morar na mansão?

A voz de Shin foi a primeira a se ouvir em um tom abertamente irritado. Percebeu, mas sem dar uma atenção devida, que todos os irmãos o miravam, e continuou focado na resposta que viria.

— Isso não tem, de fato, um real sentido, Shin — o mais velho continuou, a voz amena, uma sutil nota de carinho podendo ser identificada — É de meu interesse que meus filhos estejam por perto enquanto administram nossa empresa e, de muito mais interesse, que estejam próximos de mim.

— Mas seria possível estar por perto sem ter que mudar para a mansão — Eujin se intrometeu após a deixa do pai. Hansol notando a mágoa crescente no garoto, por negar-lhe o desejo pueril numa carreira improdutiva - a música - que só serviria para atrair os holofotes da imprensa sobre a poderosa família de Busan.

— Vocês são Wang. Quero que estejam juntos, que aprendam a conviver juntos. Como gestor, digo que esse é o principal motivo de pedir que residam na mansão. Nossos antepassados mais longínquos encerraram suas histórias de modo sangrento, entre si,  por desentendimentos menores.

— E, caso eu ganhe — Shin objetou um instante ao perceber a risada debochada de Gun — Caso eu ganhe, papai… Deverei continuar morando na Mansão da Lua?

— Não, se não quiser... — Hansol respondeu com firmeza — O prazo é até que a linha seja lançada. Em seguida, nomearei o sucessor. Para o caso de ser você, poderá morar onde quiser, contanto que cumpra com suas obrigações de líder.  Está claro?

Shin não voltou a falar. Fez um breve aceno com a cabeça e inclinou a cadeira mais para trás, aparentemente pensando com profundidade em algo realmente importante.

— Nós temos uma questão muito mais interessante, pelo que eu entendi, meu pai — Yun Mi se inclinou para frente na poltrona — E quanto a Na Na?

— O que tem Na Na? — quiseram saber Gun e Taeyang praticamente em uníssono.  

— Ora… — ela pontuou a especulação sorrindo triunfante para os dois — Yoseob foi bastante claro ao dizer que não devemos nos relacionar com os funcionários, tanto da empresa quanto da mansão. Kim Na Na é uma funcionária e está de noivado marcado com nosso bom irmão.

Gun a perscrutou na sintonia odiosa que dedicou ao irmão, minutos atrás, enquanto Taeyang se remexeu desconfortável no estofado.

—  Kim Na Na é a exceção a essa regra. Ia mencionar isso tão logo me deixassem — Hansol esclareceu — Ela é uma boa moça, nossa gerente de patrimônio, extremamente competente, se empenhando nos projetos da empresa e compondo nosso meio familiar há muito tempo. É praticamente uma filha para mim e a futura esposa de Gun. Jamais a incluiria nesses termos.

— É um pena… — Yun Mi apoiou uma mão sobre o queixo, desapontada, mas ainda havia um resquício de veneno na ponta de sua língua para destilar — Está vendo Eujin, escutou papai? Nem se empolgue com a serviçal da mansão…

— Ha Jin é uma amiga, sua serpente maldosa — Eujin prontamente retrucou.

— É, entre eles não há nada além que amizade — Jung reforçou protegendo o irmão.

Hansol já tinha escutado o nome daquela empregada na boca de outras pessoas. Nyeo Hin Hee comentou sobre ela, positivamente, em algum momento ao longo das semanas anteriores, mas o velho homem não reteve nada por estar repleto de inquietações na cabeça, principalmente acerca da repercussão do seu anúncio. Se ele não estava enganado, apesar de tudo, Ha Jin era a governanta nova, a que quebrou as taças durante a chegada de Shin.

Entrementes, o que chamou a atenção dele naquela pequena discussão fora ver Jung defendendo Eujin com tanto empenho. Era o pouco de felicidade que ele tinha, que os mais novos se dessem bem.

— Que seja, mas essa garota é absolutamente abusada, papai. O senhor deveria…

— Yun Mi, o foco dessa reunião não é sua implicância estúpida em cima de pessoas competentes e de bem —  disse Eujin.

— Sábio rapaz — Yoseob concordou satisfeito e emendou rápido, antes que outra picuinha se iniciasse —  Alguma outra dúvida envolvendo as regras?

— E quanto aos nosso cargos anteriores? Como lidarei com o RH tendo de estar empenhada nessa competição? E Taeyang?

— Eu apenas farei o que sempre faço: comandar tudo isso aqui na ausência de papai  — Gun contou vantagem cruzando os dedos atrás da nuca.

— Estou farto de te ouvir contar vantagem! — Taeyang exclamou alto, espalmando a mão sobre a mesa, perdendo a compostura definitivamente.

Gun riu, encantado por ver o irmão morder a isca.   

— Parece que estou vendo minha mãe e a senhora Ah Ra nessa mesa — Shin soltou, tirando os pés da madeira e se sentando como os outros. Pegou finalmente sua pasta e começou a folhear sem interesse real.

— Os cargos continuarão no comando de vocês, então tomem isso como um dos desafios em meio à disputa — informou Hansol, ignorando a tensão entre os filhos.

— Como assim, papai? — Sun falou pela primeira vez, alarmado — Eu tenho a faculdade, e as minhas coisas, o campeonato no World of Warcraft, e o estágio daqui… e ainda vou ter que entender dos detalhes para concorrer a CEO? Eu não quero esse cargo!

— Nem eu — Jung, sempre perdido naquele falatório todo sobre empresa encontrava suas brechas no desespero do irmão caçula, gêmeo ao seu — Que horas vou conseguir treinar para o torneio dos pesos leves de Taekwondo no meio do ano que vêm?  

— Eu detesto ficar nessa droga de lugar… Terei de fazer serão aqui dentro? — Eujin fechou o coral das reclamações dos herdeiros mais novos e mais irredutíveis a se interessarem pela companhia.

Hansol tentava compreender a ânsia juvenil por interesses supérfluos. Os últimos três filhos foram os que ele menos teve tempo junto para ensinamentos e conselhos. Eram garotos de outra geração, desligados e sonhadores, mas, por outro lado, também eram seus filhos e deveriam carregar aquela insígnia.  

— Por mim, as crianças deveriam ser retiradas da reunião, de fato — Yun Mi especulou como se sua observação fosse um decreto.

— Estou mais do que disposto a deserdar o desertor, apenas repito — o pai os relembrou daquele mero detalhe, friamente.

Os três mais novos se ressentiram em expressões cansadas e, cabisbaixo, Sun retornou a apatia de antes. Yoseob molhou os lábios e complementou, especificamente para a criadora de caso, Yun Mi:

— Não adianta querer mandar seus irmãos embora. Quando as regras dizem trabalho em equipe, significa que vocês devem ajudar uns aos outros nas tarefas, porque, ainda que estejam competindo entre si, o benefício maior sempre será da Wang S.A. De todo modo, o trabalho em conjunto será o grande enfoque para os olheiros.

— Ótimo… —  ela revirou os olhos.

— Mais alguém com alguma dúvida… relevante? — o velho homem os encarou.   

— Eu tenho e quero fazê-la na frente de todos… — Gun se sobressaiu, a tez afogada de expressões dramáticas como as de Min-joo — O que fiz ao senhor para merecer ser chutado assim? Muitas vezes o senhor me deu a entender que a sucessão seria minha e então, subitamente, sou nivelado a pessoas que sequer querem essa responsabilidade. Estou frustrado, papai.   

— Aprenda a lidar com essa frustração primeiro, meu filho, e isso já será metade do caminho para as respostas dessa sua pergunta… — Hansol desconversou.

— A outra metade é lidar com a desonestidade — Shin completou sorrindo para as laudas da pauta que não acabava nunca de folhear, um compêndio gigantesco.

Os irmãos, Taeyang entre eles, riram baixinho ao comentário do herdeiro perdido. Gun ficou roxo de raiva, mas não disse nada.

Finalizado os detalhes e as dúvidas, também as discussões, Yoseob realizou o sorteio para definir a ordem de liderança ao cargo de CEO deles. Cada Wang escreveu seu nome num papel e o acionista recolheu, um a um, conferindo se ninguém trapaceava no processo. Depois, depositado cada papel dentro de uma sacolinha improvisada, coube a Hansol retirar os sorteados em ordem crescente.

— Então ficou Gun, Eujin, Taeyang, Yun Mi, Sun, Shin e Jung. Parabéns crianças! — o acionista revelou empolgado, esfregando as mãos uma na outra e molhando os lábios, provavelmente imaginando as muitas apostas que poderia recrutar a partir dali. Hansol, que bem sabia como seu amigo se entretinha com as disputas da família dele, sorriu e balançou a cabeça, antecipando o que aconteceria.

— Acabamos, finalmente? — Shin arremessou a pasta na mesa que deslizou no móvel até bem próximo do pai — Estou ansioso para retornar ao seio daquela mansão agradável.

— Acabamos… — Yoseob quem respondeu, se espreguiçando.

— Ainda há uma dúvida — Taeyang tinha mais a dizer.

— Chega, garoto! — o acionista chiou fazendo careta de desgosto, exaurido.

— Vamos à ela — Hansol lhe deu a vez, paciente, embora tão fatigado quanto o amigo.

— Nós todos temos funções na empresa e fora dela, mas e ele? — apontou para Shin — Tudo será mais fácil para quem não tiver outras preocupações. Em outros termos, ele levará vantagem sobre nós.

— Não levará… Shin será responsabilizado, a partir de amanhã, pela linha de produção, trabalhando ao lado do atual gerente, Han Jae Suk — o patriarca sanou os medos do filho e provocou uma expressão de espanto em Shin. Ele tinha certeza que o garoto achava que continuaria sendo excluído de tudo quando retornasse.

— Nada é tão ruim que não possa piorar… — Gun bufou — Papai, é sério que…

— CHEGA! — Hansol gritou numa voz intimidadora, encontrando seu limite — VÃO JÁ PARA CASA! ESTOU FARTO DE TODOS VOCÊS POR HOJE!

E sob os olhares assustados dos filhos, o homem deixou a sala de reuniões batendo a porta atrás de si.

— Se fossem meus filhos, todos vocês, eu teria dado para serem criados em um templo budista — Yoseob expôs seu ponto de vista, azedo, recolhendo a papelada — Estejam aqui amanhã, a partir das sete horas, para assumirem suas funções — os avisou e saiu numa aspereza semelhante ao presidente da empresa.



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