1. Spirit Fanfics >
  2. Mudando de curso >
  3. Só queria ser capaz de cuidar dela

História Mudando de curso - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, Gente!
Peço desculpas pelo longo tempo sem postar. Minhas aulas voltaram e minha semana voltou a ficar apertada. Mas, com um pouquinho de esforço consegui terminar o Cap.4. Desculpa a demora.
Espero que gostem e se divirtam. Boa Leitura :)

Capítulo 4 - Só queria ser capaz de cuidar dela


POV ANNABETH

 

 

            Foi extremamente cansativo. Sei que eu não deveria mas, tive a esperança de que quando eu chegasse em casa minha madrasta me deixaria em paz. Me senti tranquila e segura com o Perseu. Queria que já fosse amanhã. Não deu cinco minutos que eu entrei e ela apareceu. Já me encolhi sabendo o que estaria por vir.

            Perseu tinha razão. Ela teve menos tempo para me machucar. Cheguei em casa era quase 20h e como meus meios irmãos tinham que dormir nove e meia e depois de colocar eles para dormir ela fazia outros afazeres domésticos. Só uma hora e meia. Era só isso que eu tinha que aguentar.

            20. Foram 20 vezes que ela me bateu com seu cinto. Todas nas costas me senti como se estivesse no sul na época da colonização e fosse um dos escravos. Sei que era bem pior do que cinto nas costas, mas ainda assim minha dor era semelhante. Não saiu sangue dessa vez mas, vários vergões foram o resultado. Hoje eu também iria dormir no porão. Estremeci quando ela me jogou lá. O porão era cheio de aranhas. Eu odeio aranhas. Não dormi. Não consegui.

            Vejo o dia raiando e saio do porão. Ainda são seis horas. Ninguém está acordado. Vou até meu quarto e pego uma muda de roupa e enfio na minha mochila. Preciso de sair daqui. Ainda é muito cedo, mas, Perseu disse que poderia chegar no horário da escola. Eu vou chegar mais cedo. Será que ele vai se importar? Acho que não. Pego o material para o trabalho e saio de casa. Deixo um bilhete avisando que eu tinha um trabalho enorme e que iria demorar muito para voltar. Saio de casa correndo e em cinco minutos estou na portaria do prédio do Perseu.

            O porteiro deixou eu subir. Ele disse que eu estava liberada para fazer isso quando eu quisesse. Fiquei preocupada quando ele disse que Percy pediu para ele me liberar ontem chorando muito e soluçando. O elevador abriu e eu bato na porta de Perseu. Demorou 5 min para ele abrir a porta.

            Ele estava com a mesma roupa de ontem. Os olhos e o nariz estavam vermelhos e o cabelo uma bagunça. Assim que ele percebe que sou eu ele abre um sorriso. Ele me puxa para dentro e fecha a porta. Ele tira a mochila das minhas costas e coloca do lado da dele que ainda estava na sala, me encolho um pouco por causa da ardência dos machucados.

            -Bom dia! Dormiu bem? - eu pergunto para ele com um sorriso. Ele coça a nuca meio envergonhado.

            -Não consegui. Você está bem? - ele me pergunta olhando preocupado.

            -Você estava certo. Ela não conseguiu me machucar muito. Teve menos tempo. Mas, eu não dormi durante a noite. Não consegui. - me sento no sofá sem encostar as costas.

            -Annie, o que ela fez com você? – não olho ele no olho. Eu não consigo olhar.

            -Ela... ela só... só me bateu. Mas, está tudo bem. – ele estava em pé. Eu olhava para o outro lado. Ele se enfia na minha frente me obrigando a olhar ele nos olhos se abaixando na minha altura.

            - Ok! Agora me conta a verdade.

            -Desculpa. Estou com um pouco de dor nas costas. Foi... foi onde ela me bateu ontem. Eu não pude cuidar. Ela não permitiu eu tomar banho para aliviar a ardência. - ele arregala os olhos e se levanta. Olho para ele preocupada.

            -Não conseguiu dormir por causa disso? Por que estava doendo? - engulo em seco.

            -Em partes. – ele me olha mais preocupado ainda. - Ela me trancou no porão e eu... morro de medo de aranhas e.... lá tem muitas. Por isso não dormi. – ele trava o maxilar. E sai da sala.

             Ele vai para o corredor, provavelmente para o quarto dele. Vejo ele saindo e depois entrando em um outro cômodo. Começo a escutar barulho de água. Logo depois ele sai dessa porta e vem para sala. Respira fundo e me olha de um jeito diferente e muito preocupado. Isso me deu um arrepio bom de sentir.

            -Já liguei a água. A toalha está no banheiro. Você tem roupas na sua mochila? - faço que sim. – Ótimo. Pode demorar quanto quiser. Também vou tomar banho no meu quarto. Qualquer coisa pode aparecer por lá. Pode deixar suas roupas no cesto de roupa suja da área de serviço. - abro um sorriso e vou para o banheiro.

            Tomo o banho em 15 minutos. Doeu muito mas, não gritei. Foi difícil não chorar para colocar a blusa. Eu estava com fome, não comi nada depois do lanche que comi com o Perseu ontem. Termino de arrumar meu cabelo prendendo ele em um coque muito bagunçado. Além de fome eu também estou com muito sono. Saio do banheiro e percebo que Perseu ainda está no banho. Então decido não ir para o quarto dele.

            Eu preciso de comida então eu vou para a cozinha. Acho na geladeira um pedaço do bolo de ontem. Acho também um pó de café. Abro os armários e acho tudo que preciso pra fazer um café bem forte. Já estava passando o café quando Perseu entra na cozinha.

            -Annie, está melhor? – viro para ele e dou um sorriso. - Nossa, amo cheirinho de café pela manhã.

            -Eu também! Melhor ainda quando tem bolo pra acompanhar. - Perseu sorri.

            -Nem comi ontem. - ele fala de olhos arregalados. - Pelo visto você também não tinha comido. - abro um sorriso pequeno.

            -Você me disse que não dormiu bem. - ele desvia o olhar para xícara dele.- Seu porteiro também me assustou quando disse que ontem você pediu para ele liberar minha entrada chorando muito.

            -Eu... Annie, não…- ele parecia desconfortável. Ele respirou fundo. - Olha, te levar até sua casa e depois ter que ir embora.... me machucou. Não poder entrar e sei lá fazer alguma coisa por você me deixou desesperado. Me senti horrível. Queria poder fazer muito mais por você. Annie, você é tão inteligente, gentil e boa com as pessoas, não merecia isso que está acontecendo com você. - ele não me olhava. Ele balançava a perna e tamborilava os dedos, além disso ele respirava fundo muitas vezes. Não sabia que ele se importava tanto. Ele estava muito alterado. Encostei na mão dele.

            Eu realmente não entendi o que aconteceu com Perseu. O meu gesto simples de segurar a mão dele acalmou ele completamente. Ele me olhou e seus olhos verde-mar eram muito profundos e tinham muita tristeza e preocupação neles, de novo senti o arrepio reconfortante. Eu definitivamente declaro que verde-mar vai ser a minha nova cor favorita por que aqueles olhos na minha frente eram as coisas mais lindas que eu já tinha visto.

            -Percy, não tinha ideia que você se preocupava tanto nem que se importava tanto assim comigo. Quando....- respiro fundo antes de continuar. Eu odiava lembrar dele.- quando eu contei pro Luke ele só me deu um abraço e disse que ia ficar tudo bem. – Ele fecha a cara e me olha incrédulo.

            -Não sou o Luke. Eu não vou cruzar os braços. Não vou mentir para você. Annie, não vai ficar tudo bem. Principalmente se nós não fizermos nada para mudar isso. Temos que pensar numa solução não quero que ela te machuque mais. Temos que ter provas e....- interrompo ele. Não quero ter esperanças. Sei que eu não iria conseguir mudar nada disso.

            -Perseu, não quero falar disso. Não quero pensar nisso. Nós precisamos de fazer trabalho. Depois vemos isso, ok? - ele me olha um pouco confuso mas concorda.

 

 

  POV. PERSEU

 

 

            Annabeth chegou aqui em casa hoje pela manhã bem. Pelo menos era o que parecia. Ela diz que apanhou e que estava dolorida. Fiz tudo que podia. Ver ela fazendo café... sei lá me deu uma sensação nova e estranha, como se eu desejasse que aquela cena se repetisse todos os dias pela manhã. Confesso que quase disse para ela tudo que eu sinto por ela na conversa que tivemos na cozinha. Também tenho quase certeza que se ela e eu tivéssemos terminado essa conversa com certeza teríamos uma solução para o problema dela. Será que ela tem medo de não conseguir?

            Estávamos terminando o trabalho na sala da mesma maneira que estávamos ontem. Conversávamos sobre coisas aleatórias enquanto fazíamos e ela ria. Eu definitivamente decido que a risada dela é o melhor som do planeta. Nunca mais queria ver ela chorando como aconteceu ontem. Já havíamos terminado e já era quase dez da manhã quando Annabeth ainda lia e tentava concertar qualquer erro que fosse no trabalho pela milionésimas vez. Eu estava de cabeça para baixo e pés para cima sentado no sofá observando ela.

            -Perseu, você vai passar mal.- ela fala de novo. Dou risada.

            -Você não vai encontrar mais nada de errado nesse trabalho. Tenho certeza que já sabe até repetir o texto de trás para frente. Já leu ele umas noventa vezes. Admite que terminamos o trabalho e que podemos nos divertir. - ela sorri e fecha o notebook.

            -Tá você venceu. O que vamos fazer? - me endireito no sofá e ela se senta do meu lado, diferente do que ela fez ontem, quando ela se sentou na outra ponta do sofá.

            -Que tal um filme? – proponho e ela sorri.

            -Eu topo. Mas, não me julgue se eu dormir. - me sinto culpado. Deveria ter deixado ela dormir depois do café. Mas, ela já se enfiou direto nos livros.

            - Então, eu tive uma ideia melhor. Que tal tirarmos um cochilo? Você me disse que não dormiu de noite e eu não dormi bem também. – abro um sorriso e olho para ela.

            -Sua proposta é realmente tentadora. Mas, temos que acordar para o almoço. Onde eu tiro meu cochilo? - ela olha para o sofá como se fosse de repente uma cama super macia e confortável. - Acho que só vou me deitar aqui nesse....

            -Não! Nada disso. Você vai dormir na minha cama. Eu fico com o sofá. Suas costas.... estão machucadas, não vou fazer isso com você. – eu me levanto e abro um sorriso. Chamo ela e nós seguimos para o meu quarto.

            Meu quarto não estava arrumado. Ele nunca estava. Mas, hoje pelo menos não tinha nenhuma roupa jogada no chão. Minha escrivaninha estava bagunçada e minha cama não estava arrumada desde ontem. Coço a nuca e olho para Annabeth. Ela olhava em volta e sorria como se já esperasse tudo o que estava vendo.

            -Você realmente gosta de azul. - abro um sorriso. É, eu amava azul. Meu quarto era pintado de azul. Uma parede era azul marinho e as outras eram azul claras. Minha cama estava com lençóis azuis e minhas cobertas também eram azuis.

            -É minha cor preferida. - ela sorri. Vai em direção a cama e se senta nela. Só ai que ela olha para o meu criado. Nele tinha uma foto minha sem os dois dentes da frente abraçando minha mãe que sorria e me abraçava. Atrás dela estava o Paul sorrindo também. Eu precisava visitar ele.

            - É sua mãe? - faço que sim. - Ela era linda. Esse é seu padrasto? – abro um sorriso e faço que sim. - Ele parece ser legal. Perseu, por que você mora sozinho? - me sento ao lado dela e olho para o retrato em suas mãos.

            - Ela era muito incrível. Ela era muito maravilhosa. Ela era o nosso tudo. Depois que ela morreu... bem, eu tentei não demonstrar que eu estava sofrendo. Mas, Paul lidou com a dor de outro jeito. Ele entrou em depressão e.... agora está em um centro psiquiátrico. Lá eles não deixam ele se machucar. Nos últimos dois anos fui para colégios internos por que não podia ficar sozinho em casa e Paul achava que eu não tinha idade para ser emancipado. Quando fiz dezesseis ele me emancipou e pediu para eu estudar mais perto dele. Depois que eu voltei eu... ainda não tive coragem de ir visitar ele.  – Annabeth deita sua cabeça em meu ombro.

            - Se quiser eu posso ir com você. Quero conhecer ele. Depois que minha mãe morreu eu nunca mais fui visitar meu avô. Me arrependo muito disso porque eu gostava muito das nossas brincadeiras. Agora eu estou aqui e ele lá em São Francisco. Se quiser que eu vá com você, eu posso fazer isso. Afinal você já está fazendo tanta coisa por mim. - abro um sorriso.

            -Eu gostei realmente da sua ideia e eu vou aceitar. Mas, podemos conversar um pouquinho mais sobre isso depois que você acordar. Deita aí que eu vou pegar mais uma coberta e um travesseiro para mim. - ela se deita na cama. Enquanto eu pego as coisas no armário, ela cai no sono.

            Sei que eu não devia, mas, não resisti. Vou até ela e dou um beijo na sua testa. Ajeito a coberta dela e saio do quarto. Me dirijo para o meu amigo sofá e deito nele. Eu podia dormir no outro quarto, mas, era lá que minha mãe dormia e eu nunca tive coragem de ir dormir lá. Acho que foi por isso que Paul ficou tão mal. Ele dormia junto com ela e depois ele continuou dormindo no mesmo quarto de antes. Será que lá ainda tem o cheiro dela? Nunca vou saber. Finalmente pego no sono.

            Sou acordado horas depois com um carinho nos meus cabelos. Não abro os olhos. Quero sentir mais um pouquinho desse carinho. Às vezes eu me acho um bobo, estou em um nível de carência de carinho tão grande que finjo estar dormindo para ter um pouco mais de carinho. Escuto um suspiro.... Apaixonado? Não, deve ser coisa da minha cabeça, é só um suspiro normal.

            -Percy, porque está fazendo isso comigo? Porque está me ajudando? Porque você tem que ser tão... fofo e prestativo? Porque tem que ser tão bonito também? - me controlo para não abrir os olhos e ela se assustar. Será que ela está apaixonada por mim? - Como eu não vou me apaixonar por você? – ela solta outro suspiro e agora eu sei que é, com toda certeza, um suspiro apaixonado. Ela continua fazendo carinho. Espero ela me chamar de novo, dessa vez para me acordar. Meu coração batia muito rápido e eu queria muito sorrir. Pela primeira vez na vida a menina que eu gostava, gostava de mim. - Percy, acorda! Perseu…- abro os olhos. Ela sorri.

            -Annie, que horas são? Conseguiu descansar? – Me sento no sofá e ela se senta do meu lado puxando a coberta para ela. – Você está com frio? – ela revira os olhos sorrindo.

            -Já são duas horas da tarde. Sim, consegui descansar. Só um pouquinho de frio, nada demais. – olho para ela desconfiado e pego na mão dela. Está extremamente fria.

            - Nada demais? Annabeth sua mão está congelando de tão fria. Vem, vou te emprestar um moletom. – levanto do sofá e vou para o quarto com ela em meu encalço murmurando algo sobre “garoto preocupado demais” e “jeito irritantemente fofo”. Abro meu armário e pego meu moletom azul marinho. – Toma, pode vestir.

            -Obrigada! - ela veste o moletom e coloca o capuz. Abro um sorriso, acho que eu estava encarando ela já a algum tempo. – O que foi? Está ai me olhando.

            -Nada. É só que eu percebi que minhas roupas ficam muito melhores em você. – dessa vez eu não falei sem querer. Se ela estava afim de mim e eu sentia o mesmo, porque não elogiar? Ela cora e revira os olhos.

            -Então, o que vamos fazer agora? - ela perguntou sorrindo e se sentando no sofá. Me sento ao lado dela.

            -Que tal agora assistirmos aquele filme? – ela sorri. – Podemos pedir uma pizza também. – o sorriso dela aumenta.

            -Adorei a ideia. - Enquanto eu ligo para a pizzaria, peço ela para ir colocando o filme. Pedi duas pizzas de calabresa. Annie disse que amava esse sabor. 

            Quase me arrependi de ter deixado Annabeth escolher o filme. Eu tenho uma aversão a filmes de terror e, é claro que com toda a minha sorte, sintam a ironia, ela escolheu um filme de terror. A coberta que eu usei ainda estava no sofá e nós dividíamos ela. O filme começou e eu já estava tenso de medo.

            -Annie, por que escolheu esse filme? - ela não desvia os olhos da tela.

            -Ah! Eu gosto desse estilo de filme. Você não gosta? - estremeço.

            -Eu não gosto muito de assistir. Sabia que são baseados em fatos reais? - Annabeth abre um sorriso divertido e me olha.

            -Você tem medo? - assinto- Não precisa e.... eles não são realmente baseados em fatos reais. São só filmes. – ela volta a assistir e eu também.

            O primeiro susto veio alguns minutos depois. Eu e Annie demos um pulo no sofá. Annie depois abriu um sorriso, como se estivesse se divertindo. Quando percebo isso vejo que valeu a pena enfrentar esse meu medo pra poder ver esse sorriso no rosto dela. Droga, eu estava muito apaixonado. Volto a prestar atenção no filme. Estava em uma parte bem tensa e aquela trilha sonora não ajudava em nada. Tenho quase certeza que o filme vai me assustar agora.... A campainha toca no apartamento e Annie dá um gritinho e eu me levanto do sofá com o susto.

            Vou atender a porta com o coração ainda acelerado, não me recuperei do susto ainda. Não era nenhum ser maligno que veio me matar, era só a pizza. Agradeci meu porteiro e voltei para sala. Eu e Annabeth comemos a pizza enquanto assistíamos o filme. Depois de cheios colocamos o que sobrou na mesinha de centro e concentramos só no filme. Bom, pelo menos Annabeth voltou a prestar atenção no filme.

            Já desisti de assistir essa coisa horrível, também conhecida como filme de terror. Depois de comer prestava atenção em Annabeth. Ela estava linda. Seus olhos cinzas estavam vidrados na tela e seus cabelos loiros estavam coberto pelo capuz, mas alguns fios insistiam em cair no rosto dela. Sei que não devia mês prestei atenção em seus lábios. Esses estavam um pouco brilhantes por causa da gordura da pizza. Percebo que no canto da sua boca tem um pouco de molho. O que eu fiz depois de perceber que ela estava com o rosto sujo foi totalmente instintivo. Eu juro. Na verdade eu só percebi o que eu estava fazendo quando meu dedo tocou os cantos da sua boca. Eu limpei o molho. Ela desvia os olhos da tela e eu tiro minhas mãos do rosto dela.    

            -Desculpe! É que estava sujo. - ela sorri e me encara uns instantes. Até erguer as mãos e tocar meu lábio inferior. Quando ela me toca sinto que seus dedos estavam um pouco frios. Isso me causa um arrepio.

            - Você também estava sujo. - ela tira a mão do meu rosto e ficamos nos encarando durante um tempo. Mas, é obvio que o filme assustador tinha que atrapalhar. A personagem principal solta um grito agudo e eu e Annabeth olhamos assustados para TV. O filme acabou alguns minutos depois.

            Ficamos um tempo encarando a tela escura da TV. O clima estava estranho. Acho que naquela hora se nós tivéssemos continuado nos encarando, talvez nós dois teríamos nos beijado. Meus deuses! Eu quase beijei a menina que eu estou gostando! Acabo franzindo a testa e fazendo uma careta estranha, sem perceber. Só percebi por causa da cara de Annabeth que me olhava de forma estranha.

            - 1 dólar pelos seus pensamentos. – ela fala baixo e um pouco envergonhada.

            -Não sei. Estava viajando. Estava pensando... – invento alguma coisa. – em amanhã irmos ver o Paul. O que você acha? – Ela sorri.

            -Acho uma ideia maravilhosa.- ela olha para o relógio digital que eu tenho na sala. – Já está quase na hora de voltar para casa. – ela se encolhe um pouquinho. Solta um suspiro triste. – Tem certeza que eu posso voltar amanhã? – Queria abraçar ela e prometer que iria ficar tudo bem. Mas, não posso mentir desse jeito para ela. Não é certo.

            -Claro que pode. Vamos visitar o Paul só durante a tarde. Mas, você pode chegar a hora que você quiser. Eu estarei te esperando de manhã, cedinho. – ela sorri.

            - Muito obrigada. Você é realmente um garoto incrível. – abro um sorriso e desvio o olhar um pouco envergonhado.

            Depois dessa nossa conversa ficamos no sofá até a hora dela ir embora. Insisti para ela comer um pedaço de pizza antes de sair. Não queria ela passando mão de fome ou com tanta fome como no dia anterior. Consegui convencer ela de ficar mais meia hora. Fomos andando muito devagar para a casa dela. Eu sentia seu medo. Sentia ela tensa. Estávamos quase chegando.

            -Annie, você é forte. Vai conseguir. Amanhã vai ser um novo dia e eu vou estar te esperando. – ela me olha triste.

            -Ela vai me bater nos mesmos lugares de ontem. Acho que vai... – ela para de falar e encole em seco. Vejo as lágrimas no seu rosto.

            -Foca no amanhã, Annie. Você vai conseguir. Você é incrível! – ela me olha e no seu olhar tem dor, tristeza e dor. Ela respira fundo e abre um sorriso sem dentes e muito triste. Ver ela assim me quebra por inteiro.

            Puxo ela pelo braço e dou um abraço nela. Tomo cuidado com suas costas. Ela afunda o rosto no meu peito e eu sinto vontade de chorar. Mas, consigo evitar, não posso fazer isso na frente dela. Solto ela e tiro o cabelo do rosto dela e dou um beijo na testa dela. Me viro e vou embora. Novamente com meu coração em pedaços e minha paz conturbada. Só queria ser capaz de cuidar dela.  


Notas Finais


Até a Próxima! Prometo tentar postar mais frequentemente. Bjos!! Comentem por favor o que acharam. ;)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...