História Mútuo - Capítulo 15


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, D.O, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Kai, Rap Monster, Sehun, Suga, V
Tags Amor, Castelos, Irmãos, Jikook, Kaisoo, Love, Namjin, Reis, Sebaek, Vhope, Yaoi
Visualizações 90
Palavras 2.353
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Perdoem qualquer erro. Não tenho beta e as vezes algum erro escapa T.T
Boa leitura.

Capítulo 15 - Enfrentamento Real


♕ 

Enfrentamento Real 

-"Aqui!"- Sussurrei apontando pra onde Hoseok deveria me seguir. O dia já tinha amanhecido e as ruas ainda tinham marcas de toda a bagunça que os soldados deixaram quando invadiram a vila. Coisas quebradas jogadas no chão, sujeira e principalmente a ausência de pessoas, andando normalmente pelo espaço.  

-"Tem certeza que é esse o lugar?"- Meu capacho perguntou olhando a faixada simples da casa. A janela coberta por um pano de algodão cru e algum tipo de trançado com palhas. A porta fechada e o ambiente silencioso, como se os moradores estivessem morrendo de medo de saírem ou de denunciarem o seu posicionamento.  

A frente da casa tintas estavam caídas no chão, já secas manchando a areia ao redor. Quadros quebrados e bagunçados, pinceis largados sobre a areia seca. Parecia um ambiente pós apocalíptico e aquela visão fez meu estomago revirar ao imaginar o quanto toda essa destruição foi ruim pros negócios.  

-"É aqui mesmo!"- Ditei. Jungkook esperava com seu soldado fiel ao longe. Suas vestes agora cobertas por um tecido claro, como se ele tentasse se portar discretamente no espaço, mas era impossível com todo aquele ar aristocrata que emanava de seus poros.  

Dei dois passos sobre os destroços e bati na porta, tocando os nós dos meus dedos contra a madeira. Ninguém respondeu, ninguém abriu a porta. Respirei fundo, tentando espantar o medo de que aquelas pessoas que me receberam tão bem estivessem na verdade com algum problema ou coisa parecida.  

Com os olhos fechados espalmei minhas duas mãos contra a madeira fria da porta, que agora se encontrava em meio a uma casa sem vida e sem cor. Que não lembrava em nada tudo o que residia ali antes. Coisas como amor, companheirismo e família. Foram eles quem me inspiraram a aceitar a proposta do príncipe bastardo, foi aquela família cheia de amor que me ensinou sobre o que eu não tinha. E sobre o que eu queria ter. Meus olhos marejados deixaram uma lágrima solitária descer por meu rosto, fazendo um caminho molhado por minha bochecha.  

Aproximei mais, tocando minha testa na porta, mais uma vez desejando que eles estivessem bem. Que nada de ruim tivesse acontecido. Que os soldados não tivessem apagado suas cores, assim como apagaram seus quadros, ou bagunçado sua família assim como bagunçaram suas tintas. 

-"Chanyeol... Como permitiu que eles fizessem isso com seus quadros?"- Murmurei baixinho. Senti a mão de Hoseok pousar em meu ombro como se tentasse me passar alguma força. 

-"Eu tentei impedir, mas Minseok me puxou pela orelha e me escondeu!"- Ouvi a voz rouca e arregalei meus olhos, tirando meu rosto de perto da porta e olhando ao redor. Lá estava Chanyeol, com seus cotovelos escorados no batente da janela e sua cabeça escorada em suas mãos, me observando com um sorriso fraco no rosto. Andei até ele e o apertei em um abraço que fez o mais alto rir e retribuir.  

Foi o tempo pra que um barulho fosse ouvido e a porta se abrisse, fazendo um pouco da poeira se espalhar ao redor da entrada. Minseok olhou de mim pra Hoseok e então alcançou o olhar de Jungkook e seu soldado. Seus olhos pareciam avaliar a situação com uma hesitação cortante.  

-"Preciso falar com vocês! Onde está Junmyeon?"- Os irmãos se entreolharam e naquele contato pareciam haver muitos segredos e dores.  

-"Entre Taehyung!"- Minseok convidou e eu segui até ele, sentindo Hoseok segurando meu braço antes que conseguisse entrar. 

-"Porquê obedece esse plebeu que te trata sem respeito algum?"- Ditou furiosamente. Minseok analisou o rosto de Hoseok por um tempo e então olhou pra mim e deu uma risada sarcástica. 

-"Claro... Esse é obviamente um capacho... Devo te chamar de... Príncipe Taehyung?"- Minseok disse ao cruzar os braços na frente do peito, me encarando com um ar de irmão mais velho. Como se reclamasse silenciosamente sobre tudo que ocultei dele. Engoli em seco.  

-"Minseok... Você não entende..."- Comecei a explicar tentando voltar a entrar na casa, mas ele foi mais rápido em colocar seu braço para me impedir, olhando friamente para mim.  

-"Porque eu confiaria em você? Acho que no final... Retiro o convite que fiz para que entrasse... Vou refazer o meu convite. Se retire daqui, não só da minha casa, mas do meu vilarejo e faça questão de levar os soldados violentos com você!"- Ele disse aumentando o tom de voz ao passo em que terminava de falar. Me senti tremer ao sentir a frieza na voz sempre acolhedora daquele rapaz. Só de ouvi-lo colocando os soldados que fizeram isso com a vila no mesmo barco que eu, me sinto enjoado.  

Eu não sabia exatamente o que dizer, além de palavras balbuciadas que só reforçariam a raiva que ele deveria estar sentindo de mim nesse momento. Atribuindo a culpa daquela loucura a qualquer um que fosse da família real. Não tinham palavras que pudessem deixar claro a minha sinceridade e todas as minhas intenções. Então fiz a única coisa que consegui pensar. Apoiei meu braço na parede e desci meu corpo. Encostando o joelho no chão com um baque surdo que fez todos olharem na minha direção. Meu rosto abaixado, meus olhos encarando o chão. Mão esquerda sobre o peito. Era a primeira vez que me curvava assim perante alguém. Nem mesmo o rei teve essa honra. Minseok pareceu entender o quão importante aquele gesto era, pois logo seus dedos finos afundaram por meu cabelo num afago simples.  

-"Entrem!"- Foi o que ele disse, antes de se virar e entrar na casa. Levantei devagar e olhei na direção do outro príncipe, fazendo sinal para que ele viesse.  

A conversa foi longa e se resumia entre eu e Minseok falando e falando. Contei tudo o que sentia e sabia sobre a situação no castelo, mesmo que Jungkook me olhasse de soslaio incomodado por aquela pessoa saber tanto assim sobre coisas que deveriam ser assuntos reais. Mas eu não me importava. Se tínhamos alguma chance contra toda a sujeira que residia agora no reino, precisaríamos de mais gente e eles nunca iriam conosco se não fossemos sinceros.  

-"É o seguinte Taehyung..."- Minseok começou pensativo, após finalmente perguntar tudo o que tinha para perguntar. -"Junmyeon está ferido."- Em seu rosto eu notava o quão preocupado estava e eu mesmo me sentia assim. -"Eu não posso ajudar reino nenhum desse jeito! Tenho que cuidar dele e não vou enviar Chanyeol sozinho!"- Explicou-se com uma expressão triste. 

-"Como ele se machucou?"- indaguei perturbado. 

-"Ele interveio quando começaram a destruir tudo. E foi estupido o bastante pra lutar com um soldado, que não só estava armado, como tinha reforços. Ele foi pra briga de mãos vazias e sozinho... E como deve imaginar não pensaram duas vezes antes de esfaqueá-lo e abandona-lo no chão. Quando cheguei, lá estava meu irmão sangrando. Deveria ter melhorado pelo menos um pouco depois que ponteei e limpei o ferimento. Ele também comeu e descansou, mas acredito que tenha algum tipo de veneno... Ele precisa de mim aqui... Não posso deixar ele sozinho."- Terminou e fiz uma careta imaginando como deveria estar sendo horrível pros três.  

-"Seu irmão vai morrer..."- Jungkook quebrou o silêncio fazendo todos olharem em sua direção de olhos arregalados. -"Ele vai morrer, à menos que venha conosco..."- Terminou a frase. Minseok franziu o cenho. 

-"Isso é uma ameaça?"- Indagou descrente. Jungkook meneou a cabeça negativamente. 

-"Esse veneno que os soldados colocam nas lâminas... Nenhum curandeiro daqui vai conseguir salvar seu irmão. Você precisa de um médico real!"- Explicou o que queria e fez Minseok olha-lo pensativo.  

-"Você não pode estar falando sério..."- Murmurou o mais velho passando as mãos de seu rosto pro seu cabelo, como se não soubesse o que fazer com aquela informação. 

-"Isso é verdade?"- Indaguei com medo de que Jungkook estivesse tentando enganar Minseok pelo seu apoio, mas pra minha surpresa meu meio irmão fitou-me fortemente. Seus olhos transbordando uma sinceridade que escolhi acreditar. 

Minseok se levantou de repente. Continuamos em silêncio vendo o mais velho andar pela sala. Seus sapatos pesados faziam barulho contra o chão de cimento queimado e todos parecíamos a mercê de seus pensamentos. O que pra mim soava no mínimo irônico. Quando dois membros da família real iriam por vontade própria praticamente implorar por ajuda desse jeito? Ainda mais a um camponês? Era como se os valores e poderes tivessem invertido. E nossos rótulos e títulos não valessem absolutamente nada.  

-"Vamos recapitular..."- O baixinho começou movendo sua mão no ar. -"Vocês vinheram aqui pedir pra que eu, meus irmãos e nossos amigos, saiamos da nossa casa, pra proteger o que vocês conhecem como reino? Não é isso?"- Ditou sarcástico, como se tudo soasse impossível de acreditar. 

-"Vai ser vantajoso pra vocês também!"- Jungkook contrapôs rapidamente. 

-"Que parte disso é vantagem pra mim?"- Gritou de volta Minseok. 

-"Eles estão matando a família real inteira... Já pensou o que farão com camponeses? Muito pior!"- Ditou meu irmão friamente e Minseok precisou rir de um jeito frio. 

-"Ah... Então devo temer a morte? Devo temer a fome? O frio? A doença...? Já temo isso agora Príncipe Jungkook. Mudar o poder sobre o trono, não faz da minha vida melhor ou pior. Assim como vocês vivem egoistamente pra protegerem o que conhecem e amam, eu vivo pra manter quem eu amo vivo. E pode acreditar em mim... Estar entre soldados sanguinários para proteger príncipes, não é o que eu tenho como decisão inteligente!"- Ditou autoritariamente o mais velho. Jungkook calou-se absorvendo o significado das palavras e eu mesmo me sentia meio aéreo e errôneo nesse momento. Como se não soubesse nada sobre a dor.  

-"Eu acredito que está certo... A família real é egoísta... Acredite em mim, senti na pele o egoísmo daquele lugar..."- Hoseok nos pegou de surpresa começando a falar. -"Eles não ligam pra quem vive ou quem morre. Não ligam pra quem sente fome ou pra quem morre doente. Eles apenas ligam pro próprio umbigo real, escondido dentro das paredes de pedra daquele castelo. Mas as pessoas que querem assumir o poder agora, não são melhores que eles. Nem o que vivíamos e nem o que querem que exista no futuro. Proponho que nossas mãos criem um novo começo. Pra isso precisaremos de aliados fortes, em todos os sentidos. Kim Taehyung... Meu príncipe, atualmente o príncipe herdeiro... Só ele terá voz em frente ao clero. E somente nós guerreiros poderemos limpar o caminho pra que seja possível. Eu não quero que me ajude a deixar tudo como sempre foi, quero me esteja ao meu lado pra mudar a sangue, suor e lágrimas o futuro. Quero um lugar onde eu e você sejamos tão importantes quanto Kim Taehyung."- As palavras do meu capacho me fizeram marejar os olhos. Encarando-o intensamente, por nem imaginar toda a dor que ele entendia e carregava dentro do próprio peito. 

-"Porquê se importa tanto capacho?"- Minseok perguntou, encarando-o. Dando a ele total atenção. Hoseok riu de lado. 

-"Acredite... Ao ser tirado da minha família... Que morreu de fome. Ao ser treinado como capacho e ensinado que deveria amar Kim Taehyung acima de tudo quando eu nem mesmo sabia o que era amor... tudo o que pude fazer foi odiá-lo. Mas eventualmente me dei conta... Ele não entende, ele nunca sentiu o que sentimos desde que nascemos Minseok... Nenhum deles sabe o gosto amargo da nossa dor. Mas justamente por isso que eles serão capazes de entenderem. Eles serão a chance por trás de toda a corrupção no reinado. Eu acredito que vamos ser capazes de fazer um reino grande o suficiente pra nenhum rei conseguir comandar. Seremos todos, um só."- Terminou. Me fazendo franzir o cenho e dar-me conta de tudo o que ainda não sabia sobre o homem que dizia amar.  

-"E se eles traírem você e eu?"- Minseok indagou dando ouvidos apenas a Hoseok.  

-"Nesse caso, eles também serão nossos inimigos. Construiremos um reino justo. Com a ajuda dos príncipes ou sem nada."- A voz do meu capacho soava como a voz de um líder. E aquilo me deu certeza de que ele sempre quis ser igual. De que ele sempre quis ser mais. Ter mais. Aquilo me deu a certeza de que ele sim, sentia a verdadeira dor por cada um dos plebeus que constituíam nosso território. Porque ele era um. Ele era como uma metáfora perfeita e irônica dos dois. Capaz de entender os dois lados mutuamente. E pela primeira vez me soou errado rotular aquela pessoa como o capacho do príncipe... Jung Hoseok era mais que isso. 

-"Eu proponho igualdade. Proponho que sejamos importantes... Todos nós. Que sejamos uma equipe acima de rótulos e títulos. Se aceitarem meus termos... Lutarei."- Minseok disse firmemente.  

Aquela foi a parte mais fácil. Já que todos concordaram de bom grado. Incentivados pela aura decidida de Jung Hoseok. Foi fácil trocar de roupa, pra ser igual a todos os que estavam ao meu redor. Foi fácil saudar os plebeus que tornaram-se parte do time e completaram o nosso número. Foi fácil vê-los compartilhando armas forjadas a ferro, que nem de longe ostentavam a delicadeza das armas reais. A decisão de fazer parte daquilo tudo, seja qual for os motivos dentro de cada um dos corações ao meu redor, foi facilmente tomada. 

Estar ao lado de todos, flechas nas costas, arco na mão. Isso sim foi a parte difícil. Percorrer o caminho até o castelo sabendo que eu teria que fazer de tudo pra proteger meu time igualmente... Isso sim seria difícil.  

Ficar de frente a construção de pedra que nos separava do castelo, vendo os soldados inimigos armados e postados a frente, prontos para nos impedir, isso sim foi difícil. Ter noção do silêncio ao meu redor enquanto estava à frente de tudo que queria proteger e destruir ao mesmo tempo... Hoseok ao meu lado. Isso sim foi difícil. 

Pegar uma flecha com as pontas dos dedos, arruma-la contra meu arco, esticando a arma. Meu olhar firme no soldado a minha frente. A decisão de soltar a flecha mais uma vez contra uma vida. Saber que foi minha flecha que iniciou nossa batalha. Essa foi a parte mais difícil.  

 


Notas Finais


É meninos e meninas, a guerra finalmente começou. Estamos tendo vislumbres ainda maiores dos personagens que achávamos conhecer completamente. E no futuro vamos aprender ainda mais coisas. Sobre tudo isso.
O fim está próximo.


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