História Moondust - Capítulo 4


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Categorias Malhação
Tags Limantha, Malhação
Visualizações 663
Palavras 1.510
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


1- muito fora de mim que a autora de uma fic que eu adoro comentou aqui
2 - escrevi tudo em dias distintos então talvez falte coesão?

Capítulo 4 - Capítulo IV


13 de setembro de 2017

Lica acordou com o feixe de luz que atravessava a pequena fresta aberta na cortina do cômodo. Percebeu seus sentidos se entorpecendo à medida em que fazia uso dos mesmos. A dor de cabeça estridente, a boca seca e a náusea obrigavam ela a relembrar aquilo que acontecera na noite passada. No entanto, naquele momento, sua maior preocupação era descobrir onde estava.

Apesar de agradecer o fato de estar completamente vestida e sozinha na cama desconhecida, continuava inquieta devido à situação em que fora colocada. Encontrou, no móvel ao seu lado, um balde, uma garrafa d’água e um bilhete escrito em um papel colorido. Priorizando suas necessidades, ingeriu todo o líquido que havia ali antes de sequer cogitar ler o recado.

Ainda que redigido em uma caligrafia quase ilegível, Heloísa conseguiu decifrar o que o bilhete dizia. Quando terminou a leitura, teve plena certeza de onde estava simplesmente pela menção ao desafio da noite de ontem. Mesmo que as memórias fossem mínimas, esta era uma das poucas coisas das quais ela lembrava.

Por mais anormal que fosse, acordar na casa de Samantha não lhe parecia o pior acontecimento possível – especialmente levando em consideração o seu histórico. Estranhava, porém, que a garota tivesse permitido que ela dormisse ali. Não eram amigas, muito menos íntimas a esse ponto.

Tentando ordenar seus pensamentos, a filha do diretor decidiu que o melhor a se fazer era agir naturalmente. Portanto, foi ao banheiro, lavou o rosto, ajeitou o cabelo e, por sorte, encontrou uma escova de dentes ainda lacrada no pequeno armário. Talvez estivesse desfrutando excessivamente da boa vontade de Samantha em deixar-lhe ficar ali, mas não é como se ela tivesse qualquer outra opção naquele instante.

Assim que sua rotina matinal estava completa, Lica saiu do quarto em busca da dona da casa. Desejava apenas não esbarrar com alguém além dela ali – dar explicações para os outros membros de sua família não parecia divertido, especialmente quando nem ela sabia descrever o que acontecera na noite passada.

Quando, depois de certo tempo procurando, a menina finalmente encontrou a sala de estar, achou também a anfitriã. Ela cochilava pacificamente no sofá, e Heloísa subconscientemente se comoveu quando percebeu que a outra havia permitido que ela permanecesse em sua cama.

Ainda que olhando apenas de relance, ela não conseguiu deixar de notar a respiração ritmada de Samantha e o modo como apertava o cobertor contra seu peito. Prestara atenção também na maneira como ela exalava serenidade e, mais que nunca, um sossego invejável.

- Eu sei que sou uma obra-prima magnífica, mas tome cuidado pra não babar – a baixista dos Lagostins disse, assustando a menina que, até segundos atrás, observava-a – Já falaram que você dorme demais? Sério, foram quase 11 horas ininterruptas.

- Como assim, que horas são? – perguntou, confusa – E por que eu tô na sua casa?

- Já é 16:47 – a dona da casa respondeu, e Lica arregalou os olhos, surpresa – A Clara veio me dar sermão ontem a noite porque você estava à beira de um coma alcoólico, então eu tive que te trazer pra cá e prometer que você continuaria viva.

- Bom, obrigada, eu acho – replicou sem jeito – Mas, sério, tem alguma coisa aqui que eu possa comer?

- Serve pipoca de micro-ondas?

- Se isso é tudo que a residência dos Lambertini tem a oferecer, eu aceito – ironizou, recebendo um sorriso breve da outra menina, que logo seguiu em direção à cozinha. Heloísa sentou-se na mesa de jantar enquanto Samantha providenciava a comida e, para quebrar o silêncio, resolveu comentar algo que a intrigava desde que acordara ali – Você mora sozinha?

- Sim, mas tem também a Lígia, a moça que faz a limpeza do apartamento toda segunda e quarta-feira – respondeu – Ela não mora aqui, mas passa, em média, tanto tempo quanto eu aqui dentro.

- Mas e o resto da sua família? – indagou, confusa.

- Meus irmãos são bem mais velhos e, aparentemente, muito ocupados gerenciando a empresa da família em outro país – disse, completamente indiferente.

- E seus pais?

- Ambos faleceram há mais de uma década – falou, mantendo a maior naturalidade possível.

- Eu sinto muito - respondeu depois do choque inicial.

- Não devia, eu já superei – a garota de cabelos cacheados rebateu e, por mais segura que soasse, falhara em convencer Lica.

- Samantha, eu não posso dizer que entendo o modo como você se sente, mas você tem certeza que esse evento é sequer superável? – questionou, brincando nervosamente com o anel posto em seu dedo indicador – Imagino que seja teoricamente mais fácil seguir em frente, mas ficar em negação é muito pior.

– As coisas voltam a funcionar com o tempo – respondeu, cruzando os braços na frente do corpo defensivamente – Além disso, a tia Simone, mãe do Guto, me trata quase como uma filha, não tenho do que reclamar.

Não fosse pelo seu desconforto visível e, também, pelo som vindo do micro-ondas, indicando que a pipoca estava pronta, Heloísa teria insistido no assunto. Contudo, a dona da casa não lhe deu mais espaço para falar, insistindo em substituir o diálogo das duas com um incômodo silêncio.

Depois disso, a menina de cabelos escuros só tivera a chance de ouvir sua voz novamente quando, após quase meia hora, escutou a ligação entre Samantha e Clara, onde a baixista dos Lagostins pedia que ela viesse buscá-la. Lica, por um motivo que também não sabia explicar, continuava pensando no diálogo de momentos atrás.

Como se não bastasse a dor de cabeça proveniente da ressaca, a desordem em sua mente também não contribuía para que a garota conseguisse aquietar-se. Heloísa recobrou seus sentidos apenas quando a campainha tocou, vários minutos depois. Entretanto, antes que pudesse sair do apartamento juntamente de sua meia-irmã, sentiu a mão firme de Samantha envolvendo seu braço e puxando-a para perto.

- Você não precisa me tratar de qualquer outra forma por causa do que eu te falei - Lica encarou-a confusa - Essa coisa de se importar com alguém por pena não funciona.

- O modo como eu vou te tratar daqui pra frente é, de longe, a menor das suas preocupações - disse, mantendo a sutileza em sua voz - Você fica completamente na defensiva com a simples possibilidade de, assim como todo o resto do mundo, ter uma fraqueza.

- Não mencionaram que a consequência de acolher uma garota bêbada era precisar aguentar ela dando palpite nos meus problemas.

- Talvez a garota bêbada seja justamente aquilo que você precisava - Heloísa rebateu, piscando descaradamente para a outra menina - Mas, sério, você não devia acumular tudo o que sente por conveniência.

- Eu prometo tentar seguir seus conselhos - ela assentiu - Porém, só se você jurar que a nossa dinâmica vai continuar a mesma.

- É um dos seus fetiches me odiar, né Lambertini? - a de cabelos escuros rebateu, instigando uma risada daquela à sua frente - No entanto, se te faz feliz, eu prometo que nada vai mudar.

As duas continuaram sorrindo, enclausuradas na bolha que acidentalmente criaram. Teriam continuado ali por muito mais tempo, não fosse pelo simples fato de que estavam acompanhadas.

- Gente, o que aconteceu ontem à noite? - Clara interrogou, lembrando-as de sua presença naquele cômodo - Vocês se pegaram por acaso?

- Não! - ambas responderam ao mesmo tempo.

- Sua irmãzinha só ficou toda comovida com a questão dos meus pais - a garota de cabelos cacheados brincou.

- Bom, se foi só isso mesmo, a gente já pode ir, né? - a loira comentou, e Samantha logo abriu a porta e levou as duas até o elevador - Obrigada mesmo por ter concordado em deixar ela aqui, sério, a tia Marta ficaria super desapontada se visse ela daquele jeito.

- Honestamente, foi até divertido - a dona da casa sussurrou, permitindo que apenas sua amiga escutasse o que dizia – Ela é mais agradável quando tá de ressaca, talvez tenha a ver com a falta de energia pra brigar ou algo assim.

- Clara, seu trabalho é me levar até a minha casa, não bater papo - Lica resmungou no momento em que o elevador chegara em seu andar - Obrigada pela hospitalidade, Lambertini, mas, da próxima vez, sugiro que melhore o modo como trata suas visitas.

- Próxima vez, Gutierrez? – Samantha provocou – Já quer dormir aqui de novo?

Sem saber o que fazer como resposta, a menina de cabelos negros fez a primeira coisa que lhe veio em mente. Logo, quase como reflexo, Heloísa clicou no botão para fechar as portas do elevador antes a baixista dos Lagostins pudesse retrucar. Não teria problema algum em dizer algo à altura – se Clara não estivesse ali.

À medida em que trancava novamente seu apartamento, Samantha sentiu-se traída pelos seus músculos faciais quando falhou em conter um sorriso surpreendentemente tímido. Por um lado, a garota odiava processo de se abrir com um novo alguém, especialmente quando o assunto eram seus pais. Entretanto, havia algo extraordinariamente satisfatório em ser entendida - e, por algum motivo, Lica parecia disposta a tentar.


Notas Finais


[clara's voice]: sapatonas, sinto longe o cheiro de couro
aproveitem a fase fofa logo mais acaba

comentem, critiquem, mandem declarações de amor ou ódio, pode tudo aqui nos comentários gente


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