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História More Than Words - Capítulo 6


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Notas do Autor


Olá leitores, desculpe a demora, quis fazer um suspense depois do último capítulo. A partir desse, irei focar no Leo e na sua reabilitação, ok? Fiquei com um pé atrás com relação a esse capítulo, tive um sério bloqueio criativo e tive dificuldades em escrevê-lo, por isso se estiver desconexo ou confuso me perdoem. Sugestões são bem vindas, espero que gostem, boa leitura.
Música tema: "The Gift" da banda Seether.

Capítulo 6 - 06


Os minutos seguintes se passaram como um borrão; sentaram-no numa cadeira de rodas que não soube de onde veio conduzindo pelos corredores até uma sala cheia de maquinas estranhas. O médico o orientava enquanto realizava os exames com a ajuda de uma equipe. Leo notou a tensão em seu rosto, ele parecia preocupado, o que supôs não ser bom se tratando se um médico.

─ Este é o último está bem?

Leo assentiu incapaz de responder, não entendia o que estava acontecendo era tudo muito confuso. Não se lembrava de quem ele era não se lembrava de nada sobre sua vida. Sua mente era um espaço em branco, não havia memória alguma que lhe desse uma direção. Era como se sua vida tivesse começado ao acordar naquele hospital, não se lembrava do por que de estar ali e isso o assustava. Em que ano estamos? Qual cidade? Cada pergunta sem resposta apenas contribuía para a onda de pânico que crescia em seu peito.

─ Eu não sei. – Era tudo o que podia responder.

O médico havia tentado acalmá-lo dizendo que poderia ser algo temporário, mas e se não fosse?Não queria pensar nisso no momento, em como viveria uma vida que não conhecia. Com o fim dos exames, o médico o conduziu de volta ao quarto, ele havia tentado iniciar um dialogo, contudo Leo preferiu permanecer em silencio, não confiava nele, nesse momento não confiava nem em si mesmo. O enfermeiro os aguardava, as roupas de cama haviam sido trocadas, o chão estava limpo. O remédio que havia tomado estava finalmente fazendo efeito, a dor de cabeça havia lhe dado uma trégua. Seu estomago ainda estava embrulhado, mas nada que não pudesse suportar sentia-se sonolento a visão da cama era tentadora, convidando-o para deitar-se.

 

Contudo antes precisou tomar um banho e trocar a roupa suja de vomito, o que foi bastante constrangedor já que precisou da ajuda do enfermeiro para isso. Suas pernas ainda não tinham capacidade para sustentar o próprio corpo. Tomou uma sopa como janta, se é que dava para chamar aquilo de sopa. Era um caldo aguado sem sabor, ou talvez tivesse, não tinha certeza. Sua boca conservava o amargor do remédio que havia tomado prejudicando seu paladar, no fim deitou-se olhando a chuva que ainda caia lá fora, a cidade parecia tão tranqüila, diferente dele que ainda estava angustiado por não se lembrar de nada, sentia-se sozinho, vulnerável, será que tinha família? Pais? Irmãos? Não sabia.

“Quem sou eu?”

Era uma incógnita. Tudo o que sabia sobre si mesmo era o seu nome. Contudo não sabia quem realmente era coisas simples, traços de personalidade, gostos e preferências, tudo isso havia sido completamente apagado.

 “Por que tudo isso está acontecendo?”

Suspirou. Por mais que tentasse, não conseguia entender o que estava havendo com ele, por que não se lembrava de nada? Desejou não estar sozinho. Queria ter alguém para lhe dizer que tudo ficaria bem. Estava com tanto medo, medo de quem era ou de nunca lembrar. Sentou-se na cama pegando o buque de flores, não sabia dizer por que mais aquilo o confortava, significava que em algum lugar alguém se importava com ele. Não havia cartão nem nada que identificasse o remetente, admirou as flores delicadas uma a uma agradecendo a seja lá quem for por se importar com ele. Colocou-as de volta no lugar deitando-se encolhido na cama. Seus olhos pesaram fechando-se aos poucos o levando de volta para a escuridão da inconsciência.

                       ***

Estava dentro de um carro em uma rua desconhecida. Olhou ao redor tentando se localizar inutilmente, não fazia ideia de onde estava. Tentou abrir a porta, contudo não conseguiu, ela estava emperrada.

─ Leo? ─ Ouviu alguém lhe chamar. Uma pessoa lhe encarava através do vidro da janela, não conseguiu definir seu rosto devido ao mesmo estar embaçado.

─ Me ajuda. ─ Pediu ao estranho. ─ Por favor, me ajuda!

─ Calma. ─ Disse ele. ─ Eu já vou tirar você daí.

─ Rápido!

─ A porta está emperrada, não quer abrir.

Arregalou os olhos ao perceber que o carro começou a andar, mesmo sem ter ninguém ao volante. Gritou desesperado tentando sair, embora soubesse que era tarde demais.

Seus olhos se abriram com rapidez expulsando-o do mundo dos sonhos. Sentia seu coração bater acelerado devido ao sonho desconexo, franziu as sobrancelhas tentando entendê-lo, entretanto não foi capaz de associá-lo a nada especifico. Suspirou focando a visão no forro branco do quarto enquanto tentava se acalmar. Sua cabeça ainda doía, contudo a dor não passava de um latejar distante, o que era um alívio. Nunca havia sentido tanta dor como quando acordou pela primeira vez.

Esforçou-se para sentar na cama, seu corpo ainda relutava em obedecer aos seus comandos. A porta do quarto se abriu chamando sua atenção observou atento um casal adentrar o cômodo, a principio pensou que eles haviam errado o quarto, entretanto ambos sorriam para ele, demonstrando que o conheciam. A mulher era bonita, seus cabelos cor de mel caiam suavemente pelos ombros, seus olhos verdes cor de jade estavam inchados como se ela tivesse chorado sardas salpicavam seu rosto ao redor do nariz e embaixo dos olhos, não soube precisar sua idade, embora parecesse bem nova. O homem que Leo notou ser seu esposo era robusto, possuía uma estatura mediana, uma barba rala com alguns fios brancos emoldurava seu rosto, seus olhos eram castanhos escuros por baixo das lentes dos óculos um chapéu simples adornava sua cabeça.

─ Quem são vocês? – Perguntou confuso.

─ Está tudo bem querido, não precisa ter medo. Somos seus pais. – Disse a mulher calmamente, contudo Leo percebeu que ela parecia lutar contra suas emoções.

─ M-meus pais? – Questionou confuso, não reconhecendo o casal a sua frente.  Fitou-os com atenção em busca de alguma familiaridade, a mulher aproximou-se sentando ao seu lado segurando sua mão. Leo contemplou aquele gesto com estranheza, no entanto não fez menção de soltá-la.

─ Sim. Recebemos a ligação do hospital dizendo que você tinha acordado e viemos correndo. – Explicou o homem.

Leo olhou de um para o outro sem saber o que dizer. Imaginava que quando conhecesse seus familiares os reconheceria de imediato, entretanto o casal a sua frente lhe era tão estranho quanto à equipe do hospital.

─ O que houve meu bem? – Perguntou ela notando seu desconforto.

 ─ Eu... Desculpe, eu só... Preciso de um tempo.

Soltou a mão alheia, desconfortável. Respirou fundo, mordendo o lábio inferior, desviou o olhar aqueles eram realmente seus pais? E se não fossem? Naquele momento tudo era possível, milhões de possibilidades cruzavam sua mente na velocidade de uma metralhadora, rápidas demais para que pudesse processá-las. Parecia errado, queria acreditar que tudo era mentira, que nada daquilo estava acontecendo, reteve a vontade de chorar, precisava ficar calmo, precisava de mais informações sobre sua vida.

─ Como vocês se chamam?

─ Janaina e Alex Ruiz.

Ruiz, eles possuíam o mesmo sobrenome que ele o que comprovava o parentesco. Entretanto permaneceu alerta, não confiava neles. Um sobrenome em comum não era motivo suficiente para confiar em alguém. Como poderia confiar? Não acreditava nem em si mesmo, a pessoa que lhe diziam ser e a pessoa que era pareciam ser totalmente distintas.

─ Eu sou filho único?

─ Não, você é o mais velho de dois irmãos. – Respondeu Janaina com um sorriso maternal. De alguma forma, sentiu que era verdade.

Reuniu a força e a coragem que precisava para perguntar, não iria negar, tinha medo, muito medo da resposta. Entretanto qualquer coisa parecia melhor do que permanecer no escuro, algo tinha acontecido consigo e não importava o quão grave fosse, merecia saber.

─ O médico não quis me dizer o que está acontecendo, por que estou aqui? – Começou buscando respostas.

O casal se entreolhou antes de responder.

─ Eu não sei se estamos autorizados a dizer... – Começou Alex.

─ Eu preciso saber. – Argumentou com a voz falha. – Por favor... Eu quero entender tudo isso.

─ Você sofreu um acidente e ficou em coma. – Explicou Alex.

Sentiu seu peito pesar, não sabia o que a palavra coma significava, mais tinha um pressentimento ruim sobre isso.

─ Coma?

─ É um estado de inconsciência, é como se você estivesse em sono profundo. – Explicou Janaina. Parecia ser difícil para ela tocar no assunto, sua voz tremia, ela não o olhava nos olhos.

─ Por quanto tempo?

─ Um mês.

“Um mês?!” – Pensou assustado arregalando os olhos.

Talvez não devesse dar tanta importância ao fato de ter perdido um mês da sua vida quando sequer lembrava-se dela, no entanto um mês era muito tempo. Um tempo que havia sido roubado dele e que ele jamais iria recuperar. Desviou o olhar dos pais encarando um ponto qualquer do quarto aturdido demais para ter uma reação.

Os dois ficaram em silencio respeitando o espaço do filho, queriam ir até ele e o confortar, contudo o médico tinha lhes orientado a ir com calma para não assustá-lo. Segundo ele, a amnésia poderia ser temporária e nesse caso era preciso dar o mínimo de informações sobre o ocorrido para não trazê-las de uma vez, o que poderia causar um choque muito grande. Alex e Janaina sofriam pelo filho, pelo fato da vida dele ter sido apagada, arrancada dele dessa forma. Contudo se esforçavam para permanecerem fortes por ele, para dar o apoio que ele precisava.

─ Sei que deve estar confuso agora, e que não deve estar sendo fácil, mas estamos aqui Leo. Somos sua família e estaremos ao seu lado. – Disse Janaina.

─ Para o que der e vier. – Completou Alex.

Aquelas palavras deveriam lhe trazer conforto, mas não trazia, eram apenas palavras ditas por estranhos. Não se sentia confortável na presença deles, afinal não os conhecia.

─ Eu posso ficar sozinho? – Perguntou vendo-os o olharem magoados. Não era sua intenção, mais não conseguia lidar com isso agora. – Por favor.

─ Estaremos lá fora se precisar. – Disse Alex.

Ao estar novamente sozinho, permitiu-se chorar desolado. Encolheu-se abraçando as pernas repousando a cabeça sobre os joelhos, não podia fazer isso, não podia viver essa mentira. Aquela não era a sua vida, não pertencia aquele lugar, não sabia aonde pertencia mais não era ali. Aquele não era seu corpo, aqueles não eram seus pais. Queria fugir, ir para algum lugar que conhecesse, mais não era capaz. Nem sabia se esse lugar existia.

Sentia-se perdido dentro de si mesmo, queria achar desesperadamente algo em que pudesse agarrar algo que conhecesse. Soluçou, sentindo-se despedaçado. Não estava bem e não sabia dizer se um dia se sentiria assim, inteiro, ciente de quem era. Ouviu a porta se abrir e alguém se aproximar, não se moveu, não conseguiu, sentia-se paralisado, sufocado. Seu corpo foi envolvido em um abraço, pelo aroma, percebeu que era sua “mãe”, quis se afastar, mas não o fez, não tinha forças, apenas chorou sem controle buscando nos braços desconhecidos o alivio para sua dor.


Notas Finais




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