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História Mr. Mistake - Dramione - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, gente!

Todos saudáveis?
Fiquem em casa!
Fiquem seguros! 💚

Boa leitura ♥️

Capítulo 25 - Assuntos Pendentes


Hermione



Dormir sem Draco se provou uma droga. E eu já suspeitava disso antes mesmo de tentar. Depois de quase uma hora rolando para um lado e outro, resolvi que ficar ali não me ajudaria em nada. Já estava óbvio que o sono não viria de forma alguma, e me martirizar não fazia meu tipo. Lançando um último olhar para o celular e, com isso, provando que nenhuma mensagem havia chegado, suspirei e me levantei, caminhando para fora do quarto rapidamente. Passando na frente do quarto de Gina, rolei os olhos e sorri ao ouvir risadinhas e uma batida abafada na porta. Estavam transando contra a porta. Reprimi a inveja. 

Me apressei para as escadas e desci com pressa, resolvendo que um pouco do cheiro salgado do mar e do vento no meu rosto poderia resolver meu humor lastimável. E me surpreendi ao encontrar minha mãe lá, sentada no degrau da varanda, segurando um cobertor ao redor dos ombros. 

— Mamãe? — Levantei uma sobrancelha, olhando para sua constituição pequena e percebendo como ela era frágil. Era a mulher mais corajosa e feroz que eu já conhecera, mas também era delicada. Ela virou para mim e sorriu, mas era do tipo de sorriso que não alcançava os olhos. 

— Filhotinha. — Disse ela, dando dois tapinhas no espaço vazio ao seu lado. — Venha aqui, preciso de um pouco de companhia

Sem ousar questionar aquela necessidade que, notei, eu também sentia, me apressei para ela e sentei ao seu lado. Mamãe dividiu o cobertor comigo, me abraçando de lado e apoiando a cabeça na minha. Era um tipo de momento triste compartilhado, notei. Daqueles que tínhamos sempre que falávamos do papai, antes. Ou quando nossas menstruações alinhavam. Triste e trágico. 

— Estou triste. — Sussurrei, olhando para o mar. Suspirando, mamãe acariciou gentilmente meu braço.

— Estou triste porque você está triste. 

Dei uma risadinha seca. 

— Não pode ficar triste porque eu estou triste. Alguém tem que ser o raio de felicidade nesse lugar. 

— Não podemos deixar para Ronan?

— Não. Ele está triste também. — Bufei, lembrando do sorriso desanimado dele antes de se recolher no quarto. — Nossas férias divertidas se transformou em velório.

— Homens são tão idiotas. — Mamãe murmurou. Não tive como discordar de tamanha perfeição em forma de frase. — Eles são como… bichos irracionais. Não, acho que pets são mais inteligentes. 

— Devo concordar. — Sorri. — Bichento costumava comer meus peixinhos e fazer cara de inocente.

— Saudades de Bichento. — Ela sorriu saudosamente. Nosso gatinho havia morrido há pouco tempo, e ainda não estávamos totalmente imunes a tanta saudade

— O que eu vou fazer? — Perguntei em um sussurro tenso. — Papai e Lucius se odeiam. É como se Draco fosse Romeu, e eu, a Julieta… Uma Julieta um pouco desleixada e de boca suja. 

— Tenho certeza que a Julieta original pensava em alguns palavrões também. Ninguém podia se relacionar com aquele Romeu tão desprovido de bom senso e não mandá-lo se foder vez ou outra. 

— Isso é verdade…

— Tenha paciência, amor. — Ela beijou minha têmpora com carinho. — As coisas vão se acertar. 

— E se não se acertar? 

— Nós acertaremos as coisas. — Mamãe deu de ombros. — Na conversa ou na violência

Ri baixinho, me aconchegando no corpo quente da minha mãe e cobertor aquecido que nos cobria. 

— Meu pai parece um pouco… arrependido. — Sussurrei. — Acho que eu me sinto arrependida também. Tantas coisas externas nos afastaram…

— Garota, você não tem o direito de me fazer chorar novamente. — Mamãe bufou. — Vocês abraçados foi a coisa mais linda que eu já vi. O perdão era quase palpável. 

— Não perdão. — Franzi o cenho. — Não há o que perdoar. Ele acha que é covarde por nos deixar, mas foi tão corajoso. Agora eu me sinto culpada por evitá-lo por tanto tempo.

— E eu me sinto culpada por xingá-lo mentalmente sempre que lembrava dele. 

Sorri. 

— Você ainda gosta dele? 

Mamãe endureceu ao meu lado. 

— Isso não é importante. Essa situação diz respeito mais a vocês do que a mim.

— Não é verdade. Ele foi forçado a se afastar de você também.

— Não quero pensar nisso agora. — Sua voz tensa não combinava com sua mão me afagando com gentileza. — Já me iludi demais com essa coisa toda entre Ronan e eu. 

— Ele gosta de você.

— E como você sabe? — Ela me olhou, perplexa. Rolei os olhos.

— Está sendo cínica ou realmente não percebeu? 

— Percebi o quê? 

— Talvez pessoas que amam sejam tão desprovidas de inteligência quanto o Romeu. — Considerei. — Eu sei que eu mesma já fiz muita estupidez em relação ao… Meu Deus… — Pisquei, tão aturdida com o que eu mesma falava que senti meu peito afundar. — Isso significa que eu o amo? 

— Draco? — Mamãe perguntou, me olhando como se a pergunta fosse idiota. — Claro que ama, menina, está louca? Eu vi isso assim que você chegou naquele hospital para me buscar. 

Pisquei. 

— Eu o amo. — Sussurrei lentamente. — Isso só deixa tudo pior. 

— Está sendo pessimista. 

— Pessimista? — Olhei para ela. Talvez mamãe tivesse dormido em algum ponto da nossa conversa com Ronan. — Papai foi praticamente torturado pelo avô do Draco. Lucius o odeia porque meu pai tenta acabar com a empresa dele. Draco adora o pai, simplesmente não vai conseguir ficar contra ele. E eu não posso ignorar o quanto meu pai, eu e você sofremos por causa desse velho desgraçado. Como isso pode ser pessimismo meu? 

Mamãe levantou uma sobrancelha.

— Pensando bem, talvez não seja só pessimismo. — Disse ela, sendo mais sensata. — Mas não significa que vocês dois não podem ficar juntos.

— Nossas famílias se odeiam. Já pensou se chegarmos a nos casar? Todo Natal teremos um evento de MMA entre família. 

— Podemos cobrar para as pessoas assistirem…

— Mãe! 

— Desculpe. — Ela riu baixinho. — No entanto, continuo dizendo que isso não significa o fim. Não é seu pai quem namora Draco. Não é Lucius quem namora você. Deixe que eles se odeiem, ame seu namorado. Nada disso é culpa sua ou dele, não deixem que os afetem dessa forma. — Ela suspirou baixinho. — Se seu pai deixasse que as regras estúpidas de Abraxas o dominassem, você nunca teria nascido. Às vezes, é bom ir contra as regras. 

— As regras, no caso, é o ódio do meu pai? 

— Exatamente. 

— Não sei. — Dei de ombros de forma lastimável. — Mas podemos tentar. 

— Claro que podem. 

— Estou triste. 

— Você já disse isso. — Ela sorriu de lado, sem dúvida entendendo onde eu queria chegar. 

— Não vamos fazer o que sempre fazemos nos nossos momentos compartilhados de tristeza? 

Rindo, ela se levantou e me puxou junto.

— Você faz a pipoca, eu faço chocolate quente. 

— Eu escolho o filme. — Declarei. — E, tenho que avisar, preciso de algo que me faça chorar compulsiva e dolorosamente. 

— Um Amor Para Recordar?

— Ah… — Sorri, pronta para chorar rios junto com a minha mãe. — Com certeza


-x-


O carro emprestado de Ronan me deixava estranhamente confortável. O Rolls Royce prateado deslizava sobre a pista como uma fera caçando, com graça e ameaça em cada ronronar do motor. Entretanto, nem mesmo aquele carro maravilhoso estava conseguindo tirar o peso do meu peito enquanto eu dirigia para o hotel onde Draco estava. Suas malas estavam no banco traseiro, o pedido em sua mensagem tinha quebrado meu coração. Por algum motivo estúpido, eu ainda esperava que ele voltasse para a casa, que tudo estivesse bem novamente assim que ele entendesse. Não estava tudo bem. Sua mensagem curta dizia apenas "Pode me trazer as malas, por favor? E eu preciso de você. Precisamos conversar". Dolorosamente direta. Insuportavelmente informal. Eu queria matá-lo de tantos abraços e depois de tantos tapas. 

Parando na praça que ficava em frente ao hotel, desci do carro e sentei em um dos bancos bonitos e antigos. Estava impaciente enquanto meu joelho sacudia para cima e para baixo, meus olhos disparando ao redor a procura de Draco. 

Foi inevitável suspirar baixinho quando ele apareceu. Era alívio, percebi. Por alguma razão, havia uma parte de mim que estava apavorada com a ideia dele me largar ali, mas estava enganada. Sorri ao vê-lo caminhando na minha direção, e meu coração estúpido saltou no peito. 

Quem diria que a Hermione de meses atrás se apaixonaria tão perdidamente por aquela estrelinha? 

Quem diria que ela gostaria disso, afinal? 

E quem diria que, pelos deuses, ela sentiria o coração apertar com apenas algumas horas longe? 

Ninguém diria. Mas aconteceu.

Enquanto o olhava, percebi que não sabia o que dizer. Como começar uma conversa depois de tudo o que ouvimos na noite anterior? Sua mensagem não dizia nada que eu precisasse saber. Ele me odiava? Ainda me queria? Ainda seria meu? Eu só sabia, de uma forma inquestionável, que era dele de qualquer maneira.

Engoli em seco quando Draco me viu e não houve sorrisos. Sem sorrisos era ruim… Ele sempre sorria para mim. Sorrisos petulantes, provocadores, doces ou apenas aquele sorriso de bom dia. Ele estava sempre me olhando com um carinho que, até então, eu nem percebia que adorava. E agora, não havia nada. Era um papel em branco.

Meu Deus, vou vomitar…

— Vou vomitar. — Meus lábios formaram a frase assim que Draco parou na minha frente. Ele levantou uma sobrancelha, surpreso.

— Você sempre sabe exatamente o que dizer. 

— Desculpe. — Suspirei, agoniada com a tensão que não era hábito entre nós. 

— Você está bem? — Perguntou ele, seus olhos me observando como se procurasse algo. — Fora o fato de querer vomitar. 

— Você está bem? — Devolvi a pergunta. — Você nem sorriu para mim. 

— Você também não sorriu para mim. — Sua acusação me fez rolar os olhos.

— Mas eu sou a mal humorada. Você é o que sorri primeiro. 

E, de repente, ele sorriu. Meu Deus, meus joelhos bambearam tanto que achei que cairia de cara no chão. Draco sorriu com um toque de alívio que me deixou tonta, e tudo o que pude fazer foi olhar para ele. 

— Achei que estivesse com raiva de mim. — Confessou, sorrindo de lado. — Estava com medo.

— Jesus, não me mate assim de novo. — Soltei em um suspiro brusco e nada feminino. — Eu achei que você estivesse me odiando agora. Quase tive um infarto. 

— Venha logo aqui, minha gata. — Sem esperar, ele me puxou para seu abraço e eu mergulhei nele sem ousar considerar o contrário. Era quente ali. Quente, gostoso, cheio do seu perfume e de uma sensação maravilhosa de paz. Ele era a pessoa que me fazia querer sorrir, ainda que eu fosse a mal humorada. Ele era só meu também. Meus braços rodearam sua cintura e eu gemi baixinho, afundando meu rosto no seu peito, sentindo seus lábios na minha cabeça. Mas eu não queria que ele beijasse outro lugar, senão a minha boca. Então, levantei o rosto e o beijei até que meus pés se esticaram para chegar mais perto. — Não dormi nada sem você. — Sussurrou ele, os lábios ainda encostados nos meus. — É um saco não sentir sua bunda no meu…

— Momento fofo, Draco. — O interrompi, sentindo a risada dele. — Não estrague o momento fofo

Ficamos ali, abraçados, por tanto tempo que o tempo, de fato, parou de ter sentido. Era só uma onda de tranquilidade que nenhum de nós queria parar. Uma bolha de paz que nos protegia dos problemas fora dela. Mas, como tudo na vida, a bolha tinha uma validade. E ela expirou assim que Draco soltou um suspiro brusco e me puxou para o banco, sentando ao meu lado. 

— Precisamos conversar. — Disse ele, sério novamente. Eu odiava vê-lo sério. Mordi o lábio inferior, confirmando com um aceno rápido. Draco engoliu em seco. — Quero que vá comigo a um lugar. 

— Onde?

— Um lugar — Repetiu ele. — Onde eu preciso achar respostas. 

— Onde? — Repeti, tensa. Ele franziu o cenho.

— Na casa da minha mãe. — Disse baixinho. — E eu não quero ir lá sozinho. Também não quero que meu pai vá, ele a odeia. Então…

— Eu vou com você. — Confirmei. — A hora que quiser.

— Agora. — Sorriu Draco. — Preciso colocar um fim nisso antes de voltarmos para casa. 

— E nós? — A pergunta tinha que ser feita, e pairou sobre nós dois assim que soou. Draco me olhou com intensidade o suficiente para me deixar inquieta. 

— Eu pensei sobre isso a noite inteira. — Murmurou. — Não dormi pensando no que fazer.

— Eu me sinto culpada agora. Não dormi porque estava chorando com a mamãe, vendo filmes de drama. 

Draco sorriu. 

— Mas você sabe o que quer? 

— Eu sempre sei o que quero. — Sua sobrancelha levantou, o ceticismo escorrendo de seu gesto. Rolei os olhos. — Nem sempre, mas sei agora. 

— Eu quero continuar com você. — Murmurou cuidadosamente. Seus olhos, percebi, continham todas as palavras, as milhões delas, que ele não falava. E ainda assim, as que ele proferiu foram o suficiente para mim. — Eu amo você. E eu não quero que essas diferenças entre nossos pais nos atinjam, porque eu não quero ficar longe. — Ele engoliu em seco. Eu sequer conseguia piscar, olhando-o. — Será difícil, eu sei. Eu só espero que queira tentar comigo, porque… Porque eu ficaria arrasado se você desistisse agora. 

Minha respiração entrecortada foi tudo o que ele ouviu por alguns segundos. E quando achei que desataria em um choro compulsivo, consegui colocar as palavras para fora.

— Eu te amo. — Sorri ao lembrar da minha mãe falando sobre o péssimo uso do “também”. — E, com certeza, quero tentar com você. 

Fiquei surpresa com o fato de Draco parecer surpreso. Quero dizer, não era como se eu escondesse o fato de ser louca por ele. Entretanto, aquela surpresa em seus olhos também aqueceu meu peito, e eu sorri ao abraçá-lo, inspirando o cheiro do seu perfume e da calma que ele me evocava. Suas mãos afagavam minhas costas lentamente, um gesto distraído de alguém que se importava. 

— Isso é tão estranho. — Disse ele. 

— Espero que não esteja chamando nosso amor de estranho. Apesar dele ser um pouco…

— Não — Ele riu. — Estou falando da situação toda. Até alguns meses, pensei que não namoraria mais ninguém. Agora, não consigo imaginar uma vida onde eu não possa dizer que você é minha namorada. 

— Isso é um daqueles momentos homem das cavernas? — Levantei os olhos para ele, sorrindo. — Um daqueles dos livros. O garoto olha para a garota e pensa "se algum macho a olhar, eu o matarei". Sempre achei problematicamente fofo. 

— Você tem o dom das palavras. — Ele riu, me puxando para o seu colo. — Posso estar sendo um pouquinho homem das cavernas. Tirando a parte problemática. 

— Gosto disso. — Considerei, sentindo a fagulha de felicidade no meio de tanta preocupação. Afinal, ele me amava. Ele me amava! Meu Deus, eu poderia repetir aquilo até compor uma música com aquela frase. E eu nem cantava bem.

— Temos que ir. — Disse ele. — Minha mãe não mora longe, mas se queremos voltar para casa essa noite, temos que sair agora. 

— Você vai voltar comigo, certo? — Perguntei, tensa. — Para casa, eu quero dizer. 

— Claro que vou. Que espécie de namorado eu seria se não a levasse para casa? 

— Que bom. Estava pensando em como terminar nosso namoro se você não concordasse com isso.

Draco me olhou, pasmo. Rolei os olhos.

— Estou brincando. 

— Brincar com isso é extremamente errado. — Disse, sorrindo em seguida. — Gostei. 


-x-


A casa da mãe de Draco ficava há meia hora de distância do hotel. Eu estava um pouco surpresa com isso, mas Draco me disse que Lucius escolheu aquele lugar por não querê-la tão longe a ponto de não manter um olho nela. Além disso, Lucius tinha negócios ali, visitava aquela cidade com frequência, o que dava a oportunidade de saber sobre os passos da mãe do seu filho. A história dela, contada rapidamente por Draco, me revoltou a ponto de eu odiá-la. Talvez fosse porque minha mãe me amava incondicionalmente, mas o fato era que aquela mulher não era nada sequer remotamente parecida com uma mãe de verdade. E pelo olhar no rosto de Draco, notei que ele também não era um fã dela. 

Graças a Deus!

— Lucius me odeia? — Perguntei baixinho, olhando o perfil de Draco cuidadosamente. Suas sobrancelhas franziram como se ele não entendesse a pergunta. — Por causa do meu pai. — Esclareci. — Porque eu sou filha de Ronan.

— Meu pai não te odeia. — Disse ele, horrorizado com a possibilidade do contrário. — Ele gosta de você. Eu te disse, isso é entre eles. Não tem nada a ver com nós dois.

— Meu pai também gosta de você. — Inclinei a cabeça, vendo-o morder o interior da boca. — Ele só…

— Eu sei. 

— Vamos conseguir lidar com isso. — Olhei para a frente, sentindo sua mão sobre meu joelho. 

— Claro que vamos. — Respondeu baixinho. 

Poucos minutos depois, estávamos estacionando na frente de uma casa a poucos metros do mar. Era bonita, elegante e, sem dúvida, um pagamento por colocar Draco no mundo. Aquilo era doentio. Descemos do Rolls Royce e esperei Draco me alcançar, segurando minha mão e encarando a casa como se fosse seu pedaço particular de inferno. 

— Você não gosta daqui. — Observei, curiosa. Ele me olhou e sorriu com desconforto, dando de ombros. 

— Passei algumas semanas aqui, em alguns anos. — Disse ele. — Não foram minhas semanas favoritas. 

Sem esperar por nenhum comentário, ele me levou para a porta e bateu, parecendo tão tenso que me deixou tensa também. Não demorou para ouvirmos o barulho de alguém caminhando para a porta e abrindo-a. 

Uma mulher de meia idade, rechonchuda e sorridente nos encarou. Pisquei. Não era nada do que eu esperava. E quando ela viu Draco, seus olhos brilharam tanto em reconhecimento e afeto que franzi o cenho, porque não era absolutamente nada do que eu esperava mesmo! 

— Meu Deus, você voltou! — Disse a senhora, obviamente encantada. Draco sorriu como se, apesar do desconforto, ele não quisesse magoar a mulher. 

— Voltei. — Disse ele. — Pode chamar a minha mãe, por favor? 

Levantei a sobrancelha. Então ela não era mãe dele, aquilo fazia mais sentido. 

— Claro, claro! — A mulher deu um passo para o lado e nos convidou a entrar. Draco me levou para dentro da casa, que era ainda mais elegante por dentro do que parecia por fora, e sentou-se comigo no sofá de couro branco. — Vou chamar a Sra. Narcisa. — Disse a mulher, ainda sorrindo para Draco. — Está tão crescido… — Sussurrou com afeição. Surpresa, vi que Draco parecia tímido. Tímido! Talvez eu estivesse em uma dimensão diferente… — E está com uma namorada.— A mulher me olhou e eu arrisquei um sorriso educado. — Fazem um casal tão lindo. — Ela balançou a cabeça. — Mas me deixe ir buscar sua mãe. Já volto! 

Assim que ela subiu as escadas, olhei para Draco, minhas sobrancelhas arqueadas. 

— Você ficou tímido. — Murmurei, escondendo um sorriso quando ele pareceu ofendidíssimo com a minha acusação.

— Não fiquei, não! 

— Ficou sim! Até ficou corado! Meu Deus, acho que me apaixonei de novo…

— Não seja boba, eu não corei nada.

— Suas bochechas ficaram rosa. Foi muito meigo. 

— Não vou falar com você enquanto continuar sendo irritante. 

— Até sorriu sem graça! — Continuei, me divertindo com seu beicinho de revolta. — Olhe só, que fofo. Quem é o menininho mais lindo da namorada? 

— Você perdeu a cabeça…

— É você sim! — Reprimi uma gargalhada, apertando a bochecha dele. — Olhe só que menininho mais fofo! 

— Devo concordar. — A voz da mulher soou antes de seus saltos baterem, de forma irritante, nos degraus

O humor acabou na mesma hora. Draco olhou sobre meu ombro, o cenho franzido com um toque de repulsa. Me virei para ver a mulher que, agora sim, parecia mãe dele. Seu cabelo loiro estava solto sobre os ombros, longo e liso e combinava com perfeição com a arrogância em sua expressão. Ela andava como se mal pudesse admitir pisar no chão como os reles mortais, como se sua presença fosse um favor para a humanidade. Ou talvez eu só a detestasse por causa da história de Draco. Não me condenei por isso. 

— Mãe. — Draco acenou com a cabeça, claramente não muito feliz em vê-la. Mas a mulher não percebeu isso. Ou ignorou, o que era totalmente algo que alguém como ela faria, só sorriu e caminhou para nós, parando na nossa frente. 

— Trouxe uma namoradinha. — Disse, me encarando com um olhar avaliador que eu não gostei. Não sorri. Não era obrigada a isso. — Qual o nome dela?

— Hermione Granger. — Ergui o queixo. Talvez estivesse sendo uma cretina por querer esfregar o sobrenome do meu pai na cara dela, mas não me importei com isso. Pelo menos não naquele momento. 

— Granger? — Sua cabeça inclinou para o lado. Eu sabia que ela reconheceria, diferente do filho. Pessoas interesseiras tinham a facilidade de detectar algo que os interessavam. Sorri com hostilidade.

— Granger. — Repeti. Seus olhos brilharam com algo e ela sorriu afetadamente.

— Ah, um casal perfeito! — Disse, sentando-se em uma poltrona branca. — Filhos de pais que se odeiam, mas ainda assim têm ligações com o esporte. 

— Não é por isso que estamos juntos. — Murmurei com falsa delicadeza. — Eu nunca pensaria em ficar com alguém por um motivo tão imbecil. 

Sua sobrancelha arqueou com o reconhecimento do meu tom hostil. Não me importei nem um pouco. Draco pigarreou ao meu lado. 

— Mãe, quero falar sobre…

— Eu já suspeito o assunto. — Suspirou ela, um som teatralmente exausto. — Posso imaginar o que vocês dois, justo os dois, querem saber. E, não, eu não tive culpa alguma. Só falei para Abraxas que Ronan estava com uma stripper porque Abraxas me pediu.

Olhei para ela, completamente perdida na sua frase. Até que me encontrei.

— Você o quê? — Perguntei, incrédula. — Foi você quem falou? 

Ela deu uma risadinha. 

— Não acredito que Ronan ainda pensa que foi Lucius. — Disse ela. — Homens… Todos irracionais. 

Se Draco não estivesse segurando minha mão, eu teria avançado nela. E eu nem era alguém agressivo, era só… Aquela mulher era uma vaca! Sem dúvidas, ela seria a companhia perfeita para Pansy ao pastar em um lugar longe de civilização. 

— Isso eu tenho que concordar. — Draco murmurou, e sua voz estava tão cortante que eu o olhei. — Só irracionalidade pode explicar o fato de meu pai continuar bancando sua vida de troféu inútil. 

Minha boca abriu em choque. Narcisa soltou um ruído de horror, e o orgulho quase fez meu peito explodir. 

— Não fale assim comigo! — Narcisa exclamou, ofendida. — Sou sua mãe!

— Você nem sequer age como mãe. — Draco disse. — Foi paga para ir para a cama com meu pai, e fez isso porque sabia que ganharia uma vida de luxo depois. Que espécie de sentimento materno é esse? 

— Seu pai já encheu sua cabeça de mentiras? — Perguntou ela, o queixo erguido em desafio. — O que ele disse? Que eu sou uma prostituta? Típico de homens frustrados!

— Ele nunca, em nenhum momento, a ofendeu na minha frente. — O sorriso de Draco era algo triste de assistir. — Isso já diz o bastante sobre ele. Porque, se fosse comigo, já teria mandado colocar em um outdoor o quanto você não presta. 

— Draco Malfoy! — Narcisa agora parecia verdadeiramente insultada, e eu lutava contra a vontade de mandá-la calar a boca. Draco franziu o cenho, encarando a mãe.

— Meu avô pagou para que levasse meu pai para a cama. — Disse ele. — E você fez, mas não estava satisfeita com um pagamento. Queria dois. Então contou ao meu pai e o fez bancar sua vida até hoje. Inteligente. Inteligente e repulsivo. — Ele deu uma risada sem humor. — Eu me pergunto se, em algum momento, você parou para pensar que estava grávida de uma criança, e não de uma porra de conta bancária. 

— Isso é ridículo! — Disse ela. — Eu amo o meu filho!

— Ama? — Draco inclinou a cabeça. — E quanto às milhões de ameaças de aborto? 

Narcisa piscou, surpresa por ele saber disso.

— Eu não estava falando sério.

— Claro que não estava. Perderia mais em um aborto do que sendo ignorada pelo meu pai. Você é cruel, não burra. 

— Está me ofendendo.

— Não quero ofendê-la. — Ele suspirou, apoiando-se no sofá. — Quero entender em que momento eu deixei de ter mãe. Acho que, na verdade, nunca tive. Esclarecedor. 

Aquilo estava começando a me deixar dolorosamente ciente do quanto aquela conversa estava magoando Draco. E se havia algo que me deixava furiosa, era alguém que eu amava sendo magoado. 

— Você não tem um pingo de empatia? — Me virei para ela, meus olhos furiosos deixando-a inquieta. — Deus, eu queria minha mãe aqui. Ela te daria uma surra até ensiná-la sobre amor maternal.

— Sua mãe stripper, você quer dizer?

Sorri com sua tentativa falha de me irritar.

— Minha mãe stripper. — Concordei. — E que nunca ousou me amar menos do que qualquer criança merece. Nunca virou as costas para mim. Nunca pediu um centavo para o meu pai. E nem deixou de me mostrar amor todos os dias. Você não é mãe. É uma vaca repugnante, horrenda e, sinceramente, espero que aprenda na pele a dor de ser ignorada. E que Draco nunca mais pense em você novamente, depois de hoje. 

Narcisa abriu a boca e voltou a fechar. Seu rosto estava tão vermelho que parecia prestes a ter uma síncope, e eu não a socorreria se ela tivesse. 

— O que eu quero saber é — Draco voltou a falar, seus dentes apertados como se evitasse gritar. — se meu avô realmente armou tudo isso. Ou se você fez sozinha, como acreditei até ontem. 

Narcisa apertou os lábios como se considerasse até que ponto poderia ser sincera. Em seguida, suspirou. 

— Foda-se tudo isso. Ele já morreu. — Ela rolou os olhos, impaciente. — Sim, seu avô me pagou. E, sim, eu fui paga pelos dois. Isso não significa que eu sou uma péssima mãe. Estava apenas…

— Sendo o exato contrário de uma mãe. — Draco completou, sério. — Pelo amor de Deus, só admita que nunca foi nada além de alguém que me deu a luz. Não vai doer, nem será um grande choque. — Ele esfregou o rosto, impaciente. — Até hoje, meu pai continua bancando seus desejos caros porque eu pedi assim. Pedi para que ele não deixasse minha, até então, mãe sem alguma ajuda financeira. Mas, a partir de hoje, considere seu pagamento mensal cancelado. Não vou dar dinheiro em agradecimento por ter me colocado no mundo, eu tenho mais amor próprio do que isso. 

— Draco! — Gritou ela, estarrecida. — Não pode fazer isso! Eu não tenho como sobreviver sem…

— Trabalhe. — Ele deu de ombros, levantando-se e me puxando junto. — Como você fez questão de salientar, Lizzy era uma stripper. E ela é a mãe mais incrível que eu já conheci. Talvez, se trabalhar de stripper, pode aprender algo sobre ser decente também. 

Eu estava um pouco chocada com o quanto eu amava aquele homem. E também estava encantada com o quanto eu amava aquele homem. Mas, acima de tudo, estava me sentindo ferozmente protetora com aquele homem. E quando Narcisa levantou, tentando alcançá-lo, me coloquei na frente dele e a encarei, desafiando-a a se aproximar. 

— Acredito que ele já disse tudo o que queria. — Murmurei cuidadosamente. — Não precisa chegar mais perto. Ou, devo alertar, minha mão pode encontrar sua cara. E não será em um carinho. 

Ela deu um passo para trás, batendo na poltrona e caindo sentada sobre ela. Sorri. 

— Vamos. — Draco entrelaçou os dedos nos meus. — Quero ir embora. 

Em poucos minutos, já estávamos no carro e nos afastando da casa de Narcisa. Fazia cinco minutos que Draco não falava nada, seus olhos vazios presos na estrada e as mãos apertando tanto a direção que, suspeitei, ficaria a marca dos dedos para sempre. Mordendo o lábio inferior, pensei em algo que pudesse deixá-lo feliz. Quero dizer, não era como se eu o entendesse totalmente, afinal, meus pais não eram nada como aquela mulher. Mas, ainda assim, eu podia imaginar o quanto era horrível ouvir tudo o que ele tinha escutado. Mas o que eu podia dizer que tivesse o poder de tirar aquela tristeza de seus olhos? 

— Draco? — Chamei, minha mão pousando sobre sua perna. Ele piscou como se acordasse dos próprios pensamentos, me olhando de lado. 

— Sim? 

Engoli em seco. E, então, falei a única coisa que consegui pensar. 

— Eu te amo. 

E eu vi, ainda que não soubesse como percebi aquilo, quando um pouco da tristeza deixou sua expressão. Um sorriso genuíno levantando seus lábios que, meu deus, eu nunca pararia de pensar como eram perfeitos. Ele levantou minha mão e beijou o dorso, um gesto carinhoso e verdadeiro que aqueceu meu corpo. 

— Eu te amo tamb…

— Não! — O interrompi. — Não se pode dizer também em uma declaração de amor!

— Por quê? — Ele me perguntou, assustado. Dei de ombros.

— Não sei exatamente. Mas mamãe disse que traz péssimas energias. 

Ele riu, e era tão bom vê-lo rir que senti meus ombros relaxando. 

— Deus me livre ir contra os ensinamentos de Lizzy. — Disse ele, me olhando de lado. — Eu te amo. — Percebi que, não importava quantas vezes ele dissesse aquilo, eu derreteria em todas elas. Meu corpo simplesmente não conseguia lidar com a quantidade de emoção que aquelas palavras despertavam. Draco riu baixinho. — Eu adoro que você fique toda derretida quando escuta isso.

Levantei os ombros. 

— Não fico, não! Não seja convencido. 

Mas ele sabia que eu ficava, sim. E, que Deus me ajudasse, mas eu adorava a sua presunção. Ele me olhou, um sorriso pretensioso nos lábios. 

— Claro que fica. — Disse. — E eu te amo por isso.

E, então, eu derreti novamente. 


Notas Finais


Tão lindos esses bebês afe ♥️


Acompanhem o grupo do Instagram! Vou deixar umas dicas legais de livros para vocês lerem nessa quarentena!
Algum gênero de preferência? Vamos manter a sanidade nesse isolamento haha

Espero que todos estejam bem!

Até a próxima ♥️


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