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História Music Sound - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


hehe oi hehe
eu juro que vou me enfiar num buraco por ficar tanto tempo sem atualizar... juro que não foi proposital, foi só minha preguiça e falta de inspiração mesmo, desculpa — sinceridade k k
enfim gente, pretendo dar uma continuidade e um fim nessa fic, tomara que estejam comigo nessa!
boa leitura🌸

Capítulo 4 - Cuidados


E que tal... Alasca? 

— Alasca?! 

— É, Alasca. - Deu de ombros. 

— Tá doida? Só porque escolhemos inverno, não significa que temos que ir ao Polo Norte! - Rebateu. 

— Não é o Polo Norte, é a Alasca! - Bia disse se aproximando do rosto de Manuel. 

— Nem pensar! - Virou o rosto em direção ao computador. — Vamos ver um lugar mais perto, tipo Ushuaia, Salta ou El Calafate. 

— Chato! - Bia protestou garfando um pedaço de lula de seu prato. 

— Sabia que você fica manhosa quando bebe? - Comentou digitando no teclado. 

— Você sempre diz isso.

Bia e Manuel estavam sentados no chão, apoiando as costas no sofá. Comiam suas deliciosas Paellas e suas taças de vinho repousavam na mesa de centro junto com o notebook, onde faziam suas pesquisas para a viagem. Já haviam escolhido inverno como estação do clipe, agora só faltava o local. E essa era a discussão. 

— Ushuaia parece legal, olha... - Desceu um pouco a tela do computador e ajeitou o prato na mão esquerda, enquanto voltou a comer com a direita. Bia deixou seu prato na mesa e pegou a taça, bebericando enquanto olhava as imagens. Eram realmente bonitas. 

— Hum... Parece legal... - Murmurou concentrada. Esticou-se um pouco mais além para alcançar a garrafa, quando Manuel já olhou apreensivo. 

— Ei! Ei! Ei! - Ele colocou o pano com o prato encima da mesa e impediu a melhor amiga de pegar a garrafa. — Você já está bem alegrinha. Chega. 

— Manuuuuuuu..... - Cantarolou colocando a cabeça no ombro dele, fazendo beicinho e tudo mais. 

— Nem vem, Beatriz. - Negou com a cabeça, pegando a taça dela com um pouco de vinho e entornando na dele. 

— Beatriz, é? - Indagou risonha, quase encostando o nariz no pescoço do amigo. Era estranho ouvi-lo chamá-la pelo nome. Sempre foi Bia ou Ariel.

Manuel revirou os olhos ao senti-la fungar, apesar do estômago estremecer. Bia sempre ficava assim quando exagerava no álcool, por que ele se sentia desse jeito? 

— Hey, até o vinho da minha taça?! - Ela se ergueu rapidamente, ao ver seu vidro vazio. 

— Vamos para Ushuaia, mesmo? - Mudou de assunto. 

— Eu acho legal, mas vi que não neva no outono... Não fica tão legal assim. - Bia comeu o último punhado de arroz temperado, deixando o garfo encima do prato na mesa e relaxando as costas no sofá. — Manuuuuuuuu? - Estendeu o nome novamente. 

— Ooooooi. - Terminou de comer e continuou concentrado na tela, em busca de mais opções. Virou sua bebida enquanto ouvia Bia falar:

— A Celeste já foi naquele lugar que neva, lembra? 

Celeste era uma amiga de infância de Bia e juntamente com Chiara, eram o trio de ouro. Trabalhavam com Bia na galeria, mas Chiara agora tirava férias na Itália com o noivo, mesmo que Celeste continuasse trabalhando normalmente com a brasileira. 

— Não faço a mínima ideia. - Franziu o cenho pensativo, tentando lembrar de qualquer comentário sobre Celeste que Bia lhe havia feito, mas o vinho agindo em sua mente também impedia-o de pensar. 

— Um negócio de brioche, sei lá, eu não lembro... - Bia parecia se esforçar, e em questão de segundos o nome aparecia na cabeça de Manuel, que gargalhava com a idiotice dita por Bia. 

— Bariloche, não é?

— ISSO! - Exclamou batendo uma palma, como se gritasse “Eureka!”

O espanhol começou a digitar “turismo em bariloche” na barra de pesquisa, vendo que os preços das passagens estavam bons, mas que os dos hotéis salgavam bastante. Viu que poderia nevar no decorrer do mês, mesmo que sem uma data consistente e pelas fotos, apaixonou-se pelo local. Poderia até esquiar! 

— Estão dizendo que é bem bonito... - Comentou lendo alguns depoimentos de turistas. 

— Ok. É bonito, mas amanhã continuamos. Já está tarde e eu estou com muito... Sono. - Bia dizia tudo calmamente, mesmo que pudesse começar a rir a qualquer momento. 

Empilhou os pratos junto com os talheres e levou as duas taças numa mão. Manuel fechou o notebook e arrumou a mesa de centro, levando o jogo americano que haviam usado em direção a bancada. Decidiram que arrumariam a bagunça da cozinha no dia seguinte e se prepararam para dormir. 

~*~

Passava das três da madrugada e Bia ainda não havia conseguido pregar o olho. Revirava na cama, olhava o celular e NADA. Aquele pensamento sobre o clipe, a viagem, sobre a gravadora... Tudo a engolia como um sentimento só. Era como se ela sentisse uma angústia tão forte que acabava consumindo-a de dentro pra fora. Bia tremia um pouco e seu corpo parecia gelado.

Rolou na cama desesperada, na tentativa de contar carneirinhos ou quantas gotículas da chuva fraca apareciam na janela. Havia feito até uma oração bem longa, mas nem isso a ajudou. O efeito do vinho já havia ido embora, e sua teoria de que o sono que estava sentindo há algumas horas atrás era apenas controle da uva fermentada, aumentava cada vez mais. Quando deu três e meia, Bia decidiu procurar ajuda. 

Manuel sabia de suas crises de ansiedade, mas eram muito ligeiras e um copo de água sempre resolvia junto de uma respiração calma. Aconteciam quando ela ficava apreensiva antes de postar um vídeo, ou quando pintava algo que não a satisfazia. Nunca teve dificuldades para dormir, então aquilo era completamente estranho, afinal, depois de quase meia garrafa de vinho, era para ela estar no décimo sono. 

Tomando coragem, a brasileira bateu na porta do quarto de hóspedes e esperou meio sem jeito, não sabendo o que dizer, caso Manuel abrisse a porta. O que não aconteceu após alguns segundos. 

Respirando fundo, bateu com mais força. E é claro que ele não abriu. Beatriz considerou ir embora, quando se lembrou de que Manuel devia estar dormindo pesadamente após o jantar carregado e a bebida exagerada.

Bom, se está dormindo tão pesadamente, ele não perceberia os movimentos dela, certo? E foi com esse pensamento que ela entrou. 

Bia o viu deitado de lado, enquanto um braço escapava do edredom repousado no travesseiro à esquerda. Os cabelos estavam desgrenhados na fronha acinzentada e não se escutava nada além da calma respiração dele. 

Após fechar a porta atrás de si, Bia caminhou até a cama, onde sentou-se na pontinha, com medo de acorda-lo e assusta-lo. Retirou suas pantufas de patas do Sully, ajeitou seu coque para o cabelo não incomodar o amigo e finalmente resolveu deitar. 

Enfiando-se por debaixo das cobertas, tentou manter uma distância considerável dele, na esperança de parecer menos intrusa. O coração estava apertado, e o arrependimento de ter invadido o espaço de Manuel começou a perturba-la. Eram melhores amigos sim, mas tudo havia limite, principalmente privacidade. E Bia só se deu conta da cagada que havia feito quando se ajeitou mais uma vez e ele se movimentou num súbito susto, assustando-a também. 

Manuel ergueu o torso e piscou algumas vezes. Com os dedos, apertou as pálpebras e abriu os olhos encontrando a amiga com os olhos arregalados, sem graça, bem ao seu lado na cama. 

— Bia? - Sua voz rouca refletiu a confusão de seu cenho franzido. Esticou-se na direção oposta à ela e acendeu o abajur, incomodando-os com a luz amarelada. 

— Oi... - Ela sussurrou extremamente corada. 

— Tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - O estranhamento ainda era claro em seu rosto. 

— E-eu... Eu não consigo dormir... Acho... Eu acho que estou tendo uma crise e... Desculpa, Manu. - Gaguejou, não conseguindo formular uma frase coesa. Assim que se desculpou, fez menção de sair da cama, quando ele a segurou pelo pulso suavemente. 

— Ei... 

Ela o encarou e os olhos ameaçaram marejar. 

— Está tudo bem. - Manuel sussurrou e a puxou de jeito fraco, fazendo-a entender que era para se deitar. 

Bia não pôde se segurar. Fungou na tentativa de não derrubar uma lágrima, e magicamente funcionou. 

Ele ergueu um dos braços a recebendo e com o outro envolveu-a para si. As mãos dela tremiam, então resolveu segurar em uma, acariciando com o polegar. Bia se alinhou no pescoço dele e a sua testa gelada foi contra a temperatura quente daquela região. 

— Você está tremendo, e está muito gelada. Quer que eu faça um chá? - Ofereceu agora acariciando as costelas dela também. 

Bia negou com a cabeça. 

— Quer me contar o que te aflige? 

O silêncio perdurou por alguns segundos. 

— Tenho medo... - Confessou sussurrando, como se contasse um segredo. — Não sei como te explicar... É... É uma angústia, tão, tão forte... Me consome por inteira. Eu... Eu não quero sentir isso, Manuel. - Choramingou segurando na camiseta dele. 

Ele sabia do que se tratava, mas nunca a viu daquele jeito. Estava tão assustado quanto ela. 

— Escuta, Bia, isso pode não deixar você agora, neste exato segundo, mas como te consome de dentro pra fora, vou me grudar ainda mais em você... - Ele a apertou ainda mais contra si, deixando de acariciar sua mão, acabando por abraçá-la por inteiro. — ...e deixar que consuma nós dois. Quem sabe, com essa divisão, a sombra vazia dessa sensação vá embora mais rápido. 

Ela acreditou nele. Também apertou a barriga do melhor amigo e fechou os olhos, esperando o fardo ser dividido. 

— Estou orgulhoso por ter dado o primeiro passo; por ter vindo até mim, mesmo com medo. - Manuel respirou fundo. Todo o sono que ele sentia, havia sumido assim que a viu em sua cama, deixando espaço apenas para o alerta e a preocupação. — Você é muito mais forte do que qualquer crise. É a pessoa mais corajosa que eu conheço, que bate de frente com qualquer monstro invisível que tente te dominar. 

E ele falava, cada vez mais palavras de conforto e ajuda, que a fazia soltar levemente a respiração que nem sabia que estava controlando. Então Beatriz percebeu, que Manuel sempre estaria lá com ela, para lhe oferecer tudo o que pudesse dar. Inclusive palavras poderosas, que a livrava das amarras da ansiedade na calada da noite. De todo aquele vazio e angústia. 

— Eu tenho tanto, tanto orgulho de você, minha Ariel. - O espanhol deixou um beijo longo e confortante nos cabelos de Bia, mostrando todo seu apoio e amor. 

Deixou que um silêncio confortável cuidasse dos dois. Permaneceu acariciando as costas dela, e deixou o rosto apoiado nos cabelos macios da amiga. Minutos depois, sentiu um peso repentino em seu peito, logo se dando conta de que ela havia adormecido de vez. 

Respirou aliviado, agora mais relaxado. Desfez um pouco o abraço, esticando-se cuidadosamente para desligar o abajur. Assim que o fez, remexeu na cama, tirando o braço esquerdo debaixo de Beatriz, agora usando-o de apoio para a cabeça dela. Aconchegou o queixo na testa da menor e desfez o coque que ela havia feito, apenas para distrair-se mexendo nas madeixas dela, depois, os cobriu com o edredom.

Mesmo com todo esse movimento, ela ao menos acordou, acabando por deixar a paz tomar conta dos dois. 

— Bons sonhos... - Sussurrou roçando os lábios na testa de Bia, deixando-lhe um beijo. 

 

No dia seguinte, a vida dos dois seguiu normalmente. Acordaram pairando pelas uma da tarde, e Manuel foi o primeiro a levantar. Ele arrumou a cozinha da bagunça do dia anterior, e fez um café para os dois. Ele sabia que a madrugada havia sido conturbada, e que haviam certas chances de Bia não se lembrar de muita coisa. Mas ele lembrava bem... Se lembrava de como havia sido bom dormir ao lado dela, de protegê-la dos males dos pensamentos. 

Sacudiu a cabeça afastando as lembranças que o instigavam a outras intenções, e continuou passando o café. Abriu a geladeira para pegar a jarra de água, quando viu o pote de vidro enrolado em plástico filme com o brigadeiro que eles esqueceram de comer no dia anterior. Fez uma anotação mental de que avisaria Bia, para comerem durante a tarde, e seguiu a rotina monotonamente. 

— Bom dia... - Ouviu as palavras em meio à um bocejo, encontrando uma Bia meio grogue. Os cabelos dela estavam novamente presos no coque, e agora ela vestia um roupão para se manter aquecida. 

— Bom dia, Ariel. - Saudou servindo café para duas xícaras. — Dormiu bem? 

— Como não dormia há tempos. - Sorriu sentando-se na cadeira giratória, ao lado da bancada. — Você ajudou muito, Manuel. Obrigada. 

Ele sorriu em resposta, logo depois, tomando a água que havia separado. 

— Sabe o que eu achei? - Manuel questionou e Bia negou com a cabeça, enquanto misturava o açúcar no café. — O brigadeiro de ontem.

— Ai é verdade! - Bateu na testa. — Estávamos tão doidos que esquecemos. 

— Isso não é problema, depois do almoço a gente acaba com o chocolate enquanto vemos um filme. 

— Fechado. 

O dia seguiu-se tranquilamente. Comeram o que sobrou da janta no almoço, comeram seu delicioso brigadeiro e assistiram filmes até anoitecer. 

Acabaram por combinar que Manuel passaria mais uma noite na casa de Bia, já que no dia seguinte, ela trabalharia e acertaria as contas com Dona Clara, para combinar os dias que poderia tirar férias para a viagem, do mesmo jeito que Manuel voltaria para sua casa e ajeitaria o necessário de seus trabalhos, contabilizaria os valores e veria um local de hospedagem, já que os preços de algumas pousadas que encontrara estavam bem carregados.


Notas Finais


ok, escrever essa cena de crise para Bia foi bem tumultuosa e o Manuel ajudando ela foi TUDO pra mim♥️
espero que tenham gostado, vejo vocês em breve💕


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