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História Mukadderat - Capítulo 2


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Notas do Autor


Ai, olha, complicado viu.
O Spirit anda bem bugado esses dias por causa do excesso de usuários online, e marcou a fic como terminada. Ela ainda não tá, falta mais dois caps e por isso tô repostando af
Desculpa a bagunça e boa leitura!

Capítulo 2 - Iki


Se por um lado Law e Penguin haviam notado imediatamente que Luffy não era exatamente uma candidata comum a odalisca, por outro eles foram os únicos no saguão. Isso provavelmente se devia ao vinho, de excelente qualidade, que o Califa e os Sultões das demais províncias consumiam de forma desregrada. A maioria estava bebendo muito, o bastante para permitir que Nami se apossasse discretamente de algumas jóias, roubadas em meio a abraços discretos.

O Sultão da província vizinha, próxima ao local onde Ace e Sabo trabalhavam, tinha jóias penduradas até mesmo no nariz, e estava visivelmente encantado com Luffy.

— Você pode desistir. — Cavendish, um grande rival de Bartolomeo, que, no presente momento, sorria boquiaberto para a odalisca de vermelho enquanto Luffy conversava animadamente com Nami a alguns metros de distância.

— Qual é o seu problema?!

Cavendish adorava perturbar Bartolomeo, e já fazia algum tempo que viviam aquela guerra pessoal. No entanto, por mais incrível que pudesse parecer, Cavendish estava ali realmente com a melhor das intenções. Parados perto de uma das janelas que tinham vista para o maravilhoso jardim externo, Cavendish se sentiu à vontade o bastante para explicar:

— Law quer vê-la.

Bartolomeo pareceu murchar.

— Ah…! Não acredito!

Não faria aquela desfeita ao anfitrião na presença do Califa, tentando levar a garota consigo. No entanto, enquanto isso, Luffy não parecia pensar da mesma forma.

— Nami, o que a gente faz agora?! Deu tudo errado!

— Não há nada de errado!

— Ele vai me descobrir!

— Não. Olhe.

Nami tirou de dentro do bustiê um pequeno pacote com ervas em pó e entregou discretamente a Luffy.

— Isso é um sonífero. Eu já precisei usar algumas vezes para me livrar de alguns problemas. Coloque no vinho dele se sentir que ele está passando do limite.

Curioso, Luffy pegou o pacote. Em sua mente, uma ideia completa se desenvolveu. Ele colocaria o pó na bebida do Sultão e diria a ele tudo o que o incomodava, até que ele ficasse furioso o bastante para beber todo o vinho. Sim, era uma ótima ideia. Luffy queria mesmo falar muitas coisas para aquele desgraçado da elite e era a oportunidade perfeita para não precisar socá-lo.

— O Sultão está esperando. — O tom de Penguin, que surgiu de repente passando atrás de Nami, era insinuante e ele estava sorrindo. Na cabeça de Luffy, o Sultão era um pervertido. Na de Penguin, a dúvida: o quê Law pretendia com o intruso exatamente?

— Já vou, já vou!

Nami revirou os olhos; Luffy não conseguiria enganar o Sultão por cinco segundos.

Ele estava muito bonito, diga-se de passagem. A seda chinesa vermelha cobria suas pernas, criando um volume de tecido, enquanto era justa no tronco, deixando o abdômen exposto. Havia também um delicado véu que servia de enfeite e cobertura para o rosto e adornos dourados. Vivi era mesmo uma fada das agulhas.

Pena que o rostinho bonito de Luffy escondia um temperamento complicado.

Quando Luffy seguiu Penguin até a escadaria de mármore, Nami suspirou baixinho. Esperava mesmo que tudo acabasse bem. E não era com Luffy que estava preocupada.

 

[...]

 

Law estava curioso.

Era um risco absurdo fazer uma loucura como aquela que o jovem desconhecido estava fazendo; ele poderia ser preso e até executado por causa da série de crimes que estava cometendo contra o Sultanato. Não pelo fato de ser um homem, exatamente; ali, isso não era um problema. Mas ele estava se passando por uma mulher interessada na posição de concubina, invadindo o palácio e roubando. Law precisava admitir: coragem aquele garoto tinha de sobra.

Restava saber qual era o emprego de tal característica tão forte.

— Tô entrando.

Foi o que Luffy disse ao abrir a porta. A primeira coisa em que reparou foi no contraste do lugar em comparação à vila onde morava. Tudo ali rescendia luxo: a cama de dossel, a tapeçaria cara, os quadros nas paredes e até mesmo a qualidade do incenso que queimava na mesa de centro, próximo à cadeira onde Law estava acomodado.

— Como se chama? — Law perguntou, com uma expressão que beirava o divertimento.

— Lu… — Droga! Não podia usar seu nome verdadeiro! — … cy!

Primeiro traço mais peculiar da personalidade do desconhecido: ele não sabia mentir, e sua voz soava como se estivesse espremendo os lábios por trás do véu. Law sorriu.

— Certo, Lucy. Sabe dançar?

— Claro.

Luffy sabia. Ele dançava com as crianças da vila todas as vezes em que os moradores montavam a feira na avenida principal. Não era exatamente uma dança sensual, mas Luffy não estava interessado nesse detalhe; só queria jogar o pó na bebida de Law.

— Não precisa dançar, ainda. — Law se adiantou. — Você tem um grande apetite, pelo que pude notar. Gostaria de comer algo?

Foi o que bastou para quebrar a determinação de Luffy em um milhão de pequenos pedaços. Luffy podia ser inocente em muitos aspectos, mas reconhecia uma pessoa bondosa quando via uma. E sabia: o Sultão não tinha dever algum de tratá-lo bem, porque, na condição em que estava - se passando por uma possível empregada que poderia se tornar concubina no futuro -, ele não representava muito mais do que um objeto. Aquele homem, que usava vestes caras e sorria de lado, como se estivesse apreciando muito algo que Luffy não sabia definir o que era, de repente, não lhe pareceu mais tão monstruoso assim.

— Quero, quero bastante! — Luffy disse depressa.

— Sirva-se.

Law não precisou dizer duas vezes. Luffy começou pelas frutas que estavam próximas ao incenso. Fazia tanto tempo que não saboreava uvas frescas, era sempre sobras e mais sobras. Estava tão emocionado com a oferta de Law que, quando engoliu, sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— A Nami vai me matar…! — Luffy chorava enquanto tentava engolir. — Mas eu não consigo ficar te enganando…!

Law achou graça. O desenrolar dos eventos estava ocorrendo muito diferente do que havia imaginado.

Inicialmente, pensou que o estranho estava ali para matá-lo, talvez até mesmo se tratasse de um inimigo da província. Mas ele não se comportava como um assassino, fazendo nenhum esforço para se camuflar em meio aos convidados. Law supôs então que se tratasse de um ladrão ou algo do tipo, só que Luffy simplesmente não estava interessado em coisa alguma que fosse a comida.

Quando o chamou para o quarto, acreditou que ou ele se recusaria ou tentaria seduzi-lo a fim de se safar da prisão.

Nada disso aconteceu.

— Sabe, eu sou um cara… Eu só queria uma comida boa, tá?! — Luffy lacrimejava sem parar, mas não parava de comer. — Pode me prender ou me matar, mas sabe… A gente passa bastante fome lá na parte baixa da cidade… É uma merda isso que vocês fazem, viu?! — E soluçou.

Quando Law se deu conta, estava ligeiramente boquiaberto. Não esperava ouvir aquele tipo de desabafo tão sincero e direto. E, dentre todas as possibilidades, se viu inclinado a fazer algo que não imaginou propor ao intruso quando pediu a Penguin que o chamasse.

— Eu sabia que você era homem desde o início.

Luffy piscou algumas vezes, parando de comer, para processar a informação.

— Sabia?

— Eu era médico. Conheço a anatomia humana. Você não tem o porte de uma garota.

— Você gosta de caras?

— Não é esse o pon…

— Você queria transar comigo? Olha, eu não produzo filhos, sabe. Mas, se quiser depois que eu comer, a gente…

Law estava vermelho. Não era comum que os Militares tratassem daquele assunto com tamanha naturalidade, embora Law soubesse que a nobreza turca funcionava de maneira diferente.

— Quero fazer um acordo.

— Que?

— Eu não sou o monstro que você imagina. Sinceramente, não sei direito o que estou fazendo aqui. Então, se você me mostrar o que está acontecendo de errado com a província, posso esquecer a sua invasão de hoje.

— De verdade? — Luffy arqueou a sobrancelha.

— De verdade.

Luffy estava desconfiado. Só que, de qualquer forma, não tinha nada a perder. Tinha raiva da nobreza pela negligência com o povo; se o novo Sultão estava disposto a fazer algo bom pelo povo necessitado, Luffy com certeza ajudaria.

— Então tá. Vamos fazer isso.

— Ótimo.

E, enquanto Law refletia que não era uma boa ideia se aproximar de alguém tão carismático, Luffy teve a vaga noção de que seria impossível odiar aquele Sultão em particular.


Notas Finais


Obrigada a todos que estão acompanhando ✨😍


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