História Muteki - Capítulo 6


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Gaasaku, Naruto, Sasusaku, Serial Killer, Suspense, Terror
Visualizações 635
Palavras 5.011
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpem pelo atraso, foi como eu disse, a facul exigiu um pouquinho mais da minha atenção nessas duas últimas semanas.

Nem acredito que estamos chegando em 400 favoritos, aaaaa <3!

Boa leitura!

Capítulo 6 - Ele e seu irmão


Sasuke

Lembro de ter acordado de madrugada para escutar a conversa de Kakashi no telefone na sala. Isso foi algumas noites antes da sentença final de Itachi sair. Na ponta dos pés, me esgueirei até a porta para escutar o que ele conversava. 

— Rin, você não está me entendendo. — Kakashi dizia. — Se eu não defender a causa de Itachi, ninguém vai. O país inteiro está contra ele. É uma criança de 13 anos que matou a família inteira. 

Rin era noiva de um dos meus primos, Obito, que também tinha sido assassinado. Ela deveria estar na nossa casa na noite do massacre mas acabou tendo que ficar na sua cidade por conta do trabalho e não esteve presente na nossa última reunião de família. Por pouco, ela escapou da morte também. 

— Eu não tenho escolha. Fui o melhor amigo do pai deles. Além de defender o Itachi no tribunal, agora também sou o único responsável legal pelo Sasuke. — Kakashi disse e novamente fez uma pausa, provavelmente para ouvi-la surtando do outro lado da linha. — Eu preciso cuidar deles. 

Praticamente todas as luzes da casa estavam apagadas, exceto um abajur na sala que me permitia ver a silhueta de Kakashi andando de um lado para o outro devagar e em silêncio. Pela fresta da porta, uma versão minha de oito anos tentava obter o máximo de informações possíveis sobre um futuro incerto. 

— Eu não vou virar as costas para nenhum dos dois, Rin. Desista. — ele falou de forma incisiva. — Não me importo com o que Itachi fez. Quero que todos aqueles psiquiatras se fodam com seus exames de merda. Não quero saber se ele é um psicopata que tem surtos violentos e o caralho. Algum motivo tinha para ter matado todo mundo e eu vou tentar arrancar dele o porquê. Ele não acordou um dia e simplesmente decidiu esfaquear a família inteira. 

Não tenho tanta certeza disso, mas…

— Se você pensa dessa forma, então não temos mais assunto. — Kakashi respondeu irritado. — Se quiser brigar no tribunal pela casa do Obito, vá em frente. Será perda de tempo. Se o Itachi for realmente condenado a perpétua, automaticamente todos os bens da família Uchiha vão para o Sasuke. — ele revirou os olhos com algo que ela disse. — Muito bem lembrado, você é só uma noiva, não esposa. Não tem direito a merda nenhuma. 

Eles continuaram discutindo mais alguns minutos mas decidi retornar para a cama, tentando absorver o que tinha escutado. Observei cada centímetro daquele quarto enquanto aceitava que aquela seria minha casa até os dezoito anos. 

#

No domingo de manhã, todo mundo acordava de saco cheio. Os funcionários nos tratavam como cachorros nesse dia da semana porque estavam putos por estarem trabalhando. No caso de Sabaku Gaara, ele estava de mau humor porque estava de ressaca. 

— Ou a noite foi muito boa ou muito ruim. — Shikamaru comentou em tom provocativo quando o Sabaku saiu pela porta dos fundos da cozinha e se juntou a nós na área externa onde ficavam as estações de lixo. 

Ele nos olhou irritado e simplesmente sentou no degrau de cimento, fechando os olhos e colocando a mão na testa, parecendo exausto. 

Aquele lugar era horrível, tinha cheiro de comida estragada e chorume, mas era o único lugar onde podíamos conversar tranquilos com o único guarda que não nos tratava como animais. Também era o único lugar em que a câmera nunca estava ligada e Sabaku podia traficar o cigarrinho de Shikamaru. 

Shikamaru desceu de cima da estação de lixo em que ele, eu e Sai estávamos sentados e foi pegar o cigarro que o Sabaku estava tirando da carteira para dar a ele. Ele tirou um para si próprio e os dois acenderam e ficaram fumando sentados no degrau de cimento. Sai estava desenhando no seu caderno enquanto eu simplesmente aproveitava a paz, sentindo o clima frio da manhã nebulosa e observando as árvores balançando com o vento, um pouco além da cerca elétrica. 

— Cara, aquele Uzumaki tá me tirando do sério. — Shikamaru resmungou. 

— Ele mal chegou e vocês já estão de birra com ele? — Gaara retrucou. 

— Ele parece uma criança. Não sabe como funciona nada, está sempre fazendo perguntas. E pelo que eu percebi, fica tocando nas pessoas quando fala. Não gosto disso. — Shikamaru defendeu sua opinião enquanto exalava a fumaça dos pulmões. 

— É bom vocês tomarem cuidado. Pelo que eu notei, ele é o novo favorito do Jiraiya. — Gaara aconselhou com a voz rouca. 

— O que é essa porra fez pra conseguir estar aqui? Grande coisa tentar matar atual de ex-namorada. Quem nunca fez isso? — Shikamaru murmurou.

Percebi que Gaara olhou pra ele meio nervoso. Ele se afastou alguns centímetros do sociopata sentado ao seu lado de forma cautelosa e quase imperceptível. 

— Você sabe por que mandaram ele pra cá? — Sai indagou. 

Gaara não respondeu. Então sabia sim. 

— Mas e aí? Conseguiu uma boa ontem? — Shikamaru mudou de assunto dando um soquinho no braço do Sabaku. 

Ok, Gaara não tinha medo da gente mas dava pra perceber que às vezes ele não ficava muito confortável ou se sentia seguro o tempo inteiro. Ele nos respeitava mas não era nosso amigo. Agia como guarda quando precisava agir, e por trás tentava nos manter longe de confusão simplesmente porque não queria ver ninguém sendo dopado à toa. 

— Eu fui beber um pouco ontem e conheci uma garota. — ele respondeu. 

— Transaram? — Shikamaru era muito invasivo, até eu admitia isso. 

— É. Ela era muito legal. Mas depois simplesmente sumiu. 

— É melhor assim, esquece esse negócio de namorar e essas baboseiras. Sem relacionamento fixo, cara. 

— Você não teve 14 namoradas, Shikamaru? — Sai perguntou com ironia. 

— Tive. — ele respondeu como se não fosse nada. — E matei todas elas. 

Gaara respirou fundo, talvez tentando convencer a si mesmo de que seu emprego não era uma merda. Se ele era religioso, provavelmente estava perguntando à sua divindade o que tinha feito para merecer estar ali. 

Shikamaru terminou seu cigarro e relaxou os ombros, desestressando. Ficamos em silêncio por um tempo até Gaara tentar mudar o clima pesado que ficou em cima de si. 

— Orochimaru deve estar agilizando as coisas sobre a pesquisa com você. — ele comentou olhando pra mim. 

— O quê? — não entendi por um momento e depois tudo se conectou na minha cabeça. 

Shikamaru entendeu quase ao mesmo tempo. 

Nós dois nos sobressaltamos e começamos a correr, se esgueirando pelas paredes do prédio. Pulei por cima de alguns sacos de lixo com Shikamaru logo na minha cola. Nos abaixamos para passar por debaixo de algumas janelas e ninguém nos ver do lado de dentro até chegarmos na janela que realmente interessava. Olhamos pelo vidro para a sala de Orochimaru, com o próprio sentado de costas para nós enquanto folheava seu caderno procurando alguma coisa. 

Shikamaru e eu nos entreolhamos, torcendo para ele achar logo o que procurava. E encontrou. O número de Sakura. 

Ficamos aguardando junto com ele enquanto três chamadas caíam na caixa postal. Na quarta chamada, Sakura atendeu quase no último toque. 

Pois não. — ela parecia puta. O som estava abafado mas se prestássemos total atenção, dava para escutar o que estavam falando mesmo com a janela fechada. 

— Falo com Haruno Sakura-san? — Orochimaru indagou e pelo tom de voz, percebi que ele estava muitíssimo satisfeito por ela ter atendido. 

Sim, quem fala? — Sakura realmente estava puta. Ele deve tê-la acordado. 

— Eu me chamo Orochimaru, sou um psiquiatra pesquisador e especialista em transtornos mentais. Trabalho na prisão psiquiátrica de Nagoya e sou responsável pelo tratamento de Uchiha Sasuke. — ele respondeu.

Sakura ficou em silêncio por alguns segundos. 

Isso é algum tipo de trote? — ela perguntou irritada. 

— Não, senhorita. Escute-me. — ele se ajeitou melhor na cadeira. — Eu estou realizando uma pesquisa a respeito de psicopatia e sociopatia, e provavelmente você sabe mas… Sasuke é um caso que intriga os membros da psiquiatria atual. O mundo inteiro conheceu o caso de vocês há dois anos atrás e eu e meus colegas sempre quisemos desvendar o modo diferenciado de como a situação entre você e ele se desenvolveu. 

Não há nada para desvendar. Ele é louco e doente. Me sequestrou e fez joguinho psicológico, depois matou todo mundo que eu amava. Só isso. — não consegui identificar se Sakura estava mais nervosa ou furiosa. Ela estava tentando encontrar as razões por trás daquela ligação. 

— Creio que as coisas sejam mais profundas que isso, Haruno-san. — Orochimaru falava de forma mansa mas objetiva. — Depois de dois anos, finalmente consegui aprovação e verba para um estudo aplicado em Sasuke. No entanto, você é uma peça essencial para as atividades que planejo realizar, já que parece ser algum tipo de gatilho pra ele. Eu estou abrindo aqui um convite, e um pedido sem dúvidas, para que você aceite nos ajudar nessa pesquisa tão aguardada na comunidade científica. 

Dessa vez, ela ficou mais tempo em silêncio. Shikamaru me encarou, vendo que dessa situação toda, quem estava mais ansioso era eu, não Orochimaru. 

Isso é algum tipo de piada? — Sakura gritou do outro lado da linha. — Você está querendo curtir com a minha cara? 

— De modo algum. Você será totalmente paga e creditada por isso, e estará totalmente segura. Nós lhe daremos um treinamento especial, além de estarmos sempre acompanhando para que nada lhe aconteça durante os experimentos. — Orochimaru começou a ficar nervoso vendo que ela estava bem na defensiva. 

Eu não quero dinheiro ou meu nome citado nas suas palestrinhas. — Sakura cuspia ódio do outro lado da linha. — Quero que você e seus amiguinhos da psiquiatria se fodam! E fodam Sasuke também! Não me incomode novamente. 

E ela desligou. 

Todos nós ficamos parados. Algo dentro de mim se partia de forma dolorosa e silenciosa. Acho que era a esperança de ter Sakura perto de mim novamente. De vê-la todos os dias, com frequência. 

Shikamaru ficou me olhando por aqueles minutos estáticos que se passaram, esperando uma reação. Mas a primeira reação foi a de Orochimaru. 

Ele simplesmente levantou num surto de fúria e jogou a secretária eletrônica por onde ele e Sakura conversaram contra a parede. Começou a jogar tudo que estava em cima de sua mesa no chão enquanto rosnava e ofegava de raiva. 

Shikamaru agarrou meu braço e foi me puxando de volta pelas beiradas do prédio. Quando chegamos de volta aos fundos da cozinha, Gaara tinha acendido mais um cigarro. 

— E aí? — Sai perguntou descendo da estação. 

— Ela mandou o Orochimaru se foder. — Shikamaru respondeu.

Gaara nos olhou, surpreso. Sai fez uma careta de dor, como se alguém tivesse lhe dado um tapa. 

— Eu sugiro que vocês andem na linha então. — Gaara se pronunciou. 

Orochimaru ficaria o resto do dia puto da vida. Qualquer coisa que fizéssemos que o irritasse nos mandaria para baixo. 

Itachi

Não importa o quanto eu diga para Deidara se controlar, ele não consegue ficar mais que sete dias sem sair na porrada com alguém. Bom, dessa vez ele levou a pior. A parte boa é que podemos jogar pôquer o dia inteiro, já que o meu serviço é o de auxiliar de enfermeiro na prisão de Sapporo. 

É uma bela manhã de domingo. Todos estamos agasalhados aproveitando o frio e a tranquilidade. A maioria dos funcionários está de folga e praticamente todo o presídio está dormindo. 

Sentado aos pés da cama de Deidara depois de ter trocado o curativo na cabeça dele, percebo seu nervosismo com as cartas que tem na mão.

— Vou de all-in. — digo colocando minhas seis fichas da máquina de refrigerante no meio da maca. 

— Esquece essa porra. — ele desiste irritado. 

Mostro minhas cartas e ele vê que eram um lixo. 

— Seu filho da puta. — ele diz entredentes, se controlando para não gritar. 

Apenas rio e pego as fichas que tinham na maca, recolhendo as cartas. Deidara fica resmungando por mais uns minutos enquanto embaralho as cartas novamente. 

— E o Kisame, como anda? — ele pergunta tentando mudar o foco enquanto tenta esquecer sua 8º derrota consecutiva. 

— Ele vem me ver no próximo mês. — respondo pensativo. — Provavelmente no final do mês. 

— Hm. — ele resmunga olhando para a aliança no meu dedo. — Não sei como você consegue essa parada de relacionamento a distância. O cara mora no fim do mundo. 

— Canadá não é o fim do mundo, é o começo. — retruco. Ele revira os olhos. 

— Mas o que ele disse sobre o seu caso? Alguma novidade?

— Por enquanto, nada. Mas é como eu te disse, eu já tive muita sorte deles terem reaberto meu caso depois de tanto tempo. 

— Caralho. — Deidara ficou pensativo. — Vai fazer 20 anos que você tá preso. — ele constatou. — Eu não consigo me imaginar ficar tanto tempo aqui. 

Sorrio de canto. 

— Então pare de arrumar confusão ou nunca vai sair. — aconselho. 

#

Naquela tarde, liguei para Kisame por um dos telefones da prisão. Ele me atendeu antes do terceiro toque. 

Oi. — dava pra sentir a alegria na voz dele. — Você não acreditar. Encontrei uma casa incrível perto de umas montanhas. Fica do lado de um lago e nós ainda poderíamos ver a aurora boreal. 

— Um daqueles lagos canadenses de água cristalina? — perguntei com um sorriso animado. 

É, esses mesmos. E dá pra comprarmos. Você iria adorar. — ele afirmou com convicção. 

Enquanto ele descreve cada mínimo detalhe desse lugar, fico brincando com a aliança entre os dedos. 

— Kisame. — interrompo enquanto ele fala sobre as luzes boreais do anoitecer que poderíamos ver da varanda do segundo andar. 

Ele fica em silêncio esperando que eu fale. Ele sabe que algo está me incomodando. 

O que houve? — ele pergunta com brandura. 

Fecho os olhos encostando a testa na parede. 

— Por que nós ainda falamos assim?

Assim como? — indaga confuso. 

— Como se eu realmente fosse sair daqui algum dia. 

Escuto seu suspiro do outro lado da linha. 

Qual é, Itachi? — ele pergunta em tom divertido. — Foi você que me ensinou que a paciência é a melhor arma que nós temos. Você passou 19 anos preso para desistir logo agora que conseguiu a reabertura do seu caso? 

— Você sabe tanto quanto eu que isso não significa nada. Eu fui condenado a perpétua. Foi um dos criminosos mais odiados do país por anos. 

Isso foi antes do Sasuke ter sequestrado Haruno Sakura. — ele argumenta. — Estamos de volta no jogo, Itachi. Sasuke te colocou nessa e agora vai te tirar. Eu falei com os advogados. Você foi condenado naquela época a partir do testemunho do Sasuke no tribunal. E agora provaram que ele é um manipulador de marca maior, ou seja, sua acusação se tornou fraca demais. Eles podem te dar liberdade condicional. Você vai sair daí, eu te prometo. Só precisamos de mais coisas contra o Sasuke. 

— Isso não vai acontecer. Ele tá preso em Nagoya, e pelos boatos, é um preso exemplar. — contraponho. — Mesmo que ele tenha mentido no tribunal, precisaríamos provar que ele não é essa pessoa fria e calculista que todos pensam, e isso é impossível. 

Não é impossível. Ele surtou enquanto esteve com Haruno Sakura. Matou uma galera por causa dela. Se a gente conseguisse o testemunho dela ou coisa assim, já ajudaria muito no seu caso. 

Balanço negativamente a cabeça. 

Eu não vou deixar que você perca a esperança, Itachi. Não depois de todos esses anos. Você vai sair daí, eu te prometo. 

Sasuke

A confusão aconteceu no refeitório. Não deveríamos ter sido responsabilizados. Não tínhamos nada a ver com aquilo. Mas a vida na prisão não é justa. Eu aprendi isso logo que cheguei. 

Eu e Shikamaru estávamos na fila quando Kiba saiu da cozinha e veio nos cumprimentar. 

— Consegui pegar um trabalho na cozinha essa semana. — ele disse animado. 

— Sério? — falei surpreso. 

— É. — ele confirmou sorridente. — Peguem o macarrão, eu que fiz. 

Ele voltou para dentro da cozinha para terminar algum serviço enquanto nós continuamos na fila. Ao pegar nosso almoço, fomos nos sentar junto a Sai na mesa do meio do refeitório. 

Shikamaru revirou os olhos ao ver Naruto terminando de pegar seu almoço e vindo em nossa direção. 

— Como o Neji tá? — indaguei tentando mudar o foco da atenção dele. 

— Ainda sem levantar da cama. Mas eu vou levar alguma coisinha pra ele comer no quarto. 

— Que tipo de droga será que estão dando pra ele? — Sai questionou de forma pensativa.

Naruto se sentou conosco na mesa mas todos estávamos concentrados em Neji. 

— Acho que a questão não é o que estão dando, e sim o porquê. — respondi. 

Shikamaru estavam bem pensativo sobre isso. Mal comia de tão concentrado que estava. 

Kiba se juntou a nós na mesa. 

Naruto não era o tipo que gostava de ficar em silêncio quando se está em grupo, ao contrário de nós. Não nos importávamos de passar um bom tempo juntos e calados. Se fosse para eu chutar, diria que esse era o maior problema entre nós e Naruto. 

— Vocês curtem essa comida daqui? — ele perguntou em tom brincalhão, tentando puxar conversar. — Eu acho uma merda. Olha só esse macarrão seco. 

Meu olhar encontrou com o de Shikamaru de imediato. Ambos olhamos para Sai que também nos olhava. Não movíamos nenhum músculo exceto os dos olhos. Todos olhamos para Kiba. 

Observei ele virando a cabeça para Naruto de forma lenta. 

Devagar e sem movimentos bruscos, minha mão soltou os hashis dentro da bandeja e eu percebi Shikamaru e Sai fazendo o mesmo movimento. 

— Que foi? — Naruto perguntou sem entender porque o clima tinha pesado tão de repente. 

Kiba o encarava sério. Eu vi em seus olhos que seu controle sobre a bipolaridade estava morrendo naqueles segundos. 

No exato segundo em que Kiba gritou e pulou por cima da mesa agarrando o pescoço de Naruto e caindo por cima dele no chão, o resto de nós da ala vermelha se levantou rapidamente e correu na direção da saída enquanto o resto do refeitório começava a gritar e torcer para Kiba acabar com Naruto. 

Arrisquei uma última olhada antes de passar pela porta do refeitório. O que vi foi Kiba enforcando Naruto com as mãos no chão enquanto ele tentava se soltar mas não tinha força contra um surto de bipolaridade. 

Nós corremos subindo as escadas até o quarto andar, chegando na ala vermelha. Todos entramos no quarto de Neji. O último a entrar foi Shikamaru, que bateu a porta atrás de si e acordou o Hyuuga na cama, fazendo-o pular de susto. 

— Que porra… — ele disse com a voz fraca e o rosto sonolento e cansado. 

Nós três nos entreolhamos ofegantes. 

— Se perguntarem, estávamos todos aqui quando tudo começou, entenderam? — Shikamaru indagou de forma agressiva e Sai e eu concordamos com a cabeça para ele entender que tínhamos sacado o plano. 

Mas eu já sabia que dessa vez não tinha escapatória. Estávamos ferrados. 

#

Alguns dias após a condenação de Itachi, pedi a Kakashi para me levar para visitá-lo. Ele não ficou contente com o pedido mas me levou. Ao chegar lá, fui revistado e informado de como funcionaria a visita no centro de detenção pelo qual Itachi ficaria até ser maior de idade, e depois passaria o resto da vida numa prisão. 

Nos levaram para uma sala privada com uma mesa e duas cadeiras. Ele estava sentado em uma quando entrei. Não disse uma palavra sequer ou fez expressão alguma ao me ver. 

— Oi, nii-san. — falei depois de ficarmos em silêncio por um bom tempo. 

Nenhuma resposta, apenas um olhar desconfiado. 

O guarda estava em pé encostado na parede, a postos pro caso dele reagir de forma violenta contra mim. 

— Eu sinto muito por você. — falei a primeira coisa que me veio à cabeça. 

Itachi se moveu de forma lenta, se inclinando devagar na minha direção. 

— Não pense que se safou dessa, Sasuke. — ele disse se forma lenta e ameaçadora, numa voz baixa. — Você mentiu na porra do tribunal. 

— Eu jamais faria isso. Você sabe. — falei de forma dissimulada. — Nossos pais eram advogados, eles nos ensinaram a nunca mentir. 

— Se eu sou doente, você é tanto quanto eu, seu merdinha. — ele dizia.

Percebi que o guarda estava curioso para ver o porquê estávamos falando baixinho. 

— Nii-san, você tem que se controlar. — falei inocentemente. 

— Você sabe que eu tinha motivo para ter matado eles. Por que você disse que éramos uma linda família feliz quando não fomos? — percebi que ele tinha fechado o punho e estava se controlando para não me meter um soco na minha cara. 

— Eu só disse a verdade. — dei de ombros. 

Dava pra ver o ódio borbulhando nas pupilas escuras de Itachi. 

— Por sua causa, vou passar o resto da vida trancado aqui. — ele rosnou cada palavra devagar. — Você destruiu a porra da minha vida. 

Me controlei para não sorrir na frente do guarda mas Itachi sabia que eu queria sorrir. 

— Escute bem o que eu vou falar, Sasuke. — ele disse. — Reze todos os dias da sua vida miserável para nunca vacilar, porque se isso acontecer, eu vou sair daqui e vou destruir você. 

— Você vai? — perguntei em tom debochado. 

— A sua máscara vai cair, seu verme. Não vai ser o cara certinho pra sempre. Um dia você vai fazer merda e quando isso acontecer, prepare-se pro inferno. Vingança é um prato que se come frio, como dizia nossa querida mamãe. 

— Pois espere sentado. — respondi baixinho. — Não sou como você que não tem paciência nenhuma para fazer as coisas. Se um dia eu quiser fazer algo, vou planejar cada detalhe para não ter pontas soltas. 

— Isso é o que você diz agora. Eu não tenho pressa, otouto. Posso esperar dez, vinte, cinquenta anos, mas eu vou sair daqui. Isso não é um desejo, é uma promessa. — ele sorriu tranquilo. — E quando isso acontecer, você já era. 

#

Itachi, Itachi… o que será que aconteceu com você depois que fui preso? Será que finalmente saiu da cadeia como disse que faria todos esses anos? 

No fim, você estava certo. Eu tinha planejado cada mínimo detalhe, exceto o pedido de Sakura em sair de casa. Exceto ter acreditado na palavra dela. 

Quão irônico é o fato do psicopata ter sido manipulado pela vítima? 

Às vezes, me pergunto seriamente se não deveria tê-la matado. Teria evitado tanta coisa… mas eu também não teria vivido meus melhores anos. Meus queridos anos de glória, me sentindo vivo cada vez que matava cada um daqueles miseráveis ou finalmente conseguia sentir alguma coisa de verdade toda vez que estava com Sakura. 

Não, Sakura ainda faz tudo valer a pena. Mesmo ela rejeitando a proposta de Orochimaru, eu me sinto emocionado. É reconfortante saber que ainda mexo tanto assim com ela. 

O que me tira de meus devaneios são os gritos de Orochimaru. 

Horas depois, a porta do quarto de Neji é aberta. Orochimaru está ali, ao lado de Jiraiya e mais quatro guardas, inclusive o Sabaku. 

— Pra fora! — Orochimaru está furioso. 

Todos nós saímos, exceto Neji. Kiba e Naruto estão ali no corredor da ala vermelha. Kiba parece ter sido sedado porque mal se aguenta em pé, se apoiando na parede, enquanto Naruto parece prestes a desmaiar, exausto. Há marcas roxas em seu pescoço das mãos de Kiba. 

— Quem começou? — Orochimaru indaga de forma agressiva.

Todos nos entreolhamos. Ninguém ia entregar ninguém. 

Gaara nos encara como se dissesse: “falei para ficarem longe de confusão, são uns idiotas mesmo”. 

— Quem começou? — Orochimaru agora está gritando. 

Ninguém responde de novo. Ele começa a rir de maneira irônica.

— Ótimo, então eu encontro os culpados. — ele olha pra mim e Shikamaru. — Com certeza foram os dois que sempre mandam os peões para fazer o que vocês querem. 

— Estávamos só almoçando. — Shikamaru tenta argumentar. Eu continuo quieto como sempre, sei que não adianta falar nada. 

— É bom você manter seus animais sob controle, Orochimaru. — Jiraiya reclamou nos olhando com certo desprezo. — Desse jeito não será seguro pra ninguém aqui. Eu sugiro mandá-los pra baixo. 

— O quê? — Shikamaru se alterou. 

— Com licença. — Gaara tentou intervir. — Só há uma cela vazia lá embaixo. 

— Que se foda, bote todos eles lá e deixe apodrecerem por uma semana para aprenderam a se controlar. — Jiraiya rebateu. 

Orochimaru nem disfarçava o ódio que sentia por mim naquele momento, ou melhor, o ódio que tinha por não poder mexer com a minha cabeça no momento. Ele precisava de Sakura para isso. 

— Levem Uchiha, Nara e Inuzuka pra baixo. — ele ordenou aos guardas. 

Shikamaru queria gritar mas eu segurei seu braço para mantê-lo na mesma postura. Kiba nem conseguia reagir por conta do remédio que provavelmente tinham lhe dado na enfermaria. Sai respirou aliviado ao saber que estava seguro da punição hoje. 

Mas antes dos guardas nos segurarem pelos braços, Shikamaru agarrou o colarinho do uniforme verde de Sai e falou baixinho perto do rosto dele. 

— Se eu voltar e o Neji tiver ido parar na enfermaria porque você não cuidou dele, você vai amanhecer sem uma orelha. — ele ameaçou baixinho antes do guarda puxá-lo pelo braço e de todos nós sermos conduzidos para as escadas, descendo todos os andares. 

O caminho foi silencioso e tenso. Kiba tentava encontrar uma reação em sua cabeça confusa e dopada enquanto Shikamaru e eu nos mantíamos impassíveis. 

Ao chegarmos ao térreo, fomos ao elevador para descer até o subsolo, lugar onde ficavam as solitárias. 

Quando as portas se abriram, vimos novamente aquela área quente e escura. O corredor mal iluminado era longo e mostrava várias portas de aço fechadas. Começamos uma caminhada longa até o final dele. Gaara ia na frente levando as chaves e mandando os presos dentro das celas calarem a boca quando começavam a gritar ao passarmos. 

No final do corredor, ele abriu a última porta à direita e fez um sinal para entrarmos. O cômodo ainda tinha cheiro de vômito misturado com mofo e água suja. Quente, abafado e pequeno. Um quartinho de três metros com uma pequena cama de pedra grudada da parede e uma privada fedorenta, enferrujada e suja no canto oposto. 

— Boa sorte, otários. — um dos guardas debochou. 

Sabaku nos olhava com um olhar de certa pena antes de fechar a porta e trancar por fora. 

Então… era isso. Ficar ali até Orochimaru melhorar seu humor. Podia demorar horas ou anos. Certa vez me disseram que ele deixou um cara da ala vermelha na solitária por dois anos por conta de uma resposta errada durante uma sessão. 

— Certo, controle. — Shikamaru suspirou. — Vamos nos manter calmos e controlados o máximo que pudermos. 

Falar é fácil, pensei ao olhar para Kiba sentado no chão tentando voltar a si, difícil mesmo é quando você está preso com um bipolar extremamente agressivo que vai ficar os próximos dias preso com você sem receber a medicação controlada. 

Itachi

— Conheci uma garota. Ela é legal. — Sasuke comentou com um sorriso idiota na cara certa vez quando veio me visitar. Tinha dezenove anos, tinha acabado de entrar na faculdade. Ele só vinha me visitar para contar sobre sua vida incrível para me provocar. 

— Ela faz um boquete legal? — perguntei de forma agressiva mas ele não se abalou.

— Nós não transamos. Eu só a vi quando estava no shopping. — ele explicou. — Ela é maravilhosa, nii-san. 

— Não me diga que foi amor à primeira vista? — debochei. 

— Acho que foi isso. — ele respondeu pensativo. — Eu não sei… alguma coisa mudou dentro de mim quando eu a vi. Nunca tinha sentido aquilo antes. Parecia que algo tinha estalado dentro de mim. Senti como se estivesse olhando para um anjo. E senti isso todas as outras vezes que eu a vi. 

— Espera, como assim?

— Eu tenho seguido-a desde então. — ele respondeu dando de ombros. — E toda vez, a sensação é mais arrebatadora. Sinto como se tudo ao meu redor desaparecesse e ela fosse a salvação de tudo. 

Me segurei para não rir. 

Não sabia ainda que ele estava falando da garota que quebraria toda a perfeição que ele construiu ao longo daqueles anos. 

#

Segurando a fotografia das montanhas canadenses que Kisame me deu, já perdi completamente minha esperança de um dia poder ver aquilo com meus próprios olhos. 

Desde que conheci Kisame quando ele começou a me mandar cartas aos dezoito anos, ele tem sido a pessoa que me mantém preso ao desejo de respirar ar puro um dia. De viajar de avião novamente, comer dangos bem quentes e doces, ver o mar. 

Droga, é a merda da medicação. Ela me deixa nesse estado desacreditado e sem forças. Mas é bom, certo? É o mais próximo que consigo chegar de ter sentimentos reais como as outras pessoas. Esse estado deprimido me torna mais normal. 

Eu não consigo perdoar meu irmão por ter me jogado aqui e ter debochado da minha cara todos esses anos. O fato dele também estar preso agora não é suficiente para me consolar. Eu quero vê-lo sofrendo, gritando e surtando. 

Mas eu não posso atingi-lo. Não consigo desestabilizá-lo. Só há uma pessoa nesse mundo capaz disso, porém ela jamais me ajudará. 

Passei vinte anos dizendo para mim mesmo para ter paciência que um dia sairia dessa, que Sasuke pagaria por ter sido um mentiroso do caralho. Mas agora… eu sinto que todos esses anos foram inúteis. 

O único jeito de sair daqui é provando na justiça que Sasuke é louco e mentiroso, mas ele não vai agir como o psicopata que é se não for estimulado. 

É o fim da linha pra mim. 

— Uchiha! — um guarda bate na porta do meu quarto. — Levanta, tem visita pra você. 

Levanto confuso da cama. Os únicos que me visitaram nesses vinte anos foram Kakashi para checar como eu estava, Sasuke para me provocar, e Kisame. Sasuke está preso e os outros dois não avisaram que viriam quando liguei. 

Comecei a me perguntar se talvez Kisame não tinha vindo fazer uma visita surpresa, tentando alegrar meu humor. Mas não o vejo quando passo pela janela da sala de visitas. 

Olho as mesas da sala de visita tentando descobrir quem veio me visitar enquanto eu e os outros presos somos revistados antes de entrar naquele cômodo. 

É quando eu a reconheço. Reconheço porque a vi na televisão da sala de lazer direto quando o caso dela e do meu irmão veio a público. Reconheço porque a vi inúmeras vezes nos jornais nos últimos dois anos. 

Sasuke tem razão. Olhar para Haruno Sakura é como olhar para um anjo. 

Um anjo que veio te libertar.


Notas Finais


É, nesse capítulo conhecemos o homem que vai fazer tudo acontecer nessa estória. O que será que a Sakura foi fazer indo vê-lo hein? Explicações no próximo capítulo, que se tudo der certo, chega no dia 28 ou 29. Também foi o capítulo que eu mais senti ranço desse Sasuke até agora.

Gente, sério, eu amo os comentários que vocês deixam nessa fic. Amo os comentários enormes dos fãs de suspense e criminologia analisando os personagens e a história, é muito motivador. Muito obrigada mesmo! Eu vou responder todos os comentários do capítulo anterior já já, não se preocupem <3

Desculpem se eu deixei passar algum errinho. Espero que tenham gostado e até mais <3

Playlist: https://open.spotify.com/playlist/35tfhbJT8aVzwL6VZhnysN

Crono: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1t5DKJYcCh_KA6E9p385Eqy_cw1MLKYhjYMR1-lrFvi0/edit#gid=0


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