História Motivos para Odiar Millie Bobby Brown - Capítulo 16


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Palavras 2.711
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, OIS
nem euto acreditando que ja terminei e to atualizando hoje djsnskns
ja respondo todos os comentários

see ya! 😜

Capítulo 16 - Motivo número 1.0 - Ela é sensível


Capítulo 14

Millie Bobby Brown abre brechas

Quando as portas da mansão foram escancaradas com força cerca de uma hora depois, e Wyatt passou por elas segurando Millie apoiada em seus braços, todos que estavam na sala, tinham uma expressão parecida.

Olhos arregalados, boca entreaberta.

Finn — desnoteado e assustado —, deu um passo para frente, tentando bolar algo para dizer que o pudesse lhe fazer compreender o que estava acontecendo. Entretanto, no instante seguinte, Millie estava correndo em sua direção. Suja, descabelada e com os olhos vermelhos e inchados. O Wolfhard a apanhou no ar, apertando-a contra o seu própio corpo de forma protetora. Sentiu-se mal ao notar que a garota tremia em seus braços.

Foi Jaeden quem fora o primeiro a dizer algo, olhando assustado de Millie para Wyatt, de Wyatt para Millie.

— O que aconteceu? Onde vocês estavam? — Perguntou atônito, observando as vestes sujas do até então, melhor amigo.

Wyatt se sentou no sofá sob os olhares atentos de seus amigos. Sadie correu para a cozinha, a fim de trazer copos de água, que descobriria mais tarde não serem necessários.

— Millie estava almoçando em um restaurante, até que houve um assalto a mão armada — Suspirou, lembrando-se de como a havia encontrado. Encolhida, com as mãos agarrando os joelhos com tanta força, que quase podia ver sangue escapulir pelos recem arranhões — Ela conseguiu escapar pelas portas do fundo junto com uma garçonete, mas nossa... dava pra ouvir os tiros a quadras de diferença. Foi assustador.

— Tiros? — Sophia murmurou, perplexa, como que tentando processar as informações. Uma coisa era presenciar cenas como aquela em noticiários. Mas ver as lágrimas nos olhos de Brown, a fazia pensar no que teria acontecido se Millie tivesse sido atingida. Aquele era o mundo real. Teve vontade de vomitar.

Os braços sujos de Millie circularam a cintura de Finn, num aperto. Virou sua face para o torso do maior, evitando todos aqueles olhares. Se eram de pena ou compaixão ainda não sabia. Quando o Wolfhard sentiu sua camiseta começar a ficar úmida, inclinou-se para frente, agarrando as pernas trêmulas de Brown. No instante seguinte e sem aviso prévio, estava subindo as escadas em direção aos dormitórios.

— Por que não nos avisou? — Jaeden disse para o Oleff sentindo-se por algum motivo irritado. Tudo em si queimava — Saiu sem mais ou menos. Podia ter pedido nossa ajuda!

Wyatt olhou para ele sério, quase descrente. Decidiu que iria manter-se quieto. Não precisava da preocupação tosca de Lieberher, não precisava responder aquelas cobranças. Não havia sido ele quem estivera no meio de um tiroteio, e sim Millie. E o modo ao qual ela olhou para o Oleff quando ele a encontrou... iria sonhar com aqueles olhos, assustados e suplicantes, cascatas escapulindo em filetes, deslizando por suas bochechas cheias de terra úmida e borrada. Era Brown quem merecia aquela preocupação.

Levantou-se, levando suzzy consigo, não se importava com os olhares de seus amigos, até o dia ensolarado lá fora parecia sem graça agora. Precisava de um banho, e uma boa dose de café. Forte e quente.

Depois quem sabe mais tarde ouviria alguma música. Passaria no quarto de Millie, mas dormir? Considerando o cansaço que sentia, parecia o mais provável. Todavia, sempre que fechava os olhos, revivia os gritos novamente, ouvia os estalos cortando o ar, lembrava de Brown estirando os braços em sua direção esperando que ele a salvasse. Se não tivesse atendido a ligação, alguém teria? A garota poderia mesmo ter morrido?

Sentiu dificuldade para engolir, como se cacos de vidro descessem lhe rasgando por dentro. Os olhos arderam, fazendo-o chacoalhar a cabeça para os lados. Cada degrau que subia, suspirava aliviado por não ter caído, as penas tremiam em baixo de seu corpo sobrecarregado.

E então suspirou. O jeito agora era esperar, o quê ainda não sabia, mas precisava se recompor.

Finn não sabia exatamente como cuidar de alguém. Era filho único, seus pais, por mais desligados que fossem, sempre cumpriram bem o papel de suprirem suas necessidades, mínimas que fossem.

Porém, naquele momento, onde mantinha seus olhos atentos no vapor que escapulia pela fresta iluminada do banheiro da suíte de Millie, refletia sobre o fato de que deveria ter corrido atrás de alguns ensinamentos outrora.

Claro, era repentino e absurdo a constatação de lembrar-se que a garota havia lhe deixado ultrapassar aquela brecha. Millie correu em sua direção, ela por si só o abraçou e se enroscou em si. Brown o achava digno de a proteger? O pensamento de que talvez sim, o assustava. E muito.

O Wolfhard já não cogitava a ideia de expor seus sentimentos para ela nem tão cedo antes, quando sabia que Brown era uma garota atormentada por sabe se lá Deus o quê. Agora, tendo noção de que tudo ficaria ainda pior para ela, Finn decidiu que não abriria a boca sobre suas próprias emoções.

Millie era uma garota quebrada, sabia disso e sempre soube. Parecia injusto e egoísta demais jogar o peso de suas próprias emoções e sentimentos nela, quando nem ela mesma sabia lidar com os próprios.

Gostava dela e isso, por hora, era problema seu. Já tinha ciência de que era um peso sua estadia ali, não iria piorar as coisas para ela, não mesmo.

— Você está melhor? — Disse ao notá-la parada em frente à porta do banheiro. Se perguntou a quanto tempo a menina estivera ali.

— Eu não sei — Sussurrou, aproximando-se em passos curtos de Finn, este que por sua vez, estava sentado com as pernas cruzadas sobre sua cama, afundando o colchão. Ela não parecia se importar, ele nem tão pouco.

Finn observou a garota se sentar ao seu lado. Millie não havia penteado os cabelos, e gotas d'água escorriam pelos fios úmidos grudados em pequenos montes. Um enorme casaco moletom preto escondia boa parte de seu torso. Ele procurou em sua memória se já a tinha visto usando alguma roupa daquela cor antes.

— Não sei o que dizer. Tudo parece sem sentido — Confessou em um suspiro cansado. Só de pensar na mínima hipótese de que poderia ter perdido Millie horas atrás, fazia seus olhos queimarem em descotrole.

— Me sinto um pouco assim também — Ela sussurrou novamente, como se tivesse medo de falar alto e alguém subitamente aparecesse e a ameaçasse.

Finn mordeu a própria boca. Sentindo-se um tonto. Devia distraí-la, devia ajudá-la, porém era como se só piorasse as coisas. Ficaram sentados, olhando para pontos aleatórios do quarto mal iluminados por um período de silêncio extenso. Millie estava pensando, e ele gostaria de saber no quê.

— Eu não deixaria ninguém para trás — Murmurou. Por pouco, o Wolfhard não teria ouvido.

— O quê?

— Mais cedo estava pensando em como era confortável o fato de ser sozinha. Não tenho ninguém então não preciso me preocupar em suprir expectativas ou... me esforçar para estar lá, sabe? — Virou-se para olha-lo. Sua boca tinha um gosto esquisito. Era amargo, quase ácido. Se perguntou se era assim o gosto do medo — Agora, enquanto tomava banho, fiquei pensando... se eu ainda estivesse morando sozinha, quem teria atendido o telefone?

— Milli—

— Oleff poderia ter ignorado meu chamado também — Continuou, ignorando Finn — Ele seria até sensato se tivesse feito isso. Podia ser apenas uma armação minha, no fim das contas. Sou a inimiga. Mas ele foi lá. Wyatt me salvou.

— Millie — Voltou a chamá-la, sentindo-se frustrado ao ser ignorado novamente.

— Talvez eu deveria ter levado um tiro. Podia ter sido eu no lugar de alguma daquelas pessoas, elas com certeza deixaram a família delas para trás, magoados com o azar, tristes com Deus. Mas enquanto à mim... nem familia tenho. Você vê, não vê? Foi um pouco injusto.

— Millie — Agora ela olhou para ele, se calando no mesmo instante. Observando assustada os olhos tempestuosos e brilhantes e as bochechas úmidas de Finn. Se perguntou se algum dia havia o visto daquele modo antes, contendo uma tempestade dentro dos olhos negros.

— Por que está chorando? — Disse em um suspiro. Deslizou os polegares pelas bochechas sardentas de Finn. Um soluço a fez encolher as mãos novamente para perto de seu corpo, como se tivesse levado um choque. Fizera algo de errado?

— Porque está se menosprezando, Millie — Respondeu — Uma vida não é medida pelo grau de pessoas que deixaria para trás, não existe uma balança do quão importante é uma alma. Pelo amor de Deus, nunca mais pense algo estúpido desse jeito.

— Não posso dizer que nunca mais vou pensar assim. Odeio engolir minhas próprias palavras — Sorriu. Agora eram os seus próprios olhos que brilhavam. Finn pensou ver estrelas.

— Pode ao menos pensar em mim quando isso acontecer?

Ela pendeu a cabeça para o lado, deixando seus olhos avelã deslizarem por cada contorno da face do outro. O Wolfhard gostaria de saber o que se passava em sua mente.

— Posso tentar.

Ela fechou os olhos, parecendo sentir algo enquanto um suspiro cansado deslizava para fora de seus lábios. Para Finn, por enquanto aquilo bastava.

O corpo de Wyatt se encolheu assim que ouviu o estrondo da porta de seu quarto bater. Estava sentado com as pernas cruzadas no chão. Os olhos presos no interior de uma xícara de porcelana, agora vazia, assim como seu olhar.

Sabia quem era sem nem mesmo levantar seus olhos. Não houve uma batida suave na porta antes dele entrar — como sempre houvera —, não havia olhos gentis e pidões, e sim uma raiva controlada.

— Você é retardado? — Jaeden cututou suas pernas com a ponta dos dedos de seus pés, cobertos por um par de meias de listrinhas. Verdes e Vermelhas. Adorável. Oleff sorriria para elas se não estivesse se sentindo uma caçamba de lixo — Eu estou falando com você!

Deu um peteleco na caneca, se sentando na frente do outro. Wyatt observou melancólico o objeto rolar, deixando gotas de café pelo chão de madeira.

— No quê estava pensando quando se meteu no meio disso sem comunicar ninguém? — O Lieberher deixou um suspiro pairar, irritado por ainda não ter recebido nenhuma resposta.

Alguns minutos se passaram para que realmente Wyatt dissesse algo.

— Em salvar uma vida — Voltou seu olhar para os de Jaeden — Você está sendo um completo babaca imbecil me cobrando dessa forma.

— O quê? — Se encolheu. As bochechas de repente vermelhas — E-Eu...

— Está preocupado. Sei disso. Conheço você melhor do que pensa, Jae — Rodopiou seus olhos, apoiando as costas da cabeça à sua cama — Só não se esqueça que está sendo egoísta pensando assim.

O Lieberher suspirou, prendendo a parte inferior de sua boca entre os dentes.

— Não banque o herói assim de novo. Se você tivesse se machucado eu teria ficado maluco — Apoiou seu queixo sobre os tendões de seus joelhos. Os olhos claros presos no de Oleff.

— Claro, quem iria aguentar seus ataques de manha, não é, Drama Queen? — Jaeden revirou seus olhos.

— Eu nem sei porque aturo teu humor ácido — Deu de ombros, se permitindo sorrir um bocadinho ao observar a língua de Wyatt aparacer em uma careta.

— É porque você me ama — Disse sem pensar muito, pois estava brincando e era assim que brincadeiras funcionavam, nenhuma palavra deveria pesar e sim divertir. Entretanto a expressão que a face do outro ganhou ao proferir as próximas palavras, atingiram Wyatt em um tapa chocante. Ele quase perdeu o ar. Quase.

— É, W, eu amo sim — Apoiou a bochecha em seu punho fechado. Os olhos dele sempre brilhavam daquela forma? Oleff não sabia, mas gravou em sua mente que havia gostado do tom de azul cintilante que as orbes do louro ganhou. O lembravam do céu crepuscular. E caramba, como Wyatt gostava do céu, mais ainda naquele momento.

— Lembro que uma vez, quando eu era menor, quebrei meu braço ao cair de um galho — Finn disse nostálgico. Ele sorria timidamente, revivendo em seu íntimo as memórias desbotadas e calorosas de sua infância. Tudo era tão mais fácil quando era criança.

As pernas curtas de Millie, cobertas por uma calça larga de camuça bege, estavam pressionando de forma confortável as coxas do Wolfhard. Ele não lembrava bem quando haviam se enfiado em baixo de cobertores, olhando para o teto. Começou com Finn comentando que quiser ser astronauta quando mais novo sem mais nem menos, então depois de alguns minutos, Brown lhe revelara que num certo momento quisera ser jardineira ou simplesmente dona de um grande jardim, porém desistiu por não ter muita paciência, nem ânimo visto os acontecimentos que se sucederam nos anos seguintes.

— Por que subiu em uma árvore? — Foi tudo o que ela disse, sorrindo para ele igual uma idiota. Finn se sentia um pouco idiota também.

— Queria ver as estrelas coloridas — Comentou. As bochechas ardendo — Anos depois descobri que eram as luzes de alguns brinquedos de uma quermesse temporária.

Millie levantou-se um bocadinho, ainda mantendo o olhar sobre ele. Finn sentiu-se miúdo, quase do tamanho de um átomo.

— Gosto de luzes também — Sorriu. E foi a curva mais linda que Finn teve a felicidade de presenciar — Ben me levou em parques de diversões algumas vezes quando era mais nova. Nunca gostei muito dos brinquedos em si, mas me sentia hipnotizadas pelas cores.

— Como pode não é? São coisas tão simples, mas tão...

— Bonitas.

Pensou em assentir, mas deixou seu olhar preso ao dela. Millie não costumava abrir brechas para Finn, e muito menos deixar que ele mantesse seu próprio olhar ao dela, observando com fascínio como o tom avelã de suas íris, se tornava mais claro próximo ao centro do núcleo. Porém naquele dia, Brown estava o surpreendendo mais vezes do que podia contar.

— Eu te acho muito bonita também — Disse sem pensar, e se arrependeu amargamente ao notar o sorriso tímido de Millie morrer. Por que raios havia dito aquilo? Queria se auto estapear.

As sobrancelhas de Brown se moveram para baixo. Ele soube que a garota estava levantando os muros de sua barreira, voltando a sua posição defensiva de sempre. Uma facada em seu peito seria menos doloroso.

Ela então retirou suas pernas de cima das de Wolfhard, se inclinando para pegar a ponta do seu costumeiro cobertor vermelho, arrastando-o para cobrir seus corpos. Olhou para ele por alguns minutos, extensos demais para ser algo confortável. Abriu e fechou a boca, tantas vezes que Finn quase morreu de angustia.

Então jogou seu corpo para trás, sendo abraçada pelos travesseiros em sua cama. E, com a face oculta por seu cobertor, disse algo que ficaria tatuado na mente, e no coração de Finn para sempre, ou pelo menos por um bom par de anos.

— Não costumo e nem penso em passar a refletir muito sobre a beleza exterior das pessoas, porque me deixa meio triste, e não me faz falta realmente observar rostos bonitos. Mas você, por mais que eu odeie admitir, ênfase no odeio — Riu de forma abafada. Se Finn conseguisse pensar coerentemente, e se seu coração não estivesse lhe agredindo em sua caixa toráxica, sorria — Você é tão excepcionalmente belo, por dentro e... por fora, que quase parece absurdo resumir o como você é bonito em uma palavra simples como lindo.

A composição química de Finn borbulhou em seu estômago, sentindo algo oscilante beirando ao gelado e ao quente. Se eram borboletas, não tinha exatamente certeza, mas era uma sensação tão morna e avassaladora que parecia derreter toda sua matéria. Seu corpo todo trêmulo, pegando fogo.

Millie abaixou um pouco seu cobertor. Ele achou ver seus olhos brilhantes, como duas estrelas enormes. As bochechas coloridas. O cabelo bagunçado.

— Boa noite, obrigada por tudo — Ela disse, e só então ele se deu conta de que realmente já era a lua quem iluminava o céu. Se inclinou sobre Brown, observando seus olhos crescerem ainda mais.

Pressionou os lábios sobre a pele morna exposta de sua testa. Estava mole como manteiga, mas Brown não precisava saber disso. Na verdade Finn achava melhor que ela nem cogitasse essa ideia.

— Boa noite.

Desejou esperando profundamente que ela tivesse uma boa noite de sono. Porque horas depois, quando ambos viraram para lados opostos sobre a cama — visto que achou melhor permanecer por ali —, e ele sentiu uma perna deslizar por entre a sua, e braços capturando sua cintura, fechou os olhos, sabendo que ao menos o próprio, apesar de toda a merda que havia acontecido mais cedo, iria dormir bem. 


Notas Finais


terminei esse capitulo chorando no clube de tanto amor


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