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História Musa Inspiradora - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oioi! Vim trazer um oneshot de levinho para vocês, só para descontrair. Brevemente estarei postando capítulos da fic que eu preciso terminar. Esse one é uma crônica que eu escrevi no ano passado para minha aula de leitura e interpretação e no fim, acabei me apaixonando por ela, assim como outras que eu tenho guardadas que posteriormente trago para vocês transformado em SasuSaku. Um beijo e lavem as mãos!
OBS: crônica inspirada na música You're Beautiful, do cantor James Blunt. Deixarei o link nas notas finais.

Capítulo 1 - A Mulher Do Trem


Não era normal para as pessoas ver um homem todo trajado de preto, em pleno verão da Irlanda, perambular pela estação de trem carregando somente um Maine Coon na coleira. Eu gostava do meu sobretudo surrado e não poderia sair para a Inglaterra e deixar Aoda trancado em casa arruinando minhas coisas com as garras e fezes. Fora de cogitação! Talvez eu devesse ter trago algumas camisetas e calças jeans para passar o tempo, mas com certeza eu me perderia do meu objetivo e nada poderia me tirar a concentração — Só se fosse uma linda mulher inglesa atrás de um irlandês beberrão que não passa de um escritor amador. 

Tudo que eu precisava era do capítulo 24 para poder mandar meu livro para a editora, entre tantos romances e contos de terror, possuo a brilhante ideia em doze anos como escritor de lançar "INCRÍVEIS HISTÓRIAS DO COTIDIANO". Me levem de volta para a realidade, galerinha: meu cotidiano se resume em dormir pela manhã e acordar pela noite, tentar escrever alguma coisa e falhar miseravelmente me afundando em qualquer coisa com 50% de álcool. Todos os outros 23 capítulos se resumem na vida entediante de casado do meu irmão ou em frustrações amorosas que conquistei em 33 anos. Não que mudar de país por um final de semana fosse uma coisa incluída na rotina semanal de todos mas eu estava entre escrever uma história para fechar o capítulo ou viver para sempre fazendo compras na despença do meu irmão. Não que eu detestasse a comida da minha cunhada mas já comi coisas que me causaram danos menores.

Me aproximo do balcão onde uma mulher peituda que mascava chiclete mexia em papéis freneticamente, parecia não ver um homem de 1,80 parado na sua frente batucando seu balcão com os dedos.

— Com licença — Digo finalmente atraindo a atenção da super-peitos para mim — Gostaria de comprar duas passagens para a Inglaterra, por favor. 

— Duas? — Ela olhou para os lados procurando alguém que pudesse ser meu acompanhante. Além de sonsa se metia na vida dos passageiros também? A vontade que eu tinha era reportar isso para o chefe dela mas decidi ignorar. 

— Meu gato, eu quero um assento para ele, de preferência o da janela. — Aponto para Aoda deitadinho no chão. A mulher se levanta para olhá-lo, detestável, torceu o nariz e bufou. 

— Moço, eu vou ser sincera com o senhor, eu não sei se poderá entrar com esse bicho no trem. — Ela se senta novamente teclando algumas coisas no computador. — Alguns de nossos passageiros podem ser alérgicos ao pelo ou simplesmente não desejar o animal no mesmo ambiente que eles.

Sorrio ironicamente pegando Aoda no colo. Estava segurando entre dedos minha pouca paciência, aquela mulher estava sendo um poço de arrogância com a minha pessoa e não somente comigo, tratando meu filho com completo descaso. Não deveria citar no meu livro, mas é comum encontrar pessoas de mal com a vida que insistem em trabalhar com outros seres humanos. Por isso passo metade da minha vida desacordado, pois se não seria preso por escândalo em espaço público. 

— A senhorita me disse que não sabe se eu vou poder entrar com Aoda no trem, você não me deu a certeza então peço que vá perguntar para seu superior. 

— Mas senhor...

— Por favor, peço que vá perguntar para o seu superior. — Olho para a morena irritado sem tirar minhas mãos carinhosas de Aoda.

A mulher desce do seu banco resmungando algumas palavras que fiz questão de não ouvir, não queria ter que causar transtornos. Aquela viajem mal havia começado e já estava me tirando a paciência. 

— Nunca ouvi falar que gatos não podem frequentar trem, é uma novidade para mim. 

Olho para o lado e juro que vi um anjo. Se não fosse um anjo eu tenho total certeza de que seria a carcaça que um anjo usaria. De cabelos rosados assim como as sobrancelhas, olhos tão verdes como grama molhada pela chuva, tão bela como nascer do sol nas montanhas a mulher me encarava com um meio sorriso, talvez se perguntando porque eu a olhava tão idiota. 

— Eu detesto novatos. — Sorrio desviando o olhar para o chão. - Acho que não consigo deixar para trás nem que seja por um fim de semana a coisa mais preciosa da minha vida. — Beijo a cabeça peluda de Aoda.

A mulher joga os cabelos para trás graciosamente e sorri se aproximando de mim. Usava um vestido social preto, sua pele branca que era possível ver suas veias e pintas pelo corpo. Era linda que eu duvidava ser real, a vontade que eu tinha era gritar e perguntar para todos ali se também podiam vê-la. 

— Só quem tem essas coisinhas preciosas sabe o quão ruim é ter de deixa-los para sair e não saber quando volta. Eu também tenho uma Maine Coon e não sei o que faria da minha vida sem ela. São seres mágicos.

— Viaja muito? — Pergunto automaticamente, talvez ela também vá para a Inglaterra. Não que eu esteja sonhando alto mas às vezes é bom conversar com alguém que nos passa inteligência em tão poucas palavras. 

— Eu moro na Inglaterra, sou médica regente. Meu pai mora aqui na Irlanda, nada sério, um probleminha de estômago que acabou ocasionando minha vinda para cá. — Ela passa na mão no pescoço de Aoda, que curte o carinho. 

— E o que achou? — Idiota! Não ouviu ela dizendo que o pai mora aqui?!

— Toda vez que coloco os pés na Irlanda é um sentimento diferente. Mas bom! Sou apaixonada na recepção daqui. — Sorrio olhando para a salinha que a mulher das passagens entrou e nunca mais saiu. 

— Bem, fico muito feliz. 

— E você? Para onde vai?

— Eu pretendo ir para a Inglaterra, se aquela mulher voltar com a minha informação. — Respondo colocando Aoda no chão e tirando meu sobretudo. — Preciso de uma inspiração. 

Seus olhos se arregalaram e ela abriu um sorriso largo. Sua simpatia assim como sua beleza eram contagiantes de uma forma que era impossível segurar a postura gangster. 

— Você é escritor? — Ela pergunta se apoiando no balcão. 

— Bem, acertou. — Dou de ombros estendendo a mão para ela. — Sasuke Uchiha.

— Espera um pouco... Você é o autor de Os Sonhos Que Nunca Morrem! Meu Deus! 

Gargalho com sua empolgação. Ela dá um giro de 180 graus e para, ficando envergonhada quando me vê sorrir.

— Desculpa! — Ela sorri sem jeito. — É que esse é meu livro favorito acho que desde sempre, eu o comprei numa banca de revista por 10 euro numa viagem que eu fiz para Portugal em 2011 e acho que já o li cem vezes.

— Achei que as pessoas tinham se esquecido desse livro. Parece tão... antigo. 

— É um livro maravilhoso, meus parabéns pelo trabalho. — Ela segura na minha mão que estava estendida até então. — Aliás, sou Sakura Haruno.

— Prazer em conhece-la. 

Sinto algo gelado na sua mão e assim quando ela puxa pude ver mais claro e brilhante que a água, uma aliança dourada. Nem me deu tempo de ficar decepcionado ou pelo menos pensar em como o homem que tinha aquela mulher ao seu lado seria. Um homem loiro de olhos azuis e cara de idiota se aproxima, traçando a cintura de Sakura num abraço carinhoso, estava bem vestido e assim como ela, parecia o tipo de pessoa que se empolgava com pequenas coisas. 

— Amor, sabe aquele livro que eu perdi na nossa viagem para a Alemanha? Esse é Sasuke Uchiha, o autor. — Sou acordado dos meus pensamentos pela voz de Sakura.

— Meu Deus! Que coincidência, sabe aquela jornalista que a gente gosta que sempre bate de frente como políticos e tals? Acabei de encontra-la na lanchonete, quase enfartei! 

— Hinata Hyuga? Você está brincando? 

— Falo sério. — O homem estende a mão para mim. - É um prazer conhece-lo, Sasuke. A dama aqui é apaixonada pelos seus trabalhos. 

— Ouvi que ela perdeu o livro. Bem, sei que leu umas cem vezes, mas... —  Pego meu sobretudo e tiro do bolso uma cópia de bolso de Os Sonhos Que Nunca Morrem colocando sobre o balcão e autografando com a caneta da mulher que já devia ter retornado. Mas agora nem era necessário. — acho que leitura nunca é demais. 

Entrego o livro na mão de Sakura e pego Aoda no colo. 

— Desejo uma boa viagem para vocês, acho que chegou minha hora de ir. — Sorrio me virando para saída. 

— Você não vai para a Inglaterra? — Sakura pergunta segurando o livro como uma criança. 

— Acho que não vai ser mais necessário. 

— Bem, espero que encontre o que procura e muito obrigada pelo livro. 

Sorrio para os dois mais uma vez e me retiro de volta para casa. De certa forma desapontado mas feliz, acho que eu tinha encontrado tudo que precisava para terminar minha obra. 

Voltei para casa naquela manhã, as sacolas das comidas que eu peguei no meu irmão ainda estavam em cima da mesa da cozinha. Não me importei, só subi as escadas enquanto as ideias borbulhavam sobre a superfície da minha imaginação. Sentei na frente do computador e comecei a escrever tudo que leram agora. Meu livro está entre os mais vendidos da Irlanda nesse momento.

Enfim, a primeira coisa que fiz foi passar no supermercado. Estava com saudade de uma boa salada de alface, tudo graças a uma mulher que possivelmente nunca mais vou ver na vida. Uma paixão física que nunca passará disso e eu não me sentia mal por isso. Caiam na realidade e me puxem: eu nunca ficaria com aquela mulher mas agora eu tinha lançado meu quarto livro depois de tantos amassos e apagas no word. Bem, minha vida não poderia ser mais brilhante.

 


Notas Finais




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