História Mother's Lament - Capítulo 1


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Categorias Saint Seiya
Personagens El Cid de Capricórnio, Ikki de Fênix, Kagaho de Benu, Personagens Originais, Shun de Andrômeda
Visualizações 51
Palavras 2.469
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeiramente, gostaria de deixar aqui que toda e qualquer situação descrita nesta fanfic são ficcionais e qualquer semelhança com o mundo real é mera coincidência. Posso ter dado algumas caneladas nas leis japonesas, mas, por favor, vamos levar na moral e deixar aquela licença poética falar mais alto, okay?

Com esse disclaimer, vamos começar aqui com um desejo de boa leitura, e uma novidade! Eu abri uma página no facebook para a gente poder conversar melhor eu dar alguns anúncios de fanfic e escrever um pouco mais sobre minhas OCs!
Assim, se vocês quiserem conferir, vou deixar o link nas notas finais, okay?

Betado por Aisha Andris!

Mana, obrigada por sofrer comigo 

kkkkkkk

Capítulo 1 - In my Arms


Fanfic / Fanfiction Mother's Lament - Capítulo 1 - In my Arms


 

Beatriz penteava os cabelos em frente ao espelho da penteadeira de sua casa. Respirou fundo e prendeu os fios loiros em um coque bem arrumado, para só depois terminar a maquiagem que encobriria os resquícios da noite de choro.

Passou a base com cuidado, pintou as pálpebras com cuidado, piscou várias vezes os olhos azuis antes de abrir seu rímel. Não iria borrar sua maquiagem por Kagaho... Não de novo. Suspirou e abriu seu batom cor-de-rosa, passando-o sobre seus lábios pequenos antes de se encarar novamente.

Era só uma casca, sua alma tinha sido estraçalhada quando ele tomou seus filhos. Ikki e Shun eram a única coisa boa que aconteceu naquele relacionamento e, depois de tantas brigas na justiça, o homem conseguira tirá-los de sua guarda antes de assinarem os papéis de divórcio.

Passara meses em casa, sozinha, apenas chorando. Emagreceu quase dez quilos, uma vez que não conseguia se alimentar direito, e, por mais que El Cid, seu advogado e amigo, dissesse estar tentando revogar a ordem, ela sabia que Kagaho conseguiria os meninos. Ele tinha muito mais dinheiro do que ela jamais conseguiria desembolsar, e devia ter comprado o juiz para lhe dar a guarda.

Quando o dinheiro acabou, ela ligou para El Cid, disse que iria desistir daquilo, que seus filhos já estavam perdidos e ela acabaria com sua vida naquele momento. Desesperado, o advogado dirigiu mais do que depressa para a casa da mulher, e a encontrou jogada no chão, com os braços cortados.

Pela primeira vez, ele implorou aos céus para que não a levassem, e, com pressa, carregou-a para o carro, e a levou com urgência para o hospital mais próximo. Enquanto ela era atendida, El Cid praticamente acionou toda sua rede de advogados, e ligou para os advogados de Kagaho, marcando uma reunião de emergência.

Além dos cortes, Beatriz ingerira uma quantidade grande de remédios para dormir, o que dificultou ainda mais o trabalho dos médicos, levando-a à UTI por coma induzido, de forma a amenizar os efeitos colaterais que a quantidade exorbitante de soníferos e as várias reanimações por adrenalina e desfibrilador teriam.

Dois dias de uma guerra no tribunal se seguiu, El Cid, ou Amamiya Kazuhiko, abrira um processo contra Hattori Kagaho, acusando-o de colocar a cliente, Beatriz Zocoler Hattori, em perigo ao retirar dela as crianças e, várias vezes depois disso, chantageá-la dizendo que só devolveria os meninos de ela voltasse para casa.

Os advogados de Kagaho alegavam que mulher, além de ser mãe solteira, não tinha condições mentais de criar as crianças, uma vez que tentara o suicídio.

Na casa da família Hattori, Ikki encontrara um esconderijo para ele e Shun fugirem dos avós. No quarto de chá, ao leste, havia um fundo falso no assoalho, e lá eles ficavam escondidos durante as brigas do pai com a amante, Shizuka, que os odiava mais do que tudo.

Lá, Ikki e Shun fugiam da vara de bambu do avô, rígido e rigoroso com os estudos, sempre pronto para lhes bater com a varinha quando erravam algo “importante”. Shun chorava perguntava por que a mãe não estava com eles e, muitas vezes, dormia entre soluços, ele tinha apenas sete anos, ainda não entendia as coisas.

Ikki já era diferente, com seus onze anos, já compreendia perfeitamente o que acontecia. Chorou quando os advogados o arrancaram dos braços da mãe, aos oito anos, e desesperou-se quando a mãe correu atrás do carro preto onde foram colocados, gritando o nome dos filhos enquanto chorava.

Bateu as mãos no vidro de trás ao vê-la parar e cair de joelhos, enterrando as mãos no rosto e gritando. Lembrava-se da mãe chorando e depois as imagens da mulher sorridente a amorosa lhe voltavam à mente, e tudo aquilo o fazia sentir apenas mais raiva do pai.

Deixando Shun sozinho no esconderijo, Ikki esgueirou-se pela casa, foi até o quarto da avó e de lá roubou um celular. Escondendo-se no armário, ele discou o número de El Cid, o “amigo bonzinho da mamãe”, e esperou que ele atendesse.

Precisou-se de muitas chamadas para que o homem finalmente atendesse e, quando o fez, sentiu o coração apertar ao ouvir a vozinha conhecida de Ikki.

Em poupas palavras, Ikki implorou para que o advogado fosse lhe buscar, que ele não queria ficar com o pai, que queria voltar para casa, para a mamãe!

Erguendo a mão, El Cid pediu a atenção do Juiz, colocou Ikki no viva-voz e pediu que ele repetisse as palavras. “Eu quero ir para casa com a minha mamãe! Cadê a minha mamãe, El Cid?”. O juiz olhou do telefone para os advogados de Kagaho que, há poucos momentos, haviam alegado que as crianças preferiam ficar com o pai, inclusive disseram que Shun e Ikki preferiam a companhia do pai!

Mais brigas, gritos de ambos os lados e Kazuhiko conseguiu sair da sessão para acalmar o menino pelo telefone. Pediu que ele cuidasse de Shun mais um pouco e prometeu que logo iriam voltar para casa.

Outro telefonema chegou, os médicos conseguiram trazer Betriz de volta à consciência, ela perguntava por Ikki, por Shun, e por ele. Gritava pedindo desculpas, chorava dizendo que não queria ter feito isso e implorava para ver os “meninos”, como ela mesmo dizia. Soltando algumas lágrimas de felicidade, o advogado comunicou o médico que tentaria chegar o mais rápido possível.

A audiência entre em recesso para a decisão do júri, e, rapidamente, EL Cid volta para o hospital. Encontrando a mulher deitada na cama, chorando silenciosamente, ele adentra o local com um buquê de lírios brancos, as flores preferidas dela, sorriu de lado, indo se sentar na cadeira posicionada ao lado do leito.

Devagar, Beatriz virou o rosto para o advogado, fechando os olhos para deixar novas lágrimas caírem. Respirando fundo, ele colocou o buquê na cama, com as mãos livres, acariciou a cabeça da loira, enquanto lhe segurava o braço, dando-lhe forçar. Soluçando, a portuguesa pediu desculpas tantas e tantas vezes!

Mesmo afirmando que estava tudo bem, Kazuhiko percebeu que ela não se acalmava e precisou chamar os enfermeiros. Um calmante bem fraco foi administrado e Beatriz acabou pegando no sono, sob o olhar atento do amigo.

Uma semana se passou, as disputas seguiram por falta de acordo no júri. Beatriz recebeu alta e foi levada para a casa de El Cid, irredutível quanto a não deixa-la sozinha novamente; sob restrição de repouso absoluto, Beatriz permanecia o dia todo no quarto, ou deitada ou sentada na cama da enorme casa do advogado.

Ele tentava lhe animar, levando livros, notícias e passando horas e mais horas de seu tempo livre com ela. Pouco a pouco, os sentimentos de ambos começaram a ficar confusos, mas, mesmo com algo novo em seu peito, a loira estava muito machucada para conseguir lidar com emoções naquele momento.

Mesmo assim, durante todo o processo, lá estava Kazuhiko, acompanhando-a durante as brigas pelas crianças, e a defendendo da mídia e das fofocas. Finalmente, em meio à toda aquela situação, ela aceitou o pedido de El Cid e, poucos meses depois, se casaram no civil, sem nenhuma pompa, apenas uma reunião simples para os mais próximos.

A união apenas fortaleceu a decisão do juiz que, dois dias após o matrimônio, liberou a sentença para todos. Kagaho teria de devolver as crianças para a mãe e pagar a pensão até que as crianças atingissem a maioridade.

Era para ocasião do “resgate” dos filhos que Beatriz se arrumava, mas, mesmo estando muito feliz, sentia-se derrotada. Amara Kagaho todos os dias em que estiveram juntos, e, com a chegada das crianças, acreditava que ele poderia amá-la um pouco mais também... Amá-la como amava quando eram apenas amigos na escola... Mas não, ele desistiu do amor deles após alguns meses de casados, quando a mãe finalmente conseguiu envenenar a cabeça dele o suficiente. Mesmo assim, não queriam que se separassem, uma separação era um escândalo muito grande para a família Hattori.

Ao se lembrar daquilo, ela se sentia impotente de novo, apenas uma sombra na casa da família, andando pelos cantos para não ser agredida verbalmente pela sogra, temendo, a cada passo, que alguém lhe fosse cruel, ou cruel com as crianças.

Só que aí ela se lembrava de El Cid, e era como se tudo aquilo ficasse para trás, deixando apenas um sentimento pesado em seu coração, mesmo que fosse difícil para ela admitir.

- Beatriz. – os olhos da moça ergueram-se para encarar a entrada de EL Cid pelo espelho. – Temos que ir.

- Estou pronta.

Com aquela frase, ela se colocou de pé, e, mesmo enfraquecida, com os cabelos loiros sendo marcados por fios brancos e os olhos opacos, ela mantinha a força que precisava para rever os filhos.

Auxiliada pelo homem, ela enfrentou o caminho até a saída da casa, calçou os saltos azuis, combinando com seu conjunto social turquesa, e saiu com Kazuhiko para o pátio, onde um carro os aguardava.

O tempo nunca passou tão devagar e, quando finalmente viraram a esquina da casa dos Hattori, ela sentiu como se seu coração fosse explodir de emoção. Foi então que os viu, Shun e Ikki, paradinhos em frente a enorme casa da família de Kagaho, acompanhados do pai e da víbora que o ex-marido chamada de esposa, Shizuka.

- SHUN, IKKI! – quando o carro parou, ela praticamente pulou do veículo, correndo se ajoelhar a frente dos meninos, que já choravam ao ver a mãe novamente.

- Mamãe! – exclamou Shun, jogando-se nos braços da estrangeira. – Mamãe, mamãe, não vá mais embora! Por favor!

- Não, bebê, a mamãe não vai mais embora! – garantiu ela, beijando, efusivamente, o rostinho do menino, chorando como nunca. – Ikki, meu príncipe.

- Oi, mamãe... – tentando ser forte, mas já chorando, Ikki também corre para a mãe, abraçando-a e passando as mãozinhas infantis pelo cabelo arrumado dela. – Senti sua falta, mãe!

- E eu a sua, meu neném! – garantiu ela, apertando-o mais contra si. – A mamãe não vai mais embora, eu prometo! – e beijou novamente o rosto de seu filho mais velho.

Afastados disso, Kagaho e a amante eram praticamente coagidos por El Cid, que se dispunha a fazer um breve discurso ao casal.

- Hattori-san – começou ele, colocando os braços para trás. – Creio que não entenda a seriedade da situação que causou à Beatriz e, por conta disso, vou deixar algumas coisas bem claras.

- Não precisa disso, Amamiya, termos legais são tratados com meus advogados presentes! – volveu o homem, com a cara fechada. A mesma seriedade era estampada no rosto do outro.

- Oh, mas não estou falando em trâmites legais. – continuou Kazuhiko, agarrando-o pela gola do paletó. – Se ousar dirigir mais uma palavra à minha esposa, seja para cumprimenta-la ou ameaça-la, eu acabo com você. Já machucou demais à ela e aos meninos, mais do que um homem com alguma honra teria coragem de fazer. – os olhos de soldado que o advogado exibia chegavam a dar calafrios no mais novo. – Eu posso ser muito cruel quando mexem com o que me é querido, então, não se aproxime deles, sua presença será tolerada apenas quando os meninos pedirem por ela.

Soltando o ex-marido de Beatriz, El Cid volveu o olhar para Shizuka, mais preocupada em ajudar o marido a se recompor.

- Tenham um bom dia. – volveu ele, ajeitando seu próprio terno antes de virar-se na direção da esposa e dos meninos. – Querida, vamos?

- Vamos! – concordou ela, erguendo-se e levando consigo Shun. Ele tinha crescido, mas continuava pequeno e frágil para ser mantido em seus braços.

Dando um olhar significativo para o ex-marido e para Shizuka, deixando claro todos seus sentimentos e rancores, enquanto acariciava os cabelos de Ikki, parado a seu lado.

- Digam “Até logo”, crianças. – mandou a mais velha, no que as crianças prontamente obedeceram.

- Até logo. – disseram ao mesmo tempo, acenando levemente com as mãozinhas. – Mamãe, mamãe, podemos tomar sorvete? – pediu Shun, já animado.

- Claro que podemos! – concordou a mulher, começando a andar, sendo acompanhada pelo filho mais novo e pelo marido. – Querido, podíamos passar naquela sorveteria perto de casa! Eles têm todos os sabores de sorvete que você imaginar!

- Tem chocolate? –perguntou Shun, animado.

- Claro! – riu ela, beijando-o na bochecha novamente.

Ikki, que até agora andava ao lado da mãe, parou, olhou para trás e viu o rosto transtornado do pai. Correndo brevemente, ele voltou para perto do pai, olhou-o por alguns momentos e abraçou-o na cintura. Tremendo, Kagaho abaixou-se e abraçou o filho, olhando-o com carinho.

Sentiu os olhos cheios de lágrimas, e, depois de se apartar dele, passou a mão áspera pelo rostinho do menino, sorrindo levemente.

- Cuide da sua mãe... Certo? – pediu ele, deixando as lágrimas caírem. – Prometa que não vai ser mau com ela, que nem o papai foi.

- Prometo. – ditou o pequeno, abraçando o adulto uma vez mais, para depois correr de volta para a mãe e o padrasto.

Eles esperavam próximos ao carro, observando a cena em silêncio. Respeitavam os sentimentos de Ikki pelo pai, afinal, ele era o que era, porém, amava os filhos e, em algum momento, amara Beatriz também, só não soubera como lidar com ele.

- Tio El Cid, eu posso ir na frente? – perguntou ele, tirando uma risada do mais velho.

- Ikki, e onde a sua mãe vai se sentar? – retorquiu o advogado, abrindo a porta do banco de trás, no que Beatriz prontamente colocou Shun na cadeirinha, previamente ajeitada lá. – Mas, eu prometo que te levo para passear de carro um dia desses!

- Promessa é dívida! – volveu o menino, pulando para dentro do carro, indo se sentar ao lado do irmãozinho. Beatriz de um beijo na testa do pequeno e depois fechou a porta, montando no veículo em seguida, batendo a porta.

El Cid deu a volta e tomou seu lugar no volante olhando uma última vez pelo retrovisor, dando a partida e deixando para trás o casal Hattori.

Delicadamente, Beatrice levou a mão esquerda até o braço do marido, apoio a cabeça no encosto e, apenas movendo os lábios, sem som algum, proferiu uma única palavra: “Obrigada”. Sorrindo, o japonês pegou a mão da moça e a levou até seus lábios, dando um beijo singelo no dorso macio.

- Mamãe, temos muitas coisas para contar! – comentou Shun, balançando as perninhas.

- É, mamãe! A gente achou um esconderijo! – mesmo preso pelo cinto de segurança, Ikki remexia-se abertamente.

E, assim como chegara, o carro partia, silencioso e calmo, levando em seu interior uma nova família, com a promessa de que seriam muito felizes e próspero. Enquanto dirigia, El Cid por vezes reparava na esposa, ocupada em conversar com os filhos, e, pela primeira vez em era, viu o brilho de sua vida ser devolvido ao lugar de direito.

Os olhos azuis e límpidos de sua amada Beatrice e seus queridos meninos. 

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Fim


Notas Finais


Obrigada por ter lido até aqui! Espero que a leitura tenha sido do agrado de vocês e que essa história tenha trazido alguma reflexão para os seus corações. Duvido que a minha e a de vocês seja igual, afinal, cada um verá aquilo que mais lhe incomoda dentro do peito.

Agradeço desde já se vocês puderem dar uma olhadinha na página nova: https://www.facebook.com/TiaMenadaamizade/
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