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História Mr. Exigente - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


IMPORTANTE:

créditos da capa e do banner para chittaphrr do topjkproject! obrigada ♡

Inspirada na música 'Picky Picky' do girlgroup Weki Meki.

Clichê colegial que não será tãão clichê assim.

A tag kookmin não é de enfeite, então deixo claro que a fanfic será jungkook top e jimin bottom.

É comedia romântica, não sei se será comedia mesmo, porque minhas habilidades nessa arte nao sao boas.

Devo deixar claro que eles são ADOLESCENTES, e como todo adolescente que se preze, farão merda.

IDADES ALTERADAS! Sim, eles não serão velhinhos nascidos nos anos 90. Como a história se passa nos dias atuais, com linguajar e referencias, achei melhor alterar o nascimento deles para 2001.

E é só por enquanto, espero que gostem de Mr. Exigente! Obrigada por lerem.

Capítulo 1 - Encontro desastroso


Fanfic / Fanfiction Mr. Exigente - Capítulo 1 - Encontro desastroso

MR. EXIGENTE

 

Mudar-se de repente para a capital nunca esteve nos planos de Jimin — mas nos seus paisaparentementeesteve por um longo tempo. Não tinha do que reclamar, ele era um adolescente sustentado pelos pais superprotetores, então, costumava ficar o dia todo em casa coçando o saco, e raramente tirava um tempo pra sair procurando por pelos na barba rasa. Ah, e ele estudava bastante, apesar de não parecer. Por ser menor de idade e estar naquela fase insuportável da vida, sua opinião era altamente ignorada pelos pais e descartadas como lixo.

Quem se importaria com a opinião de um ser humano que usava boné dentro de casa e vivia resmungando pelos cantos? Neste caso, os Park mais velhos não tinham tanta culpa como o mais novo alegava. Jimin era um aborrescente de marca maior.

O sentimento de raiva, por ter que se mudar do nada, — coisa que ele achava que tinha acontecido, sendo que os pais viviam sorrindo pelos cantos há um ano e dizendo que estavam cansados da vida pacata —  ainda estava presente nele, porém, a ideia de pagar de adolescente-que-odeia-todos parecia ridícula aos seus olhos. Estava mal-humorado? Sim, muito! Sempre esteve, na verdade. Mas uma pequena parte de si gostava de pensar que as coisas mudariam em Seul. Estava ansioso por novidades e, de certo modo, aberto a novas amizades, e quem sabe até, por aventuras.

— Vai, tira esse bico da cara — sua mãe disse ao vê-lo entrar dentro da nova casa e com pouca mobília, deles. — Meu bochechudinho lindo da mamãe...

— Fala sério, mãe!

— Credo, não precisa desse estresse todo, vai ser legal! Seus amiguinhos podem passar um tempinho aqui e você pode visitar os seus avós em Busan — depois que sair o seu boletim, é claro. — Como citado antes, eles eram super protetores com Jimin, e uma coisa que pais desse tipo, em sua maioria, faziam, era botar expectativa demais nas suas crianças (por mais que não deixassem nem que eles fossem sozinhos para o colégio).

Jimin quis rir das palavras da sua mãe. Amigos em Busan ele não tinha, porque a maioria só queria copiar as respostas das suas atividades. Acabou desistindo de tentar amigar e só deixou com que seus colegas usufruíssem da sua boa vontade, mantendo-os como companhias para conversar e passarem o intervalo. Já visitar seus avós estava fora de questão também, porque os velhinhos tinham se mudado para um lugar afastado da cidade, e Jimin tinha medo de tentar visitá-los e acabar parando em algum lugar perigoso do outro lado da fronteira.

— Não tô estressado, só é meio estranho ainda. Esse lugar cheira a mofo. — Disse de modo vago, notando que os pais estavam ocupados guiando os responsáveis por descarregarem a mudança em direção ao andar de cima.

— É cheiro de casa nova, filho! – seu pai respondeu animado. — Logo você se acostuma, carinha, daqui a pouco faz um bocado de amigos e nem vai lembrar que morava em Busan.

O jovem queria ter respondido que ele se lembraria sim de Busan, que era o lugar que eles nasceram e moraram por anos, perto do resto dos parentes. Querendo ou não, a família Park estava há mais de gerações morando em Busan, e por mais que Jimin não ligasse para esse fato, apelaria para aquilo se pudesse ficar. Porém, escolheu continuar em silêncio, porque querendo ou não, seus pais estavam sim muito felizes em finalmente terem a casa própria, gozando de felicidade em ter uma casa que seria usada de herança pro único filho. Jimin não sabia, mas terem saído do apartamento alugado minúsculo que moravam desde o nascimento do primogênito, era visto — porque realmente era — como uma grande vitória para os mais velhos. E se ele batesse o pé no chão igual uma criança birrenta, alegando que queria voltar e continuar na vida pacata, dentro da própria bolha, não tendo ideia que os pais tiravam da comida deles para depositarem dinheiro no apartamento alugado e ainda conseguir dar do bom e do melhor para o filho, estaria sendo mal agradecido e bobo.

Contentou-se em murmurar um breve ‘sim’ e foi ajudá-los a arrumarem o básico que tinham nas caixas, como roupas e lençóis para forrar as camas, além de posicionar alguns quadros com fotos antigas na parede da escadaria. O restante, como móveis e eletrodomésticos, estava marcado para chegar no meio da semana.

Jimin ainda não estava acreditando que teria que recomeçar uma nova vida em outro lugar. E com nova vida, pensava mais em como seria o seu novo ambiente escolar.

Só esperava que não acontecesse nada que o fizesse se meter em problemas.

...

Por ser um garoto que acabou de mudar de cidade, esperava que teria tempo de se adaptar ao local antes de ser obrigado pela sua mãe a ir à escola. Iria estudar? Ainda não, apesar da sua matrícula já estar pronta há dias. De acordo com o que sua mãe disse, ele estava indo conhecer o colégio antes da volta as aulas para não se perder durante os períodos.

Quem em sã consciência vai pra escola sem ter ninguém? Só sendo um Park Jimin, meus colegas.

Sem poder de escolha, acordou cedo e procurou no armário qualquer roupa que não denunciasse que ele estava indo pra escola — como se existisse isso, seu look do resto dos dias seria um uniforme sem graça — e, quando ainda estava no banho, tomou um susto e quase escorreu pelo ralo quando os seus pais entraram de supetão no banheiro, alegando que teriam que usar o banheiro acoplado do seu quarto, por ser o único que tinha sido reformado antes dos antigos moradores venderem a casa. Jimin quis morrer quando ouviu 'olha a pimentinha!' sair da boca do seu pai quando num pulo correu para tampar as partes íntimas.

Vai que era um ladrãoné?

E sua mãe apenas reclamou dele tampando a tal da pimentinha, dizendo que ela já havia lavado e passado muito talco naquela região, não tinha do que ter vergonha! Poxaque bobeiraJiminie. Foi a resposta deles assim que perceberam a cara avermelhada do filhinho.

Jimin mal sabia que aquela situação seria mais corriqueira do que imaginava.

...

Arrumado e cheiroso, Jimin nem parecia mais o garoto que estava quase fingindo uma dor de barriga para não ter de ir para uma escola vazia. — tampouco queria ir nela cheia — Seu estilo naquele dia era despojado, a calça jeans dois números maiores do que o seu quadril ficava caída, o que na sua cabeça, dava um ar descolado. A blusa de moletom que mais parecia um vestido nele, era indispensável, como um toque final. Seus gloriosos 1,74 de altura eram em vão com aquelas roupas, mas ele não parecia se dar conta.

Sua mãe ao ver o quão desleixado era o seu filho vestido sem a sua supervisão, respirou fundo e repetiu mentalmente 'não vou me estressar' como uma espécie de mantra. Jimin percebeu a reação negativa em torno do seu estilo, mas nada fez, afinal, pelo menos para se vestir ele teria alguma autonomia, não?

Despediu-se do seu pai sentado à mesa, lendo as tirinhas do jornal, focado como se fosse uma reportagem, e bebericando o café preto puro. Seguiu para o carro com as chaves em mãos, a pedido da sua mãe, para que esperasse por ela dentro do mesmo.

O caminho até o colégio foi silencioso entre os dois, sendo preenchido pela rádio que tocava uma ballad dos anos 80. Aproveitou o tempo para conhecer as ruas, torcendo para que assim que soubesse o caminho de ida e vinda, pudesse voltar sozinho para casa. Ficou impressionado com a movimentação das ruas, maior do que em Busan, talvez por ser a capital e ter mais gente nelas, indo de pessoas de outros lugares do país até estrangeiros. Quando o carro parou e saiu dos seus pensamentos aleatórios, sentiu uma mão acariciar a sua cabeça. Não era bem um carinho, sua mãe estava apenas tentando arrumar o seu cabelo por baixo da touca que usava.

— Antes de voltar as aulas, vou cortar o seu cabelo. – Disse em voz alta, como se estivesse pensando. Foi só isso. Ela não perguntou se ele queria cortar o cabelo, apenas ditou suas ordens e Jimin, como o bom filho que era, apenas acatou, silencioso. Era assim desde criança, a diferença era que agora ele estava quase alcançando a maioridade, e vivia seguindo ordens como se fosse alguém incapaz de fazer as próprias escolhas, por mais pequenas e simples que elas fossem.

— Me liga quando sair, tá bom? E nada de sair com estranhos, ou falar com eles. – O garoto se preparou para sair, sendo barrado pela mão no seu ombro. — Fique aonde eu possa te ver na saída e nada de sair com algum amiguinho.

Amiguinho? É provável que só tenha eu e os funcionários na escola, mãe.” Foi o que quis dizer, mas na realidade, somente respondeu:

— Tá bom. Tchau.

Quando finalmente pôde sair do carro, franziu o cenho com a onda de sol quente que bateu no seu rosto. O dia estava bonito em Seul. Abaixou o rosto corado e acenou em despedida para a buzinada que recebeu de sua mãe.

Com os portões do colégio abertos, seguiu em direção à entrada, torcendo os dedos de puro nervosismo e pensando em qualquer lugar no mundo para estar que não fosse aquele. Bom, pelo menos não tem nenhum aluno aqui. Pensou, enquanto procurava pela secretaria, buscando decorar cada mínimo pedaço daquele lugar e comparar com o antigo colégio. As escolas em Seul pareciam mais sofisticadas, tinham aspectos de uma reforma recente e cheirava a desinfetante. Suspeitava que alguém tivesse feito faxina alguns minutos antes dele entrar. Diferente do seu outro colégio, onde as paredes eram riscadas e preenchidas com tinta velha descascada, cheiro de pó de giz e alguma coisa que ele não conseguia lembrar. Só de pensar que iria estudar naquele lugar cheio de grades nas janelas e mauricinhos da pior espécie, desejava voltar pro lugar de onde veio e pedir pra morar com os avós.

Ei, garoto! As aulas começam semana que vem. – Uma voz desconhecida soou pelo corredor, fazendo um eco insuportável. — Ou você veio cumprir castigo também? Não lembro da tua cara, é aluno novo?

O mesmo garoto perguntou.

— Meu Deus, que show de horrores essa roupa dele. – Outro garoto surgiu, desta vez com as madeixas num loiro quase branco, empurrando um carrinho de limpeza. — Claro que ele é novo, Taehyung. Eu com certeza me lembraria de alguém que conseguisse se vestir pior do que Kim Namjoon nas férias.

— Céus, Yoongi hyung, não me lembre desse bastardo agora. Ele e Jungkook me pagam ainda! Eu vou xingar muito eles no grupo hoje.

Jimin apenas olhava os dois garotos, com idades próximas da sua ou até a mesma, se perguntando o que eles faziam naquele lugar. Como dito, não havia começado o ano letivo ainda. E ainda zombaram do seu estilo... despojado.

— Olá, sou aluno novo, poderiam me indicar aonde fica a secretaria? – Perguntou de forma educada.

— Ah, legal. Nasceu em que ano? – O garoto do carrinho de limpeza perguntou, esboçando curiosidade.

— 2001.

Por estarem no começo do ano, faria dezoito somente em Outubro. Até aquele dia, ainda tinha dezessete.

— Hm, então você vai ficar na nossa sala, porque uma garota teve que trocar de escola e as outras turmas estão lotadas. Me chamo Min Yoongi e aquele grandalhão lá, Kim Taehyung. Vamos te acompanhar até a direção.

Vamos?” Conseguiu ouvir Taehyung perguntar a Yoongi num sussurro meio alto, que Jimin pôde ouvir. O outro apenas respondeu que sim. “Se a coordenadora nos colocar para apresentar o colégio à ele, não precisaremos terminar o castigo.” Preferiu não comentar que estava conseguindo ouvi-los, por isso não seria necessário os ‘sussurros'.

— Qual é o seu nome, garoto de vestes estranhas? – Taehyung perguntou.

— Jimin. Park Jimin. – fez uma reverência.

— Nossa, você é muito educado, veio de onde?

— Busan. – Foi a última coisa que conseguiu responder, antes de ter um braço em volta do seu pescoço, e um cheiro gostoso de perfume. Era Taehyung, o garoto cheiroso e com braço solto, ele cheirava doce igual uma garota, ou o que ele imaginava que uma garota cheirasse, visto que nunca foi de ter muito contato íntimo com elas. Ou com qualquer outra pessoa.

Percebeu que estava sendo guiado até a secretaria quando ouviu ao fundo o carrinho ser acompanhado, junto do som leve dos passos que ele julgava serem de Yoongi. Em meio a conversa afiada de Taehyung e os resmungos de Yoongi, ao cruzarem o extenso corredor que dava para a direção do colégio, na porta perto da diretoria, havia outro garoto limpando o chão do corredor. Seus cabelos eram tão escuros que a luz refletia neles, dando um ar angelical. Sua expressão era vazia, parecia concentrado em limpar qualquer vestígio de sujeira que tivesse no chão. Seus braços estavam amostra por causa da camiseta preta que ele usava, deixando as veias proeminentes e dando um ar másculo nele. Jimin achou o estilo dele legal.

— Aí, esqueci que esse insuportável estava limpando esse lado. – Taehyung bufou de modo impaciente. — Nem olha, Jiminzinho, aquele ali não vale a pena!

De primeira, Jimin entendeu que estavam falando do garoto do outro lado do corredor, que por sinal, percebeu a movimentação e parou a sua tarefa, segurando o esfregão com força entre os dedos. Sua mão também tinha veias, e caramba, ele parecia ser bem mais velho graças a elas.

Quando os três se aproximaram, o garoto mudou a expressão relaxada para uma séria, olhando diretamente para Yoongi – que tinha abandonado o carrinho no começo do corredor – e Taehyung, esse que mantinha o braço ao redor do pescoço de Jimin, fazendo-o parecer menor, dado a altura do outro.

— Aqui vocês não pisam! – O garoto disse ríspido, focando em olhar somente os dois, esquecendo ou ignorando de propósito o garoto desengonçado e com roupas estranhas sendo quase enforcado pelos braços de Taehyung.

— Ué? E você comprou o corredor pra você? – Taehyung ironizou. — Ouviu isso, Yoongi? O grande Jeon Jungkook comprou o corredor só pra ele! Woah, como ele é importante!

— Será que a Senhora Kim sabe que o corredor da sua escola pertence a um pirralho? – Yoongi zombou.

— Gente, eu... – Jimin tentou se pronunciar, sendo ignorado por eles. Queria sair daquele meio antes que tomasse outro tipo de proporção, não pegaria bem se meter em confusão antes de começar oficialmente as aulas, nem depois delas. De qualquer forma, seus pais surtariam ao descobrir que o filho poderia estar envolvido em qualquer tipo de boato ruim. Escândalos não eram bem vindos na família Park.

— Vocês dois são tão infantis, tsc. – O garoto, agora descoberto ser Jeon Jungkook, deu um estalo com a língua e revirou os olhos. — Fazem... O que? Duas horas...? Que vocês dois vieram e sujaram aqui de propósito, só para me prejudicar. – Respondeu irritado, depois de minutos, pareceu dar conta do rosto novato debaixo do braço de Taehyung. — E você é o...?

— Não te interessa o nome dele! – Yoongi tomou a frente, tampando Jimin do olhar curioso de Jungkook.

Park Jimin?

A voz aveludada de uma mulher soou da porta ao lado que os meninos, entretidos só em brigarem, mal se deram conta que estavam discutindo em frente à porta da diretora, aberta. O olhar de Kim Taeyeon por debaixo dos óculos redondos era divertido, como se estivesse achando graça da briguinha sem sentido vinda dos seus alunos mais encrenqueiros. Jungkook, Namjoon, Yoongi e Taehyung eram os alunos que os professores sempre mandavam darem uma volta, para não estressar e atrapalhar ainda mais as aulas. Por saber que a birra entre os quatro não tratava de algo sério, apenas deixava com que o quarteto ficasse na sua sala, ora fazendo lição ou ajudando a arrumar alguma coisa como castigo. O que fora o caso do castigo daquele dia, por terem começado uma confusão no refeitório antes de entrarem no período de férias, resultando em uma guerra de comida e um desperdício desnecessário, causando apenas despesa para ela e mais trabalho para os funcionários.

— Sou eu, senhora. – saiu dos braços do garoto e fez uma reverência para a mais velha. — Minha mãe disse que concordou que eu conhecesse o colégio antes de começar as aulas.

— Ah claro, claro. Sente-se aqui por um instante, preciso conversar com os três briguentos aí. – Ajeitou o óculos no rosto e foi em direção aos três garotos de cabeça baixa, mostrando sinal de respeito. — Não sei mais o que fazer em relação a vocês, meninos. Vejo que não terei outra opção além de suspender e dar advertência para o comportamento de vocês.

— Não será necessário, diretora. – Jungkook disse. — Me manterei afastado de problemas, prometo. Me desculpe pelo transtorno.

— A culpa é do Jungkook, diretora. – Taehyung respondeu, recebendo uma cotovelada de Yoongi como resposta. — Quer dizer, não posso prometer nada, mas vou ficar na minha.

— Digo o mesmo. Me desculpe, diretora Kim. Não queríamos dar problemas. – De modo amuado, Yoongi respondeu.

— Certo, darei essa última chance a vocês. Por hora, terminem o que foi determinado para o castigo. – Jungkook respondeu com um orgulhoso: “Já terminei.” Enquanto Taehyung e Yoongi se entreolharam, como se soubessem que teriam que ficar mais tempo no colégio. — Ok, Jungkook, você pode entrar e ocupar a outra cadeira. Vocês dois – apontou para os dois garotos restantes – quando terminarem, venham até a minha sala para assinarem a advertência do castigo.

Quando eles foram despachados, Jungkook entrou na sala sendo seguido pela diretora Kim. Após fechar a porta, foi em direção a sua cadeira e indicou para que Jungkook sentasse ao lado de Jimin, este que somente observava o lugar com curiosidade. A sala era decorada de maneira rústica, com alguns bonsais na janela, um globo posicionado perto de outra escrivaninha menor e uma prateleira com diversos livros. Parecia uma biblioteca de filmes, admirou o bom gosto de quem tenha decorado.

— Bom, Jimin, sua mãe me disse que você tem dificuldades para se enturmar, certo? – Taeyeon perguntou, analisando a ficha da matrícula de Park Jimin.

Não havia do que reclamar, sua notas estavam na média, intercalando com poucas abaixo do que o normal, arrumadas graças a outras provas e alguns reforços, as frequências também eram boas. Em seu histórico, não tinha nenhum rastro de mal comportamento, faltas excessivas ou qualquer suspensão ou advertência. Estava feliz em ter um aluno tão aplicado como Jimin na sua escola, aumentando a esperança que nem todos eram como Kim Taehyung, Min Yoongi e Jeon Jungkook, os que lhe traziam mais problemas. Kim Namjoon, apesar de acabar envolvido em algumas, compensava pelas notas acima da média e frequência regular.

— Não é bem dificuldade, eu só gosto de ficar na minha, não tenho tanta paciência pra conversa afiada ou besteirol. – Respondeu meio inquieto, estralando os dedos num sinal de nervosismo. — Minha mãe costuma exagerar um pouquinho.

Taeyeon sorriu um pouco, achando graça na fala do aluno. Havia percebido o comportamento meio exagerado da mãe do menor quando conversaram por telefone e Park Yaebin, mãe de Jimin, estava querendo estocar remédios que o garoto poderia precisar tomar, caso passasse mal estando na escola. Apesar de achar desnecessário, compreendia que ela só era uma mãe bastante preocupada, o que ocasionava na superproteção com o único filho.

— Entendo. Mas então, o que achou da escola até agora? – Perguntou bem humorada.

— Achei ela bem bonita, Senhorita Kim. Espaçosa e com armários bonitos.

— Achou os alunos muito diferentes do seus antigos do outro colégio?

Bastante. – Respondeu enfático, sentindo o olhar do garoto do corredor queimar na sua direção. — Mas eu não conheci quase ninguém, não me acho no direito de comentar ainda.

— Logo você conhecerá a sua sala, creio que gostará deles. Tenho certeza que se dará bem com Taehyung e Yoongi, eles são garotos amigáveis e dóceis. – Sorriu.

Amigáveis e dóceis? Não sei onde... – Ambos levaram o olhar para Jungkook que resmungava com os braços cruzados. — Desculpa Sra. Kim, não queria ter dito em voz alta.

— E você, Jungkook? Estou decepcionada com o tipo de comportamento que anda tendo. Sei que por mais que vocês tenham desavenças, me prometeu que não cairia na ‘pilha' deles mais. Sua função como presidente de classe é manter a ordem, Jeon, e o que mais vejo é você metido em confusão e vindo direto pra diretoria. Desse jeito, terei que cancelar o seu pedido de abertura para o clube de música. – Taeyeon disse, soando firme. Os óculos redondos apenas ajudavam na postura séria.

— Ah, me desculpe. Eu... Eu realmente não sei onde andei com a minha cabeça para replicar as bobagens ditas por aqueles dois. Eles são bastante irritantes quando querem, diretora. – Respondeu com o corpo afundando na cadeira ao mesmo tempo. Um bico mal humorado sustentava nos lábios finos, fazendo-o parecer fofo aos olhos de Jimin.

Taeyeon somente suspirou, parecendo cansada de ouvir a mesma história sempre.

— Essa é a última vez, Jungkook, quero que deixe claro para Yoongi, Taehyung e até Namjoon, se for preciso. Os funcionários não são obrigados a separar brigas ou limpar comida desperdiçada, quero que fique claro.

— Meus pais prometeram repor o que foi desperdiçado, Sra. Kim, e peço desculpas pelo transtorno causado, de verdade.

— Tudo bem. Só me prometa se manter afastado de discussões , de preferência, afastado de brigas ou algo que envolva comida atacada. – Taeyeon disse, olhando agora com ternura para Jungkook. — Antes de ir, poderia mostrar o colégio para Park Jimin? Ele é aluno novo da sua sala, ficará no lugar de Kim Dahyun.

— Claro, com prazer. – Fez uma reverência. — Vamos?

E Jimin seguiu o garoto, sentindo uma ansiedade sem explicação.

...

 

Diferente do que imaginava, Jungkook não era um garoto tagarela como Taehyung ou com postura mais séria, como Yoongi — as únicas pessoas que tinha conversado até aquele momento —. Jeon Jungkook era bem inexpressivo, tal como a Kristen Stewart no papel de Bella Swan em Crepúsculo. Não demonstrava muitas emoções, parecia estar odiando acompanhá-lo naquela mini excursão e Jimin odiava pensar estar incomodando alguém.

— Essa é a sala vazia que pertence ao nosso ano, 3°T. Ela esteve inutilizada por alguns anos, por isso tivemos a ideia de transformá-la num clube de cultura. – Sorriu brando, sendo o único momento que pôde vê-lo demonstrar algum tipo de reação. — A diretora Kim disse ser de música, mas creio que ela se confundiu um pouco. Esse clube será voltado para qualquer fim cultural, indo de música, artes plásticas ou teatro. Temos vagas ainda, se for do seu interesse.

No antigo colégio não tinham tanta estrutura a ponto de terem direito a alguma coisa, mas ele costumava jogar basquete para preencher a base escolar, isso foi antes dele descobrir que não tinha talento para esportes e no máximo ficava no banco.

— Parece legal. Posso tentar participar mesmo sendo inútil?

— Ninguém é inútil, Park-ssi. Somente talentos não descobertos. – E pela segunda vez naquela hora, Jungkook sorriu. — Posso te ajudar a descobrir, se quiser. Sob uma única condição, aliás.

— E qual seria? – Perguntou curioso.

— Manter-se afastado de Min Yoongi e Kim Taehyung. Olha, eu sei que por ser novato você sente a necessidade de se enturmar rápido, mas vai por mim, eles não são as melhores opções. – Jimin sentiu que aquela birra deles não era bem uma birra, do tipo picuinha de adolescente.

Eles pareciam serem inimigos declarados.

— Agradeço pelo... conselho? Sei lá, mas enfim: Eu não vou me meter na briga de vocês, beleza? Entendo que deve ter algum tipo de rivalidade entre vocês, mas eu não posso entrar nesse tipo de coisa. Tô fora. Valeu pela ajuda, Jeon-ssi, mas preciso ir.

Ambos fizeram uma reverência em respeito e seguiram por caminhos diferentes. Estranhou Jungkook não ter aberto a boca para retrucar, então apenas agradeceu por não ter se tornado nenhuma discussão seria.

No caminho até a saída, mandou uma mensagem para a mãe, avisando que tinha acabado seu tour pelo lugar e queria ir embora. Jimin foi respondido em minutos, e ele não iria duvidar se a mãe estivesse a poucas quadras do colégio, apenas esperando que ele mandasse mensagem.

Passou novamente pelo corredor onde encontrou com a dupla de garotos antes, sendo recebido por ambos novamente. Eles estavam claramente enrolando para não terminar o castigo, e se Jimin tivesse com paciência e disposição, ajudaria eles no trabalho, apesar de não ser da conta dele. Porém, seu corpo magrelo estava cansado (de fazer nada) e morrendo de sono, por ter passado a madrugada no celular. Queria ir pra casa dormir até anoitecer.

— E aí, garoto das roupas feias. — Taehyung chamou-o atenção, ferindo a sua persona que achava estar na moda. — Como foi lá com o Mr. Insuportável?

— Quem é esse? Jeon Jungkook?

Shh... Não diga esse nome em voz alta! Pode invocar! – Taehyung respondeu, tampando os lábios de Jimin. — Poxa, você tem uma boca bonita, Jiminzinho.

— Hã... Valeu.

Agradeceu, envergonhado. Ninguém além dos seus pais elogiavam sua aparência, aquilo era novo para um Park Jimin com autoestima baixa.

— Caramba, você tá vermelho! Que fofo, Jimin. Você é um carinha fofo! – Apertou as suas bochechas, quase espremendo o seu rosto. — Meu Deus... Sim! Caramba, como nunca pensei nisso antes? Yoongi, vem cá! – Foi a última coisa que Jimin ouviu, antes de Taehyung correr para a direção de Yoongi, que terminava de passar pano com má vontade. Logo após isso, recebeu uma mensagem de sua mãe, indicando que ela já estava esperando por ele no portão da frente, deixando-o sem opção além de seguir sem poder despedir dos novos colegas.

 

Ao atravessar os portões e entrar no carro estacionado em frente, abriu a porta do carro e foi recebido com o sorriso doce da mais velha. Sorriu de volta, dando um beijo no canto do rosto dela e sentando no banco do carona. Ao passar o cinto e sentir o carro tomar impulso, Jimin respirou fundo, pensando em como os alunos de Seul pareciam malucos, perto dos alunos que estava acostumado em Busan.

— Como foi lá? – Sua mãe perguntou assim que parou no sinal, aguardando dar verde.

— Legal. – Limitou-se a responder.

Yaebin apenas apertou os lábios e franziu a sobrancelha, contendo a vontade de encher o filho de perguntas. Não poderia fazer aquilo, porque sabia que Jimin só falava o que ele queria e na hora que queria, mas estava curiosa em saber o que passava pela cabeça dele com toda essa mudança brusca de vida. Preocupada, tinha medo do filho estar escondendo sua possível infelicidade de mudar de cidade.

Quando o farol ficou verde, indicando sinal para prosseguir, aguardou os últimos pedestres atravessarem e seguiu rumo a sua casa, deixando o filho no próprio mundo.

Jimin, naquele momento, só queria pensar um pouco mais e acostumar com a ideia de ser um novato em todos os sentidos.


Notas Finais


4 mil palavras no primeiro capítulo não é mole não... se sentirem-se confortáveis, peço que comentem ou deem a opinião de vocês, pode ser coisa que gostaram ou até o que nao gostaram.
revisei ela, mas pode ter erros, então sorry se tiver.

link da história no wattpad: https://my.w.tt/FDfoByg0y6


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