História Mundo 17 - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.757
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


O capítulo ainda não foi revisado, relevem os erros.

Capítulo 4 - Melhoria


Gabriel cortava. Esfolava o lagarto que ficara preso. Após recolher a pedra, não encontrou utilidade para a pasta grudenta de cor vermelha que um dos animais havia se tornado, mesmo assim recolheu não podia deixar corpos por aí, outros o encontrariam. O lagarto que o atacara no capim alto também não teve tanto utilidade, não poderia usar a pele desse, já que estava furada em diversos lugares. Mesmo assim o esfolou. Separou toda a carne que conseguiu e guardou, utilizaria os ossos desse. O último lagarto a ser morto estava em melhor condição, se comparado aos outros, a pequena raposa havia devorado apenas parte da cabeça, deixando quase toda a pele utilizável.

Tinha pouca idéia de como utilizaria os ossos ou a pele, “o sistema deve ter algo que precise disso, caso não tenha, eu tenho”. Tinha em mente criar uma peça de armadura com a pele, um chapéu ou luvas. Não sabia fazer tais coisas, mas tinha esperança no sistema. Com os ossos faria novas armas e  ferramentas, não importava se fosse apenas um pedaço amarrado em um galho com a força certa mataria algo.

Abriu o inventário.

Isqueiro; Mangô estragado x2; Carva x6; Graveto x7; Pedra pequena x5;  Flecha x9; Martelo primitivo; Cipó de Vímero; Machado primitivo; Pedra grande; Lança de pedra x4; Faca de pedra; Pedra afiada; Massa de carne; Pele de Ciurigator; Carne de Ciurigator; Ossos variados de Ciurigator;”

Contando com a faca de pedra que estava usando, havia produzido sete armas novas. Deixou um pedra guardada, talvez precisasse.

Separou o último pedaço de pele do corpo do animal. Ainda vestia a armadura de folhas, estava encharcada de sangue, não serviria mais. Cortou um pedaço da carne, separou dos ossos. Guardou no inventário. Suspirou. Continuou o trabalho sujo enquanto pensava. Ao que parecia, carne e ossos podiam ser acumulados bem mais que outros itens. De ossos tinha certeza que passava dos nove, mas sempre eram armazenados no mesmo quadrado, o mesmo com os vários pedaços de carne.

Quando terminou ainda era escuro. Bom sinal. Poderia dormir o resto da madrugada.

Preparou uma fogueira com os gravetos e pedras pequenas que ainda sobravam no inventário, jogou alguns pedaços de carne nas pedras. O fogo o protegeria dos animais. Sentou-se próximo a fogueira. A noite estava fria, sua roupa molhada não protegia contra o frio. Após um tempo retirou a carne, lançou um pedaço para a raposa, que com um pulo abocanhou a carne. Decidiu chamá-la de Vi. Não era bom com nomes. Vi aproximou-se de Gabriel enquanto olhava para os pedaços de carne ainda no fogo. “É, garota, aproveite. Amanhã iremos ao lago. Descanse”, afagava a cabeça da Vuoleo. Pegou um pedaço de carne. Comeu.

No próximo dia faria uma nova armadura, mais armas. A floresta era perigosa agora.

Antes de dormir espetou as peles dos lagartos em galhos verdes de árvores de mangô e esticou-as acima do fogo baixo. Deitou no capim, sentiu Vi subir em seu peito.

Riu. Estava se afeiçoando a raposa.

Dormiu.

*****

Vestido com uma nova armadura de folhas, seguiu em direção ao córrego. A antiga armadura estava jogada onde antes era a fogueira, decidiu se mudar dali. Antes de partir coletou alguns gravetos, pedras e mangôs. As duas peles estavam guardadas em seu inventário.

Era dia, não fazia muita diferença dentro da floresta escura de árvores altas. Pouca luz entrava por entre as copas das árvores. Não via raposas correndo, os lagartos que se amontoavam nas árvores estavam espalhados por onde olhasse, banhavam-se na pouca luz solar que alcançava os galhos mais baixos e o solo. As plantas que residiam nas costas dos répteis se moviam, balançavam seus cipós de um lado para o outro, como se estivessem dançando.

O homem não ligou muito, uma breve observação e seguiu seu caminho.

Parou em uma carveira. Alimentou sua companheira com a comida favorita dela, coletou algumas, até as estragadas, o sistema não disse nada sobre essas, diferente da outra fruta. Usaria alguns animais como teste.

Mesmo estando escuro via melhor agora do que da outra vez, ao longe observava várias árvores de Vímero, a flor de cada árvore brilhava com um tom pálido, quase como uma névoa de luz cobrindo a flor verde.

Deu de ombros. Queria tirar a sensação incômoda de sangue pelo corpo, depois exploraria melhor a área. O cheiro de sangue seco misturado ao suor era nada agradável, além do quê, esse odor mostraria sua presença para oa animais. Não sentia culpa por matar, era a matar ou ser morto. Apenas o cheiro que restava o incomodava.

Pouco depois chegou ao lago, estava quieto, ouvia ao longe sons de insetos e aves, mas nada próximo. A pequena raposa bebia água em um canto onde era mais raso. Gabriel tirou as roupas, equipou uma das pequenas pedras que coletou, entrou devagar na água. Era mais assustador não saber o que havia ali do que enfrentar os lagartos.  Não foi muito longe dentro do lago, a água mal alcançava seus joelhos. Com uma das mãos jogava água em seu corpo com a outra esfregava a pedra pequena em seu corpo, a mais áspera que encontrou. Lavou o rosto retirando o restante de sangue que tinha pelo corpo. Estranhou a imagem na água, os olhos fundos, alguns fios de barba surgiam em seu rosto, pequenas cicatrizes de arranhões e cortes estavam espalhados por seu corpo. Suspirou. Saiu da água.

Alguns peixes foram atraídos pelo sangue na água, o lago estava animado. Guardou a pedra. Sentiu a lança surgir entre seus dedos e atirou-a com toda sua força. A lança fincou no solo espalhando água para todos os lados. A maioria dos peixes foram assustados e voltaram para o fundo do lago. Puxou a lança, infelizmente não acertou nada.

Vestiu novamente a armadura e sentou-se embaixo de uma árvore perto do lago. Observava Vi que brincava com a água corrente e com os insetos que voavam ao redor do lago.

Retirou dois crânios da mochila imaginária. Extraiu todos os dentes, usaria para preparar algumas armas. Agora iria deixar todos os ossos prontos, depois recolheria alguns cipós de vímero. Os crânios dariam bons martelos, se as garras ainda estivessem bem afiadas poderiam ser usadas como facas.

Usaria de tudo para sobreviver.

Encontrar outros jogadores? Não tinha isso em mente. Se todos estivessem tão desesperados para sobreviver como ele estava, não sabia o que eles poderiam fazer.

Confiava apenas em si mesmo. E começava a confiar em sua companheira Vuoleo.

*****

Explorando o sistema não encontrou utilidade para as peles, mas as manteria consigo. Na aba de sobrevivência encontrou uma nova armadura que agora podia construir. Só precisava de cascas de árvores.

“Armadura de Madeira: relativamente mais durável que a Armadura de Folhas. Aumento significativo na defesa e diminuição da agilidade. Composta por quatro peças: camisa, calça, botas e capacete.

Bônus de Armadura: utilizar o conjunto completo garante a habilidade inicial de camuflagem em árvores. Utilizar o conjunto completo garante a habilidade inicial de disfarce de cheiro.”

Estava voltando por dentro da floresta, era um caminho novo, com uma faca marcava as árvores, sempre com uma seta apontando de onde vinha. Procurava uma árvore não muita alta ou grossa. Vímeros estavam espalhados por toda a floresta, seu inventário já estava repleto com os cipós das plantas, mas decidiu não derrubá-los.

Já havia caminhado por horas, a floresta estava começando a mudar, as árvores gigantes diminuíram. Não via carvas, mangôs, vímeros. Eram árvores finas. Altas. A floresta era outra nesta região.

A luz do sol entrava mais facilmente, eram poucas folhas nas copas. Por entre as árvores e os curtos galhos, conseguia ver alguns fios prateados que brilhavam quando a luz os acertava. Continuou seguindo entre as árvores. Se aproximou dos fios. Tocou. Eram macios. Acreditava ser de algum tipo de aranha desse mundo. Armazenou um amontoado em seu inventário.

Escolheu a árvore mais baixa que encontrou. Equipou o machado. Golpeou o tronco com força, depois de dezenas de golpes suas mãos começaram a doer. Porém o corte causado pelo machado já alcançava o centro do tronco. Todo o corpo de Gabriel tremia. Usou muita força. Provavelmente nunca havia feito um trabalho braçal assim.

Após mais alguns golpes o homem empurrou a árvore.

Caiu.

As aves da redondeza voaram em desespero afastando-se do local. Não muito depois retornaram e aquietaram-se em seus ninhos.

Quando aproximou-se notou algo curioso, não havia árvore, troncos de madeira estavam onde a árvore caída estaria, mais à frente algo que suspeitava ser as folhas da árvore também estavam separadas. Deu de ombros. Guardou a madeira e as folhas no inventário. Decidiu voltar para o morro, não encontrou um bom lugar para mudar, e ainda era dia, poderia terminar suas flechas e armadura. Depois iria dormir.

Estaria de pé a noite.

*****

“Vi, para cima, vai!”, Gabriel corria para longe das gramas. Algo o perseguia. Estava passando entre as árvores de mangô, sua armadura de folhas já estava marcada por cortes de espinhos. A raposa pulou de galho em galho até o topo da maior árvore, ele seguiu logo atrás.

Olhando para baixo só conseguiu ver uma longa sombra rastejando. As menores árvores eram levadas junto com o animal, passava entre os espinhos como se não se machucasse. Só conseguia ver as costas do animal banhado pela luz da lua. E era rápido, muito rápido para o tamanho que tinha.

“Você está bem garota?”, disse a raposa ao sentar-se no galho. A pequena respondeu ao esfregar sua cabeça na mão dele. “Ótimo. Continue atenta”.

Ainda era madrugada, o fogo já havia apagado, era a hora mais escura do dia. Passou a noite acordado comendo carvas para não dormir, porém, estava realmente cansado. Não era a primeira noite que havia sido atacado. Equipou a armadura de madeira, encostou suas costas em outros galhos, seu corpo cansado vagava entre os sonhos e a realidade. Dormia, acordava.

Levantou com o sol já no centro do céu. Onde a serpente percorreu, um grande caminho de destruição era visto. O rastro seguia para dentro da floresta.

Sentou-se no chão embaixo dos mangôs, tirou os dentes, cipós e galhos do inventário. Com uma pedra áspera lixou as pontas dos dentes tornando-os mais afiados, amarrou quase todos os dentes nos galhos. Agora tinha mais flechas. Amarrou um dos crânios a um galho mais grosso. As garras se tornaram em mais facas, lanças.

Iria caçar nos próximos dias.

E talvez encontrar um lugar pra fazer um abrigo.

"Ficha do Jogador 43.

Força: 1.

Agilidade: 1.

Defesa: 0 (+9).

Bônus: camuflagem inicial em troncos e galhos de árvores."



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