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História Mr. Mistake - Dramione - Capítulo 30


Escrita por:


Notas do Autor


Primeiro de tudo: EU TÔ EMOCIONADA, SOCORRO!

Por fim... Eu quero agradecer a todos que me acompanharam nessa fanfic tão fofa, maravilhosa e cheia de risadas e amor. Eu espero que tenha sido divertido para vocês, que tenham sentido o coração aquecido enquanto liam, que MM tenha ajudado a manter-se firme no meio do caos que estamos vivendo.

Enfim... Boa leitura! O último capítulo de Mr. Mistake é dedicado a vocês ♥️

Capítulo 30 - Nas Estrelas


Era engraçado como tudo parecia tão mais importante após alguns meses de ausência. Cada toque parecia tão intensificado, profundo e íntimo, cheio de tantas emoções diferentes, que eu suspirava ao sentir cada um deles. Era visceral, minhas reações vinham de um lugar guardado bem no fundo do meu peito. Amor puro e verdadeiro, como minha mãe havia falado, certa vez. Era o que significava aquele momento. Amor. 

Assim que entramos no apartamento de Draco, o desespero para tornar aquele alívio real nos fez enlouquecer. Roupas tiradas com pressa, deixadas como uma trilha pela sala até o quarto, e nem mesmo chegamos a cama para, enfim, eu senti-lo dentro de mim. Contra a parede. Como a nossa primeira vez. Forte, ríspido, cheio de arquejos e ansiedade, até desabarmos sobre a cama arfando e incrivelmente satisfeitos. Intenso, puro e verdadeiro. Havia sanado parte da nossa saudade, mas não havia sido o bastante. 

E agora estávamos ali, deitado juntos na cama. Draco tinha sua cabeça pousada no meu peito, ele parecia odiar a ideia de ficar longe e eu odiava ainda mais. Seu cabelo macio tocava meu rosto, seu cheiro gostoso me fazia sorrir. Meu coração palpitava a cada vez que eu me lembrava dos meses em que eu quis desesperadamente aquilo, e agora eu tinha. Finalmente eu tinha. Meus olhos estavam fixos nas nossas mãos, nossos dedos brincando juntos. Uma combinação tão linda. Mãos grandes e ásperas de Draco, mãos pequenas e delicadas minhas, e elas se completavam perfeitamente.

— Quero falar uma coisa — Draco sussurrou e eu respirei fundo, aproveitando do som de sua voz. Ela tocava meu coração. Mesmo quando ele estava sendo irritante, ele ainda tocava meu coração. 

— O quê? 

— Estou com medo de parecer idiota. 

Rolei os olhos com isso, reprimindo uma risada. 

— Você nunca teve esse medo antes. 

— Engraçadinha… — Ele riu baixinho, em seguida suspirou. — Eu quero falar algo muito sério com você. 

Franzi o cenho. Poucas vezes no nosso relacionamento fomos muito sérios um com o outro. Até mesmo nossas brigas eram estranhas e acabavam com uma piada e risadas de ambos. O fato dele querer falar sério me deixou impaciente para saber o que era. 

— Pode falar. — Confirmei. — Estou ouvindo. 

Draco respirou fundo, seus dedos ainda brincando com os meus quando voltou a murmurar. 

— Estamos na universidade — Sussurrou. — Eu sei o que isso pode significar para universitários. Namoros são passageiros, amores nunca duram demais… — Um nó começou a subir pela minha garganta. Ele não estava prestes a colocar uma validade no nosso namoro recém resgatado, estava? Porque, se estivesse, eu morreria bem ali. E depois bateria nele. Mas antes que eu protestasse ou apelasse para lágrimas, Draco continuou. — Mas não é nada disso que eu quero com você. Não quero um namoro rápido ou amor de alguns meses. Eu quero algo para a vida inteira. 

O nó de medo se transformou em um nó de emoção. Meus olhos piscaram rapidamente, ardendo, e eu soltei um suspiro de alívio. 

— Pelo amor de Deus, Draco — Sussurrei, trêmula. — Achei que estivesse terminando comigo, já estava pensando nos meses de fossa que viriam…

Ouvi sua risada rouca e ri baixinho. Draco se ajeitou em cima de mim, colocando a mão sobre a minha barriga e o queixo pousado sobre ela. Seus olhos cinzas me observaram de perto, um sorriso arqueando aqueles lábios que eu sempre acharia os mais lindos de todo o universo. Ele era a minha estrela mais linda do universo. A outra mão acariciou meu rosto gentilmente, a palma quente e calejada tão agradável que me aninhei a ela. 

— Eu não saberia viver sem você. — Murmurou ele. — Esses últimos dois meses foram uma tentativa fracassada. Sabe o quanto eu amo você, gata? 

Engoli em seco, porque as lágrimas estavam chegando mais perto. 

— Posso supor — Consegui balbuciar. — Eu te amo tanto que nem sei explicar. 

O sorriso dele foi o mais lindo, o mais alegre, o mais gentil e delicado. O mais perfeito. 

— Estamos falando tão sério — Ele levantou uma sobrancelha, impressionado. Ri baixinho, tão surpresa quanto ele. — Mas eu precisava que você entendesse o que eu quero dizer — Murmurou Draco. — Que o que eu sinto não é passageiro. Quero que seja para sempre. Até ficarmos velhinhos e você me ameaçar com uma bengala. 

Ri, meus olhos marejados. Ele estava conseguindo acabar comigo. Sua sinceridade gentil e carinhosa me desmontava mais do que seus “eu te amo”. 

— Eu não te ameaçaria com a bengala — Rolei os olhos. — Eu o deixaria dormir e rasparia suas sobrancelhas. 

— Viu só? — Ele levantou as sobrancelhas. — É isso o que eu quero. 

— Eu também quero. — Deixei meus dedos passearem pelo seu cabelo, deslizando sobre sua sobrancelha e sorri ao vê-lo inclinar a cabeça para a minha mão. — Quero uma vida inteira com você também. Até o fim. E depois podemos continuar namorando nas estrelas.

— Fodendo nas estrelas — Ele sussurrou. — Você lembra disso, estou surpreso.

— Eu sempre lembro dos absurdos que você fala. 

— Acho que é amor de verdade, então.

— E você duvidava disso? — Rolei os olhos

Draco sorriu, subindo mais um pouco até seus lábios alcançarem os meus. E a partir dali, cada toque dele teve o poder de mil outros. Seus dedos na minha pele nua, tocando minha clavícula, descendo para acariciar gentilmente meu peito, e ele ainda me beijava daquela forma lenta e suave que me deixava derretida. A língua tocando lentamente a minha, tão persuasiva, tão convincente. Não que eu precisasse ser convencida, mas meu corpo ainda amoleceu inteiro com aquilo. Minha atenção se dispersava entre seus dedos descendo mais, encontrando o calor úmido entre minhas coxas abertas, tocando cada parte sensível e suscetível a ele com calma. Toques tão suaves. Toques que demonstravam adoração. Draco estava me apreciando e eu sentia meu coração apertar e doer, mas não de uma forma ruim. Era amor, amor demais, não podia caber. Ele estava me acendendo. Seus beijos estavam me incendiando. Eu já estava pronta para ele no momento em que seus dedos começaram a brincar com os meus. 

Draco abriu os olhos, os lábios ainda tocando os meus, o sorriso suave esticando-os. Ele tinha lábios tão lindos. Eram perfeitos. Eram meus também. 

— Estou sentindo seu coração acelerado — Disse baixinho, sorrindo como se aquilo fosse seu presente. — Está sentindo o meu? 

O quão estranho seria se eu chorasse bem naquele momento? Porque eu já sentia meus olhos ardendo novamente. Mas eu sentia. O pulsar forte do coração dele estava junto ao meu, e eu sentia. Eu amava.

— Estou — Respondi. — Cristo, eu vou explodir de tanto te amar. Aí vou te matar por me explodir de tanto amor

Ele riu baixinho, os lábios encontrando os meus novamente. Era o tipo de beijo que eu podia sentir em todos os lugares. Arrepios na espinha, calor, tesão, emoção, eu queria que ele me tivesse inteira. Queria que fosse devagar, dessa vez. Precisava apreciar cada segundo com cuidado, guardá-lo na minha memória.

Senti enquanto Draco encaixava-se em mim, seu corpo ficando tenso quando empurrou lentamente. Minha respiração ficou presa na garganta, meu coração chegou a uma velocidade alarmante e eu arquejei em seguida, minhas pernas envolvendo-o, não permitindo que ele fosse longe demais. Mas ele não iria. Ele estava bem ali para mim. Meu corpo erguia-se para o dele. Meu coração já não era só meu há tanto tempo. E eu percebi que, mesmo que eu quisesse, não tinha mais volta. Já havíamos passado do ponto onde existia algum limite entre nós, ele não existia mais. E eu lembrei de algo que havia lido certa vez, em um dos vários livros na estante da minha mãe. Quando havia amor, as coisas se acertavam, elas funcionavam. Mas quando o amor ia além das fronteiras, quando alcançava o céu e o que havia além dele, não existiam mais dois indivíduos. Éramos um só. Nada mudaria aquele fato.

Seus olhos em mim me deixavam aturdida. Suas bochechas coradas acordavam um novo sentimento de posse inimaginável. Minha mente se fragmentava, se refazia apenas para admirá-lo mais um pouco, e voltava a se fragmentar em milhões de pedaços quando ele arfava. Seus avanços eram lentos, cuidadosos, tocavam algo dentro de mim que me arrancava gemidos, me deixava com as pernas trêmulas pairando no quase. Estou quase. Só quase. Era maravilhoso. E eu queria mais. Suas mãos envolveram meu rosto, os olhos queimavam, ardiam. Draco me mostrou um de seus sorrisos mais doces, meu coração se expandiu em resposta. Meu corpo arqueou, meus olhos fechando quando um gemido profundo saiu do meu peito. Foi quando senti seus lábios. Na minha bochecha, meu queixo, meu nariz, minha testa, todos os espaços que ele encontrou, beijos tão suaves e tão significativos. Beijos que eram mais do que gestos. Eles falavam com a alma. Não precisava de palavras quando havia aquilo. Não precisávamos de mais nada. Minhas mãos foram até suas costas, seus lábios voltaram para os meus e tudo se tornou insuportavelmente necessário. Mais rápido, mais forte, mais, mais, mais… Meu gemido se perdeu nele, o dele foi sentido em cada pedaço do meu corpo. As estrelas, nossas estrelas, estavam bem ali nos esperando. Estavam começando a piscar sob minhas pálpebras. Lindas, convidativas, faziam meu corpo tremer. Algo em mim se encheu, foi demasiado, e quando Draco emitiu um gemido longo eu transbordei. 

Eu. Me. Perdi. 

Aquele pensamento foi um eco no meio do orgasmo.

Eu me perdi. Nele. E eu nem queria me achar. Mas não tinha problema, porque Draco se perdeu em mim logo em seguida, e o gemido que saiu de seus lábios desceu para meu coração. Ele era meu também. Tudo estava perfeito, então. 

.

.

.

Perfeição.

Dois dias atrás, qualquer um que ousasse usar aquela palavra comigo teria levado um soco. Naquele momento, porém, era essa a palavra que definia meu estado. Perfeição. Deitada na cama do meu namorado, que eu amava tanto que chegava a me indignar, enrolada nos lençóis com o cheiro dele me cercando, olhando a foto sobre o criado-mudo que ele nunca tirou do lugar nos dois meses que passamos separados. Uma foto nossa. Aquela foto que mamãe havia tirado na praia. Eu amava tanto aquela foto que nem conseguia tirar o sorriso da cara. Draco tinha saído do quarto há alguns minutos, prometendo voltar com algo que nos alimentasse. Sexo dava fome, quem poderia imaginar? Antes dele, o pós sexo me dava vontade de sumir. E eu continuei ali, esperando minha comida, feliz no pós-orgasmo, mais feliz ainda pela situação atual, e prestes a sair daquela cama saltitando e cantando Happy sem parar, mesmo que a música fosse odiada por mim apenas poucas horas atrás. Como meu pai havia dito certa vez, eu era a contradição sobre pernas. 

Olhei para meu celular acendendo insistentemente sobre o criado-mudo e franzi o cenho. Mas, ao ver o rosto da minha mãe na tela, abri um sorriso ao me esticar e pegar o aparelho, pronta para proferir as novidades aos gritos histéricos de alegria. Deslizei o dedo sobre a tela, meu sorriso quase ocupando toda ela quando atendi

— Vocês voltaram? — Mamãe perguntou, quase saltitando de tanta felicidade. — Olhe só para a sua carinha radiante! É claro que voltaram, seu sorriso grita sexo bem feito! 

— Voltamos! — Dei uma risada quando ela soltou um grito de comemoração. No final das contas, éramos mãe e filha. Iguais, apesar das diferenças. 

— Eu sabia! — Ela exclamou, absolutamente encantada. — Minha bebê parece tão feliz, acho que vou desmaiar. 

— Não desmaie, por favor — Murmurei ainda rindo. — Draco vai ficar insuportável se não falar com você porque desmaiou. 

— Onde ele está? — Seus olhos se aproximaram da tela do celular como se ela pudesse vê-lo por uma janela. Balancei a cabeça. Cristo, como eu amava aquela mulher. 

— Fazendo algo para comermos. 

— Interessante — Ela riu. — Ronan está fazendo a mesma coisa. 

Pisquei. Estava com medo de perguntar. Perguntei ainda assim.

— O que estavam…

— Transando, oras. — Ela rolou os olhos. — Preciso tirar quase duas décadas de atraso. Pelo menos com ele. 

— Mãe!

— O quê? — Mamãe ergueu uma sobrancelha. — Somos seus pais, não dois monges

— Eu ouvi a Lizzy? — Draco apareceu na porta, olhos atentos. — Eu juro que ouvi a voz dela…

— Meu genro! — O grito dela foi o bastante para colocar um sorriso enorme no rosto de Draco. — Venha já aqui e me deixe ver você!

Draco sequer pensou em negar. Se apressou para a cama, colocando a bandeja com dois copos de suco e batatas fritas sobre o criado-mudo, e se juntou a mim sob as cobertas. Aninhei minha cabeça sobre seu peito, focando o celular para que mostrasse nós dois. Mamãe parecia prestes a explodir de tanto orgulho.

— Meus nenês — Sussurrou, os olhos marejados me fazendo rir. — Olhem só para vocês, parece que viram o Paraíso. E pelo estado de vestimenta de ambos, posso pensar que viram. 

— Temos que planejar nosso jantar — Disse Draco imediatamente. — Você prometeu cozinhar para mim dessa vez e eu vou cobrar.

— Prometi porra nenhuma — Mamãe bufou, rolando os olhos. — Eu disse que você me ajudaria, garoto folgado. 

— Vocês estão brigando? — Arqueei uma sobrancelha. Draco me olhou como se eu fosse uma criatura desconhecida, e mamãe parecia duvidar da minha capacidade mental.

— Não estamos brigando — Draco contestou, horrorizado. — É nossa forma de afeto.

— Claro que sim! — Mamãe disse. — Eu não brigo com meus filhotes. A não ser que ele saia da linha, aí serei obrigada a puxá-lo de volta pelas orelhas. — Draco a encarou, perplexo; mas mamãe só sorriu. — Isso com todo o amor que eu tenho pelo filhote. 

— Que filhote? — A voz familiar veio de algum lugar perto da minha mãe. — Estamos adotando um cachorro? Eu não sabia disso

Draco pareceu congelar ao meu lado. Seu peito enrijeceu de tensão, seu braço sobre meu peito parecia ter sido esculpido em pedra. Engoli em seco, trocando um olhar nervoso com a minha mãe. Um olhar que dizia o bastante. Se eles começassem a brigar, começaríamos a passar mal ao mesmo tempo. Uma boa e saudável dose de drama curava dois homens irritantes. 

— Está falando com Hermione? — Perguntou ele, animado. — Me deixe vê-la. 

Coloquei um sorriso nervoso no rosto. Olhei enquanto ele aparecia ao lado dela, seu sorriso sendo substituído por uma expressão ansiosa quando viu Draco comigo. Engoli em seco, respirando fundo. Ou eu fingiria um desmaio, ou começaria a chorar. 

— Ei, garoto — Pisquei. Meu pai estava tentando sorrir. Para Draco. Meu pai estava tentando sorrir para Draco. Meu Deus, aquilo era de verdade ou eu estava alucinando? Um sorriso trêmulo, claramente nervoso, um esforço genuíno de mostrar o que havia me falado no Cupcake Road. Ele disse que tentaria. E, meu Deus, ele estava mesmo tentando. Dessa vez eu choraria e era de verdade. 

— Ronan — Draco pareceu relaxar um pouco sob mim. Meu coração se aqueceu em resposta. Estava mesmo acontecendo, afinal! 

— Fico feliz que estejam de volta — Papai murmurou, e ele parecia tão sincero que foi impossível conter meus olhos lacrimejando. Ele sorriu, seus olhos em mim. — De verdade. Estou feliz por vocês. 

— Vou chorar — Mamãe declarou, enxugando os cantos dos olhos com indignação. — Me fazer chorar antes de comer é um absurdo. Vou cobrar por cada lágrima que cair, baby.

— Baby — Draco sussurrou no meu ouvido, rindo baixinho. — Ela chama ele de baby. Meu Deus, seu pai é um adolescente apaixonado.

— Eu ouvi isso — Meu pai ergueu uma sobrancelha. Uma risada escapou dos meus lábios quando Draco colocou um sorriso falso e inocente no rosto.

— Foi um elogio! Um bem formulado e totalmente sincero. — Ele ergueu o polegar. — Vocês fazem um casal incrível

O sorriso de Ronan pareceu tão fácil ao ouvir isso que eu soube, Draco o havia ganhado. E só precisou dizer uma frase bem escolhida. Ele tinha esse poder. 

— Amo vocês, crianças — Mamãe suspirou, toda emotiva. Os olhos brilhavam quando ela estendeu a mão para a tela, e Draco tocou o celular no momento em que fiz o mesmo. Afinal, éramos uma família agora. Como mamãe dizia, éramos seus filhotes. Ela fungou. — É bom não dizer “também” na hora de retribuir. Estou aguardando.

— Eu te amo, mãe. — Murmurei com uma risada. — Muito mesmo. 

Mamãe sorriu, então olhou para Draco com expectativa. Escondendo a diversão, ele murmurou também:

— Amo você, Lizzy, sério. 

Eu estava prestes a morrer de tanto amor. Tinha certeza disso. E mamãe não estava muito longe. 

— Também te amo, pai. — Acenei para ele, que me mostrou seu melhor sorriso, seus olhos estreitando nos cantos.

— Amo você demais, filha.

Ronan e Draco se encararam. 

— Cedo demais — Draco murmurou com uma risada. Ronan deu de ombros.

— Realmente, vamos esperar mais um tempo. Mas gosto de você, garoto.

— Também gosto de você — Draco deu de ombros. — Na maior parte do tempo.

Mamãe deu uma risada e Draco a seguiu. Por fim, estávamos todos rindo. Nos despedimos e encerrei a ligação, voltando a deitar no peito dele com mais conforto.

— Isso é tão gostoso. — Sussurrei. Draco suspirou.

— Assim você amacia meu ego. Mas obrigado.

Rolei os olhos.

— Estava falando disso — Acenei para nós e o celular. — Está tudo dando certo. Mas você é gostoso também. 

Rindo, Draco passou os braços ao meu redor, me apertando mais no seu peito e beijando minha cabeça.

— Vai tudo dar certo agora. — Disse ele. — E você é uma gostosa também. 

Ah, os nossos elogios… Eles nunca ficavam repetitivos. 

.

.

.

5 anos depois.


— Se ousar enfiar o dedo nesse bolo — Gina estreitou os olhos para seu marido, que pausou o movimento de enfiar o dedo no bolo no mesmo instante. — Vou arrancar o piercing do seu pau na mordida. E eu nunca falei tão sério em toda a minha vida, Theodore. 

Tentei esconder o sorriso do meu rosto enquanto arrumava os últimos detalhes sobre a mesa. Bolo, docinhos, tudo estava perfeito. Era o aniversário do meu marido, era o nosso aniversário de um ano de casamento também, e eu estava explodindo de amor ao comemorá-lo com toda a nossa família. Papai e mamãe estavam na cozinha com Draco, os dois homens sendo cruelmente ensinados a fazer a salada como se deve. Lucius estava com a namorada no sofá, Casey, uma advogada linda e tão simpática que me ganhou no primeiro “olá” sorridente. Gina e Theo ainda me ajudavam, ainda que ele parecesse olhar de esguelha para sua esposa, com medo de ter seu pau mutilado. Tudo estava perfeito. E tinha sido assim por um tempo agora

O símbolo dos Lakers sobre o bolo era para Draco. Ele tinha acabado sua segunda temporada na melhor equipe da NBA há poucas semanas, e tinha ganhado o prêmio Most Valuable Player, considerado o melhor jogador da liga de toda a temporada. Estava no auge, todos diziam. Eu estava tão orgulhosa da minha estrela. Eu estava trabalhando no Museu de Arte Natural, amava meu trabalho com todas as minhas forças, e a vida era linda assim. Ou mais, dali a poucos minutos. 

— Tudo pronto! — Chamei, ganhando a atenção de todos. Draco tinha um sorriso enorme no rosto, e beijou o rosto da minha mãe ao abandonar seu trabalho e correr para mim. Rolando os olhos, ela escondeu a diversão e o acompanhou com meu pai. Eles tinham se casado antes de Draco e eu, Ronan e mamãe. E continuavam sendo tão lindos juntos que me inspirava todos os dias. 

    — Está tão cheirosa, gata — Draco veio para meu lado e beijou meu rosto. — Ou está tão gata, minha cheirosa. Tanto faz. 

    Rindo, passei os braços pela sua cintura e me estiquei quando ele inclinou-se, beijando meus lábios rapidamente. Quando voltou a erguer a cabeça, seu sorriso vacilou por um momento. Olhei para trás, e foi a minha vez de engolir em seco. Papai e Lucius tinham chegado a um acordo silencioso de manter a distância cordial. E agora, bem no meio da minha sala de estar, Lucius caminhou até Ronan e falou algo para ele. Estavam falando em voz baixa, eu não conseguia ouvir. Mas a tensão de Draco ainda era evidente. 

    — Deveríamos nos meter? — Perguntei baixinho, tensa. Draco soltou um suspiro.

    — Não — Disse. — Prometemos não nos envolver mais nisso. Eles são adultos

    Continuei observando, sentindo um desconforto crescente, enquanto eles conversavam. Meu pai franziu o cenho e meu coração ameaçou parar. Lucius também franziu o cenho e Draco se empertigou. Eu sabia que no primeiro sinal de briga ele separaria os dois. Após aqueles anos, Draco e meu pai tinham se tornado amigos, e eu sabia que ele não se voltaria contra Ronan de forma alguma. Ainda assim, meu coração palpitou. Então, Lucius estendeu a mão e eu reprimi um arquejo. A sala parecia coberta por um silêncio esmagador quando meu pai estendeu a mão, apertando a de Lucius, e os dois trocaram um sorriso tímido, mas real. Pisquei.

    — Acho que bebi algo muito forte — Murmurei baixinho. — Ou fiquei muito louca agora.

    — Ou pode ser um gás no ar — Draco disse, confuso. — Porque eu juro que vi nossos pais sendo adultos. Estou tão chocado que nem sei como reagir. 

    Dei uma risada que soou quase histérica. Todos olharam para mim, esperando uma explicação, mas eu dei de ombros. 

    — É a fome — Draco explicou. — Ela fica estranha quando está com fome, é isto

    Indignada, empurrei seu peito enquanto todos riam. Mas Draco era um maldito cretino, e me mostrou o sorriso que sabia que eu não resistia. Bufando, voltei a abraçá-lo. 

    — Vamos cantar os parabéns para o meu filhote! — Mamãe saltitou de felicidade. Draco fez uma careta, papai parecia prestes a explodir em risadas. Lucius apertou os lábios para não rir. Mas Theo e Gina… Nunca existiram pessoas tão empolgadas com a música “parabéns pra você” quanto eles. Bem, tirando mamãe. Todos cercaram a mesa, começando a cantar. Draco parecia lutar para não correr da sala e se esconder no quarto, mas aguentou com firmeza até o final. No fim, ele sorriu para mim e beijou a ponta do meu nariz.

    — Feliz aniversário, meu amor — Sussurrei. — E eu tenho um presente para você.

    — Eu sei — Ele sorriu de lado. — Vi a lingerie preta e o chicote na sua gaveta

    Gina explodiu em risadas, todos a acompanharam. Bufei, balançando a cabeça e me afastando de Draco.

    — Espere aqui. — Mandei. Levantando a sobrancelha, ele continuou parado lá enquanto eu corria até a sala e pegava a sacola de presente escondida atrás do sofá. Voltei com pressa, olhando ao redor. Todos que eu amava estavam presentes. Era tão maravilhoso quando aquilo acontecia. Papai e Lucius se entendendo, Draco sendo uma estrela, Gina e Theo felizes, era o meu próprio presente. O destino estava me presenteando. Respirei fundo, sorrindo como uma louca quando voltei para o lado de Draco e o entreguei a sacola. Surpreso, ele sorriu e beijou meus lábios rapidamente. 

    — Não é o chicote? — perguntou, rindo quando o empurrei. — Tudo bem, eu posso superar. Só conheci Evans um dia desses…

— Não mate meu filhote — Mamãe alertou antes que eu pudesse fazê-lo. — Ele é inocente e eu vou defendê-lo. 

Rolei os olhos. Todos traidores

Draco tinha um sorriso incrivelmente satisfeito nos lábios quando colocou a sacola sobre a mesa e a abriu. O silêncio caiu sobre nós novamente, eu mal conseguia me conter de tanta ansiedade. Draco tirou a caixinha dourada de dentro e desatou o laço nela. Então, abriu a tampa. E eu prendi o fôlego. Seu cenho estava franzido quando ele pegou um papel e um objeto dentro da caixinha e observou. Seus olhos passaram sobre o papel e ele franziu ainda mais o cenho.

— Aqui diz que sou uma menina? — Perguntou, confuso. — Pai, você andou me escondendo alguma coisa?

— Meu Deus… — Gina suspirou, abraçando o marido. — Ele é tão tapado quando quer…

— Olhe o outro — Falei, apontando para a outra mão. Draco olhou o teste e piscou. Em seguida me encarou. Piscou novamente. 

— Vou ter uma filha? — Perguntou, absolutamente chocado. — Estamos grávidos de uma menininha? 

O sorriso no meu rosto tremia enquanto as lágrimas já desciam. E a sala explodiu em comemorações quando acenei, concordando. Não conseguia falar, mas não foi necessário. 

— Meu Deus! — Draco gritou, passando os braços ao meu redor e me tirando do chão de todas as formas possíveis. Seus lábios se chocaram nos meus, meu coração palpitava como sempre fazia quando ele me beijava e abraçava daquela forma. Amor puro e real. E agora por três. — Eu te amo tanto, gata, te amo tanto — Ele dizia enquanto me beijava, e meus soluços se misturaram as risadas. 

— Feliz aniversário — Murmurei quando consegui falar. — Você é pai de uma menina e marido de uma louca. Meus parabéns

Braços me cercaram, um por um trazendo mais amor. Gina, chorando enquanto ameaçava minha vida se não fosse a madrinha. Theo, sorrindo como um louco enquanto repetia que seria tio. Meu pai que parecia nas nuvens, repetindo que seria avô. Mamãe, chorando como eu, tão emocionada que comecei a soluçar novamente. Lucius, que me chamava de filha, que dizia o quanto eu era importante na sua vida, e o quanto ele já amava nossa mais nova integrante da família. Até mesmo Casey, com seu sorriso amável, me desejando toda a felicidade do mundo. Estava cercada de amor. Tanto amor que poderia inundar o universo. Mas, no fim, quando voltei a sentar no colo do meu marido, sentindo seus lábios na minha bochecha e sua mão acariciando minha barriga, eu soube que era ali que eu pertencia. Para sempre. 

— Você é o amor da minha vida — Disse ele, sorrindo da forma mais linda. Da forma que me enchia de alegria. Virei o rosto, nossos lábios se tocando. — Amor da vida inteira, gata. Até ficarmos velhinhos e apostarmos corrida de cadeira de rodas com nossos bisnetos apostando em nós. 

— E depois disso, vamos namorar nas estrelas — Sussurrei, rindo quando ele riu. — E foder nas estrelas também. 

— Mulher perfeita. 

— Eu te amo. — Beijei seus lábios. — Para a vida inteira. Mas eu vou ganhar a corrida de cadeira de rodas.

Rindo, Draco me beijou novamente.

— Eu amo vocês duas. — Disse ele. — Amo demais. 

Nosso final feliz estava apenas no início, pensei, me aninhando em seu peito quente e caloroso. E, afinal, Draco não era a estrelinha que eu pensei no começo de tudo. Draco era minha constelação inteira. 


FIM


Notas Finais


EU TÔ UMA BAGUNÇA!

Essa foi uma Fanfic tão deliciosa de escrever. Tão leve e divertida, tão perfeita pra ocasião. Eu amo esse Draco com uma sensibilidade capaz de entender emoções e admiti-las. Eu amo essa Hermione que fala absurdos quando está nervosa. Eu amo a Lizzy, amo o Ronan, amo o Lucius, eu AMO Mr. Mistake e nunca vou me esquecer dela!

Obrigada a todos pelo apoio!
Eu demorei para postar. Minha mãe passou por uma cirurgia recente, eu continuo cuidando dela, com pouco tempo para vir aqui. Mas hoje eu senti que estava na hora de finalizar MM.

Espero que tenham amado!

Um beijão, babies! ♥️♥️♥️


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