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História Mudanças - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi leitores lindos, tudo bem??Como vão de quarentena?? Se cuidando direitinho?? Como sei que muitos estão em casa ansiosos com a atual situação mundial, assim como eu, resolvi atualizar as fics que escrevo. Espero que gostem. Beijos no ♡

Capítulo 3 - E agora?


Fanfic / Fanfiction Mudanças - Capítulo 3 - E agora?

Joan, assim que abre os olhos, se recorda dos eventos do dia anterior. O corpo quente pressionado no dela. A cabeça apoiada na curva de seu pescoço. O ar da respiração sendo soprado no ponto abaixo da orelha esquerda. Ela e Sherlock se abraçaram e dividiram uma cama. Agora ele dorme, depois de dias em um caso complicado. As pernas quentes e longas emaranhadas nas dela. O braço esquerdo lhe abraçando firmemente a cintura. Ela tira a mão direita do bíceps dele com cuidado. Ao lembrar do nível de exaustão do homem, sabe que pode sair sem que ele acorde, mas algo dentro dela faz com que queira ficar. Varias questões aparecem em sua mente enquanto revive as memórias do dia anterior. A discussão com Sherlock. As ações dele na delegacia. O jeito que o homem parecia frágil ao falar com ela depois do jantar.
Parece que o ar não está chegando aos pulmões dela, mesmo com as respirações fundas.
Depois de alguns minutos, ela se acalma. Watson não se lembra de quando foi a última vez que se sentiu tão protegida nos braços de um homem. Mesmo tendo apenas compartilhado a cama com Sherlock, o cheiro dele parece ter colado em sua pele, seus cabelos e suas roupas. Ela abaixa o olhar vagarosamente para o emaranhado de cobertas sobre a forma dela e de Sherlock. Seus pensamentos giram em torno do homem adormecido. Pensa em como ele foi delicado, verdadeiro e vulnerável quando segurou as mãos dela e a olhou daquele jeito. Tudo foi muito diferente do Sherlock que conhece. Talvez ele esteja escondendo algo. Será que ele está doente outra vez? Será que ele quer voltar para Inglaterra? Será que ele está prestes a ter uma recaída? Será que aconteceu algo com o pai dele? Joan não percebe mas já começou a chorar lentamente com o pensamento de perder o amigo outra vez. Amigo. Porque é isso, somente isso, que ele deve ser para ela. Como havia dito na noite anterior o que aconteceu não passou de um experimento. Sherlock não era tão sentimental. Ele não a amava dessa forma. Ele ainda estava sofrendo por Irene.

Sherlock retoma a consciência quando sente uma lágrima cair em seu rosto e escorrer vagarosamente por ele. Rapidamente ele recorda os eventos da noite passada. Percebendo que ainda está abraçado em Watson. Sua cabeça descansa na curva do pescoço dela enquanto a mulher, já acordada, está em lágrimas silenciosas. Um sentimento de pânico se instala ao pensar que ela está chorando e talvez seja por culpa dele. Então, ele respira fundo para alertar que está acordado.
O braço ao redor dela dá um leve aperto enquanto ele coloca a cabeça no próprio travesseiro.
-O que aconteceu? Eu te machuquei? Você esta bem, Watson? -Sherlock diz preocupado com a reação da parceira.
-Você quer me contar alguma coisa? -Joan, com lágrimas ainda escorrendo por seu rosto, se vira e ficam frente a frente.
-Creio, minha cara Watson, que é você quem devia contar algo. Claro que não vou insistir para que se abra comigo e diga o motivo das suas lágrimas. Apenas enfatizo que de qualquer forma estou aqui, assim como você esteve toda a noite até agora.
-Eu não devia ter ficado. Não devia ter ultrapassado os limites que você tanto gosta. Sei que está escondendo alguma coisa e por um segundo pensei que você apenas precisava disso. -Ela percebe que o rosto dele se suaviza. - Me desculpe.
-Não se desculpe, Watson. Não foi você quem perdeu o controle da situação.
-Não importa. Nada disso, nossa dinâmica, nossa parceria, nossa amizade, nada vai mudar. Mas quero saber o que está te deixando assim? Aconteceu alguma coisa e eu espero que me conte o que é. -Ela fala limpando os resquícios das lágrimas.
-Pela sua reação, você está com medo. É compreensível. Também estou. Creio que nossa parceria seja mais forte que um compartilhar de lençóis. O que houve foi que me dei conta que nunca fiz isso antes. Nunca tive alguém que se preocupasse ou alguém com quem me preocupar. Nunca precisei cuidar de alguém de maneira tão delicada e despretensiosa.
- Você não têm que cuidar de mim. - Joan fala em um tom calmo.
-Fale isso para o seu eu, que dormiu profundamente no táxi outro dia. Desde então, sinto que tivemos um avanço involuntário em nossa conexão.
-Eu só sei que ontem ultrapassamos os limites estando totalmente conscientes.
- Exato, Watson. Só não estou certo se quero voltar atrás. Meu experimento foi excelente e creio que podemos continuar. Se você concordar, é claro.
-Para começar, de onde surgiu esse "experimento"?
-Bell e eu tivemos uma conversa na delegacia ontem. Ele disse que seria bom para minha saúde mental e convívio social, aprimorar minhas habilidades afetivas. Tudo isso, devido ao meu cérebro se sentir perturbado com o fato de ter carregado você outro dia. Eu confio em você e certamente foi uma boa ideia do Marcus.
-O que quer dizer com "meu cérebro ficou perturbado"? Você se sente bem?
-Não queria sair dos nossos limites, Watson. Faz tanto tempo que não acontecia algo assim, que simplesmente não me recordava de como é tocar em alguém e sentir alguma coisa. Na verdade senti algo que não havia sentido antes.
-O que você sentiu exatamente? Do que está falando?

O olhar dela é curioso enquanto tenta imaginar rapidamente o que Sherlock deve ter pensado. Talvez ele tenha se sentido um tolo, carregando ela como em um filme romântico pelas escadas. Ele respira fundo algumas vezes. A mão esquerda, agora, massageando o templo como ele faz quando seus pensamentos estão perturbados. Ele finalmente responde em tom baixo.

-Além do seu peso, cabelos, perfume, tecidos das roupas, calor corporal e ritmo cardíaco? Bem, eu me senti com os níveis de adrenalina subindo rapidamente ao fazer algo, com o simples intuito de ajudar. Algo que nunca experimentei antes. No geral, foi uma reação diferente, mesmo com todas as drogas e alucinógenos, nada me deixou tão fora de mim, Watson. Não consegui dormir, fiquei irritado e com medo o dia todo. Eu não sou um fã de sentimentalismo, mas sou uma grande fã de ciências e de psicologia. Observei você agindo com o pessoal da delegacia nos últimos dias. Fiquei intrigado e com medo. Percebi que a convivência comigo pode estar te afetando negativamente. Você pode estar achando todas as coisas físicas desnecessárias. Está se fechando e ficando, aos poucos, como eu. Não é isso que quero. Não quero que se transforme em alguém como eu. Por isso estou disposto a melhorar em relação à tato e afetividade. O que acha? Podemos ter esse novo arranjo na nossa parceria?

Joan vê sinceridade e ao mesmo tempo receio na expressão dele. O olhar de Sherlock não sabe, há tempos, como mentir para ela. De repente, se lembra dos olhos vazios que ele tinha noite passada e decide explorar mais essa conversa. Usando o mesmo tom de voz calmo dele, ela começa a falar.

- Já agradeci por ter me colocado na cama aquele dia. Só não liguei esse fato ao seu mal humor. Me observar interagir com o pessoal da delegacia, não devia ser um critério para me avaliar. É nosso ambiente de trabalho. Além do mais, caso não tenha percebido, eu não sou de sair abraçando e compartilhando confidências com qualquer um. Em relação à sua perturbação com ações que envolvem contato físico, você teve um ótimo progresso ontem. Realmente foi só depois da sua crise de ansiedade, que pude entender melhor o que está acontecendo com você. Foi ela não foi? Ela te causou esse bloqueio afetivo. Estava pensando na Irene quando entrou em colapso? Eu vi nos seus olhos, a dor que ela deixou quando saiu da sua vida e a raiva de quando ela voltou como Moriarty. Eu sinto muito que ela tenha te deixado essas cicatrizes. Sei que algumas não vão se fechar assim do nada. Eu não me importo com o seu jeito, mas me importo com o porquê de ter ficado assim. Ela te machucou, te usou, mentiu e te deixou sozinho. Você, Sherlock Holmes, não está mais sozinho. -Joan coloca a mão direita sob a mão direita dele, para enfatizar suas palavras. - Você está seguro, está bem, tem amigos e admiradores. É excelente no trabalho e ajuda pessoas através dele. Não devia se privar de contato, porque foi machucado por alguém que te fez sentir a melhor coisa que você poderia. Você também merece esse tipo de afeto e cuidado. Não foi culpa sua tudo que ela fez contra você. Não deixe que a sombra dela apague ainda mais seu lado afetuoso. Você é uma ótima pessoa, Sherlock. Se seu lado afetivo realmente é algo que você quer explorar, nós podemos ter esse arranjo em nossa parceria. Será um prazer ajudar.
-Eu não sou uma pessoa amável, receptiva e carinhosa. Nunca fui assim na verdade. No entanto, aprimorar meus sentidos é algo que eu quero. Reaprendi muitas coisas desde que você entrou no casarão. Você salvou minha vida, Joan. Todos os dias você, de alguma forma, faz isso outra vez.
-Parece estar falando de outra pessoa, você é amável e receptivo. Você também me salvou. Desde que te conheci minha vida se tornou totalmente diferente de tudo que eu havia planejado. Nós nos salvamos de várias formas. Eu sou melhor com você, Sherlock. - Joan usa a frase que ele disse há anos, quando a convidou para ser sua parceira. Ela analisa o olhar chocado no rosto do detetive.

Sherlock nunca se sentiu intimidado sob o olhar de ninguém. Nem mesmo dos mais perigosos e desalmados assassinos. No entanto, aqui está Joan tirando todas as defesas que ele construiu ao redor de si ao longo de sua existência. Ela dá um leve sorriso e se afasta um pouco mais dele. Ela pisca uma vez, duas vezes. Mesmo com a pequena distância, ela está ao alcance de suas mãos. A tensão entre os dois continua crescendo. Ele passa a língua pelos lábios de forma rápida e involuntária, mas o gesto é atentamente observado por Watson.

Joan está se controlando para não piorar ainda mais as coisas. Ela devia sair daqui. Devia se levantar e ir para a própria cama. Devia estar com os olhos fechados para não olhar para ele desse jeito. Devia soltar a mão dele. As palavras e a sinceridade com que ele as disse mexem com ela. Com certeza Sherlock já sabe o que está passando pela cabeça dela. Se ela quiser avançar a amizade deles em um nível mais profundo, vai ter que tomar uma atitude.
-Já pensou em ter esse tipo de arranjo na nossa parceria? -Ela pergunta de forma direta, mas tentando soar indiferente.
-Você fala sobre o contato físico ou sobre compartilhar a cama?
-Os dois.
-Muitas vezes.
-Oh, muitas vezes?
-Não se faça de inocente, sei que também já cogitou a possibilidade inumeras vezes. Vivia me abraçando e não se importava quando eu dormia no seu quarto.
-Não finja que não gostou dos meus abraços.-Ela fala para a careta dele. - Sei que de uma maneira esquisita você gosta de ver as pessoas dormindo.
-O cérebro humano é programado para liberar hormônios quando passamos por uma situação satisfatória e acalentadora. Então é algo científico, mesmo que eu, particularmente, ache abraços desnecessários. E quanto à assistir as pessoas enquanto dormem, só fiz isso com você e antes disso com Irene... Moriarty, tanto faz.
- No começo eu achava assustador e esquisito. Aí conheci você melhor e agora só acho esquisito.
-Você gosta do bizarro e do esquisito.- Ele olha para ela atentamente antes de continuar.- Para algumas pessoas é reconfortante ter companhia durante à noite. Conseguem dormir sem nenhuma ajuda ou estímulo para o cérebro.
-É por isso que dormia na cadeira do meu quarto? Por ser reconfortante?
-Eu sou um ex viciado, Watson. As noites são difíceis quando não há nada para fazer. Eu prefiro velar o seu sono do que recordar as madrugadas na sarjeta.- Ele percebe o tom quase hostil que usou ao fazer tal declaração.
-Eu não pensei que recordações ruins fossem o motivo para querer companhia durante à noite. - Joan continua usando um tom baixo e calmo.
-Eu chamava as gêmeas, quando necessário. - Ele evita o olhar dela. - Nem todas as noites eu poderia passar na sua cadeira. Então...- Ele observa as mãos deles se tocando no colchão entre os dois.
- Eu sinto muito por não perceber que as noites são tão difíceis para você. Se quiser, a partir de agora não precisa mais dormir na minha cadeira.
-Um convite para dividirmos a sua cama, Watson?
-Para algumas pessoas é reconfortante ter companhia durante à noite. - Ela responde e dá um leve sorriso. - Além disso, minha cama é um pouco mais confortável que a sua.
-Obrigado, Watson. Porém irei recusar. Você, claramente, só fez essa proposta por se sentir culpada por minhas memórias serem tão vívidas à noite e não ter notado.
-Sim, mas também porque durmo melhor quando tenho companhia. Eu nunca falo nada, os homens interpretam como um convite para sexo. -Ela revira os olhos, frustrada com as lembranças.
-Te garanto que apesar de algumas falhas como ser humano eu sou melhor do que isso, Watson. -O tom dele é sério.
- Não se preocupe, você é um dos melhores homens que eu já conheci.

Sherlock não sabe o que dizer depois das palavras dela. Joan sempre foi ótima com comunicação verbal, conseguindo deixar ele sem saber o que dizer ou pensar diversas vezes. A mão dela ainda está na dele, mas os olhos castanhos estão fechados agora. Então, Sherlock inicia uma leve carícia na delicada e pequena mão da parceira. Depois de alguns minutos, parece que a mulher está adormecendo outra vez. Ele leva a mão dela até os lábios e beija os nós dos dedos delicamente. O detetive está quase hipnotizado com o rosto sereno e angelical tão perto do seu. Ele raramente fica na cama depois de acordar, mas hoje ele tem um ótimo motivo para ficar.


Uma hora quarenta e dois minutos depois, Sherlock ainda acordado escuta, de repente, a porta da frente sendo aberta.
-Vou ver quem é a nossa visita, Watson.- Ela apenas resmunga e cobre a cabeça vagarosamente num gesto típico. - Fique à vontade e aproveite a cama o quanto quiser. - Sherlock fala baixo vestindo o sueter no chão ao lado da cama para sair do quarto.

Os saltos batendo contra o piso de madeira do casarão indicam a presença da Senhora Hudson. Sherlock espera que ela desça e decide colocar a chaleira no fogo. Colocando itens dos armários e da geladeira, ele arruma a mesa para o café da manhã. Uma omelete parecia a forma perfeita de se começar o dia.
-Bom dia, Senhora Hudson. - Ele fala sem se virar.
-Bom dia, Sherlock. Está usando apenas meias. Isso significa que acordou agora. Sem nenhum caso hoje?
-Boa observação. Meus sapatos estão em algum lugar do quarto. E até agora não recebi nenhuma ligação. Talvez algo aconteça mais tarde.
-Bom, eu vim deixar algumas roupinhas de frio que fiz para o Clyde. Eu apenas trouxe alguns livros que me pediu da biblioteca e esqueci de trazer as roupinhas quando vim.
-Clyde adora seus presentes e a Watson o veste todos os dias com uma roupa diferente.
-Por falar em Watson, deixei o Clyde no terrario do quarto dela. As roupinhas em cima da cadeira.
-Em nome do Clyde, obrigado.
-Esta muito frio para uma corrida. -Hudson fala desconfiada. - Então...a Joan dormiu fora? Algum namorado novo que eu ainda não conheço? - A mulher encosta no balcão enquanto observa Sherlock mexendo a omelete. Ela olha para a porta fechada do quarto improvisado dele.
-Chá ou café? - Sherlock tenta mudar de assunto mesmo sabendo que não consegue esconder nada da velha amiga.
-O que preferir. - Sra. Hudson coloca a mão no ombro dele sabendo dos sentimentos que o detetive tem pela parceira. - Sherlock? Você está bem?
-Claro. Por qual motivo eu não estaria? - Ele vai até a mesa com a frigideira na mão e uma espátula na outra.
-Talvez você não goste da ideia da Joan dormir fora. Talvez esteja preocupado. Talvez queira conversar com ela. Talvez não goste ou não conhece direito o novo namorado dela. Tem muitas coisas que podem estar acontecendo aí na sua cabeça. Estou errada?- Ela percebe a rigidez dos ombros dele enquanto termina de preparar o café.

Poucos segundos depois, imerso no silêncio, o detetive coloca as xícaras de café sobre a mesa. Ele toma o assento da ponta, bebe um longo gole de café e começa a comer.
-Bem. Eu sei que o fato da Joan ter dormido fora pode estar te afetando de alguma forma. Se quiser conversar sobre isso, eu estou aqui. Tenho um tempinho até ir para a biblioteca.
-Eu estou perfeitamente bem.

Sherlock não sabe se deve ou não contar que Joan está em sua cama. E se sua explicação for mal interpretada? E se a Sra. Hudson tiver algum conselho sobre o que ele deve fazer daqui em diante? E se a Watson ficar chateada por ele ter contado o que aconteceu? Em teoria nada aconteceu, não é? Antes que possa pensar em mais coisas para dizer, ele percebe a mão dela vindo até seu pescoço.
-Isso explica o motivo de estar bem. Joan não foi a única que passou a noite acompanhada. Pelo fio de cabelo, você esteve com alguém. Devia ter me falado. Ela ainda está aqui? Se quiser eu posso ir agora, não tem problema. - Sra. Hudson começa a rir e se levantar.
-Não. Está tudo bem.- Ele sabe que a amiga não é nenhuma tola. Sherlock pensa que contar pode ser bom. Assim ela dira algo que sirva de ajuda sobre o próximo passo. - Watson, ainda está dormindo.
-Como é? - Ela fica parada, com a xícara em mãos no meio do caminho até os lábios, confusa.
-Aquele fio de cabelo pertence à Watson.- Sherlock observa até a amiga entender o que ele quer dizer.
-Joan está...no seu quarto...ela dormiu...você dormiu...ah meu Deus...vocês dois...ah meu Deus...vocês? - Ela fala quase sem fôlego, com um olhar sugestivo e um sorriso nos lábios.
-Eu apenas abracei a Watson.- Sherlock fala tranquilamente bebendo seu café. - Tive uma crise de ansiedade tarde da noite, ela me trouxe até o quarto e nós apenas dividimos a cama. Conrforto e solidariedade, foi só isso que aconteceu.
-E agora você está aqui comendo omelete. O que foi que realmente aconteceu? Você não sentiu nada diferente em ter a Joan por perto?
-Ela sempre está por perto.
- Não sentiu nada ao observar ela dormir?
- Eu sempre observo ela dormir. Eu devia sentir o que exatamente?
-Você não olhou para ela? Não sentiu nada quando a abraçou? Não percebeu o olhar que ela te dá? Sherlock, achei que fosse inteligente nesse quesito também.
-Eu olhei para ela. Eu olho todo o tempo, ela trabalha e mora comigo. Eu senti ela retribuir o abraço e também senti os batimentos cardíacos dela contra meu tórax. E o olhar que ela me dá é o mesmo de sempre. Qual é o ponto aqui? - O detetive pergunta num tom frustrado.
- O ponto, Sherlock Holmes, é que a mulher que te ama está na sua cama neste momento. Provavelmente tendo um sonho romântico clichê com você. Se você sente alguma coisa por ela, como eu acho que sente, devia entrar naquele quarto e fazer algo a respeito.
- Você está equivocada, a Watson não me ama desse jeito. - A expressão dele de tristeza não consegue ser contida.
-Ela te disse isso? - Sra. Hudson pergunta preocupada.
-Não. Na verdade, ela me disse que eu preciso parar de permitir que as lembranças da Irene me machuquem. Que não devo me privar de ter contato com outras pessoas e que eu mereço cuidado e afeto.
-Joan, sendo Joan. Essa mulher claramente ama você. Achei que conseguisse deduzir isso ao longo do tempo ou nas vezes que quase a perdeu. Eu sei que ela é a pessoa que você mais ama no mundo todo. Vocês são perfeitos um para o outro, mas parecem mais lerdos que o Clyde para fazer algum movimento em relação à isso.-
Sra. Hudson se levanta e coloca a cadeira no lugar.

Sherlock escuta com atenção enquanto a acompanha até a sala.
- Sei que me acha iludida quando falo sobre questões sentimentais. Você nunca tocava nela e agora essa fase foi desbloqueada como num videogame.-Ambos param na entrada e ele a ajuda com o casaco.- Agora já sabe como se sente com Joan em seu abraço. Tenho certeza que um beijo, consegue desbloquear qualquer outra barreira que esteja impedindo vocês de serem realmente felizes.
- Eu creio que isso já aconteceu. Ela me deu um selinho, curto e rápido, antes de adormecer. Não creio que ela se lembre disso.
-Só existe um jeito de descobrir. Fale com ela. Vai se dar conta que só ela pode oferecer o tipo de cuidado e afeto que você precisa. Abra seu coração e deixe que ela ame você, Sherlock.

Senhora Hudson quase pode ver a explosão que os pensamentos acelerados causam no cérebro dele. Deixando Sherlock completamente sem fala parado na entrada do casarão, ela abre e fecha a porta atrás de si. Lá fora a mulher abre um grande sorriso e sai pelo frio de New York.





Notas Finais


E aí gente, gostaram??? Sugestões e dicas são sempre bem vindas. Adoro vocês. Obrigada por não desistir de mim. Até breve. ♡


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