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História Muros - Capítulo 16


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Notas do Autor


Bem, eles vão ter um bebê. Então, seus caminhos acabariam se cruzando de novo.

Boa leitura.

Capítulo 16 - Zelo


Fanfic / Fanfiction Muros - Capítulo 16 - Zelo

Após a informação dada por Jackie que Jaimie estaria voltando para os EUA, Sully  se esforçou em enviar mensagens mais frequentes e resolveu ser direto:

“Soube que você está voltando para os EUA. Já tem uma data específica?”

Jaimie não estava nada satisfeita com a distância entre eles nas ultimas semanas, mas também sabia que não tinha se esforçado para se fazer presente nas mensagens. Tinha decidido dar à Sully tempo e espaço para refletir sobre o envolvimento que tiveram durante suas últimas semanas em Melbourne. A gravidez tinha surpreendido ambos e era quase que naturalmente esperado que usassem o sexo como forma de apoio mútuo já que ninguém mais no mundo era capaz de entender a complexidade do que estavam vivendo. Não forçaria o contato nem tentaria fazer disso motivo um relacionamento por mais que seu coração desejasse isso. Já fez isso outras vezes e só conseguiu colher decepções. Com a distância, ele teria a oportunidade de se afastar dela sem a necessidade de uma conversa constrangedora sobre isso. E ficariam bem, mantendo contato apenas sobre o filho.

Mas parecia que até o bebê perdeu parte de sua atenção nesse tempo. Isso a preocupava. Sua decisão de gerar aquela criança estava mais consolidada que nunca. Hoje, mesmo que Sully quisesse abandonar o barco, ela levaria a gestação adiante. Ainda assim, queria muito que seu filho tivesse um pai, alguém que pudesse ser família para ele caso um dia ela faltasse. Por isso, faria o que fosse preciso para estimular o vínculo dele com o filho nesse momento. Jogou limpo na resposta:

“Na próxima quarta. Estou contando os minutos para voltar pra casa.”

“Alguma chance desse voo fazer uma conexão em Los Angeles?” – ele quis saber.

“Hmmm...” ela brincou com o suspense. “Acho que talvez haja uma possibilidade. Kkkkkkkk”

“Isso é bom. Quero muito poder te encontrar. Quanto tempo você ficará em Los Angeles?”

Ela também queria encontra-lo. Além dos motivos inconfessáveis, repetiu para si mesma a escolha a dedo de uma conexão dão demorada tinha como objetivo dar espaço para, pelo menos, uma conversa.

“Chego na manhã da quinta-feira. O voo para Los Angeles sairá na madrugada da sexta.”

“Perfeito! Você poderia vir para o meu apartamento. Assim poderemos nos encontrar logo que eu sair das gravações e teremos privacidade para falar do bebê. O que acha?”

A proposta fez Jaimie fechar os olhos e aspirar o ar enquanto tentava avaliar as variáveis que agitavam seu interior. Ficar no apartamento de Sully: desejado e arriscado. Não queria se tornar uma amante ocasional do pai de seu filho. Se não fosse para terem um relacionamento pra valer, o ideal era que tudo entre eles se consolidasse numa amizade assexuada para o bem do bebê.

Droga! Existiam três coisas que ela já tinha certeza sobre si mesma nessa gravidez: os hormônios a deixavam suas emoções e estômago muito sensíveis e seu desejo sexual quase incontrolável.

“Jaimie, você ainda está por aí? É tão difícil assim decidir isso?” – ele perguntou.

Ela riu ao ler. Esse jeito dele a irritava e encantava ao mesmo tempo. Ficar no apartamento com ele era decididamente um erro. Ou a oportunidade de se entenderem de vez e – ela fez questão de ignorar todos os obstáculos sobre como – ficarem juntos formando uma família. E ela não costumava deixar uma oportunidade sem ser aproveitada.

“ Oi... desculpe a demora. Se minha presença não for te atrapalhar, acho que será bom.” – pronto, nada muito comprometedor.

“Você não vai atrapalhar. Já sei que você não ronca.” – Sully brincou.

“Ufa! Queria poder dizer o mesmo de você.” E acrescentou um emoji mostrando a língua.

Sully riu ao ler.

Se despediram e esperaram ansiosamente pela próxima quinta-feira.

Jackie fez questão de acompanhar Jaimie até o aeroporto.

- Você sabe que sou sua amiga, não é? – perguntou segurando as mãos de Jaimie entre as suas.

- Com certeza. Sempre.

- Então, se precisar de mim, chame! É uma ordem, entendeu?

- Eu prometo que farei isso. – Jaimie respondeu a abraçando.

No lugar de um adeus, Jackie deu uma benção para aquela mulher que que entrou na sua vida de forma tão especial. E Jaimie partiu.

A chegada em Los Angeles seguir a rotina de sempre. Após pegar a bagagem, entrou num taxi e passou o endereço do apartamento de Sully. Sabia que ele não estaria lá. Era dia de gravações e só chegaria no final da tarde. A mensagem em seu celular informava sobre a chave com o porteira e dizia para ela ficar à vontade.

Seguiu as orientações dele à risca. Assim que entrou no apartamento, explorou tudo que podia do ambiente. Tirando alguns poucos detalhes, estranhou o quanto o lugar parecia impessoal. Após ter vasculhado tudo, resolveu ocupar o quarto que não era de Sully – ela se certificou disso a partir dos sinais da presença dele no outro quarto – e descansou um pouco.

Assim que acordou, decidiu fazer uma surpresa para ele. Foi para a cozinha e fez um levantamento do que tinha disponível nos armários e geladeira. Parecia suficiente para um refeição simples, mas ela queria dar alguns toques especiais. Precisaria ir ao mercado. Para sua sorte, havia um bem próximo dali e ela retornou em menos de 40 minutos.

Ela amava cozinhar. Essa atividade sempre a ajudava a controlar sua ansiedade. Por isso, relaxou entre os ingredientes preparando a refeição e sua especialidade: torta de maçã para sobremesa.

Com tudo pronto, ajeitou a cozinha, lavou a louça e colocou a mesa usando tudo que encontrou para deixar o ambiente acolhedor.

Sully passou o dia tentando evitar pensar que se encontraria com Jaimie no final da tarde. Concentrou-se nas gravações para evitar queimar cenas. Não queria chegar tarde em casa. Quando finalmente foram dispensados do set, chegou o momento de revisar seu plano. Passara os últimos dias pensando nos detalhes. Primeiro: as últimas semanas foram trash e ele acabou não dando atenção às mensagens de Jaimie, se desculparia e prometeria melhorar nisso. Segundo: sentiria a situação antes de avançar qualquer sinal. Não queria que ela se sentisse forçada a se envolver num relacionamento com ele. Precisavam colocar o que fosse melhor para o bebê à frente de qualquer outra coisa. Terceiro: não contar nada sobre o que aconteceu envolvendo Alexis. Havia algo dentro dele que acendia um alerta forte quanto a isso, então não havia porque envolver Jaimie nisso.

Ela estava terminando de ajeitar os talheres quando Sully chegou. Mal colocou a cabeça dentro do apartamento e já franziu a testa intrigado com o cheiro do lugar. Jaimie sorriu para ele de forma tão espontânea que já o fez esquecer todos os seus planos.

- Você está cozinhando? – disse intrigada, mas agora também sorrindo enquanto se aproximava.

- Você disse que eu poderia ficar à vontade. – ela respondeu também indo até ele.

- O cheiro está ótimo. – disse agora já a menos de um passo dela se inclinando para cumprimenta-la com um beijo no rosto que ela retribuiu. Assim, tão próximo dela, pode observá-la melhor e não o agradou o quão magra ela parecia. – Você emagreceu? – não conteve a pergunta.

- Três quilos... – ela disse arqueando a sobrancelha meio triste. – O médico disse que foi por causa dos enjoos e vômitos.

- Mas está tudo bem? – ele insistiu no questionamento porque sentia seu estômago revirando por lembrar do desfecho com Alexis.

Ela pegou sua mão e o guiou até a mesa. No centro do móvel, encostada num objeto de decoração havia uma fotografia de ultrassom. Tomou com delicadeza entre as mãos , segurou na altura do peito e mostrando para Sully, disse orgulhosa:

- Papai, seu bebê já completou 12 semanas. Agora é pra valer. Ele está a caminho!

Sully pegou a foto emocionado. Olhou para os detalhes surpreso. Não havia apenas um borrão ali. Podia ver nitidamente a imagem tridimensional de um bebê, tão diferente da imagem em preto e branco que Alexis tinha apresentado.

Jaimie falava animadamente, dizendo muitas coisas sobre o bebê. Ele não conseguia captar tudo que ela dizia porque ainda estava encantado com aquela foto. Fez o que pode para demonstrar estar dando atenção, mas nem sempre conseguiu.

Ela o convidou para jantar. Comeram enquanto contavam um ao outro um pouco do que viveram no tempo que ficaram separados. Ela comeu bem, ele observou isso. E falou muito sobre o bebê. Como falou. Ela parecia saber tudo sobre isso, cada detalhes, tim tim por tim tim. Sully balançava a cabeça como quem estava acompanhando as explicações, mas sua mente vagavam pela boca dela, os olhos, a forma como movia as mãos...

Jaimie falou tanto sobre a gravidez que ele achou que o assunto estava esgotado. Quando já estavam colocando a louça na pia, ele resolveu arriscar um convite:

- Hei, um pessoal lá do studio vai se reunir num barzinho mais tarde. Pensei que poderíamos ir. O que acha?

Ela parou surpresa e pensativa. Seu rosto ficou sério. Os olhos vagaram para longe do olhar de Sully.

- Obrigada, mas é melhor não. Meu voo sai de madrugada, preciso descansar... – disse sem jeito.

Esse jeito dela que parecia querer evitar que fossem vistos juntos o irritava. Então, ele fingiu não se importar e foi até a mesa olhar mais uma vez a foto do ultrassom. Estava já com a imagem nas mãos quando a ouviu continuar, dessa vez parecendo muito firme e decidida:

– Mas tudo bem se você ir.

Ele ia dizer que não iria sem ela. Ficariam juntos pelo pouco tempo que tinham. Foi quando seus olhos buscaram o nome de Jaimie naquele exame. O que estava escrito fez a bile subir por sua garganta. Não era o nome dela. Ele se questionou que brincadeira macabra era aquela da vida. Primeiro sua ex-esposa tenta fazê-lo comprar uma falsa gravidez, agora Jaimie também lhe apresentava um exame falso? Sua cabeça juntou as peças: ela tinha emagrecido, disse que era por causa do estômago, mas comeu bem e agora esse exame em nome de outra pessoa. Bem, ela sabia muito sobre a gravidez. Até demais. Talvez tanto conhecimento fosse alguma forma de articulação para convencê-lo da veracidade de tudo.

Jaimie se aproximou, percebendo a tensão se instalar no rosto dela e também no enrijecer dos músculos:

- Eu sinto muito por não te acompanhar. Quem sabe numa outra oportunidade... – e se sentiu mal porque sabia que não tinha intenção de voltar a Los Angeles tão cedo.

Sully cololou a foto sobre a mesa e bateu o dedo sobre o nome:

- Quem é Lauren? – e olhou firme para ela.

- Ora, Chully, sou eu. – respondeu se esforçando para ignorar o tom acusativo da pergunta.

- Seu nome é Jaimie e não Lauren. Aqui diz Lauren. – ele permaneceu firme no questionamento.

- Lauren sou eu. Esse é meu nome. Jaimie Lauren Tarbush. – e observou que eu ele ainda a encarava. – Que razão eu teria para te apresentar o exame de outra mulher?

Com a cabeça subitamente latejando, ele deu as costas para ela, confuso sobre como reagir. Resolveu ser educado e esperar até se acalmar para continuar aquela conversa. Precisaria de um pouco tempo e espaço para isso.

- Esqueça tudo que eu disse. Me desculpe. Foi um dia difícil. Se você não vai ao bar, fique a vontade por aqui. Eu preciso ir senão vou me atrasar.

E saiu, deixando Jaimie tentando entender tudo que aconteceu. Mas não havia lógica em nada. Como podia ousar acusa-la de apresentar o exame de outra pessoa. Estavam juntos quando ouviram o coração do bebê pela primeira vez. Será que cozinhar foi representou algum tipo de invasão que o fez precisar de uma desculpa para afastá-la?

O estômago dela revirou levando-a às pressas para o banheiro. De joelhos no chão, ela despejou no vaso todo o jantar em ondas que pareciam ininterruptas. Quando finalmente terminou, sentiu o joelho ao se colocar de pé. Lavou o rosto, se olhou no espelho e respirou fundo. Depois seus olhos e mão alcançaram a leve saliência na barriga e disse com toda determinação:

- Está tudo bem, meu amorzinho. Nós vamos ficar bem.

Foi para o quarto e reuniu o pouco das coisas suas que estavam espalhadas. Chamou um taxi e, enquanto esperava, resolveu deixar um bilhete: “Obrigada por tudo. Desculpe por não ter lavado a louça” que fixou na porta da geladeira. Saiu sem olhar para trás.

Estava quase a apenas alguns passos do táxi estacionado em frente ao prédio quando Sully entrou no seu caminho.

- Jaimie, por favor, espere. Vamos conversar.

Ela olhou firme pra ele para dizer:

- Agora não. Quem sabe numa outra oportunidade. Por favor, me dê licença, o táxi está esperando.

Mas ele se manteve firme à sua frente:

- Olha, eu fui um imbecil. Estou passando por coisas que não tem nada a ver com você e acabei me descontrolando.

- Então resolva a sua vida. Depois conversaremos. Você tem meu número. – e voltou a tentar contorna-lo para chegar ao táxi, mas foi em vão, Sully continuava a cercando e chegou ao ponto de segurar a sua mão.

- Jaimie, por favor. Prometo que será rápido. Só um minuto, depois você pode ir.

Ele estava tremendo e ela pode sentir isso não só na sua mão, mas também na sua voz. Estava magoada e decepcionada. Mas nunca negou seu ombro a um amigo desesperado e Sully parecia assim agora. Então se deu conta que estavam na rua e que precisavam sair dali o quanto antes. Assentiu com a cabeça e deu meia volta caminhando para dentro da recepção.

Ele logo a alcançou após dispensar o taxi.

- Pode ser aqui mesmo ou você prefere subir? – perguntou ainda muito nervoso.

- Vamos subir. – ela respondeu já caminhando para o elevador.

Ficaram em completo silêncio enquanto subiam. Sully se recostou na lateral e cruzou os braços. Parecia estar tentando se acalmar. Mas precisou secar uma lágrima vez ou outra.

Jaimie se manteve firme em pé no centro do elevador, apoiada na alça da pequena mala.

Quando entraram no apartamento, ela caminhou até o centro da sala e se virou para ele determinada:

- Você queria conversar. Então fale.

Ele não sabia por onde começar. Na verdade, só sabia o que não dizer: nenhuma palavra sobre a gravidez falsa de Alexis.

- Se você não tem nada a dizer, não deveria ter me feito subir até aqui.

- Eu tenho muita coisa a dizer, só não sei por onde começar... – ele tentou.

- Que tal começar me contando o que aconteceu na sua vida que não tem nada a ver comigo, mas que te fez duvidar daquele ultrassom?

“Merda!” ele pensou. O ponto de intersecção era justamente o assunto que ele queria evitar. Tentou pensar numa outra coisa qualquer, mas nada lhe veio a cabeça. Só restava uma saída:

- Alexis tem me dado trabalho com o divórcio. Na verdade, ela tem feito um verdadeiro inferno nas últimas semanas. – e se sentiu um pouco aliviado por não estar realmente mentindo e também por poder compartilhar seu desconforto com Jaimie como tanto desejou.

- Ela sabe do que aconteceu entre a gente? Sabe do bebê? – Jaimie pareceu subitamente muito preocupada.

- Não, não. Eu não deixaria ela saber. Isso traria problemas para você também já que ela tem algum tipo de fixação em te odiar.

Sully não percebeu, mas por sentir que a delicada relação que tinha com Jaimie estava escorregando entre seus dedos, mais lágrimas escaparam.

Ao ver aquilo, Jaimie aspirou o ar e tentou ser objetiva:

- Sully, sei que conversamos e você se comprometeu a ser o pai dessa criança. Mas se, ao voltar pra cá e reencontra sua ex, sentiu que quer ficar com ela, faça isso. Eu cuido dele sozinha, pode ficar sossegado.

- Não! – ele disse rápido. – Jaimie, esse bebê é tudo que eu tenho nesse momento.

- Então é o que? Achou invasivo demais eu preparar o jantar? -  o jeito simples como ela formulou a pergunta, não mais tão ofendida como antes, o fez quase sorrir.

- O jantar estava ótimo. Eu disse que você poderia ficar à vontade, não foi? – e pediu desesperamente por uma ajuda sobrenatural que o inspirasse sobre o que dizer. Então, a ideia veio – Quando não vi seu nome no exame... quando não vi o nome Jaimie no exame, ache que eu tinha perdido tudo. – isso também era verdade, precisou limpar as lágrimas pra continuar – Foi injusto demais com você, eu nem sei como você poderia me perdoar por isso...

Jaimie respirou fundo, tentando parecer firme, mas já profundamente tocada pela fragilidade dele. Abriu a bolsa e pegou seu RG e entregou pra ele:

- Esse é meu nome. Pensei que você sabia.

- Por favor, não é preciso. – ele disse recusando o documento. – Eu me lembrava de Jaime e Tarbush, mais nada. Depois me lembrei...

- Eu pedi para o médico tirar o Jaimie para aumentar o sigilo do exame. Só ficaria pronto no dia seguinte e muitas pessoas iriam manipulá-lo. – e observou as lágrimas que brotavam cada vez mais dos olhos suplicantes de Sully para ela. -  O bebê ainda está aqui. Se você puder ir até NYC para acompanhar uma ultrassonografia, talvez isso faça você se sentir melhor.

Sully balançou a cabeça sorrindo entre lágrimas diante da comoção dela:

- Isso não vai fazer com que eu me sinta melhor, Jaimie. Porque o que está doendo é eu ter duvidado que você que agora está aqui na minha frente se justificando para fazer com que eu me sinta melhor quando eu é que deveria estar implorando seu perdão porque o que eu fiz foi injustificável. Você tem sido ótima, tem me contado tudo, veio até aqui, fez o jantar...

Jaimie soltou a bolsa sobre o sofá e gesticulou para ele se aproximar. Ele obedeceu. Então levantou a blusa e baixou o cós da legging que vestia. Pegando a mão de Sully, a colocou sobre a pequena saliência na sua barriga.

Primeiro um tremor percorreu todo o corpo dele pela surpresa em encontrar aquela dilatação bem definida no corpo dela. Depois uma sensação suave se apoderou dele. Sabia que, com aquela permissão, Jaimie estava concedendo seu perdão à ele.

- Consegue sentir? Ele está aqui.

- Sim, dá pra sentir bem. Por favor, me explica porque eu só consigo pensar em coisas idiotas pra dizer quando eu queria poder dizer as palavras mais lindas pra te agradecer agora.

Jaimie riu.

- Agora eu quero saber seus pensamentos mais idiotas.

Sully fez a expressão de cachorrinho que quebrou o vaso para contar:

- Você está mais magra, mas sua barriga está bem maior.

Jaimie reagiu com a voz carregada de decepção brincalhona:

- OMG! Você conseguiu perder a última chance de me fazer ficar aqui essa noite.

- Então vai ter que me levar com você porque minha mão não vai sair da sua barriga até aquele avião decolar.

- Meu Deus, Chully, estamos em Los Angeles. Tem paparazzi por todos os lados e se desconfiarem disso aqui, não vou poder mais por o nariz fora de casa sem ter alguma lente sobre mim.

- Então, acho melhor você ficar.  E, quando você disser que fica, a gente vai poder se sentar sofá o que será bem mais confortável.

Jaimie torceu os lábios como quem não está certa sobre isso. Sully apelou com mais um olhar suplicante:

- Por favor, Jaimie. Temos tão pouco tempo...

Para ele era um pacote inseparável: bebê e Jaimie. Mas ela interpretou o “temos tão pouco tempo...” para algo sobre Sully e o bebê. E queria dar esse momento para os dois. Então concordou.

Os dois se sentaram e conversaram. Era incrível como entravam em sintonia rapidamente mesmo após um mal entendido tão grave. Sully resolveu falar sobre isso. Agora ela estava apoiando as costas no peito dele que tinha uma mão na sua barriga e com a outra brincava com seus cabelos.

- É até difícil de acreditar que estamos tão bem agora quando a pouco... Parece que por ele tudo fica melhor, não é? Talvez a gente tenha feito um bebê mágico.

Jaimie se aconchegou a ele e disse:

- Há algo de muito especial nele. Desde que essa vidinha começou, minha vida ficou muito melhor.

- A minha também.

Pouco mais tarde, o celular de Jaimie começou a tocar insistentemente. Ela acabou cedendo e atendeu. Era seu agente. Haveria um evento em Los Angeles na sexta e a Marvel gostaria que ela estivesse presente para começar a divulgação de Thor Love and thunder. Aquilo pareceu não agradá-la. Sully disse que também tinha sido convidado e sugeriu e forjassem um encontro lá na entrada do evento como desculpa para ficarem juntos sem chegarem como um casal. Isso a animou.

Fizeram como combinaram e deu muito certo. Fingiram um encontro casual na entrada da premiação e assim ficaram juntos durante o evento todo. Na saída, voltaram para o apartamento em carros separados. A melhor parte é que puderam ficar mais tempo juntos. Jaimie só retornou para NYC no domingo de manhã.


Notas Finais


Os dois estão nos EUA, mas um de cada lado do país. Como resolver isso? Pior não são as montanhas, canyons, vales e 50 estados que os separam, mas os muros construídos no relacionamentos anteriores é que são as piores barreiras. Talvez precisem de ajuda de algum outro casal...

Obrigada pela leitura.


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