História Mundo Secreto - Capítulo 7


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Categorias Mundo Das Sombras, The Originals, The Vampire Diaries
Personagens Bill Forbes, Elizabeth "Liz" Forbes, Esther Mikaelson, John Gilbert II, Klaus Mikaelson, Malachai "Kai" Parker, Matt Donovan, Mikael Mikaelson
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Palavras 4.639
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Crossover, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi pessoal, espero que não tenham desistido de mim! Fiquei muito tempo sumida né, mas vou tentar ao máximo não ficar tanto tempo assim. Esses últimos meses foram uma loucura e a faculdade estava me consumindo. Enfim, pra me redimir escrevi um capítulo maiorzinho pra vocês, espero que gostem!
Beijinhos...

Capítulo 7 - Capítulo 7


POV Caroline

 

Matt já falava enquanto colocava a cabeça pra dentro do meu quarto:

- Caroline, você já acordou? Mamãe disse… - ele parou e procurou pelo interruptor na parede e tudo se iluminou.

Droga! 

Ele encarava a cena a sua frente com raiva.

- O que está acontecendo aqui? - antes que eu pudesse ter capacidade mental pra pensar em algo, Matt pegou Klaus pelo braço.

- Matt seu idiota, não… 

- Nós tínhamos um acordo. E você o quebrou.

Os garotos se seguravam com tanta força que achei que a qualquer momento iriam começar a se socar.

Ah, se eu pudesse pensar direito! Eu me sentia uma idiota.

- Você entendeu errado, Matt. -Klaus falava entre dentes.

- Errado? Eu venho aqui e encontro os dois na cama, com todas essas cortinas fechadas, e você está me dizendo que eu entendi errado? 

Klaus balançou a cabeça. Ele fez isso quase facilmente e com uma economia de movimento, mas a cabeça de Matt rompeu bruscamente e adiante. Percebi que Klaus não estava em seu estado mais racional naquele momento e decidi que era hora de intervir.

- Parem com isso, -  mandei me colocando entre eles e colocando a mão em seus braços. Nenhum deles afrouxou. - Parem, por favor! Matt eu sei que você não entende, mas Klaus está tentando me ajudar!

- Ajudar? Acho que não. - ele se virou pra Klaus - Olhe para ela. Você pode ver que esse seu fingimento idiota está fazendo ela piorar? Toda vez que a encontro com você, ela está branca como papel. Está só fazendo as coisas ficarem piores.

- Você não sabe de nada sobre isso! - Klaus respondeu rapidamente mas eu ainda tentava processar as palavras.

- Idiota? Fingimento? Minha voz não era muito alta, mas fez tudo parar. 

Os dois garotos olharam pra mim. 

- Me desculpe. - Matt foi o primeiro a falar. - Eu não queria dizer…

- Cala boca! - Klaus disse raivosamente.

- Mas eu tinha que dizer. Esse idiota está apenas brincando com você. Ele admitiu isso para mim. Disse que sentia pena de você, e que fingir que gosta de você a fará se sentir melhor. Ele conseguiu um ego que abasteceria o estádio dos Dodgers.

- Fingindo? - eu disse de novo e voltei a me sentar na cama. Minha cabeça estava confusa.

- Caroline, ele está louco! - Klaus dizia. - Escute…

Eu não estava escutando. Eu sentia o quão culpado Matt se sentia. Eu literalmente sentia. Era muito mais convincente que raiva. E Matt, honesto, fiel, confiável Matt, nunca mentia pra mim.

Ele não estava mentindo pra mim, o que quer dizer que Klaus estava…

Hora da erupção.

- Você… - sussurrei para Klaus - Você… - Eu não conseguia pensar em uma palavra ruim, má o bastante. Por algum motivo, senti-me muito machucada, mais traída do que nunca havia sentido antes. Eu pensei que conhecia Klaus; eu havia absolutamente acreditado nele. O que significava que deslealdade era a pior coisa. - Então tudo isso era fingimento? Era isso?

Algo dentro de mim dizia pra esperar e pensar, já que eu não estava em bom estado para decisões tão cruciais assim. Mas eu não estava no estado de escutar minhas vozes interiores. A minha própria raiva me afastou de poder decidir se havia alguma boa razão para estar com raiva. 

- Você só sente pena de mim? - de repente toda a fúria e mágoa que eu estava guardando durante um dia e meio, veio a tona. Eu estava cega de dor e nada mais importava.

- Caroline, eu queria que Matt soubesse que… 

- Nem com um milagre,- eu estava com muita raiva. - Nem com um milagre você poderia dizer que me ama, - não me importei que Matt estivesse ouvindo. - E nem com um milagre você iria fazer todas aquelas coisas, você nem ao menos me beijou. Bom, eu não quero a sua compaixão.

- Que outras coisas? Eu vou matar você Mikaelson! 

Matt jogou-se para cima de Klaus e tentou socá-lo. Klaus moveu-se bruscamente, conseguindo escapar da investida por pouco já que o punho dele fez seu cabelo se mexer. Matt socou-o mais uma vez e Klaus pulou para o lado e segurou por trás. Escutei passos no corredor.

- O que está acontecendo aqui? - minha mãe se espantou com o caos que estava o meu quarto. No mesmo instante Kai apareceu atrás da minha mãe.

- Que gritaria é essa?

- Você é quem a está pondo em perigo. - Klaus estava rosnando no ouvido de Matt. - Agora mesmo. -  Ele pareceu feroz. Selvagem. Inumano. 

- Deixe meu irmão em paz! - eu gritei. As lágrimas já embaçando minha visão.

- Oh, meu Deus, querida. - minha mãe veio correndo e me abraçou. - Os dois garotos pra fora, agora!

A selvageria foi drenada da face de Klaus, perdendo sua força em Matt. 

- Olha, me desculpe. Eu tenho que ficar. Caroline…

Matt enterrou seu ombro no estômago dele. Isso não deveria machucar Klaus mais do que em um humano, mas eu vi a fúria dançando na face dele enquanto se endireitava do antigo estado de curvatura. Ele levantou Matt do chão e arremessou-o contra meu armário. 

Minha mãe choramingou e no mesmo instante Kai interveio.

- Já chega! Matt, tudo bem? Klaus, o que é isso?

Nenhum dos dois não disse nada!

- Olha, não importa. Acho que todos estão fora de si nesse momento. Mas acho melhor você ir pra casa, Klaus.

Eu estava tremendo e me virei de costas pra ele, me refugiando nos braços da minha mãe.

- Eu vou voltar. 

Klaus disse baixo. Devia ter parecido com uma promessa, mas soou mais como uma ameaça. - Por enquanto não poderá. - Kai disse em uma voz de comando militar. Virando-me nos braços de mamãe, pude ver sangue nos cabelos louros de Matt. - Eu acho que todos merecem um período longe. Agora, vamos, mexa-se.

Kai guiou Klaus para fora. Eu fungava e tremia, tentando ignorar as ondas de tontura que estava caindo sobre mim e os murmúrios de todas as vozes em minha cabeça. O rádio começou a tocar uma música com batida madcore inglesa. 

Nos dois dias seguintes Klaus ligou oito vezes. 

Na primeira vez, eu atendi, já passava da meia noite.

- Caroline, não desligue. - Klaus pediu.

Eu desliguei e um segundo depois o telefone tocou novamente.

- Sweet, se você não quer morrer, por favor tem que me escutar.

- Isso é chantagem e você é doente.

- É apenas a verdade. Caroline, escute. Você não tomou sangue hoje. Eu a deixei fraca, e você não tomou nada em troca. E isso pode matar você.

Eu escutei cada palavra, mas elas não pareciam reais. Acho que eu estava em um estado nebuloso, onde pensar era impossível.

- Eu não ligo, Niklaus.

- Você liga sim, e se você conseguisse pensar, você veria isso. É a mudança que lhe está fazendo isso. Seu estado mental está completamente bagunçado. Você é muito paranóica e ilógica e louca para ver o quão paranóica e ilógica e louca é.

Eu estava ciente, de um jeito vago, que estava atuando do mesmo modo que Vicki Donovan após beber seis garrafas de cerveja na festa de Ano Novo do Tyler Lockwood. Fazendo com que ficasse parecendo mais boba. Mas eu não sabia como fazer isso parar.

- Eu só quero entender uma coisa. É verdade todas as coisas que Matt falou? - Eu escutei Klaus parar de respirar. 

- É verdade que eu disse aquilo tudo. Mas o que eu disse não era verdade. Era apenas para tirá-lo da jogada. 

Naquele momento eu estava triste demais pra poder ficar calma.

- Como posso acreditar em alguém cuja vida inteira é uma mentira? - desliguei de novo enquanto deixava as primeiras lágrimas transbordarem.

No dia seguinte, continuei em estado de negação total. Nada parecia real, nem a briga com Klaus, nem o aviso dele e nem a minha doença. Especialmente minha doença. Minha mente achou uma forma de aceitar o tratamento especial que todos estavam dando sem dar importância para a razão do tratamento.

Nem tentei me abstrair dos comentários da minha mãe pro Matt sobre o fato de como eu estava decaindo tão rápido. O quão pobremente Caroline estava se tornando mais pálida, mais fraca, pior. E apenas eu sabia de como conseguia escutar as conversas perdidas pelo corredor tão claramente como se estivessem em meu próprio quarto. 

Todos os meus sentidos estavam mais apurados, mesmo com minha mente entorpecida. Quando  olhei para mim mesma no espelho, eu me assustei com o quão branca estava, minha pele translúcida como cera de vela. Meus olhos eram tão azuis e ferozes que queimavam. 

As outras seis vezes que Klaus ligou, mamãe disse que eu estava descansando. 

Kai estava tentando dar um jeito no meu armário, que estava com um enfeite quebrado.

- Quem poderia saber que aquele garoto era tão forte? - ele comentou.


 

POV Klaus

 

Fechei com força o meu celular e soquei o painel do meu carro. Era noite de quinta-feira.

Eu te amo.

Era o que eu deveria ter dito a Caroline e agora era tarde demais. Ela nem queria falar comigo mais. Por que eu não disse? Tudo o que eu fiz foi secar suas veias e machucar seu coração. 

Tudo o que eu fiz só a deixou mais perto de morrer.

Mas eu não tinha tempo pra pensar sobre isso agora. Bem, agora eu tinha uma máscara para tomar conta. Sai do carro e apertei meu blusão enquanto andava em direção a próxima casa. 

Destranquei a porta e entrei sem anunciar minha presença, não precisava, minha mãe já devia ter me sentido.

- Klaus. - minha mãe veio ao meu encontro. Esther, minha mãe, tinha lindos cabelos loiros, e um corpo perfeito que era mais enfatizado pela blusinha prata-e-ouro bordada. Seus olhos eram de um azul-esverdeado profundo com pesados cílios, assim como os meus. Dei-lhe um beijo na bochecha. 

- Recebi sua mensagem. O que foi? - perguntei.

- Acho melhor esperar seu pai chegar.

- Mãe, desculpe, mas eu estou com pressa. Eu tenho algumas coisas para fazer e eu nem ao menos me alimentei hoje.

- É o que parece. - ela me avaliou por um momento sem ao menos piscar. Então suspirou, virando em direção a sala de estar. - Pelo menos sente-se... Você vem andando um pouco agitado ultimamente, não é?

Eu me sentei no sofá de camurça pintado de carmesim. Agora seria a hora do meu teste de habilidade de atuação. Se eu conseguisse passar o próximo minuto sem que minha mãe sentisse a verdade, estaria livre de casa.

- Eu tenho certeza que papai lhe contou o porquê. - minha voz estava imparcial.

- Sim. Pequena Caroline. Isso é muito triste, não é?

- Eu estava triste no primeiro momento, mas agora estou mais conformado. - mantive minha voz tediosa e concentrada mandando nada através da minha aura. 

Eu podia sentir minha mãe claramente provando as margens da minha mente. Como um inseto acariciando com a antena, ou uma cobra testando o ar com sua língua negra bifurcada.

- Estou surpresa. Pensei que gostava dela. - minha mãe disse.

- Eu gostava. Mas, afinal das contas, eles não são pessoas, não é mesmo? - considerei por um momento, então disse - É parecido com perder um animal de estimação. Eu acho que devo apenas encontrar outro.

Foi uma jogada ousada. Deliberei cada músculo, para que ficasse relaxado enquanto sentia os ganchos mentais da minha mãe procurando uma brecha em meu escudo. Pensei, com dificuldade, em Hayley Marshall, tentando projetar apenas um monte de afeição negligente.

Funcionou. Senti os ganchos da minha mãe indo pra longe da minha mente. Minha mãe se acomodou e sorriu. 

- Estou grata que esteja levando tudo isso muito bem. Mas se você sentir necessidade de conversar com alguém, seu pai sabe de terapeutas muito bons. 

Terapeuta de vampiro, ela quis dizer. Para fixar em sua cabeça sobre como os humanos eram apenas alimento. 

- Eu sei que quer dissolver problemas tanto quanto eu quero, - ela adicionou. - Isso vem de família, sabe. 

- Claro, - eu disse, dando de ombros. - Tenho de ir agora. Diga a papai que eu disse oi, certo?

Beijei o ar perto da sua bochecha.

- Oh, a propósito, seu primo Marcell virá na semana que vem. Acho que ele gostaria de ficar com você no seu apartamento. E tenho certeza que gostaria de um pouco de alguma companhia também. 

Só por cima do meu cadáver, pensei. Esqueci do perigo eminente da visita de meu primo. Mas agora eu tinha tempo pra ficar nervoso com isso. Me encaminhei pra fora, me sentindo um malabarista com bolinhas demais no ar.

De volta ao meu carro, peguei meu celular, mas guardei logo em seguida. Chega de telefonar. Já estava na hora de mudar minha estratégia.

Pensei por uns minutos e me coloquei em movimento pelas ruas da cidade, estacionando a alguns metros de onde Caroline morava. E esperei.

Eu estava pronto pra esperar a noite toda se necessário, mas não foi preciso. Perto do pôr do sol, a garagem se abriu e um BMW saiu. Vi uma cabeça loira no banco do motorista. 

- Olá Matt, muito bom ver você!

Quando o carro começou a andar eu o segui.

Matt virou em um estacionamento do mercado mais próximo. Havia uma boa área isolada atrás da loja e já estava escurecendo.

Maravilha! 

Deixei meu carro mais afastado e fui em direção a frente da loja e quando Matt saiu eu o peguei por trás. Ele gritou e lutou e deixou a sacola cair. O sol já tinha se posto, portanto meus poderes estavam no máximo. Levei ele até o fundo da loja e o coloquei cara a cara com a parede.  Posição clássica de revista policial.

- Eu vou te soltar agora. - eu disse. - Não tente correr, isso seria um erro.

Matt ficou tenso.

- Eu não quero fugir. Eu quero esmagar o seu rosto, Mikaelson.

- Vá em frente e tente. - Divirta minha noite, pensei. Porém reconsiderei e o soltei. 

- Qual o problema? Ficou sem garotas em quem se atirar? - ele disse, respirando com dificuldade.

Trocar insultos não iria fazer bem algum, mas eu já conseguia dizer que ia ser difícil controlar meu temperamento. Matt tinha esse efeito em mim. 

- Eu não te trouxe aqui para brigar. Eu te trouxe aqui para perguntar uma coisa. Você gosta da Caroline?

Matt revirou os olhos.

- Eu quero perguntas estúpidas valendo quinhentos, Alex. - e relaxou seu ombro como se estivesse se preparando para um soco.

- Porque se você gosta, você fará com que ela me telefone. Foi você que a convenceu a não me ver, e agora você tem que convencê-la que ela tem que me ver.

Matt olhou ao redor do estacionamento, como se chamando alguém para testemunhar essa insanidade.

- Há algo que eu posso fazer para ajudá-la.

- Porque você é o Don Juan, certo? Você vai curá-la com seu amor.

 As palavras foram irreverentes, mas a voz de Matt estava trêmula de puro ódio.

- Não. Você entendeu completamente errado. Olha, você acha que eu estava dando uns amassos nela, ou me divertindo com suas afeições ou que seja. Não é isso mesmo que está acontecendo. Eu deixei você pensar isso porque estava cansado de ser investigado por você e porque eu não queria que você soubesse o que estávamos fazendo.

- Claro, claro. - a voz dele estava carregada de sarcasmo e desprezo. - E o que vocês estavam fazendo? Usando drogas?

- Isso.

Eu aprendi algo com Caroline. Mostrar e contar deveria serem feitos nessa ordem. Agarrei Matt pela camisa e a pouca luz do estacionamento já foi o suficiente pra ele ver minhas presas expostas e meus olhos ficando vermelhos com veias grossas ao redor. Com minha visão noturna pude ver os olhos azuis de Matt se dilatarem a medida que ele me encarava. 

Então ele gritou e ficou frouxo.

O grito não foi de medo, já que ele não era covarde e sim de descrença e choque. Matt soltou um xingamento.

- Droga, você é um…

- Vampiro? Exatamente. 

Ele quase perdeu seu equilíbrio e agarrou a caçamba para se apoiar. 

- Eu não acredito nisso.

- Sim, você acredita.

Eu não tinha retraído minhas presas, Matt tinha que acreditar nisso, afinal de contas eu estava em pé na frente dele.

Ele estava me encarando como se quisesse desviar o olhar, mas não conseguisse. A cor tinha sido drenada de seu rosto, e ele ficava engolindo como se fosse ficar doente. 

- Deus, - ele disse por fim. - Eu sabia que havia algo errado com você. Errado e esquisito. Eu nunca consegui descobrir porque você me dava arrepios. Então é isso.

Eu o enojo,  percebi. 

Não é mais somente ódio. 

Ele acha que eu sou menos que um humano. 

Isso não seria bom para o resto do meu plano.

- Entende agora como posso ajudar Caroline? - Matt balançou sua cabeça lentamente. Ele estava inclinado contra a parede, uma mão ainda na caçamba, a impaciência já estava me dominando. - Caroline tem uma doença. Vampiros não ficam doentes. Você precisa de um mapa?

Pela cara dele, ele precisava de um.

- Se, - minha paciência com esse idiota já estava acabando. -  eu trocar sangue o suficiente com Caroline para transformá-la numa vampira, ela não terá mais câncer. Cada célula no corpo dela irá mudar e ela terminará como um espécime perfeito: perfeito, livre de doenças. Ela terá poderes com que os humanos nem sonham. E, incidentalmente, ela será imortal.

Houve um longo, longo silêncio enquanto eu assistia isso ser assimilado por Matt. Os pensamentos dele estavam muito bagunçados para eu entendê-los, mas os seus olhos ficaram mais largos e seu rosto ficou mais pálido. Por fim ele disse:

- Você não pode fazer isso com ela.

O jeito que ele disse. Não como se ele estivesse protestando a idéia porque era muito radical, muito nova. Não a reação exagerada automática que Caroline tinha tido. Ele disse isso com convicção absoluta e extremo horror. Como se eu estivesse ameaçando roubar a alma de sua irmanzinha.

- É a única maneira de salvar a vida dela, Matthew.

- Não. Ela não iria querer isso. Não a esse preço.

- Que custo? - eu já estava mais do que sem paciência com esse idiota. Se eu tivesse percebido que isso ia virar um debate filosófico,  teria escolhido um lugar menos público. Como estava, eu tinha que manter todos os meus sentidos alertas para possíveis intrusos. 

Matt ficou em pé sozinho. Havia uma mistura de medo e horror em seus olhos, mas ele me encarava diretamente.

- É só que, há coisas que os humanos julgam mais importantes do que ficar vivo, - ele disse. - Você descobrirá isso.

Não acredito que ouvi isso. Ele soa como um capitão espacial júnior falando com os invasores alienígenas em um filme B. “Você não descobrirá que as pessoas da Terra são tão ingênuos quanto você imagina.”

- Você está louco? Olha, Matt, eu nasci em Mystic Falls. Eu não sou um monstro de olho arregalado de Alfa-Centauro. Eu comi cereal no café-da-manhã.

- E o que você come no lanchinho da meia noite? - Matt perguntou, seus olhos azuis sombrios e quase infantis. - Ou as presas são só para decoração?

- Está bem. Touché. Há algumas diferenças. Eu nunca disse que era humano. Mas eu não sou algum tipo de…

- Se você não é um monstro, não sei o que é. 

Não mate-o, Caroline te mataria e nunca te perdoaria! Me aconselhei freneticamente. 

- Matt, não somos o que você vê nos filmes. Não somos todos-poderosos. Não podemos nos desmaterializar pelas paredes ou viajar no tempo, e não precisamos matar para nos alimentar. Não somos malvados, pelo menos não todos nós. Nós não estamos amaldiçoados.

- Você não é natural e não deveria existir.

- Porque estamos mais acima na cadeia alimentar do que vocês?

- Porque as pessoas não deveriam... se alimentar… de outras pessoas.

Acho que ele não deveria saber que minhas pessoas não achavam que os humanos eram pessoas.

- Nós só fazemos o que precisamos para sobreviver. E Caroline já concordou.

Matt congelou. 

- Não. Ela não iria querer se tornar você.

- Ela quer ficar viva, ou pelo menos, ela queria, antes de ficar brava comigo. Agora ela só está irracional porque ela não tem o suficiente do meu sangue nela para terminar de transformá-la. Graças a você. - parei pra pensar um pouco e disse. - Você já viu um cadáver de três semanas, Matthew? Porque é isso que ela vai virar se eu não for até ela.

Ele se irritou e deu um soco na caçamba.

- Não acha que eu sei disso? Eu estou convivendo com isso desde domingo a noite.

Fiquei parado de pé, meu coração golpeando. Sentindo a angústia que Matt estava passando e a dor da mão machucada . Passaram-se diversos segundos antes que eu fosse capaz de dizer calmamente.

- E você acha que isso é melhor do que eu posso dar a ela?

- É uma porcaria. É podre. Mas, sim, é melhor do que virar algo que caça pessoas. Que usa as pessoas. Esse é o motivo de todas as namoradas, não é?

Novamente,  não consegui responder diretamente. O problema de Matt, é que ele estava percebendo, era esperto demais para seu próprio bem. Ele pensava demais. 

- É. É esse o motivo de todas as namoradas.

- Só me diga uma coisa, Mikaelson. -  ele se endireitou e olhou duramente nos meus olhos. - Você já se alimentou da minha irmã antes dela ficar doente?

- Não.

Ele soltou sua respiração. 

- Isso é bom. Porque se tivesse, eu teria te matado.

Não duvidei dele. Eu era muito mais forte do que ele, muito mais rápido, e eu nunca tive medo de um humano antes. Mas bem neste momento não tinha dúvida de que Matthew Forbes iria de algum jeito encontrar uma maneira de fazer isso. 

- Olha, tem algo que você não entende, Caroline quis isso, e é algo que nós já começamos. Ela só está começando a se transformar; se ela morrer agora, ela não se tornará uma vampira. Mas ela pode não morrer afinal, também. Ela pode acabar como um cadáver ambulante. Um zumbi, sabe? Sem mente. Corpo apodrecendo, mas imortal.

- Você está me dizendo isso, pra eu me assustar e ficar com medo.

- O problema é que eu já vi acontecer.

- Não acredito em você.

- Eu vi acontecer. - agarrei ele pela camisa e senti que estava fora de controle, mas não liguei. - Vi acontecer com alguém que eu gostava, ta bom. Eu só tinha quatro anos e tinha uma babá. Todas as crianças ricas têm babás. Ela era humana.

- Deixa pra lá. - Matt disse, mas eu ignorei e continuei minha história.

- Eu era louco por ela. Ela me deu tudo que minha mãe não deu. Amor, atenção, ela nunca estava ocupada demais. Eu a chamava de Senhorita Jenna. Mas meus pais acharam que eu estava apegado demais a ela. Então eles me levaram numa pequena excursão  e eles não me deixaram me alimentar. Não por três dias. Quando eles me trouxeram de volta, eu estava faminto. Então eles mandaram a Senhorita Jenna para me colocar na cama.

Matt havia parado de lutar e apenas me ouvia.

- Eu só tinha quatro anos. Eu não conseguia me conter. E o negócio é que, eu queria. Se você me perguntasse quem eu preferia que morresse, eu ou a Senhorita Jenna, eu teria dito eu. Mas quando você está faminto, você perde o controle. Então eu me alimentei dela, e o tempo todo eu chorei e tentei parar. E quando eu finalmente consegui parar, soube que era tarde demais.

Fiz uma pausa e percebi que meus dedos estavam presos em uma cãimbra agonizante e solei a camisa de Matt lentamente que não disse nada. 

- Ela estava simplesmente deitada lá no chão. Eu pensei, espera, se eu der meu próprio sangue para ela ela se tornará uma vampira, e tudo ficará bem. Então eu me cortei e deixou o sangue correr para dentro da boca dela. Ela engoliu um pouco antes que os meus pais chegassem e me parassem. Mas não o suficiente.Ela morreu naquela noite,mas não até o fim. Os dois tipos diferentes de sangue estavam brigando dentro dela. Então de manhã ela estava andando por aí, mas ela não era mais a Senhorita Jenna. Ela babava e sua pele era cinza e seus olhos estavam planos como os de um cadáver. E quando ela começou a apodrecer meu pai a levou e a enterrou. Ele a matou primeiro.- a bile subiu na minha garganta e acrescentei em quase um sussurro. - Eu espero que ele a tenha matado primeiro.

Matt lentamente virou-se para olhar para mim. Pela primeira vez naquela noite, havia algo além de horror e medo em seu rosto. Algo como pena. Tomei um longo fôlego. Depois de treze anos de silêncio eu finalmente contei a história – para Matthew Forbes, justo ele. Mas não era bom ficar se perguntando sobre o absurdo. Eu tinha um objetivo a chegar. 

- Então pegue meu conselho. Se você não convencer Caroline a me ver, tenha certeza de não fazerem uma autópsia nela. Você não a quer andando por aí sem seus órgãos internos. E tenha uma estaca de madeira para a hora que você não suportar mais olhar para ela.

A pena sumiu dos olhos de Matt. Sua boca era uma linha dura e trêmula. 

- Nós não a deixaremos virar... algum tipo de abominação parcialmente viva, ou um vampiro, tampouco. Sinto muito sobre o que aconteceu com a sua Senhorita Jenna, mas não muda nada.

- Caroline deveria decidir isso.

- Só fique longe da minha irmã. É tudo o que eu quero. Se você ficar, eu te deixarei em paz. E se você não ficar…

- O que?

- Eu vou contar a todos o que você é. Eu vou chamar a polícia e o prefeito e eu vou ficar no meio da rua e gritar isso.

Eu senti minhas mãos ficarem geladas. O que Matt não tinha percebido é que ele havia acabado de fazer minha, a responsabilidade de matá-lo. Não era só qualquer humano que tropeçasse nos segredos do Mundo da Noite tinha que morrer, mas um que ativamente ameaçasse contar sobre o Mundo da Noite tinha que morrer imediatamente, sem perguntas, sem misericórdia. De repente eu estava tão cansado que não conseguia enxergar direito. 

- Saia daqui, Matt - minha voz não possuía emoção alguma - Agora. E se você realmente quiser proteger a Caroline, você não contará nada. Porque eles irão rastrear e descobrir que ela sabe dos segredos, também. E então eles irão matá-la  depois de questioná-la. Não será divertido.

- Quem são ‘eles’? Seus pais? 

- O Povo da Noite. Estamos ao seu redor, Matthew. Qualquer um que você conhece pode ser um  incluindo o prefeito. Então fique de boca fechada.

Matt me olhou através de olhos estreitos. Então ele se virou e andou até a frente da loja. 

Eu  não conseguia me lembrar de quando me sentira tão vazio. Tudo que eu tinha feito tinha dado errado. Caroline estava agora em mais formas de perigo do que eu conseguia contar. E Matthew Forbes achava que eu não era natural e era malvado. O que ele não sabia era que na maioria do tempo eu pensava a mesma coisa. 











 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Comentem e me contem o que estão achando. Beijinhos e até o próximo.


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