História Muito Além Do Tempo - Capítulo 10


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Categorias Justin Bieber, Lily Collins
Personagens Justin Bieber, Lily Collins
Tags Muitoalemdotempo
Visualizações 22
Palavras 4.087
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Eu quero você


Não levou muito tempo para arrumar minhas coisas, já que eu nem havia desfeito a mala. Tudo que eu tive que fazer foi jogar alguns pertences de volta. Escrevi um bilhete e o deixei sobre o criado-mudo, com o iPad e o cartão de crédito corporativo, antes de sair do quarto sem fazer barulho.

Minha intenção era sair daquela casa antes que o Justin voltasse, por isso o mais lógico seria sair dali o mais rápido possível.

Só que eu não podia.

Justin e seus mistérios me atormentariam pelo resto da vida, e eu precisava resolver ao menos um deles! Sendo assim, deixei a mala no corredor e fui até seu quarto. Minha mente repetia a frase “você não devia estar aqui”, assim que entrei. Mas eu precisava ao menos conhecer o rosto da mulher que arruinou o Justin para o mundo. Queria ao menos uma imagem dela em minha mente. Mas...

Que diabos!

A primeira coisa que percebi foi que aquele quarto era muito mais simples do que eu imaginava. Só uma cama, um armário grande, uma mesa e uma poltrona em frente a lareira, e só! Nada de quadros ou porta-retratos. Mas que inferno! Se não era no quarto dele, onde ele guardava as fotos da esposa?

Um barulho lá em baixo me assustou, e achei melhor sair logo dali. Peguei minha mala no corredor e fui rumo as escadas, parando no topo quando ouvi as vozes de Fionna e Darren, que pareciam discutir sobre a garota ir ou não viajar para visitar a mãe. Recuei e fiquei escondida pelo que me pareceu um século, até que as vozes cessaram e ouvi um barulho da porta batendo com força.

Eu queria ter me despedido deles, mas tive medo que pudessem tentar me convencer a ficar, o Justin voltasse e me encontrasse ali.

Saí de fininho. Ainda não era noite, mas o tempo estava tão fechado e escuro que era como se fosse. Pensei em chamar um táxi, mas era melhor fazer isso mais adiante, assim que chegasse a avenida que dava pra cidade. Seria mais seguro do que ficar parada esperando na porta da casa do Justin, e a descida era de pouco mais de dois quilômetros, de todo jeito.


A medida que eu ia descendo a colina e deixando o casarão para trás, meu coração se apertava. Mas que escolha eu tinha a não ser ir embora e tirar o Justin da minha vida? Eu não seria a boba apaixonada a espera de uma migalha qualquer, e tenho certeza de que ele não ia gostar de me ter por perto sabendo como eu me sentia.

Como se já não bastasse tudo pelo qual eu estava passando naquele momento, minha má sorte resolveu que já tinha ficado longe tempo demais e decidiu fazer uma aparição. Até que ela tinha demorado a aparecer.

Acontece que as nuvens pesadas começaram a desabar em uma chuva torrencial e gelada, se infiltrando em minhas roupas e escorrendo pra dentro das minhas botas, criando uma piscina nos meus pés. Ensopada e batendo os dentes, caminhei na calçada ao lado do bosque, escorregando dentro do calçado. Maravilhoso.

Observando que já estava longe o suficiente da casa, peguei o celular para chamar um táxi, mas adivinhem: O sinal havia sumido. Esplêndido!

– É claro. – Joguei o aparelho de volta na bolsa antes que pifasse de vez com tanta água, e, sem alternativa, continuei caminhando.

Passei um dos braços ao redor do corpo segurando o xale, que já não ajudava em nada em relação ao frio, e apertei o passo. Estava a poucos metros de uma igrejinha, e pensei que talvez pudesse me abrigar ali até todo aquele aguaceiro passar. Girei os calcanhares, tomando aquela direção, mas minha mala deu um pulinho atrás de mim de um jeito estranho, e empacou.

Forcei a alça, puxando-a algumas vezes, mas não saiu do lugar. Foi aí que me virei e percebi qual era o problema: Uma das rodinhas enganchou em uma fenda na calçada.

– Ah, pelo amor de Deus! – Puxei com mais força, em vão.

Passei alguns segundos tentando arrancar a roda de dentro do buraco, revoltada com o timing perfeito da minha má sorte. Péssima hora pra ela aparecer, quando tudo que eu queria era dar o fora dali! Parecia que quanto mais eu tentava, mais a roda se enterrava.


Foi então que faróis piscaram atrás de mim. O carro desceu a rua e parou a alguns metros de onde eu estava, mas a tempestade ensopava meus cílios e me impedia de enxergar o motorista. Sem contar que os faróis ofuscavam minha visão naquela escuridão toda.

Fiquei tensa. Eu não conhecia Inverness e nem seus índices de criminalidade. E se fosse um assaltante? Um assassino em série? Com a minha sorte, eu não duvidada. Eu já podia ver a manchete: “Brasileira é nova vítima de Assassino do Bosque”. Ah, merda. A porta do veículo se abriu, e eu tentei decidir se corria ou começava a gritar. O vulto escuro, alto e de ombros largos saltou do carro, e foi nesse momento que eu soltei a alça da mala e parei de lutar. E de respirar também.

– Justin. – Arfei ao reconhecê-lo.

Acho que eu preferia que fosse o Assassino do Bosque. Ao menos, de bandidos eu teria uma chance de escapar.

– Aonde você está indo? – Ele parou a alguns passos de distância, e sua expressão variava entre aborrecida, furiosa e transtornada.

– eu... hum... deixei um bilhete explicando tudo.

– “Desculpa. Eu não posso mais ficar. Obrigada por tudo. R”. – Ele recitou meu bilhete, sem entonação nenhuma na voz. – Essa é a sua explicação?

Eu me encolhi.

– Eu não tenho muito jeito para cartas. Essa era pra ser minha carta de demissão. Não posso mais trabalhar pra você.

Com um gesto brusco, ele afastou os cabelos ensopados do rosto.

– E porque você precisa ir embora assim, na surdina, sem se despedir de ninguém, como se fosse uma criminosa? – Ele perguntou, impaciente.

– Você sabe o motivo, Justin. – Bati meus dentes, em parte pelo frio, em parte pela frustração.

Ele apoiou as mãos nos quadris e soltou uma respiração ruidosa, encarando minhas botas cheias de água.

– Não precisa fazer isso.

– Acho que preciso, sim.

Com apenas quatro passos ele ficou bem diante de mim, os olhos um pouco alucinados e procurando os meus.

– Acho que não me expressei direito. – Ele falou com o rosto próximo ao meu, a chuva pingando dos seus cabelos e do maxilar retesado. – Eu NÃO QUERO que você faça isso.


Meu coração quase para de bater ao ouvir isso, mas eu não podia permitir que ele se entregasse a essa ilusão. Eu sabia que se permitisse isso, o fim dessa história me destruiria.

– Mas isso não é verdade, Justin! Quando eu fico perto de você, não penso direito. as vezes eu nem sei o que eu tô escrevendo nos e-mails! É bem provável que alguém retorne perguntando do que se trata a mensagem. Então é por isso que não posso mais trabalhar pra você. – Engoli em seco. – Além do fato de que eu te deixo infeliz, e essa é a última coisa que eu quero. Tenho certeza de que a minha presença vai ser um verdadeiro inferno pra você.

– Eu já estou no inferno, Rose. – Ele deu um meio sorriso abatido, que quase fez meu coração ceder.

Quase.

– Eu sei, e é por isso que não posso ficar. Só estou evitando constrangimento para nós dois.

Ele balançou a cabeça categoricamente, e minúsculas gotas voaram de seus fios em todas as direções.

– Rose, me deixe...

– Não precisa. – O interrompi. – Eu sei que você ama a sua mulher, e que provavelmente vai amá-la pro resto da vida. Não precisa explicar nada. Eu entendo, Justin, de verdade. Mas saber disso não muda o que eu sinto por você.

Se eu continuasse perto dele por mais tempo, aquele sentimento iria se tornar mais forte e mais insuportável. E em algum momento eu me transformaria em uma pessoa amarga e infeliz. Não queria isso.

– Eu não estou pronto pra perder você. – A voz dele saiu angustiada, mas eu não podia me iludir e pensar que ele estava falando de mim, Rose. Ele se referia aos meus serviços como sua assistente.

– Eu não sou uma assistente tão boa que não possa ser substituída. – Empinei o queixo. – Tenho certeza de que você vai encontrar alguém muito mais capacitada do que eu.

Impaciente, ele afastou as mechas gotejantes que caíam em seus olhos e chegou ainda mais perto de mim.

– Sabia que eu recebi um email do embaixador da Escócia perguntando porque ele recebeu a minha lista de compras de material de escritório?


– Ahhhh... – Isso explica poque eu tive que mandar outra requisição para o almoxarifado. Ele reduziu ainda mais a distância entre nós, até seu peito enorme estar praticamente colado no meu. Dei um passo para trás, mas esbarrei na mala, de modo que fiquei presa entre ela e Justin.

– E sabia.... – Ele continuou, em um tom baixo e irritadiço que me surpreendeu um pouco – ...que um dos clientes da construtora recebeu um email recusando um convite para jantar? Ele achou estranho, porque não tinha feito convite nenhum. No dia seguinte, eu recebi uma ligação bastante aborrecida de um dos meus sócios, reclamando que eu nem me dignei a responder o convite do jantar organizado pela esposa dele.

– Ah, meu Deus... – Misericórdia, eu achei que estava fazendo tudo certo!

– Então, não, Rose. Eu não estou preocupado em perder a minha assistente. – Ele me encarou, agitado. – Estou dizendo que não posso perder VOCÊ.

Impactada demais para conseguir formular uma resposta coerente, apenas sustentei seu olhar inflamado e me concentrei em respirar para não acabar desmaiando por falta de oxigênio.

– Você espera que eu confesse que me sinto atraído por você? – Ao mesmo tempo em que ele parecia enfurecido, também havia alívio em seu semblante. – Você já sabe disso. E quer que eu diga que me sinto um maldito traidor? Você já sabe disso também! Eu não devia sentir as coisas que sinto quando estou perto de você, ou penso em você, ou ouço a sua voz, ou a sua risada... Só que eu sinto! – Ele levou as mãos à cabeça, se afastando alguns passos. – Eu não posso perder você. E também não posso ter você. Isso está me enlouquecendo!

Olhei pra ele, o pulso acelerado, zunindo como as turbinas do avião em meus ouvidos.

– Eu não... eu não entendo. – Gaguejei.

– Eu te quero, Rose. Tanto que estou ficando louco!

A maneira como os olhos dele escureceram ao dizer aquilo, o jeito como ele proferiu aquelas palavras com uma sinceridade desconcertante, fez o bolo em minha garganta escorregar para o estômago e minha respiração voar.

– Você não sai da minha cabeça. – Eu pisquei e ele já estava na minha frente outra vez, falando com ainda mais urgência. – Eu tento não pensar em você, mas é impossível, porque você está bem ali, batucando na mesa com o lápis, trançando o cabelo, sorrindo para o celular enquanto responde alguma mensagem, sendo gentil e educada com todo mundo. Estou cansado de fingir que não te vejo, que não penso em você, que não te desejo, e de me sentir miserável por isso. Eu sei que você é capaz de entender o que eu digo, porque estranhamente você é a única pessoa que pode me ver por dentro.

– As vezes eu concordo com você. – Falei baixinho, presa na intensidade do seu olhar.

A essa altura, meu coração já tinha perdido o compasso faz tempo. Eu nem mesmo sei como ainda conseguia me manter de pé, pois meus joelhos não tinham firmeza e meu estômago se revirava feito o mar de ressaca. E isso foi antes de ele segurar meu rosto entre as mãos e me encarar com tanta intensidade, como se pudesse ver minha alma.

– E porque você está indo embora? – Ele sussurrou, torturado.

– Porque eu não quero te atormentar.

– Você ainda não entendeu, não é? – Seus olhos faiscaram. – Eu não esperava mais nada. Imaginei que sabia de tudo que a vida tinha reservado pra mim, mas então você apareceu. O meu carro quase te acertou, mas foi você quem me atropelou. Ao mesmo tempo em que eu quero sair correndo, a ideia de me afastar de você me destrói, e eu achei que já não tivesse nada em mim para ser destruído. – Ele deu uma risada sem humor. – Eu já estive morto, Rose. E você me lembra a todo instante porque é tão bom ainda estar vivo.


– Justin... você ainda está vivo.

– Só quando eu estou perto de você! Não percebeu ainda? – Ele murmurou com urgência, colando a testa na minha. – Eu passei os últimos tempos tentando ignorar sua presença, mas não consegui nem por cinco minutos. Eu estou farto disso. Exausto de tentar lutar contra o que eu sinto por você.

Eu não tive nem tempo de raciocinar suas últimas palavras, porque ele inclinou meu rosto para cima e grudou a boca faminta na minha.

Nossas bocas se encontraram no exato momento em que um raio furioso riscou no céu, ressoando raivoso sob nossos pés. As mãos de Justin escorregaram do meu rosto para a minha nuca, os dedos se enredando em meus cabelos molhados. Eu me estiquei na pontinha dos pés, moldando meu corpo ao dele como havia sonhado em fazer a muito tempo, e o contato provocou reações violentas em meu peito: de alegria, de alívio, de prazer. Estar nos braços dele era como voltar pra casa depois de anos de andanças pelo mundo.

Eu conhecia aquela boca exigente, conhecia a forma como se encaixava e se movia sobre a minha. Eu reconhecia aquele corpo quente e forte que se comprimia ao meu com tanto desespero. E não era por causa dos sonhos de Logan. Era o Justin, sua essência. Eu o conhecia.

Suas mãos encontraram o caminho da minha cintura e se espalmaram em minhas costas, me puxando ainda mais contra si, como se não suportasse a menor distância entre nós dois. Eu enrolei meus braços em seu pescoço e correspondi da mesma maneira desesperada, e aquilo parece tê-lo deixado ainda mais exigente, porque as mãos dele desceram para os meus quadris e seus dedos afundaram em minha carne, me puxando ainda mais contra si, arrancando de mim todo tipo de sensações explosivas que eu jamais havia sentido antes. Aquilo me chacoalhou, cada célula do meu corpo vibrando. Eu queria sentir mais do seu corpo no meu. Queria muito mais, sem nenhuma daquelas roupas que estavam entre nós dois. O beijo ficou muito mais urgente, nossas línguas se provando de tal forma que o fôlego faltou rapidamente.

– Cacete, Rose. – Ele murmurou, ainda de olhos fechados, ao parar o beijo mas sem descolar a testa da minha.

– Eu sei. – Tomei fôlego, tentando regularizar a respiração. – Eu nem sabia que era possível sentir todas essas coisas. Eu nunca senti nada parecido ao beijar outro cara.

Ele meio riu, meio gemeu.

– Se você ainda conseguiu pensar em outros caras nesse instante, então eu fiz alguma coisa errada. – O nariz dele roçou o meu. – Me deixe tentar reparar essa falha.

Antes que eu pudesse protestar (não que eu tivesse pensando em fazer uma idiotice dessas, óbvio), sua boca estava na minha outra vez. E foi ainda mais maravilhoso, mais intenso, mais profundo, deixando minha mente entorpecida, assim como cada ponto do meu corpo onde ele me tocava.

Ele liberou minha boca, mas seus lábios continuaram atacando meu rosto, minha bochecha, meu queixo, até ir para o meu pescoço, onde ele lambeu e foi direto à orelha, mordendo de leve e sussurrando alguma coisa em gaélico (sexy pra caramba), e foi aí que meu corpo todo estremeceu em resposta.

– Você está tremendo, é melhor sairmos dessa chuva. – Ele murmurou em meus lábios novamente, a voz dele saiu rouca, e eu tive vontade de dizer que meu tremelique não tinha nada a ver com o frio, muito pelo contrário.

Mesmo assim, me deixei ser guiada até o carro, ou então nós dois acabaríamos resfriados por conta de toda aquela chuva. Ele abriu a porta para mim e depois que eu sentei no banco do passageiro, foi até minha mala empacada. Inexplicavelmente, ele apenas puxou de leve a alça e a mala veio com ele.

Mas como assim???

Ele correu de volta para o carro e, como o automóvel ainda estava ligado, não demorou nada para arrancar dali. Justin ligou o som, e a voz de Christina Perri encheu o ambiente fechado bem quando tocava a minha parte favorita:

“Eu morri todos os dias esperando você⠀

Querida, não tenha medo⠀

Eu te amei por mil anos⠀

Eu te amarei por mais mil”

– O que você pretende fazer agora? – Ele pergunta baixinho, tirando minha atenção da música.

– Acho que vou tirar essa roupa molhada e tomar um banho.

Ele abriu um daqueles sorrisos que me desarmavam.

– Eu me referia a nós dois.


– Aaaaah! Isso. – Senti meu rosto esquentar. – Eu... eu não sei, Justin. Acho que... que podemos viver um dia de cada vez.

– Pelo menos um de nós consegue fazer isso. Já é alguma coisa. – Ele se inclinou para mim, me beijando demoradamente. – Agora vamos entrar e tirar essas roupas molhadas.

Caramba, eu nem tinha percebido que já tínhamos chegado!

Nós descemos do carro e, ao entrarmos na casa, encontramos Darren e Fionna, parecendo preocupados.

– Ai, graças a Deus você encontrou ela! – Ela sorriu, aliviada, ao olhar pra mim. Me encolhi, constrangida, enquanto a garota corria até mim e segurava minhas mãos.

– Ela não vai mais fugir. – Ele diz sem tirar os olhos de mim, a intensidade em seus olhos arrepiando meu corpo todo a ponto de me fazer tremer.

– Tadinha, deve estar congelando! Vem, vou te ajudar com suas coisas enquanto você toma um banho quente.

E, mais uma vez, mordo a língua pra não dizer que o tremor nada tinha a ver com o frio.

Fionna carregou minha mala e, quando entramos em meu quarto, ou melhor, o quarto em que eu estava hospedada, me empurrou para dentro do banheiro, dizendo que iria acender a lareira para esquentar o ambiente. Confesso que o banho quente me fez relaxar de uma forma que eu nem sabia que precisava.

Meus pensamentos estavam a mil, ao mesmo tempo em que meu coração pulava feliz em meu peito. Então agora era isso, Justin havia resolvido deixar de lado aquela coisa irracional de se sentir culpado e finalmente viver de novo? E ele também estava apaixonado por mim?

Não, ele não falou com todas as palavras, mas para um bom entendedor, meia palavra basta. E todas aquelas coisas que ele me falou, somadas ao seu desespero ao me falar, me disseram que ele não sentia apenas uma forte atração. Nós tínhamos uma conexão inexplicável, e eu sei que ele também sentiu isso enquanto nos beijávamos debaixo daquela chuva torrencial.


Terminei o banho e sequei meus cabelos o máximo que pude com a toalha, antes de usar o secador. Ficar com ele molhado naquele frio, depois de pegar toda aquela chuva, seria como chamar uma gripe. Quando acabei tudo, vesti uma roupa quentinha, e estava passando meu perfume quando uma batida leve na porta soou.

⠀ 

– Pode entrar! – Eu estava guardando o vidrinho na mala quando senti a presença dele. O cheiro. A energia que sempre mudava quando ele entrava no mesmo cômodo onde eu estivesse. Me virei devagar. – Oi. – Murmurei, paralisada ao olhar pra ele, e de repente fiquei sem saber como agir. Será que ele ia me beijar outra vez? Será que se arrependeu e veio falar que aquele beijo foi um erro? Droga, eu já estava prestes a surtar de novo. – Vo-você precisa de alguma coisa? Ajuda com algum documento?

Uma pontinha de diversão curvou um dos cantos da boca dele.

– Eu achei que você tivesse pedido demissão.

– Ah, é... – Mordi o lábio. Droga! Porque eu tinha que explicar aquele bilhete a ele? – É... eu fiz isso mesmo.

Ele riu, se aproximando e colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. O toque provocou uma faísca em minhas entranhas e isso refletiu nos olhos dele.

– O cargo ainda é seu, Rose. – ele disse, mas ficou sério ao acrescentar: – Se for o que você realmente quiser. Mas não precisa decidir agora. Amanhã tenho uma reunião onde você não precisará estar presente, e depois é feriado, e depois vem o fim de semana. Você está de folga pelos próximos dias, pode pensar com calma em como... como vai fazer isso funcionar para você.

– Então eu tô de férias até segunda?

– Sim.

– Bom, então... eu quero começar a aproveitar agora.

E num rompante de coragem, fiquei na pontinha dos pés e puxei seu rosto para mim, colando minha boca na sua.


Meu corpo todo vibrou quando ele correspondeu o beijo no exato instante em que o toquei, suas mãos me puxando e me apertando contra seu corpo quente, tão desesperado pelos meus beijos quanto eu estava pelos beijos dele. Acontece que agora eu não conseguia sequer pensar em deixá-lo correr para longe de mim, então eu precisava agir.

A medida que o beijo ia ficando mais intenso, as mãos dele ficavam mais urgentes ao correr pelo meu corpo. Nem em sonhos eu poderia realizar a real sensação de senti-lo assim, tão perto, nossos corações batendo praticamente grudados um no outro. Não sei exatamente o que aconteceu, ou quando nós saímos do lugar, mas meus dois pés esquerdos resolveram agir bem nesse momento mágico, e eu tropecei em algo que devia estar em nosso caminho, no chão.

Deus do céu, que momento para cair e arrastar o Justin junto!

Nós nos estabacamos no chão, felizmente bem em cima do tapete felpudo de frente a lareira, ele por cima de mim. Justin olhou pra mim, confuso porque provavelmente também não entendeu o que tinha acontecido, e então começou a rir. Ele gargalhou de um jeito tão leve, tão solto, que aquilo fez meu coração aquecer e inflar no peito e foi impossível não rir também.

– O que eu faço com você, Rose? – Ele perguntou, ainda meio rindo, os cotovelos apoiados ao lado da minha cabeça para sustentar o peso do seu corpo e não me esmagar.

– Você pode me beijar de novo. – Minha voz saiu meio rouca, minha respiração um pouco desregulada, e eu vi os olhos dele escurecerem e o sorriso morrer em seu rosto. No lugar, apareceu uma expressão crua de desejo.

Justin me encarou por alguns segundos, analisando cada traço do meu rosto, até que seus olhos pousaram em meus lábios e então sua boca já estava grudada na minha outra vez. E ali, daquele jeito, com nossos corpos deitados e eu sentindo todo o seu peso sobre o meu, um calor começou a tomar de conta de cada célula do meu corpo. E esse calor nada tinha a ver com a lareira que queimava ao nosso lado.


Cada toque, cada beijo, transformava meu sangue em fogo líquido. Eu o queria tanto que doía. Meu corpo precisava do dele, ansiava pelo seu toque, e minhas mãos ansiavam por tocá-lo, por sentir sua pele quente por debaixo de toda aquela roupa.

E elas não perderam tempo.

Invadi a camisa grossa que ele usava, e o senti tremer quando minhas mãos entraram em contato com a pele se suas costas. Um gemido sofrido e rouco saiu do fundo de sua garganta em minha boca, e ele afastou seu rosto do meu, interrompendo o beijo.

– Me manda sair daqui, Rose. – Ele falou com o maxilar trincado, a voz rouca, os olhos mais escuros do que eu jamais vi. – Você precisa me mandar sair daqui.

– O q-quê? Porque? – Gaguejei, meu coração acelerando com medo de ele estar dando para trás.

– Eu não quero tratar você desse jeito, você merece mais respeito e eu... se você não me expulsar daqui agora, eu não vou ter forças de sair por conta própria.

Aaaahhh. Era isso. Uau!

– Eu não quero que você saia, Justin. Eu quero isso. Eu quero você.

Vi o movimento da sua garganta quando ele engoliu em seco, sua respiração tão acelerada quanto a minha.

– Você já me tem. – Foi a resposta que me fez ter mais certeza ainda do que e queria. Incentivada por isso, cruzei minhas pernas ao redor do seu quadril, e ele gemeu.

– Então me ama agora. Faz amor comigo, Justin. Eu já esperei demais.













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