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História More than Enemies - Dreamnotfound - Capítulo 3


Escrita por: Juh_McytSimp

Capítulo 3 - Capítulo III


O trio da Casa Branca é o apelido oficial de Clay, Annie e Minx, cunhado pela People pouco antes da posse. Na verdade, o termo foi cuidadosamente testado com grupos focais pela assessoria de imprensa da Casa Branca e passado diretamente para a People. Política e calculismo até nas hashtags.

Era um plano novo e ousado: Três jovens bonitos, inteligentes, carismáticos e vendáveis da geração dos millenniais – Descolado vende. Um tipo próprio de celebridade, não é o ideal, sua mãe sempre diz, mas funciona.

Eles são o trio da Casa Branca, mas aqui, na sala de música do terceiro andar da Residência são apenas Clay, Annie e Minx, naturalmente grudados uns nos outros desde que eram adolescentes se enchendo de café expresso até prejudicar a saúde na semana de provas. Clay os impulsiona, Annie os equilibra e Minx os faz serem honestos – Eles se acomodam nos seus lugares de sempre: Annie com seus tablóides se atualizando de tudo que ocorre fora de seu alcance, Minx de pernas cruzadas no chão, abrindo uma garrafa de vinho tinto e Clay, sentado de cabeça para baixo com os pés no encosto do sofá, pensando no que fazer.

Ele vira a FICHA INFORMATIVA DE SUA ALTEZA REAL, PRÍNCIPE GEORGE e estreita os olhos – Minx e Annie o ignoram, fechadas em uma bolha de intimidade que ele nunca consegue entrar direto. A relação delas é enorme e incompreensível para a maioria das pessoas, até para Clay as vezes. Ele conhece os mínimos detalhes e vícios das duas, mas existe ali um laço feminino estranho que ele não consegue e sabe que não tem como traduzir.

"Pensei que estava curtindo o trabalho do Washington Post" –Minx diz. Com um estalo baixo ela tira a rolha do vinho e leva diretamente aos lábios–

"Eu estava" –Annie responde– "Quer dizer, estou. Mas não é bem um trabalho, é só um editorial por mês, e metade das minhas pautas são derrubadas por serem próximas demais da plataforma da minha mãe, e mesmo assim, a assessoria precisa ler tudo antes de publicar algo. Então tipo, eu fico mandando projetos inofensivos, sabendo que do outro lado pessoas estão fazendo o jornalismo mais importante da carreira delas, e preciso aceitar tudo quieta"

Clay se orgulha imensamente da irmã mais nova, porém a julga por passar de seus próprios limites. É bem óbvio que ela deseja seguir uma carreira que gosta mas seus pensamentos sempre voltam para a política da mãe, ela não aceitaria uma filha de carreira tão simples sendo que possui tantas oportunidades – A pressão cai sobre seus ombros, e Clay sabe que não pode fazer nada para impedi-lá, é uma garota jovem estremamente decidida, além do ensino médio ela precisa pensar nos seus sonhos jornalísticos.

"Então...você não está curtindo?" –Minx questiona–

Annie suspira e larga suas revistas. Seus passos são lentos até uma velha prateleira de discos, pegando um em específico logo o colocando na vitrola.

"Não sei o que mais eu poderia fazer, esse é o lance"

"Eles não poderiam te encaixar lá?"

"Até parece. Eles não me deixariam nem entrar no prédio" –Annie diz e passa as mãos contra o rosto esboçando cansaço– "O que Reilly e Rebecca fariam?"

Minx ergue a cabeça e ri.

"Meus pais diriam para você fazer o mesmo que eles: largar o jornalismo, terminar o ensino médio calmamente, se envolver com óleos essenciais e comprar uma cabana no meio do mato em Vermont"

"Você esqueceu a parte de investir na Apple nos anos noventa e ficar estupidamente ricos" –Annie a lembra–

"Meros detalhes"

Minx coloca a mão contra os fios loiros da garota e dá um sorriso acolhedor para a mesma. Fazendo um desajeitado cafuné de irmã mais velha.

"Você irá pensar em algo" –Ela diz para a mesma, se virando para o pequeno refrigerador de bebidas contido na sala, tirando uma lata de refrigerante para a garota que sorriu e aceitou contente–

O som do estralo de seu refrigerante se uniu ao suspiro dramático de Clay.

"Não acredito que tenho que aprender essa porcaria" –Clay diz– "Minha semana de provas mal acabou"

"Olha, é você quem quer brigar com tudo quanto é ser vivo" –Annie diz dando um gole longo em seu refrigerante– "Incluindo a monarquia britânica, então eu não sinto pena pois te avisei para não arranjar problemas. De preferência não algo internacional"

"Acho emocionante" –Minx diz– "Inimigos mortais obrigados a fazer as pazes para resolver a tensão entre seus países? Tem um tom shakespeariano nessa história"

"Se é shakespeariano, tomara que eu morra esfaqueado" –Clay diz– "Essa ficha diz que a comida favorita dele é tortinha de frutas. Não consigo pensar em algo mais chato, ele é tipo uma pessoa de papelão"

A ficha é cheia de coisas que Clay já sabia, seja porque os irmãos da realeza dominam os noticiários ou por ter lido a página de George na Wikipedia com ódio no coração. Ele sabe sobre os pais de George, seus irmãos mais velhos Amelia e Noah, que ele estudou literatura inglesa em Oxford e toca piano clássico. O resto é tão insignificante que ele não imagina que possa aparecer em uma entrevista, mas, de qualquer modo não vai correr o risco de estar menos preparado que George.

"Uma ideia" –Minx diz– "Vamos transformar isso em um jogo de bebida"

"Vai beber sempre que Clay acertar?" –Annie pergunta incerta, deixando de lado sua lata vazia–

"Beber toda vez em que a resposta der vontade de vomitar?" –Clay sugere–

"Uma dose para cada resposta certa, duas para um fato sobre o príncipe George que seja horrível, objetivamente falando" –Minx explica. A mesma se levanta e busca uma taça no armário próximo, enquanto Annie pega a ficha das mãos de Clay e dá uma rápida olhada–

"Certo, vou começar com algo fácil, os pais dele" –Annie lê e encara desafiadoramente o loiro–

"Mãe: Princesa Catharine, filha mais velha da rainha Mary, primeira princesa a obter um doutorado em literatura inglesa. Pai: Arthur Fox, famoso ator do teatro e do cinema inglês mais conhecido pelo período em que interpretou James Bond nos anos oitenta, falecido em 2015. Pode beber Minx"

Minx bebe e puxa a ficha das mãos de Annie.

"Certo" –Minx diz, seus olhos passam pela lista em busca de algo mais difícil– "Vamos ver, nome do cachorro?"

"David" –Clay responde– "É um beagle. Dessa eu lembro porque quem faz isso? Quem chama o cachorro de David? Parece o nome de um procurador fiscal, um procurador fiscal canino. Pode beber"

"Nome, idade e profissão do melhor amigo?" –Annie pergunta– "Melhor amigo tirando você é claro"

Clay mostra o dedo do meio para ela com frieza.

"Karl Jacobs. Herdeiro da Okonjo Industries, uma empresa nigeriana líder em avanços biomédicos na África. Vinte e dois anos, mora em Londres, conheceu George no colégio Eton, gerencia a fundação Okonjo, uma ONG humanitária. Bebe Minx" 

"Livro preferido?"

"Hm" –Clay diz– "Aí merda, é aquele..."

"Sinto muito senhor Miller, resposta errada" –Minx diz orgulhosa– "Obrigada por participar mas você perdeu"

"Qual a resposta?"

Annie espia a ficha.

"Aqui diz...Grandes esperanças?"

Clay e Minx grunhem ao mesmo tempo.

"Entenderam o que quero dizer agora?" –Clay diz– "Esse cara lê Charles Dickens por prazer"

"Nessa eu vou ter que concordar com você" –Minx diz– "Duas doses!"

"Olha, eu acho..." –Annie diz enquanto Minx bebe– "Gente qualé, não é tão ruim. Tipo, é pretensioso, mas os temas de Grandes esperanças são todos, tipo, o amor é mais importante do que os status, e fazer o que é certo vale mais do que dinheiro e poder. Talvez ele se indentifique" –Clay faz um alto e longo som de peido com a boca– "Vocês são babacas para caramba! Ele parece ser bem legal"

"Você só fala isso porque é nerd" –Clay dix– "Quer proteger sua espécie. É um instinto natural"

Annie se dispôs a apenas lhe mostrar o dedo do meio.

"O que vocês acham que a Puff colocou na minha lista?"

"Hmm" –Minx pensa– "Esporte olímpico preferido: ginástica rítmica..."

"Não tenho vergonha disso"

"Marca preferida de calça cáqui: Gap" –Annie diz com um tom entendiado–

"Olha, elas vestem bem em mim, as J.Crew enrugam de um jeito estranho"

"Alergias: poeira, sabão da marca Tide e ficar quieto" –A loira mais nova adicionou–

"Idade da primeira obstrução política: nove, no SeaWorld San Antonio, tentando forçar um tratador de orcas a se aposentar mais cedo por, abre aspas, "práticas baleeiras desumanas" –Completou Minx–

"Sempre defendi, e sempre vou defender as orcas"

Annie joga a cabeça para trás e solta uma risada juvenil, alta e natural, Minx revira os olhos, e Clay ficou contente por pelo menos ter isso enquanto seu pesadelo britânico acontecia.

Clay imagina que o representante do príncipe seja um tipo de inglês dos livros infantis com paletó de cauda e cartola, talvez um bigode de morsa, correndo para colocar um banquinho de veludo à porta da carruagem de George – A pessoa que está esperando por ele e sua equipe de segurança na pista é muito diferente. É um jovem de vinte e poucos anos com um terno impecavelmente ajustado, bonito e charmoso com o cabelo bem escovado e invejável.

Desta vez quem o acompanhava não era Puff, algo que deixou Clay extremamente mais tranquilo. Quem tomou seu posto de o vigiar foi Alex, seu melhor amigo de anos, alguém que mesmo após a campanha de sua mãe permaneceu presente em sua vida – Alex era do tipo energético, alguém que incrivelmente conseguia acompanhar sua caótica energia, se conheceram no colegial e continuaram unidos até hoje.

"Agente Nick" –O jovem diz, estendendo a mão para Alex– "Espero que o vôo de vocês tenha sido tranquilo"

Alex concorda com a cabeça.

"O mais tranquilo que o terceiro vôo transatlântico em uma semana pode ser"

O jovem entreabre um sorriso solidário.

"A Land Rover é sua e da sua equipe durante a viagem"

Alex concorda novamente, soltando a mão dele. Nick volta sua atenção para Clay.

"Senhor Miller" –Ele diz– "Bem-vindo de volta a Inglaterra. Nicholas, mas pode me chamar de Nick, cavalariço do príncipe George"

Clay aperta a mão dele, se sentindo em um daqueles filmes de ação. Atrás dele, um atendente descarrega sua bagagem e a leva na direção de um Aston Martin reluzente.

"É um prazer, Nick. Não é exatamente como gostaríamos de estar passando nosso final de semana, não é?"

"Não estou tão surpreso com essa série de eventos quanto gostaria, senhor" –Nick diz tranquilamente–

Ele tira um pequeno tablet de seu paletó e dá meia-volta em direção ao carro que os aguarda. Clay fica observando sem dizer uma palavra, antes de se recusar categoricamente a ficar impressionado com um jovem adulto cujo trabalho é cuidar da agenda do príncipe – Ele balança levemente a cabeça e volta a acompanhar o rapaz.

"Certo" –Nick diz– "O senhor vai ficar nos aposentos de hóspedes do Palácio de Kensington. Amanhã, vai dar entrevista ao This Morning às nove...agendamos uma sessão de fotos no estúdio. A tarde toda é das crianças com câncer e depois o senhor pode voltar para a terra da liberdade"

"Está bem" –Clay diz. Por educação não adicionou um 'poderia ser pior'–

"Agora" –Nick diz– "Você virá comigo para buscar o príncipe no estábulo. Um dos nossos fotógrafos estará presente para fazer registros do príncipe recebendo o senhor no país, então tente parecer feliz quando chegar lá"

Claro, existem estábulos dos quais o príncipe precisa ser levado de chofer. Por um momento, ele achou que havia se enganado sobre como seria o fim de semana, mas agora parece mais o que ele havia imaginado.

"Se o senhor olhar no bolso à sua frente" –Nick diz enquanto dá a ré– "Tem alguns documentos que precisam ser assinados. Seus advogados já os aprovaram" –Ele passa para trás uma caneta de bolso preta–

TERMO DE CONFIDENCIALIDADE, diz o título da primeira página. Clay folheia até a última – São pelo menos quinze folhas e um assobio baixo escapa de seus lábios.

"Vocês...fazem isso sempre?" –Clay diz–

"Protocolo padrão" –Nick responde– "A reputação da família real é importante demais para correr riscos"

Ternos de confidencialidade não são nenhuma novidade para Clay, então ele o assina. Afinal, não divulgaria todos os detalhes monótonos de sua viagem para ninguém, exceto talvez Annie e Minx.

Eles estacionam na frente do estábulo depois de quinze minutos, sua equipe de segurança logo atrás. O estábulo real é, obviamente elaborado, bem cuidado e extremamente diferente dos ranchos velhos que ele via no norte do Texas. Nick guia o caminho até a beira do pasto, enquanto Alex e sua equipe se reagrupam dez passos atrás.

Clay apoia os cotovelos nas tábuas de cerca branca envernizada, lutando contra a sensação súbita e absurda de que está mal vestido para a ocasião. Em qualquer outro dia, sua calça chino e sua camisa seriam perfeitas para uma sessão de fotos casual, mas, pela primeira vez em muito tempo, ele estava se sentindo completamente fora da zona de conforto.

Claro que George não vai estar com uma aparência muito melhor depois de um treino de polo. Ele deve estar todo suado e repugnante.

Como se ouvisse seus pensamentos, George vira a curva galopando no dorso de um cavalo branco impecável. Ele não está nem um pouco suado, muito menos repugnante – Em vez disso, surge banhando dramaticamente pela luz arrebatadora do pôr do sol, usando uma jaqueta preta, calças de montaria enfiadas nas botas altas de couro, como um verdadeiro príncipe dos contos de fadas.

"Eu vou vomitar em você" –Clay diz assim que George se aproxima o bastante para ouvi-lo–

"Oi Clay" –George diz, se ressente pelos centímetros mais altos de Clay– "Você parece...sóbrio"

"Apenas para você, vossa alteza real" –Ele diz com um reverência sarcástica. Ele fica contente em ouvir o tom frio de George, que finalmente parou de atuar–

"Muito gentil da sua parte" –George diz. Ele passa a perna por cima do cavalo e desmonta com elegância, tirando a luva e estendendo a mão para Clay–

"Que idiotice" –Clay diz, apertando a mão de George. Sua pele é macia, provavelmente esfoliada e hidratada todos os dias por algum manicure da realeza. Há um fotógrafo do outro lado da cerca, então ele abre seu melhor sorriso e diz entre os dentes– "Vamos acabar logo com isso"

"Preferia ser torturado" –George diz retribuindo o sorriso. A câmera tira algumas fotos. Seus olhos são grandes, suaves e castanhos, e ele precisava desesperadamente levar um soco em um deles– "Ouvi dizer que seu país é bom nisso"

Clay ergue a cabeça para trás e solta uma gargalhada elegante, alta e falsa.

"Vai se foder"

"Não tenho tempo" –George diz, ele solta a mão de Clay quando Nick volta–

"Vossa alteza" –Nick cumprimenta George com a cabeça, Clay se concentra para não revirar os olhos– "O fotógrafo já deve ter o que precisa, então, se estiver pronto, o carro está à espera"

George se vira para ele e sorri de novo, os olhos impossíveis de interpretar.

"Vamos?"


Notas Finais


Bem isso demorou mais do que eu imaginava, provavelmente está menor que os outros e bem provável que o próximo capítulo irá demorar.

Não tenho nenhum argumento de defesa ao meu favor apenas a preguiça então espero que aceitem :]


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