1. Spirit Fanfics >
  2. Mudanças >
  3. Capítulo 05

História Mudanças - Capítulo 5


Escrita por: etranger

Notas do Autor


ora ora se nao travei 16 vezes tentando escrever

Capítulo 5 - Capítulo 05


    O objetivo era simples: levantar, tomar banho e ir embora. Todavia, Megumi se perdeu logo no primeiro passo e, agora, quase às onze da manhã, continuava deitado ao lado de Sukuna. 

    Conversavam sobre alguns tópicos aleatórios, dividindo uma barra de chocolate importada como se fosse um café da manhã incrível. Não era exatamente ruim (estar ali), e Megumi sabia que Nobara e Maki cuidavam bem de seus cachorros — avisou que chegaria mais tarde, também —, então desfrutava do momento em uma paz pouco habitual. 

— Sua mente me intriga. Afinal, Megumi, onde deseja chegar? — Sukuna perguntou, quebrando mais um pedacinho do chocolate, deslizando-o sobre a própria língua de forma exageradamente demorada.

— Em que sentido? — Já não sabia mais sobre o que estavam falando, distraído pelo mais absoluto nada ao encarar o teto alto. 

— Comigo, com esse outro homem. Com tudo isso. 

Apesar do tom despreocupado, Megumi sabia que não era bem assim. Honestamente, não sabia responder — queria chegar em mudanças, mas já havia conseguido. Seus dias já não eram mais entediantes, havia conseguido a atenção de Satoru (negativamente) e estar ao lado de Ryomen deixava claro que as coisas não eram mais como antes. E agora? 

— Eu não sei — disse com honestidade, ainda pensativo. — Qual seria a graça de parar por aqui? 

— Gosto do quão destrutivo isso soa. 

— Então vai me deixar fazer o que eu quiser? — Desistindo do teto, virou-se para o homem mais velho. Ele parecia calmo, mas não significava muita coisa, uma vez que o céu antes de tempestades também possuía sua própria dose de calmaria.

— E qual seria a graça de não deixar? 

Realmente, nenhuma. Pouco havia se resolvido na conversa de inúmeros significados e, ao mesmo tempo, nenhum — mas Megumi havia tomado uma decisão entre os vastos devaneios. 

— Não volte atrás com sua palavra. 

— Por quê? Já vai aprontar? — Sukuna riu, deixando o chocolate de lado para colocar o corpo menor abaixo do seu, encarando-o de cima com uma expressão quase divertida. 

— Talvez. O que acha de eu visitar um certo restaurante hoje? 

— Hm, então vou pedir pra levar algo pra mim. 

— O quê? Ah! 

Megumi foi pego de surpresa pela mordida em seu pescoço, um gemido dolorido escapando da garganta. De boca entreaberta, não evitou cravar as unhas nas costas nuas, apertando os olhos até sentir o desencaixar dos dentes na pele — àquele ponto, o que restava era apenas a estranha e invasiva sensação de prazer, arrepiando-o com pequenas faíscas de eletricidade imaginária.

— Desculpe, doeu? — Ryomen sorriu discreto, lambendo o local da mordida com uma delicadeza que não combinava consigo. 

— Porra, pra caralho… — resmungou, ainda que incapaz de disfarçar o risinho que deixou-lhe os lábios inconscientemente. 

— Ei, olha os modos! 

Megumi revirou os olhos, aceitando aquela boca na sua própria, sem nem precisar pensar muito. O pescoço ardia e seus planos para o dia ainda eram incertos, mas deixou-se aproveitar aquele fim de manhã entre mais alguns amassos e conversas sem nexo. Tudo ia bem, então não via a hora de transformar tudo em um belo caos outra vez — porque talvez estivesse se acostumando àquele estilo de vida. 

 

— 

 

Pouco depois do meio-dia, Megumi foi deixado em casa, agradecendo por Sukuna ter trabalho a fazer naquela tarde, o que permitiu que não fosse mastigado por mais horas do que poderia aguentar. 

Teve tempo de comer alguma coisa, trocar de roupas e levar os cães para uma voltinha, então decidindo ser direto ao enviar uma mensagem perguntando se Satoru estava disposto a conversar. Ele demorou, mas disse que sim, avisando que estava no restaurante perto da praia, como sempre. 

Foi até lá com a mente vazia, não fazendo plano algum sobre o que gostaria de dizer ou de não dizer. Queria que fosse natural, que acontecesse o que precisasse acontecer; não podia ter tudo do jeito que queria (não sabia o que queria), por isso evitava criar expectativas. 

Durante o dia, o movimento não era tão alto. Foi capaz de entrar e passar pela staff, indo até o escritório no segundo andar. Bateu na porta, recebendo uma afirmação resmungada; assim, entrou e encarou o homem atrás da mesa de madeira coberta de papéis desorganizados, a expressão gritando ressaca

— Não esperava te ver hoje, me pareceu tão ocupado ontem. — Apesar de tudo, Gojo ainda soou afiado, jogado contra a cadeira confortável sem dar sinais de levantar. 

— Posso dizer o mesmo, mas obrigado por me receber — rebateu, puxando a cadeira livre de coisas jogadas em cima para sentar. 

— Sabe a pior parte de não poder reclamar do seu comportamento? É saber que eu sou o responsável por isso. 

— Tá, “papai”, eu não vim aqui pra discutir. 

Megumi bufou e, pelo riso alheio, viu sua fala fazer Gojo perder a pose. Ele saiu da posição de zumbi estirado, apoiando-se na mesa para tentar ter alguma seriedade na possível conversa que teriam, passando os olhos nada discretamente pelo pescoço do moreno — o azul tornando-se subitamente afiado. 

— Certo, e veio aqui para quê? 

— Creio que temos coisas a resolver. 

— Ah, claro que sim — disse Satoru, quase sarcástico. — Então vamos ser diretos: o que sente por mim, Megumi? 

Com um confronto tão direto, Megumi precisou de um tempo para pensar em uma resposta. Mentir não parecia uma opção, então juntou a coragem necessária para dizer o óbvio: 

— Gosto de você. 

— Ótimo, eu também gosto de você! No entanto, eu não quero um relacionamento e, ao mesmo tempo, não quero te tratar como qualquer um. Você me deixou numa situação difícil, sabia? — Gojo suspirou, passando as mãos pelos cabelos com certo estresse no ato. 

Saber que seus sentimentos de tanto tempo eram correspondidos fez o peito de Megumi acelerar de forma boba, mas ele não deixou transparecer, focando no restante da sentença. Honestamente, no passado estaria arrasado — um sonho de adolescência sempre foi ser o namorado de Satoru Gojo —, porém agora… agora não sabia o que queria. Quer dizer, sabia o que não queria, e essa coisa era ter algo sério com qualquer pessoa que fosse, principalmente naquele momento de sua vida. 

— E quem disse que eu quero ter um relacionamento? — falou, enfim recebendo um olhar mais sério da parte do homem de fios brancos. 

— Ora, ora, meu Megumi está todo crescidinho de uma hora pra outra. Mas saber disso não resolve muita coisa, não é? 

— Você não teria coragem de me tratar como um qualquer — Megumi deduziu, recebendo um aceno afirmativo e aquela expressão que gritava “bingo!”. 

— Exatamente. — Satoru levantou, dando a volta na mesa para apoiar as mãos nos braços da cadeira de Megumi, encarando-o com uma proximidade perigosa. — Poderíamos encerrar o assunto aqui e fingir que nada aconteceu, mas veja bem… Eu não posso só te entregar de mão beijada pra esse projeto de lobisomem que tem saído com você, não é? 

Um arrepio percorreu o corpo de Megumi ao sentir os dedos de Gojo circulando a mordida recente, o ar parecendo se perder por alguns segundos. Lembrou-se de respirar apenas quando aquela mesma mão ergueu seu queixo, forçando seus olhares a se encontrarem. 

— E qual é seu plano? — perguntou, retribuindo o tom afiado ao deixar um sorrisinho morar no canto dos lábios. 

— Nenhum! Eu não tenho um plano, só consigo pensar em te foder. Sabe, te jogar nessa mesa e te tirar desse escritório só desmaiado… Mas eu preciso assumir a cozinha essa noite, tem gente importante vindo aí, então me espera no meu apartamento. Pode ser? 

A proposta era tentadora e Megumi não podia negar que o peito estava batendo mais rápido ainda, então assentiu após engolir em seco, recebendo um beijo no rosto que fez até o último pelo de seu corpo arrepiar. 

Depois disso, recebeu uma cópia da chave e foi mandado embora, Satoru alegando que não se controlaria se continuassem no mesmo ambiente. E até pensou em provocar, mas Megumi reconhecia a seriedade do homem mais velho, decidindo obedecê-lo por ora; teria muito tempo para provocação, e agora estava ansioso para a noite que viria — mesmo que Sukuna surgisse, de forma sutil, lá no fundo de sua mente. 


Notas Finais


como sempre, obrigada por ler e pelo apoio na fic, até o próximo xx


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...