História Moon Society: The lighthouse. - Capítulo 18


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Categorias Histórias Originais
Tags Carros, Celtic, Espíritos, Irlanda, Mistério, Originais, Romance, Teen, Wexford, Witchcraft
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Palavras 3.792
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - Capítulo dezesseis: Sessão espírita.


Capítulo dezesseis: Sessão espírita.

Eu adormeci alguns minutos depois, então acordei às três horas da manhã, meu quarto estava frio, a porta da sacada aberta , ventava muito naquela madrugada, as cortinas voavam alto ao sabor do vento.

Me levantei para fechar elas, depois caminhei de volta para a minha cama, peguei meu celular e disquei o número da minha tia Emily, não importa que horas eram... Só queria ter alguém para conversar.

― Alô, Brie é você amor? Tudo bem?

― Sim, só... Não consigo dormir e... Eu queria ouvir sua voz... Desculpa por ligar tarde... Eu nem sei que horas são na Alemanha ― Admiti.

― Uma hora a mais do que em Dublin... Você está bem mesmo?

― Sim... Só... Queria saber como estão as coisas...

― Estou muito animada com a coleção da Igrit Mendell, estão amando minhas fotos e seus avós chegaram aqui hoje, tem um grande desfile amanhã a noite... Gostaria que você estivesse aqui, é um lugar tão lindo boo ― Falou.

Eu suspirei.

― Quando voltarem vou pegar um trem e passar um fim de semana com vocês.

― Eu vou gostar disso, eu conheço você o suficiente para saber que não me ligou apenas para ouvir minha linda voz...

― Bati em uma menina... Eu... Só... Eu não queria, apenas não pude me controlar... Ela contou às pessoas da escola tudo sobre... Tudo ― Falei.

― Tudo?

Assenti com um som nasal.

― Como ela soube dessas coisas? Quero dizer...

― Joseph ficou bêbado e contou a ela... Eu o perdoei... Mas eu me senti suja... Por machucar ela... Eu sou uma pessoa ruim e eu não queria... Ser assim

― Você não é uma pessoa ruim... Apenas perdeu o controle... Ela é uma pessoa ruim por explanar as coisas do seu passado para as pessoas e tentar usar isso para machucá-la... Não gaste suas energias pensando nisso meu amor.

― Ela namora Joseph, a menina em quem eu bati.

Emily suspirou.

― Bateu nela por namorar Joseph? Por ele contar a ela sobre as coisas do seu passado? Ou por ela contar isso as pessoas?

― Eu não sei... Ultimamente eu... Não me sinto... Eu, entende? É como se eu estivesse vendo tudo de cima e não pudesse controlar nada.

― Eu entendo, você ainda está se encontrando, querida, é normal ter uma crise de identidade... Tente conversar com Mason e Sarah sobre isso...

Eu suspirei.

― Não é sobre crise de identidade é mais... Como se eu tivesse essas... Coisas... Que eu posso fazer... Eu sinto... Eu não consigo controlar certas coisas... Entende?

― Eu quero que procure Mason e peça a ajuda dele, para fazer duas listas, uma de coisas que você é capaz de controlar e outra de coisas que estão fora de seu controle, pendure em um lugar que você tenha que olhar todos os dias, não adianta tentar controlar o mundo, algumas coisas estão fora de nosso alcance, esclarecendo isso, você para de tentar abraçar o mundo, é impossível Brie, quanto antes entender isso, mais fácil será.

― Tudo bem...

― Boo, tente dormir agora, sim? Eu amo você, mande um beijo a todos.

― Eu sei... Eu... Você sabe... Mande beijos a vovô e vovó.

― Eu mando, eles sentem saudades suas, vá a Dublin logo.

― Eu vou ― Prometi.

Passei o resto da madrugada fria pensando nas palavras de Morgana, uma sessão espírita... Eu havia ido a igreja praticamente toda a minha vida, mas eu não entendía as coisas do Espírito, tinha uma certa dificuldade de aceitar as coisas que eu não podia ver e tocar, porque... Eu tinha problemas em saber o que era real e o que eu estava imaginando...

Me perguntei o que meus pais achariam de eu ir até uma sessão espírita, o que meu psiquiatra acharia... Se ir até essa sessão espírita colocaria no lixo o que Mason estava tentando fazer.

Essa incógnita estava me dilacerando.

Na manhã seguinte eu desci as escadas junto com minha irmã, conversando sobre a viagem da tia Emily.

― Bom dia ― Falamos juntas.

― Buenos días, você tem ligações, aquele chico, Eros ― Lucyla falou colocando uma anotação em minha frente ― Ligou várias vezes essa manhã.

― Essa manhã?

― Amor, são três da tarde.

Meus pais me olharam curiosos.

― Eu deveria estar no hotel trabalhando essa manhã... Por que não me acordaram?

― Você ainda está se adaptando à nova medicação amor ― Minha mãe argumentou.

― É, mas Darwin poderia precisar de mim.

― Darwin pode se virar por um dia... Amanhã conversamos melhor sobre seus horários... Você sabe que não precisa cumprir os mesmos horários dos outros

― Eu preciso pai, eu quero ser igual a todo mundo no trabalho não quero que me tratem como a sua filha, já é pesado demais ter seu sobrenome, quanto mais as expectativas...

― Se você se esforçar e trabalhar duro é nisso que vão basear o julgamento ― Minha mãe falou.

― Darwin também acha isso, mas

― Sem mas, amanhã às 13h30m quero você no meu escritório, então vamos planejar os seus horários e as escalas, levando em consideração os horários da escola, as suas limitações, assim como todas as pessoas sob nossa responsabilidade ― Ela explicou.

Eu suspirei e assenti devagar.

Lucyla atendeu o telefone e eu congelei, ela apenas ouviu por alguns minutos e desligou.

― Era ele de novo? ― Perguntei sentindo um balde de gelo em meu estômago.

Lucy apenas concordou.

― Novamente? Ele já tinha ligado várias vezes ontem ― Minha irmã falou.

― Ele disse que se você não falar com ele vai acampar no gramado da frente ― Lucyla falou.

― Garoto abusado, eu vou dar um chute no traseiro dele se ele aparecer por aqui

― Eleazar ― Mamãe repreendeu e ele bufou.

― Não me venha com Eleazar, Olivia

― Eu não tenho tempo para pensar nisso agora, Morgh está vindo me buscar, nós vamos sair e eu vou direto para a casa dela... Você ligou para os pais dela?

― Liguei essa manhã, falei com Morgana, com Mirella e com a mãe dela, está tudo bem, vou colocar o suficiente dos seus remédios para uma noite, mais uma dose caso você acorde de noite, eu expliquei como funciona para a Senhora Rodriguez, ela vai se certificar de que você vai tomar eles corretamente.

Eu assenti.

― Obrigada.

― Não precisa me agradecer, é bom ver você melhorando, saindo com os seus amigos, logo a escola vai começar e tudo vai voltar ao normal ― Ela disse segurando a minha mão.

“Normal” quando é que as coisas foram normais?

Chequei meu celular pela primeira vez em quatro semanas, eu tinha 30 chamadas perdidas e 50 mensagens de texto, algumas eram de Morgana, tia Emily, Joe, mas a maioria eram de Eros.

Calcei as minhas botas e estava observando pela janela a chuva forte, que caiu de repente, batia furiosa contra o gramado, a copa das árvores e fazia barulho no telhado ecoando por toda a casa.

Morgana buzinou na entrada e eu peguei minha mochila, me despedi dos meus pais e saí colocando a touca da minha capa de chuva preta.

Bati na janela e vi Morgana saltar de susto quando olhou, então as portas foram destravadas e eu me sentei, molhando um pouco ao redor, me livrei da capa e a joguei aos meus pés, me virei para jogar a mochila no banco traseiro e beijei as bochechas gorducha da minha melhor amiga.

― Você me deu o maior susto ― Falou divertida.

― Desculpa... Então... Esse lugar... São pessoas conhecidas por você? São confiáveis?

Ela assentiu.

― Esse lugar... São pessoas muito simples... E o lugar... É bem simples, pequeno... É um pouco diferente dos lugares que está acostumada, mas mantenha a mente aberta, okay?

Eu concordei.

― Parece nervosa

― É só... Eu estou animada... Isso pode acabar hoje. 

― Não crie expectativas, okay? Vamos apenas conversar sobre o que... Quer que seja isso, prometa que não vai ficar deprimida, caso não ocorra como você espera... O que for para ser, será ― Ela disse ― Deus tem caminhos tortuosos, mas tudo fica claro com o tempo...

― Eu não entendo metade do que você fala, sabe disso? Não é?

Morgana geralmente dirigia a 60, meus olhos praticamente pularam do globo ocular quando percebi que já estávamos a 120km por hora.

― Eu prometi não dar palpites em como você dirige, mas... Escolheu um dia de chuva para andar rápido?

Ela sorriu sem jeito e olhou o retrovisor novamente.

― Não fique nervosa, só... Tem um carro seguindo a gente há um tempo, estava lá algumas vezes enquanto eu fui buscar você, estava ontem quando fui buscar você e quando foram me deixar em casa...

Eu suspirei.

― Acelera Morgh ― Choraminguei olhando o mustang gt azul e preto dirigindo em alta velocidade, cortando vários carros e jogando luz alta.

― Nunca vi esse carro

― Nunca vi esse carro

Falamos ao mesmo tempo.

Eu gemi de frustração, enquanto apertava o cinto de segurança.

― Fica calma, pode ser só... Algum paparazzi idiota ou...

― Pisa fundo, ele tá chegando perto

― Se ajeite no banco ― Morgana me repreendeu quando virei para olhar onde o carro estava.

Eu obedeci imediatamente.

Morgana cortou toda a avenida que passa pelo porto, entrou em uma porção de ruas estreitas tentando despistar o outro carro, mas ele continuava nos perseguindo rápido como um raio.

Morgh entrou em um estacionamento e ele dava em uma rua estreita, mas assim que minha melhor amiga passou pelo portão um ônibus de turismo enorme, parou em frente cerca de três metros.

― Freia, Freia, Freia, vamos bater ― Gritei apavorada.

Morgh freou, mas os pneus se arrastaram pelo asfalto molhado e ela tentou girar o volante e o carro raspou toda a lateral do ônibus, nós batemos com tudo, o cinto de segurança nos espremeu contra o banco de couro.

O carro apagou e eu gemi de dor nas costelas, com o impacto.

― Ai ― Gemi.

― Você está bem? ― Morgana perguntou preocupada.

― Sim e você?

― Acho que sim... Aí ― Ela gemeu.

Minha cabeça estava confusa, parecia que meu cérebro tinha sido sacudido.

Quando o pesadelo parecia ter acabado, percebi que ele estava apenas começando, o carro que nos perseguia veio por uma outra rua e acelerava ainda mais, ele estava muito perto e acertaria meu lado em cheio.

― Liga esse carro e tira a gente daqui ― Gritei com ela.

Ela estava tentando, na terceira tentativa o carro voltou a funcionar e ela engatou a marcha ré, nos tirando do foco e o mustang acertou o ônibus o jogando ainda mais longe.

― A gente... Alguém pode ter se machucado no ônibus

― Não somos médicas, a gente precisa sair daqui agora ― Falei.

Morgana assentiu e seguiu por uma rua escura, mudando de rua várias vezes até decidir que era seguro parar.

Nós duas deixamos os bancos do El Camino com as pernas bambas, paramos em frente ao carro para avaliar os estragos.

O para-choques tinha caído, a pintura estava detonada e as lanternas já eram, aquilo era minha culpa, me afastei, passando as mãos por meu cabelo, estava cansada de ser uma droga de coquetel molotov, destruindo tudo e todos ao meu redor.

Meu pai vai me matar... Eu não tenho dinheiro para consertar isso ― Morgana falou secando a bochecha.

― Me desculpa, isso é minha culpa, eu pago, não se preocupe, okay?

― Não posso aceitar isso, Brieanna, vai sair caro de mais.

― Você me paga quando puder, é minha culpa é o mínimo que posso fazer ― Falei ― Nós podemos ir a casa de um amigo, ele pode consertar isso...

― Ele pode encontrar peças originais?

― Ele pode encontrar qualquer coisa ― Falei sorrindo. ― Nós podemos colocar peças de reposição para os seus pais não perceberem e quando as originais chegarem nós trocamos ― Expliquei ― Eles podem ficar com seu carro hoje... Depois eles podem nos deixar em casa... Amanhã a tarde ele já vai estar pronto... Podemos ir para aquele lugar ainda?

Morgana me olhou preocupada e concordou um pouco cansada.

Evitamos a rua central do porto, haviam muitos carros de patrulhamento, ambulâncias e pessoas curiosas.

Morgana parou em frente a uma casa, tradicional, três andares de tijolos vermelhos, parecia abandonada... Bem antiga e...

― É aqui?

― Sim ― Ela falou simplesmente, tirando a chave do contato e se virando para me olhar ― Eu falei que era bem diferente do que você está acostumada... Mente aberta lembra?

― Não deveria ser menos... Assustadora?

Morgh riu.

― Eles são boa gente, não tem porque ter medo, estou aqui com você e nunca vou a lugar nenhum ― Ela disse entrelaçando nossos dedos depois de descermos do carro.

A garota mais velha tocou a campainha e a porta de ferro se abriu revelando uma senhorinha baixa, enrugada, ela parecia ter quase um século, ela falava muito baixo e andava arqueada, ela sorriu ao nos ver, minha melhor amiga se curvou para abraçá-la e ter suas bochechas beijadas, não pude deixar de observar que havia alguma intimidade entre elas, então Morgana era uma frequentadora constante daquele lugar?

Eu abracei meu próprio corpo, de repente sentindo um frio na espinha que não estava ali antes, a verdade é que eu nunca admitiria, mas estava morrendo de medo, do lugar, das pessoas desconhecidas, das palavras que ouviria...

Quando era a minha vez de cumprimentá-la a senhorinha apenas sorriu e estendeu as duas mãos ossudas e pálidas, cheias de veias roxas saltadas para envolverem as minhas.

Eu dei um passo para trás, mas Morgana apenas tocou minha espinha, me trazendo de volta a realidade.

― Está tudo bem querida.

 Eu olhei novamente para a senhora a analisando cuidadosamente, suas roupas pareciam um pouco esfarrapadas, tudo branco, uma cruz de madeira pendia de um barbante negro em seu pescoço, eu estendi minhas mãos e as dela envolveram as minhas, seu toque era quente, mas as imagens que explodiram em minha cabeça eram frias e confusas, um milhão de luzes e rostos e vozes gritantes, me afastei assustada e ofegante.

― Eu mudei de ideia, eu quero ir embora, eu não estou pronta, eu só...

― Você já veio até aqui, vamos ― Morgana me incentivou ― Vai ficar tudo bem.

― Você tem algo especial... Está aberta... A porta ― Ela disse muito baixo.

― O que isso quer dizer? Por que você tem tantas... Vozes e rostos?

― Você vê? Com os olhos da alma ― Falou ― Vamos entrar e conversar melhor sobre isso.

Eu revirei os olhos, nos seguimos por três lances de escadas de madeira barulhentos, iluminados por velas em candelabros, haviam portas duplas no último andar, assim que passamos por ela chegamos a uma sala grande com uma mesa de mármore branca e apinhada de gente, a maioria das pessoas pareciam tão idosos quanto a velhinha que havia nos atendido, mas haviam alguns jovens da minha idade e alguns mais velhos.

O salão estava escuro, também iluminado por velas, me perguntei qual o motivo daquilo, percebi que as janelas estavam cobertas por grossas cortinas brancas, fiquei feliz por ninguém conseguir enxergar lá dentro, mas ansiosa porque ninguém seria capaz de testemunhar minha aflição...

Os jovens se pareciam comigo, assustados, perturbados e com olheiras roxas, exatamente como as crianças que minha irmã e os amigos gostam de caçoar na escola.

― Boa noite a todos ― A velhinha falou tão alto quanto podia ― Nossas últimas convidadas chegaram e por isso podemos dar início a nossa sessão, vocês já conhecem Morgana e essa é

― Anônima ― Falei sem vontade, eu não queria que minha visita à aquela sessão chegasse aos ouvidos de ninguém.

― Isso é aceitável? ― Uma garota perguntou.

― Certamente, quem somos nós para decidir o que é aceitável? ― O Senhor ao lado dela devolveu.

― Certamente ― A garota respondeu se sentando.

― Vou pedir a vocês para vestirem isso ― A senhora falou nos dando uma espécie de túnica branca que ia até nossos tornozelos.

Tinha um cheiro floral agradável.

― Por gentileza se puderem se sentar ― Prosseguiu.

Eu e Morgana nos juntamos à mesa, nossos lugares não eram próximos e aquilo me incomodou um pouco.

― Nós sempre começamos com uma oração, vamos dar as mãos ― A senhora explicou.

Eu me senti desconfortável, todos haviam dado as mãos, Morgana sussurrou um “Está tudo bem” então uni minhas mãos à uma senhora e um senhor ao meu lado.

― Rita, pode orar conosco?

― Certamente.

A garota, Rita, começou uma oração do pai nosso, durante toda a oração, parecia que eu estava na cafeteria da Lun no horário do almoço, haviam um monte de vozes e luzes, mesmo que eu fechasse os meus olhos, aquilo estava tão forte que meu cérebro parecia estar derretendo.

Quando a oração acabou eu me sentei rápido, foi como ser eletrocutada, meus músculos estavam tensos, como se eu tivesse sob uma descarga elétrica alta.

― Ela está bem? ― Rita perguntou.

― Você está? ― Morgana perguntou se aproximando, mas sem me tocar.

― Eu estou... Só... Posso ter um pouco de água?

Eles imediatamente me ofereceram um copo de água fresca, me ajudou a pensar um pouco melhor.

― Parece que meu cérebro vai explodir ― Falei cobrindo meus olhos.

― Essa é a sensação inicial, Brieanna ― Um velhinho falou.

Eu retirei meus dedos dos olhos.

― Eu não...

Olhei para Morgana.

― Eu não disse o meu nome

― Por que não quer que saibam que esteve aqui? ― Um senhor perguntou ― Porque está sempre nos jornais?

― Eu só... Tenho esse problema e eu... Eu não quero que ninguém saiba... Do meu problema.

― Brie não quer que as pessoas saibam do dom dela... Isso tem prejudicado a forma como ela...

― Não é um dom ― Falei frustrada ― Eu só quero que acabe.

― Vamos começar com calma... Como funciona para você querida?

― Quer saber o que eu vejo?

― Tem várias formas... Todos os dons são diferentes, eu posso psicografia mensagens dos espíritos desencarnados, ou seja, escrevo o que os espíritos me dizem, ou o que usam meu corpo para escrever... Lila tem uma mediunidade premonitória, ela pode sentir coisas que vão acontecer, antes que elas aconteçam, Peter sente as energias, Elijah pode ver auras e você?

Eu cocei a nuca e suspirei.

― Eu não sei classificar... Isso acontece desde que eu me lembro, eu me lembro que aos quatro anos eu via luzes por toda parte, nas pessoas e nas coisas, mas eu achava que todas as pessoas podiam ver elas... Eu ouvia algumas coisas, mas eu achava que fazia parte da imaginação... A minha melhor amiga também era capaz de... Ver essas coisas, quando estávamos juntas ficava um pouco mais forte... Quando nós estávamos com cerca de nove, dez anos as coisas pioraram muito, então teve esse acidente e ela... Ela morreu afogada e... Minha vida foi um pesadelo depois disso... A duas noites eu acordei com minha cama estremecendo, passos por meu quarto e eu fiquei com tanto medo, tanto frio... Eu não conseguia me mover e ganhei isso de brinde ― Falei mostrando meus braços e minha barriga ― Eu só quero que acabe.

― Quantas vezes você tentou suicídio? ― Um senhor perguntou.

― Como você...

Eu olhei para Morgana e ela negou veementemente como se dissesse “Eu não disse nada”

― Como sabe disso? O que isso tem a ver?

― Você começa a emitir uma energia diferente... Quando tenta contra sua própria vida... Quando está em depressão... Atrai espíritos irados, obsessores e precisa aprender a bloquear eles

― Eu só quero que acabe, vocês sabem, passar a frente, desligar, qualquer coisa.

Eles se olharam um pouco incomodados.

― Isso não é bem o que fazemos, Brieanna ― A senhorinha que nos recebeu explicou.

― Está me dizendo que eu vim até aqui para nada?

― Podemos desenvolver sua mediunidade, para que você aprenda com ela... Então não terá mais danos físicos.

Eu bufei me levantando e me livrando daquela roupa ridícula.

― Obrigada por nada ― Falei me virando para ir até a porta, me sentia ridícula por estar ali, aquilo tudo era uma grande estupidez.

Um frio tomou conta de meu corpo e parecia que ele havia virado gelatina, o chão parecia um ótimo lugar para se ficar, comecei a sentir os tremores e o ardor frio como na noite em que ganhei aquelas marcas.

Podia ouvir Morgana me chamando sem parar e uma oração, em diversas vozes, mas era como se eu estivesse sendo afogada e uma pessoa estivesse me segurando embaixo da água, não conseguia me livrar daquele sentimento.

― Faz isso parar ― Gritei com Morgana.

― Você tem o controle ― O senhor Peter me disse ― Você pode fazer parar.

― Vai... Embora... Só... Vai embora ― Gritei em plenos pulmões, então um barulho de vários passos por todo o chão de madeira e um estrondo que mais parecia um terremoto, depois apenas o silêncio.

Quando minha visão voltou a ter foco, eu estava deitada no chão, com Morgana chorando ao meu lado, parecendo mais assustada do que qualquer outra vez que eu já havia visto.

Respirei fundo, tentando me levantar, apenas abracei minha melhor amiga e prometi que estava bem, saímos dali e a instrui até chegar na casa de Jack e William onde expliquei nossa situação.

Pedi que encomendassem peças originais, mas colocassem as de reposição enquanto as originais não chegassem, paguei adiantado fazendo eles prometerem sigilo, de Kaleb, de April, de minha irmã e especialmente de minha irmã.

Depois William dirigiu até a casa dos Rodriguez, onde tive um banho e um jantar na bancada da cozinha, liguei para os meus pais, que falaram novamente com a mãe da Morgana e ela me vigiou enquanto eu tomava os meus remédios.

Depois eu e Morgana nos largamos exaustas na cama macia do quarto dela, eu a ouvi fazer suas orações, ela pedia coisas e proteção a todos, especialmente a mim, por várias vezes proteção para mim, então ela era a última de sua própria lista e eu pensei que nada poderia ser mais altruísta do que isso e meu amor por ela se renovou e triplicou, mesmo que eu não consiga verbalizar isso, eu tinha sorte de ter ela.

Foi uma noite esquisita, acordei por diversas vezes, tremendo de frio, Morgana estava sempre me olhando, eram quase seis horas da manhã quando consegui dormir com mais tranquilidade.




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