História Morning light - Nian - Capítulo 34


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Categorias Candice Accola, Claire Holt, Ian Somerhalder, Katerina Graham, Michael Malarkey, Nina Dobrev, Paul Walker, The Vampire Diaries
Personagens Bonnie Bennett, Caroline Forbes, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Enzo, Malachai "Kai" Parker, Matt Donovan, Stefan Salvatore
Tags Ian Somerhalder, Nian, Nina Dobrev
Visualizações 67
Palavras 3.562
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá amores "turo" bom?
Mais um capitulo pra vocês


Boa leitura!!!

Capítulo 34 - Fired


Fanfic / Fanfiction Morning light - Nian - Capítulo 34 - Fired

POV Nina

Encerro a chamada no telefone da LeCher e o pouso sobre a base. Era Candice. Ela disse que ligou muitas vezes ao meu celular (desligado). Eu não contei a ela que o mantive assim intencionalmente. Minha cunhada faria perguntas, às quais não quero responder. Não agora.

Acordei com outra daquelas enxaquecas que praticamente me inutilizam para o dia. Está sendo assim a semana toda. Encaro os esboços abstratos do que estou tentando criar, estendidos em minha frente num amontoado de papéis. Não consigo fazer sair qualquer coisa aproveitável. Há dias venho tendo uma porcaria de bloqueio criativo. Tenho prazo para entregar este projeto e simplesmente não consigo. Solto o lápis e fecho os olhos por alguns instantes, açoitada pela lembrança de como foi encontrar Ian ontem à noite. Sua reação quando soube que Paul é meu irmão me despedaçou, ainda mais, se é possível. Pude ver em primeira mão seu alívio junto à irritação, mal identificando qual predominava. Tão perto como estávamos, pude inalar seu perfume e deixá-lo entrar por meu organismo, acalentando-me como um tipo de droga calmante, em contraste às batidas descompassadas do meu peito. Este é o poder que aquele homem tem sobre mim, de maneira que nenhum outro jamais teve. Aperto a ponta do nariz, relembrando as palavras ditas na conversa mais curta e sem sentido que já tivemos.

Flashback on

— Qual é o seu problema? Por que não fala comigo? — ele exigiu em voz baixa, livre dos ouvidos de sua filha e meu irmão, nitidamente controlando a agitação que pude detectar em seu olhar.

— Não hoje, Ian… Por favor — sibilei um pedido (sendo bem sincera, praticamente implorei). A forma decepcionada como me encarou, o jeito como seus olhos se estreitaram sobre mim, parecendo me enxergar pela primeira vez e não gostar do que via, me afetou completamente.

— Então quando, se você está fugindo todo esse maldito tempo?

— Nós iremos conversar. Eu prometo — sussurrei… sem intenção cumprir. Tudo o que eu queria era me enfiar em seus braços e dizer o quanto sinto sua falta. O quanto estou dormente com a distância… mas não o fiz. E, em frente à Ana e Paul, eu me aproveitei do bom senso de Ian e fugi, mais uma vez. É estúpido agir assim, eu sei. Estou tentando reforçar para mim mesma que este é o certo a se fazer, que a dor da separação agora é muito menor do que as consequências se outro incidente daqueles acontecer com sua filha.

Flashback off

O problema é que, a cada novo dia, essa convicção fica mais fraca. Estou num ponto no qual já não tenho certeza de que estar separados é tão melhor assim. Sinto muita falta do que tínhamos, falta até mesmo de tomar o café da manhã com eles, da interação num momento tão rotineiro, dos risinhos vivos da menina, as matraquices sem filtro do tipo “Você gosta de bebezinhos, Nina?” , que faziam seu pai rir, por trás da xícara de café, e aqueciam meu coração de um jeito inédito.

 Será que algum dia vou conseguir superar isso?

Rá. Meu lábio se repuxa num riso sem vida, pensando na ironia do destino. Há alguns meses, eu mesma incentivava Kat a se abrir com o Michael, a não fugir dele… e hoje me encontro em uma situação igual. Lembro exatamente do conselho que dei a ela: ficar com aquele homem era o melhor para Kat… é mais fácil quando não é de nossa vida que estamos falando.

Droga.

Pego a última folha desenhada e a amasso numa bola de papel como as outras. Preciso me concentrar no trabalho e tirar um pouco o foco desta confusão. Diante de uma nova folha em branco, sem inspiração, penso em Ana. No seu amor por vestidos e princesas, a forma quase mística como ela age em meio a todos os tecidos, cores e texturas. Eu me sentia assim até pouco tempo atrás. Todas as coleções que estão exibidas em nossa galeria de fotos, criadas por mim, foram feitas com essa mesma energia pulsando nas veias. O problema é que não consigo mais encontrar aquele sentimento aqui, em meu interior, e…

Mas o que…?

De repente, minha bolha de pensamentos estoura quando assisto, através das paredes de vidro de minha sala, Joseph passar pelo corredor como um tornado. A pressa e a maneira com que sua mão está escondendo a boca revela que há algo fora do lugar com ele. E eu preciso saber o que é. Num impulso, empurro a cadeira para trás e me adianto em segui-lo. Já no corredor, pego um vislumbre da ponta de seu casaco entrando no banheiro masculino. Dane-se. Apresso meus passos e espalmo a porta do lugar.

— Joseph? — pergunto para o espaço vazio. O soluço dentro de uma das cabines me indica a porta certa. — Por que você está chorando? — Não entendo porcaria nenhuma do que ele fala em meio ao pranto. Suspiro, calma. — Deus, homem, eu não entendi nada, abra a porta… — forço-me a não demonstrar, mas seu estado me assusta. Nunca o vi chorando — Vamos, Joseph, abra pra mim, por favor… — Segundos de soluços, depois um clique na fechadura e ali está ele. Sentado na privada, olhos vermelhos, o rosto uma bagunça de lágrimas e nariz escorrendo.

— Ele está se vingando de mim, Nina… Eu nunca… Ele sabe que eu…! — diz nada com nada e volta a soluçar.

— Ele quem? O Bob? — dou um passo para dentro, pego o rolo de papel higiênico, envolvo um bom tanto na mão e ofereço a ele — O que ele fez? — Joseph aceita e assoa o nariz ruidosamente.

— Não, não o Bob… É o Jonh. Aquele, aquele idiota sabe d-do rolo entre eu e o Bob… — mais lágrimas e fungadas — E ele… — não entendo o restante do que tenta contar, sua voz embargada se mistura ao choro. Mas seja lá o que for, somente por ter o nome da Miranda Priestly em versão masculina envolvido, sei que não é bom.

— Eu não entendi nada. O que Jonh fez, Joseph? Pare de chorar e me conte com calma. — Seus olhos aflitos encontram os meus.

— Ele me demitiu, Nina! Me demitiu!

Oh, merda…

— Como é? — Os ombros do homem tremem, anunciando que um novo pranto o interromperá. Abaixo-me no minúsculo banheiro e fico diante dele, tomando uma longa respiração para não agir precipitadamente.

— Joseph, me conte isto bem certinho, por favor.

— Ele me chamou lá, reclamou do meu trabalho, disse que eu mandei os seus croquis errados… — gesticula com as mãos sem parar — Disse que estou muito desatento ultimamente e que não vê outra alternativa a não ser me demitir! Mas eu sei que isso é pessoal! Eu sei que ele me detesta por eu ter me envolvido com o Bob… E-eles voltaram, Nina! Os dois voltaram! — Não sei se sua dor é maior por perder o emprego ou por Bob reatar com o detestável diretor. No entanto, seja lá o que for, aquele estúpido não tinha esse direito. Ele não podia ter demitido alguém da minha equipe sem conversar comigo. E já não consigo mais raciocinar com coesão. Meu limite com aquele homem se excedeu há algum tempo. Vim empurrando com a barriga até aqui, mas isto é a gota d'água. Levanto-me, determinada, e sigo na direção da sala dele. Minhas mãos tremem de exaltação. Pelo caminho, percebo os olhares especulativos em mim. Pouco me importo.

Diante da porta do miserável, entro sem bater, e o pego numa “reunião” com ninguém menos do que o próprio Bob. Ótimo que os dois estejam aqui.

— Como você pôde? — Seus olhos obscuros se arregalam sutilmente.

— Nikolina, eu estou em meio a…

— Dane-se o que quer que vocês dois estejam fazendo. Como você pôde misturar as suas merdas pessoais aqui e demitir alguém da minha equipe sem ao menos falar comigo? — Jonh se levanta da pomposa cadeira de diretor.

— Eu vou te dar um aviso; é melhor você sair agora, Nikolina, ou…

— Ou o quê? Vai me demitir também? Vai mandar embora a pessoa que te sustenta nessa cadeira ridícula? — mudo minha atenção para o outro homem, sentado, que assiste a tudo perdendo a cor — E você, Bob? É assim que você se livra dos seus rolos? Mandando que seu amantezinho aí despeça o Joseph sem nenhuma consideração? Ele gosta de você. Gosta de você, seu imbecil! — praticamente enfio meu dedo na cara dele — Eu tive que ouvir a lamentação dele durante dias por sua causa, por você ficar nessa maldita ida e vinda com este idiota aí e mal saber valorizar quem realmente te quer!

— Eu não te dou o direito de entrar aqui e me desrespeitar deste jeito, Nikolina. Saia agora… — Jonh eleva o tom, não perdendo a pose “masculina” de chefe.

— Eu não sabia… — Bob balbucia em um misto de vergonha e espanto. Semicerro meus olhos e tenho a impressão de que Bob de fato parece… surpreso.

Rá. Mas que maravilha.

Falsamente calma, viro-me para o enrustido sem ética. — Que forma mais fácil de resolver um problema, não é, Jonh? Dispensa o cara que está saindo com seu homem para afastar a concorrência… — bato levemente meu dedo indicador contra o queixo, simulando uma reflexão — No entanto, também não tem intenção nenhuma de assumi-lo — dou um olhar breve para Bob — Porque Bob, você sabe melhor do que ninguém que vocês estão juntos, mas nem em sonhos esse sujeito aí vai te assumir como parceiro — enquanto vou falando, Jonh vai avermelhando, como uma chaleira aquecendo — Um chefe incompetente, injusto, antiprofissional e um namorado cretino — listo com os dedos, ironicamente — Impressionante! O que era uma postura elegante se transforma em alguém seriamente raivoso apontando para a porta, num ímpeto.

— Pois junte-se a ele, Nikolina! Você está demitida! Suma daqui! Suma! — rugiria como um leão, se não fosse um gatinho. Eu quero acertar a cabeça dele. Quero descontar toda a frustração acumulada por esse mal caráter, tive de engoli-lo me boicotando por anos… e…

Quando dou por mim...

estou com a primeira coisa que vejo em minha frente (uma estatueta em formato de agulha; troféu do último prêmio que ganhamos) arremessando na cabeça do desgraçado. Ele se desvia a tempo do objeto bater contra a parede de vidro atrás dele num estrondo violento e  quebrar-se ao meio. A parede permanece intacta. O infeliz grita algumas coisas – sobre eu ser uma maluca, eu acho –, que não escuto, impedida pela adrenalina. Pego a segunda coisa que vejo: um porta-canetas de acrílico. Desta vez, não erro. O objeto voa diretamente em sua testa. No piscar de olhos seguinte, o caos está instaurado. O imbecil se encolhe na cadeira, esbravejando pela ferida; Bob não sabe se me impede ou o socorre; e mais pessoas entram na sala, incluindo Joseph.

Pode parecer injusto… e, na verdade, é. Contudo, enquanto assisto ao estrago que fiz na cabeça do cara, vejo a médica cobra diante de mim e o sentimento só me faz querer acertá-lo ainda mais.

— Nina… É-é melhor a gente ir… — Joseph cochicha com lágrimas interrompidas, em choque.

— A culpa é sua! — Jonh ainda grita apontando para Joseph. Bob olha entre um homem e outro, visivelmente dividido. 

Babaca indeciso!

— Quer saber? Vamos sair daqui, Joseph. Nenhum deles merece um minuto do nosso dia. — Agarro a mão de Joseph e saio puxando-o comigo, como duas crianças encrenqueiras em uma briga de escola. A equipe toda me olha com discretos sorrisinhos. Acho que lavei a alma de muita gente hoje, inclusive a minha.

 — Adentro! — grito, complementando o brinde, e viro o líquido ardido. Não são nem quatro da tarde e estamos aqui, no bar próximo à empresa, entornando maravilhosas tequilas!

— Você tem que voltar pra aquele homem, chefa! — Joseph grita, em estado de alegria, como eu mesma me sinto depois de abrir meu coração para ele.

— Não posso. Eu s-souu um perigo para eles, Joseph…

— Bem, depois de ver o que você é capaz de fazer com um porta-canetas, eu tenho de concordar! — Joseph joga a cabeça pra trás, numa gargalhada afetada. Faço uma careta descontente.

— Isto foi uma tentativa de fazer eu me sentir melhor?

— Não, realmente não — ele se debruça pra frente, segurando a cabeça entre as mãos, indo do riso extremo ao lamento profundo — Por que a gente não tem sorte no amor, hein? — Limpo a boca.

— Você tem sorte, Joseph. Bob é que é um cego… Mas ele vai ver o erro que cometeu e correr atrás de você assim, ó: — tento estalar os dedos (por duas vezes), em vão. Desisto e começo a brincar com a borda do outro copinho cheio, pronto para ser entornado.

Estou uma bagunça… uma bagunça desempregada, para que fique registrado.

— E eu também tenho sorte… — reflito tardiamente — Eu amo aqueles dois… amo mesmo — mando a dose para dentro.

Argh!

Arde como o  inferno!

—Tô sentindo uma falta desgraçada deles, Joseph.

— Eu também, rainha…

— Quer saber? Aquele homem não te merece, não te merece. Qualquer um que escolha o Jonh em vez de um cara bom como você não te me-re-ce — um soluço escapa, atrapalhando a última palavra. Joseph emite um estranho som de dor.

— E agora eu não tenho emprego… — resmunga.

— Somos dois! Um brinde à nossa situação de merda!

E mais outro e outro brinde, até tudo começar a rodar.

(...)

— Joseph, você tem certeza que esse seu amigo sabe o que está fazendo? — sussurro, desajeitada, contra a nuca dele, ao me inclinar para o banco da frente. Bêbados, meu ex-assistente ligou para um amigo vir nos buscar.

O garoto veio… porém a pé.

Com meu carro em frente ao bar e Joseph dizendo que ele tirou a carteira de motorista há alguns meses, não houve dúvidas do que fazer. O rapaz agora está manobrando o veículo para fora da vaga na rua, em algumas tentativas. Mesmo alta de álcool, posso constatar sua pouca familiaridade com um volante.

— Sabe sim, chefa… ic… ic… — soluça — Ele tem carteira de motorista.

— Que Deus nos ajude — brinco, rindo feito uma imbecil, e deixo minhas costas caírem de volta ao encosto do banco traseiro. Ouço a aceleração aguda. O carro dá um tranco e morre uma ou duas vezes mais, e então vem o embalinho agradável. Ele pegou o jeito. Fecho os olhos e desfruto da tonteira e enjoo.

Eu mereço.

Desempregada, fugindo do cara que eu amo, bêbada em pleno horário comercial de um dia de semana…

Poderia acontecer mais alguma coisa?

A freada bruta, minha cara indo para frente e se chocando com força contra o encosto de cabeça do banco dianteiro é uma boa resposta do universo.

— Ouuw! — O baque me devolve para o banco de trás, bruscamente.

— Ai meu Deus, ai meu Deus, eu bati! — o amigo de Joseph se desespera. Eu gostaria de abrir a boca e confortá-lo, falar para ele ficar calmo, mas agora tudo está tão macio, tão quentinho. Eu quero tanto dormir um pouquinho e acabar com esta fase ruim…

POV Ian

O trânsito se abre conforme a ambulância vai costurando seu caminho. A sirene alta é como o cajado de Moisés afastando o mar. Pelo menos isto esta cidade respeita. Verifico o chamado: choque entre veículos, com vítimas. Situação comum para o horário, todos começam a sair de seus trabalhos com pressa, o resultado é esse. Vamos nos aproximando do local e, mesmo de longe, o que meus olhos focalizam aperta minhas entranhas, trazendo o amargor da bile à boca.

Aquele veículo, a cor… e finalmente, a placa…

— Inferno, Claire, é o carro da Nina… — resmungo e salto para fora com a bolsa em mãos, antes mesmo da ambulância parar. Corro os passos que faltam, analisando criticamente o cenário. Batida frontal leve. Um garoto fora do carro gesticula sem parar e fala com curiosos, obviamente nervoso. No banco da frente, está o homem que conheci em sua casa, colega de trabalho dela. Ele parece bem, sem nenhuma lesão grave aparente. E não a vejo em lugar nenhum.

— Oh, vocês chegaram! — o jovem se exaspera, assustado.

— Onde está a vítima? — pergunto sem cumprir o protocolo de apresentação. Minha urgência é maior.

— Ai, moço, eles estão dentro do carro! — Eles? Espreito para dentro do SUV… e então eu a vejo. No banco de trás, olhos fechados, cabeça apoiada contra o estofamento. O vidro escurecido não me permite enxergar nada além disso.

— Claire, fique com o passageiro, eu vou cuidar dela — delego e imediatamente me dirijo para sua porta, abrindo-a. Merda. Nina tem um ferimento no supercílio, jorrando sangue.

— Nina, amor… — sussurro diante de seu rosto.

— Deus, outra fantasia? — ela resmunga, incoerente. O cheiro em seu hálito não deixa dúvidas. A mulher andou bebendo além da conta.

 

POV Nina

— Abra os olhos para mim, amor… — a voz suave é como se ele realmente estivesse aqui — Eu preciso que você abra seus olhos e foque em mim, você pode fazer isso? — Droga, eu até posso ver em minha mente seu corpo vestido naquele uniforme espetacular.

— Tudo Ian, por você eu faço tudo… — tento fazer uma voz sedutora, porém o que sai é um chiado desajeitado — Eu quero ser salva por você, me salve doutor… — Uma mão quente, macia, toca meu rosto, e, estranhamente, parece real demais, assim como seu cheiro.

Espera…

Eu não estou…?

Luto com força para abrir os olhos e…

Oh. Meu. Pai.

É ele.

Ian diante de mim, encarando-me com preocupação e censura. Isso é fantástico! É como atrair algo com a força do pensamento… Eu não acreditava, mas não é que é verdade aquilo que dizem:

se você quer muito alguma coisa, ela pode ser atraída para você!

Eu o atraí com a força do meu pensamento, isso é demais, não é?!

— Oi… — murmuro, feliz em vê-lo.

— Eu preciso que você mantenha seus olhos em mim, Nina. Não os feche, sim? Diga-me, o que está sentindo?

 — Sono, Ian. Eu quero muito te olhar, eu poderia fazer isto para o reeestooo da minha vida… Mas tô com um pouquinho de sono.

— Não durma, apenas foque em mim, certo? — apesar da amabilidade, eu o sinto mais sério, mais distante de mim. Isso dói mais do que minha cabeça.

— Aham… — concordo, e calo-me por…

— Foi eu que te trouxe aqui, sabia? —  Escuto uma voz feminina dizendo que o outro passageiro está bem. Ouço Joseph explicar coisas, tão ou mais bêbado do que eu. A voz feminina pede que ele não se mova, avisa que outra unidade está vindo para transportá-lo também. Mais sirenes. Vozes. Não demora, meu corpo é retirado do veículo… no colo dele, logo depois de um objeto ser colocado em meu pescoço. É duro.

Ian diz algo sobre um imobilizador, mas é difícil manter a concentração. Ele me deita numa superfície durinha. Vejo o céu acima de minha cabeça ganhando contornos de final de tarde, e então, depois de um embalo gostoso, o cenário muda. O teto do interior de um veículo bem iluminado é tudo o que enxergo. Pisco algumas vezes, confortavelmente, apesar de tudo. A luz afugenta um pouquinho do sono. Ian e eu estamos sozinhos aqui, enquanto alguém dirige; sei disso pelo balanço abaixo de mim. Em meio à brisa em que se encontra meu cérebro, tudo o que consigo fazer é encarar o par de olhos trabalhando em meu rosto, mas evitando os meus. Deus, eu nem mesmo posso conter a lágrima, e não é de dor pelo ferimento.

Sinto tanta falta dele, tanta.

 — Seus olhos são os mais lindos que eu já vi… — minha língua dança enrolada ao recitar as palavras. Ian não diz nada, somente permanece trabalhando em limpar o local. Seu maxilar enrijecido ressalta o músculo pulsando, demonstrando o esforço do homem para me ignorar. Lindo demais, o danado.

— Sabe, eu gosto tanto dessa sua serieeedade… — a fala sai vergonhosamente arrastada — É uma das coisas que mais gosto em você, entre taaantas coisas, porque você é muito bom, em tudo, tudo mesmo… Por isso eu gosto de tudo… — Observo suas narinas dilatarem numa expiração densa. Por um instante, ele interrompe o movimento de cuidar do meu rosto, sem ainda me olhar nos olhos.

— Gosta, mas não me quer ao seu lado. Curioso, não? — o som grave de acusação entra como uma adaga no lugar mais profundo dentro de mim.

— Eu te quero. Quero muito. Este é o problema… não tô conseguindo me afastar. — E, pela primeira vez desde que me colocou aqui, ele me encara. Encara de verdade. Com tanta intensidade que meu peito deixa de se mover e o ar se torna insuficiente dentro da ambulância.

— Então não se afaste, Nina.

Então não se afaste.

 A frase cria ecos nos meus ouvidos. Fecho os olhos por um momento. Deus, é impossível lutar contra isso. Me perdoe por eu ser egoísta. Eu não consigo mais ficar longe dele. Não dá mais.

— Estamos chegando ao Hospital Ian— a voz da mulher avisa. Hospital … justamente lá?

— Eu não quero ir para lá…

— Você precisa ser checada, fazer exames, Nina — afirma num modo “médico no comando” , reassumindo a situação sem deixar margens para discussão.

 — Oh, sim, e você vai me deixar nas mãos da cobra apaixonada que se finge de sua amiga… — enrugo o lábio de lado, realmente aborrecida. Este dia não poderia terminar melhor. Seus olhos, fixos em mim, estreitam-se; as sobrancelhas se franzem.

— De quem você está falando? — o homem questiona baixo, seu tom insondável, mas a desconfiança está bem ali, encarando-me.

 — Ela não é sua amiga, Ian, ela quer você custe o que custar…


Notas Finais


Como prometido mais um capitulo pra vocês amores!!!
Comentem pra eu saber se estão curtindo.

Beijinhos e até


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