História Muito Além do Amor - Capítulo 30


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Categorias Riverdale
Personagens Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "Jughead" Jones III
Visualizações 36
Palavras 3.234
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - 30


29

Jughead 

Algumas semanas haviam se passado desde o nosso primeiro encontro e eu

sentia o quanto havíamos desenvolvido nosso relacionamento durante esses

dias. Nos falávamos sempre, mas fiz questão de dar a Elizabeth   o espaço que

sentia que ela ainda precisava. Quando me dizia que seu dia seria cheio, eu

mandava uma mensagem prometendo que estaria à sua espera. Quando ela me

respondia, fosse de imediato ou cinco horas depois, eu ainda estava do outro

lado… Esperando por ela. Confesso que estava vivendo sobre um campo

minado, escolhendo cada palavra, cada toque e cada atitude para que Elizabeth 

confiasse em mim. Não estava agindo como outra pessoa. Continuava sendo eu,

mas com a certeza de que agora tinha um coração extremamente frágil em

minhas mãos. Um que eu morreria para proteger.

No entanto, estava experimentando um dia especial. Faltava pouco para o

Natal e prometera levar Elizabeth   e Malu para assistir a uma cantata. Era a

primeira vez que sairíamos nós três, e com certeza estava mais nervoso do que

no dia do cinema. Conquistar Malu fazia parte do processo para ter Elizabeth  em

definitivo na minha vida. E não fazia isso apenas pela minha namorada, fazia

pela imensa vontade de estar presente na vida de uma criança tão especial. Com

cuidado e da forma mais natural possível, começara a me inserir em seu mundo.

Era incrível ver a forma como Malu vinha desabrochando na minha presença.

Uma flor regada todos os dias com amor e carinho. Sua recuperação estava indo

muito bem, falava mais a cada dia. Mas eu ainda tinha alguns obstáculos para

enfrentar e contava com um furacãozinho para me ajudar.

Liguei o som do carro, “Dois rios” do Skank tocando, e aliviei a mente de

todas as coisas que poderiam me impedir de ter uma bela noite com a minha

família.

Que os braços sentem

E os olhos veem

Que os lábios beijam

Dois rios inteiros

Sem direção.

Estacionei e as lembranças da primeira vez que estivera ali inundaram meus

pensamentos. Como se tivesse acontecido ontem, e não há um mês. Ainda

lembro de como meu coração bateu forte quando Elizabeth    disse sim ao meu

pedido. Parecera piegas demais pedi-la em namoro, mas não via outra forma de

começar qualquer relacionamento que não fosse me comprometendo de corpo

e alma. E eu faria tudo de novo apenas para sentir naquele beijo o quanto ela se

abria para mim. Desci do carro com um sorriso de orelha a orelha, um que

insistia em não me abandonar. Incrível como a vida se tornava mais leve

quando se tinha amor.

Toquei a campanhia e esperei. As mãos no bolso da calça e o coração

acelerado. Quando Elizabeth  abriu a porta, além de um coração descontrolado, eu

tinha dois pulmões idiotas que simplesmente pararam de fazer seu trabalho. O

ar me faltou. Elizabeth   caminhou em minha direção segurando a mão da filha.

Usava um vestido na altura dos joelhos, assim como Malu. Pareciam duas

bonecas, e meu peito se encheu quando percebi que eu estava olhando para as

minhas princesas. Malu sorriu e, para mim, não era apenas um sorriso, era uma

vitória. Desviei os olhos para Elizabeth , que observava a reação da filha com um

brilho nos olhos.

— Isso aqui é um concurso de beleza? — perguntei, fingindo surpresa.

Malu sorriu.

Ela continuou sorrindo, mas não disse nada. Não fiquei frustrado. Sabia que

seria difícil.

— Quem é a princesa mais bonita? — perguntou Elizabeth, arrancando mais

um sorriso da filha.

— Hummmmm. — Bati o dedo na boca, pensativo. — As duas.

Malu se desmanchou em um biquinho lindo, que me dizia que minha

resposta não era a que ela queria ouvir.

— Tudo bem. — Eu a peguei em meus braços e ela veio sem ressalva. —Você é a princesinha mais linda, e a mamãe é a princesa. Tudo bem assim? —

Toquei o dedo em seu pequeno nariz. O bico se desfez e ela sorriu.

Elizabeth  se aproximou, roubando todo o meu ar.

Beijei sua testa e encarei sua boca, morrendo de vontade de me deliciar com

seus lábios. Aquele dia, mais do que nunca, eles estavam apetitosos, pintados

com um batom rosa que implorava para ser tirado por mim. Senti o sangue

esquentar, porque a verdade era que Elizabeth  era muito sexy, e apenas beijá-la

fazia com que meu corpo ardesse em um tesão que me matava para controlar.

Respirei com dificuldade, meus olhos descendo de sua boca e passando

rapidamente por seu colo. Malu então se mexeu em meus braços, me arrastando

para fora dos pensamentos pecaminosos que começava a ter.

— Vamos lá? — chamei, empolgado. — Tenho uma surpresa pra você, menina linda.

Malu olhou para a mãe, na esperança de que Elizabeth  dissesse algo.

— Surpresa, Jughead? — perguntou, desconfiada.

— Confia em mim?

Um pedido simples e ao mesmo tempo tão poderoso.

Ela curvou a boca em um sorriso que alcançou seus olhos.

— Confiamos.

Malu estava impaciente. Sussurrou no ouvido da mãe perguntando qual era

o segredo, e eu a enrolei dizendo várias coisas e pedindo que adivinhasse. Ela

apenas sorria. Porém, a alegria pareceu ter morrido quando saímos do carro e

vimos a pequena multidão que se dirigia para o mesmo local que nós. Malu se

agarrou às pernas da mãe e Elizabeth   me olhou amedrontada. Abaixei,

observando a garotinha que se encolhia para o mundo da mesma forma que sua

mãe um dia fizera.

— Ei… — chamei sua atenção. — Não quer ir lá ouvir a música?

Ela balançou a cabeça em negativa.

Meu coração se apertou com as lágrimas que vi se acumularem em seus

olhos. Ela escondeu o rosto no vestido da mãe e Elizabeth  me fez um pedido,

mesmo sem dizer uma palavra. Seus olhos imploravam que eu as levasse dali.

Acenei com a cabeça, atendendo a súplica, mas quando peguei na sua mão,

dando as costas para o teatro, ouvi meu nome sendo gritado de uma forma

impossível de não reconhecer.

— Tio Jug. Tio Jug.

Olhei e vi Vitória segurando a mão do Alexandre. Meu irmão e Clara vinham

em nossa direção e eu senti meu rosto queimar quando Clara abriu a boca,

quase arrastando o queixo no chão. A surpresa era para eles também. A poucos

metros de nós, Alexandre soltou Vitória e ela correu até mim, balançando seu

vestido vermelho. Abaixei e ela se jogou em meus braços, me envolvendo em

um de seus abraços de urso.

— Tava com saudade.

— Eu também. — Beijei sua bochecha. — Quem é a princesa do tio?

Dois dedinhos surgiram imediatamente na frente dos meus olhos.

— Vitória.

— Isso mesmo. Agora olha quem o tio Jug trouxe pra brincar com você.

Malu havia afastado o rosto da mãe e olhava curiosa para mim e Vitória.

— Oi, Malu — disse minha sobrinha, assim que a pus no chão. — Que vestido lindo. O meu é vermelho. — Rodopiou sobre os pés.

Malu olhou para a mãe e depois para a garotinha na sua frente.

— O meu é azul.

Olhei para Elizabeth   e ela pareceu tão surpresa quanto eu. Malu falara com

Vitória. Se expressara de uma forma tão natural que só conseguia concluir que

era pela inocência de ambas. Amor puro. Alexandre e Clara já haviam nos

alcançado, mas ninguém ousava interromper aquele diálogo.

— Também gosto de azul. É a cor preferida do meu papai. Ele tem olho azul, igual o meu e do tio Jug. Cadê seu papai?

Meu coração quis saltar pela boca. E pelo visto os olhos da Clara iam

encontrar com ele no meio da calçada.

— Vitória! — Clara chamou a atenção da filha.

— Desculpa, mamãe — minha sobrinha pediu, mesmo sem saber o que

havia feito de errado.

Mais uma vez, Malu olhou para mim e depois respondeu, me deixando

surpreso.

— Meu papai foi embora.

Vitória se aproximou e abraçou Malu. Sério, aquela menina não existia.

— Tá tudo bem, Malu, porque agora você está com o tio Jug, e ele é o melhor tio do mundo. Não é, mamãe?

Clara se aproximou, pegando a filha nos braços.

— É sim, meu amor. Agora vamos ali conversar um pouquinho antes de entrar.

As duas se afastaram e eu sabia muito bem que Clara explicaria para Vitória

sobre o pai da sua nova amiguinha. Alexandre ficou ao nosso lado e Malu

pareceu um pouco mais relaxada, mas ainda segurava forte a mão da mãe, seu

porto seguro.

— Desculpe por isso. Não sabíamos que estariam aqui, ou teria conversado com ela em casa.

— Era uma surpresa para as meninas — expliquei.

— Tudo bem. — A voz da minha garota soou tranquila. — Vitória é muito fofa.

— E tão comunicativa quanto a mãe — disse Alê, revirando os olhos.

Clara e Vitória regressaram e voltei a me abaixar para tentar convencer

Malu a entrar. Ela parecia pensativa, mas quando Vitória estendeu a mão, minha

princesinha não pensou duas vezes. Segurei na mão de Elizabeth , Alexandre fez o

mesmo com Clara, e caminhamos atrás de duas garotinhas que abriam espaço

pelas pessoas andando de mãos dadas e sorrindo para o mundo.

— Sinto muito, Elizabeth . Já falei com ela — desculpou-se Clara.

— Não foi nada. São apenas crianças.

Clara acabou concordando.

— Estou muito feliz em ver você aqui. — Seus olhos desviaram de Elizabeth  para mim. — Muito mesmo.

Balancei a cabeça, sorrindo. Elizabeth   apertou forte minha mão antes de

responder a Clara, ainda olhando em meus olhos.

— Também estou feliz por estar aqui.

— Você poderia levá-la ao jantar na quarta-feira, Jughead . — As últimas semanas haviam sido tão tumultuadas que sequer lembrara que meu irmão estava lançando um livro sobre direito internacional.

— Você esqueceu do lançamento, moleque? — ralhou Alexandre.

— Amor! — Clara chamou a atenção do marido, inclinando um pouco a cabeça e apontando para Elizabeth , sabendo que ela era a explicação para o meu pequeno esquecimento. E Clara tinha razão. Ela virou para Elizabeth , sorrindo. —Alexandre vai lançar um livro. É sobre direito. Chato, mas necessário. Vamos fazer um pequeno coquetel e faço questão que você esteja lá.

Elizabeth  me olhou pensativa.

— Não sei.

Clara revirou os olhos.

— Explica pra ela, Jug.

E se afastou, andando um pouco mais à frente.

Elizabeth  ainda esperava uma explicação.

— Clara pode ser muito persuasiva quando quer algo.

— Você quer que eu vá? — Senti toda a hesitação em sua voz.

Parei, ficando de frente para ela.

— Não te convidei porque realmente havia esquecido. As últimas semanas foram um pouco… — Meus olhos percorreram seu rosto e ela abaixou a cabeça, rindo baixinho. — E é claro que quero que você esteja comigo, porque você é minha namorada e te quero ao meu lado em todos os lugares em que eu estiver. Óbvio, se você quiser.

Elizabeth  apenas balançou a cabeça, concordando, e eu beijei seus lábios com

delicadeza, sabendo que teria que me esforçar muito para me manter longe

deles durante a apresentação.

O restante da noite não poderia ter sido melhor. As meninas se divertiram e

se encantaram com todas as luzes da apresentação. Elizabeth   também se

emocionou em diversos momentos da noite. Nunca a julgava por isso. Eram

muitos sentimentos para lidar, e a mulher estava sendo uma guerreira ao pôr

todos em ordem. Um dia depois do outro.

Em um dos intervalos, Clara e Elizabeth   levaram as meninas ao banheiro.

Alexandre não disse muita coisa a noite toda, mas aproveitou aquele momento

para falar.

— Está gostando mesmo da garota?

Continuei encarando o palco à minha frente.

— Mais do que isso.

— Foi o que pensei.

Nosso pequeno diálogo se encerrou e eu tive a certeza de que enfim ele

tinha entendido que Elizabeth  agora fazia parte da minha vida, e que eu não me

importava com seu passado e com o que sofrera para chegar até mim. Pensando

bem, eu me importava sim, era por causa dele que eu prometera me esforçar

todos os dias para fazer aquela garota sorrir.

Olhei para o corredor e me assustei quando vi Clara andando rápido por ele,

tropeçando nas pessoas e arrastando Vitória junto. No mesmo instante,

Alexandre e eu nos levantamos, e o pânico no rosto da minha cunhada acendeu

cada célula do meu corpo.

— Cadê as meninas?

— Não sei. Elizabeth  saiu arrastando a Malu pelos corredores. Eu gritei, mas ela não me ouviu, e quando a alcancei do lado de fora, já tinha entrado no táxi. Jug, acho que ela viu alguém.

As últimas palavras mal saíram da sua boca e eu já estava correndo para

fora do teatro. O pânico que havia visto nos olhos da Clara parecia ter tomado

conta de mim. Era uma força surpreendente, que apertava meu peito a ponto de

me deixar sem ar. Não conseguia raciocinar direito e, quando cheguei à calçada,

tive que parar por um segundo e fechar os olhos para me acalmar. Uma parte de

mim ainda estava descontrolada, mas a outra traçou uma lista do que eu

deveria fazer.

Peguei o carro e liguei para Fabrício assim que entrei.

Ele atendeu logo.

— Sei que não está em horário de trabalho, mas preciso de um favor.

— Claro, dr. Jughead.

— Descubra em qual penitenciária Dennis Pereira do Nascimento está e confirme se ele recebeu ordem de soltura nos últimos dias.

— O.k.!

— Fabrício, eu preciso disso o mais rápido possível — supliquei.

Virei todas as esquinas em uma velocidade que não estava acostumado a

dirigir, e agradeci pelas ruas estarem relativamente vazias, pois mal conseguia

enxergar sinais e placas. Quando entrei na rua da casa dela, vi o táxi indo na

direção contrária e suspirei aliviado. Pelo menos ela tinha voltado para casa.

Desci depressa e toquei o interfone. Ninguém me atendeu e parei de tocar a

maldita campainha apenas quando meu telefone tocou.

— Não há nada, ele ainda está preso.

— Obrigado, Fabrício. Te devo essa.

Desliguei sem ouvir suas últimas palavras.

Respirei fundo, me acalmando, pois precisaria estar bem para explicar à

Elizabeth  que o maldito ainda estava na cadeia. Não sabia o que tinha acontecido,

mas só Dennis poderia ter feito com que corresse daquela forma, sem ao menos

olhar para trás.

Toquei a campainha mais uma vez e sua amiga saiu.

— Preciso entrar, por favor — pedi, desesperado.

— Não sei o que aconteceu. Ela entrou carregando Malu pro quarto e as duas se trancaram lá dentro.

Abriu o portão e entrei como um furacão. Olhei ao redor apenas para me

certificar de que não havia nada. Em todas as poucas vezes em que estivera ali,

não passara da sala, por isso sequer sabia onde deveria procurá-las.

— É a segunda porta à direita — Janaína sussurrou.

Segui pelo corredor e bati na porta que me indicara.

— Princesa, sou eu, Jughead . Por favor, abre a porta.

Não houve resposta. Apenas um som de choro. Um choro doído, daqueles

que partem a alma e enfraquecessem a fé. Olhei para a mulher ao meu lado, os

olhos apreensivos e as mãos juntas na boca em um sinal de aflição.

Voltei para a porta.

— Meu amor, me escuta. Sou eu, você pode abrir a porta pra mim. Preciso apenas de um abraço, o.k. Só isso.

— Jughead… — Ouvi meu nome, como se fosse um soluço.

Em uma reação automática, pus a mão na maçaneta e vi que estava

destrancada. Abri com cuidado, devagar, e meus olhos demoraram um pouco

para se acostumar à escuridão. Entrei, procurando por elas, e logo as vi no chão,

encostadas na cama e iluminadas apenas por um pequeno abajur. Larissa estava

sentada e segurava Malu nos braços. A garotinha abraçava seu pescoço e se

escondia atrás do rosto da mãe. Imediatamente fui até elas e me joguei no chão,

abraçando-as. Elizabeth  rompeu em um choro descontrolado. Um choro que vinha

da alma e alcançava todos à sua volta.

— Ele estava lá. Deu doce pra Malu. Era ele, eu sei.

— Shhhh… — Puxei seu rosto para perto do meu e fiz um carinho. — Tá tudo bem. Estou aqui.

— Ele estava lá. Ele estava lá — continuava repetindo.

Malu parecia dormir no ombro da mãe, e meu peito doía só de pensar em

tudo que elas haviam passado, a ponto de a simples ideia de ver Dennis mexer

tanto com o medo dela. Precisava dizer que não era ele, mas não havia uma

melhor maneira de contar aquilo. Elizabeth  sucumbira ao medo, e dizer a ela que

Dennis não estava lá, que tudo que vira tinha sido projeção do que ainda

habitava nela, iria quebrá-la da mesma forma. Talvez até mais do que se fosse

verdade.

Acariciei seu cabelo diversas vezes, respirei fundo e me preparei para o que

estava por vir.

— Olha, meu amor, eu liguei na cadeia, Dennis não saiu — sussurrei.

No mesmo momento ela levantou a cabeça para me olhar.

— Eu vi.

— Eu sei, meu amor. Acredito em você. Vou ligar lá de novo e ver o que aconteceu. Pedir para verificarem outra vez.

Seus olhos se arregalaram e ela balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Impossível. Eu… eu… não posso ter imaginando isso. Posso?

Apertava Malu contra si.

— Isso é muito comum, meu amor. Você ainda está caminhando para se libertar de tudo que aconteceu. É normal seu cérebro fazer essa associação tão rápido que você não consegue realmente perceber o que está fazendo. É um mecanismo de defesa. Foi isso que protegeu você e a Malu até agora.

Ela beijou a cabeça da filha com carinho.

— Eu tirei ela de lá, Jughead . — Chorava — Praticamente arranquei Malu da mão da Vitória e a arrastei comigo. Plantei o medo na minha filha. — Soluçou, não contendo a dor. — Quando tudo isso vai passar? Me diz. Algum dia vai passar? Terei paz de novo? Me fala, Jughead . O medo vai embora?

As lágrimas desciam dos seus olhos e eu queria muito secá-las e dizer

alguma palavra mágica, mas a verdade era que não podia. Não existia fórmula

ou encantamento que fizesse todo o passado desaparecer. Larissa só podia

recuperar sua vida vivendo.

— Seria ótimo se pudéssemos pular o tratamento e irmos direto pra cura, mas não dá. A verdade é que somos moldados pela dor e pelo amor. E tudo isso, todo esse medo, um dia vai se transformar em coragem. U processo lento, mas acredite… — Olhei em seus olhos e enxerguei o amor dentro deles. — Você não estará sozinha. — Ela piscou, não compreendendo as minhas palavras. — .Elisabeth, eu sou feito de coração e passei a vida inteira esperando por um amor que me fizesse queimar. — Segurei sua mão com força e me aproximei o máximo que pude, com cuidado para não acordar Malu. Pus sua mão no meu peito, logo acima do coração, e percebi o exato momento em que ela o sentiu disparado. — E eu encontrei. Por você, Elisabeth, eu virei brasa.

Elisabeth  levantou os olhos, encontrando os meus, e me perdi dentro deles,

sabendo que não havia mais volta. Estava apaixonado por aquela menina e

dedicaria o resto dos meus dias a trazer de volta o que aquele desgraçado havia

roubado: sua vida.




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