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História MORPHEUS: between life and dream - Capítulo 8


Escrita por: e mwanglly


Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 8 - Defying the sun


JAEBEOM


Nunca me senti tão frustrado em toda a minha curta vida. O dia em que eu ouvi e o reconheci no meio de uma multidão no plano real, foi o mesmo dia que o perdi de vista. Não fazia sentido. Será que os seres divinos me odiavam tanto a ponto de me deixarem provar do que eu tanto queria só para depois tirar de mim e rir da minha cara? Eu precisava ir para casa, eu precisava colocar meus pensamentos e sentimentos no lugar para poder agir. De jeito nenhum eu iria desistir de encontrá-lo, não justo agora que sei que ele está mais perto de mim do que eu imaginava.


"Que se dane essa palestra. Preciso sair daqui o mais rápido possível."


O sentimento de urgência surgiu em minha mente e me dominou de uma forma que me fez sair correndo do auditório sem me importar com o barulho que eu fiz e nem com minha falta de educação. Disparei em direção à saída do campus e só parei de correr quando avistei o ponto de ônibus. Só entendi o motivo da minha pressa em sair no momento em que as lágrimas começaram a sair de meus olhos sem a minha permissão. Quando foi a última vez que eu tinha chorado? Não conseguia me lembrar. A única coisa que tinha certeza era que jamais chorei com tanta intensidade como naquele momento, pois não conseguia ao menos me controlar e chorar baixo, pois meu corpo não respondia mais aos meus comandos, me fazendo gritar e espernear, mesmo estando no meio da rua, tamanha era a frustração que habitava meu peito.


Permaneci em prantos, sentado no ponto de ônibus, da maneira mais patética imaginável, por provavelmente vinte minutos. Agradeci internamente por todas as almas apáticas e sem compaixão que passaram por mim sem me perguntarem se eu estava bem ou a causa do meu choro, eu ficaria muito envergonhado e não saberia o que responder, então foi melhor assim. Finalmente me controlei e peguei o ônibus com destino ao meu bairro. No trajeto, pude perceber que todo aquele choro não foi só pelo acontecimento do dia, mas sim tristeza, mágoa e frustração acumuladas em mim sem que eu tivesse percebido. Pensando bem, era até de se esperar um surto meu, devido o meu histórico de guardar absolutamente tudo para mim e jamais dizer o que estou pensando. De alguma maneira, foi bom eu ter expulsado, pelo menos por um tempo, os sentimentos ruins que me sondavam e me senti um pouco mais leve, apesar de não ter esquecido o que tinha acontecido há pouco tempo atrás.


Eram 2:30 da tarde quando cheguei em casa. Fiquei irritado ao perceber que era muito cedo para dormir e encontrar com ele em meus sonhos. Decidi não deixar a ansiedade me enlouquecer e pensei em várias coisas para matar o tempo. Comecei tomando um longo banho. Geralmente eu não me demorava muito em meus banhos, pois nunca gostei de desperdício, mas foi bom pelo menos uma vez demorar bastante para sair com o corpo e alma lavados e também pensar em meus próximos passos para finalmente conhecer o menino dos meus sonhos na vida real. Não dava para estudar naquele momento, eu nunca fui fã das matérias do meu curso e não seria justo no momento em que minha vida tinha virado de cabeça para baixo que eu iria focar nos estudos. Risquei "estudar" da minha lista de coisas a fazer para passar o tempo e fui direto para a minha escrivaninha compor minhas músicas inspiradas no unico dono dos meus pensamentos.


Ser capaz de criar letras de músicas através de sentimentos guardados em minha alma é um dom sagrado que eu tive a sorte de ser agraciado. Desde que descobri este dom, sem querer, após um sonho horrível ter visitado meu subconsciente em uma noite quando eu era criança, decidi reservá-lo e usá-lo somente em razão a um propósito, que era trazer paz, mesmo que temporária, para alguém que passava praticamente a vida inteira convivendo com a dor e a tristeza. Sempre tive dúvidas se minha música chegava ou não até os ouvidos dele, por isso tratava sempre de escrever letra por letra em meu caderno e dar nome a todas as músicas, alimentando, assim, a minha esperança de um dia encontrá-lo e ser capaz de mostrar todas as coisas bonitas que ele me inspirou a escrever. Consegui colocar minha cabeça no lugar e ganhei ainda mais força de vontade e convicção de vê-lo e finalmente conseguir o ajudar de alguma forma. 


"Nem que eu tenha que revirar aquela faculdade pelo avesso, eu vou conseguir achar o ponto vou fazer o possível e o impossível."


Só me dei conta que o tempo havia passado quando minha mãe bateu na porta perguntando se eu queria jantar. Fiquei sem comer desde manhã e nem tinha percebido, então agradeci mentalmente à minha mãe por sempre me alimentar. Às vezes, me batia certo arrependimento de não demonstrar meus sentimentos pelos meus pais e agradecê-los por me darem uma vida boa. Um dia, quando tudo se encaixar, serei um filho melhor para eles.


A tão esperada hora de dormir havia chegado e eu estava uma pilha de nervos. "Será que ele me reconheceu hoje? Será que ele também pode me enxergar em seus sonhos? Será que finalmente vou encontrar uma pista e descobrir mais sobre ele?". Mil perguntas rodeavam minha cabeça e me deixavam tonto de ansiedade e medo. Ainda existia a possibilidade, que não podia ser descartada, de ele não ter a mínima ideia de quem sou eu e isso me deixava muito angustiado. Me obriguei a tomar um chá de camomila para me acalmar, afastar o pessimismo de mim e finalmente conseguir dormir.


•••


Imagens borradas, as quais eu já estava acostumado, tomaram conta do meu subconsciente. Pronto, estava observando o dia dele novamente. "Se concentre, Jaebeom.", disse para mim mesmo como se fosse um locutor de filme avisando coisas importantes. Qualquer detalhe poderia ser importante, qualquer coisa vista por mim poderia ser uma pista, eu só precisava me manter atento.


Pude perceber ele caminhando, provavelmente com destino à sua casa, mas, estranhamente, ele estava de costas para mim, bloqueando minha visão de seu rosto. Eu tentei de todas as maneiras enxergar seus olhos, mas não dominava o sonho, nunca dominei, então só podia esperar para que a imagem mudasse de perspectiva, se mudasse.


As coisas ruins, presentes em quase todos os sonhos, não demoraram a acontecer. É muito triste ter que admitir que já espero por isso, pois faz parte de sua rotina. Jamais irei me acostumar com esta situação medonha, até porque tenho fé que tudo terá um fim bom. Eu conseguia apenas ouvir ruídos de coisas se quebrando, gritos sufocados e a porta sendo esmurrada com muita força. Me desesperava o fato de não conseguir de jeito nenhum enxergar seus olhos e quando ele finalmente foi mostrado de frente para mim, ele estava inteiramente borrado, como tudo em meu sonho. Eu sabia que ele estava chorando e que tentava abrir a porta urgentemente, dava para sentir sua dor, mas qual era o maldito motivo de eu não conseguir enxergar a única parte de seu corpo que sempre me foi permitida? Era algum tipo de aviso? Algum castigo? Eu não sabia o porquê de terem tirado de mim a possibilidade de ver as duas coisas mais lindas existentes dos dois mundos. De repente, me senti sufocado e a imagem começou a ficar cada vez mais distorcida, como se tudo estivesse se esvaindo do nada e eu estivesse indo junto. Não conseguia me mover e o desespero só aumentava, até que tudo se tornou um grande vazio. A sensação era de constante queda, como se eu fosse permanecer no nada, no esquecimento, para  sempre…


•••


Acordei dando um pulo da cama, me segurando para não gritar de susto e acabar acordando meus pais. Meus cabelos estavam todos grudados no meu rosto e eu estava ensopado de suor, o que não fazia o menor sentido, pois o clima lá fora era frio. Levei uma das mãos até minha testa e percebi que estava ardendo em febre. Que diabos estava acontecendo comigo? O que esse pesadelo significava? A vontade de chorar copiosamente pela grande frustração que eu sentia apareceu novamente, só que desta vez eu estava com muita raiva para pensar em chorar, só precisava descontar de alguma forma e não seria fraco outra vez a ponto de me entregar para o choro e lamentação. Abri as duas portas de correr do meu quarto, que levavam até a pequena varanda existentes no meu cômodo e deixei o sol invadir o lugar que antes estava um breu. Já era manhã, o dia amanheceu e as horas iam se passando como se nada tivesse acontecido, como se o mundo não tivesse acabado em meus sonhos. Olhar para aquele dia lindo estampado no céu, com o sol brilhando com toda sua magnitude, fez a raiva crescer ainda mais dentro de mim e eu não consegui me controlar. Não liguei mais para o frio, não liguei se meus pais fossem acordar desta vez, ou até a vizinhança toda. Eu precisava gritar, eu precisava tirar toda a raiva de dentro de mim. Me dirigi ao parapeito da varanda e olhei para cima.


— POR QUE ISSO ESTÁ ACONTECENDO COMIGO??!! EU NÃO AGUENTO MAIS, EU JURO QUE NÃO AGUENTO MAIS!


Gritei com toda minha força e tive que recuperar o fôlego eu estava mesmo doente, pois me senti fraco e ponto, sendo obrigado a me ajoelhar para não desmaiar. Quando me sentir um pouco melhor, voltei a falar, desta vez mais baixo:


"Eu aguento esse sofrimento por 22 anos calado, quieto, mas nada mais faz sentido e eu não quero mais ficar parado, só observando. Vocês aí de cima, é, vocês mesmo... Acham engraçado tudo o que está acontecendo? Enxergam graça em fazer um assistir o sofrimento do outro de camarote e ficar de mãos atadas, sem poder interferir em absolutamente nada? Ainda têm a audácia de fazerem amanhecer com um céu tão lindo, como se tudo estivesse às mil maravilhas, como se dentro de mim não estivesse formando uma terrível tempestade. Você, Sol, todo poderoso, nada pode te afetar? O sofrimento alheio não te faz compadecer? Logo você, cheio de calor e brilho, como pode assistir esse inferno todo e ficar parado sem fazer nada? Você é capaz de iluminar o mundo e até a Lua, mas não tem poder o suficiente para interferir e ajudar alguém que tanto precisa de luz. Você não pode ou não quer me ajudar? Vamos, me responda se for capaz! Eu te desafio a me responder. Me dê pelo menos um sinal, eu imploro. Se nada acontecer, eu juro que desisto de tudo e paro de procurar por ele. Eu juro. Eu prometo."


Não tinha mais forças para continuar com toda aquela loucura que eu estava fazendo. O frio parecia me engolir, a tontura e a fraqueza aumentaram, então tive que voltar ao meu quarto. Esperei por longos minutos por um sinal divino, qualquer coisa, qualquer rajada de vento, qualquer folha caindo de uma árvore, mas nada aconteceu. Estava prestes a voltar para a cama e me enterrar nos cobertores para sempre, até que ouvi o toque do meu celular, que estava carregando em cima da minha escrivaninha. Continha uma chamada perdida de um número desconhecido e uma mensagem do mesmo número.


"Oi, beom. Sou eu, Jinyoung. Desculpe o incômodo, só te liguei pra te chamar para tomar um café comigo essa semana. Quando puder, me retorne."


Não me importei muito com a mensagem de Jinyoung e ia deixar para respondê-lo mais tarde, quando eu estivesse melhor. até que, do nada, minha mente deu um estalo, como se uma lâmpada tivesse sido acendida. Jinyoung assistiu a mesma palestra que o menino dos meus sonhos, a palestra deveria ser sobre o curso que Jinyoung estuda. Psicologia. Então, talvez, só talvez…


Ele pode cursar psicologia na mesma faculdade que eu.


Tudo se encaixou na minha mente. Teria respondido Jinyoung na mesma hora e teria agradecido de joelhos aos céus pelo sinal que recebi, se não tivesse desmaiado quase que imediatamente por conta da tontura e da euforia que senti.




Notas Finais


Espero que tenham gostado, tá sendo muito especial pra mim escrever essa história junto com a Emy. Essa parte da história é super importante e emocionante também, se puderem me dizer o que estão achando nos comentários eu agradeço demais. Até a próxima 💗


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