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História More than brothers - Capítulo 32


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Notas do Autor


Olá! Como estão? Espero que bem!

Boa leitura!

Capítulo 32 - Certo ou errado


Luke Hemmings

Eu não tinha aula no primeiro tempo hoje, mas mesmo assim, cheguei cedo na escola disposto a conversar com Kayla. Eu sabia que ela estava chateada comigo por como as coisas aconteceram na noite passada. 

E como de costume, eu a encontro na sala de música.

 Após alguns encontros, eu descobri que ela toca piano muitíssimo bem. E era isso que a garota tocava quando adentrei a sala. Uma melodia doce e melancólica percorria a sala e era como se os dedos da garota fizessem parte do instrumento.

— Isso foi linda, Kayla — Elogio e a menina se vira surpresa com minha presença ali. Mas surpresa é a única emoção que ela demonstra.

— Valeu — Kayla dá um sorriso amarelo enquanto se afasta do instrumento para pegar sua mochila que estava em uma cadeira qualquer. — Não sabia que tinha aula nesse horário

— Não tenho — Me aproximo da menina. — Queria conversar com você

— Temos algo a conversar? 

— Você está cheteada comigo

— Por você ter me deixado sozinha para ir atrás da sua ex namorada/irmã postiça e ainda ter me dito para pegar um táxi? Nossa, como descobriu? — Ela ironiza.

— Não precisei ser muito esperto — Respondi e ela revirou os olhos, pronta para ir embora. Mas eu a segurei. — Eu sinto muito por isso, Kayla

— Não é só isso, Luke. Toda vez que ela chama, você vai num piscar de olhos. Como se nada no mundo importasse mais

Droga. Ela estava certa.

— Não é assim, Kayla. Não é como se fosse por um capricho. Amy realmente precisava da minha ajuda

— E como eu fico nessa história, Luke? — Kayla solta um longo e frustrado suspiro.

— Por favor, não haja assim, Kayla. Não é justo comigo. Eu sempre fui honesto em relação ao que sentia por Amy 

— É, você tem razão. Eu me enganei sozinha — Ela solta um riso sem humor.

— Não fale dessa forma. Eu estou me esforçando e é com você que eu estou agora, não é?

Essas eram as palavras mais verdadeiras que eu podia oferecer a ela agora, e, felizmente, foram suficientes para fazê-la dar um sorriso.

— Acho que eu posso ter exagerado um pouco — Kayla fita seus pés como sempre que sentia vergonha. — Estamos nos divertindo, no final das contas

— Nisso você tem razão — Sorrio para garota que entrelaça nossas mãos e beija minha boca.

Nosso beijo é interrompido apenas pelo barulho abrupto de alguém entrando na sala. E meu sorriso se fecha e sinto minha garganta secar quando ponho os olhos na terceira pessoa que adentrava a sala. 

Era Amy. E ela entra tão rápido quanto sai. Havia sido pega de surpresa pelo meu beijo com Kayla. Eu mal tenho uma reação. Eu realmente não queria que Amy tivesse presenciado essa cena. Eu queria correr e ir atrás dela, mas o que eu poderia dizer-lhe? Nenhuma palavra poderia melhorar a situação.

 O fato era que eu estava seguindo em frente. Ou pelo menos, tentando. E também, se eu fosse atrás da garota, daria razão a todas as reclamações feitas por Kayla e eu não queria desapontá-la novamente.

Agora Kayla me olhava como quem esperava uma reação, que não obteve, por isso, ela me perguntou.

— Está tudo bem?

— Claro? Porque não estaria? — Mesmo com meus pensamentos em Amy, me esforço para sorrir.

— Você quer ir atrás dela, não é, Luke?

— Não. Tudo o que eu quero está bem aqui — Beijo o topo da cabeça da menina.

Pela primeira vez em minha vida, eu havia mentido para uma garota.


Amy Sullivan

Procuro por Dove por todos os lugares da escola antes de decidir ir até a sala de música. Eu sabia que as vezes Dove costumava assistir ao ensaio dos garotos do coral. Ela os achava atraentes. 

Tenho que admitir que não consigo deixar de pensar também na possibilidade de encontrar Luke por lá. Mas de todos os pensamentos que passavam pela minha cabeça, nenhum deles era a cena que presenciei assim que entrei. 

Luke estava a alguns metros de mim com suas mãos e corpo enroscados no de uma outra garota enquanto a beijava. Era Kayla, eu a conhecia de vista, já fizemos algumas aulas juntas, mas nunca conversamos.

De qualquer forma, isso não fez meu coração doer menos ao visualizá-los aos beijos. Não seria certo culpá-lo por seguir com sua vida após eu tê-lo dispensado. 

Mas nesse momento eu não ligava para o que era certo ou errado. Eu não havia terminado com ele por falta de amor. Mas sim porque era complicado toda nossa situação.

Amar Luke Hemmings estava me machucando cada vez mais e eu não conseguia entender o motivo.

O garoto ao me ver parecia como um fantasma e do mesmo jeito que entrei na sala, eu saí, desejando nunca ter botado meus pés ali. 

Sai atordoada até esbarrar com alguém. Agora era, finalmente, Dove, quem eu procurava desde o início.

— Ei, Amy, o que foi? Você está bem?

— Não, Dov — Respondi com meus olhos já marejados e ela me abraça.

— Vem, vamos para um lugar mais calmo 

Dove me conduz até uma sala fazia e lá nos sentamos no chão uma ao lado da outra. Entre uma lágrima e outra, conto a ela o que eu havia visto.

— Oh, você não sabia? — El diz como se fosse óbvio. — Eles já estão juntos há algum tempo, a escola toda sabe, eu achei que você... — Dove se interrompe ao perceber que suas palavras não estavam me ajudando em nada. — Eu sinto muito mesmo, Amy

— Acho que eu só quero ir pra casa. Não tenho mais aula hoje, de qualquer forma — Termino de limpar minhas furtivas lágrimas e me levanto do piso.

— Eu acho que é uma boa ideia. Fique bem, Amie. Me ligue se precisar de algo

Dove se despede com um abraço e eu caminho lentamente até a saída. Decido pegar um ônibus e logo já estou em casa. Passo por Michael que assistia televisão na sala, mas ele não me vê. Ainda bem, sei que ele faria muitas perguntas que não me sinto pronta pra responder nesse momento. 

Penso também em perguntá-lo acerca de Luke e Kayla, mas eu não ganharia nada com isso além de mais sofrimento. Caminho sorrateira até meu quarto e me jogo na cama imaginado inúmeras coisas. Inclusive, me questiono se a escolha que Luke tenha feito de ficar com ela seria baseada em seu nível de beleza, que provavelmente era superior ao meu. Ou se era porque ele a achava mais inteligente ou divertida. Eu sabia que o motivo não era nenhum desses. Mas algumas vezes era como meu cérebro funcionava. E eu o odiava por isso.


Luke Hemmings

As minhas aulas já haviam terminado e as de Kayla também, mas eu havia dito a ela que ficaria para treinar um pouco com o time. 

Eu menti. De novo.

 A verdade era que eu sabia que minha possibilidade de encontrar Amy hoje era praticamente zero, já que suas aulas terminavam antes das minhas, e por isso, eu esperava o fim da aula de Dove, melhor amiga de Amy. Mas a loira passa por mim tão rápido que mal consigo alcançá-la. Preciso correr para fazê-la parar e me olhar

— Se eu não a conhecesse, diria que está furiosa comigo 

— Você definitivamente não me conhece, Luke. Mas conseguiu acertar sobre a segunda coisa  Dove diz com rispidez.

— Qual é, Dove! Preciso saber como Amy está. Eu me importo com ela — Falo e de repente é como se eu tivesse despertado a própria besta. A menina começava a ficar bem furiosa comigo.

— Se importa com ela?  Dove sorri sem humor. — Olhe, Hemmings, eu realmente fiquei furiosa quando percebi que você estava apenas me usando para provocar minha melhor amiga. Mas nem se compara ao que sinto por você agora que você a magoou! Então, me deixe em paz e também a Amy, está bem?! — A menina vira as costas para ir embora. E eu fico sem opções.

— Ela me deixou, Dov — Falo fazendo-a se virar para mim novamente. Agora de maneira mais calma. Talvez até empática — O que eu sinto por Amy, nunca senti por ninguém antes — Asmito com pesar. — Mas ela me deixou e isso dói como nunca antes. Está acabando comigo e eu só estou tentando sobreviver a isso, consegue entender?!

— Consigo, Luke. E acho que você tem todo o direito de tentar seguir em frente. Mas você sabe tanto quanto eu que Amy não te deixou por não te amar — Ela suspira. — Só pense nisso antes de se esfregar com sua nova namorada por essa escola

— Diga a ela que eu sinto muito

Dito isso, Dove foi embora e eu fiquei parado ali, com a cabeça cheia de pensamentos, e o coração vazio de certezas.


Amy Sullivan

Entre algumas músicas e filmes, o dia correu bem. Logo era a hora do jantar e eu me sentia faminta. Isso era um problema, claro. 

Eu havia estabelecido uma meta de emagrecer cinco quilos até o fim da quinzena. E dez até o fim do mês. E talvez então eu estaria satisfeita com pelo menos uma das nuances da minha vida. E não posso negar que me ocorreu o pensamento, nem que fosse por uma fração de segundo, que Luke prestaria atenção em mim de novo se eu estivesse mais em forma, mais atraente.

Então eu comi no jantar, porque estava morrendo de fome. E logo em seguida a comida já dava sinais de querer sair do meu corpo. 

Espero até que todos levantem da mesa e procurem outras atividades para ir ao banheiro. Michael jogava algo no celular, Britney lia uma revista de fofoca qualquer e meu pai assistia televisão. 

Me dirijo ao cômodo intimista pretendendo vomitar tudo o que eu havia comido. Me ajoelho ao lado da privada e um simples deslize é necessário para que eu vomite o banheiro todo. Minha mão que era meu apoio, havia escorregado me fazendo derrubar alguns produtos de beleza que estavam em cima da pia. O barulho chama atenção das demais pessoas da casa e meu pai é o primeiro a aparecer no cômodo.

 Eu havia esquecido de trancar a porta. Droga.

— Amy, o que houve? Está tudo bem? — Ele pergunta preocupado e me dá a mão para me ajudar a levantar.

— Sim. Eu só me desequilibrei. Mas já me sinto melhor. Vamos — Empurro-o para fora do banheiro. Não queria que ele percebesse nada de estranho, e não seria muito difícil enrola-lo se Britney também não tivesse aparecido. A mulher observa seus cosméticos no chão e parece furiosa. Eu podia sentir o ódio em seu olhar.

— Meus cremes franceses! — Minha madrasta dizia com pesar ao ver seus produtos esparramados pelo chão. — O que você fez?!  Britney me sacode pelos ombros e diz possessa, fazendo com que até Michael viesse checar o que estava acontecendo.

— Não foi nada, Britney. Amy apenas tropeçou  Meu pai responde em tom de repreensão a esposa, que explode de raiva.

— E você acreditou nisso, Jimmy?! Olhe bem esse banheiro! Está todo cheio de vômito! O que acha que ela estava fazendo?! Vomitando todo o jantar, é claro! — Diz exaltada. — Olhe, garota, não estou nem aí se você não se acha magricela o suficiente e quer continuar com isso. Passe uma semana sem comer, se quiser, mas fique longe dos meus produtos importados, sua bulímica desastrada! — Britney fala de forma impulsiva e carregada de raiva.

 Michael olhava incrédulo pra mãe e meu pai tinha uma feição indecifrável. Parecia mesclar ojeriza e repulsa. Em questão de segundos, os piores pensamentos passam pela minha cabeça: ele estava enojado e desapontado comigo. Apenas abaixo a cabeça esperando que ele me repreenda. Mas isso não acontece.

— Você sabia do problema da minha filha e não me disse nada?! — Vejo meu pai olhar com escárnio pra atual esposa. — O que há de errado com você?! — Pergunta finalmente com raiva.

— O que há de errado comigo?! — Britney repete indignada. — O que há de errado com essa garota! Tudo o que ela traz pra sua vida são problemas e mais problemas! A última coisa que eu queria no mundo era que toda a sua atenção se voltasse ainda mais para ela!

— Eu sou o pai dela. Essa é a minha obrigação  — Ouço meu pai falar com convicção.

— E também é meu marido!

— Amy sempre estará a frente de qualquer relacionamento que eu venha a ter. Você saberia disso

— Não pode me culpar por não querer ela em nossas vidas!

— Eu acolhi o seu filho com o maior prazer do mundo, como se fosse meu. Que pena que não pôde fazer o mesmo com a minha filha, Britney — Aora a expressão enraivecida já havia deixado seu rosto, dando lugar a um tom desapontado. — Não posso ficar com alguém tão egoísta quanto você. Por favor, peço que deixe a minha casa amanhã de manhã. Direi ao motorista para levá-la para onde quiser — Minha boca se forma num perfeito ''o'', assim como a da loira oxigenada e meu pai ainda continua, agora para Michael. — Já você, Mike, saiba que é como um filho pra mim e que é muito bem-vindo nessa casa caso queira ficar —  O homem dá um pequeno sorrio ao garoto e também um tapinha em suas costas antes de sair. — Vamos, Amy

Meu pai me chama e eu subi as escadas em seu encalço. Ele para no meu quarto, fecha a porta e senta em minha cama, batendo com a mão na mesma para que eu sentasse ao seu lado. Eu me sentia pequena e envergonhada agora. Sei como parece fútil o meu problema. Soa como se eu só me importasse com minha aparência e ser bonita. Mas não é apenas isso. É, também, sobre controle.

Nós ficamos em silêncio por um tempo. Acho que ele não sabia por onde começar.

— Eu sinto muito — O homem ao meu lado se desculpa, me pegando de surpresa. Era eu quem deveria pedir desculpas.

— Pelo o que, papai?  Minha voz sai quase falha.

— Eu sou seu pai. Eu deveria ter percebido que você não estava bem, Mimy — Ele diz e meus olhos se enchem de lágrimas, assim como os dele. — Eu estive tão distraído com a Britney, com o trabalho, que não pude perceber pelo o que minha filha estava passando. E por isso, eu sinto muitíssimo. Espero que consiga me perdoar

— Não há o que ser perdoado — Encostei minha cabeça em seu ombro e permiti que algumas lágrimas escorressem. Nesse momento, eu me sentia mais próxima dele do que jamais estive nos últimos anos. —Eu sinto muito por te causar tantos problemas

— Não diga isso, meu amor. Nunca — Ele toca delicadamente em meu queixo e me faz encara-lo. — Eu já tive muitas coisas boas na vida, Amy. Mas nenhuma delas se compara a você, minha garotinha

— Obrigada por ainda me amar, papai 

— E amarei até o meu último suspiro — Ele limpa uma lágrima solitária em meu rosto com seu polegar. — Provavelmente o meu esqueleto também irá te amar — Meu pai fala me fazendo rir timidamente.

— Você vai contar a mamãe, não vai? — Pergunto e ele suspira.

— Não posso guardar esse tipo de segredo dela, você sabe — Ele fala e eu concordo com a cabeça. — E precisamos contar porque eu sozinho não posso fornecer toda a ajuda que você precisa. Então... O que acha de voltar a sua antigo terapeuta?

Eu já havia feito terapia antes. Quando eu era criança e meus pais se separaram, eles decidiram me levar a uma psicóloga. Eu fiz por algum tempo antes de crescer e ir deixando isso de lado.

— Podemos tentar isso

— Então está certo — Meu pai acaricia meu rosto. — Tenha uma boa noite e descanse, querida — Ele diz e vai se dirigindo a saída.

— Espere — Eu chamo.

— Sim?

— Você acha que eu estou... muito grande pra pedir pra você ficar comigo até eu dormir? — Pergunto levemente embaraçada e ouço-o rir.

— Nunca se é grande demais para pedir um pouco de colo

Sorrio com a resposta e meu pai se senta em minha cabeceira, mas não antes de tirar de uma prateleira um pequeno livro. Eu deposito minha cabeça em seu colo junto a um travesseiro e consigo ler o título do livro. Era Alice no país das maravilhas. Eu sempre amei esse livro justamente porque era o que ele sempre lia pra mim antes de dormir quando eu era criança. Mesmo depois que me mudei e passei a morar somente com minha mãe, quando eu sentia sua falta, eu relia o livro e me sentia novamente acolhida.

— O que acha de uma história? Como nós velhos tempos

— Eu adoraria

Meu pai começa a ler e logo sinto o sono chegando. Era fácil ficar sonolenta quando eu me sentia protegida e compreendida.




Notas Finais


O que acharam do capítulo? Bastantes emoções, não? Haha
Beijos e até a próxima


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