História Moonlight - (Long fic - Imagine Baekhyun) - Capítulo 16


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Irene, Jennie, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jisoo, Joy, Jung Hoseok (J-Hope), Kai, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Kris Wu, Lay, Lisa, Lu Han, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Rosé, Sehun, Seulgi, Suho, Tao, Wendy, Xiumin, Yeri
Tags Baekhyun, Baekhyun!vampiro, Byun Baekhyun, Byunbaek4, Exo, Imagine Baekhyun, Moonlight Baekhyun, Sobrenatural
Visualizações 323
Palavras 15.612
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei tarde pra cacete hoje hein. Era lra eu postar as sete, mas eu dormi as três e só acordei às nove. Olha que legal.

Tem pegação nesse capítulo, Baek sad, S/n sad, e nada de Mina.

Mas próximo capítulo, ela vai bombar.😈

Desculpe pelos erros!
Espero que gostem!

Capítulo 16 - Capítulo 14


Fanfic / Fanfiction Moonlight - (Long fic - Imagine Baekhyun) - Capítulo 16 - Capítulo 14

S/n on

Terminei a ligação e corri o máximo que eu pude até o prédio dos dormitórios masculinos. Tenho medo do que pode estar acontecendo lá dentro. Acho que Baekhyun não perderia a oportunidade de fazer algo a Mina.

Abri a porta silenciosamente e coloquei a cabeça pra dentro. Baekhyun estava de costas, Mina não aparentava estar no quarto.

Será que ele matou ela e sumiu com o corpo?

Caminhei mais pra perto dele e vi que a Mina estava bem vivinha sim, dormindo com metade do corpo em cima da cama e com a mão estendida até o abdômen dele. Tipo, ELA ENCOSTAVA NELE.

Como assim gente?

- Baek. - puxei seu ombro e o virei para mim. Ele abriu os olhos e deu um sorriso fraco.

- Você demorou.

- Eu sei, desculpa. - passei a mão pelos seus cabelos - você está melhor?

- Não. Eu nunca vou estar, você sabe disso. - suspirei.

- Eu sei. Vem, vamos voltar pra casa. - puxei seu braço e o puxei pra fora da cama - sentiu minha falta? - fiz um beicinho e envolvi meus braços em seu pescoço.

- Senti. - afastei meu rosto e olhei diretamente o dele.

- Tadinho de você. - passei minha unha pela sua nuca vendo ele fechar os olhos e tombar a cabeça para o lado - tão manhoso. - ele sorriu ainda de olhos fechados e apoiou a cabeça no meu braço.

Vi Mina se remexer pelo canto do olho, ela se encolheu fazendo um bico no lábios.

- Deixe ela aí. - o olhei confusa - ela está cansada.

- Está? - assentiu - okay então. - dei uma última olhada pra ela desconfiada. Oque aconteceu aqui?

- S/n? - senti sua mão tocar o meu braço - oque está olhando? Vamos embora.

- Ah, vamos. - deixei que ele me puxasse pra fora do quarto pra só já quando estivéssemos no carro eu o questionar - oque aconteceu entre você e a Mina?

- Digamos que ela não é tão ruim quanto eu pensava.

- Não é? - franzi o cenho. Ele não odiava ela gente? - oque está acontecendo com você?

- Nada, S/n.

- Sei, não vai colocar o cinto?

- Vai tocar o meu ombro. - suspirei.

- A sua vida é tão complicada Bacon. - girei a chave e liguei o carro. Eu iria dirigir desta vez meus queridos.

- Pelo menos você não me chamou de meu bem. - ri sendo acompanhada por ele.

[...]

- Não quer que eu fique com você? - segurei sua mão antes que ele pudesse entrar no quarto.

- Não precisa. - deu um sorriso fraco.

- Já que você insiste tanto. - passei a frente dele e entrei no quarto - vou tomar um banho. - joguei minha bolsa no chão e segui em direção ao banheiro.

- O quarto não é seu!

- Mas a casa é!

- Aish! - sorri fechando a porta do banheiro - e nada de usar o meu sabonete em barra, sua nojenta.

- Oque?

- Só deus sabe aonde você vai colocá-lo.

- Que nojo Baekhyun. Isso é coisa que se diga pra uma garota?

- Eu não ligo.

- Como sempre. - bufei tirando minha regata branca. Mas quando eu ia desabotoar o sutiã.. - Aí! - meu ombro direito estalou, eu não conseguia movê-lo para trás. Acho que peguei pesado no treino hoje.

Eu tentei de todas as formas desabotoar essa merda, mas como uma mão só não funciona. Por que logo hoje eu não usei um com fecho na frente?

- Baekkie, me ajuda aqui!

Na mesma hora escutei o som da maçaneta girar, peguei a regata novamente e coloquei a frente do corpo com o coração acelerado. Garoto rápido do caralho.

Assim que seus olhos pousaram em mim eu pude ver suas bochechas ficarem rosas. Eu estava na mesma situação, acreditem.

- Será que você poderia.. err.. tirar, o meu sutiã pra mim?

- Oque? - seus olhos quase pularam para fora e seu rosto imeditamente voltou a ficar branco, talvez de surpresa - isso.. ahm.. você está falando sério?

- Infelizmente estou. - baixei o olhar. Não acredito que eu estava passando por isso. Cadê o Dinochen quando se precisa dele? - Ou.. você poderia chamar o meu irmão pra mim? Ou algum dos meninos?

- C-Claro. - ele correu pra fora do banheiro e eu pude finalmente respirar. Será que se eu ligar pro Sehunnie ele vem me ajudar? 

Olhei meu rosto no espelho e vi minhas bochechas vermelhas. Eu até poderia dizer que estava fofa, se isso não estivesse acontecendo.

Um tempo depois eu vi Baekhyun aparecer na porta, sozinho quero ressaltar.

- Ahm, o seu irmão já foi dormir e.. - coçou a nuca com uma careta no rosto - o Luhan e o Chanyeol se recusaram.

- Oque?

Eu juro que me deu uma vontade de chorar, eu fechei os olhos e comprimi os lábios pedindo a deus pra me mandar uma luz.

Até que senti algo gelado tocar minha pele. Abri os olhos e vi Baekhyun atrás de mim, e com o olhar nas minhas costas.

Antes que eu pudesse abrir a boca senti o aperto da peça ao meu redor afroxar. Nós dois engolimos em seco ao mesmo tempo, olhamos um nos olhos do outro e nos comunicamos telepaticamente.

"Começou agora termina."

"Não me faz fazer isso por favor."

"Anda logo Baekhyun."

Ele suspirou e segurou a alças, sem desviar o olhar dos meus olhos ele foi deslizando lentamente pelos meus ombros e braços. A cena até poderia ser considerada excitante, se eu não estivesse no meio.

Vi Baekhyun desviar o olhar para as minhas costas e dar um sorriso soprado.

- Não é engraçado seu idiota.

- Estampa rosa de lacinhos? Bem a cara de uma adolescente mesmo.

- Eu já disse que.. - respirei fundo pra não dar na cara dele, eu estou numa situação delicada aqui - tira logo essa merda e vai embora. - ele riu mais ainda.

- Eu preciso que você.. - engoliu em seco - afaste os braços, um pouco. - ou seja, aqueles que no momento estava protegendo a minha retaguarda.

Estendi a blusa a minha frente o suficiente pra ele conseguir descer a merda do sutiã.

- Nem pense em tentar bisbilhotar. - senti a peça tocar a minha barriga e eu pude finalmente tampar meu busto com as mãos. Tirei os braços um por um de dentro das alças e suspirei aliviada quando vi o demônio ser arremessado no sexto de roupas.

Eu esperava que ele fosse embora correndo depois disso tudo. Mas não.

Senti suas mãos frias deslizarem pelas minhas costas até parar na minha cintura, eu quase tive um colapso.

- Oque aconteceu com a sua cintura fina? - me olhou pelo espelho.

- Eu nunca tive uma cintura fina.

- Tinha sim. Mas agora, eu só sinto os seus ossos.

- Eu já disse, é por uma boa causa.

- Nada que te faça mal vai ser por uma boa causa. - respirei fundo e fechei os olhos. Eu não queria discutir sobre isso denovo - eu só espero que quando você perceba não seja tarde demais. - senti seus lábios em contato com a pele do meu pescoço e logo depois suas mãos se afastarem. Abri os olhos e não o vi mais atrás de mim.

- Finalmente. - fechei a porta do banheiro e continuei a me despir.

[...]

Saí do banheiro secando os cabelos com uma toalha, não estava afim de levar sermão hoje.

Baekhyun aparentava já estar dormindo. Ele estava deitado de bruços com o rosto afundado no travesseiro e com um braço pra fora da cama. É como se ele tivesse apenas se jogado ali. E sem camisa pra variar, eu conseguia ver a mancha roxa se espalhando pela escápula.

Está bem maior do que da última vez que eu vi. Isso não vai desaparecer nunca não?

Eu me aproximei e estiquei o braço para tocar. Mas acho que fiz barulho demais, ou não.

- Não toque aí. - sua voz saiu abafada. Eu recolhi a mão na hora e revirei os olhos. Dei a volta na cama e me deitei de costas pra ele.

- Boa noite. - murmurei emburrada. Recebi nada mais nada menos que o nada em troca. 

Depois eu sou a mau educada da história!

Eu já sentia meus olhos pesarem. Estava pronta pra pegar no sono quando escutei um murmúrio abafado seguido de uma fungada.

Virei meu rosto para Baekhyun e o vi de olhos fechados. Eu rastejei até ele e percebi que o travesseiro estava totalmente molhado.

- Baek.. - deslizei meu polegar pela sua bochecha - Você está chorando?

- Não. - dei uma risadinha pela sua óbvia mentira.

- Eu sei que está. Não chore. - esfreguei suas costas - eu não gosto quando você chora.

- Por que tudo tem que ser tão difícil? Eu já paguei pelos meus erros. Por que Deus não pode simplesmente me perdoar?

- Ele já te perdoou.

- Não, eu sei que não. - vi lágrimas e mais lágrimas saindo dos seus olhos - eu só quero ser feliz como o resto das pessoas. Oque tem de mal nisso? 

- Baek..

- Ahjumma está doente, S/n. - eu paralisei no mesmo instante. Ele joga a bomba assim? Sem mais nem menos? - eu tenho medo que ela também possa me deixar. - ele simplesmente se desmanchou em lágrimas - e dessa vez eu não vou suportar.

- Calma, não vai acontecer nada com ela. - o puxei pra deitar a cabeça no meu ombro - ela vai melhorar mais rápido do que você pensa.

- Não vai.

- Vai sim. Eu tenho certeza que vai. - acariciei seus cabelos.

- Não minta pra mim Angel.

- Eu não estou mentindo. Acredite em mim.

- Não me iluda. Eu não sou tão forte quanto você pensa. 

- Eu sei que não é. Você é só um cachorrinho assustado. - acariciei suas costas ouvindo seus soluços ficarem cada vez mais altos. Ele estava praticamente tremendo nos meus braços.

- Ela parecia tão fraca.

- Shh, fica quietinho. Eu já disse que ela vai ficar bem. - apertei seu corpo mais ainda contra o meu. Ele se agarrou em mim como se eu fosse a salvação de todos os seus problemas. Parecia uma criança com medo.

- Eu quero dormir. Me faça dormir S/n. Eu quero esquecer tudo isso. - ele passou os braços em volta da minha cintura e se aninhou pra mais perto de mim até que sua cabeça estivesse deitada no meu peito.

- Oque está fazendo?

- Eu quero ouvir o seu coração, irá me acalmar.

Eu achei meio estranho a batida de um coração acalmar alguém, mas estámos falando de Byun Baekhyun. Então eu dei de ombros.

- Mexa nos meus cabelos, por favor. Eu quero sentir o seu toque. - seu tom de voz era choroso e admito que isso partiu meu coração.

- Não chora mais, Ahjumma vai ficar bem. - passei a mão pelos seus cabelos.

- Você me promete?

- Prometo.

Okay, talvez eu não devesse ter dito isso isso sem nem ao menos saber oque ela tinha. Mas cara, eu tinha um cachorrinho triste se desmanchando em lágrimas em cima de mim. Se ele pedisse um carro eu nem pensaria duas vezes.

Aos poucos eu sentia seu corpo amolecer em cima de mim. Literalmente, o corpo dele é bem maior do que o meu, eu estava praticamente sendo sufocada. Mas isso sim era por uma boa causa.

[...]

Eu acordei no meio da noite sentindo uma movimentação estranha na cama. Eu podia ouvir o som de uma respiração falha bem perto de mim.

- Shh, fica calmo. - tateei a cama até encontrar seu corpo e subir as mãos até seu rosto. Aquele quarto estava um breu - Foi só um pesadelo.

- S/n.. - sua voz saiu embargada, ele estava chorando novamente - fique aqui, não vá embora, por favor.

- Eu não vou. - ele me puxou e colocou minha cabeça deitada em seu peito - tenta dormir denovo, eu vou estar aqui pra quando você acordar novamente. - coloquei a mão em seu peitoral, mas me arrependi amargamente quando ele praticamente deu um grito de surpresa.

- E-Eu disse pra não tocar aí. - meus dedos haviam encostado na mancha roxa em uma parte do seu peito esquerdo.

- Desculpa. - eu sussurrei, totalmente culpada. Mas quem disse que eu parei.

- Você está me machucando. - ignorei totalmente e continuei a passar a ponta dos meus dedos levemente pelo seu peitoral - S/n..

- Relaxa, você só precisa se acalmar.

- Está doendo.

- Eu sei que está.

- Então pare. - suspirei cansada.

- Eu sei oque estou fazendo Baekhyun, só fique quieto. - ele não se manifestou. E eu me senti meio culpada por ter sido rude com ele. Ele está sensível, eu não deveria fazê-lo se sentir mal e sim cuidar dele.

Deslizei a ponta dos dedos por toda a extensão do seu peitoral o mais levemente possível, a minha intenção era acariciar não fazê-lo sofrer mais ainda.

- Ainda está doendo? - eu sussurrei, com medo de que ele já tenha dormido e que eu o acorde.

- Não. - ele disse num tom sonolento.

- Desculpa, por ter sido uma idiota com você.

- Tudo bem. - senti seu braço apertar mais a minha cintura e algo macio encostar na minha testa. Seu lábios eu acho - como você faz isso?

- O que?

- Não importa o quão mal eu esteja só a sua presença me deixa.. bem.

- E isso não é bom?

- Sim, eu acho.

Respirei fundo e afundei meu rosto em seu peito inalando seu cheiro natural. Não sei explicar, era um cheiro doce bem fraquinho e uma mistura cítrica com amadeirada. 

Oque? Não.

Nem sei mais oque eu tô falando. 

O que eu sei era que eu tinha vontade de passar a minha vida toda só sentindo aquele cheiro. Isso sim era viciante.

Ele me apertou mais contra si e nos virou de lado na cama, estávamos um grudado no outro. Minha perna esquerda estava entre as suas e meu rosto contra o seu pescoço.

- Quer me protejer de quem? - dei uma risadinha sarcástica - do frio não é por que minhas costas estão de frente a janela.

- Eu não quero te proteger de nada. - puxou o edredom até meu pescoço e alisou minhas costas para se certificar de que elas estavam cobertas.

- O que está fazendo então?

- Como eu disse, a sua presença me faz bem.

- Então você está fazendo isso apenas para o seu próprio bem? Mas que babaca. - lhe dei um tapa logo ouvindo ele choramingar alto - aí meu deus desculpa.

- Por que você sempre toca aonde não é pra tocar? - ele murmurou sôfrego.

- Desculpa bacon. - dei um selinho aonde eu tinha batido sentindo ele estremecer - vamos lá, durma. Amanhã vai ser um longo dia. - comecei a passar novamente a ponta dos dedos pelo seu peito. Acho até que ele começou a gostar disso.

[...]

Eu sentia algo quente em meu rosto, abri meus olhos e me dei conta de que era o sol, também né, quase fiquei cega.

- Mas quem foi o desgraçado.. - me virei de costas e vi Baekhyun com os pés pra fora do quarto - aonde você vai?

- Resolver uns problemas.

- Visitar Ahjumma você quer dizer.

- Sim S/n, é isso que eu vou fazer. - ele virou o rosto pra mim e eu pude ver seus olhos inchados e vermelhos.

- Você chorou de novo. - me sentei.

- Eu sempre chorei. Todo mundo chora, não foi isso que você disse. Pois então, deixe eu e as minhas lágrimas em paz. - ele saiu e bateu a porta. Eu cheguei a dar um pulinho de susto.

- Eu hein. Ontem ele tava todo "Não vai embora, não me deixe" e agora, tá agindo feito um cavalo. Típico de um babaca. - revirei os olhos e tirei o edredom de cima de mim. Ia me levantar da cama quando vi algo no criado mudo.

Um desenho. Mas não era um simples desenho, era um desenho meu, dormindo. Isso mesmo, à minutos atrás.

- Meu cabelo é tão desgrenhado desse jeito? - passei a mão por eles com um bico nos lábios - com certeza é. - dei risada de mim mesma - existe alguma coisa que ele não saiba fazer? - desviei o olhar para a mancha feita de água no canto da folha - ah claro, falar sobre seus sentimentos. - suspirei.

[...]

- S/n? - escutei batidas na porta e logo depois meu irmão colocar a cabeça pra dentro - eu estou indo buscar a tia Sun-hee na estação, tente pelo menos sair do quarto, por favor.

- Tia Sun-hee? - franzi o cenho.

- Sim, amanhã é o dia lembra?

- O.. dia? - olhei a data no meu celular. Hoje é dia dezenove, ou seja, amanhã é..

- Olha, Chanyeol e Luhan estão lá embaixo, não fique trancada nesse quarto, converse com eles, eles vão dar um jeito de te animar. - deu um sorriso fraco antes de fechar a porta e me deixar com os olhos marejados.

- Eu não vou chorar. - limpei o canto dos olhos - tenho um vampirinho depressivo pra me preocupar. - me levantei da cama e corri pra fora do quarto, afim de encontrar o meu irmão. Ele já estava na porta - hey, pode me dar uma carona?

- Carona? - cruzou os braços desconfiado - Pra onde?

- Casa do Baekhyun.

[...]

Eu toquei a campainha e esperei pacientemente abrirem a porta, só não esperava que fosse logo o demônio.

- Mas o que você quer aqui denovo?

- Você estava chorando? - ela imediatamente virou o rosto.

- Não.

- Vou fingir que acredito. - empurrei a porta e entrei.

- Yah, você não tem permissão pra entrar.

- E quem disse?

- Eu estou dizendo.

- Mas que pena, a casa não é sua querida. - dei uns passos para a frente e vi uma das empregadas descendo a escada - pode me dizer aonde está Baekhyun?

Ela assentiu e começou a caminhar pela sala, eu a segui e encontrei Baekhyun praticamente jogado em cima de um colchão inflável em frente a lareira.

- Coitado, bebeu até desmaiar. - vi as garrafas de uísque totalmente secas no chão. Me desesperei nos primeiros dois segundos, mas aí eu lembrei que nem se o demônio tomasse veneno, morreria.

Eu tirei minha bolsa do ombro e me abaixei a sua frente. Com a maior delicadeza do mundo eu peguei sua mandíbula e virei seu rosto pra mim.

Como eu imaginei, totalmente úmido pelas lágrimas.

- Pode buscar uma manta pra mim? - ela assentiu - e você? O que está fazendo aqui ainda?

- Você não manda em mim?

- Cresce primeiro, aí a gente decide. - ela bufou e saiu batendo os pés para o segundo andar. Tirei meus sapatos e me sentei com todo o cuidado a frente de Baekhyun - já pode parar de fingir agora. - ele abriu os olhos mas não me encarou, e sim o fogo atrás de mim.

- Por que veio aqui?

- Bom, apesar de você ter sido um completo babaca comigo, eu ainda me importo com você. E também, eu vi o seu desenho.

- Merda. - deu um soco no colchão e fechou os olhos como se si repreendesse mentalmente.

- Olha, eu me senti ofendida com aquele desenho. O meu cabelo não é desgrenhado. - cruzei os braços emburrada.

- Não é?

- Não.

- Se você diz. - ele deu de ombros e fechou os olhos.

A empregada logo voltou e me entregou a manta, eu cobri todo o corpo de Baekhyun com ela e também as minhas pernas.

- Por que aqui tem tantas empregadas? Você quase não vem pra cá.

- Se eu às demitir, em que outro lugar uma empregada doméstica poderia arrumar um emprego?

- Faz sentido. - coloquei a mão no queixo - owwwwwwnt, mas que vampirinho bondoso que ele é. - me joguei em cima dele e afundei meu rosto em seu pescoço, passei meu nariz pela sua pele enquanto fazia cosquinhas.

- S/n.. para. - ele não se mexeu, mas eu ouvia as gargalhadas fracas - sai daí garota. - ele conseguiu pegar o meu braço e me puxar de cima dele.

Eu caí deitada ao seu lado, bem próxima a ele, até demais pro meu psicológico conseguir raciocinar.

Ergui a mão e começei a esfregar suas costas, fui subindo até encontrar seus cabelos bagunçados.

- Eu gosto do seu cabelo. 

- Eu também gosto do seu. - não pude não sorrir com essas palavras. Ele é tão amorzinho.

Depois de bagunçar mais ainda o seu cabelo, eu desci as mãos para o seu rosto e apertei seu nariz.

- Yah.

- O seu nariz e tão estranho. - dei uma risadinha - eu já ouvi as garotas da Universidade te chamarem de mangá. São umas bobonas mesmo. - revirei os olhos e desci mais um pouquinho a mão, para finalmente encontrar seus lábios. Encostei meu indicador em seu lábio superior e traçei toda a linha ao redor dele - a sua boca é pequena. - sorri apertando sua mandíbula, fazendo um biquinho de peixe - Não vou nem te falar oque a minha mente fértil imaginou. 

- Que noju.

- Noju? - sorri com sua fofura de tentar falar mesmo com os lábios espremidos.

- Aish. - ele tentou morder o meu dedo, e eu me afastei bruscamente - eu quis dizer nojo. - massageou o lugar aonde eu apertei.

- Aham sei. Eu já até imagino oque aqueles caras fizeram com essa sua boquinha perfeita. - encarei o nada imaginando, mas logo recebi um tapa na cabeça - Aí! - eu me sentei na hora.

- Para de imaginar essas porcarias. Eu não fui estuprado, o meu corpinho continua virgem e imaculado.

- Virgem? - o olhei com desdém - até parece que esse seu.. - recebi outro tapa - eu ia dizer pen.. - mais outro, dessa vez mais forte - Aí Baek, quer eu tenha um traumatismo? - esfreguei a mão no local tentando parar a dor.

- Você tem a boca suja demais pra uma garota. Pelo amor de deus.

- Eu, sou especial meu bem. - joguei o cabelo pra trás e fiz biquinho convencido.

- Estou assustado.

- Idiota. - me joguei de costas no colchão e virei o rosto para a lareira - imagina um churrasquinho de bacon, que delícia. - olhei pra ele com um olhar psicopata.

- Você não pode comer carne. Não adianta tentar me assustar.

- Você pode ser o sádico da história, mas eu sou a louca. - agarrei seu braço e aproximei do fogo.

- S/n eu não estou brincando. - ignorei completamente. Quando ele viu que eu ia queimá-lo de verdade, ele puxou o braço na hora - Você tem problema?

Derrepente ouvimos um barulho vindo das escadas. A baixinha invocada estava no topo, chorando?

Gente o que tá acontecendo nesse mundo? Deu pra todo mundo chorar logo hoje?

- Baekkie ela acordou! - Baekhyun se levantou num pulo e correu escada a cima. Eu continuei no mesmo lugar, sem entender nada.

Virei meu corpo para o outro lado e encarei o fogo na lareira, sem pensar em nada, minha mente estava em branco, e eu queria continuar assim, mas não foi oque aconteceu.

- Estou com fome. - me levantei do colchão e segui o caminho da cozinha - queria um sanduíche. - fiz um biquinho pra uma das mulheres na bancada - faz um sanduíche pra mim Unnie? - pisquei os olhos freneticamente. Ela me olhou e deu um riso soprado, mas mesmo assim assentiu - eba! Mas tem que ser integral, não tô afim de levar esporro da treinadora denovo. - bufei.

Depois de comer o meu sanduíche e bater um papo divertido com a Unnie, eu voltei para a sala novamente vendo Baekhyun deitado encolhido em cima do colchão.

- Baek. - eu me sentei ao seu lado, e ele imeditamente colocou a cabeça no meu colo.

- Você me prometeu que ela ficaria bem. - fechei os olhos e me repreeendi mentalmente. Eu sábia que não deveria ter dito aquilo.

- Ela vai ficar bem, você só..

- Não mente pra mim. - suspirei e começei a mexer com seus cabelos.

- Feche os olhos e esqueça isso hum? Quando você acordar Ahjumma já vai estar bem melhor.

- Eu não quero dormir. - começou a morder o próprio dedão - Eu quero estar aqui pra quando ela for me deixar.

- Cala essa boca garoto, ela não vai morrer.

- Quem me garante?

- Eu.

- Então é melhor eu me despedir. - ele se levantou mas eu o empurrei de volta.

- Deixa de ser idiota e dorme logo.

- Não briga comigo. - ele se encolheu mais ainda. E já que ele estava com o dedo na boca, ficou parecendo um bebê assustado. Fofo demais pra ser verdade.

- Aigoo, desculpa. - puxei a manta pra cima dele e esfreguei seu braço.

- Faz aquele negócio com os dedos.

- Negócio? - ele se levantou e arrancou o suéter azul do corpo. Ele pôs novamente a cabeça no meu colo e puxou minha mão até seu ombro. Ah, a mancha - pra quem estava reclamando antes.

- Shh.. - pôs o dedo nos lábios - fica quieta. - revirei os olhos e bufei. Ele nunca vai mudar.

[...]

Fazem exatos quarenta minutos que eu estou encarando Baekhyun deitado com a cabeça na minha coxa e pensando seriamente se eu tenho problemas mentais.

- Mas tipo assim, se for só um selinho? - levantei o indicador - Você não vai acordar não é? Porque se você acordar eu vou estar fodida. Imagina se você decide me processar? Eu não tenho dinheiro não meu filho. Meu irmão é pão duro. - me joguei de costas no colchão e respirei fundo.

Eu definitivamente não sou normal, pelo amor de deus, beijar uma pessoa dormindo. ELE ainda por cima.

Mais cara, aqueles lábios finos estão me chamando, eu sinto isso. Como será que é ser beijada por ele? Faz tanto tempo que eu não troco saliva com alguém. Chega bater um bad.

Me levantei em um só lavanco e tirei sua cabeça da minha perna. Escorei meus braços ao lado da sua cabeça e aproximei meu rosto.

Eu não pensei direito, apenas encostei seus lábios aos meus, de olhos abertos. Eu não queria uma cena de dorama, e sim saber como era a sensação.

- Huh.. - ele se remexeu e eu me afastei imediatamente. Corri até o cômodo mais próximo e me tranquei lá dentro.

- Por que eu fiz isso? - andei de um lado para o outro - e se ele tiver percebido? - pus as mãos no rosto, totalmente desesperada - aí meu deus eu sou louca.

- S/n? - me desesperei na hora. Olhei ao meu redor e percebi que estava no banheiro - S/n você está aí? Abra a porta.

- NÃO! Quer dizer.. - coçei a garganta - não.

- Não? Por que?

- Porque eu não quero.

- Você sabe que eu tenho cópia da chave de todas as portas dessa casa, não sabe?

- Sei? - me olhei no espelho, prestes a chorar de desespero - eu só.. quero pensar, sozinha.

- Sozinha? - vem cá, ele é surdo, só fica repetindo oque eu falo - Mas.. eu preciso de você.

Filho da puta!

Tá doidinho pra foder com o meu psicológico!

- Eu vou voltar, Baek.

Quando eu não sei.

- É por causa dos seus pais? Por hoje ser véspera do assassinato deles? - suspirei fechando os olhos e me escorei na beirada da banheira. Ele tinha que me lembrar.

Será que meu irmão já chegou em casa com a tia Sun-hee? Ela se parece tanto com a minha mãe, eu acho. Já estou me esquecendo do rosto dela. Dez anos é muito tempo.

- S/n..

- É, Baekhyun, é por isso. - minha voz saiu embargada. Não acredito que estava pagando um papel desses.

- Angel, não chora.

- Eu não vou chorar. - limpei o canto dos olhos e me recompus. Eu me recuso a derramar uma única lágrima que seja. Eu sou uma adulta, tenho que superar certas coisas. Como os gritos desesperados da sua mãe enquanto é assassinada brutalmente por um psicopata - talvez um pouco.

- Vamos, abra a porta. Me deixe cuidar de você.

- Eu não sou uma criança, Byun.

- Mas pra mim é como se fosse.

- Me deixa sozinha por um tempo. Não é como se eu fosse cortar meus pulsos com uma lâmina.

- Eu sei que não, mas..

- Só vai. - escutei um suspiro pesado.

- Okay, me chame quando precisar, eu estarei na sala. - ouvi o som dos seus passos ser afastando e suspirei. Até esqueci o verdadeiro motivo de eu ter entrado aqui dentro.

- Aí é mesmo. Eu beijei ele! - agarrei meus cabelos.

Eu não passei muito tempo dentro daquele banheiro, era a minha intenção, mas tava frio pra caralho, eu quase morri sentada dentro daquela banheira. Imagina se eu decidisse chorar, iriam sair pedras de gelo.

Tá, talvez eu tenha derramado umas duas ou três, mas foi o reflexo. Algumas lembranças ainda são dolorosas pra mim.

Eu andei o mais lento possível por aquele corredor desejando com todas as minhas forças pra que Baekhyun estivesse desmaiado em cima daquele colchão, ou se possível morto.

Como eu vou olhar pra ele agora? Toda vez que eu penso nele eu me lembro daqueles malditos lábios finos!

Desgraçado bonito da porra!

Eu pisei na sala de olhos fechados, quando os abri, eu me surpreendi ao ver Baekhyun concentradíssimo com um lápis na boca enquanto desenhava em um caderno com outro. Sensual demais pro meu gosto. Será que ele faz isso de propósito?

Ele percebeu a minha presença e sorriu com o lápis ainda na boca. 

Esse garoto tá me enlouquecendo.

- O que acha? - virou o caderno em minha direção. Eu me aproximei e percebi que aquilo era..

- Essa sou eu? - assentiu - morta?

- Sim.

- Por que você fez isso? Olha a quantidade de sangue nesse desenho, Baekhyun. E isso fincado na minha barriga é uma espada? Porque essa camisola é tão curta? E porque parece que eu viajei para o século dezessete?

- Foi assim que eu sonhei.

- Você sonha com a minha morte?

- Quase sempre. 

- E você não acha isso assustador?

- Acho.

- Então por que desenha?

- É excitante.

- Oi? - definitivamente esse garoto tem problema.

- Olha essa cena, olha você totalmente sem vida, não está vendo o quão prazeroso é?

- Que prazeroso oque meu filho. - arranquei o papel das suas mãos e o amaçei

- Mas.. - arremecei a bolinha na lareira. Ele olhou o papel pegar fogo com um beicinho nos lábios - deu trabalho.

- Que pena. - me sentei no colchão e coloquei a manta por cima de mim.

- Por que você é tão má comigo, noona?

NOONA?

Meu deus gente, chama o manicômio, esse garoto pirou de vez!

- N-Noona? Eu não sou a sua noona Baekhyun. - a essa hora ele já fungava o nariz e esfregava os olhos.

- Eu sei que não.

- Então por que me chamou assim?

- Pra ver se você ficaria com pena de mim.


- E funcionou?

- Sim. Eu posso ver a culpa nos seus olhos. - o olhei com desdém - É só se fingir de inocente que elas ficam mansinhas.

- Mas oque? Que babaca. - dei um tapa em sua perna.

- Mas não é desse tipo que você gosta? - desviou o olhar para o caderno a sua frente, e começou a desenhar novamente.

- Por que está dizendo isso? - franzi o cenho. De quem ele está falando?

- Não é nada. Eu só.. - levantou o olhar pra mim, e sorriu um tanto debochado - perguntei.

- Sei. - estiquei o pescoço pra tentar olhar oque ele desenhava - oque está desenhando?

- Você.

- Eu não vou estar morta dessa vez não né

- Não. - deu um risinho.


- Ah bom. - deitei minha cabeça numa almofada que estava ali e me enrolei mais ainda na manta - como aprendeu a desenhar?

- Eu tinha muito tempo livre trancado dentro do quarto.

- Nossa, que deprimente. - fiz um biquinho triste pra ele que retribuiu da mesma maneira. Nós dois somos tão estranhos. Parecia que estávamos mandando beijo um para o outro.

Observei Baekhyun atentamente enquanto desenhava. Eu adorava o jeito que ele colocava a ponta do lápis na boca e olhava pra mim com o cenho franzido, procurando algum detalhe em específico. Ou como ele umidecia os lábios nervosamente.

Sei lá, acho que estou ficando maluca mesmo.

- Terminei. - ele puxou a folha do caderno e me entregou. Impressionante como ele desenhou tudo idêntico, até mesmo os detalhes da manta ele fez perfeitamente.

- Eu sou tão fofa assim? - balançou a cabeça positivamente com um sorriso fraco no rosto - ownt, valeu bacon. - me ajoelhei e envolvi meus braços em seu pescoço. Eu gosto tanto de abraçar ele, tão fofinho.

- Posso te fazer uma pergunta noona?

- Puff. - revirei os olhos. É sério que ele vai continuar a me chamar assim? - vai, fala.

- Antes.. de você correr pro banheiro, oque aconteceu? - engoli em seco. Ele percebeu. ELE PERCEBEU.

- Não aconteceu nada. - tentei ao máximo não deixar transparecer minha voz alterada.

- Tem certeza? Eu senti algo tocar meus lábios.

PUTA QUE O PARIU!

- Tenho. Você devia estar sonhando. - mordi o lábio inferior.

- Hum, okay. - suspirei aliviada e rapidamente me afastei dele.

- Me ensina a desenhar? - tentei melhorar pelo menos um pouco o clima estranho que se instalou no ambiente.

- Claro. - ele deu um sorriso e colocou o caderno no meu colo. Eu mal peguei o lápis e ele já brigou comigo - Você tem segurar a ponta, se não o esboço ficará marcado. - colocou o queixo no meu ombro e arrumou o lápis na minha mão.

- É só eu passar de leve, Baek. - virei meu rosto pra ele.

- Não é a mesma coisa. - ele fez um biquinho emburrado quando viu que eu estava certa.

- Okay, se você diz. - soltei uma risadinha.

- Você tem visualizar o desenho no papel. Use essa sua imaginação fértil para algo que preste.

- Ei.

- Se concentre. - revirei os olhos e mentalizei a primeira coisa que veio na minha cabeça, antes que eu pudesse começar a riscar o papel, a minha mão já fez por si próprio. A mão de Baekhyun por cima da minha no caso

- O que está fazendo?

- O fogo. Não foi isso que você
pensou.

- Como soube?

- Eu tenho os meus truques. - virei meu rosto novamente pra ele, dessa vez reparando bem nos seus traços. Cara, eu tô obcecada pela boca do garoto - pronto. - voltei a realidade no mesmo instante - agora é só você terminar. - ele se afastou e eu suspirei frustrada.

- Mas eu não sei como fazer isso. 

- Eu já fiz o traço, você só precisa acertar os detalhes.

- Baek.. - joguei a cabeça pra trás manhosa.

- Vamos Angel. Deixa de ser preguiçosa, eu tenho que te levar pra casa antes das onze.

- O que?

- O seu irmão me ligou.

- Ligou? - ele assentiu pegando um copo no chão - e oque mais?

- Nada, você só tem que estar lá para o almoço.

- Ah, entendi. - desviei o olhar para o papel a minha frente. Suspirei pela enésima vez e começei a passar o lápis pela folha.

Impressionante como o meu humor muda só por lembrar de algumas coisas.

- Você está cansada? Ainda é cedo, você pode dormir antes de voltar.

- Você vai voltar comigo. - minha voz saiu baixa, como num sussurro, se ele não tivesse a audição desenvolvida tenho certeza de que não teria escutado.

- Ahjumma precisa de mim. Eu não quero me afastar até que ela melhore.

- Entendi. - levantei o olhar e vi ele tomar o Uísque do copo de uma vez só. Me deu uma vontade de beber uma garrafa inteirinha e ficar inconsciente pelo resto da vida.

- Tem certeza que não está cansada?

- Por que?

- Quando eu abri os olhos, foi quando você fechou os seus.

- Eu pensei que você fosse ter outro pesadelo. - dei um risinho envergonhado. 

As vezes eu sou patética demais. Deve ser por isso que estou sozinha agora, apenas com o meu irmão de porto seguro. Mas é como Baekhyun sempre diz, alguma coisa de errado eu fiz pra merecer isso.

- S/n.. - senti suas mãos tocarem o meu rosto - seus olhos estão marejados.

- O que? - eu pisquei, e senti a lágrima rolar pela minha bochecha, mas rapidamente a limpei - Não, eu estou bem. - sorri.

- Angel.. - ele me olhou com ternura e acariciou minha bochecha.

- Eu quero ir embora Baekhyun. Agora.

- Eu te levo, não se preocupe. - sorriu passando a mão pelos meus cabelos.

[...]

Assim que Baekhyun abriu a porta de casa eu corri pra dentro e pulei no colo do meu irmão que estava no sofá. Ele me apertou contra si e eu pude finalmente derramar as lágrimas que eu tanto segurei o caminho todo.

Eu não queria ter chorado, não na frente de todo mundo. Antigamente era apenas eu e o meu irmão, um dividindo suas mágoas com o outro. Só ele sábia das minhas fraquezas e vice-versa.

Mas agora, eu tinha muito mais pessoas ao meu redor.

Nesse momento Chanyeol e Luhan estavam nos contanto histórias engraçadas que aconteceram em suas vidas na intenção de me animar. 

Taeyeon e Taemin estavam apenas sentados no sofá a minha frente me encarando com pena. Agora eu sei como Baekhyun se sente. 

Tia Sun-hee estava na cozinha preparando o meu prato favorito para o almoço e Baekhyun já tinha voltado pra casa.

Eu não queria admitir mais sentia falta dele aqui comigo, mesmo que fosse para me provocar. Eu tinha ido pra lá pra que ele me fizesse esquecer dos meus problemas, mas parece que ele tem que resolver os dele primeiro.

- Comida pronta meus amores. - Chen se levantou do sofá comigo no colo e todos nós fomos pra cozinha.

Cada um se sentou em um lugar no balcão e começaram a comer. Tia Sun-hee se aproximou e colocou uma tigela de pedras quentes a minha frente. Eu baixei o olhar e vi queijo, muito queijo.

- Eu nunca tinha ouvido falar de batata apimentada com queijo. - ela sussurrou no meu ouvido - mas aquele rapaz que te trouxe me contou que você gosta e como fazer.

Imediatamente sorri ao me lembrar do dia em que eu dormi na casa de Baekhyun e ele cozinhou pra mim, mesmo não sabendo de nada. Eu fiquei obcecada com uma foto no livro de receitas e acabou que era carne apimentada com queixo. Ele substituiu a carne por batata e desde então se tornou minha comida preferida.

- Espero que eu tenha feito do jeito que você gosta.

- Obrigada tia.

- De nada meu amor. - afagou meus cabelos e se afastou. 

Todos ali conversavam animadamente, como se nessa data à dez anos atrás os meus pais não tivessem vivendo o último dia de vida deles. Mas tudo bem. 

Eu apenas comia a minha comida tentando esquecer toda a minha dor, e aquele maldito vampirinho.

Aquele demônio não sai da minha cabeça. Eu estava tão frustrada de ele não ter ficado comigo. O que eu mais queria agora era apertar aquela bolinha de gordura até seu rosto ficar azul.

- Estúpido.

- Oque? - Chen virou o rosto pra mim com a sobrancelha arqueada.

- Eu disse que.. - suspirei - nada, eu só pensei alto.

- Amanhã ele vai estar com você, não se preocupe.

- Do que está falando?

- Nada. - desviou o olhar com um sorriso suspeito no rosto.

Depois do almoço eu fui ao meu quarto e chorei. Chorei até pegar no sono. E eu juro ter sentido algo nos meus cabelos. Mas ignorei.

E assim foi pelo dia todo, toda vez que eu acordava, eu fechava os olhos novamente e dormia denovo. Acho que repeti isso umas quinze vezes ao longo do dia.

Mas chegou uma hora que eu não consegui mais, eu fechava os olhos, mas não conseguia dormir. O que é uma droga.

Aquele quarto estava um tédio, eu tinha vontade de destruir cada coisa ali dentro. 

Me levantei da cama com a maior preguiça e indisposição do mundo.

Quando eu estava descendo as escadas eu ouvi um barulho estranho, pisei no patamar vendo Baekhyun em pé, ao lado da porta, batendo a cabeça na parede freneticamente. Ele mexia a boca como se estivesse falando com si mesmo. Eu não estava entendendo nada

Até que ele se afastou e correu em direção a escada, ou seja em direção a mim.

Quando ele me viu em pé ali ele parou de subir no mesmo instante e começou a me encarar.

- O que você está fazendo aqui? - ele simplesmente caminhou até mim e me abraçou. Admito que eu precisava desse abraço, muito.

- Desculpa, por não saber como fazer você se sentir melhor. Você sempre me animou quando eu me sentia triste, infelizmente eu não posso fazer mesmo por você.

- Tudo bem. - afundei meu rosto em seu ombro e fechei os olhos. Ele começou a acariciar minhas costas e todo aquele sono que eu perdi voltou novamente. Eu praticamente me derrreti em cima dele.

- Quer sair um pouco? Faz tempo que não vamos ao lago.

- Não, eu só quero dormir e esperar o mundo acabar. - ouvi ele suspirar e me impulsionar para cima. Eu me agarrei a ele, e ele me levou novamente para cima - eu não quero voltar pro meu quarto. Eu me sinto sufocada lá dentro.

- Então vamos para o meu. - mordi os lábios e segurei o riso - safada.

- Não disse nada.

- A sua boca está colada com meu ouvido, eu escuto a sua língua mexer dentro da boca.

- Credo. - precionei meus lábios contra o seu ombro tentando abafar o som ouvindo ele rir.

Quando adentramos seu quarto ele me pôs sentada em cima da cama e caminhou até o armário.

- Não era pra você estar com Eun-hye? - puxei o edredom para cobrir minhas pernas, a janela estava praticamente escancarada.

- Era, mas eu não consegui parar de pensar em você e em como estaria sofrendo sem mim.

- Jura? Eu não pensei em você uma vez sequer.

- Eu sei que sim. - ele puxou um suéter xadrez e veio até mim.

- Sabe? - assentiu. Levantei os braços para cima para ele conseguir me vestir o suéter.

- Se você não estivesse pensando em mim eu também não estaria pensando em você. - enrolou a manga que estavam tampando totalmente as minhas mãos.

- Então nós temos tipo uma conexão? - apontei para nós dois empolgada.

- Não. - meus ombros caíram na hora e um beicinho se formou nos meus lábios.

- Affs. - joguei minha cabeça no travesseiro. Baekhyun puxou o edredom pra cima de mim e se sentou no chão, a minha frente - oque está fazendo? 

- Quando os meus pais morreram, eu tinha pesadelos constantemente. Você presou pelo meu sono, estou fazendo a mesma coisa por você.

- Quem garante que eu vou ter pesadelos? 

- Exatamente.

Espertinho ele hein.

- Quando você vai embora?

- Eu não vou.

- Não vai? - balançou a cabeça negativamente - como não? 

- Não sei o que você fez ou como fez, mas Ahjumma está melhor. Ela consegue até mesmo falar agora.

- Eu disse, o sono é a solução de tudo. - joguei o meu cabelo pra trás com a expressão mais convencida do mundo - pera, ela não conseguia falar? O que ela tinha de tão grave assim?

- Eu não sei, ela não quis dizer. Mas eu sei que ela sabe o que é. - ele suspirou e escondeu o rosto entre os braços.

- Deita aqui. - rastejei para o lado e alisei o meu lado na cama. Ele não exitou e se deitou - esse suéter é tão fofo. - passei a mão pelo seu corpo - se eu tivesse visto ele antes..

- Por esse mesmo motivo eu não trouxe pra cá.

- Idiota.- revirei os olhos - eu já disse que é por uma boa causa. O meu pijama favorito está sujo.

- Mas é claro, você não lava ele só pra ter uma desculpa e pegar as minhas roupas.

- Aish. - cruzei os braços emburrada e me virei para o outro lado - apaga a luz. - ele foi como um vulto até o interruptor e voltou para cama do mesmo jeito, meu corpo chegou a dar um impulso pra frente quando ele me tocou - bruto.

Escutei a sua famosa risadinha desafinada e sua mão deslizar lentamente pela minha cintura até a minha barriga, aonde ele agarrou o pano do suéter e me grudou contra ele

- Está com medo que eu fuja?

- Não. Estou como medo que você se mexa, e acorde um ser muito bem guardado. - minhas bochechas imediatamente ficaram vermelhas. Então quer dizer que.. - estou brincando S/n.

- Filho da.. - ele segurou a minha mão antes que ela pudesse alcançá-lo - maldito instinto. - bufei e tentei puxar minha mão de volta - Yah..

- A sua mão é tão pequeninha. - pressionou a palma contra a minha. A ponta dos meus dedos chegavam um pouco mais da metade dos dele.

- E o que tem? - digo vendo ele entrelaçar nossos dedos.

- Se encaixa perfeitamente com a minha.

- Isso é bom?

- Você acha?

- Pra mim tanto faz.

- Depois eu sou insensível. - afundou o rosto na minha nuca e respirou fundo. O silêncio permaneceu por alguns minutos, o clima naquele quarto estava meio estranho, a luz da lua entrava pela janela e refletia no meu rosto. Eu me senti estranha com aquilo.

- Canta pra mim?

- Eu não sei cantar.

- Por favor. - ele suspirou e começou a cantarolar bem baixinho na minha orelha. A voz dele estava rouca e um pouco desafinada, mas mesmo assim eu amei - como aprendeu a cantar?

- Do mesmo jeito que aprendi a desenhar. - virei minha cabeça para o lado para tentar vê-lo mais tudo oque eu vi foram os meus cabelos misturados com os dele.

- Eu não consigo dormir.

- Tem que fechar os olhos pra começar.

- Babaca.

[...]

Abri os olhos e me levantei em um só lavanco. Minha respiração estava descompassada e a testa úmida de suor.

Olhei para ao lado e vi que Baekhyun não estava mais aqui. Nem pensei duas vezes e me levantei da cama. Andei rapidamente pelo corredor e abri a porta do quarto do meu irmão. Ele estava na cama, mexendo no celular.

- Dinossauro? - ele olhou pra mim e eu fiz um beicinho triste - posso dormir com você?

- Pode. - corri em direção a cama e pulei em cima dele - Baekhyun não está com você?

- Não. - deitei a cabeça em seu peito e comecei a fazer círculos imaginários - eu tive um pesadelo.

- E?

- Foi muito assustador.

- Pesadelos são assustadores. Se não, não seriam pesadelos.

- Estou cercada por idiotas. - revirei os olhos.

- Chen! - ouvi a voz de Baekhyun do outro lado da porta - Você sabe aonde S/n está? Ela não está mais no quarto!

- Ela está aqui, não se preoucupe.

- Ah, certo. - ele pareceu meio.. decepcionado? - Boa noite.

- Boa noite. - eu e Chen dissemos juntos.

- Aonde está a Cherry? Faz tempo que eu não vejo ela.

- Veterinário. Ela está no cio.

- E quanto tempo ela vai ficar lá?

- Uma semana.

- Isso. - fechei os olhos e agradeci mentalmente a Deus por esse milagre. Ele apenas riu baixinho e voltou a atenção ao celular - Mexe no meu cabelo? - fiz uma voz fofa e os olhos pidões. Ele olhou pra mim e deu um riso soprado, mas mesmo assim começou a acariciar o meu cabelo.

- Nem sei como Baekhyun aguenta.

- Nem eu. - ri fechando os olhos. 

[...]

Tomei o banho mais lento da minha vida e vesti minhas roupas rapidamente, eu tinha certeza de que Baekhyun estava impaciente do lado de fora.

- Pensou que eu estava morta lá dentro?

- Não. - ele pegou minha mão e me puxou pra perto dele - Pensei que você queria ficar sozinha e pensar, afinal, hoje é o dia mais triste da sua vida. - passou os dedos entre meus cabelos húmidos e despenteados.

- Vai brigar comigo por não ter secado o cabelo? - ele riu e negou com a cabeça. Eu baixei a minha e encostei em seu peito - Você vai comigo?

- Sim. - envolvi os braços em sua cintura larga e derramei algumas lágrimas. Eu estava odiando toda essa sensibilidade - Não chora Angel.

- Eu não estou chorando. - funguei o nariz.

- Se você diz. - eu me afastei dele passando a mão no rosto - vamos descer, todos devem estar nos esperando. - agarrou minha mão e me puxou pra fora do quarto.

Acabou que estava todo mundo sim lá embaixo, menos meu irmão e a minha tia. O clima tava bem melhor do que ontem, é como se tudo tivesse voltado ao normal.

- Me empresta o seu celular? 

- Pra quê?

- Eu quero me distrair, olhar pra essa sala me lembra eles. - ele bufou e tirou o celular do bolso - eba! - bati palminhas enquanto ele desbloqueava o ecrã.

- E nada de bisbilhotar. - colocou o celular na palma da minha mão.

- Okay. 

[...]

- Mas oque é isso?

- Filme.

- Da Disney?

- Idai? Eu gosto das princesas. - eu não olhava o seu rosto mas sábia que ele estava incrédulo - oh, os ratinhos da Cinderela são tão fofos. Eu quero um ratinho, Baek.

- Ratos tem doenças. - um bico imediatamente se formou nos meus lábios.

- Estraga prazeres.

Durante o caminho eu continuei a assistir os meus clássicos, só que agora Baekhyun assistia junto comigo, e fazia os piores comentários.

- Essa mulher é bem burrinha hein, ela nunca ouviu falar que não se deve aceitar coisas de estranhos? - levantei a cabeça do seu ombro e o olhei incrédula.

- Ela é inocente, Baek. 

- Toda pessoa inocente é burra?

- Eu não sou burra.

- E nem inocente. - revirei os olhos e voltei o olhar para o celular a minha frente. Branca de neve é um dos filmes preferidos e Baekhyun está conseguindo acabar com tudo - olha o Chanyeol ali. - apontou para o Dunga e eu não consegui evitar a risada.

- O que tem eu?

- Nada. - eu e Baekhyun dissemos juntos tentando segurar a risada.

- E você ali também, idêntico ao dengoso.

- Eu não sou dengoso.

- Vou me lembrar disso todas as vezes que você vira um cachorrinho e se encolhe no meio da cama só por eu passar a mão no seu cabelo.

- Calúnia. - fingiu estar surpreso. Mas ele mesmo sábia que era verdade - Que nojo, ele beijou ela morta.

- Ela não está morta, está dormindo.

- Pra sempre.

- Não mais, ela acordou olha. - apontei.

- Pior ainda. Imagina se as crianças assistem uma coisa dessas e decidem sair beijando cadáveres por aí?

- Verdade. - fingi que iria vomitar - A minha infância foi uma mentira.

- A de todos nós. - suspiramos em uníssono.

Quando nós finalmente chegamos, eu fui a última sair do carro. Baekhyun se manteve ao meu lado o tempo todo, toda vez que eu olhava pra ele, ele sorria e afagava os meus cabelos.

- Eu já disse que não vou chorar.

- Não é como se você controlasse isso. Vai por mim eu já tentei várias vezes.

Eu nunca gostei de cemitérios, eu me sentia observada, como se a qualquer momento fosse aparecer uma alma na minha frente e me arrastar para um caixão a força.

Mas devo admitir que era bem bonito, todas as árvores e flores plantadas no chão davam um ar à menos de morte e tristeza.

Nós andamos mais um pouco até eu já conseguir ver a copa de uma árvore bem alta, eu sábia muito bem o que isso significava. Imediatamente cessei meus passos.

Eu disse que não iria chorar. Eu não vou chorar. Eu me recuso.

- Angel.. - senti a mão de Baekhyun tocar o meu braço.

- Eu não vou chorar. - apertei os olhos fechados.

- Eu sei que não. Vamos, vai ficar tudo bem. - o resto do caminho eu andei agarrada com o meu irmão. Foi impossível não derramar pelo menos uma lágrima, eles estavam ali, a minha frente, depois de tanto tempo.

Tia Sun-hee nos obrigou a fechar os olhos e fazer uma oração. Mas quando eu os abri de novo, Baekhyun não estava mais perto de mim.

- Eu já volto. - sussurrei no ouvido de Chen que assentiu. Como se acha túmulos específicos num cemitério? - com licença, vocês viram um homem de blusa preta, mais ou menos da minha altura e cabelos pretos? 

- Ali. - uma senhora apontou para um caminho de pedras.

- Obrigada. - me reverenciei e rapidamente segui naquela direção. De longe eu vi Baekhyun ajoelhado em frente a uma lápide, de cabeça baixa. Eu me aproximei e me ajoelhei atrás dele.

Ele passou a mão pela pedra e afastou as folhas que tampavam. Não tinha a foto deles, apenas os nomes. 

- Por que aqui só tem a lápide?

- Não tem corpo, nunca teve. - meu olhos se arregalaram. Então eles.. - mesmo que eles me odiassem, eu não gosto do fato de que eles tenham morrido do pior jeito possível.

- E.. - engoli em seco - o que você fez com as cinzas?

- Eu nunca escostei em nada. Nem sei se existem cinzas ou não.

- Como assim? Você já tentou perguntar para Ahjumma?

- Já. O meu irmão sumiu no mundo com tudo.

Nem conheço e já odeio.

- Você tentou procurar por ele?

- Não, não me faz falta. - ele olhou pra mim e eu vi em seus olhos que fazia sim.

Eu não sei qual era a relação de Baekhyun com o irmão dele mas parece que eles se davam muito bem. E agora, ele foi deixado sozinho. Tadinho, nem deve saber porque o irmão sumiu.

Senti uma gota de água pingar fortemente no meu braço. Olhei pra cima e vi que estava começando a chover.

- Vem, vamos embora. - me levantei do chão e puxei comigo até o carro. Mas quando eu entrei ele simplesmente fechou a porta e ficou do lado de fora - o que está fazendo?

- Eu preciso resolver umas coisas antes de voltar pra casa.

- Num cemitério?

- Não é como se eu fosse fazer necrofilia, eu só quero pensar.

- De novo, num cemitério?

- Eu vou voltar Angel, não se preocupe. - passou a mão pelos meus cabelos e os jogou pra trás.

- Okay. - suspirei - mas se você não estiver lá em casa até a noite eu chamo a polícia.

- Não vai precisar. - ele sorriu e acariciou o meu rosto.

- Espero.

A chuva se tornou mais forte e logo ele desapareceu da minha frente, como um vulto.

Eu respirei fundo e encostei minha cabeça no banco. O pessoal voltou pro carro e nós fomos embora. Minha mente estava totalmente ocupada com outra coisa, uma pessoa na verdade.

[...]

Já eram nove horas da noite, Sehun veio aqui pra casa e ficou a tarde toda comigo, mas infelizmente ele teve de ir embora. E eu fiquei sozinha novamente.

Fiquei rolando na cama no maior tédio, até conseguir pegar no sono, o que não demorou muito, eu só tive que vasculhar cada coisa de Baekhyun que tinha naquele quarto. Inclusive os cadernos das aulas, impressionante como a letra dele e perfeita e sem nenhuma imperfeição, e ele nem parece se esforçar. 

Senti algo gelado rodear a minha cintura, sorri já sabendo muito bem o que era. Olhei para baixo e me assustei ao ver sua mão totalmente ensanguentada, eu tive vontade de chorar e pedi a deus pra aquilo não ser o próprio osso da mão dele.

- O que você fez, Baekhyun? - ele simplesmente riu, uma risada fraca, mas com um tom melancólico.

- Acho que vamos ficar um bom tempo sem ir ao lago. Não sobrou muitas árvores pra você se esconder como das outras vezes.

- Porque você fez isso? Você disse que só iria pensar.

- E eu pensei, muito. - me virei de frente pra ele vendo seus olhos marejados - mas parece que eu e os meus pensamentos não nos damos muito bem sabe? Ele gosta de me torturar. - deu um sorriso fraco. Eu toquei seu rosto com toda a delicadeza do mundo, dava pra ver o vazio só de olhar em seus olhos - a minha mente é fraca. Eu sempre tento parecer oque eu não sou, por que eu sei que vai machucar as pessoas a minha volta, mas elas nunca se importam com o que eu vou sentir. - apontou para o próprio peito - me machuca a cada dia que passa. Não existe Baekkie, não existe mais aquela criança que você gostaria que eu fosse, ela está morta dentro de mim, as pessoas fizeram isso, as pessoas à mataram. Tudo oque sobrou foi esse lixo que você está vendo, e eu sou obrigado a viver assim pelo resto da eternidade.

- Você não é um lixo.

- Você não me conhece S/n, você pensa que sim, mas não é verdade. Esse Baekhyun não existe..

- Existe sim, eu sei que existe. Você não pode ter fingido durante todo esse tempo, eu sei que é você de verdade, Baek. 

- Angel..

- Vá tomar um banho, nós vamos conversar sobre isso. - puxei seu braço cautelosamente de cima de mim e o empurrei para fora da cama.

Eu fui com ele até o banheiro e o ajudei a tirar a camisa, ele estava todo sujo de terra, eu não posso acreditar que ele passou o dia inteirinho socando árvores.

- Eu.. ahm, estou te esperando lá fora. - antes de sair eu puxei a chave da fechadura, é melhor prevenir - me chame se precisar de ajuda com as mãos. - ele não me olhou ou falou alguma coisa, simplesmente continuou parado. Eu mordi os lábios e saí de uma vez daquele banheiro.

Eu não vou chorar. Eu me segurei o dia inteiro, não é só por que uma pessoa que você gosta muito desabafou todos os seus problemas e te fez se sentir um pouco culpada. Eu não tenho nada ver com isso. Mas se eu não tivesse deixado ele lá no cemitério ele não teria voltado dessa maneira. Mas também se eu tivesse insistido pra ele voltar ele não teria desabafado e continuaria a sofrer calado.

Aish, o que eu faço?

[...]

Okay, são só quarenta minutos, ele está bem, eu tenho certeza, ele não tentaria nenhuma loucura, Baekhyun é consciente, ele sabe o que faz. Não sabe?

Abri uma fresta minúscula na porta e vasculhei o banheiro com os olhos. Ele estava bem, na verdade, ele aparentava estar bem, mas eu sábia que não.

Ele estava tentando colocar uma espuma de barbear na mão, mas devido ao estado precário que ela se encontrava ele não conseguiu nem ao menos apertar o spray sem soltar um grunido.

Quando eu abri mais a porta ele olhou pra mim pelo espelho mas fingiu não se importar. Eu entrei e imediatamente abri o armário em busca da caixinha de primeiros socorros.

Coloquei em cima da pia e tirei tudo oque eu acho que se deve usar. Eu não sou boa com primeiros socorros.

Puxei sua mão com todo cuidado do mundo. Eu sentia olhar dele sobre mim, mas preferi ficar calada.

Molhei um algodão com antisséptico e limpei seus dedos ainda manchados de sangue, igualmente ao seu punho. Só de ver eu tenho vontade de chorar.

Mãos tão bonitas, destruídas desse jeito.

Eu enfaixei as duas mãos com toda a delicadeza do mundo, eu tinha certeza que todas as vezes que ele estremecia não era de frio.

Peguei a lata de creme de barbear e coloquei um pouco na mão. Deslizei a mão ao lado do seu rosto e pra mim estava normal, mas se que ele queria.

Passei a espuma pelo seu rosto e não consegui evitar a risada, ele ficou tão fofinho.

Peguei o gilete em cima da pia e franzi as sobrancelhas. Como se faz a barba de alguém? É a mesma coisa de depilar né?

Respirei fundo e passei a lâmina de uma vez.

- Você é louca? - ele se afastou na hora tampando o rosto com as mãos e olhando no espelho pra ver se tinha cortado ou não.

- Eu não sei como barbear alguém.

- Então por que foi inventar?

- É isso que eu ganho por ser uma ótima pessoa. - o arrastei pra perto de mim novamente. Toda vez que eu aproximava o gilete do seu rosto ele tombava a cabeça pra trás - fica quieto. - agarrei sua nuca e manti seu rosto firme. Assim que ele sentiu a lâmina na pele dele ele apertou os olhos com força.

Eu deslizei com calma agora, era até divertido. E é claro que eu me animei e fiz tudo com um sorriso no rosto.

- Você vai acabar me cortando se não parar de dar pulinhos.

- Não acaba com a minha alegria. - fiz um beicinho - fecha a boca. - ele me obedeceu e eu passei gilete embaixo do seu nariz - acho que está bom assim não? Não, eu preciso passar aqui também.

- Chega S/n, não tem nada aqui. Você já está ficando obcecada.

- Affs. - revirei os olhos. Logo agora que eu estava pegando a manha.

Eu saí do banheiro e me joguei em cima da cama. Baekhyun chegou logo na hora em que já estava pegando no sono, não estou reclamando é claro. Mas amanhã eu tenho aula mais cedo, e não vou pregar os olhos até ele me contar tudo.

- Deita aqui? - dei batidinhas ao meu lado. Quando ele se deitou eu me deitei em cima dele - pode começar.

- Eu não quero falar sobre isso.

- Pena que você não tem escolha. Já pode começar.

- S/n..

- Vai. - ele suspirou e fechou os olhos.

- Naquela época, quando eu fui sequestrado, ninguém me salvou, meus pais não pagaram absolutamente nada, eu tive que me livrar sozinho.

- Mas.. eu pensei que..

- Eu já disse, eles não gostavam de mim.

- O que você fez? - ele abriu os olhos e encarou o teto.

- Um deles veio em minha direção com uma faca, ele ia me machucar, eu sábia disso. Mas o meu extinto foi mais rápido, e quando eu vi.. - mordeu os lábios apreensivo - Eu já tinha cortado a garganta dos dois. - arregalei os olhos e abaixei o rosto, tentando não demonstrar a minha surpresa.

Essa parte da história ele não tinha me contado.

- Tinha sido a primeira vez que eu tinha matado alguém, e o pior é que eu gostei. Eu gostei de ver o corpo deles ensanguentados no chão, me deu prazer. Foi.. bom. - fechei os olhos com força e mordi os lábios, a história piora a cada minuto - mas depois, a culpa bateu com força, eu me arrependi, muito. Eu preferia que eles tivessem feito o que quisessem comigo.

- Te estuprado.

- Isso, eu preferia ter sido estuprado, ao ter que tirar a vida deles.

- O que você fez depois?

- Voltei pra casa. - levantei o rosto quando ouvi sua voz falhar no final, seus olhos estavam marejados - Ahjumma estava lá, só ela. Ela era a única que estava me esperando, que sentiu a minha falta. - ele tampou os olhos com a mão e eu vi uma lágrima deslizar pela sua bochecha.

- Não chora, por favor. - me sentei e puxei a mão que tampava seus olhos.

- Eu pensei, que eles tinham ao menos notado a minha falta. Eu sei que fui problemático, mas eu sempre fiz de tudo pra que eles me reconhecessem como filho, eu me esforcei de verdade pra que eles tivessem orgulho de mim. E no final, não serviu de nada.

- Baek, para de chorar, por favor. - eu estava entrando em desespero. Não parava de sair água dos olhos dele.

- Continuando.. - limpou o rosto com nenhum pouco de delicadeza, como se nada tivesse acontecido - eu cheguei em casa, me tranquei no quarto e chorei. Eu tinha matado uma pessoa, eu tinha tirado uma vida, com quatorze anos. Eu era um assassino com só quatorze anos. 

Soltei um murmúrio e me deitei em cima dele, olhando atentamente para o seu rosto vermelho.

- Ownt, eu não gosto quando você fica triste. - beijei suas bochechas molhadas e salgadas pelas lágrimas - é como dar um tiro em coelhinhos fofos.

- O que?

- Nada. Deita aqui no meu ombro. - me deitei ao seu lado, ele não exitou e colocou a cabeça no meu ombro - pode continuar se quiser, eu não vou te obrigar. 

Ele se acalmou e eu achei que tivesse pegado no sono, mas a verdade era que ele estava apenas se torturando mentalmente. Toda vez que apertava o pano da minha blusa ou mordia com força o lábio inferior era quando com certeza ele se lembrava de algo e não queria dividir.

Eu não iria fazer ele falar, o que eu soube até o momento já foi o suficiente pra saber que ele era traumatizado e muito sensível em relação aos pais. E se pra ele era doloroso falar, por que eu vou insistir?

- Eles me obrigaram a ir em um psiquiatra.

- Shh, não precisa dizer nada. - alisei suas costas.


- Eu fui diagnosticado com sociopatia crônica.

- O que?

- Eu.. sou um sociopata. - apontou pra si mesmo e eu engoli em seco. Quando você pensa que não pode piorar..- está com medo de mim agora? - ele me olhou com os olhos brilhando.

- Pra falar a verdade, assustada com a notícia. Mas não muda você ser um bolinho. - apertei sua bochecha e ele sorriu tímido - você é bipolar também não é?

- Não oficialmente, mas eu acho que sim.

- Com certeza. - me virei de lado e o apertei contra mim como se ele fosse um bebê. Foi muito fofinho a cena dele com os braços juntos a frente do peito e com vergonha por eles encostarem nos meus seios.

Tem certeza que esse garoto é um sociopata?

- O que foi? 

Cínica, eu? Magina.

- Ah, n-nada. - ele baixou o olhar e mordeu o lábio inferior.

- Se você diz. - deixei um mínimo sorriso escapar dos meus lábios, mas logo fiquei séria novamente - Você vai dormir.

- Provavelmente.

- Então dorme. - dei batidinhas em suas costas.

- Você.. vai estar aqui pra quando eu tiver um pesadelo? - bateu o indicador um no outro olhando para os próprios dedos.

- Vou. - ele sorriu tanto, que os seus olhos se fecharam - está feliz é?

- Você é a primeira pessoa que não se afastou de mim com medo.

- Essas pessoas são tão babacas quanto você. - ele emburrou na hora. Eu apertei novamente sua bochecha mas ele bateu na minha mão - Aí!

- Não me toque. Aliás eu nem sei o que você tá fazendo no meu quarto.

- A casa é minha, eu tenho livre acesso à todos os cômodos.

- Então eu serei obrigado a ir embora dessa casa?

- E vai morar aonde? Na sua casa não pode ser. Tenho certeza que a Eun-byul sabe o endereço.

- Eu tenho um cartão diamante lembra, dinheiro não me falta.

- Egocentrismo também? Você é um leque de personalidades hein, Byun.

- Mereço. - ele se virou e estava pronto para sair da cama quando eu puxei seu braço bruscamente. Ele caiu em cima de mim, com o rosto bem próximo ao meu.

Bem próximo mesmo, a minha respiração batia no rosto dele e voltava para o meu.

- Odeio quando você faz isso.

- O que?

- Você sempre me faz querer te beijar.

- E isso é ruim?

- Péssimo. - ele se afastou e se levantou da cama. 

- Aonde você vai?

- Pensar.

- O que? Não. - me levantei correndo.

- Eu não vou socar nada. Até porque com as mãos desse jeito eu não poderia nem se quisesse.

- Mas você já pensou demais hoje. - segurei sua mão e o puxei de volta para a cama - e eu ainda tenho duvidas.

- Diga. - colocou o braço direito atrás da cabeça.

- Por que você disse que esconde o verdadeiro Baekhyun?

- Por que é verdade. Eu sou um assassino S/n, você sabe disso.

- Para de dizer essas coisas. Não é como se você tivesse feito apenas pra se divertir. Você não teve escolha, não é?

- Bom, eu..

- Sim ou não?

- Sim.

- Você se arrependeu, isso é o que importa.

- Nem sempre.

- Como?

- Nem sempre eu me arrependo. As vezes as pessoas merecem S/n. Elas merecem sofrer tanto quanto já fizeram com as outras.

- Você está dizendo que também.. - engoli em seco - Vamos dormir? Estou morrendo de sono. - me virei de costas pra ele e tateei a cama atrás de mim em busca da sua mão. Quando a encontrei eu o puxei até que sentisse seu peitoral em contato com as minhas costas e entrelaçei nossos dedos.

- Não fique com medo de mim, eu nunca seria capaz de te machucar. - ele sussurrou no meu ouvido me deixando totalmente arrepiada.

- Eu não estou com medo. - tentei ao máximo parecer calma e plena. Como se ele não tivesse confessado minutos atrás ser um sociopata torturador de pessoas!

- O seu coração está disparado. O pavor exala da sua pele. Eu posso sentir o quanto está apreensiva apenas pelo jeito que aperta a minha mão. - olhei nossas mãos entrelaçadas e vi os nós dos meus dedos brancos, ele não estava sentindo dor com isso? - eu não queria isso, eu não queria que tivesse medo de mim. É por isso que eu escondo tudo o que eu sinto, tudo o oque eu sou. Eu te disse S/n, eu falei pra você, mas você não me escuta.

Okay, a voz dele está começando a ficar embargada. Eu deveria contar a verdade e falar que eu estou sim assustada, ou dizer que está tudo bem e que eu entendo ele e tudo o que ele fez?

- Baek.. - me virei de frente pra ele novamente e toquei seu rosto. Eu gostava tanto daquela pele branquinha - olha eu..

- Eu não gosto quando mente pra mim. - mordi o lábio inferior, cancela a segunda opção - eu já disse, a minha mente é fraca, não se aproveite disso, eu te imploro.

Eu me senti tão culpada que me deu vontade de estapear a mim própria. Por que eu não estou conseguindo fazê-lo se sentir bem como das outras vezes? O que tem de errado comigo?

- Eu.. ahm.. vamos dormir? - forçei um sorriso puxando o edredom até nossos ombros. Baekhyun fechou os olhos e eu pude ver uma única lágrima cair dos seus olhos.

- Boa noite. - sua voz trêmula me cortou o coração de um jeito que eu queria tomar ele pra mim e cuidar como se fosse meu filho. Ele recolheu o braço que estava em volta de mim e se encolheu na cama, ele virou literalmente uma bolinha.

- Não chora Oppa. - passei a mão pelos seus cabelos dando uma visão melhor do seu rosto - se você chorar a dongsaeng também vai. E eu não quero chorar. - continuei a passar a mão pelos seus cabelos tentando parar a queimação nos olhos, eu não me segurei o dia inteiro pra esse idiota vir a acabar com o meu progresso - eu juro que arranco os seus olhos fora seu babaca.

- Por que está brigando comigo? Eu não fiz nada. - a voz dele parecia cada vez mais baixa, como se ele estivesse segurando o choro.

- Eu não gosto quando você chora.

- E você acha que eu gosto? Pra um sociopata eu tô emocional demais não acha? - me mandou aquele olhar debochado.

- E você? Por que tá brigando comigo?

- Por que eu quero!

- Seu grosso, babaca, estúpido, inútil, Imbecíl, filho da.. - ele tampou minha boca com a mão.

- Fica quieta, pelo amor de deus. Me deixa em paz. - o olhar de súplica dele me deu um aperto no coração.

- Desculpa. - puxei ele pra perto de mim e o apertei em meus braços - mas é que você é tão idiota as vezes, mas ao mesmo tempo um amorzinho. É difícil acompanhar.

Eu comecei a falar e não parei mais, as vezes eu até perdia o fôlego por falar muito rápido. Quando eu vi ele já estava provavelmente no trigésimo sono.

- Boa noite Oppa. - beijei seus cabelos.

- Boa noite noona. - eu bufei, enquanto ele ria.

[...]

Quando amanheceu, eu me levantei antes de Baekhyun e voltei para o meu quarto. Me repreendi mentalmente ao me lembrar de que não revisei a matéria nesse fim de semana. Por que o dia vinte teve que cair logo no fim de semana?

- Tia Sun-hee, eu não posso comer doce. - choraminguei ao olhar o prato de torta de morango a minha frente.

- Aigoo, desde quando você recusa morango?

- Desde que a minha treinadora, é a minha treinadora.

- Não se preocupa não moça, se ela não quer eu quero. - Chanyeol tentou puxar o prato, mas eu dei um tapa meio forte em sua mão - Aí.

- Sai poste. Quer torta Taemin? - ele assentiu dando aquele sorriso tipo JongIn. Eu empurrei o prato pra ele e sorri para Chanyeol que me fuzilou com o olhar.

Nossa atenção foi desviada quando Baekhyun entrou na cozinha, totalmente desarrumado, cabelo desgrenhado, cara inchada de sono, devo admitir fofa, e detalhe, arrancando a blusa do corpo, sem nenhum pudor.

- A educação mandou lembranças. - ele fez questão de jogar a camisa na minha cara. E como eu sou sem vergonha eu dei uma cheirada mesmo. Caguei pra todo mundo. 

Fazer o que? Eu gosto cheiro dele.

- Olha a minha tia aqui Baekhyun. - Chen tentou tampar os olhos da tia Sun-hee que estava vidrada no abdômen dele.

Baekhyun fingiu não ligar e abriu o freezer, pegando um saco de gelo e pressionando contra seu ombro.

Ele simplesmente sentou ao meu lado e passou a encarar a bancada. Todo mundo cagou pra ele, menos eu aqui né, a dongsaeng preocupada.

- Ainda tem remela no seu olho. - ele virou o rosto pra mim, totalmente confuso. Eu como uma boa pessoa que sou, limpei o canto dos seus olhos e dei uma arrumada mais ou menos no seu cabelo - o que aconteceu com você hoje? 

- Eu tive um pesadelo, e quando eu acordei você não estava lá como disse que estaria. 

- Eu me esqueci. Desculpa. - desviei o olhar, culpada - ahm, o seu coração ainda dói? - tentei desviar o assunto - eu tenho uma solução. - ele imediatamente me olhou - então, aquele dia, eu fui procurar uma forma de fazer isso parar e, acontece que você vai ter que arrumar uma namorada.

- O que?

- Você tem que ter momentos de afeição com outra pessoa. Nada melhor do que uma namorada.

- Mas então, como eu faço pra parar de vez.

- Aquilo que eu não gosto de citar o nome, com a outra pessoa. - desviei o olhar - mas aí você só vai sentir a dor por essa pessoa.

- Você não me deu uma solução. Você só complicou mais ainda.

- Melhor do que o nada. - ele suspirou e abaixou a cabeça. No que ele está pensando agora?

- Eu vou dar um jeito, sem precisar de uma namorada.

- Boa sorte. - dei de ombros.

[...]

A aula foi normal como sempre, mas eu jurei ter visto Baekhyun e Mina trocando olhares.

Deve ser coisa da minha cabeça, isso seria impossível.

- E então Baekhyun, o que aconteceu com as suas mãos cara? S/n é agressiva na cama? - taquei uma colher na cara dele.

- Não é só por que a Wendy tá de greve que você tem que encher o saco dos outros.

- Aí, eu só perguntei. - se fingiu de vítima - mas também se não quiser dizer não diz. - sorriu malicioso e eu o ameacei com outra colher.

- São, problemas pessoais. - Baekhyun engoliu em seco encarando as palmas das mãos aonde passava uma parte da faixa - Só isso. - eu tentei tocar seu rosto mas ele virou para o outro lado e se levantou da cadeira.

- Baek..

- Não, me deixa sozinho, eu só quero paz. - ele se afastou e deu as costas, mas eu podia ver ele tentar desenrolar a faixa das mãos.

- Muito obrigado Junmyeon. - bufei escorando meus braços na mesa. Ele tinha que tocar nesse assunto.

- Que bicho mordeu ele? 

- O bicho se chama problemas psicológicos. Nunca passou pela cabeça de vocês que ele podia estar sofrendo? - Mina olhou pra mim com os olhos arregalados e abaixou a cabeça.

- Na verdade, não. Ele sempre foi normal pra mim.

- Puff, babacas. - me levantei da mesa e saí na mesma direção que Baekhyun. Eu descobri que ele é sim impulsivo e só tem consciência quando quer.

Eu passei pela porta do pátio e vi ele sentadinho no chão escostado numa parede. Eu dei passos pra trás e me escondi atrás da parede.

- O que ele está fazendo?

- Mas que merda Sehun. - eu dei um pulo e pus a mão no peito - Fala baixo se não ele vai nos escutar.

- Não tem como, o corredor está muito cheio.

- Tá, á, já entendi.

Baekhyun puxou a faixa da mão direita com o dente e começou a tirá-la, assim como já tinha feito com a esquerda.

- O que ele fez? 

- Destruiu uma centena de árvores.

- Como assim?

- Ele disse ia sair pra pensar e quando voltou já estava assim.

- Ataque de raiva.

- Não.

- Então por que..?

- Só observa.

Baekhyun estendeu as mãos a sua frente e encarou elas por um bom tempo, eu podia estar longe mas eu tenho certeza que vi algo escorrer pelo seu rosto.

- Merda. - empurrei a porta com brutalidade e corri até ele que já estapeava a si mesmo - ei ei, não faça isso.

- Eu sou um monstro. - ele agarrrou os cabelos e começou a puxá-los.

- Baek para com isso. Você não é um monstro.

- Eu vou machucar todos a minha volta, eu não posso fazer isso, EU NÃO POSSO S/N!

- Você não vai. - a essa hora ele já estava aos prantos enquanto abraçava os próprios joelhos. Ele estava em pânico.

Olhei para Sehun na porta totalmente desesperada. Ele veio até nós e conseguiu arrancar Baekhyun do chão que a este ponto já tinha fincado as unhas com força no próprio pulso e parecia querer tirar a maior quantidade de sangue possível.

- Para com isso agora! - segurei uma das suas mãos, ele me olhou totalmente sem expressão, mas eu podia ver seus olhos ficando vermelhos.

- Não provoca ele S/a. É melhor você se afastar. - Sehun me empurrou pra trás. Eu era contra, mas mesmo assim segui eles à pelo menos um metro de distância.

Sehun estava com um braço em seus ombros e o outro segurando seu pulso. Ele dava passos tão curtinhos e lentos, eu conseguia ver as gotas de sangue pelo chão. As vezes ele olhava pra trás e me encarava de um jeito que eu não sabia explicar.

Todo mundo naquele corredor olhava para nós, e como Baekhyun não podia intimidar ninguém com seus olhares eu mesma fazia isso.

Toda vez que alguém ousava se aproximar eu os ameaçava de morte e tudo mais. Alguns me olhavam debochadamente como se não acreditassem em mim, mas mesmo assim não ousavam se aproximar.

- Eu dirijo. - Sehun tirou as chaves do bolso da calça de Baekhyun - Você cuida dele. - assenti.

Eu deitei a cabeça de Baekhyun no meu ombro e segurei seu pulso machucado, estava começando a se fechar.

- Por que você fez isso? - eu murmurei em seu ouvido. Ele não disse absolutamente nada, ou sequer se mexeu, eu via as lágrimas deslizarem pelo seu rosto e o seu olhar fixo na janela.

Ver ele assim me corta o coração. 

- Baek.. - ele fechou os olhos fazendo mais lágrimas deslizarem pelo seu rosto, eu vi pelo canto do olho ele fincar novamente as unhas no braço, só que agora mais acima do pulso.

Eu decidi ficar calada, ficar falando na orelha dele não vai melhorar as coisas, e muito menos fazer ele parar de se machucar. Então tudo o que eu fiz foi acariciar seu braço e as costas das suas mãos.

Quando nós finalmente chegamos, ele por algum motivo não queria ficar perto de mim, ele chegou a abraçar o Sehun e começar a chorar novamente, não sei se era medo de mim ou raiva. Isso tudo ainda na calçada.

- O que eu fiz pra você? - ele passou as unhas pelos braços e balançou a cabeça negativamente quase se fundindo contra a cabeceira da cama - Baek o que está acontecendo com você? - estendi a mão pra tocar seu rosto.

- NÃO TOQUE EM MIM! - ele bateu na minha mão de um jeito extremamente forte. Doeu, e muito.

- A-Aí. - virei meu rosto pra ele lentamente, e pude ver o olhar de arrependimento.

- E-Eu.. - ele intercalava o olhar entre mim e a minha mão. Num piscar de olhos eu vi um vulto abrir a porta e a cama vazia.

Eu me levantei imediatamente e corri até o andar de baixo. Todos estavam na sala, inclusive tia Sun-hee que iria embora amanhã de manhã.

- Baekhyun.. - todos apontaram para a porta do porão, ou seja, o laboratório - merda.

- O que aconteceu? - todos disseram em uníssono, tirando Sehun que me seguiu imediatamente.

Eu desci as escadas desesperadamente e fiquei mais desesperada ainda quando vi Baekhyun injetando algo no próprio braço.

- Não! - eu corri, mas era tarde demais. Já tinham várias seringas espalhadas pelo chão - Sedativo? - olhei para Baekhyun vendo seu corpo tombar para o lado, Sehun conseguiu pegá-lo antes de ele ir de encontro ao chão.

- Ele queria dopar a si próprio? O que aconteceu naquele quarto?

- Nada demais, ele só, deu um tapa na minha mão e saiu correndo.

- Quer dizer que ele te machucou?

- Não exatamente. Leva ele de volta pra cima, por favor. - suspirei. A minha cabeça está começando a doer.

A imagem de Baekhyun como um bebê no colo do Sehun realmente era adorável, pena que não significava uma boa coisa.

- Você vai quebrar o pescoço dele desse jeito.

- Para de reclamar. 

- A cabeça dele tem que estar deitada no seu peito, e não pendurada.

- Sentir a respiração de outro homem no seu pescoço não é nem um pouco desconfortável se você quer saber. - ele bufou, encaixando a cabeça de Baekhyun no seu ombro, de um modo que seu rosto ficasse colado com seu pescoço.

- Agora suba as escadas com cuidado e coloque ele na cama com delicadeza. - ele bufou e fez o que eu disse - agora.. - me virei de braços cruzados pro pessoal na sala - quantos de vocês aqui sabiam que Baekhyun tinha sociopatia e esqueceram de me contar?

- Sociopatia? Eu pensei que ele tinha depressão. - Luhan franziu o cenho.

- Bipolaridade não? - ele e Chanyeol se olharam confusos.

- O assunto é sério. Chen? - ele abaixou a cabeça.

- Por que eu contaria? A vida é dele, eu não tenho o direito de falar sobre.

- Você não pensou que a sua irmã estaria à meses debaixo do mesmo teto que um sociopata.

- Eu cresci com ele, sei do que ele é capaz e do que não é. E matar você não é uma opção.

- Mesmo assim, eu deveria ter sido alertada.

- Está com medo dele? - todo mundo me encarou. 

- Eu já disse que não! 

- Disse? - bufei, e sai pisando duro até o andar de cima, até o quarto de Baekhyun pra ser mais exata.

Ele já estava acordado, falando algo com Sehun que eu não podia escutar.

Como Chen consegue dopar ele?

- Baek.. - ele olhou pra mim imeditamente.

- O que está fazendo aqui? Vá embora!

- O que?

- Vá embora S/n! Saia daqui! Me deixe em paz! - ele tentou avançar em mim, mas Sehun o segurou pelo braço.

- O que à de errado com você? - fui me aproximando em passos lentos.

- Não chegue perto de mim! - eu o ignorei completamente e continuei a caminhar em sua direção.

- S/n o que você está fazendo? - Sehun parecia desesperado.

Eu me inclinei em direção a Baekhyun e peguei seu rosto com as duas mãos.

- Babaca. - eu fiz questão de sussurrar com a voz mais provocante que eu consegui e logo em seguida me afastar com as mãos para o alto.

- Sua.. - eu simplesmente dei as costas e sai do quarto. Sehun que segure a fera, eu desisto.

[...]

Eu passei o resto do dia no meu quarto, assisti alguns doramas pendentes e revisei a matéria de hoje, quando eu olhei pela janela já estava noite.

Catei algumas roupas no armário e fui tomar um banho. Foram duas horas, mas tudo bem. Eu costumo pensar muito durante o banho. 

Eu sequei e escovei os meus cabelos, sempre vou me lembrar daquele estúpido.

Estava escovando os dentes quando ouvi o barulho da porta sendo aberta. Eu continuei da mesma maneira, não estava afim de conversar com quem quer que seja.

- Nós precisamos conversar.

- Eu não quero conversar. - quase me engasguei com a pasta na boca.

- Me desculpa. - não consegui não sorrir com essas palavras. Baekhyun às vezes é tão previsível - eu não deveria ter gritado com você, mas é que.. eu só não queria te machucar. O meu extinto tem vontade própria.

- E o que quer que eu faça? Esqueça? - cuspi o creme dental na pia e abri a torneira. 

- Eu quero que você me entenda. Eu não sou louco, e eu só não queria ficar perto de você por medo. Até o seu cheiro me provoca. Eu não me agarraria ao Sehun se não fosse realmente grave. Eu só pensava na minha mente psicótica e no que ela poderia fazer com as pessoas a minha volta.

- Você tem que parar de se preocupar tanto com os outros. Egoísmo de vez em quando é bom sábia? - limpei meu rosto com a toalha e me virei de frente para a porta do banheiro, eu podia ver ele encostado na parede ao lado da porta de entrada.

- Egoísta? 

- É Baekhyun, egoísta. - me escorei no batente da porta do banheiro de braços cruzados, ele estava com um bico nos lábios e com as sobrancelhas franzidas.

- Ahjumma me disse que pessoas egoístas são más. - eu sorri. Como ele pode ser tão inocente e ao mesmo tempo tão, demônio - Em quem eu deveria confiar agora?

- Ninguém, deixa pra lá. - caminhei até ele e parei a sua frente, com os braços um em cada lado da sua cabeça - o que você fez a tarde toda? Eu não escutei mais os seus gritos.

- O seu irmão conseguiu me dopar. - mandou olhares suspeitos em direção aos meus lábios. 

- Por que você fez aquilo no laboratório?

- Eu tinha te machucado.. - ele fechou os olhos de um jeito lento e suspirou - o único jeito de me controlar seria se eu estivesse desacordado.

- Foi só um tapa.

- Pra mim foi bem mais que isso. - agora ele olhava pra minha boca sem nenhum pudor - o que você.. - passou o indicador pelo meu lábio inferior.

- O que? - ele soltou outro suspiro tombando a cabeça no meu braço - o que está acontecendo com você?

- O seu hálito.. - ele relaxou os ombros dando um suspiro. Quando eu vi, o rosto dele estava a centímetros do meu. É sério que ele ficou hipnotizado com menta?

Baekhyun fechou os olhos quando nossos narizes se tocaram e eu senti aquele frio na barriga. Foi tudo muito rápido, ele mordiscou o meu lábio e simplesmente colou a sua boca na minha.

Eu fiquei parada, totalmente imóvel, apenas aproveitando a sensação dos seus lábios macios se movendo contra os meus.

Pude sentir suas mãos segurarem minha cintura e ele grunir quando as nossas línguas se tocaram.

Foi bem diferente do que eu imaginei, ele não foi carinhoso e sim totalmente o contrário. Ele não "pediu passagem com a língua" como todos sempre fazem. Ele simplesmente adentrou com a língua na minha boca e me apertou contra ele. E vou te falar: adorei.

Baekhyun bruto é o meu novo conceito!

O clima esquentou bem rápido pro meu gosto. Foram umas mordidas aqui, umas ali, quando eu vi já tinha pulado do colo dele.

Ele segurou minhas coxas e nos virou, agora eu estava prensada na parede. Eu segurei seu rosto com as mãos e nos separei. Eu precisava respirar.

Mas cara, ele tava tão desesperado que nem me esperou tomar um ar direito e já atacou meus lábios novamente. Eu fiz de tudo pra tentar acompanhar o ritmo dele.

Senti algo macio contra as minhas costas e me toquei de que era a cama. Suas mãos entraram por dentro da minha blusa e apertaram fortemente a minha cintura. Eu soltei um grunido rente aos seus lábios.

Aquilo estava indo rápido demais.

Baekhyun descolou seus lábios dos meus e começou a beijar a minha mandíbula descendo para o meu pescoço.

Meu peito subia e descia rápido, seria mentira se eu não dissesse que estava começando a ficar excitada. Seu beijos molhados e frios em contato com a minha pele quente me faziam enlouquecer.

Foi impossível segurar o gemido quando ele puxou a pele do meu pescoço com os dentes. Ele apertava minha cintura cada vez mais forte.

Mas então, foi quando suas mãos subiram mais um pouco e tocaram o pano do meu sutiã.

Ele pareceu recobrar a consciência e se afastou imediatamente. Eu me sentei na cama tentei regular a respiração, meu corpo pegava fogo.

- Eu.. isso não deveria ter acontecido. Me perdoa. - ele parecia desesperado - Por favor esqueça. Não vai mais acontecer, eu prometo.

Esquecer?

Ele simplesmente se virou e saiu apressado do quarto. Eu me levantei e fui até a porta.

- Não sei se Ahjumma já te disse ou não, mas você nunca deve beijar uma garota e depois pedí-la pra esquecer. Babaca. - bati a porta com força.


Como se nada tivesse acontecido, você tenta, mesmo que esteja sorrindo para mim. Mas seus ombros brancos finos tremem levemente, eu estou dizendo a você..


Notas Finais


Prevejo treta.
Não, mentira.
Vai ter treta. 😂

Desculpem por essa descrição de beijo merda, mas é que eu não sei nada sobre sentimentos então ficou essa bosta. Na minha cabeça tava tão foda, mas quando você escreve de verdade..

Próximo capítulo BaekMi tá confirmado hein, pra quem shippa, tipo eu, vai ficar animadinho.🌚

Próximo capítulo eu vou escrever bem menos palavras, eu pensei em dividir esse, mas já tinha dito que nesse seria a pegação e eu não podia tirar nada. Vocês cansam de ler eu sei.

Tô pensando em fazer flashback denovo, dessa vez da adolescência do Baek, mas cara, aconteceu tanta coisa que eu fico perdida.😂

Uma perguntinha rápida. Qual é a parte que vocês mais gostam na fic até agora? Tipo, "a cena" que vocês mais gostam?

É só isso mesmo.
Até a próxima!
Tchau💋💋


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