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História More... - Capítulo 4


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Notas do Autor


Eu demorei MUITO eu sei, me perdoem por favor, vou explicar a razão na notas finais, mas nessas eu deixo minhas desculpas e um: Obrigada aos novos favoritos!

Espero muito que comentem e gostem desse capítulo, fiz com muito carinho e esforço ❤️

Capítulo 4 - More about you.


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𝙼𝚘𝚛𝚎

Capítulo 4 - 𝙼𝚘𝚛𝚎 about you.

— ❥ —

AUTORA PVO.

Catra e Adora não sabiam ao certo quanto tempo permaneceram em silêncio, apenas desfrutando do calor corporal uma da outra, como se ainda fossem duas crianças repletas de sonhos e desejos profundos em seus corações, sem saber ao certo o que o futuro planejava para seus caminhos, e nem a separação encontrada em certo ponto da estrada que trazia ao presente. A morena deixou um suspiro alto sair de seus lábios, desacreditando de como aquilo poderia ser real, estava triste e furiosa, triste com a situação, pela morte de Mara e por ter a pessoa que mais amou desabando em seus braços, e furiosa com sua mãe, que provavelmente sabia de tudo isso e não havia a contado. A brisa marítima poderia ser sentida salgada por ambas, mesmo que para o paladar de Adora não fizesse diferença, já que seus lábios foram tomados pelo sabor das lágrimas anteriormente derramadas, seu rosto claro brilhava com a umidade, mas não queria se afastar da estatura mais baixa, aquilo estava reconfortante demais, além de ter sido o primeiro abraço sincero que recebeu desde a morte de sua mãe, um abraço de alguém que compartilhou tantos momentos com a mulher que todos – fora da Horde – pensavam que Adora e Catra eram irmãs, o que não seria impossível esteticamente, Mara era uma mulher alta, de pele morena e cabelo albino longo, praticamente uma mistura das características mais marcantes das duas – agora – adolescentes. A loira pensou em dizer algo, chegando a deixar os lábios rosados entreabertos, mas sentiu medo daquela quebra de silêncio fazer a estatura morena se afastar de si, então apenas fechou os olhos se permitindo aspirar o perfume agridoce vindo do corpo moreno, sentindo seus músculos relaxarem e sua mente esvair qualquer pensamento negativo, estava em paz, como se nunca tivesse se separado da mais baixa; a motoqueira por sua vez, sentiu todo seu corpo se arrepiar com a respiração de Adora tão próxima, aquela sensação era familiar, todavia, as ondas de ansiedade vinham de maneira fugaz, podendo afoga-la a qualquer momento no bem estar sentindo – e provavelmente nunca admitido em voz alta – quando os braços musculosos da mais alta contornaram seu tronco, buscando abrigo em si. Era impossível não se perguntar como se afastaram tanto, como cortaram o laço criado uma vida inteira em poucos anos, não queria admitir tristeza, mas estava frustrada, é claro que seu coração não era de pedra ao ponto de não considerar a viagem importante para a melhora de Mara, mas ainda sim, aquela amargura existia e apertava seu coração, o sentindo bater tão forte que poderia jurar que a qualquer momento saltaria de seu peito.

— Adora? - A voz grossa e tão conhecida por ambas se fez presente, chamando a atenção das jovens através do susto, a motoqueira se separou prontamente da loira, que sentiu uma pontada de insatisfação no peito, condenando seu pai internamente por chegar naquele momento. O homem de estatura alta, pele pálida e cabelos negros puxados ao azul escuro encarou com a sobrancelha arqueada e expressão fechada Catra, que sentiu um arrepio medonho subir por sua espinha, o líder da Horde era um homem imponente e pouco sentimentalista, sabia que não poderia virar as costas para o mesmo, ou poderia facilmente tomar um tiro na nuca.

— Pai. - A voz firme da albina o respondeu na mesma tonalidade, ao se levantar em sua frente, com o banco de gesso sendo o único objeto entre eles, Hordak mirou a morena em um pedido mudo para que ela os deixassem sozinhos, e foi respondido com um acenar curto de cabeça e se afastar ágil, os olhos heterocromáticos encontraram os azuis, e seu coração falhou a batida, parando a caminhada ao encostar na sua moto na entrada do cais, cruzando os braços abaixo dos seios para observar pai e filha de longe. Sabia que seu chefe era outro quando se tratava da única filha, mas ainda sim, não pôde deixar de ficar em alerta, ele havia se tornado mil vezes pior do que antes depois que Mara o deixou, então não sabia o que esperar daquele primeiro encontro após anos, apenas torcia para que não precisasse interferir, mordeu os lábios ansiosa quando os viu sentar lado a lado no banco, sentindo o gosto de metal em seu paladar, causado pela gota de sangue que escorreu para dentro de sua boca ao ter a pele perfurada pelos próprios dentes afiados.

Adora não sabia descrever ao certo o sentimento de estar frente a frente com seu pai, faziam anos que não o via, e sinceramente, em sua visão ele nada mudou, ainda usava roupas negras, poucas marcas de idade em seu rosto, lábios costumeiramente rachados e o aroma de cigarro misturado ao perfume masculino tão conhecido por si, se recordava com clareza de chegar da escola e correr para os braços do mais velho, afim de ser levantada e receber um abraço reconfortante depois de um dia difícil, a sensação era de proteção, como se nada no mundo pudesse a derrubar, entretanto, dessa vez, não se sentiu confortável quando a estatura masculina a envolveu em um abraço, ao contrário da sensação boa quando a morena o fez, sentiu aversão ao toque, querendo fugir o mais rápido possível daquele contato invasivo; desejava mais do que tudo acabar as formalidades de reencontro, como frases como "você cresceu!", mas o homem era extremamente previsível, seus dedos calejados acariciaram ternamente o rosto claro da filha, sentindo seu coração apertar, como se pudesse ver Mara na expressão fechada e olhar controverso, seus olhos passeavam livremente por cada detalhe da face da adolescente, buscando encontrar a garotinha amável em algum lugar dos olhos azuis, mas as duas pareciam separadas por uma grande muralha inquebrável, e ao notar, Hordak recolheu sua mão e buscou compreender o desconforto da filha. Poucas palavras foram trocadas, todas resumidas a indagações do mais velho e respostas curtas da loira, era explicita a falta de vontade de Adora em estabelecer um diálogo, ela estava incomodada, aflita e por mais que tentasse sorrir de canto, mais aparentava assustada do que simpática.

— ❥ —

ADORA PVO.

Algo com toda a certeza não estava certo com meu pai, apesar de sua aparência não ter mudado muito, era indescritível seu cansaço, sua voz estava carregada e arrastada, suas expressões todas eram exaustas, até mesmo os sorrisos que ele tentava esboçar; eu não estava alheia da situação e dos problemas que ele havia se metido desde que ele e minha mãe se divorciaram, incluindo ser preso, procurado por máfias que devia dinheiro ou mercadoria e até investigado publicamente – e de alguma forma, acabou se livrando de todas as acusações – saber de tudo isso obviamente foi uma grande contribuição para eu querer ficar bem longe do bairro da Horde, e de sua relação como líder daquele lugar, para mim ele não era Hordak, era meu pai.

— Então não vai voltar para o trailer? - Sua voz soou decepcionada, apesar de sua expressão ser indiferente, ele encarava as ondas ao longe, batendo contra a costa de navios, suspirei alto, o acompanhando com o olhar, eu sabia que ele me queria por perto, e tenho certeza que no fundo tem ambições grandiosas sobre mim dentro da Horde, então não tardaria em cortar essa esperança falsa.

— Não. A princípio vou ficar no alojamento do colégio. - Fui direta, buscando sua compreensão ao fitar seu rosto acentuado de canto, ao mesmo tempo que meu tom foi decidido o suficiente para o caso dele tentar se opor a minha decisão, sabendo o quão ele leva a sério sua autoridade, seja ela na gangue ou como meu responsável.

— Adora... - Quando a sonoridade de sua voz soou rouca e relutante, arqueei a sobrancelha direita aguardando sua oposição previsível, ele aparentou se surpreender com minha expressão, claramente afim de o espicaçar, trincou os dentes e respirou alto, se levantando do banco de gesso para arrumar seu blazer negro. — Muito bem. Sabe onde me encontrar se precisar de algo. - Sorri grandemente ao não precisar discutir, o acompanhando rapidamente no levantar, em um aceno mudo de minha cabeça em concordância, eu torcia jamais precisar de sua ajuda, mas enquanto não completava dezoito anos, ter seu apoio era essencial para eu ter paz, começou a andar para a saída do cais, mirando Catra parada na frente de sua moto com uma expressão devagante, que logo se transformou em um alerta e consertar de sua postura. — Leve Adora para onde ela quiser, deixarei seu pagamento com sua mãe. - Segurei o riso com a ordem dada por meu pai, sabendo do descontentamento de Catra com isso, todavia, ela não aparentou incomodada, algo que me fez tombar a cabeça levemente para o lado em descrença.

— Sim, Hordak. - Sua voz saiu ríspida, como se estivesse acostumada a dizer essa frase no automático, meu pai se virou para me cumprimentar uma última vez, antes de abrir a porta de seu carro vermelho – cujo eu não faço a mínima idéia da marca ou tipo – e tomar velocidade na estrada costeira. Mirei Catra usar a mão com a marca da gangue para jogar seus curtos fios escuros para trás, em um alto suspiro. Droga! É impossível não notar o quão bonita ela é, permaneci em silêncio sentindo um enorme "gay panic" quando a motoqueira juntou seus próprios dedos entrelaçados acima da cabeça com os braços longamente esticados, sua cintura e tronco se inclinou para a lateral direita e seus lábios soltaram um arfar fraco ao se espreguiçar, deixando todas suas curvas mais marcantes expostas nas roupas de couro coladas em sua estatura. — Pra onde? - Seu questionamento soa autoritário, a voz de Catra nunca foi realmente grave, mas estava explícito seu esforço para o fazer, ri baixinho com essa análise, a vendo arquear a sobrancelha em descompressão. — Anda logo, ou vou te deixar aqui e ir fazer minhas coisas. - Eu sabia que ela não faria isso, Hordak havia sido claro na ordem dada, além disso, agora mais do que nunca eu tenho certeza que Catra não me deixaria só, ela não teria coragem para isso.

— Não vai não. - Soltei em um tom irônico bem humorado, a assisti revirar os olhos e não pude deixar de sorrir com isso, tudo que eu queria era voltar para a vida de Catra, ela sempre foi uma parte muito importante da minha, mesmo distante, pensei rapidamente em algum lugar que poderia ser levada – antes de retornar para o alojamento – deixei um sorriso de canto tomar conta da minha feição, pegando o capacete extra e arrumando meus cabelos loiros dentro do mesmo, ela me encarou duvidosa, mas fez o mesmo, montando em seu automóvel, posicionando suas mãos nos guidões e me fitando de canto por cima dos ombros, arfei ansiosa, eu definitivamente teria que me acostumar com aquela moto, passei minhas pernas ao redor da garupa, escorregando minimamente para perto da estatura da mais baixa, devido ao estofado de couro e o tecido da minha calça esportiva, segurei o suporte com firmeza, pronta para dar as coordenadas de para onde iríamos.

— ❥ —

CATRA PVO.

Após ser guiada por Adora da avenida costeira por ruas aleatórias e desnecessárias – que claramente seria sua memória falhando quanto ao trajeto – ao virar a esquina de um velho mercadinho de faixada vermelha, e deixarmos minha moto estacionada naquele lugar – cujo a segurança é bastante duvidosa, então tratei de prender com as correntes costumeiras – segui a loira para o antigo playground do outro lado da rua, não me surpreendi com sua decisão de parada, muito menos em como aquele lugarzinho estava acabado, ao contrário de Adora, que parecia ter entrado em colapso mental, seus visores azuis se movimentavam tão rapidamente dentro dos olhos enquanto ela analisava o âmbito, que eu pensei que a qualquer momento iam saltar para fora, como aqueles cartoons antigos. Segurei o riso quando um som fino saiu dos lábios rosados, como um balão com seu ar se esvaindo, sua expressão era incrédula e completamente frustrada, e de certa forma, eu compreendia sua descrença. Anos atrás, quando vínhamos nesse parquinho depois da escola, ele costumava ser bem cuidado e colorido, com os brinquedos todos bem pintados em cores primárias, grama aparada, sorveteiros e carrinhos de pipoca nas extremidades para capturar crianças gulosas – como nós duas – e flores crescendo na lateral direita atrás de um cercadinho construído por algum morador local, entretanto, agora, a maioria dos brinquedos estavam quebrados e vandalizados com pichações, grama crescendo alta e um vazio assustador. Meus olhos acompanharam Adora caminhar até o escorregador sujo, deslizando dois dedos por sua extensão, me atentei aos seus movimentos, cruzando meus braços abaixo de meus seios, apoiando minha estatura no seguro de ferro da placa vandalizada na entrada do lugar, ela soltou uma arfada tristonha, e foi impossível não sentir meu coração apertar um pouco, eu sei que esse parque era muito especial para ela e para Mara, e por mais magoada que pudesse estar com a loira, eu ainda me importava – mais do que deveria – com sua felicidade. Dias atrás, eu pensei que cada uma havia seguido seu caminho, então eu deveria continuar o meu, mas o que fazer agora que os nossos se cruzaram? Ignorar e continuar com o meu como se nunca tivesse tido a chance de ter ela novamente em minha vida? É isso mesmo que eu quero?

— O que aconteceu com esse lugar? - Sua voz me tirou de meus pensamentos, e então notei que por mais que meus olhos estivessem fixos em si, meus devaneios me levaram para tão longe que nem a enxergava, quando voltei minha atenção para Adora, ela se sentava em um dos balanços de madeira intactos, a segui com os olhos, sorrindo discretamente com a nostalgia que dominou meu interior vendo a cena, anos atrás ela o faria o mesmo, com aquele rabo de cavalo ridículo e seus jeans azuis costumeiros, levando em mãos uma maçã do amor caramelizada, doce que com toda certeza a deixaria toda suja. A ter em minha frente era estranhamente bom, como uma visão de que minhas esperanças em sonhos antigos não tivessem sido completamente apagadas, afinal, Adora voltou, literalmente, com sua pele branca e cabelos loiros presos no alto da cabeça.

— ❥ —

AUTORA PVO.

Os sentimentos de Adora estavam confusos. Apesar de seu olhar demonstrar comoção e tristeza para com o ambiente, estava grata e feliz em Catra ainda não ter se queixado em estar consigo ali, se fez devagante, seus pés escondidos pelo "all star" negro impulsionaram inconscientemente seu corpo, ouvindo o barulho estridente ao ter a estatura balançada pelo brinquedo velho, sentiu um pouco de medo da segurança possivelmente inexistente, mas para sua surpresa a estrutura a aguentou bem, o que a deixou incapaz de segurar uma risada alta ao sentir o frescor bater contra seu rosto e um frio na barriga subir com a leve adrenalina causada. Catra assistiu a cena com uma sobrancelha arqueada, mirando a face da mais alta tomar uma expressão completamente infantil ao brincar no balanço como uma criança, a morena sorriu de canto, balançando a cabeça de um lado para o outro levemente, como se estivesse negando a situação em que e se encontrava, se sentia uma babá, principalmente com o seu se preocupar constante a cada barulho estranho que a construção soltava quando o impulso de Adora era maior, seu coração acelerava com as gargalhadas gostosas que a outra soltava em divertimento, todavia, a preocupação gritou mais alto quando a estrutura começou a ranger, e instintivamente correu para trás do corpo da adolescente que se balançava despreocupada, segurando sua estatura pela cintura, inicialmente, cessando a movimentação rápida que poderia ocasionar o cair do brinquedo e machucar da própria loira.

— Estraga prazeres! - Adora ignorou o arrepio que sentiu subir por sua nuca quando sentiu em um susto as mãos calejadas da morena a segurarem pela cintura, tendo seu rosto levemente avermelhado pela vergonha sentida, apenas a acusou afim de quebrar o silêncio constrangedor, frase que fez Catra revirar os olhos, sentando no balanço ao seu lado.

— Se esse negócio caísse, quem teria que ouvir esporro do seu pai seria eu. - Retrucou usando a suposição, arfando a bochecha direita em descontentamento, ação que roubou da loira um leve sorriso. Elas se encararam brevemente, trocando expressões serenas, antes de voltarem a fitar o âmbito em sincronia, com certa angústia pelo que aquilo havia se tornado.

— Como isso aconteceu? - Dessa vez, a pergunta de Adora foi direta e nada retórica, ela realmente aguardava uma explicação da outra, que por sua vez, respirou fundo, segurando ambas as correntes do balanço ao seu redor, o olhar da loira se voltou para a firmeza no punho moreno, mordendo o lábio em descontentamento com o símbolo da Horde tatuado nas costas da mão da amiga.

— Dois anos atrás o prefeito resolveu privatizar alguns pontos da cidade, para conservação e criação de verbas... - Começou a explicação, roubando a atenção de Adora para seu rosto inexpressivo. —...mas nem todos, afinal, verba é dinheiro. E esse lugar ficou em aberto. - Aos poucos a loira entendia, e se revoltava com o esquecimento do parque, tendo uma grande revolta dominando seu interior, assim como Catra, agora e quando a reforma e privatização foi iniciada. — Lugares sem a privatização poderiam ficar aos cuidados de voluntários, mas eu não pude fazer nada na época. - Sua voz tomou um tom melancólico não desejado, e nas últimas palavras falhou. Adora a conhecia bem, bem o suficiente para entender que tinha algo de errado naquilo, Catra não mediria esforços para algo desejado, e ela sabia que aquele playground era simplesmente o maior amor das duas desde que se conheciam por melhores amigas.

— Por qual razão não pôde fazer nada? - Sabia que se a motoqueira ainda não havia dito, tinha uma razão bem incomoda por trás, engoliu um seco desconfortável para fazer aquele questionamento, quase se arrependendo quando finalmente saiu, recebendo um olhar singelo da morena e um trincar de dentes, Adora entendia que não era por si, aguardando a resposta quando Catra suspirou fortemente, buscando palavras ou coragem, não sabia ao certo, odiava remoer algumas coisas do que passou, mas se Adora realmente queria saber...

— Eu tava no reformatório. - Foi ríspida. Os olhos da loira se tornaram maiores, desacreditando no que ouviu, ela levantou do balanço de imediato, aquilo significava muito estando em Ethéria Island, você não era levado ao reformatório por qualquer coisinha, apenas se estivesse metido em algo bem grande, não conseguia nem imaginar como Catra foi parar naquele lugar, e sinceramente, temia saber, mas de uma coisa tinha certeza, aquela marca repugnante em sua mão com certeza tinha haver com isso, a motoqueira não se surpreendeu com a reação da princesa da Horde, sabendo o quão puritana e correta ela sempre foi.

— Como? Por quê? - Foram as únicas coisas que saíram dos lábios rosados, tendo suas mãos alcançando os ombros de Catra, que teve seu corpo levemente balançado por culpa do lugar em que estava sentada, sentiu um leve desequilíbrio, mas se manteve estática na expressão indiferente, mesmo quando os olhos azuis miraram os seus suplicando por respostas, e seu coração apertou um pouco com a preocupação explícita de Adora consigo.

— Relaxa, garota. Eu fiz muita merda. - Sua voz saiu bem humorada, um sorriso brincalhão forçado surgiu em seu rosto, tentando trazer tranquilidade para a loira, que não se sentiu nem um pouco aliviada, na verdade, apenas franziu mais a testa, tendo suas mãos retiradas dos ombros de Catra pela própria, que também se levantou, mostrando os dentes mais afiados ao sorrir de canto, como se estivesse contando vantagem. — Eu nunca fui muito certinha, só passei dos limites com uma brincadeira aí. - Novamente apenas uma frase para tentar tirar a expressão fechada do rosto da mais alta, agora era oficial, detestava ver Adora preocupada consigo, ainda mais quando além da preocupação conseguia enxergar tristeza, detestava nutrir sentimentos acolhedores pela loira, mas nada poderia fazer quanto a isso.

— É, imagino que não vou querer saber como acabou presa. - Disse tentando respeitar o clima agradável que Catra insistia em querer trazer para a conversa, a verdade era que queria sim saber, mas ter um momento legal e divertido com a amiga parecia bem mais atrativo naquele momento, então fez o maior esforço que pôde para apenas ignorar – pelo menos naquele momento – o fato da morena ter sido detida e ido parar no reformatório, engoliu um seco, sorrindo forçadamente, algo notado por Catra, que naquele momento só queria desaparecer.

— Me conta mais sobre você. - Tentou levar o assunto para um novo caminho, além de realmente ter interesse em saber um pouco mais sobre a loira, que apesar de ter ficado mais alta – e gostosa – do que se recordava, ainda sim, parecia não ter mudado tanto assim.

— O que quer saber? - Adora questionou, sentindo seu rosto esquentar um pouco, falar sobre si nos últimos anos era como falar sobre alguém que conheceu, não se sentia ela mesma em Londres, apesar de amar muito o tempo que morou lá com sua mãe, não se gostava como a Adora popular que forçava personalidade amigável e dócil em tempo integral, além de sempre se comparar e imaginar como Catra estaria bem melhor que si, agora sabia que não era bem assim.

— Sei lá, me conta o que fez de legal... - Que não fez com ela. — ...dos lugares... - Que não visitou com ela. — ...dos namorados. - E por um momento, seus olhares se encontraram em um misto de insegurança e vergonha, como se todas as frases – e complementos mentais de Catra – tivessem sido ofuscadas por aquela suposição romântica, fazendo a motoqueira se condenar mentalmente, ao mesmo tempo que a curiosidade se fez forte, sabia que as coisas tinham mudado, sabia que o tempo havia passado, mas sinceramente não sabia se estava pronta para ouvir que Adora seguiu em frente amorosamente, visto que da última vez que falaram sobre amor, se prometeram uma para a outra no futuro, mesmo que essa conversa tenha sido na infância.

— Eu acho que a única coisa legal que fiz foi ter aprendido a jogar vôlei. - Começou singela, tentando responder todas as perguntas feitas para si, uma por uma. — Acredita que não tive muito tempo para visitar muitos lugares? Mas no geral Londres é linda. - Se recordou das ruas européias rústicas e paisagens incríveis, sentindo uma certa saudade, mais pela sua mãe do que pela própria arquitetura óbvio, Catra, por sua vez, não estava dando real atenção para o diálogo, ansiando internamente pelo complemento e finalização da última questão, temendo e desejando a resposta mais do que tudo naquele momento, apenas balançando a cabeça positivamente no automático, para que Adora não se sentisse falando sozinha. — E bem, eu não tive nenhuma namorada. - A resposta foi direta e atordoante para a motoqueira, que sentiu seu coração disparar dentro do peito em alívio e balbúrdia, Adora não foi nada discreta em deixar claro seu interesse por garotas ao usar o termo feminino, e de alguma forma, isso tocou fundo em Catra, que sentiu repulsa de si mesma ao notar toda aquela esperança na maldita promessa infantil. A loira por sua vez, propositalmente quis expôr sua sexualidade, buscando sem nem mesmo notar, deixar explícita sua disposição, não era como se fosse algo planejado, mas sentia atração pela motoqueira, e não seria inocente ou boba de ficar em negação desse sentimento, e muito menos se faria de idiota. O silêncio novamente dominou o playground por parte das adolescentes, que apenas se olhavam, momento bom para analisarem e repararem cada detalhe e mudança uma na outra sem a vergonha de antes, os olhos heterocromáticos miraram principalmente o corpo curvilíneo e bem definido, tentando entender de onde surgiram as coxas torneadas e músculos sutis, enquanto os visores azuis se fixaram nos fios curtos encaracolados e bagunçados, mordendo os lábios rosados com o quão madura e atraente a mais baixa parecia assim, com a jaqueta de couro e delineado negro nas pálpebras, na sua visão, Catra havia se tornado uma adolescente extremamente bonita, assim como ela para a própria, eram incapazes de usar palavras para se definirem, além de soar extremamente vergonhoso. Ambos os corpos se assustaram minimamente quando o celular no bolso traseiro da membro da Horde tocou, as tirando expressões engraçadas uma para a outra, ao desviarem seus olhares para lados opostos, enquanto Catra levava o aparelho até o ouvido, o diálogo foi prestado atenção por Adora, mesmo não podendo ouvir quem conversava com a morena, sua expressão era séria e atenta, agradecendo e desligando em seguida.

— Eu tenho um trabalho pra depois, você quer ir... - Tentou se explicar para a loira, que compreendeu prontamente se dispondo a andar para fora do playground, juntamente da morena que se pós a seguir a estatura clara.

— Você entrou de cabeça na Horde, não é? - Tentou parecer simpática, mas o desgosto de sua voz foi carregado, tirando um suspirar e revirar de olhos da motoqueira.

— Sinceramente é melhor não falarmos sobre isso. - Foi seca e direta, Adora a mirou descrente e descontente, mas entendeu que se o assunto fosse continuado provavelmente brigariam, e com certeza não era algo que ambas queriam naquele momento.

O restante do caminho foi desconfortável, Adora ainda passou no mercadinho e comprou algumas besteiras para seu dormitório, assim como a própria Catra, e até conseguiram fazer piadas forçadas dos péssimos gostos que a parceira ainda nutria, mas não passou disso, não depois da tensão causada pelo assunto "Horde", era oficial, a loira realmente estava começando a querer acabar de uma vez por todas com aquela gangue, ainda mais tendo a mínima noção de tudo que poderiam ter feito com sua melhor amiga de infância nos últimos anos, todavia, tentaria descobrir essa última parte em outro momento.

Quando estacionaram na frente do colégio, ambas soltaram suspiros altos quase sincronizados, como se agora fossem retornar a realidade, Adora desceu da moto prendendo o capacete que utilizava na traseira, afim de evitar que a própria motorista precisasse o fazer, passou as alças das sacolas por seu pulso, mirando Catra, não querendo entrar sem se despedir, e para a morena aquilo foi um alívio, não seria a primeira a dizer tchau, mas odiaria ir embora sem falar mais nada. Alguns alunos entravam no colégio, as olhando se encarar, estranhando a líder da equipe de Handball naquele ambiente em um final de semana sem treino, ainda sim, dando atenção para a novata coleguinha da equipe do grêmio.

— Vai voltar a me ignorar agora? - Adora indagou calmamente, arqueando a sobrancelha em ironia e tirando uma risadinha sem graça dos lábios da motoqueira, que apertou em ansiedade o guidão de couro de sua moto, desviando o olhar ao sentir seu rosto queimar, escondido pelo capacete vermelho que usava.

— Não enche, garota. - Soltou com a voz carregada, tirando uma risadinha baixa da outra, sabendo que aquilo foi uma negação, ainda bem, seu coração se aqueceu e músculos se tranquilizaram, recebendo um sorriso singelo de despedida quando Catra deu partida com a moto, sumindo rapidamente da vista de Adora, e dos outros alunos.

Estavam felizes, as duas, com altas esperanças para a semana que se seguiria e grandes dúvidas internas, assim como sensações estranhas. Mas o principal no momento, era o conforto da certeza que nenhuma delas desistiu uma da outra. 


Notas Finais


Gostaram? Ahhhhhh tomara que sim, eu espero muito muito muito que tenham se divertido lendo e que a fanfic esteja sendo boa para vocês - eu sou bem insegura quanto a isso, então os comentários sempre são bem importantes e motivacionais ><

Bom, vamos lá, eu prometi uma explicação e vou dar.
Eu não gosto de me vitimizar, odeio falar sobre isso aqui, mas é realmente importante para vocês entenderem a demora, não só com "More" mas também com a outra fanfic "Hey, Adora..."

Eu tenho uma doença crônica e luto contra ela desde os dezesseis anos quando foi descoberta, ela me causa dores insuportáveis e ataca de tempos em tempos, então, enquanto estabiliza a única forma de fugir da dor é dormir, eu fiquei bem ruinzinha nos últimos dias e dormi MUITO MESMO, então não consegui escrever como gostaria, mas eu JURO que assim que voltar ao normal vou escrever MUUUUITO para compensar vocês ❤️❤️❤️

Obrigada novamente por todo o carinho, e espero seus comentários, estão gostando do rumo que a história tá tomando? Ansiosos pelo beijo? 😆


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