História Morgana - Capítulo 4


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Categorias Harry Potter
Personagens Harry Potter, Hermione Granger, Personagens Originais, Ronald Weasley
Tags Black, Bruxas, Drama, Grifinória, Hogwarts, Magia, Segredos, Suspense
Visualizações 36
Palavras 4.544
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura, amorecos ♥

Capítulo 4 - 04. As rendas de Snape


Fanfic / Fanfiction Morgana - Capítulo 4 - 04. As rendas de Snape

❝ Won't you say forever, stay. If you stay forever, hey. We can stay forever young. ❞ ─ Here's To Never Growing Up, Avril Lavigne

 

Draco não reapareceu nas aulas até o fim da manhã de quinta-feira, quando nós já estávamos na metade da aula dupla de Poções. Ele entrou cheio de arrogância na masmorra, o braço direito enfaixado e pendurado em uma tipoia, agindo, em minha humilde opinião, como se fosse o sobrevivente heroico de uma terrível batalha — o que ficava patético, se me perguntar.

— Como vai o braço, Draco? — Perguntou Pansy Parkinson, com um sorrisinho insincero. — Está doendo muito?

— Está — respondeu o garoto, fazendo uma careta corajosa.

Mas todo mundo o viu piscar para Crabbe e Goyle quando Pansy desviou o olhar.

— Vá com calma, vá com calma — disse o Profº. Snape suavemente.

Sinceramente, aquele homem me dava nojo.

A classe estava preparando uma poção nova naquele dia, uma Solução Redutora. Draco armou seu caldeirão bem ao lado do meu e de Harry, de modo que nós três ficássemos preparando os ingredientes na mesma mesa.

— Professor — chamou Draco —, vou precisar de ajuda para cortar as raízes de margarida, porque o meu braço...

— Potter, corte as raízes para Malfoy — disse Snape sem erguer a cabeça do papel que lia.

A expressão de Harry fechou na hora. Nos últimos dias eu reparará que Harry Potter possuía um certo temperamento. E Rony e Hermione já deveriam saber disso, pois olharam para trás com certo receio.

— O seu braço não tem nenhum problema — Comentei friamente, continuando a cortar minhas raízes.

Draco não me deu ouvidos, somente falou, com um sorriso satisfeito:

— Potter, você ouviu o que o professor disse; corte as raízes.

Harry apanhou a faca, puxou as raízes de Draco para perto e começou a cortá-las de qualquer jeito, de modo que os pedaços ficaram de tamanhos diferentes, mas eu o parei no início, segurando sua mão, sabendo que aquilo poderia não acabar bem.

— Corte direito. — Avisei, apertando meus dedos ao redor de seu pulso.

Ele ficou vermelho, mas pareceu entender o recado.

— Nova namorada, Potter? — Indagou Draco com a voz arrastada.

— Eu não gosto de trabalhar com barulho, Malfoy — Retruquei rapidamente, antes que Harry pudesse falar. — Então, por gentileza, cale essa sua boca imunda.

Rony soltou uma risadinha a nossa frente, mas a cotovelada de Hermione o fez parar na hora. Mas fora o suficiente para deixar o rosto pálido de Draco vermelho.

— E, professor, vou precisar descascar este pinhão — disse Draco, a voz expressando raiva.

— McKinnon, pode descascar o pinhão de Malfoy — disse Snape, me encarando com desprezo.

Sem perder a classe, deixei de lado minhas raízes e puxei o pinhão de Malfoy, o descascando calmamente. E quando terminei, coloquei ao lado do loiro azedo, lançando a ele um grande sorriso.

— Deixa eu adivinhar, sua próxima cartada é o Hagrid? — Murmurei friamente, o encarando com meu melhor olhar de desdém

Ele ficou mais vermelho ainda.

— Onde ela se escondeu por todo esse tempo? — Murmurou Rony para Hermione, me fazendo conter o sorriso.

— Acho que ele não vai continuar professor por muito tempo — disse Draco num tom que tentava fingir tristeza, mas seu ódio ainda transparecia. — Meu pai não ficou nada satisfeito com o meu ferimento...

— Você é tão acéfalo que não entende o conceito de "trabalho em silêncio"? — Sibilei, passando a fatiar minhas lagartas.

Harry largou as raízes belamente fatiadas de qualquer jeito perto de Malfoy, voltando a atenção ao próprio pinhão, que ainda não estava descascado.

— ... Ele apresentou queixa aos conselheiros da escola. E ao Ministério da Magia. Meu pai tem muita influência, sabe. E um ferimento permanente como este — ele prosseguiu, fingindo um longo suspiro —, quem sabe se o meu braço vai voltar um dia a ser o mesmo?

— Então é por isso que você está fazendo toda essa encenação — comentou Harry, descascando calmamente seu pinhão, e aquilo me lembrou um ditado clássico trouxa: a calmaria antes da tempestade — Para tentar fazer Hagrid ser despedido.

— Bom — respondeu Draco, baixando a voz para um sussurro —, em parte, Potter. Mas tem outros benefícios, também. McKinnon, fatie minhas lagartas para mim.

— Eu vou fatiar é esse teu pin....

— Laranja, Longbottom! — Exclamou Snape, interrompendo minha frase, e, curiosa como sou, me virei para ver o que estava acontecendo. Snape havia apanhando um pouco de poção com a concha e deixando-a cair de volta no caldeirão, de modo que todos pudessem ver. — Laranja. Me diga, menino, será que alguma coisa penetra nessa sua cabeça dura? Você não me ouviu dizer, muito claramente, que só precisava pôr um baço de rato? Será que eu não disse, sem nenhum rodeio, que um nadinha de sumo de sanguessuga era suficiente? Que é que eu tenho de fazer para você entender, Longbottom?

Neville estava vermelho e trêmulo. Parecia prestes a chorar.

— Por favor, professor — disse Hermione —, eu poderia ajudar Neville a consertar...

— Eu não me lembro de ter lhe pedido para se exibir, Srta. Granger — Respondeu Snape friamente e Hermione ficou tão vermelha quanto Neville.

Eu senti meu corpo esquentar. Snape era simplesmente desprezível, não conseguia ver como um ser como aquele poderia ser professor. Era nojento.

— Longbottom, no final da aula vamos dar algumas gotas desta poção ao seu sapo e ver o que acontece. Quem sabe isto o estimule a preparar a poção corretamente.

O professor se afastou, deixando Neville sem fôlego de tanto medo.

— Me ajude! — Gemeu o menino para Hermione.

— Ei, Harry — disse Simas Finnigan, curvando-se para pedir emprestada a balança de latão de Harry —, você já soube? No Profeta Diário desta manhã, eles acham que avistaram Sirius Black.

— Onde? — Perguntaram Harry e Rony depressa, o ruivo estava prestando mais atenção do que eu dera credito. Do lado oposto da mesa, Draco ergueu os olhos, escutando a conversa atentamente.

Arquei a sobrancelha.

— Além de acéfalo é fofoqueiro. — Falei, revirando os olhos. — Tem capacidade cognitiva de entender frases além de "vou falar para o meu pai"?

Hoje parecia o dia do "tomate Malfoy", pois a face de Draco se avermelhou outra vez, e, por sorte, ele não conseguiu prestar atenção na conversa que rolava atrás de mim:

— Não muito longe daqui — respondeu Simas, que parecia excitado. — Foi visto por uma trouxa. Claro que ela não entendeu muito bem. Os trouxas acham que ele é apenas um criminoso comum, não é? Então ela telefonou para o número do plantão de emergência. Mas até o Ministério da Magia chegar lá, o Black já tinha sumido.

— Não muito longe daqui... — repetiu Rony, lançando a Harry um olhar sugestivo.

Eu não estava entendendo bulhufas, mas preferi focar em minha poção, terminado de misturar meus ingredientes, e, como Harry estava mais focado em fofocar, resolvi fazer uma boa ação, e, discretamente, terminei a poção dele.

— Os senhores já devem ter terminado de misturar os ingredientes. Essa poção precisa cozinhar antes de ser bebida; portanto guardem o seu material enquanto ela ferve e, então, vamos testar a do Longbottom...

Crabbe e Goyle riram abertamente, vendo Neville suar, enquanto mexia febrilmente sua poção. Hermione murmurava instruções para o garoto pelo canto da boca, para que Snape não visse. Harry, Rony e eu guardamos os ingredientes que não tínhamos usado — e os de Hermione — e fomos lavar as mãos e conchas na pia de pedra num canto da sala.

Com o fim da aula chegando, Snape encaminhou-se para Neville, que estava encolhido ao lado do seu caldeirão com uma expressão de pavor.

— Venham todos para cá — Disse o professor, seus olhos negros cintilando — e observem o que acontece ao sapo de Longbottom. Se ele conseguiu produzir uma Poção Redutora, o sapo vai virar um girino. Se, o que eu não duvido, ele não preparou a poção direito, o sapo provavelmente vai ser envenenado.

Os alunos da Grifinória observaram temerosos. Eu cruzei meus braços e encarei o espetáculo de Snape com um olhar de desprezo. Neville era um doce de pessoa, definitivamente não merecia aquilo.

O seboso apanhou Trevo, o sapo, com a mão esquerda e mergulhou, com a direita, uma colherinha na poção de Neville, que agora estava verde. Depois, deixou cair umas gotinhas na garganta de Trevo.

Houve um momento de silêncio, em que Trevo engoliu a poção; seguiu-se um estalinho e Trevo, o girino, pôs-se a se contorcer na palma da mão de Snape.

Os alunos da Grifinória desataram a aplaudir, e eu fiz o mesmo, mais alto que todos os outros. Snape, com a expressão mal-humorada, tirou um vidrinho do bolso das vestes, pingou algumas gotas em Trevo e ele reapareceu repentinamente adulto.

— Cinco pontos a menos para a Grifinória — anunciou ele, varrendo, assim, os sorrisos de todos os rostos. — Eu disse para não o ajudar, Srta. Granger. A turma está dispensada.

 

Subindo a escadaria do saguão de entrada, eu não segurei e esbravejei:

— Esse cara é desprezível! Como ele tem autorização para ensinar? Esse tipo de conduta em Ilvermorny renderia a ele uma bela demissão!

— Cinco pontos a menos para a Grifinória porque a poção estava certa! — Bradou Rony, tão, se não mais, revoltado que eu. — Por que você não mentiu, Mione? Devia ter dito que Neville fez tudo sozinho!

Hermione não respondeu. Rony olhou para os lados.

— Aonde é que ela foi?

Franzindo o cenho, me virei também, assim como Harry. Estávamos no alto da escadaria agora, vendo o resto da turma passar por nós a caminho do Salão Principal para almoçar.

— Ela estava logo atrás da gente — comentou Rony, franzindo as sobrancelhas.

Malfoy passou por nós, caminhando entre Crabbe e Goyle. Fez uma careta de riso para Harry e desapareceu.

— Lá está ela — disse Harry.

Hermione vinha ligeiramente ofegante, correndo escada acima; com uma das mãos, ela agarrava a mochila e com a outra parecia estar escondendo alguma coisa dentro das vestes.

— Como foi que você fez isso? — Perguntou Rony.

— O quê? — Perguntou, por sua vez, Hermione, se juntando afobada à nós.

— Em um minuto você está bem atrás da gente e no minuto seguinte está de volta ao pé da escada.

— Quê? — Hermione pareceu ligeiramente confusa. Eu estreitei meus olhos, aquele comportamento me soava extremamente suspeito. — Ah... Eu tive que voltar para ver uma coisa. Ah, não...

Uma costura se rompera na mochila da garota. Mas eu não me surpreendi; era visível que a mochila fora atochada com pelo menos doze livrões pesados.

— Por que está carregando tudo isso na mochila? — Perguntou Rony.

— Você sabe quantas matérias estou estudando — respondeu ela sem fôlego. — Será que podia segurar esses para mim?

— Mas... — Rony foi virando os livros que a amiga lhe passara para olhar as capas — você não tem nenhuma dessas matérias hoje. Só tem Defesa contra as Artes das Trevas, à tarde.

— É verdade — respondeu Hermione vagamente, mas guardou todos os livros na mochila assim mesmo. — Espero que tenha alguma coisa boa para o almoço, estou morta de fome — acrescentou, e se afastou em direção ao Salão Principal.

— Vocês também têm a impressão de que Mione não está contando alguma coisa à gente? — Perguntou Rony.

Conseguia me lembrar vagamente de uma cabeça castanha aprumada nas carteiras da frente na aula de Artimancia e Runas Antigas, mas agora a informação clicou. Aquela garota, que deveria estar na aula de Adivinhação na hora daquelas mesmas aulas, era Hermione. Eu nada disse. Não era tão próxima daqueles três assim, mas me parecia que Hermione estava usando um vira-tempo.

ヾ★ ゜

O Profº. Lupin não estava em sala quando chegamos para a primeira aula de Defesa contra as Artes das Trevas. O que eu estranhei, mas nada comentei. Todos se sentaram, tiraram das mochilas os livros, penas e pergaminho e passaram a conversar, e então o professor finalmente apareceu. Lupin sorriu vagamente e colocou a velha maleta surrada na escrivaninha.

Estava malvestido como sempre, mas parecia mais saudável do que virá no primeiro dia de aula, como se tivesse se alimentado mais.

— Boa tarde — cumprimentou ele. — Por favor, guardem todos os livros de volta nas mochilas. Hoje teremos uma aula prática. Os senhores só vão precisar das varinhas.

Alguns alunos se entreolharam, curiosos, enquanto guardavam os livros. Nunca tinha tido aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, e tinha altas expectativas para aquela matéria, e esperava não ser desapontada.

— Certo, então — disse o Profº. Lupin, quando todos estavam prontos. — Queiram me seguir.

Curiosa, troquei olhares com Hermione, a garota parecia positivamente surpresa.

Ele nos guiou por um corredor deserto e virou um canto, onde a primeira coisa que vimos foi o Pirraça, o poltergeist maldito, flutuando no ar de cabeça para baixo, e entupindo com chicletes o buraco da fechadura mais próxima.

Pirraça não ergueu os olhos até o professor chegar a mais ou menos meio metro; então, agitou os dedos dos pés e começou a cantar:

— Louco, lobo, Lupin — entoou ele. — Louco, lobo, Lupin...

Hein?

— Eu tiraria o chicle do buraco da fechadura se fosse você, Pirraça — disse ele gentilmente. — O Sr. Filch não vai poder apanhar as vassouras dele.

O poltergeist não deu a mínima atenção às palavras do professor a não ser para respondê-las com um ruído ofensivo e alto feito com a boca.

O professor deu um breve suspiro e tirou a varinha.

— Este é um feitiçozinho útil — disse à turma por cima do ombro. — Por favor observem com atenção.

Ele ergueu a varinha até a altura do ombro e disse:

— Uediuósi! — e apontou para Pirraça.

Com a força de uma bala, a pelota de chiclete disparou do buraco da fechadura e foi bater certeira na narina esquerda de Pirraça; o poltergeist virou de cabeça para cima e fugiu a grande velocidade, xingando.

— Maneiro, professor — exclamou Dino Thomas, atrás de nós, admirado.

— Obrigado, Dino — disse o professor tornando a guardar a varinha. — Vamos prosseguir?

Ao recomeçarmos a caminhada, encararei o professor com crescente respeito. Qualquer um que espantasse o Pirraça tinha meu eterno respeito e amor.

Lupin nos conduziu por um segundo corredor e parou bem à porta da sala de professores.

— Entrem, por favor — disse ele, abrindo a porta e se afastando para que nós passássemos.

Era uma sala comprida, revestida com painéis de madeira e mobiliada com cadeiras velhas e desaparelhadas, estava vazia, exceto por um ocupante. Snape estava sentado em uma poltrona baixa e ergueu os olhos para os alunos que entravam. Seus olhos brilhavam e ele tinha um arzinho de desdém em volta da boca. Quando o Profº. Lupin entrou e fez menção de fechar a porta, Snape falou:

— Pode deixá-la aberta, Lupin. Eu prefiro não estar presente.

E, dizendo isso, se levantou e passou pela turma, suas vestes negras se enfurnando às suas costas. À porta, o professor girou nos calcanhares e disse ao colega:

— Provavelmente ninguém o alertou, Lupin, mas essa turma tem Neville Longbottom. Eu o aconselharia a não confiar a esse menino nada que apresente dificuldade. A não ser que a Srta, Granger se incumba de cochichar instruções ao ouvido dele.

Ao meu lado, Neville ficou escarlate. Eu segurei minha língua, havia sido gentilmente alertada por Minerva para não responder a Snape, mas estava ficando cada vez mais difícil.

O Profº. Lupin ergueu as sobrancelhas.

— Pois eu pretendia chamar Neville para me ajudar na primeira etapa da operação, e tenho certeza de que ele vai fazer isso incrivelmente bem.

A cara de Neville ficou, se isso fosse possível, ainda mais vermelha. Snape revirou os lábios num trejeito de desdém, mas se retirou, batendo de leve a porta.

— Seboso! — Berrei, sem conseguir me segurar, fazendo boa parte da turma rir. — Que vontade de azarar ele até não poder mais!

Lupin me encarou um tanto quando alarmado, como se alguém tivesse gritado algo em outra língua para ele.

— Morgana! — Exclamou Hermione.

— Então... — Disse o professor, após alguns segundos, chamando, com um gesto, a turma para o fundo da sala, onde não havia nada exceto um velho armário velho. Quando o professor se postou ao lado, o armário subitamente se sacudiu, batendo na parede.

— Não se preocupem — disse ele calmamente — Há um bicho-papão aí dentro.

Eu ri, incrédula.

— Só um bicho-papão? — Comentei, dando um passo para trás. — Beleza, tranquilo.

Neville lançou ao professor um olhar de absoluto terror e Simas Finnigan mirou o puxador, que agora sacudia barulhentamente, com apreensão.

— Bichos-papões gostam de lugares escuros e fechados — informou o mestre. — Guarda-roupas, o vão embaixo das camas, os armários sob as pias... Eu já encontrei um alojado dentro de um relógio de parede antigo. Este aí se mudou para cá ontem à tarde e perguntei ao diretor se os professores poderiam deixá-lo para eu dar uma aula prática aos meus alunos do terceiro ano. Então, a primeira pergunta que devemos nos fazer é, o que é um bicho-papão?

Hermione levantou a mão.

— É um transformista — respondeu ela. — É capaz de assumir a forma do que achar que pode nos assustar mais.

— Eu mesmo não poderia ter dado uma definição melhor — disse o Profº. Lupin, e o rosto de Hermione se iluminou de orgulho.

— Ninguém sabe qual é a aparência de um bicho-papão quando está sozinho, mas quando eu o deixar sair, ele imediatamente se transformará naquilo que cada um de nós mais teme. Isto significa — continuou o Profº. Lupin, preferindo não dar atenção à breve exclamação de terror de Neville, o que me fez rir — que temos uma enorme vantagem sobre o bicho-papão para começar. Você já sabe qual é, Harry?

— Hum... porque somos muitos, ele não vai saber que forma tomar.

— Precisamente — concordou o professor e Hermione baixou a mão, parecendo um pouquinho desapontada, se não estivesse tão concentrada, poderia ter achado aquilo irritante. — Vejam, a coisa que realmente acaba com um bicho-papão é o riso. Então o que precisam fazer é forçá-lo a assumir uma forma que vocês achem engraçada. Vamos praticar o feitiço sem as varinhas primeiro. Repitam comigo, por favor.. Riddikulus!

— Riddikulus — repetiu a turma.

— Ótimo — aprovou o Profº. Lupin. — Muito bem. Mas receio que esta seja a parte mais fácil. Sabem, a palavra sozinha não basta. E é aqui que você vai entrar Neville.

O guarda-roupa recomeçou a tremer, embora não tanto quanto Neville, que se dirigiu para o móvel com lentidão, como se estivesse indo para a forca.

— Certo, Neville — disse o professor — Vamos começar pelo começo: Qual, você diria, que é a coisa que pode assustá-lo mais neste mundo?

Os lábios de Neville se mexeram, mas não emitiram som algum.

— Não ouvi o que você disse, Neville, me desculpe — disse o Profº. Lupin animado, se inclinando em direção ao garoto.

Neville olhou para os lados meio desesperado, como que suplicando a alguém que o ajudasse, depois disse, num sussurro quase inaudível:

— O Profº. Snape.

Quase todo mundo riu, mas eu não, aquilo era revoltante! Lupin, porém, ficou pensativo.

— Profº. Snape... Hummm... Neville, eu creio que você mora com a sua avó?

— Sim... Moro — disse Neville, nervoso. — Mas também não quero que o bicho-papão se transforme na minha avó.

— Não, não, você não entendeu — disse o professor, agora rindo. — Será que você podia nos descrever que tipo de roupas a sua avó normalmente usa?

Neville fez cara de espanto, mas disse:

— Bem... Sempre o mesmo chapéu. Um bem alto com um urubu empalhado na ponta. E um vestido comprido... Verde, normalmente... E às vezes uma raposa.

— E uma bolsa?

— Vermelha e bem grande.

— Certo então — disse o professor — Você é capaz de imaginar essas roupas com clareza, Neville? Você consegue vê-las mentalmente?

— Consigo — respondeu Neville, hesitante, obviamente não imaginando o que viria a seguir.

Eu já imaginava, então comecei a rir, recebendo alguns olhares de esguelha.

— Ah, como eu queria ter uma câmera agora! — Murmurei. Rony, Hermione e Harry me encararam sem entender.

— Quando o bicho-papão irromper daquele guarda-roupa, Neville, e vir você, ele vai assumir a forma do Profº. Snape. E você vai erguer a varinha... Assim... E gritar "Riddikulus"... E se concentrar com todas as suas forças nas roupas de sua avó. Se tudo correr bem, o Profº. Bicho-papão-Snape será forçado a vestir aquele chapéu com o urubu, aquele vestido verde e carregar aquela enorme bolsa vermelha.

Houve uma explosão de risos. O guarda-roupa sacudiu com maior violência.

— Professor! — Chamei, e Lupin virou para me encarar. — Posso ir buscar uma câmera? É rapidinho, prometo! — Falei, juntando as mãos e piscando os olhos, da forma mais charmosa que consegui.

O riso encheu a sala novamente. Lupin pareceu pensativo, como se realmente ponderasse a questão, por fim, ele somente sacudiu a varinha e a porta se abriu suavemente, e então ele sorriu e falou:

— Accio câmera!

O silêncio reinou por alguns segundos, mas eu sorri, conhecia aquele feitiço. Um zunido cortou o ar e então uma câmera apareceu na mão de Lupin.

— Isso, por sinal, é um feitiço convocatório. — Falou, me estendendo o objeto.

Eu o agarrei, feliz da vida. Dando pulinhos de alegria. Pensando distraidamente de que mão aquela câmera havia voado.

— Se Neville acertar, o bicho-papão provavelmente vai voltar a atenção para cada um de nós individualmente. — Prosseguiu ele normalmente, como se não tivesse acabado de me dar a arma que acabaria com a reputação de Snape — Eu gostaria que todos gastassem algum tempo, agora, para pensar na coisa de que têm mais medo e imaginar como poderia fazê-la parecer cômica...

Eu sabia qual era o meu maior medo: palhaços. Então não precisei pensar muito nisso, mas meus colegas aparentemente sim, já que Harry ficou com um semblante pensativo. Já Rony murmurava furiosamente algo que parecia suspeitosamente com: "arranque as pernas dela"

— Todos prontos? — Perguntou o Profº. Lupin.

Eu senti um frio na barriga. Aquela aula estava saindo melhor do que a encomenda! Prendendo a câmera contra o peito, eu me contive para não dar mais pulinhos, tamanha minha excitação.

— Neville, nós vamos recuar — disse o professor. — Assim você fica com o campo livre, está bem? Vou chamar o próximo a vir para frente... Todos para trás, agora, de modo que Neville tenha espaço para agitar a varinha.

Todos recuamos, encostando na parede, deixando Neville sozinho ao lado do guarda-roupa. Ele parecia apavorado, mas enrolara as mangas das vestes e segurava a varinha em posição.

— Quando eu contar três, Neville — avisou Lupin, que apontava a própria varinha para o puxador do armário. — Um... Dois... Três... Agora!

Um jorro de faíscas saltou da ponta da varinha do professor e bateu no puxador. O guarda-roupa se abriu com violência. Com o nariz curvo e ameaçador, o Profº. Snape saiu, os olhos faiscando para Neville. Ele recuou, de varinha no ar, balbuciando silenciosamente. Snape avançou para ele, apanhando alguma coisa dentro das vestes.

— R... R.. Riddikulus! — Esganiçou-se Neville.

Ouviu-se um ruído que lembrava o estalido de um chicote. Snape tropeçou; usava um vestido longo, enfeitado de rendas e um imenso chapéu de bruxo com um urubu carcomido de traças no alto, e sacudia uma enorme bolsa vermelho-vivo.

Houve uma explosão de risos; o bicho-papão parou, confuso, e aproveitei o momento e tirei a foto, rindo gostoso. Havia saído perfeita!

Profº. Lupin gritou:

— Parvati! Avante!

Parvati adiantou-se, com ar decidido. Snape avançou para ela. Ouviu-se outro estalo e onde o bicho-papão estivera havia agora uma múmia com as bandagens sujas de sangue; seu rosto tampado estava virado para Parvati e a múmia começou a andar para a garota muito lentamente, arrastando os pés, erguendo os braços duros...

— Riddikulus!— exclamou Parvati.

Uma bandagem se soltou aos pés da múmia; ela se enredou, caiu de cara no chão e sua cabeça rolou para longe do corpo.

— Simas — bradou o professor. Simas passou disparado por Parvati.

Craque! Onde estivera a múmia surgiu uma mulher de cabelos negros que iam até o chão e um rosto esverdeado e esquelético — um espírito agourento.

Ela escancarou a boca e um som espectral encheu a sala, um grito longo e choroso que fez meus cabelos ficarem em pé.

— Riddikulus! — Gritou Simas.

O espírito agourento emitiu um som rasgante, apertou a garganta com as mãos; sua voz sumiu.

Craque! O espírito agourento se transformou em um rato, que saiu correndo atrás do próprio rabo, em círculos, depois... Craque! Transformou-se em uma cascavel, que saiu deslizando e se contorcendo até que craque! Se transformou em um olho único e sangrento.

— Confundimos o bicho! — Gritou Lupin. — Já estamos quase no fim! Morgana!

Larguei a câmera nas mãos de Hermione e corri para frente.

Craque! O olho se transformou em palhaço gigante, o que me atordoou e gelou por alguns segundos, mas o barulho das vozes atrás de mim logo me acordou.

— Riddikulus! — Berrei.

Ouviu-se um estalo e então o palhaço agora era um homem vestindo roupas de balé e deslizando em patins.

— Excelente! Rony, você é o próximo!

Rony correu para frente aos pulos.

Craque!

Um grito escapou por minha garganta. Uma aranha gigantesca e peluda, com quase dois metros de altura, avançou para Rony, batendo as pinças ameaçadoramente.

— Riddikulus! — Berrou Rony, e as pernas da aranha desapareceram; ela ficou rolando pelo chão; Lilá Brown deu um grito agudo e se afastou correndo do caminho da aranha até que ela parou aos pés de Harry. O garoto ergueu a varinha, preparou-se, mas...

— Tome! — Gritou o Profº. Lupin de repente, correndo para frente.

Craque!

A aranha sem pernas sumira. Por um segundo todos olharam assustados para os lados para ver o que aparecera. Então viram um globo branco-prateado pendurado no ar diante de Lupin, e ele disse "Riddikulus" quase descansadamente.

Aquilo era uma lua...

Craque!

— Para frente, Neville, e acabe com ela! — Mandou o professor quando o bicho-papão aterrissou no chão sob a forma de uma barata.

Craque! E Snape reapareceu. Desta vez, Neville avançou parecendo decidido.

— Riddikulus! — Gritou, e, por uma fração de segundo, seus colegas tiveram uma visão de Snape com seu vestido de rendas, um flash atrás de mim me fez perceber que Hermione tinha tirando uma foto, antes de Neville soltar uma grande gargalhada e o bicho-papão explodir em milhares de fiapinhos minúsculos de fumaça, e desaparecer.

— Excelente! — Exclamou o Profº. Lupin enquanto a classe aplaudia com entusiasmo. — Excelente, Neville. Muito bem, pessoal... Deixe-me ver... Cinco pontos para a Grifinória para cada pessoa que enfrentou o bicho-papão, dez para Neville porque ele o enfrentou duas vezes e cinco para Harry e para Hermione.

— Mas eu não fiz nada! — Protestou Harry.

— Você e Hermione responderam às minhas perguntas corretamente no início da aula, Harry — respondeu Lupin gentilmente. — Muito bem, pessoal, foi uma aula excelente. Dever de casa: por favor, leiam o capítulo sobre os bichos-papões e façam um resumo para me entregar... Na segunda-feira. E por hoje é só.

Falando agitados, os alunos deixaram a sala dos professores.

— Você me viu enfrentar aquele espírito agourento? — Perguntava Simas aos gritos.

— E a mão! — Disse Dino, agitando a própria mão no ar.

— E o Snape naquele chapéu!

— Pessoal, vai ter fotos para todos — Gritei no meio da muvuca, rindo.

O corredor explodiu em gritos.

— Essa foi a melhor aula de Defesa contra as Artes das Trevas que já tivemos, vocês não acham? — Disse Rony excitado quando refaziam o caminho até a sala de aula para apanhar as mochilas.

— Ele parece um bom professor — comentou Hermione em tom de aprovação. — Mas eu gostaria de ter podido enfrentar o bicho-papão...

— O que ele teria sido para você? — Perguntou Rony dando risadinhas. — Um dever de casa que só mereceu nota nove em dez?

O tapa que Rony levou no braço ecoou pelo corredor, me fazendo rir mais ainda. É, talvez Hogwarts não fosse tão ruim assim.  


Notas Finais


Reviews? (Não se esqueçam das reviews, amorecos)

XOXO ♥


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